“Vivemos uma crise no Brasil inteiro, mas Anápolis paga seus servidores rigorosamente em dia”

Prefeito que conduz a 2ª maior economia do Estado diz que município precisa atrair novas empresas e aposta em novo distrito agroindustrial para aumentar receita 

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Como já era es­perado, o prefeito João Go­mes é o pré-can­di­dato do PT para a própria sucessão, em Anápolis. Por conta do clima político ruim em todo o País, que afeta seu partido em maior grau do que os demais, não será uma missão fácil. Mas ele leva uma vantagem sobre os demais postulantes petistas: a despeito do cenário de crise, com que sua administração também so­fre, Go­mes está bem avaliado pela população.

Nesta entrevista, ele rebate alguns questionamentos do deputado Carlos Anto­nio (PSDB), ex-aliado que concedeu entrevista ao Jornal Opção há duas semanas e hoje o nome que deve ser seu principal rival na disputa pela reeleição. “Carlos Anto­nio é meu amigo há muito tempo. Foi vereador eleito por nossa chapa e até duas semanas atrás era nos­so parceiro, participando da administração e com cargos im­portantes (seu partido, o Solidariedade/SD, tinha uma secretaria na Prefei­tura). Mas ele tem um projeto individual dele e precisamos respeitar isso. Vamos para o jogo”, comenta.

Euler de França Belém — A Pre­fei­tu­ra de Anápolis desencadeou uma gran­de operação de combate ao mos­­quito da dengue, envolvendo até as Forças Armadas. Como é isso?
Desde setembro do ano passado, montamos um comitê contra a dengue, envolvendo quatro secretarias e outros órgãos fora das secretarias, também. Várias ações já foram realizadas conjuntamente com o governo federal e, agora, com o governo estadual também, que entrou por meio da regional da Saúde de Anápolis, montamos uma força-tarefa. Estamos colocando toda a nossa estrutura nessa força pela saúde e contra a dengue. Du­ran­te dez dias, atuaremos em dez re­giões em que a cidade foi dividida. Em cada região, entraremos com cer­ca de 500 agentes de endemias do município, 100 soldados da Base Aé­rea, 60 homens dos Bombeiros e 40 da Polícia Militar. Além da estrutura do município com a Secretaria de Educação, envolvendo nossas crian­ças, cerca de 35 mil, e mais 15 mil do Programa Esporte para Todos.

Com isso, faremos um combate sistêmico aos focos da dengue, ao mesmo tempo em que se articula um processo educativo para nossas crianças e também para os adultos. Além disso, vamos também limpar as casas, pedir à população que ponha para fora o lixo, os entulhos, aquilo que pode ser foco da dengue. Vamos recolher tudo.

Cezar Santos — No contexto nacional, Goiás não está muito bem, sendo um dos Estados com maior incidência de dengue, e o mesmo ocorre em Goiânia. Como está Anápolis no contexto regional?
Em relação ao Estado estamos muito bem, mas não existe zona de conforto no que diz respeito à dengue. Com três ou quatro dias pode surgir um foco novo. Hoje o quadro está bom, amanhã pode ser o pior. A vigilância tem de ser contínua. Temos uma grande equipe de trabalho sob a liderança da Secretaria Municipal da Saúde, e agora também com a Secretaria de Estado da Saúde. Estamos trabalhando com todos os parceiros possíveis, porque é um problema do Estado, de fato. A proliferação do mosquito não se dá apenas na cidade. Anápolis é uma cidade-polo, pois várias cidades buscam saúde, educação e serviços no município. Atendemos 52 cidades na área de saúde, não é pouca coisa. Por sermos cidade-polo, estamos su­jeitos à incidência do mosquito e também de pessoas contaminadas que chegam ao município. A proliferação do mosquito se dá de forma muito rápida. Por isso, não podemos descuidar no combate ao aedes aegypti.

Marcos Nunes Carreiro — As ações passam também pela prevenção e a população tem um papel importante no combate ao vetor. Como está sendo trabalhada a conscientização dos moradores, para não jogar lixo na rua e não deixar surgirem focos em casa, por exemplo?
O processo educativo é fundamental. Nessa força-tarefa, vamos visitar todas as casas em dez dias, mas sempre lembrando que terá de haver um acompanhamento nas casas visitadas, senão, em cinco dias pode haver foco onde não tinha. É importante o trabalho ofensivo, o que vamos atacar para valer na força-tarefa, mas também é fundamental o processo educativo com a população. Por isso, estamos envolvendo todas as escolas da rede municipal, bem como as da rede estadual. As universidades também são parceiras nesse trabalho, bem como o sistema S [Sesi, Senac, Sesc, Senai etc.]. Tivemos uma grande reu­nião com a maçonaria, Rotary, Lions, os escoteiros, todos foram convidados e estarão presentes nesse projeto.

Cezar Santos — Como será essa ação em termos operacionais?
As casas visitadas receberão o selo “Casa Livre da Dengue”, um selo grande; quem passar vai ver. A casa que não for visitada, por alguma razão, terá uma equipe para voltar a ela depois.

