“Vou entregar para Goiânia tudo o que prometi na campanha de 2012”

Prefeito exalta feitos na educação, fala que a saúde do município atende três vezes mais do que sua população e diz que vai cumprir todo seu plano de governo até o fim do mandato

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Paulo Garcia chegou ao Jornal Opção um tanto abatido para mais uma sabatina com a equipe de jornalista em sua gestão. Mas não por conta da avaliação baixa que ela tem tido por parte da população: uma gripe o afetava. “Fazia muito tempo que eu não gripava. Eu pensei que estava conseguindo escapar desta vez também, mas ela me pegou”, relata, com a pitada de humor que lhe é característica.

O prefeito de Goiânia é assim: mesmo com os problemas batendo à porta, não perde a linha. E foi assim que discorreu sua conversa com os repórteres, ressaltando feitos, principalmente na área da educação. O prefeito cobrou também da imprensa que procurasse outros ângulos de abordagem de temas polêmicos, como a questão da saúde. “Nunca vi uma equipe de jornalismo sair para fazer uma matéria nas clínicas e postos de saúde da capital para saber a origem das pessoas que são atendidas.” Paulo diz que o número de pacientes cadastrados como “goianienses” na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é de 4,5 milhões. Três vezes a população da cidade.

Ao ser alertado sobre se cumpriria a promessa de executar cem quilômetros de ciclovias na capital, o petista foi além: “Vou entregar tudo o que prometi em campanha. Pode escrever aí. Aliás, faço um desafio: pegue o meu plano de governo e, no dia 31 de dezembro de 2016, me cobre tudo que está no plano de governo e que eu não tenha feito.”

Euler de França Belém — Sempre defendi que o sr. é um prefeito melhor do que sua imagem e os números mostram. E um dos fatos que o levou a ter um desgaste na imagem foi a questão do lixo. Agora se observa que a Prefeitura está tendo um cuidado especial com essa área. Houve algum choque de gestão nesse sentido?
Estava tudo planejado. Aquela crise do lixo existiu porque nós vivenciamos um período em que a frota existente entrou em total declínio e precisava ser renovada. Tivemos dificuldades enormes com processos burocráticos, por ações políticas em algum momento, o que nos impediu de fazer a compra do novo maquinário. Atualmente, temos um maquinário todo novo. Temos 60 novos caminhões compactadores e 7 minicaminhões. Temos uma frota, como nunca tivemos, maior do que a de Curitiba. Foi uma crise provocada por diversos motivos.

Cezar Santos — Quando o serviço será normalizado?
Ele já está normalizado. Acontece que hoje a produção diária de tonelagem de lixo é maior do que no ano passado, cresce a cada ano. O número de bairros hoje ocupados é maior do que era na administração anterior, aumentamos as nossas necessidades. Mas penso que uma solução definitiva só acontecerá se houver uma participação mais salutar da comunidade. Tem muito descarte de lixo em locais inapropriados. O que fizemos foi começar a multar.

Euler de França Belém — Mas não era somente o lixo nas ruas: havia o mato, que estava tomando conta da cidade.
Sobre a questão do mato, a legislação mudou. Antigamente, era permitida pela legislação a utilização de um agente químico para matar o mato e que era jogada nas calçadas. A proibição ambiental surgiu em minha administração, agora tem de ser corte manual. A responsabilidade pela poda nas calçadas é do proprietário, não do poder público, mas ainda assim fazemos. Não há colaboração da sociedade, falando de forma genérica. Para ter ideia no Jaó, por exemplo, foram feitas frentes de serviço por três vezes e o mato cresce novamente. Isso só se reduz agora, com a estiagem.

Euler de França Belém — Marconi prometeu o ajudar na questão do lixo. Isso já ocorreu?
Ainda não. Na última vez em que nos encontramos, ele me perguntou se eu tinha recebido o recurso. Eu disse a ele que não.

Euler de França Belém — A impressão que passa é que a relação do sr. com Marconi ocorre “entre tapas e beijos”. É isso?
Eu não sei o que é viver entre tapas e beijos. Primeiro que não sou romancista e, segundo, que não sou ator (risos). Acho que vivenciamos um momento muito produtivo atualmente, de amadurecimento de ambas as partes. A relação interpessoal é muito positiva. Há uma disposição de ambas as partes para projetos que sejam de interesse de Goiânia, como, por exemplo, a Praça Cívica. Nós tínhamos acesso aos recursos e o governo estadual tinha o projeto. É um exemplo de parceria que estamos fazendo.

Cezar Santos — Mas não era assim. Havia uma clara animosidade que se percebia principalmente de sua parte. Isso parece que mudou.
Eu já disse, acho que nós amadurecemos, a relação tem de ser reciproca. A conjuntura é outra e é bem mais saudável.

Cezar Santos — Isso se deu com a saída de cena de Jayme Rincón [presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), um dos pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de Goiânia]?
Minha relação institucional é de prefeito com o governador.

Euler de França Belém — Qual é a sua popularidade hoje em Goiânia?
Não sei, faz tempo que não faço pesquisa.

Euler de França Belém — Está acima de 6%?
(risos) Ah, muito acima. Quer andar comigo na rua? Podem destacar um jornalista e um fotógrafo para passar o dia inteiro comigo. No fim, vão me dizer que avaliação eu tenho. E vamos combinar um dia em que passarei a maior parte da agenda fora do gabinete.

Euler de França Belém — Falam por aí que as ciclovias estão paradas. Estão?
Estão, mesmo. E aproveito aqui para dizer que erramos ao fazer a opção pelas ciclovias.

Elder Dias — E como ficam agora os ciclistas? Havia previsão de uma ciclovia para a Avenida 85, que o sr. disse que seria feita, mas até agora, mesmo com a intervenção, não foi iniciada. Como vai ficar isso?
Repito, eu estou convicto que nós erramos em fazer a opção pela ciclovia. Falo isso porque há três espaços preferenciais para bicicletas: a primeiro é a ciclovia — que é algo exclusivo, mais caro e que existe nos corredores. O único corredor pronto que temos, na verdade, é o da Avenida Uni­ver­sitária ou Rua 10. No corredor da 85, a parte que foi executada até agora foi para melhorar a mobilidade. E melhorou muito, principalmente depois da sincronização semafórica. Agora, está um espetáculo. Temos pesquisa de satisfação dos usuários de carro e ônibus com aprovação de mais de 90%. Por incrível que pareça, onde os corredores foram implantados — mesmo parcialmente, como na 85 — reduz o tempo de viagem para todo mundo, para ônibus e carros, embora de fato melhore mais para os ônibus.

