“Vanderlan diz que foi traído por mim, mas é ele quem sempre descartou seus aliados”

Agora no ninho tucano, prefeito de Senador Canedo solta o verbo contra seu ex-parceiro político e diz que apoiaria até Iris Rezende contra o pessebista, que hoje é pré-candidato em Goiânia

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Um pote cheio de mágoa. É o que pode transparecer ao leitor que buscar um primeiro olhar sobre esta entrevista do prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira (PDT), durante a qual, em boa parte, ele discorre sobre seu afastamento do ex-prefeito da cidade Vanderlan Cardoso (PSB), hoje pré-candidato à sucessão municipal em Goiânia. Mais do um simples rompimento, há contra o pessebista, no mínimo, um sentimento de indignação por parte do neotucano — “voltei agora ao ninho de onde não deveria ter saído”, afirmou, classificando o governador Marconi Perillo (PSDB) como “esse, sim, um verdadeiro líder”.

A um ano do novo pleito, Misael não confirma se será candidato a reeleição. Diz que pode ser ou pode apoiar um nome, mas que não ficará ausente. E também quer ser chamado a participar da disputa em Goiânia. “Quero mostrar os contrapontos dos candidatos aqui da capital. Mostrar que meu adversário em Senador Canedo não é tudo isso que se propaga.” O adversário, claro, é Vanderlan.

Nem só de críticas ao ex-aliado vive Misael. Ele busca recuperar a popularidade de sua gestão, cuja queda ele credita à falta de melhor divulgação do trabalho e a priorização de obras que não dão visibilidade, como saneamento.

Cezar Santos — O sr. rompeu com o ex-prefeito Vanderlan Cardoso, que apoiou sua eleição em 2012?
A minha chegada à Prefeitura de Senador Canedo não foi por acaso. Tive sim o apoio de Vanderlan, mas eu já tinha um legado político antes de conhecê-lo. Eu havia transformado o polo coureiro num distrito industrial de reciclagem e consegui levar a Jaepel, que hoje é a terceira maior empresa de Senador Canedo em empregos e geração de renda, com mais de 700 funcionários diretos e 1,5 mil indiretos. No primeiro mês de governo consegui levar o IFG [Instituto Federal de Goiás], um legado que vai ficar, já está funcionando embora tenha dado uma parada nas obras em função dos recursos federais contingenciados. Mas o benefício está lá. Estamos investindo no sistema de tratamento de água, e como dissemos antes, na rede de esgoto.

Também estamos investindo, ampliando na área de esporte e meio ambiente, na construção dos parques ambientais Boa Vista, da Vila Galvão, São Francisco, Flor do Ipê. Fizemos o Creas [Centro de Refe­rência Especializado de Assistência Social], Cemaf [Centro Municipal de Atendimento à Família]. Temos muitas obras em andamento.

Mas, realmente, divulguei pouco, foi um erro de minha parte. Como Senador Canedo cresceu demais, hoje são mais de 120 mil habitantes, em dez anos a cidade mais que dobrou de tamanho — eram 50 mil habitantes em 2004. Em 2005 havia apenas 6 PSFs [Programas de Saúde da Família], hoje são 25; eram 15 ou 20 escolas, hoje são 40. Por aí se vê a dimensão do crescimento da cidade.

Euler de França Belém — Qual foi o motivo de seu rompimento com Vanderlan Cardoso?
Na verdade, o rompimento veio da parte dele e eu não sei por quê. Antes do segundo turno do ano passado, Vanderlan tomou a decisão de se manter neutro, enquanto eu e Liminha [Joaquim Jacinto de Lima, secretário de Governo da Prefeitura de Senador Canedo] fomos apoiar Marconi Perillo (PSDB). E lhe demos uma votação expressiva, porque trabalhamos muito para sua eleição. Isso parece ter desagradado a Vanderlan. Aí começou certo distanciamento. Em março, fizemos uma pesquisa qualitativa e quantitativa. Nela mostrava-se certo desgaste de meu nome, não dos serviços, que estavam bem avaliados.