Euler de França Belém — Volta e meia as pessoas dizem que a Saúde é um problema em Anápolis. Essa área é problemática em todo lugar, no mundo todo, mesmo em países de primeiro mundo. O que a administração do PT fez e está fazendo para melhorar o sistema de saúde na cidade?
A contribuição do PT para a saúde se deu no Brasil inteiro. As UPAs [unidades de pronto atendimento, um programa do Ministério da Saúde, são estruturas de complexidade intermediária entre as unidades básicas de saúde (UBSs) e as portas de urgência hospitalares] são exemplos. Em Anápolis, nos últimos dois anos, inauguramos uma UPA que é referência no atendimento. O Samu [Serviço de Aten­dimento Móvel de Urgência] também nasceu no governo do PT e salva vidas no Brasil inteiro. Quando assumimos, em Anápolis havia um postinho com duas ambulâncias; ho­je temos seis vezes esse número de ambulâncias atuantes, fora as re­ser­vas. Nosso posto do Samu é um dos melhores do País, com uma gran­de estrutura, e estamos abrindo mais um posto, descentralizando a atuação.

Nosso Hospital Municipal também virou uma referência, porque deixou de atender as emergências diretas, que hoje estão na UPA, e passou a trabalhar dentro da média complexidade. Triplicamos o número de grupos da estratégia de Saúde da Família. Contratamos agora 178 médicos em concurso público, já fizemos o chamamento dos aprovados, que vão atuar diretamente em nossas UBSs, envolvendo o Samu, a UPA e os Cais. Anápolis, que tinha apenas uma unidade 24 horas, hoje tem quatro unidades. Temos o Cais Maria Lopes, o Cais Progresso, o Hospital Municipal e o Samu. Anápolis hoje está muito mais bem servida em saúde do que já foi.

Mas, repito: Anápolis é uma cidade-polo. Então, quanto mais melhorar a saúde no município, esse sentimento aflora nas pessoas, mais a população lindeira vai chegar, mais a demanda vai aumentar. Fazemos 6 mil atendimentos diários e o índice de reclamação é muito baixo, não chega a 60 pessoas, ou seja, 1%. Mas, às vezes, 10% desse 1%, apenas seis pessoas, fazem um grande barulho nas redes sociais, na imprensa em geral. E isso pode dar a entender que a saúde é aquilo que foi reclamado, o que não é verdade. Onde há gente há problema, mas o ser humano também é a solução dos problemas.

O índice de satisfação das pessoas é muito alto. Anápolis é referência novamente no Brasil Sor­ridente [programa do governo federal voltado à Atenção da Saúde Bucal]. Estamos entre os dois melhores hospitais do Brasil em atenção ao idoso — o Hospital Dia do Idoso é reconhecido pelo Mi­nistério da Saúde como referência nacional. Nosso Cais Mulher também é referência, com atendimento às mulheres, com todos os exames preventivos necessários.

Posso dizer que estamos fazendo todos os investimentos para tornar a saúde em Anápolis uma das melhores do Brasil. Nossas pesquisas indicam que os índices de satisfação das pessoas atendidas são muito altos. A espera por con­sultas na nossa rede, por exemplo, é muito menor que nas clínicas particulares, isso eu garanto.

A média de espera hoje não passa de uma hora e meia; na rede particular, chega até a quatro horas, eu mesmo já passei por isso. A pessoa marca uma consulta em algum plano de saúde para 30 dias e, quando chega lá, tem de esperar para ser atendido. No hospital público, a pessoa quer atendimento imediato. Posso garantir que, hoje, tem muito mais agilidade e qualidade do que qualquer setor privado da saúde. Não tenho dúvida disso. Mas, como eu disse, a pessoa às vezes quer da rede pública uma assistência muito melhor do que na iniciativa privada, pagando R$ 400 por consulta. Falo de experiência própria, porque paguei esse valor em uma consulta de minha esposa e a deixei na clínica às 14 horas. Era horário marcado, mas quando retornei para buscá-la, às 18 horas, ela não tinha sido atendida ainda. Lá havia 20 outras pessoas na mesma condição, também esperando. Então, é claro que gostaríamos de ter, na rede pública, um médico para cada paciente em nossas unidades, mas isso não é possível. Temos falhas, sim, mas estamos buscando sempre melhorar.

Cezar Santos — No item segurança, Anápolis saiu na frente na utilização de câmaras de monitoramento dos pontos mais movimentados. Isso continua? Como está a segurança pública na cidade?
Essa pergunta é muito importante. Em Anápolis, temos hoje o maior banco de horas do Estado. O que significa isso? Que compramos, pelo município, a hora vaga do militar ou do policial civil para que ele continue a serviço da comunidade. Exemplificando, se ele trabalha um dia e folga dois, dependendo da escala, nós compramos um dia de trabalho dele. Nosso investimento anual, so­mente com o banco de horas, gira em torno de R$ 3 milhões. Cerca de 60% do efetivo que contratamos pelo banco de horas fica à disposição do quartel, para aumentar a presença efetiva do policial, para fazer as rotas, para estar nos distritos. É importante ressaltar que isso não é obrigação do município — ao contrário, a segurança pública é uma obrigação constitucional do governo estadual. Mas não ficamos discutindo isso em nossa administração, porque entendemos que qualquer problema do cidadão é problema nosso. Temos de enfrentá-lo. Então, uma forma que encontramos para amenizar a questão da falta de segurança é por meio do banco de horas, tanto com a PM como com a Polícia Civil, além do Corpo de Bombeiros. Se juntarmos todo o banco de horas, isso chega a R$ 6 milhões.