Então, sobre os corredores, temos o da Avenida Universitária pronto; o da 85 parcialmente executado, na parte realizada com recursos próprios — o restante é verba federal e está sendo licitado agora na 85; o mesmo vale para o corredor da T-63.

Elder Dias — O que falta na T-63?
Falta completar a ciclovia, que foi interrompida na passagem sobre o Córrego Cascavel, onde falta uma ponte, e para no Setor Nova Suíça, quando deveria se estender até o Flamboyant. Mas os estudos para transposição das barreiras estão concluídos, mas esse corredor não está completo, assim como também não está o da 85. A única coisa — que foi determinação minha, porque acho que podemos nos antecipar — foi a marcação do espaço preferencial para ônibus para agilizar logo a melhoria da qualidade do transporte coletivo. Por isso que essas ciclovias não estão implantadas.

Cezar Santos — O sr. dizia que errou na preferência por ciclovias. Por quê?
Erramos porque deveríamos ter feito opção pelas duas outras modalidades de espaço para as bikes: as ciclofaixas e as vias cicláveis. São coisas diferentes: ciclovias são exclusivas de bicicletas; ciclofaixas, que são áreas de utilização compartilhadas; e, agora, ganhamos um estudo agora de 100 quilômetros de vias cicláveis, que devem ser preferenciais para o uso de bicicleta, seja para se locomover no dia a dia, seja esportivamente ou por lazer. A sinalização é feita só com uma marcação vertical e horizontal simples, com placas que dizem aos motoristas para terem uma atenção mais direcionada aos ciclistas. É uma via estudada para quem vai de um bairro a outro mais fácil para ser utilizada pelo ciclista. Então, há placas nos postes e uma sinalização voltada para a bicicleta no solo.

Nós ganhamos esse estudo de uma ONG [organização não governamental] e já está pronto. Onde eu acho que errei? Deveríamos ter optado por fazer 100 quilômetros de vias cicláveis, que fica mais barato de fazer. Mas vamos fazer isso agora. De qualquer forma, as ciclovias vão continuar sendo feitas.

Elder Dias — Em sua campanha, havia o compromisso de mais de 100 quilômetros de ciclovias. Eles já sabem dessas mudanças.
Vamos entregar 100 quilômetros de vias para os ciclistas.

Elder Dias — Mas vão transformar isso em ciclofaixas?
Não necessariamente.

Elder Dias — Mas isso será funcional para o ciclista?
Todas as obras serão funcionais. Estivemos reunidos com grupamentos ciclísticos, que hoje são vários e que já estão a par dessas ideias e querem dessa forma, também. Nos corredores pode haver ciclovias, mas em determinado trecho utilizar ciclofaixa. Aliás, no mundo hoje, se você viajar para fora, o que é mais utilizado são as vias cicláveis com compartilhamento total das avenidas e ruas entre carros, ônibus e ciclistas. A cidade de Paris é quase toda assim.

Cezar Santos — Só para reforçar, o que o sr. vai entregar do que prometeu durante a campanha?
Vou entregar tudo o que prometi em campanha. Pode escrever aí. Aliás, faço um desafio: pegue o meu plano de governo e, no dia 31 de dezembro de 2016, me cobre tudo que está no plano de governo e que eu não tenha feito.

Entreguei 10 escolas e 24 Cmeis.  e tem mais 9 unidades em construção,  oito delas entregaremos até dezembro”

Entreguei 10 escolas e 24 Cmeis e tem mais 9 unidades em construção,oito delas entregaremos até dezembro”

Cezar Santos — Até a promessa sobre os 81 Cmeis [centros municipais de educação infantil]?
Sobre os Cmeis, fizemos um estudo e sabemos que não vamos precisar de 81 unidades. Exagera­mos no número em nosso planejamento. Vou revelar algo de que ninguém fala: nenhum outro prefeito que me antecedeu investiu quase R$ 15 milhões em uniforme e tênis para os alunos da rede pública. Foi em minha gestão que passaram a receber, mas as pessoas esquecem, porque isso vira rotina.

Outro ponto: diga-me qual prefeito entregou 34 novas unidades de educação. Eu entreguei 10 escolas e 24 Cmeis, além de termos ainda temos 9 Cmeis em construção, 8 desses que entregaremos até dezembro. Então, serão 43 novas unidades até o fim deste ano, um investimento de quase R$ 18 milhões. Além disso, ampliei 63 escolas e 53 Cmeis. Ou seja, 116 unidades escolares já existentes foram reformadas e ampliadas. Eu construí — pois não existiam — 35 quadras poliesportivas na rede estadual de educação. É bom ressaltar que em relação às escolas novas, todas de minha administração já vêm com quadra, mas as antigas não tinham. Podem questionar, “mas pra que uma quadra, só para prática de esporte?”. Não é, não. Uma quadra é fundamental para várias atividades esportivas, físicas, culturais, comunitárias, tudo isso que não poderia ser realizado a céu aberto tanto sob sol intenso como em período de chuva.

Frederico Vitor — Mas ainda há carência de vagas nas escolas e Cmeis?
Vou falar alguns números. Criei 11.520 novas vagas na rede municipal. Cerca de 10% das vagas existentes hoje não existiam antes da minha gestão. Contratei 3.780 professores e 1.004 servidores administrativos. É quase um terço dos servidores da Educação. Por isso digo que nós projetamos exageradamente. Não temos demanda, hoje, no ensino fundamental, atendemos a todos. No ensino infantil ainda temos uma demanda, cada vez menor. Porém, acho que nós vamos zerá-la sem a necessidade da construção dos 81 Cmeis.

Outro detalhe, de que ninguém fala: estava em uma atividade em escolas e veio a ideia de fazer um teste. Perguntei às crianças — e criança não mente: “Quem aqui não mora em Goiânia?” O número de crianças que levantaram a mão foi impressionante. Como ocorre na saúde, também damos atendimento na educação a várias pessoas que não são moradoras do nosso município de Goiânia. Não sou contra isso, mas é apenas a realidade.