Então, sentado com ele em sua mesa, eu disse a Vanderlan: “Não morro de paixão por Prefeitura. Se você tem um projeto de disputar a prefeitura de Goiânia, escolha um terceiro nome, um plano B, e vou lhe ajudar na campanha da capital.” Ele disse que não tinha nada disso, que era para eu trabalhar e não me preocupar. Ato contínuo, ele filiou um pré-candidato à Prefeitura ao PSB. Então, a conversa frente a frente era de uma fora e nos bastidores ocorria de outra forma. Tudo culminou com a criação de um escritório do PSB para buscar gente de dentro da Prefeitura para filiar ao partido. Senti isso como ingratidão, porque eu o servi a vida toda. Eu conduzi todo o trabalho político de Senador Canedo de modo que ele pudesse escolher quem ele quisesse para a Prefeitura. Mas ele me disse que não queria. Então, ele me deixa lá e começa, então, a me massacrar por trás?

Mas esse é o estilo Vanderlan de agir. Nunca tive uma discussão com ele, assim como ele nunca teve qualquer discussão com quem quer que fosse que tenha passado pela Prefeitura. Ele, como prefeito, teve quase 40 secretários e auxiliares. Só na Secretaria de Governo foram 7 nomes em cinco anos de gestão, mais 3 na Secretaria de Saúde, 3 na Educação, 3 no Esporte, 3 na Agricultura, e assim por diante.

Cezar Santos — Isso mostra uma faceta um tanto desagregadora de Vanderlan?
Digo que ele se encanta e se desencanta com a pessoa em pouco tempo. Só que ele manifesta isso, não diz nada. Ele manda as pessoas baterem por trás, causar uma desestabilização antes, para então se criar uma situação para a saída.

Euler de França Belém — Mas qual o mo­tivo de ele ter agido assim com o sr.?
Não tenho esse motivo. Seria ele a dizer isso, mas diz que eu fui quem seguiu novo rumo, procurou novo caminho. Ele tenta se fazer de vítima, é o estilo Vanderlan de agir. São mais de 150 pessoas que conviveram e serviram a ele na política e nas empresas as quais ele foi descartando do mesmo jeitinho: solapando por trás e tentando fazer ver que a briga não era com ele. Como sou político, sabia que minha hora iria chegar — porque é o que ele fazia com todos —, fiquei esperando. Quando enfim isso ocorreu, não aceitei e trouxe logo esse descontentamento a público. Fiz então alguns desafios a ele, para um debate político. Agora, Vanderlan tenta dizer que ele é quem foi traído, relegado a segundo plano, quando foi ele que criou toda a situação para que isso acontecesse. Certamente, ele não me queria mais ao lado dele, como descartou todos seus assessores e secretários ao longo do tempo.

Euler de França Belém — Vanderlan diz que o sr. era uma pessoa que atacava Marconi.
Meu debate com Marconi Perillo sempre foi político. Quem tremeu com Marconi no debate não fui eu, não.

"Vanderlan acha que Senador Canedo é o umbigo do mundo. Ele deixa de articular em Goiânia para ficar lá , tentando me solapar e a minha administração.

“Vanderlan acha que Senador Canedo é o umbigo do mundo. Ele deixa de articular em Goiânia para ficar lá , tentando me solapar e a minha administração.”

Euler de França Belém — Mas ele tremeu mesmo, isso é um fato?
Sim, todo mundo sabe que ele tremeu. Vanderlan não está polido para os grandes debates e embates. Não o vejo gabaritado para administrar Goiânia. Há um mito em relação a ele. Uma coisa é administrar com muito dinheiro — qualquer um comanda uma cidade, Senador Canedo ou Goiânia, se tiver isso. O que mais aborrece Vanderlan é mostrar a ele que seu período à frente da cidade foi o pico em termos de arrecadação de Senador Canedo. Foi a época de ouro, mas isso mudou, por mais que se tente voltar isso e será difícil, porque os demais municípios cresceram muito, Senador Canedo caiu de 3º para 6º lugar.

O plano de metas que ele estabeleceu é mais um folclore. Vanderlan tem bom gosto para administrar, mas seu grande defeito é não criar grupo político. Ele não tem seguidores políticos. Segundo um médico amigo que tenho, ele tem todos os sintomas do esquizofrênico: muito inteligente, envolvente, mas com síndrome de perseguição, acha que todos estão querendo o trair. Teve pessoa que saiu tão massacrada da Prefeitura, quando trabalhava com ele, que se sentiu tão usado que teve de ir para o psicólogo, ir tomar remédio. Eu o vi humilhar amigos de velhas datas, homens de mais de 60 anos. Depois, ele se arrepende e volta a falar com as pessoas e diz que não fez nada.