Por outro lado, em outra frente, temos também o sistema de monitoramento com câmeras, bancado 100% pelo município. É um custo que passa de R$ 2,5 milhões por ano. São 72 câmeras espalhadas pela cidade, o que aumenta muito a sensação de segurança do cidadão, além de servir de modo efetivo para a elucidação de crimes, como o que ocorreu recentemente no Mercado Mu­nicipal. O alcance e a resolução do equipamento, que alcança até três quilômetros, fez com que a polícia pudesse identificar o meliante. Recebemos agora também, por um convênio com o governo federal, um micro-ônibus com 16 microcâmeras, todo equipado, quatro viaturas — dois automóveis e duas motos —, e inúmeras pistolas Taser, de choque. Tudo foi entregue à Prefeitura, que doou isso para a PM, dentro também do programa de banco de horas. Com certeza isso aumenta a sensação de segurança.

Estamos conversando bastante com o governador Marconi Perillo (PSDB) e com o vice-governador José Eliton (PSDB), que agora também é secretário de Segurança Pública. As ações da força-tarefa das polícias, de combate ao crime, têm chegado a Anápolis com muita força. Nós temos acompanhado isso tudo de perto. O prefeito busca pessoalmente essa parceria, conversando com quem tem a responsabilidade de ofertar a segurança para o Estado.

Marcos Nunes Carreiro — O sr. já nos falou uma vez desse investimento, de R$ 5 milhões por ano, na área de segurança. Mas também nos disse que tinha um projeto quase pronto para implantar a Guarda Civil em Anápolis, faltando apenas verba para investir. Como está isso hoje?
Já buscamos exemplos em várias cidades. Em algumas, esse trabalho da Guarda deu certo, em outras, não. É um projeto importante e estamos bem avançados nele, mas, mais do que falar, na posição de empresário que tenho e de gestor, em que estou, temos a responsabilidade de fazer. Sabemos a dificuldade que seria implantar uma Guarda Municipal. Temos ho­je cerca de 500 pessoas que trabalham como vigilantes. A Guarda teria a responsabilidade sobre os equipamentos públicos, o que envolve praças, parques e estruturas instaladas da saúde, da educação etc.

Não podemos simplesmente pe­gar essas 500 pessoas e mandar para casa, pois são servidores concursados da Prefeitura. Estamos buscando um formato em que busquemos dar oportunidade para a maioria desses servidores, para que se enquadrem no perfil para a Guarda e sejam os primeiros a participar dela. A questão financeira é importante, claro, mas esse é um projeto no qual estamos trabalhando a muitas mãos também por tudo isso que lhe falei. Acredito que há possibilidade de que possamos avançar nisso neste ano e que, em 24 meses, tenhamos a Guar­da funcionando e muito bem em Anápolis, não tenho dúvida disso.

Marcos Nunes Carreiro — A situação da segurança está sob controle, então?
Falar é fácil, para quem está de fora. Mas nossa realidade com relação à segurança não comporta projetos milagrosos. Como gestor, tenho responsabilidade à frente de uma administração. A confiança da população em nosso trabalho nos obriga a fazer e não simplesmente dizer que pode fazer. Ou o prefeito faz ou não faz. E nós queremos fazer. A Guarda Municipal vai acontecer em Anápolis. Há um projeto em nível nacional também, criando condições especiais para as cidades que quiserem criar suas guardas municipais. Esse projeto está tramitando no Congresso, mas, independentemente disso, estamos avançando nesse ponto e já em estágio adiantado.

Euler de França Belém — E a questão do presídio em Anápolis, como está?
Isso sempre foi algo de história complicada. Muitos anos atrás não se fazia um presídio porque não tinha área. Em 2009, a administração conseguiu uma área, a comprou e a doou ao Estado. O recurso é federal, com contrapartida do Estado. O município deu sua contribuição, com a doação do terreno.

Euler de França Belém — E em que estágio se encontra a obra hoje?
Está avançando bem. Eu diria que a obra já está em mais de 80%. Estive em uma reunião recentemente com o vice-governador José Eliton e também com o governador Marconi Perillo. Conversamos também sobre o presídio. O governador nos deu a garantia de que nos próximos 60 dias a obra seria reiniciada, para sua conclusão, entrega e início de funcionamento.

Euler de França Belém — E o Credeq que seria construído em Anápolis?
É um projeto estadual e confesso que não tenho uma informação atualizada sobre ele. A última conversa que tivemos sobre isso já faz muito tempo.

Euler de França Belém — A educação pública municipal de Anápolis tem quantos alunos?
São mais de 35 mil crianças nos Cmeis [centros municipais de educação infantil] e escolas. Temos escola para todos e a cada ano que passa a busca por uma vaga aumenta. Por quê? Porque a média salarial hoje em Anápolis é em torno de R$ 6,5 mil, nosso piso está muito acima do mínimo exigido. Pagamos um dos maiores salários do Brasil para professores. Temos plano de cargos e salários, temos um Estatuto do Magistério. Nossos professores são respeitados e ofertam o que tem de melhor em educação.

A qualidade tem melhorado a cada dia e temos atraído, inclusive, alunos da rede privada para a rede municipal. As escolas estão bem equipadas, todas com laboratório de informática e estamos construindo quadras poliesportivas com vistas a também alcançar 100% das unidades. Vamos dar mais conforto e qualidade, além de atender a comunidade aos fins de semana. As pessoas podem utilizar as estruturas para seu lazer e seus eventos, evitando que se tornem elefantes brancos em dias vagos. Também reformamos quase todas as unidades, muitas em ampliação, e praticamente todo professor tem seu notebook e um computador em sala. Os alunos recebem anualmente um kit escolar. São grandes investimentos. Posso garantir que nossa educação está entre as melhores da rede pública no País. Para ter ideia, nosso Fundeb [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica] foi de R$ 113 milhões e nossa folha com educação, de R$ 199 milhões. Ou seja, estamos muito acima da média nacional.