Cezar Santos — Já que o sr. tocou no assunto, a saúde é sempre um grande alvo de críticas na região. Como o sr. avalia esse quadro?
Na saúde, o que não falta é UTI em Goiânia. Falando isso, soa até como absurdo? Ainda assim, digo que não falta. O que faltam são UTIs no Estado de Goiás. O número de leitos de UTI que temos em Goiânia é muito maior do que o preconizado pela OMS [Organiza­ção Mundial de Saúde] com a população que nós temos. Para a OMS, nós deveríamos ter 133 leitos de terapia intensiva. Seria um leito para cada 10 mil habitantes. E sabe quantos temos? Temos 380 leitos apenas em Goiânia. Só que nós atendemos todos os municípios goianos e também outros Estados. É por isso que parece que não temos leitos suficientes.

Cezar Santos — Na região Nordeste de Goiás não há nenhum leito de UTI.
Salvo equívoco, na rede pública além de Goiânia só teria leito de UTI, e mesmo assim em rede filantrópica, na cidade de Anápolis —– além de Goiânia. Não posso afirmar com certeza, mas de todo modo, são pouquíssimos fora daqui. A mesma coisa acontece quanto às maternidades. Eu darei ordem de serviço em breve para o novo Hospital da Mulher e Maternidade, no Conjunto Vera Cruz. Já tem o recurso, está tudo licitado, o projeto está pronto e será um hospital maior do que o Hospital da Mulher e Maternidade Dona Iris, que já fez 10 mil partos em três anos.

Praticamente, lá se fazem todos os partos da população vizinha de Goiânia. Temos, na verdade, maternidades metropolitanas. Se olhar o número de maternidades publicas nos municípios vizinhos, vai ver que não existem e que as que existiam foram fechadas, como a de Aparecida de Goiânia.

Euler de França Belém — Mas a Prefeitura recebe a mais do Ministério da Saúde por esses atendimentos?
Recebemos só sobre aquilo que está pactuado.

Elder Dias — Há como estimar uma porcentagem a mais sobre o que realmente a Prefeitura deveria receber pelos atendimentos em relação ao que está pactuado?
Vou lhe dar um dado que mostra quão descabida é essa relação, o quanto é desproporcional. Nós temos 1,8 milhões de cartões SUS cadastrados em Goiânia, o que já é um número maior do que o da população. Na Secretaria Municipal de Saúde (SMS), temos 6,4 milhões de usuários cadastrados. Desses, 4,5 milhões dizem que são goianienses. Ou seja, nossa população, pelos dados da SMS, seria três vezes maior — em cada casa em que more um goianiense, há mais dois escondidos (risos).

Euler de França Belém — Mas é porque devem estar contando até os mortos.
(risos) Não, isso é cadastro ativo, de pessoas que utilizam o SUS. Por isso, quando falamos que, a cada três pessoas que atendemos, duas são de fora, isso é algo comprovado. Não é balela. Quando recebemos pessoas de fora, não é ruim do ponto de vista econômico, esse não é o principal problema. O problema é a saturação de nossas unidades. Quando eu vou ao Ministério da Saúde e peço recursos para a construção de um hospital municipal, eles liberam recurso com base nas estatísticas populacionais do IBGE, não para uma cidade com 4,5 milhões de habitantes — afinal não temos essa população. Seria, em tese, um hospital ocioso, o que na verdade não ocorre, já que há essa saturação.

Elder Dias — Então, o que deveria acontecer seria uma pactuação com base na estimativa de 4,5 milhões de pessoas?
Não acho que seja isso — e eu, inclusive, já conversei com o governador. O que deveria haver seria a descentralização do atendimento, por regiões. Não pode vir tudo para Goiânia.

Euler de França Belém — Mas já não se iniciou esse trabalho? Uruaçu terá um hospital, e Santa Helena já tem um hospital em funcionamento.
O “vai ter” é muito promissor, mas só se tem resultado efetivo quando tudo estiver pronto.

Euler de França Belém — Quantas casas de apoio de outros municípios há em Goiânia? Elas aumentaram de número?
Isso eu não sei. Essa é uma realidade de quase todas as capitais brasileiras. Até o Acre tem casa de apoio em Goiânia.

Alexandre Parrode — Muitas vezes o governo diz que o problema da saúde estadual é por causa do SUS de Goiânia, que não atende as emergências e então sobrecarrega hospitais como o Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia] e o HGG [Hospital Geral de Goiânia]. Como fica isso? As OSs [organizações sociais] que gerem os hospitais dizem que têm 90% de aprovação e só não chegam a 100% porque vêm pessoas da rede de Goiânia.
Mas, e da rede de Goiânia, de onde são as pessoas? Eu provei agora aqui para vocês.

Cezar Santos — Parece que ambos têm razão nos argumentos, tanto o município quanto o Estado.
Em parte. Eu acho que nós temos mais, afinal os números não mentem. Se percorrerem com máquinas fotográficas setores como o Aeroporto, fotografarem as ambulâncias de fora de Goiânia que encontrarem e visitarem as casas de apoio, perguntando de que município são as pessoas e o que estão fazendo, terão a resposta. É só observar. Aliás, eu estranho porque nenhum veículo de comunicação fez uma reportagem como essa ainda. Do ponto de vista econômico, esse contingente movimenta a economia, mas em relação à saúde tudo fica muito complexo.

Elder Dias — A relação custo-benefício acaba negativa?
Negativa, porque piora o processo assistencial. Para ter ideia, investi em média, desde que assumi, 26% em saúde, quando o mínimo constitucional é 15%. Ou seja, investimos quase o dobro do que prevê a Constituição. Atendemos, cadastrados, 600 municípios. Goiás tem 246. Os outros são do oeste da Bahia, sul do Pará, do Maranhão, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Pará. Tudo.

Patrícia Moraes Machado — Mas o SUS não existe exatamente para resolver esse desequilíbrio?
O problema não é econômico. Os tetos projetados pelo Ministério da Saúde são com base na população local; por exemplo, para edificação de equipamentos públicos na área da saúde. Não tenho como construir um hospital que seria construído em uma cidade de 4,5 milhões de habitantes, pois eles só me repassam recursos para construir uma maternidade para uma cidade com 1,5 milhão de habitantes.

