“Voltar à Série A este ano é a única alternativa viável para o Goiás Esporte Clube”

O presidente do Goiás foca em dar profissionalismo à gestão do clube, para o que teve de demitir até velho amigos

Elder Dias e Marcos Aurélio Silva

Quando Paulo Rogério Pinheiro assumiu a presidência do Goiás Esporte Clube em janeiro deste ano, o rebaixamento esmeraldino à Série B já era praticamente certo. E assim aconteceu. O time caiu e o temor era imenso: afinal é um clube com estrutura dos grandes da Série A e que teria de ser gerida com pela primeira vez sem a verba garantida da televisão, apenas com o orçamento reduzidíssimo da divisão de acesso. Isso sem falar do passivo herdado, com dívidas superiores a R$ 45 milhões. Mas o filho de Hailé Pinheiro tem “matado a bola no peito” com classe. Aos 51 anos, o economista e empresário de transporte público que cresceu dentro do Goiás agora, para enxugar a folha e fazer a tarefa de casa, teve de demitir até amigos queridos. Ao Jornal Opção, ele destacou as mudanças implantou no clube e a expectativa de voltar à Série A.

Elder Dias –  Depois de todas experiências que houve no comando do Goiás, você acredita que exista mesmo a tal da mosca azul do poder?
Todos os presidentes do Goiás foram colocados pelo meu pai. Foi ele quem escolheu os candidatos. O único que ele não queria que fosse, ou seja, foi contra a candidatura, foi eu. 

Essa decisão ocorreu na fazenda, eu estava aposentado do grupo de empresas. Estava eu, meus irmãos, o Harley e o Osmar Lucindo. Estamos lá por conta da pandemia. Como era do conselho fiscal eu vi que o que estava sendo feito com o dinheiro do Goiás era um assalto a mão armada.

Isso tudo iria acabar com o rebaixamento. Éramos um time fraco. Sabíamos disso. Era mal montado o time do ano passado. Eu vendo isso pensei: não posso dar esse dissabor pro meu pai. Ele está no último mandato da história dele no Goiás. Meu pai sai em julho do ano que vem e não pode ser reeleito, conforme Estatuto  do time e pelo Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro). Meu pai não tem mais saúde. Ele teve câncer e Covid. Ele envelheceu muito. 

Mas meu pai não queria que eu fosse o presidente. Ele só foi aceitar a minha candidatura por volta do dia 17 de dezembro. Isso foi quando a última ficha dele, o senhor Adriano Oliveira, que era o CEO do nosso grupo, disse que não tinha condições de ser o presidente naquele momento, então meu pai aceitou. Eu entrei na campanha por volta do dia 17 ou 18 de dezembro. A eleição iria ocorrer no dia 30. 

Sobre a mosca azul aqui eu digo o seguinte para os amigos: se um dia eu mudar o meu jeito de ser, eu tiver que ter uma agenda para alguém me visitar, eu deixar de ser um cara que respeita todo mundo, me avisa que eu largo o Goiás. 

“O Goiás hoje é uma empresa que não consegue mais ter um presidente que venha duas ou três horas por semana”

De 99 a 2017 eu fui presidente da HP (Transportes Coletivos), eu nunca marquei uma agenda. Eu nunca deixei de atender um funcionário. Eu nunca deixei de  ir no pátio cumprimentar as pessoas pelo nome. Fui padrinho de mais de cem casamentos. Já perdi as contas. Isso eu não quero mudar. Eu vou pro vestiário com o jogador e converso sempre com os funcionários.

A vaidade aqui no Goiás é o mais perigoso. Meu pai colocou algumas pessoas aqui e a vaidade tomou conta. Foram corrompidos. Diziam: vou fazer do meu jeito. E aí quando não dá certo o culpado é o Hailé. O senhor Hailé deve ter uns 10 anos que ele não sabe o que se passa na parte administrativa/financeira do clube. Ele sabe sobre a parte jurídica, que é a paixão dele. 

Só que o Goiás hoje é uma empresa que não consegue mais ter um presidente que venha duas ou três horas por semana para acompanhar o clube. Eu chego às 9 horas da manhã e saio às 20 horas. E ainda falta tempo. Tá muito claro que o Goiás não pode mais ter um presidente em que o clube é o segundo emprego. O Goiás precisa de alguém que tenha apenas um emprego: ser presidente do clube. O ideal é que se tenha um CEO aqui. Creio que o próximo estatuto deva colocar um CEO para estar abaixo do presidente e assim aliviá-lo. Esse sim deve ser remunerado. E aí ter um presidente executivo, um pouco menos atarefado no dia a dia. 