Cezar Santos — O sr. disse uma coisa que é importante ressaltar: toda família que procura vaga para sua criança numa escola de Anápolis é atendida?
Sim, encontra uma vaga e, importante dizer, temos essa responsabilidade de ofertá-la. Qualquer criança que buscar uma vaga e porventura não for atendida naquela escola, por cau­sa do limite por sala, será encaminha a outra, com transporte escolar por conta do município e tudo o mais. Não existe nenhuma criança no município por falta de vaga. Talvez exista por falta de informação, mas não por falta de vagas. Chegamos a contratar salas de aula em escolas em alguns bairros da cidade — até de escolas estaduais — para que não faltassem vagas. Tínhamos distritos com oito alunos em sala de aula. Tivemos de fazer um remanejamento, pois, se posso ter 40 alunos, por que ter uma com 8? Nossa preocupação é ter 100% de vagas para os alunos.

Cezar Santos — A média salarial é realmente de mais de R$ 6 mil em Anápolis?
Para você ter ideia, a folha de pagamento, só dos professores, é de R$ 12,8 milhões. Temos, precisamente, 2.099 professores na rede municipal.

Euler de França Belém — Mas quantos professores ganham esse salário?
Esse valor de R$ 6 mil é a mé­dia salarial. Os professores que en­traram por último, com certeza, não ganham isso. O piso em A­nápolis é pelo menos 30% su­perior ao nacional (de R$ 2.135).

Euler de França Belém — Aná­polis tinha uma tradição de pagar os salários dos servidores atrasados. Desde a primeira gestão do ex-prefeito An­tonio Go­mi­de, e de­pois com o sr., a Pre­feitura prio­rizou pagar os salários em dia. Isso continua da mesma forma?
Vivemos um momento de crise no Brasil inteiro. Anápolis perdeu muita arrecadação de ICMS, que em 2015 foi menor que o de 2012. Foram R$ 10 milhões a menos. Em 2012 nós tivemos uma arrecadação de ICMS de R$ 216,9 milhões; em 2015, caiu para R$ 207 milhões. E, desde 2012, você imagina o quanto aumentou a folha de pagamento e os custos da Prefeitura de modo geral? Foi muito. Nosso Instituto de Seguridade Social, nos últimos dois anos, fez um aporte extra de R$ 40 milhões para pagamento dos salários dos aposentados. Isso só nesses dois anos de meu governo. Se somar todos os prefeitos que me antecederam, desde a fundação de Anápolis, não houve um aporte de tamanha monta. Isso por causa da partição de massas, que é algo muito danoso para a Prefeitura.

E nesses dois anos de governo, que vamos completar agora, nós pagamos rigorosamente dentro do mês. Graças a Deus, nun­ca atrasamos e temos procurado manter isso. Nós estamos fazendo uma mudança no Plano de Car­gos e Salários que atinge to­dos os servidores da administração centralizada, da Saúde e da Educação.

São algumas mudanças importantes, reclamadas pe­los servidores ao longo dos anos. No fim da semana passada, isso foi votado na Câmara Municipal. São mudanças importantes, como abono salarial e crescimento vertical, pois entendemos que o servidor é responsável pelo serviço que a Prefei­tura presta. E queremos motivá-los a fazer um serviço cada vez melhor. Então, pretendemos continuar pagando em dia, embora tenhamos muita dificuldade.­

“Arrecadação de R$ 100 milhões é folclore”

Na foto João Gomes

Na foto João Gomes

Euler de França Belém — Qual o valor da folha e qual a porcentagem que ela ocupa da arrecadação?
Nós fechamos o ano com uma média mensal de arrecadação de R$ 60 milhões. Em dezembro, tivemos uma média de folha na casa dos R$ 36 milhões. Se colocarmos na conta o 13º salário, isso sobe para R$ 40 milhões.

Cezar Santos — Houve queda do Fundo de Participação dos Municí­pios (FPM) em Anápolis?
Sim. O ICMS vem caindo desde 2013, não por conta da arrecadação do Estado, mas devido ao não incremento de novas empresas. Chama­mos isso de valor adicionado. Os municípios participam de 25% do valor total arrecadado pelo Estado; e essa participação se dá de acordo com o quanto o município adiciona ao bolo de 100%. Anápolis ficou alguns anos sem adicionar, enquanto outras cidades fizeram isso — Aparecida de Goiânia é um exemplo. Anápolis tem um pouco mais de 6% na participação do bolo de ICMS e outras localidades, que tinham 3%, hoje têm quase 6%. A arrecadação de ICMS do Estado se manteve até crescente — aumentou quase 3% — mas em Anápolis caiu quase 12%, porque nosso índice caiu. No que diz respeito ao FPM que envolve a arrecadação nacional, temos caído sistematicamente.

Marcos Nunes Carreiro — O deputado Carlos Antonio (PSDB) diz que a arrecadação de Anápolis já chegou a ser de R$ 100 milhões e que caiu, agora, para R$ 60 milhões. Com uma queda de arrecadação dessas, quais são as maiores dificuldades para manter a administração funcionando bem?
É uma conta simples: se você ganha um salário “x”, existe uma base de consumo em cima daquilo que você ganha. Se há uma diminuição, você precisa reduzir os gastos. Isso funciona para contas pessoais e também para a administração pública. Só que em uma prefeitura é pior, pois numa empresa você pode demitir, cortar, diminuir. Em uma prefeitura, não. A folha é crescente e as demandas também.