Qual o recurso que nós recebemos? Aquele que houve a partir de uma pactuação oficial entre União, Estado e Município, bipartite, ou entre municípios, bilateralmente. Mas por aqueles que são oriundos de locais em que não há a pactuação, não necessariamente eu vou receber recursos, pois excedem a cota. Ele é o chamado “extracota”, que não está empenhado no orçamento do Ministério da Saúde para nós.

Patrícia Moraes Machado — O extracota é o que ultrapassa da população local?
É aquilo que ultrapassa os atendimentos, o que obviamente ocorre, pois temos população não local sendo atendida. Eu pedi aumento do teto de participação da União para a Maternidade Dona Iris, que vive lotada, mas, para isso, dependo da benevolência e compreensão do Ministério da Saúde. Afinal, o próprio ministério, quando projeta a divisão do bolo orçamentário, ele projeta com base na população. É complexo, não é coisa simples.

Patrícia Moraes Machado — O que o SUS dá de retorno para a Prefeitura, em termos financeiros?
O teto programado.

Patrícia Moraes Machado — Por cidadão atendido?
Não, por atendimento. Depende, para algumas áreas não é assim. É o caso da dengue. Eu pedi agora R$ 19 milhões para o atendimento global da doença. Aí vêm medicamento, pessoal etc., não é necessariamente apenas por procedimento.

“Vamos cuidar de fazer o Hospital da Mulher”

galeriaPatrícia Moraes Machado — O sr. não acha importante esclarecer isso? Afinal, as pessoas devem questionar por que o problema da saúde pública está sempre o mesmo.
Existem cotas e devem existir cotas, pois o SUS foi pensado de forma hierárquica. Tem um atendimento inicial — o primário, nas chamadas unidades básicas de saúde da família — e o processo segue até o atendimento especializado, chamados quaternário, que deve ser realizado nos grandes hospitais e eles estão localizados nos maiores centros urbanos. Aí então, por exemplo, o HC [Hospital das Clínicas da UFG] e os grandes hospitais públicos de Goiânia. Afinal, não tem como haver um serviço público de neurologia ou oncologia em uma cidade de 5 mil habitantes, não tem nem volume para isso. É um serviço hierarquizado, mas o básico deveria ser realizado onde as pessoas moram.

Cezar Santos — Acaba caindo na questão da divisão do pacto federativo também, não?
Não muito. A questão do pacto federativo é outra, é em relação à divisão do bolo entre União, Esta­dos e municípios. Mas uma distribuição para mais não solucionaria esse problema: nós teríamos mais recursos para o Tesouro, para o todo, mas não especificamente para saúde.

Euler de França Belém — O sr. desistiu do hospital municipal?
Não desisti, mas vamos fazer primeiramente vamos cuidar do hospital da mulher.

Euler de França Belém — O Hospital Municipal vai ficar para o próximo ano?
Quem sabe?

Frederico Vitor — A propósito da dengue, em que fase está a elaboração de uma vacina contra a doença?
A vacina contra a dengue já está pronta. Ouvi dizer — não sei se é verdade — que a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] não estava querendo validar essa vacina internacional por aguardar uma produzida por um instituto brasileiro, que seria mais adequada ao perfil epidemiológico que temos. Mas está pronta e deve ser comercializada a partir do ano que vem. É a única solução que podemos ter.

Alexandre Parrode — Sobre a questão do Parque Lozandes, parece haver um pé de guerra entre a Câmara e a empresa. Como o sr. avalia essa polêmica?
Não tenho juízo de valor definitivo sobre esse tema, mas, ao tomar conhecimento, imediatamente eu pedi um levantamento e determinei à Procuradoria-Geral do Município que abrisse um processo sindicante para avaliar a plenitude do que está ocorrendo. Primeiramente, todo esse processo antecede minha administração, o que não significa que a tramitação processual não possa ter ocorrido em algum momento durante meu mandato. São processos muito longos, principalmente os de grandes empreendimentos, que passam por correções durante a execução da obra e, portanto, perduram sua validação durante alguns anos. Mas tudo parece ter sido desencadeado a partir da aprovação do Plano Diretor em 2007.

Havia alguma necessidade de criar um espaço de tempo para acomodação dos processos que já estavam em andamento. Isso que foi feito. Então, toda essa legislação é anterior. Não me parece que a legislação agora tenha vindo no sentido de penalizar o município, mas, sim, pa­ra proteger essa fase de “limbo” en­tre uma legislação anterior e a que se tornou vigente. Está tudo sendo ava­liado e até no momento não hou­ve detecção de nenhum ilícito. Pa­re­ce-me que todo esse processo foi mo­tivo de avaliação da Câmara e to­talmente votado e aprovado na Casa.

Patrícia Moraes Machado — Mas, independentemente da parte burocrática, em sua opinião como cidadão, o sr. considera viável essa grande obra naquela região, com todos os seus impactos ambientais?
Sim, eu acho que é viável. É um grande engano as pessoas se posicionarem contra o adensamento vertical ao longo das chamadas vias expressas ou do complexo formado por vias arteriais. E ali é um caso como esse. Quando houver a construção do anel viário, principalmente da parte sudeste, aquele trecho da BR-153 vai se tornar um trecho urbano, como já foi anunciado pelo Ministério dos Transportes e pela concessionária da rodovia.

Patrícia Moraes Machado — Então se tornar como uma marginal?
Sim, uma marginal de alto fluxo e trânsito rápido, como as passagens entre os setores localizados nas regiões sul e leste para a região central terão mais mobilidade. Não conheço o projeto detalhadamente e isso nem me compete, já que é um empreendimento privado. O único contato que tive com os responsáveis por ele — um grupo espanhol — foi agora, recentemente, quando nos procuraram para propor uma parceria na execução do Parque do Cerrado, que está dentro do Parque Lozandes. É preciso entender que este é um bairro antigo da cidade, cujo parcelamento foi feito ainda na década de 60, mas cuja ocupação nunca foi plena. O Parque do Cerrado tem 16 alqueires e sua área de preservação permanente é a maior de Goiânia, não existe nenhum com essa extensão.