Por exemplo, ele forçou a demissão de meu cunhado Gilmar Mota, que estava na Procuradoria-Geral, e depois disse ao irmão dele que não tinha nada a ver com aquilo, que a briga de Gilmar era comigo. Pro­vo­cou uma verdadeira celeuma. Eu servi Vanderlan como um escravo, na verdade, cheguei a provocar cizânia em minha família por causa dele.

Cezar Santos — Sua aproximação administrativa e política com o governador pode ter causado essa ruptura?
Creio que meu retorno à base do governador — minha e de Liminha — o deixou um tanto solitário. Vanderlan padece deste problema de solidão: quando se sente solitário, começa a espalhar cizânia dentro das lideranças de Senador Canedo. Põe as lideranças para brigar entre si para que fiquem ligando para ele. Eu afirmo aqui: a ida da senadora Lúcia Vânia para o PSB já tem data e hora para terminar. Lúcia não vai aguentar esse estilo dele, na primeira ação de dissimulação com ela, creio que ela vai romper com Vanderlan — e ela já assumiu o partido.
Fico muito triste. Já dei conta de conviver com todas as adversidades na vida. A única coisa que não dei conta, até hoje, foi conviver com a ingratidão. O povo dele, Vanderlan, está lá na Prefeitura até hoje. Agora, nós vamos fazer um reforma administrativa. Sempre fui grato a ele, mas eu já tinha uma história em Senador Canedo antes de ele ser prefeito, eu já era deputado. Quando ele chegou na política, eu já estava na política. Tenho um histórico de lealdade na minha vida com Paulo Roberto Cunha [ex-deputado federal, morto em 2011], com quem apenas divergi no campo das ideias em 1998, quando ele foi apoiar Iris Rezende (PMDB) ao governo e falei que ele estava errado, ficando com nosso grupo de oposição há 16 anos [que apoiava o então deputado federal Marconi Perillo]. Mas, naquele momento, Paulo Roberto Cunha tinha um problema interno dentro das oposições com Ronaldo Caiado (senador, DEM) e com Roberto Balestra [deputado federal, PP]. Fui fiel durante 30 anos a Paulo Roberto Cunha, sou amigo da família dele até hoje, e eles reconhecem meu caráter e minha lealdade.
Nunca tive um gesto de ingratidão com Marconi, por isso que foi fácil meu retorno para base do governador. Sempre o respeitei, fiz algumas críticas políticas pontuais a ele, mas mantive minha amizade. Um político no Brasil chegar aonde chegou Marconi, com 50 anos de idade ao quarto mandato de governador, isso é inédito, não tem igual na história do Brasil. Só temos dois líderes políticos aqui em Goiás: Marconi Perillo e Iris Rezende. Ninguém consegue agregar como os dois agregam dentro do consenso político.

Frederico Vitor — Como o sr. vê o quadro político em Goiânia?
Goiânia passa por turbulência, embora o prefeito Paulo Garcia (PT) já dê sinais vitais de sua recuperação. A­cho que ele vai terminar bem e es­pero que o próximo gestor seja compromissado com a cidade e, acima de tudo, com as pessoas, que não use os cidadãos para serem descartados como objetos na lata do lixo.

Euler de França Belém — É verdade que em um segundo turno na capital, entre Iris e Vanderlan, o sr. apoiaria Iris?
Com certeza. Só pedi isso ao governador para me filiar ao PSDB. Falei que, se tiver um segundo turno em Goiânia, me licenciaria do partido para apoiar Iris se ele for para um segundo turno com Vanderlan. Não vou procurar ninguém do PMDB. Vou fazer meu proselitismo de casa em casa para Iris Rezende.

Euler de França Belém — Há um comentário geral, inclusive na base do PSB em Goiânia, que Vanderlan faz mais política em Senador Canedo do que em Goiânia. A presença dele lá é realmente ostensiva?
Esse foi um tipo de erro que Paulo Roberto Cunha cometeu — e eu disse isso a ele. Paulo perdeu a oportunidade de ter sido nomeado pelo governador já no intervalo para o segundo mandato em Rio Verde [ele foi prefeito da cidade de 2001 a 2008], quando o governador queria nomeá-lo conselheiro no Tribunal de Contas. Paulo recusou, dizendo que Padre Ferreira, seu vice, não poderia assumir. Dissemos a ele que, para que pudesse chegar a governador, teria de entender que Rio Verde não era o umbigo do mundo, que a política é mais abrangente no Estado.