Entretanto, essa arrecadação de R$ 100 milhões é folclore. Anápolis nunca teve uma arrecadação dessa monta. Quem fala isso não conhece os números. Que a arrecadação já foi maior que R$ 60 milhões, eu concordo, já foi bem maior, mas nunca chegou a R$ 100 milhões. Na última campanha, alguém foi para a televisão dizer isso — e pode ser que Carlos Antonio tenha falado essa informação por causa disso —, mas não é real. Nosso orçamento vem fechando na ordem de R$ 700 milhões por ano. É fácil, então: basta pegar esse montante e dividir por 12 para saber que não dá R$ 100 milhões ao mês.

Nesses dois anos, com aumento da inflação e aumento de folha, nós perdemos arrecadação, mas é normal. Como reverter isso? Aumen­tando o número de empresas e construindo novos distritos, pois o Daia não tem mais espaço. O Daia tem 160 empresas e sua capacidade de ampliação é muito limitada; logo, precisamos partir para a construção de novo distritos. E isso já está em fase bastante adiantada. Voltando aos números, como se faz para administrar uma cidade cuja arrecadação cai a cada mês? Trabalhando. É uma tarefa difícil, mas a população não aceita prefeito reclamão, pois nos elegeu para responder às demandas. Temos trabalhado muito e é a força desse trabalho que tem dado resultados. Usamos a criatividade.

Ao buscar parcerias no combate à dengue, diminuímos nossos custos. As parcerias com o setor produtivo têm gerado várias obras em Aná­polis, sem custo para a Prefeitura. E são obras importantes para a cidade, inclusive parques ambientais. Ou seja, temos de buscar nosso espírito empreendedor e desenvolver isso na equipe, para que ela também aprenda a fazer mais e melhor gastando menos. Esse é o grande desafio, pois existem coisas que não podem ser cortadas. E veja que cortamos, só no ano passado, mais de R$ 40 milhões em despesas. Nesses dois anos, fizemos vários cortes. Então, não tem milagre, é gestão e muito trabalho.

Marcos Nunes Carreiro — O sr. fala sobre os novos distritos. Como está o projeto do Daia 2?
Esse projeto é meu. Nasceu de uma conversa minha com o governador Marconi Perillo, ainda nas eleições de 2014, e ele comprou a ideia de imediato. O governo do Estado tem sido nosso parceiro. Já conversamos com o vice-governador José Eliton, com o secretário de Desen­volvimento, Thiago Peixoto, e com a secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão. Todos já conhecem o projeto. Só estamos aguardando a aprovação do nosso Plano Diretor, que já está na Câmara e deve ser votado em breve, pois ele já prevê essas áreas de expansão para três novos distritos. Temos municípios goianos com cinco distritos e Anápolis ficou apenas com um, que não tem mais espaço.

As empresas querem ir para Anápolis, mas acabam se dirigindo para outra cidade por falta de áreas disponíveis. Essa página será virada com a criação dos novos distritos, em parceria com o setor produtivo. Esse é um modelo novo que será bancado totalmente pelo setor privado. Será feita a comercialização da área e será feita toda a infraestrutura. A empresa que comprar a área, esta, sim, terá benefícios futuros para ressarcir os investimentos que fizer.

Marcos Nunes Carreiro — O município já conseguiu fazer uma atração do setor hoteleiro para a cidade, em razão do Centro de Convenções. Qual o tamanho real dessa atração e qual o impacto disso na cidade?
Essa conversa do Centro de Convenções começou no fim da década de 1990. Desde então, temos essa expectativa. Naquela época já tínhamos grandes eventos na cidade. A Faiana [Feira de Amostras da Indústria Anapolina], por exemplo, era uma feira de dimensão nacional. Por falta de estrutura, acabou. O nosso sistema hoteleiro se encontrava muito decadente, mas vem crescendo a cada ano. Nos últimos cinco anos, a rede hoteleira teve um avanço muito grande, tem se reformado e ampliado. Grandes hotéis, de redes nacionais, têm se estabelecido na cidade, como o Comfort Hotel, na Avenida Brasil. Deve ser inaugurado nos próximos dias.

Só ele deve ofertar 120 novos leitos. Temos pelo menos outros três empreendimentos da rede hoteleira em fase de construção, como um próximo ao Bairro Ipiranga, com pelo menos 60% concluído. Tem também um hotel no Anashopping com 60 apartamentos prontos, acabando de ser mobiliados. De imediato, ao todo, há entre três ou quatro hotéis que podem ser inaugurados em Anápolis, além de outros três em construção. Podemos dizer, com certeza, que o Centro de Conven­ções tem atraído esses hotéis, não tenho dúvidas disso, e por isso temos uma expectativa tão grande com essa obra.

Euler de França Belém — E quando será inaugurado o Centro de Convenções?
As obras do Centro de convenções não estão paradas. Estão em ritmo lento, mas não paradas. O governador esteve conosco recentemente e nos disse que a expectativa é de que o entregue este ano, senão mobiliado, mas pelo menos em relação à parte física. Acho que é uma notícia boa em tempo de crise. Acredito que o governador vá cumprir esse compromisso.