Patrícia Moraes Machado — E a área foi adquirida de quem?
Do município.

Patrícia Moraes Machado — Mas o município vendeu sem saber para quem?
Apesar de isso não ter sido negociado na minha época, a oferta é pública. Fiquei conhecendo um dos proprietários agora, o sr. Juan Zamora. É um grupo grande de porte internacional. Esse senhor procurou a administração trazendo um arquiteto renomado, de um escritório do sul do País [Guilherme Takeda], que trabalha com projetos que tenham participação popular em sua elaboração, chamados de “charretes”. Ele ofereceu uma parceria de convênio. Obviamente, esse senhor está vislumbrando também melhorias para seu próprio empreendimento, já que estar de frente para um parque já executado valoriza qualquer imóvel. Ele então nos propôs parceria para obras em um oitavo da área do parque.

Quando lançamos o empreendimento, nós afirmamos que só tínhamos recursos para executar um oitavo de sua extensão. O projeto é belíssimo e, naquele dia, o governador Marconi Perillo (PSDB) se entusiasmou — até porque haverá uma interligação com o Centro Cultural Oscar Niemeyer por uma passarela que passará por cima da GO-020 — e prometeu mais um oitavo. Ou seja, em tese temos hoje dois oitavos de recursos garantidos: um oitavo segundo promessa do governador e um oitavo por esse convênio a ser formalizado com a iniciativa privada.

Patrícia Moraes Machado — E tem ainda um oitavo da Prefeitura.
Não, é uma parceria público-privada (PPP). Ou seja, a iniciativa privada entraria com toda parte material a ser utilizada e nós entraríamos com a mão de obra.

Patrícia Moraes Machado — Se esse empreendimento não se viabilizar haverá alguma interferência na execução do Parque do Cerrado?
O Parque do Cerrado foi inicialmente criado pelo prefeito Nion Albernaz [prefeito de Goiânia por três vezes, de 1983 a 1985, de 1989 a 1992 e de 1997 a 2000]. Depois passou por várias administrações e, na minha, ganhou força de lei, com projeto que enviei à Câmara, demarcando seus limites geográficos.

Alexandre Parrode — Sobre outro parque, há uma lei que proíbe construção de empreendimentos a até três quadras do Jardim Botânico. Agora há o interesse nessa área verde por parte do Instituto Cidade, presidido pelo empresário Ilézio Inácio Ferreira [presidente da Associação das Empresas do Mer­cado Imobiliário de Goiás (Ademi) e proprietário da construtora Cons­ciente]. Que posição o prefeito tem em relação a essa questão?
Vi a apresentação desse projeto por parte do arquiteto que o projetou, o goiano Luiz Fernando Teixeira, o “Xibiu”. É maravilhoso. Na verdade, é uma requalificação urbana. Não é um projeto para o Jardim Botânico, mas este é incorporado nesse projeto. A proposta segue a metodologia de outros que existiram e existem pelo País, mas o mais simbólico é o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Por aqui, haveria a requalificação de diversos bairros — Pedro Ludovico, Santo Antônio e outros —, em um trecho compreendido entre o Parque Jardim Botânico Amália Hermano Teixeira e o Parque Areião. Ou seja, é uma faixa urbana em que se propõe uma modelagem semelhante à que feita no Rio de Janeiro. Seria um processo de execução de quatro a cinco décadas, porque é gigantesco, não é algo que se aprova hoje e se faz amanhã. Foi feito em cidades como Barcelona, Rio, São Paulo, uma requalificação urbana pensada, planejada, criando espaços de convivência muito agradáveis.

A vida para as pessoas que moram nessa região melhoraria muito se esse projeto fosse realizado. Entre as propostas está a requalificação do Jardim Botânico. Haveria uma oferta pública de ações na Bolsa, em que as pessoas comprariam cotas de direito de edificação e esse recurso, que passaria a ser do erário, tem de ser usado obrigatoriamente nas obras desse projeto.

Em que fase de tudo isso estamos? O projeto está pronto do ponto de vista arquitetônico e urbanístico, que é muito bonito e bem feito. Tenho certeza de que, se vier a ser executado — e imagino que um dia virá a ser —, será muito bom para aquele espaço da cidade. Antes disso, porém, tudo precisa ainda passar por avaliação, audiências públicas com a população local, ouvir as universidades, os institutos representativos, conselhos de arquitetos. É um projeto de médio prazo, não é imediatista. Quem imagina que será de hoje para amanhã está mal informado.

Elder Dias — O complexo Macambira-Anicuns também não é de curto prazo. Mas o que teremos até o final de seu mandato?
Teremos 20% do Macambira-Anicuns pronto, os setores 1, 2 e 3. O trecho 1 começa abaixo da Avenida Rio Verde, no Setor Faiçalville. A parte de drenagem — que é gigantesca, adequada e que garantirá a perpetuação do Córrego Macambira, impedindo as erosões — já foi concluída. O trecho 1 começa um pouco acima da Avenida Independência que fui eu, aliás, quem fez e que permite a ligação das duas partes do Faiçalville.

Do ponto de vista simbólico, visual, aquilo que as pessoas vão ver até o final deste ano será o Parque Macambira. É um parque dentro do parque — é bom lembrar que o complexo Macambira-Anicuns é um projeto que percorre a cidade, às margens do Córrego Macambira e do Ribeirão Anicuns, por mais de 130 bairros, até a região norte da cidade. Dentro desse complexo, há algumas áreas de preservação permanente como o Parque Ambiental Macambira, que já está todo cercado, com grandes obras e equipamentos públicos quase prontos. Têm lá um anfiteatro ao ar livre, uma escadaria belíssima com pórtico, uma praça das esculturas — já quase pronta —, um equipamento social de convivência onde poderão ser realizadas diversas atividades, parque infantil, pista para caminhada e ciclovia. Tudo isso devemos entregar em setembro. Também dentro do projeto Macambira-Anicuns teremos uma escola — no Setor Itamaracá — e dois postos de saúde, nos setores Rodoviário e São Francisco.