Para isso acontecer tem que arrumar a casa. É o que estou fazendo agora. Vamos mudar a forma de gerir o Goiás. O conselho de administração não é uma coisa que deu certo. Isso funciona em uma empresa porque se tem tempo. No futebol as coisas são dinâmicas e rápidas. Reunir os oito conselheiros administrativos é difícil. Porque um está viajando, um é advogado e está em audiência.

Elder Dias – Mas essa é a atual estrutura? É assim que você tem trabalhado?
Todos os meus vice-presidentes trabalham diariamente no clube –  com exceção do Edminho. Eles dão expediente de duas ou três horas por dia. Assim fica mais fácil para mim. Mas o futebol não permite isso. 

O meu pai colocou todos os ex-presidentes aqui dentro. O mais fiel de todos foi o Sérgio Rassi. Embora muitos falem o contrário, ele é um amigo, um verdadeiro irmão, primo do meu pai. Nós devemos nossa vida ao Sérgio Rassi. Meu pai tá vivo hoje graças a ele e ao irmão dele. Hoje ele é um amigo pessoal de conversar todos os dias. Talvez ele seja quem mais tem ligação conosco, como o João Bosco.

Então falando da vaidade, realmente ela tem demais e não é só na presidência. Tem outros cargos aqui dentro. E com essa mudança de gestão e de demissão de tanta gente eu estou diminuindo o “eu” para o “nosso”. 

Se vencer, venceu todos. Se perder, perdeu todos. Se tiver um culpado sou eu. Que é quem contratou todos. Essa é a filosofia que estou implementando aqui dentro. 

Elder Dias – O modo de gerir o Goiás vai ser diferente, principalmente em relação a atenção daquele que está comandando a estrutura toda? Você percebeu que para o clube evoluir isso precisa ocorrer?
Eu estou aqui desde 98 e já passei por todos os setores. Eu joguei bola a minha vida toda. Entendo de futebol. Gosto demais. Mas tenho experiência de 30 anos de gestão, como executivo. 

A gestão do Goiás nada se difere de uma empresa. A única diferença é que no final o resultado tem uma emoção. As outras empresas minhas não tinha. Mas no dia a dia é igual. Exemplo: tínhamos 310 funcionários. Agora temos 178 e o Goiás está operando do mesmo jeito. Isso é porque no mês passado eu tirei toda a contabilidade, RH e departamento pessoal do clube. Terceirizei. 

Isso porque no dia 16 de setembro eu não tinha um dado consolidado da minha contabilidade. Como que um gestor, um executivo como eu, vai gerir a empresa sem nenhum dado contábil? Eu assumi o cargo em janeiro, e fui ter a contabilidade em maio. O meu DP eu pedi para pagar a folha no dia primeiro útil do mês eles disseram que não davam conta  porque não pagavam em dia. Ué, como assim? Eu só pago em dia, não pago atrasado. Foi aí que eu vi que nada. Agora tem  dois meses que terceirizou tudo.

Eu quero um portal da transparência e não consigo porque nossos funcionários internos não dão conta de organizar e programar. Então o Goiás tem muitos funcionários, que ganham salário acima da média do mercado privado e rendendo pouco. Isso pra mim é uma besteira. Eu resolvo fácil isso aqui. O problema é dar certo no futebol. Mas essa filosofia eu venho implementando.

Elder Dias –  O senhor pensa em mudar o estatuto do clube?
Eu quero fazer um estatuto pro ano que vem, mas um estatuto bem profissional. Já ligado a vários dos assuntos que hoje norteiam o futebol e o esporte no geral. Isso tem que ser depois da eleição do conselho. No segundo semestre do ano que vem vamos trabalhar o estatuto. Já tem um grupo de advogados e de executivos discutindo esse documento novo que será levado ao meu pai, primeiramente, e será proposto no segundo semestre. 

A figura do CEO, de diretores remunerados, diretores capacitados que possam ser desligados e que não possam ser sócios do clube em hipótese alguma… A gente quer tirar essa parte profissional da parte associativa. Esse é o primeiro ponto.

“Se vencer, venceu todos. Se perder, perdeu todos. Se tiver um culpado sou eu. Que é quem contratou todos”

Proibir a contratação de funcionários por indicações. Todos serão contratados na forma constitucional. A partir do momento que se tem cargos e salários que o presidente executivo não pode dar o salário, e aí ele é obrigado a dar o cargo, ele assume o risco do cargo ser muito alto para aquela pessoa. E daí vai o CEO ou diretor da área demitir e vai ficar feio. Isso nós vamos fazer, reajustar. 