Vanderlan acha que Senador Canedo é o umbigo do mundo. Ele deixa de articular em Goiânia para ficar lá articulando com as lideranças, para tentar me solapar e a minha administração. Sentamos há 40 dias e eu disse a ele: “Nós dois dificilmente vamos andar juntos, o que serve para mim não serve mais para você e vice-versa.” Pedi a ele para me deixar em paz e me deixar fazer minha administração. Lá na frente, se eu for candidato ou não, o futuro a Deus pertence. Pedi a ele para tocar a pré-campanha em Goiânia e parar de tentar sa­botar. No outro dia, o vereador dele su­biu na tribuna para me atacar, di­zen­do que iria me denunciar no Mi­nistério Público, levantando calúnias e fazendo denúncias sórdidas e vazias.

Eles dizem que eu não tenho grupo político em Senador Canedo. Eu digo que grupo político de deputado e de vereador eu sempre tive. Mas eu sempre acompanhei o grupo político de Paulo Roberto Cunha, até que tivemos um desligamento quando comecei em 1998, para acompanhar a liderança de Marconi Perillo. Voltei agora ao ninho de onde não deveria ter saído. Para mim, ele é um grande líder de Goiás.

Euler de França Belém — Mas por que o sr. saiu?
Sai para acompanhar Vanderlan. Por lealdade, a ele acreditando que ele dava conta de aglutinar. Daí vieram as eleições de 2010, quando ele conseguiu pouco mais de 30 prefeitos, com o apoio do governo do Estado. Na campanha dele, ficaram apenas dois prefeitos, eu e Eurípedes José do Carmo (PSC), de Bela Vista de Goiás. Vanderlan não deu conta de aglutinar, de fazer o partido crescer e se sobressair. Ficou como terceira via e vem para Goiânia disputar como terceira via. Acredito que o projeto dele é sempre ficar disputando eleição como terceira via.

Euler de França Belém — Falam que seu chefe de gabinete é ligado ao Vanderlan. Como é isso?
Até aqui eu mantive a lealdade. Agora estou fazendo uma reforma administrativa. Já que consolidou mesmo este rompimento, governo é governo, oposição é oposição. Não tenho mais compromisso com Vanderlan. Tenho compromisso é com o povo de Senador Canedo. Ele até mudou de domicílio eleitoral, portanto ele deveria se preocupar com Goiânia.

Euler de França Belém — Pela lei de Ficha Limpa, Vanderlan pode ser candidato?
Ele tem um julgamento neste mês, por improbidade administrativa, que não sabemos o que poderá acontecer. Será julgado em grau de colegiado. São duas ações: uma que julga a legalidade de um convênio de cerca de R$ 500 mil com a Cane­den­se [clube de futebol], que já foi julgada ilegal pelo TCM; a outra é propriamente por improbidade administrativa. Mas ninguém sabe o que pode ocorrer.

Euler de França Belém — Nós estamos em 2015. Falta um ano para a eleição. O que o sr. vai propor para o morador de Senador Canedo, se for candidato a reeleição? Qual será seu projeto?
Neste momento nem falo em candidatura, pois isso é um processo natural. Mas vou participar diretamente, como candidato ou tendo um candidato, isso é fato. Tudo vai depender da conjuntura política do ano que vem. Se eu não for candidato em Senador Canedo, venho ajudar de alguma candidatura em Goiânia. Tiro meio expediente lá e meio expediente aqui, em cima de um carro de som, para mostrar os contrapontos dos candidatos aqui da capital. Quero mostrar que meu adversário em Senador Canedo não é tudo isso que se propaga.

Euler de França Belém — O sr. apoiaria em Goiânia o pré-candidato Jayme Rincón, presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop)?
Com certeza, ele é bom candidato, é um grande gestor, um homem de grupo. O problema de Vanderlan é que ele nunca teve um líder para seguir. Todo político que chegou ao poder sempre tiveram uma liderança maior. Mauro Borges e Iris Rezende chegaram ao governo do Estado seguindo a liderança de Pedro Ludovico; depois veio Henrique Santillo (PMDB), seguindo Iris Rezende; depois Maguito Vilela (PMDB), seguindo também Iris; e Marconi chegou ao governo do Estado acompanhando a liderança de Santillo.