Outra coisa que está quase pronta é o parque de vizinhança, que chamam de PV. Na Vila Boa tem o PV 2 quase pronto. Vou entregá-lo no aniversário de Goiânia. Já estão prontas uma moderna pista de skate, quadras poliesportivas, quadras de peteca, a primeira quadra pública de tênis da cidade e outros equipamentos públicos. Ali era um lixão, por isso a vizinhança está vibrando com esse parque. Os vereadores, porque muitos deles vão conhecer agora o Macambira-Anicuns na prática, pois só conhecem no papel.

Tem também uma avenida nova, que há quatro dias estava sendo imprimada e já deve estar asfaltada, que é a Trieste, que será um novo canal viário de ligação da região central, ligando o Jardim América e o Jardim Europa ao Eldorado e ao Granville. E o serviço de gabião e de enrocamento ao longo do leito, principalmente no Parque Bernardo Elis, entre os setores Novo Horizonte e o Celina Park, está pronto. É uma obra importante. Fizemos convênio de parceira com o Fórum Empresarial para a construção do sistema de retenção do Parque Cascavel, que vai impedir o assoreamento do córrego. Em minha administração, temos o máximo cuidado com essas obras de retenção, com a drenagem pluvial, para evitar problemas futuros. Por sinal, antigamente, a realidade era outra, não havia esse cuidado e tivemos de fazer esse tipo de obra em vários locais da cidade.

O Macambira-Anicuns tem uma parte invisível fundamental para o futuro da cidade, porque vai perpetuar o leito do córrego, impedir a erosão e ter uma drenagem fluvial objetiva e necessária. Tudo isso está pronto já.

"Pagamos aos professores acima do piso salarial nacional. Talvez sejamos uma das  poucas capitais brasileiras a fazer isso”

“Pagamos aos professores acima do piso salarial nacional. Talvez sejamos uma das poucas capitais brasileiras a fazer isso”

Euler de França Belém — Os professores estão reclamando muito de sua gestão, fazendo greve e houve esse confronto com a Guarda Civil Metropolitana, que terminou em agressões. O que está acontecendo?
Eu já distribuí quase 15 mil uniformes, com kits escolares e tênis. Algum de meus antecessores na cadeira do Paço fez isto? Nenhum, desde Venerando de Freitas [primeiro prefeito de Goiânia]. Já disse a vocês que já entregamos 34 novas unidades escolares. Já disse que temos nove Cmeis em construção e vou entregar mais oito neste ano. Já disse que ampliamos 116 unidades escolares. Construímos 36 quadras e abrimos 12 mil vagas. Contratei um terço dos profissionais da educação na rede municipal.

Euler de França Belém — E por que a insatisfação dos professores?
As demandas de todo grupamento trabalhador são legítimas, sempre querem melhorias. Mas vou fazer algumas comparações e você poderá tirar suas conclusões. Na área de esporte e lazer, estou investindo R$ 22 milhões, neste momento de dificuldades financeiras no mundo e no País. Estou construindo 18 centros esportivos, sendo que 12 deles vou entregar até dezembro. Dias atrás visitei a unidade do Jardim Guanabara, que é gigantesca. Iguais a essa haverá nos setores Buena Vista, Jaó, Novo Horizonte, em tudo que é região da cidade.

Mas falemos sobre os benefícios concedidos em 2015 aos servidores da educação: primeiro, o cumprimento do piso salarial nacional dos professores, desde 1º de janeiro, agora como lei. O que acontecia antes era que o MEC [Ministério da Educação] demorava a anunciar e decorriam até três meses. Criava-se um interstício de retroatividade que depois tínhamos dificuldade de cumprir. Agora é lei no município de Goiânia: o piso salarial nacional, a partir de anunciado, está valendo. Aliás, pagamos o piso desde 2009. Ou melhor: pagamos acima do piso salarial nacional. Os professores recebem R$ 1.917,51 acrescidos de R$ 320,05, que é o auxílio locomoção, e R$ 390,65 de gratificação de regência, o que soma R$ 2.628,22 iniciais para quatro horas e 20 minutos de trabalho. Talvez sejamos uma das poucas capitais brasileiras e somos o único município goiano a remunerar os professores com esses níveis.

O Estado — e aqui o que não faço não é uma crítica, pois reconheço as dificuldades pelas quais passa o governo estadual neste momento — não paga o piso salarial nacional. Nós aprovamos o reajuste de 6,28% dos servidores administrativos, que têm um plano de cargo e salários diferenciados, a partir de janeiro de 2015, para ativos e inativos. Outros pontos: foram aprovados mais 8,17% referentes à data base de 2015 para os profissionais da educação; reajuste de 30% nas gratificações dos servidores no cargo de secretário geral de unidade; padronização do quinquênio de 10% para todos; incorporação da gratificação de regência para fins de aposentadoria, o que não existia; início do pagamento da estabilidade econômica dos servidores da educação a partir de abril de 2015.

Alexandre Parrode — Mas essas não eram reivindicações do servidores e que foram atendidas durante a greve?
Algumas, mas, por exemplo, o piso nacional já é atendido há muito tempo. Outras também já havíamos encaminhado. O que houve foi uma falta de informação da direção do sindicato a sua base. Há uma série de outros ganhos que eles tiveram, e que eu poderia relatar. Ninguém investe tanto em educação quanto o município de Goiânia. Estou afirmando. (enfático)

Patrícia Moraes Machado — O sr. tem medo de andar em Goiânia à noite, em uma cidade tão escura como está hoje?
A iluminação não está perfeita, o que também um problema burocrático. O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) nos fez, juntamente com o Ministério Público, denunciar o contrato emergencial, enquanto a licitação de terceirização — que estou decidido a fazer na área de iluminação pública — não fosse realizada. Se tivesse sido permitido esse contrato, já estaríamos com tudo normalizado. Hoje nossa capacidade operacional de reposição é de 8 mil postes por mês. Temos 16 equipes trabalhando. Tínhamos, no início do processo, há mais de 30 dias, 35 mil pontos com necessidade de reposição.

A questão da insegurança em Goiânia não é por iluminação. Se você fizer, como pergunta, se a falta de efetivo militar afeta nossa segurança, creio que estará em um caminho mais adequado. Mas o primeiro tópico de segurança é educação. Só se reduz a criminalidade com investimento maciço na área educacional.