Vamos amarrar de tal forma que nem o presidente nem o CEO possam endividar o clube. Dou exemplo: no ano passado deixaram de pagar seis meses de impostos. Já está em R$ 19 milhões essas dívidas. Goiás deixou de pagar cinco folhas de funcionários. Deixou de pagar quatro folhas de jogadores. 

Elder Dias – Isso foi em 2020?
Isso. A folha de abril da gestão passada deixou para ser paga em maio deste ano. Eles confiavam no crédito do jogador Michael que ia entrar. E não entrou. A que ponto chegamos. Deixou de pagar a folha de abril para transferir o ônus para o próximo presidente. Isso não pode pelo estatuto. Não pode pela Lei Pelé. Aqui se faz as coisas e não acontece nada, porque o estatuto é falho. 

O presidente que deixar de pagar um mês de imposto é porque o planejamento dele foi falho. Ele tem que ser tirado do clube. Ele e toda sua diretoria tem que ser afastada. 

A gente gastou quase R$ 80 milhões no ano passado e caímos. Esse ano eu vou subir com R$ 30 milhões. 

Assista a entrevista completa

Marcos Aurélio Silva – Presidente, justamente sobre essa questão financeira, da forma como o senhor pegou o clube, e foi divulgado que estava desordenada a situação financeira do clube, como está hoje?
Dia 30 de dezembro me trouxeram um papelzinho. Uma folha feita em excel –  que eu odeio isso. Lá dizia que Goiás tinha uma dívida de R$ 17 milhões. Falaram para mim. E eu estava afastado do clube há sete anos. 45 dias depois quando eu contratei a consultoria e a auditoria interna, a dívida chegou a R$ 45 milhões. E não para de subir. Tomamos uma pancada da justiça, do Hugo que é ex-jogador, de R$ 1,2 milhão. Perdemos uma ação de R$ 2,5 milhões para o jogador Keko. 

E o Goiás não tem condições de pagar. O Goiás, pela primeira vez na história, não tem o dinheiro da Globo. Todo ano era R$ 55 milhões aqui pro Goiás. Hoje o Goiás tem R$ 6 milhões da CBF, na série B. O mesmo que tem o Vila Nova e o Confiança tem, e que todos os outros times tem. 

Nós temos uma infraestrutura cara. O que eu tenho hoje de recebíveis? Tenho o dinheiro da negociação do Michael – que está vindo parcelado – e tenho o dinheiro do Erick –  que vem parcelado também. 

Eu tinha uma folha de jogadores de R$ 3,6 milhões no ano passado. Agora eu tenho uma folha de R$ 1,2 milhões. Eu tinha uma despesa mensal com o clube de R$ 2,5 milhões. Hoje não chega mais à R$ 1 milhão mensal.

Eu só estou pagando as dívidas judiciais. Chegou a dívida judicial, eu sou obrigado a pagar. Não tem como não pagar. Já tem mais de 20 parcelamentos na justiça, entre ações trabalhistas e de fornecedores. Estou pagando. Já paguei em torno de R$ 15 milhões da gestão passada.Os impostos eu vou ter que parcelar agora em 60 meses. Vai gerar uma parcela em torno de R$ 280 mil mensal.

Eu jogo todas as fichas este ano é para subir para Série A. Aí teremos dinheiro da Globo, tem direito maior na CBF, tem direito nas placas de campo, os direitos internacionais maiores, e acaba vindo cerca de R$ 70 milhões de receita para gente.

Com um clube enxuto eu faço um elenco para Série A em torno de R$ 40 milhões no ano. 

Elder Dias – Seria então uma folha de mais ou menos R$ 3 milhões mensais?
Mais ou menos, mas acaba que reduz isso bem. Porque vamos negociar em março, abril e maio. Eu não vou entrar em briga por jogador em janeiro e dezembro. Neste período é o leilão. 

Eu não vou indicar um presidente para o meu lugar. Em hipótese alguma

Falando das dívidas, 100% do que minha gestão gastou foi pago em dias. Eu não atrasei boletos, impostos e folha de pagamento em 2021. E ainda estou conseguindo pagar as dívidas judiciais da gestão passada. Goiás deve ter um déficit de uns R$ 4 milhões no fim deste ano, mas estou conseguindo equacionar isso com dois patrocínios grandes que vão entrar já nos próximos dias. Já está apalavrado conosco e vai ajudar neste déficit. 

As obras do Estádio nós conseguimos patrocinadores. Não estamos pagando nada pelas obras. As cadeiras estão sendo doadas pelos torcedores. Ou seja, estamos usando muito da criatividade para poder levar o Goiás. Realmente está sendo uma aventura pra gente.