Em Goiânia, o prefeito Paulo Gar­cia chegou acompanhando a li­derança de Iris Rezende. Não acredito em políticos que não têm líderes e Van­derlan é um deles. A liderança que ele deveria ter seguido era a de ex-deputado Sandro Mabel (PMDB), mas depois o abandonou. Depois te­ve uma passagem meteórica pelo PMDB, onde passou a não ter a confiança do partido. Ele chamou Paulo Garcia em sua casa, dizendo que iria apoiá-lo para prefeito, daí uma semana depois lançou o deputado Simey­zon Silveira (PSC) a prefeito, com a companhia de Caiado, que o ajudou a levá-lo para o PSB. Depois largou Ronaldo Caiado, quando Eduardo Campos pediu sua presença com Caiado em Brasília, mas ele foi sozinho e disse que tinha ligado para Caiado, mas ele não teria atendido.

Vanderlan é um homem que não tem líder político para seguir. Eu tenho e sempre tive: Marconi Perillo. Saí momentaneamente para acompanhar Vanderlan, pensando que ele seria uma expressão, que iria crescer. Vanderlan me ajudou? Ajudou, sim. Mas eu o ajudei demais como deputado estadual. Hoje eu não tenho um deputado estadual para me ajudar, porque o que está eleito por lá [Sérgio Bravo, do Pros] chegou à Assembleia por um partido pequeno, com seu próprio esforço, sem apoio de nenhuma liderança, e hoje faz seu proselitismo para ser candidato a prefeito. Não tenho deputado federal também porque Vanderlan não deixou que tivéssemos. Nós tínhamos um compromisso de eleger Túlio Sérgio [ex-prefeito], mas Vanderlan também não o deixou ser eleito. Por fim, Alsueres Mariano [vice-prefeito] não foi eleito deputado estadual porque ele levou Simeyzon para dentro de Senador Canedo e dividiu votos. Liminha, que era chefe de Gabinete e tinha o PSC no Estado e poderia ser nosso candidato, ele também não deixou. Então, ele não queria que ninguém de Senador Canedo fosse eleito para deputado.

Euler de França Belém — Não queria fortalecer liderança?
Não queria, mas quem cresce sozinho? Não dá certo.

Euler de França Belém — O pré-candidato que ele, supostamente, está apoiando, Zélio Candido, na campanha passada não era adversário dele? Não foi cotado a ser prefeito pelo PSDB?
Ele já enrolou Zélio Candido umas três ou quatro vezes. Acredito que se Zélio ajudá-lo financeiramente em Goiânia, pois é um homem bem-sucedido —– dono de postos de gasolina, a maioria em Senador Ca­nedo é dele —–, pode ser candidato dele. Mas Vanderlan lançou um desafio na cidade: chamou Alsueres e disse “entre você, Zélio e Sérgio Bravo, o que tiver melhor nas pesquisas é o meu candidato”. Isso é proposta a se fazer para três companheiros? Um homem tem de ter posição definida. E Vanderlan sabe que nenhum dos três confia nele e que o único que pode ser, realmente, candidato dele, pela estrutura financeira, é Zélio. Eu já avisei a Alsueres que ele não tem motivos nenhum para acreditar em Vanderlan, pois ele lançou candidato aqui para atrapalhar sua eleição a deputado. E Sérgio Bravo não confia nele, pois sabe que Vanderlan não gosta. Faz o jogo político que costuma fazer lá, com todos, faz um jogo de bonzinho, mas, no fundo, não confia no Sérgio. Portanto, a eleição de Senador Canedo deve ter quatro candidatos e, se não aparecer um nome que desponte — e não vejo nenhuma perspectiva neste momento —, a eleição ficará nesse contexto. E quem ganhar vai conseguir isso por pouca diferença do segundo colocado.

Euler de França Belém — Divino Lemes [ex-prefeito] pode ser também um candidato?
Divino, hoje, é pré-candidato. Mas não sei se ele conseguirá viabilizar, juridicamente, sua candidatura. Ele ocupa hoje, com uma ligeira diferença, o posto de 1º lugar nas pesquisas, mas, pertinho dele, embolados, vêm três nomes —– eu, Alsueres e Franco Martins [candidato nas últimas eleições para prefeito]. O eleitor de Senador Canedo ainda não tem uma definição cristalina, não despontou ninguém, até o momento, em Senador Canedo que despertasse o interesse do eleitor. E o eleitor tem uma preocupação: que o próximo eleito, qual for, não interrompa o processo de consolidação de identidade da cidade nem seu processo de crescimento e transformação.