Euler de França Belém — Mas em Nova York, o que funcionou foi o programa Tolerância Zero.
Isso é outro processo que deve ser feito. Aliás, temos contribuído já, com a Guarda Civil Metropolitana, que tem sido muito atuante. Vocês ficariam surpresos com o número de prisões de pessoas já condenadas, de recuperação de veículos roubados, de atuação no tráfico, com que a Guarda colabora diariamente. Temos uma central de vigilância em funcionamento.

Patrícia Moraes — Mas as lâmpadas de LED não ajudariam na questão da insegurança?
Sobre a iluminação, acho que em 90 dias ela estará normalizada, mas estou convicto de que esse não é um dever de Estado: é mais barato, mais ágil e mais eficaz um serviço terceirizado nesta área. A questão da troca para a lâmpada LED é que ela é muito cara.

Euler de França Belém — Mas não há verba federal para iluminação?
Não para esse tipo. Temos o projeto Reluz, o qual Goiânia foi a primeira capital brasileira a executar e agora, exatamente quando venceram os cinco anos — a vida média dessas luminárias do projeto Reluz —, é que é necessário repor. O problema da lâmpada LED é que o investimento inicial é muito alto. Não há um município no Brasil que tenha capacidade para trocar todas as suas lâmpadas pelas de LED. Em longo prazo, ela é mais barata, porque consome menos energia e é ambientalmente mais correta e duradoura.
Recebi esses dias um empresário chinês muito interessado e que faria todo o investimento, só que ele precisa ganhar o processo licitatório. O problema da vida pública é que temos um regramento legal que não me permite uma escolha pessoal do que é bom, barato e melhor. É o processo licitatório, que nem sempre é ganho por quem oferece essas condições.

Alexandre Parrode — Mas não foi justamente essa a denúncia contra a Luz Urbana Engenharia, um contrato de R$ 18 milhões, que precisou ser suspenso?
Não, esse foi um contrato emergencial.

Alexandre Parrode — Mas era realmente um contrato de R$ 18 milhões?
Não, isso seria se eles fizessem a troca de todas as lâmpadas de Goiânia, o que obviamente nunca conseguiriam. São 200 mil pontos e eles trocaram 3 mil. Inclusive, temos filmagens deles sendo aplaudidos na Avenida 24 de Outubro, quando estavam fazendo a reposição. Agora, a licitação está acontecendo.

Alexandre Parrode — Como o sr. avalia todas essas denúncias que surgiram também envolvendo a Trana Construções, no caso dos fotossensores?
Sabe desde quando a Trana trabalha no município de Goiânia?

Alexandre Parrode — Desde a gestão de Nion Albernaz.
Desde o governo de Nion Albernaz e eu é quem sou o culpado? Fui eu quem licitou?

Euler de França Belém — Mas, se até hoje continua assim, o sr. tem responsabilidade.
Fizemos um processo de licitação novo porque o contrato venceu. Vou até lhe dar a data: vai ser agora no dia 11 de junho. Que culpa tenho eu sobre isso, se o contrato só acabou agora? Aliás, acho que nem meus antecessores têm, porque o trabalho da empresa é muito competente.

“Só teve uma versão de reforma administrativa”

Euler de França Belém — O sr. está parecendo o ex-presidente Lula, ao dizer coisas que remetem ao “nunca antes na história deste País”…
(risos) Há coisas que realmente nunca antes na história desta cidade foram feitas. Um exemplo eu dei na área da educação.

Patrícia Moraes Machado — Há a afirmação de que o sr. trabalhou em pontos da gestão que não haviam sido ainda trabalhados e que não são vistos. Isso procede?
Não. Acho que trabalhei em todas as áreas. O que me diferencia de alguns de meus antecessores é que eu não plantei flor apenas no centro da cidade. Plantei flor na cidade inteira.

Euler de França Belém — Mas o sr. não é um bom divulgador do trabalho que faz.
Se tem uma vantagem a meu respeito é a seguinte: a culpa é mi­nha, eu não jogo a culpa nos ou­tros. Não é a minha equipe de co­municação, sou eu o responsável.

Euler de França Belém — Digo isso exatamente porque considero que a gestão do sr. é muito melhor do que o que as pessoas falam dela.

Patrícia Moraes Machado — Na última entrevista que o sr. deu para gente, foi passada uma expectativa muito melhor da que realmente vivemos.
Quem não passou por isso?

Patrícia Moraes Machado — Mas a Prefeitura entrou em crise muito antes do restante da crise nacional.
Graças a Deus.

Patrícia Moraes Machado — Isso significa que a Prefeitura vai sair antes também?
Já saímos. Nós nos antecipamos.

Patrícia Moraes Machado — Mas o que aconteceu?
Essa pergunta eu já vi sendo feito para a Presidência da Repú­bli­ca e para o governador do Es­ta­do de Goiás. O mundo apresentado por eles nas campanhas eleitorais não é o que eles estão vivenciando agora. A conjuntura é muito dinâmica e muda rapidamente.

Patrícia Moraes Machado — A impressão que há é que o sr. centrou esforços em problemas administrativos que não eram seus, mas de seu antecessor, e que esperou passar a eleição para deixar isso vir à tona e, assim, fazer a reforma administrativa. Toda essa herança que a gestão é realmente a razão da crise?
Acho que é cômodo transferir a culpa para quem nos antecede. As conjunturas são diferentes. A época é outra. Historicamente vivenciamos outra realidade. A vida, principalmente nos municípios, é muito dinâmica. Não existe obra pronta e acabada. Não acredito que algum de meus antecessores — e aqui retorno até Ve­nerando de Freitas — tenha feito algo com o intuito precípuo de errar, de cometer equívocos. E isso produz aquilo que nós vivenciamos. Por isso, dizer que eu recebi um esqueleto é uma avaliação equivocada. Eu recebi uma conjuntura que era aquela, mas que se modifica.

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Patrícia Moraes Machado — A dívida da Prefeitura era de quanto, quando o sr. assumiu?
Eu preciso resgatar isso, mas isso está nos balanços. Veja como historicamente as questões são dinâmicas. Seguramente, na época mais recente dos meus antecessores, as preocupações ambientais não eram as que temos hoje. Então, as cobranças por manutenção dos nossos ativos ambientais são muito maiores agora. A questão do desenvolvimento sustentável, salvo engano, foi abordada pela primeira vez na minha campanha de 2012.