Marcos Nunes Carreiro — O deputado Carlos Antonio disse que em Anápolis não há obras federais, mas obras feitas com empréstimo da Prefeitura de R$ 75 milhões, com carência de cinco anos. Ou seja, com o endividamento da Prefeitura.
Eu vivo Anápolis 24 horas por dia e vou dizer uma coisa: se eu for citar as obras federais que temos lá, vou consumir toda a entrevista e ainda vou me esquecer de algumas. Temos expansões de escolas, construção de novas unidades de saúde, uma obra de R$ 25 milhões, que é a obra de um canal na bacia do Córrego das Antas, no Parque Onofre Quinan. Estamos concluindo, com recursos federais e uma contrapartida de 10% da prefeitura, incluindo a ampliação de duas marginais. Temos a obra do Estádio Jonas Duarte, com duas emendas do deputado Rubens Otoni (PT) e uma emenda do deputado Jovair Arantes (PTB). Juntas, somam algo em torno de R$ 5,5 milhões para o fechamento do anel viário do estádio. Outros R$ 2 milhões estão vindo, para uma obra que está em andamento e da qual a parte da Prefeitura fizemos com recursos próprios — o rebaixamento do gramado e outras intervenções.

Nós temos um centro esportivo na Vila Esperança que custou R$ 3,8 milhões cuja obra está caminhando com recursos federais, do Ministério do Esporte. Há também um centro de artes na Vila Formosa, com custo de R$ 1,5 milhão, que deve estar com 60% da obra concluída. Temos arquibancadas para a pista de cross, com 100% de recursos federais.

Sobre os viadutos de que estão falando, a obra não consiste apenas nisso. São 47 quilômetros de corredores de transporte; as principais avenidas da cidade vão receber intervenções, melhorando a qualidade de nosso pavimento e a mobilidade para o transporte coletivo. Nesse projeto entram dois grandes viadutos: um no encontro das avenidas Goiás e Brasil, e outro no cruzamento da Brasil com a Ave­nida Amazílio Lino de Souza. Dizer que esses viadutos não são importantes é não conhecer nem viver a cidade.

Eu vivo em Anápolis há 32 anos e já discutíamos esses viadutos em 1996. Estamos construindo quatro viadutos e há o compromisso de um quinto, feito pelo governador Mar­coni Perillo comigo, na Avenida Brasil com a Engenheiro Portela, de tal forma que a Avenida Brasil, dentro de todo o eixo, algo em torno de 18 quilômetros, será toda sem semáforo. Nós vamos ter ali a espinha dorsal do transporte coletivo, com pista exclusiva 100%, em uma do PAC Mobilidade, por meio de empréstimo do Ministério das Cidades, pela Caixa Econômica Federal e fundo de garantia. Temos dinheiro garantido para a obra, assim como outros financiamentos que estamos pagando hoje, mas que fizeram há mais tempo, como para fazer asfalto, e que foram importantes naquele momento. Temos inúmeras obras, em parceria com o governo do Estado que serão alavancadas agora, e que também são convênios importantes.

Dizer que não tem obras federais em Anápolis é desconhecer a cidade. Se pelo menos ele tivesse conversado comigo, com certeza eu teria o prazer de informar acerca de cada uma delas. Basta andar pela cidade e ver as placas que informam que os recursos vêm do governo federal.

É bom lembrar outro detalhe importante: os recursos para a obra do presídio, em grande parte, também vêm do governo federal; o Centro de Inserção Social, onde os menores infratores vão ficar, é uma obra grande, em torno de R$ 10 milhões, e vem do governo federal. O viaduto do Daia é com 100% de recursos do governo federal, que tem feito isso no Brasil inteiro, em Goiás inteiro e não só em Anápolis.

Cezar Santos — O deputado Carlos Antonio confirmou a pré-candidatura e agora está no PSDB, um partido importante no cenário político geral. Até que ponto isso mexe na sucessão?
A gente não escolhe adversário. O Partido dos Trabalhadores anunciou e aprovou nosso nome como pré-candidato a prefeito de Anápolis — um processo natural, até porque eu sou o prefeito hoje, pelo partido. Carlos Antonio foi um vereador eleito por nossa chapa em 2008. Foi eleito conosco e esteve conosco durante todo o tempo como vereador, sendo depois foi eleito deputado estadual também conosco. Até duas semanas atrás foi nosso parceiro, participando ativamente na administração, na secretaria e em outros cargos importantes do governo. Ele tem um projeto individual dele, precisamos respeitar isso, faz parte do jogo político. Entendemos que a pretensão dele é legítima. Vamos trabalhar, vamos para o jogo.

Cezar Santos — A secretaria que o SD ocupava já foi entregue?
Será entregue no prazo que estabelecemos para todos aqueles que serão candidatos ou que vão apoiar outros candidatos. Tenho uma boa relação com toda a equipe das pessoas ligadas ao Solidariedade, a Carlos Anto­nio e até com ele. Carlos é meu amigo há muitos anos, trabalhamos muito, e eu o levei para Senador Canedo. Não tenho dificuldade nenhuma com ele. Mas o projeto dele se opõe ao nosso, isso é natural, então vou pedir às pessoas ligadas a ele para deixarem o governo para participar do projeto dele.

Cezar Santos — E sua pré-candidatura, que perdeu o SD? Como está a conversa com outros partidos?
Nós não perdemos o SD, perdemos o deputado Carlos Anto­nio, que foi para um outro partido.