Cezar Santos — O sr. tem passado por momentos de baixa popularidade, mesmo fazendo uma gestão que os canedenses reconhecem como ativa e de realizações. O que está acontecendo?
Tenho um problema mais de ima­gem em Senador Canedo. As pesquisas mostram boa avaliação dos serviços. O que ocorreu é que ao longo desse período eu não fiz uma boa divulgação das nossas ações. Investi muito em muitas obras, habitação, educação, com aquisição de notebooks para os alunos de toda a rede escolar, reforma e ampliação e construção de escolas, construção de ginásios de esporte, de vias estruturantes, criação da rede de saúde do PSF, com construção de cinco e reforma de 20 postos do PSF. Fizemos muito e estamos fazendo muito na cidade.

“Cometi o erro de não divulgar o que fizemos na cidade”

galeriaCezar Santos — E porque o sr. não divulgou isso?
Como Senador Canedo não tem canal de TV, nem uma rádio de grande abrangência, a divulgação fica prejudicada. Além disso, fiquei muito preso a gabinete, não fui às ruas, não andei pela cidade da forma como deveria. As pesquisas constatam que o eleitor vê como bons a saúde, a coleta de lixo, a iluminação… mas quando pergunta e o prefeito? Aí o eleitor diz que o prefeito não está fazendo nada.

Mas lembro que fiz uma das obras mais duras para uma gestão, o esgoto. Já fizemos 25% de rede de esgoto seco em Senador Canedo, trabalhando para terminar a estação de tratamento, e onde passa o esgoto fica a marca no asfalto, que precisa do recapeamento. Aí dizem “o Misael está estragando o asfalto”. Na verdade, estamos investindo na área mais dura, onde nenhum prefeito gosta d e investir, por ser obra que fica debaixo da terra. Acho que isso é avanço, conquista.

Frederico Vitor — A receita do município aumentou proporcionalmente ao crescimento da população?
Infelizmente, a receita não cresceu de acordo. Nossa receita hoje é de R$ 23 milhões mensais, o normal seria que fosse R$ 35 milhões a R$ 40 milhões por mês. Nossa folha de pagamento é de R$ 13,3 milhões, sendo Saúde e Educação as mais pesadas. Fazemos das tripas coração para dar conta dos pagamentos em dia. Pagamos o salário do funcionalismo na última sexta-feira do mês trabalhado, em setembro isso foi no dia 24.
Continuamos os investimentos, buscando recursos no governo federal. E estamos trabalhando. Tivemos de assumir o serviço de limpeza pública e o aterro sanitário, que eram terceirizados. Nem por isso a qualidade caiu.

Euler de França Belém — O sr. priorizou o meio ambiente e o lazer da população?
Uma das demandas da população em Senador Canedo é o lazer. Estamos fazendo um dos maiores parques ambientais, o Boa Vista. Consegui agora com o governador a área do lago da Emgopa, cerca de quatro alqueires, para fazermos, em parceria com o governo estadual, mais um parque ambiental e de lazer para a juventude canedense. O parque Boa Vista terá lago, pista de caminhada, academia da saúde, toda iluminada.

Estamos fazendo campos de gramado sintético —- isso é inédito em Goiás! —-, iluminado, com vestiário, para lazer gratuito da população em todas as regiões da cidade. Já inauguramos o da Morada do Morro, iniciamos agora o do Jardim das Oliveiras, Jardim Liberdade e da Vila Galvão. Tudo isso são opções de lazer durante o dia e à noite, e as escolinhas de futebol infantil. Esses complexos esportivos estão fazendo a diferença em Senador Canedo. Até o horário das práticas esportivas mudou para a noite. No Morada do Morro, nas noites de jogos, se vê de 800 a mil pessoas participando, assistindo. De dia, as crianças na escolinha. Aos sábados, os campeonatos para as crianças. O maior cuidado com o esporte, o lazer e principalmente com o meio ambiente, pois estamos recuperando áreas degradadas, tem disso uma das tônicas do nosso governo, numa visão de futuro.

