Você sabia que o Estado de Goiás já viveu uma época chamada “Era do Ouro no Basquete”? Pois é. Na década de 1970, Goiânia era celeiro de grandes craques no esporte. Por muitas vezes, a Seleção Brasileira de Basquete era composta pela maioria de jogadores goianos. A capital goiana era conhecida como a Capital do Basquete.

Equipes como Ajax, Jaó, Jóquei Clube e Vila Nova eram consideradas as melhores do país. Na época, esses times levavam multidões às quadras e ao ginásio da Asefego.

Em 1973, o Vila Nova – que na década de 70 tinha uma atuação presente além do futebol – criou o departamento de basquetebol. Essa geração viu três títulos conquistados, sendo um do Campeonato Nacional em cima do Trianon, de Jacareí (SP). No ano seguinte, o clube disputou o Mundial Interclubes, conquistando uma honrosa medalha de bronze.

O auge do basquete em Goiás perdurou pelas décadas de 80 e 90, mas nos anos seguintes foi perdendo força. A prática do esporte foi ficando muito cara e não havia patrocinadores ou incentivo do poder público.

Ely Toscano, presidente da Federação Goiana de Basquete, que também já foi atleta, enfatiza que entre os anos 70 e 90, Goiás tinha um basquete muito forte e era referência no Brasil. “Penso que essa época chegou ao fim, porque as grandes equipes ou encerraram com a prática do basquete ou pararam de investir na modalidade. Hoje para mexer com equipes adultas, precisa de um investimento financeiro muito alto. Todo esporte de alto rendimento é realmente muito caro”, argumenta.

Investimento na base

Virmondes Cruvinel, deputado estadual reeleito por Goiás, fez parte da safra de bons jogadores, pela excelente equipe do Jóquei Clube dos anos 90. Virmondes acredita que o processo de retorno do basquete goiano ao topo passa por estratégias desenvolvidas em parceria com a Educação.

Virmondes Cruvinel | Foto: Maykon Cardoso/Alego

“Sem dúvidas nenhuma, primeiro precisa haver um incentivo à atividade nas escolas, uma parceria com as secretarias municipais e estaduais de educação, principalmente na Capital, com destaque para competições entre as escolas, que também pode acontecer no sistema de ensino particula. A gente fica na torcida”, disse ele. O deputado acrescenta ainda que se coloca à disposição para ajudar na pauta junto a Secretária Estadual de Educação (Seduc).

Nesse sentido, o presidente da Federação salienta que a base de atletas de basquete em Goiás está muito bem desenvolvida. Para ele, esse é o fator mais importante para a Federação e tem toda a atenção, porque garante o futuro do esporte. Segundo ele, tanto na capital como no interior, o esporte tem se desenvolvido muito nos últimos anos. “Novos atletas estão se destacando. Nacionalmente, nossas seleções de base tem ganhado notoriedade, sempre competindo forte e tendo boas colocações”, destaca.

Toscano explica que o campeonato de base é dividido em duas regionais: a metropolitana e a do interior Em cada uma delas, todos jogam entre si, e os classificados vão para a final estadual. Nessa fase, são feitos quadrangulares com os chamados “final four” (os quatro finalistas, em inglês), nas categorias sub-13, sub-15, sub-17, sub-19 e sub-21, tanto no masculino como no feminino.

O presidente também deixa um alerta ao afirmar que o basquete precisa de apoio em Goiás. “Tradicionalmente, o basquete em Goiás sempre foi bom tecnicamente. O que falta é maior apoio financeiro e melhor estrutura para as equipes. Quanto maior o investimento, maiores serão os resultados”, salienta. Ele ressalta também que a Federação sempre trouxe grandes eventos para o Estado, fato que engrandece Goiás e o esporte local.

Para o ano de 2023, a Federação terá um calendário cheio. Serão realizados os Campeonatos Goianos de Base e Adulto, a Copa Goiânia e os Campeonatos Brasileiros de Base. A Federação ainda tentará trazer um grande evento internacional para o Estado. “Iremos fazer as clínicas técnicas para os treinadores, clínicas de arbitragem e campings de treinamentos para as seleções de base. Há muita coisa para ser feita neste ano”, comenta. Ele destaca também que 2023 é um ano fundamental para a Federação, que completa 75 anos de fundação.

História

O basquetebol, ou simplesmente basquete, é um esporte coletivo jogado entre duas equipes, sendo vencedor o time que conseguir colocar por mais vezes a bola no cesto. Capacidade física, agilidade e coordenação motora estão entre os principais fatores que podem fazer a diferença dentro de quadra.

O esporte foi criado nos Estados Unidos, em 1891, pelo professor de educação física canadense James Naismith. Na época, ele lecionava na Associação Cristã de Moços de Springfield, em Massachusetts. O professor foi convidado a ajudar na criação de um jogo que pudesse entreter os alunos durante o inverno e, por isso, teria que ser praticado em lugar fechado.

Mais de 130 anos depois, o esporte é um dos mais praticados no mundo. Atualmente, estima-se que mais de 300 milhões são adeptos da modalidade nos mais de 170 países filiados à Federação Internacional de Basquetebol (FIBA). O basquete se consolidou como um esporte acessível, principalmente nos Estados Unidos, e passou a caracterizar a cultura popular.

País fundador do esporte, os Estados Unidos ainda são a maior força, sendo sede da mais importante liga de basquetebol do mundo. Na NBA, são 29 equipes americanas e uma do Canadá. Apesar disso, em 2022 o país perdeu o posto de número um do ranking para a Espanha. O Brasil ocupa a 13ª colocação da lista, com uma das seleções mais históricas do mundo e segunda mais forte da América Latina, rivalizando com a Argentina.