É muito chato demitir 42% dos funcionários. É chato e pega mal. É doído. No meio da pandemia tirar emprego de pai de família não foi fácil. Mas eram muitos funcionários, com salários acima da média do mercado, mesmo os que ficaram – cargos de gratificação e de confiança –  eu cortei os bônus de salários para baixar em torno de 40%. 

Todos os dias eu sento nesta cadeira e penso: tenho que dar um jeito de economizar dinheiro para o clube. A minha meta é essa e eu cumpro todo dia. Eu creio que ainda tem uma brecha para mais umas 15 demissões que devem ocorrer até o fim do ano. Infelizmente é isso que temos que fazer. 

Elder Dias – No ano passado, o que eu mais temia era a queda do Goiás, e toda essa conjuntura de dívida e perda da receita. E o clube sempre passou a impressão de que era um cabide de emprego. Você percebeu isso?
Total. Era funcionário em cima de funcionário. Enxuguei. Aqui era um cabide de emprego, mas que todo mundo tinha medo de mexer. Por diversas vezes eu falei com o Marcelo Almeida. ele era meu vizinho e amigo. Eu dizia que precisava enxugar o Goiás. E ele respondia que não tinha coragem. Isso porque todo mundo aqui tinha alguma indicação. 

Mas eu não tenho esse problema. Eu não tenho medo de cara feia. Eu tirei amigos meus. Tinha gente que tinha 15 ou 20 anos de casa. Eu tive que fazer isso.

E agora falei para empresa terceirizada que quero qualificar os que ficaram. Vou dar treinamento, vou dar chance dele sair da zona de conforto. E aqueles que não se enquadrarem no perfil que queremos como empresa, vamos trocar. Não vai ser economia de dinheiro, mas ganho de tempo. 

Se nós não subirmos este ano, vamos acabar brigando para não cair para a série C.  Vamos brigar para classificar na segunda fase do Goiano. Trouxemos 11 jogadores que saíram do sub 17 e foram para o profissional. Eu falei para todo mundo: vou queimar uma geração. E não deu outra. Essa geração a torcida odeia. Acabou que quase todos os jogadores que nós subimos foram embora do clube. Não tem mais clima para eles jogarem no clube. O culpado foi o presidente. Nós não tínhamos dinheiro para contratar. 

Desde a minha primeira entrevista eu disse que iria montar um time para brigar pra subir. Eu sempre falei, se não subir este ano, é um desastre. Estou falando de fecharmos o CT no ano que vem. Demitir todo mundo de lá. Não ter mais escolinha e nada. O CT Coimbra Bueno tá fechado, desde que eu assumi, acabou que eu estou alugando para o Aparecidense. Se não fosse isso, estava com o portão fechado. 

Se não subir para Série A este ano, no ano que vem eu estou falando em fechar o CT. Trazer tudo para a Serrinha. Isso é um retrocesso de 30 anos. Isso por conta dessa estrutura gigante nossa. 

Eder Dias –  Esse é o problema que o Cruzeiro está enfrentando agora?
Não. O Cruzeiro foi má gestão dos dirigentes mesmo. Com certeza. 

Elder Dias –  A dificuldade de voltar é parecida?
Não. O Cruzeiro não sabe jogar Série B. O Cruzeiro e o Vasco não entenderão o que é série B ainda. Jogar na Série B é jogar feio, e bico pra cima e com vontade. A torcida do Goiás me cobra muito dizendo que o Goiás não dá espetáculo. Na série B não é pra dar espetáculo. Nenhum time vai fazer isso. Estamos falando de campo ruim, jogadores limitados, arbitragem limitada…

Arrumamos o clube, entregou o Goiás com R$ 45 milhões aplicados e passou três anos, entrega com R$ 45 milhões de dívidas. Hoje eu tenho cerca de R$ 1 milhão do Time Mania, mas não posso sacar porque não tenho certidão negativa. 

Eu tenho um projeto aprovado em Brasília de R$ 3 milhões. Eu tenho até o fim de dezembro para captar esse recurso. Só que para captar eu tenho que ter certidões. Ou então parcelar as dívidas fiscais para ter as certidões.

Os dirigentes entraram aqui e diziam que não entendiam nada de futebol, que tinham assinado dívidas sem ver e que era com o colegiado. Peraí, eu posso divulgar os áudios de todas as contratações de 2019 e 2020? Não era o colegiado que contratava. E eu tenho os áudios do conselho administrativo. 