Patrícia Moraes Machado — O sr. não está fugindo da questão?
Não estou. Vou resumir: mobilidade urbana. Esse é o maior projeto de mobilidade que a cidade já vivenciou em sua história. A incapacidade do sistema viá­rio para o volume de carros que temos e a necessidade de apresentarmos uma alternativa para quem usa o sistema de transporte público hoje são demandas que não existiam há alguns anos. As realidades são diferentes. Então, jogar a culpa no passado é querer jogar para debaixo do tapete a busca de uma solução para o futuro.

Patrícia Moraes Machado — Mas não há como escapar da dívida de que o sr. recebeu.
Nós recebemos uma herança que nos foi delegada, mas temos de achar uma solução para isso. Em política não se pode olhar para o passado, mas sempre para o futuro.

Alexandre Parrode — Houve três versões de reforma administrativa e, agora, a última foi aprovado.
Não. Foi uma versão só. Aliás, se buscarem meu plano de governo, quando eu o apresentei em 2012, verão que o projeto de reforma administrativa que está sendo votado agora na Câmara Municipal está lá. O que existe é um diálogo entre o Legislativo e o Executivo, que são poderes independentes, na busca de aprimoramento do projeto. Então, não são três versões. Eu acreditaria nisso se, do ponto de vista macro, houvesse mudanças drásticas. Não é isso, mas ajustes de filigranas que nós acatamos. E esse diálogo é transparente e existe em todas as épocas. Agora, acredito que, se nós tivéssemos tido a consciência da importância dessa reforma, ela já tinha sido aprovada.

Alexandre Parrode — É verdade que a economia prevista caiu?
Esse não é o ponto mais importante. A reforma administrativa tem como objetivo primeiro a reestruturação administrativa para um modelo mais contemporâneo, eliminando a dubiedade e otimizando os resultados da utilização dos nossos recursos tanto financeiros quanto estruturais, o que, por consequência, traz economia. Mas a economia de caixa não é o objetivo principal. O que queremos é criar um ambiente para realizar um serviço de qualidade, que é o clamor das ruas.

Alexandre Parrode — Mas há pontos polêmicos nessa reorganização. O principal deles diz respeito à Amma [Agência Municipal do Meio Ambiente]. Dizem que hoje a Amma é um órgão fiscalizador e tem um fundo do meio ambiente. Mas, com a reforma, acaba-se com o poder fiscalizador e com o fundo.
É um equívoco essa interpretação. Quem disse isso não leu o projeto de reforma.

Alexandre Parrode — Foi a relatora do projeto [vereadora Cristina Lopes, do PSDB] quem disse isso.
Mas a relatora não teve nenhum de seus pontos aprovados pela maioria da Câmara, foi derrotada em todos. Se ela tivesse feito uma avaliação correta, teria seus pontos aprovados. Aliás, havia uma proposta de extinção da Amma, que eu não aceitei. Na verdade, o que há é a unificação de contas dos fundos para que nós tenhamos — e isso é uma realidade necessária — maior controle de gastos e otimização dos resultados. Mas o que é originário de captação de recursos da Amma vai continuar sendo só da Amma. Apenas a conta do ponto de vista financeiro é que terá mais transparência em relação ao Tesouro. A transparência é um desejo de todo o aparelho fiscalizador do município de se unificar em um único local, mas manter suas atividades peculiares. Não estamos extinguindo a fiscalização ambiental. Estamos realocando-a em outra estrutura, a da Semdus [Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável].

Cezar Santos — Há reclamações em relação à Comdata, um órgão supostamente extinto, mas que tem servidores ganhando R$ 10 mil. Isso procede?
Não. A Comdata não está extinta. A liquidação de companhias é um processo moroso. Temos três companhias em liquidação e esse processo perdura por anos. E as pessoas que são as liquidantes são servidores efetivos, de carreira, da própria Comdata, que vão receber esse salário estejam onde estiverem. Esses salários fazem parte dos planos de carreira da categoria ao longo dos anos. Não tem ligação com a liquidação. Portanto, se a liquidação terminar, esses salários vão continuar existindo. Essas pessoas só estão deslocadas da atual Sectec [Secretaria de Ciência e Tecnologia] — que é a sucedânea da Comdata e que também está sendo extinta e unificada em uma secretaria maior, de Indús­tria, Comércio e Tecnologia.

Cezar Santos — Então, as pessoas não estão recebendo sem trabalhar?
Não. O processo de liquidação é muito complexo. Se você disser que o servidor ganha muito, eu nem acho, pois esses servidores mais experientes já estão no final da carreira.

Euler de França Belém — Quanto o prefeito de Goiânia ganha de salário?
O salário líquido varia entre R$ 11 mil e R$ 12 mil. Eu devo ser o prefeito que menos ganha na região metropolitana.

Euler de França Belém — Seu patrimônio aumentou depois de se tornar prefeito?
É o mesmo. Aliás, em termos de imóveis, tenho um apartamento no Setor Bueno e o financiamento de um quarto e sala em Brasília para meu filho que mora lá. Faltam uns 26 anos para eu terminar de pagar (risos). E tenho um carro em meu nome.

Euler de França Belém — Sua gestão está sendo sem escândalos, não?
Combatemos muito qualquer ato que não seja idôneo e, republicano. Acho que isso as pessoas reconhecem. Não podem me acusar de corrupção.

Euler de França Belém — O sr. pen­sa em sair do PT, depois de tantas denúncias de corrupção, como no mensalão e no petrolão?
Não penso em sair, apesar de que convites recentes até que existiram.

Euler de França Belém — De quem?
Não sei se conto. (risos) Mas me encontrei com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, em Brasília esses dias e ele me convidou para me filiar ao PSD.

Euler de França Belém — E qual foi a resposta? O sr. não tem cara de petista…
(risos) E petista tem cara? Usei barba muito tempo e até tentei voltar agora, mas não ia dar certo. (risos)

Euler de França Belém — Mas qual foi sua resposta para o ministro Kassab?
Não respondi nada.

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Médicogyn

largou a medicina, e virou politico mesmo uma mentira atrás da outra!