Cezar Santos — Ele disse que está levando muita gente.
Sim, mas não está levando o partido.

Cezar Santos — O secretário Ilmar Lopes da Luz [secretário de Trabalho, Emprego e Renda] está saindo.
Ilmar acompanha Carlos Antonio há muito tempo, é natural isso. O chefe de gabinete do deputado é filho de Ilmar, que também é meu amigo, talvez há muito mais tempo do que de Carlos Antonio. Mas é natural que ele saia, pois Ilmar está no projeto e ele deve segui-lo. Mas perde-se um e ganha-se outros. Nós tivemos a visita da deputada federal Flávia Morais (PDT) junto com o PDT, que é um partido que vem conosco agora e que não caminhou conosco lá atrás. Estamos negociando a passos largos com o PR, fizemos uma reunião com seu presidente estadual, Flávio Ca­nedo, e com a deputada federal Magda Moffato (PR) — é um partido com que tenho uma relação muito próxima, até porque fui um de seus fundadores em Anápolis. Temos mais partidos também, que em outras eleições não estavam conosco. Assim é o processo. O mais importante é que temos uma base muito forte na Câmara e um grupo forte no governo, que envolve mais de dez partidos. Vamos trabalhar para manter essa base unida, fortalecida, entendendo que o projeto principal é a administração, não um projeto político individual, meu ou de quem quer que seja. O gestor público tem de entender que, a partir do momento em que é eleito, seu interesse pessoal, político-partidário, deixou de ser interessante. Aí passa a ser o interesse do público, da coletividade. Isso que faz toda a diferença e é pra esse tipo de interesse que nós precisamos trabalhar.

Cezar Santos — O que o próximo prefeito de Anápolis terá de atacar de imediato, sendo o sr. mesmo ou outro?
Temos dois problemas sérios. Um deles é melhorar a arrecadação, trabalhando a gestão do ponto de vista de gastos Mas um dos grandes desafios é nosso instituto de seguridade. Sem dúvidas, um desafio enorme, mas acredito que exista uma luz no fim do túnel, o que por muitos anos não se via e ainda não vemos. Nós a estamos buscando, estamos no caminho.
Outro grande desafio é a in­dustrialização. Precisamos aumentar a nossa participação efetiva no Estado, por meio de novas indústrias, novas empresas. Sou empresário em Anápolis há mais de 30 anos e, por isso, conheço o setor e nele milito.

Sei que, com a abertura de novos distritos, é só buscar novas empresas, correr atrás delas; e isso precisa ser feito; a busca de novas empresas para cidade tem de ser feita. Mas, o prefeito precisa gozar da confiança no setor produtivo para fazer este trabalho.

Marcos Nunes Carreiro — Quanto à questão política, o ex-prefeito Antonio Gomide (PT) é o coordenador da campanha do sr.?
Sim, ele é o coordenador político da campanha.

Marcos Nunes Carreiro — Houve boatos de que Gomide poderia sair candidato a vereador para dar um reforço a mais. Como está isso?
Gomide está na coordenação-geral da campanha. Ou seja, ele está realizando todo o processo político. Tudo tem passado pelas mãos dele, automaticamente, conhecedor da cidade que é. Ele é meu amigo e tenho toda a confiança, tanto nele como no deputado Rubens Otoni. Portanto, Gomide, hoje, já está cumprindo seu papel, que é de coordenar esse processo eleitoral, sobretudo na coordenação efetiva da campanha em Anápolis. Nesta pré-campanha, em todas as conversações, é importante sua participação.

Quanto a ele sair como candidato, surgiu isso, mas não foi dentro do partido, tampouco da parte dele. Veio de fora e não sabemos o porquê. De toda forma, ter o nome lembrado é sempre bom. Mas Gomide não tem esta vaidade; se fosse preciso, certamente ele o faria. Mas não faz parte do nosso processo político, até porque ele tem um papel muito importante, hoje, dentro da coordenação.

Cezar Santos — Ele tem algum cargo formal na prefeitura?
Não. Gomide é funcionário público estadual e tem seu negócio, um consultório; é um profissional na área de odontologia. Tanto ele quanto sua esposa trabalham nesta área, com um consultório, onde ele sempre atuou mesmo quando prefeito, em suas horas vagas. Agora, fora da Prefeitura, com certeza está trabalhando em seu consultório.

Marcos Nunes Carreiro — O sr. pertence a um partido que vive um momento delicado nacionalmente por conta de todas as histórias com a presidente Dilma. Mas, ao mesmo tempo, tem uma gestão bem avaliada em Aná­polis. Ou seja, a crise não afetou o sr. Isso se dá por conta da avaliação positiva como gestor da cidade?
Sem dúvida. A crise política não afetou a cidade, porém a crise econômica, sim, esta tem afetado; mas, mesmo com ela, nós temos dado um salto muito grande de gestão na cidade e é isso que a população está vendo. Esse salto, essa diferença na gestão que Anápolis vem experimentando nos últimos sete ou oito anos é a nossa marca, é o nosso grande referencial. Nosso foco na gestão, nosso trabalho dedicado, isso tem feito a diferença. Sou o primeiro a chegar à Prefeitura e o último a sair, todos os dias. Isso não é de agora, que sou prefeito; isto já acontecia desde quando era vice de Gomide. Eu e ele éramos os primeiros a chegar. Nós nos dedicamos integralmente àquilo que estamos fazendo. Estamos cuidando de uma cidade, estamos cuidando de vidas. E, nisso, existe um jogo muito grande de interesses; mas cada um pensa, a seu modo, sua demanda e nós temos de entender isso de maneira coletiva.