Se o Goiás for rebaixado a culpa é só uma. É minha. Todos os jogadores que vieram foi eu quem assinei. Se você não sabe, tem que colocar alguém que sabe do seu lado. Mas tem gente que se esconde por medo do fracasso.

Goiás deve ter um déficit de uns R$ 4 milhões no fim deste ano

Nas redes sociais eu apanhava. E hoje eu sou idolatrado. Isso é porque eu botei a cara para bater. Falavam que os Pinheiro não prestam. Aí se pergunta o porquê, os mais jovens não conhecem a história do meu pai. Os jovens, eu falo porque tenho filho de 19 anos, não querem ler um livro. Não sabem a história de Goiás. Não sabem a história do Brasil. Quanto mais o torcedor saber a história do time do Goiás. Eles não sabem a história do meu pai e do meu tio aqui no clube. Eles só sabiam falar, fora os Pinheiro. Agora eles estão entendendo que não são os Pinheiro o problema. É só quem senta na cadeira de presidente. 

Se tivesse o Adriano de Oliveira aqui, você ia ver a mesma coisa. Adriano é meu CEO há quase 30 anos. O cara que senta aqui quer ter só o bônus. O ônus ninguém quer. Eu sou o contrário. Pode me dar o ônus também.

Elder Dias –  Você, seu pai, o Edminho, a família toda… Seu tio. Vocês tem experiência empresarial nas corporações que conduzem, e aí a gente via que na cadeira de presidente, quando ia uma indicação ela não dava conta. Eram empresários como vocês, mas não tinham vivência de futebol. Por mais que você diga que é uma empresa, o Goiás tem esse fator da emoção, que acaba desestabilizando o resto. Você admite que o Goiás possa ter um novo modelo de gestão, como um clube que tenha um dono, como é o PSG, o Manchester City o United, ou seja, os grandes da Europa? Você vê isso acontecendo no futebol Brasileiro e no Goiás?

A sucessão no Goiás eram paternalistas. Meu pai sempre indicava pessoas que eram amigos de confiança. Meu pai entendia que importante no clube não era roubar. Importante era fazer o bom para o clube. Sabemos que o futebol mudou muito. Virou empresa de que passa um “cavalo arreado” por dia. Mas tem o cavalo bravo e o manso. Se comprar o errado você vai dele. Ou seja, aparece muita coisa errada. 

Meu pai, pela idade, demorou para entender essa mudança de mercado. Eu não vou culpar ele. Nas nossas empresas fizemos uma transição de empresa familiar para empresa profissional, junto com meu pai. No Goiás não, aqui permaneceu o paternalismo. Esse negócio de pegar o dinheiro no fim do mês, gasta um pouco mais e vende o jogador. Sem buscar novas fontes de receita, sem entender o mercado futuro. Isso talvez passasse pelo meu pai ser muito rigoroso, escolher os candidatos a presidente. 

Isso eu quero mudar no próximo estatuto. Penso na figura do presidente político. Como é o caso do Celso Petraglia, presidente do Athletico Paranaense. É um amigo que tenho hoje. Ele tem o CEO dele, que é quem toca o clube todo. Ele tem um quadro de diretores que trazem oportunidades de negócios o tempo todo. 

Eu não arrumar aqui em três anos, e vir um presidente da mesma forma que vinha os outros. Eu não vou indicar um presidente para o meu lugar. Em hipótese alguma. Eu quero preparar o clube para ter um presidente e ter um grupo de trabalho com ele. Sai o presidente, o CEO e os diretores continuam. Para estes saírem quem tem que tirar é o conselho deliberativo, não é o presidente. Um presidente como figura política, tudo bem. Com menos poder de decisão sozinho. 

Hoje aqui, eu decido tudo sozinho. Eu reúno o conselho, tudo que eu falo o conselho fala amém. Da mesma forma que era na gestão passada e na anterior. Não pode ser assim. É errado. Eu sei disso e foi por isso que eu vim. Eu sabia da gravidade do Goiás. Se não subir esse ano, é praticamente o fim do Goiás. Eu não sou mágico para fazer futebol no ano que vem com R$ 10 milhões. Não há quem faça essa magia. 

Eu estou sendo criticado por conta do Sócio Torcedor – só eu sei o tamanho do buraco que ficou -, eu estou sendo criticado pelo preço de camisa, estou sendo criticado por tudo, porque eu cortei gastos. Cortei gastos até de dar camisa de graça para os outros. Eu proibi cortesia, doação de camisa. É uma coisa pequena para mim e para o Goiás, mas tem que ser feito. Tem que mostrar que seriedade aqui dentro. 

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