Esta compreensão e este trabalho são o que temos feito: uma administração focada nas demandas da cidade, buscando traduzir em desenvolvimento econômico e qualidade de vida para a população essa busca em que nós continuamos investindo. Por isso, com certeza a população enxerga a gestão João Gomes e Antonio Gomide acima de qualquer coisa, de qualquer problema em Brasília. Afinal de contas, não sou deputado federal, não sou senador e tampouco presidente da República — e também não sou presidente do partido ou prefeito de partido, mas sim prefeito de uma cidade e a nossa atuação tem este foco. Sou um gestor, prefeito de Anápolis, uma cidade que tem várias vertentes, várias nuances. Você não pode deixar de atender o interesse coletivo em prol de um individual ou mesmo de grupos de interesses políticos partidários. Nossa administração enxerga a cidade acima de todas estas coisas e, com certeza, assim continuaremos trabalhando.

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Cezar Santos — Para além de suas ressalvas, o sr. continua militante do PT, que o possibilitou chegar à Prefeitura. Gostaria de ouvir sua opinião, por exemplo, quanto ao cenário nacional e o processo de impeachment. O sr. vê isto como golpe, como muitos petistas dizem?
Bem, cada um dá o nome que quiser. Condenar alguém que não cometeu crime algum, que nome se dá a isso? Então, no momento que estamos vivendo hoje, vale lembrar que muitos fogem da história; muitos sofreram há algum tempo e, hoje, já esqueceram — isto quem viveu de longe. Mas quem vivenciou isto na pele não esquecerá jamais. E o que está acontecendo hoje já aconteceu há algum tempo. Eu sou um cientista social em formação; gosto de ler, conheço de história e, às vezes, escrevo também. Não existiria, portanto, o presente e muito menos o futuro sem o passado. É preciso ter isto bem claro.

O que acontece atualmente em Brasília eu tenho acompanhado e vivenciado muito pouco, pois a gestão tem me absorvido 100% — seria até mais, pois, se eu tivesse de doar 8 horas, talvez me restasse algum tempo, mas eu tenho de me dedicar pelo menos 16 horas, pois não tenho vice-prefeito. Sou prefeito e sou vice ao mesmo tempo. Tenho hoje a alegria de ter ao meu lado a primeira-dama [Lucimar Gomes], que tem me ajudado muito com a cidade.

Anápolis experimentou uma mãezona. A cidade experimentou o que é ter, de fato, uma primeira-dama, o que é muito importante. Eu celebro a família, a vida e Deus em minha vida. Não entro em detalhes em relação a Brasília, até porque isto não me ajuda a construir uma história melhor para Anápolis. Acredito que Brasília precise de juízo e isso envolve todos que ali estão. Eles precisam resolver os problemas existentes o mais rapidamente possível. A economia está parada, o Brasil está parado. Por que o Congresso Nacional não vota as pautas importantes para o País? Por que ele só vota pautas-bomba? Por que isso? Será que existe algum jogo por trás disso? Eu não sei; também quero respostas. Eu quero saber o que está acontecendo em Brasília. É legal ou ilegal? É injusto ou não? É golpe ou não? É uma resposta que eu também gostaria de ter, mas não a tenho. Só sei que o processo democrático precisa ser respeitado. Não podemos jamais passar por cima da democracia, pois foi uma conquista que custou a vida de muitas pessoas e é o melhor sistema que existe. Não podemos passar por cima da vontade do povo que, por meio do voto, nos elegeu. Isto precisa ser respeitado. Passou disto tem outro nome, mas aí cada um que dê o nome que quiser. Alguns chamam de golpe, outros de nomes diferentes, vai do interesse dos grupos, do ponto de vista pessoal. Já o coletivo, nesta hora em Brasília, tem sido pouco discutido; ao menos, pelos mandatários de lá. E isto é complicadíssimo.

Mas não vou entrar na vertente particular de um partido “a” ou “b”. Hoje, quando se fala de partido, sou sim do PT e não vou negar. Mas, quando se fala em partido, se vê que está muito ruim para todos no cenário brasileiro. Isso é em todas as cidades e em Anápolis não poderia ser diferente. A população quer algo maior, ela quer solução, ações efetivas que deem resultados, que melhorem a condição de vida, que o negócio prospere, que volte a caminhar, gerar emprego e produzir renda, o que, infelizmente, está atado a uma crise política que tem gerado uma crise econômica sem precedentes na história. Que Brasília cuide de seus problemas, pois eu tenho muitos aqui em Anápolis e é para eles que tenho dedicado 24 horas do dia. Dou as mãos a todos os que querem o bem da minha cidade, seja de Brasília, de Goiânia, de Goiás ou mesmo de Anápolis. A cidade merece essa dedicação e carece dela. Se eu for passar meu tempo em Brasília, certamente o perderei, até porque não tenho nenhuma influência lá.

Cezar Santos — Não há nenhuma capacidade de interferir…
Nada, nada. Eu fico buscando respostas e não as encontro. O que acontecerá amanhã? O cenário em Brasília não é mais diário, muda de hora em hora. O humor de Brasília muda a cada hora, quem acompanha sabe disso. Anápolis é a 2ª maior cidade na economia do Estado de Goiás e não pode parar e ser vítima disso.

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Denis Robson

Vocês já eram PT