O cidadão canedense espera que o próximo gestor não interrompa essa fase de crescimento e essa perspectiva de transformação que a cidade vem passando. São legados que vamos deixar. Quando se leva toda uma estrutura do Alphaville [condomínio fechado horizontal instalado na cidade], como levamos para Senador Canedo, com a construção de uma via de ligação estruturante da GO-020 até o centro da cidade, o que vai nos proporcionar também a doação de oito alqueires para a construção de um lago de captação para garantir o abastecimento da cidade por mais 20 anos, isso nos mostra que estamos no caminho certo. É uma transformação de mentalidade. E mais que isso, é uma transformação de perspectiva de futuro, de dar um equilíbrio socioeconômico e não só de industrialização.

Cezar Santos — Falando em industrialização, o distrito industrial será ampliado?
Estou conseguindo agora mais 18 alqueires da rede ferroviária para am­pliar o distrito industrial de Senador Canedo. Isso porque não adianta pensar só na habitação, embora eu tenha aí batido vários recordes na cidade. Construí em dois anos e meio mais de 1.200 unidades habitacionais; somos prefeitura goiana que tem a mais nova frota de má­qui­nas e equipamentos, entre patrol, pás-carregadeiras, tratores e caminhões.

Euler de França Belém — Essas unidades habitacionais têm benfeitorias?
São 500 casas com energia solar e 740 apartamentos de 50 metros quadrados, com piso cerâmica de alta qualidade. Vamos entregar 208 unidades agora e 432 até o final do ano.
São avanços na cidade em todas as áreas. Na educação distribuímos 38 mil kits escolares de primeira, adquirimos mil notebooks. Por isso, os canedenses veem que há perspectiva de futuro também para nossas crianças e jovens.

Frederico Vitor — A Prefeitura utiliza o sistema de banco de horas com a força policial para melhorar a segurança pública na cidade?
Sim, investimos todos os meses R$ 70 mil na Polícia Militar e R$ 30 mil na Polícia Civil, que garante a abertura do distrito policial à noite e nos finais de semana e também a presença do PM nas ruas. São R$ 100 mil por mês. E também priorizamos a nossa Guarda Municipal. Adquirimos agora cinco novas viaturas, automóveis Prisma, e a viatura do comando, uma SW4. Que fazem o acompanhamento diuturnamente não só dos prédios públicos, mas também do cidadão que sai muito cedo de sua casa e retorna do serviço no final do dia ou início da noite.
Estamos colocando monitoramento em todos os PSFs e escolas. Construí uma central de monitoramento em parceria com o governo federal. Ou seja, estamos investindo em todas as áreas na cidade.

Cezar Santos — E a questão da água? Consta que a população tem reclamado de problemas com o abastecimento.
É o nosso foco principal, o abastecimento de água. Estamos trabalhando para buscar uma outorga de água no Rio Caldas e construir uma nova estação de tratamento de água (ETA) para garantir o abastecimento por mais 20 anos, juntamente com o lago de oito alqueires que o Alphaville vai doar ao município.

Senador Canedo é a cidade mais promissora de Goiás. Deixa de ser cidade dormitório para se consolidar como uma cidade-polo no contexto goiano. A última pesquisa que fizemos aponta que 60% da população da nossa população já trabalha em Senador Canedo.

Euler de França Belém — Quantos empregos o distrito industrial gera hoje?
Nosso distrito industrial emprega de 8 mil a 10 mil pessoas. Tem o polo moveleiro, com grandes empresas, por exemplo, Armários Paulete, que constroem móveis planejados. A Cosmed [indústria de cosméticos e medicamentos], do Grupo Hyper­mar­cas, emprega mais de 4 mil pessoas.

Cezar Santos — Quantas empresas estão instaladas no município?
Devemos ter, seguramente, bem mais de mil empresas, entre micro, pequenas, médias e grandes, na indústria, no comércio e no serviço.

Euler de França Belém — Senador Canedo é a cidade goiana que mais recebe pessoas de outros Estados?
Neste ano, para se ter uma ideia, tivemos 9 mil ligações de energia elétrica. Multiplicando isso por 3,2, a média do IBGE, dá mais de 30 mil pessoas que se mudaram para nossa cidade.

Cezar Santos — O governo estadual tem apoiado a cidade?
Recebemos apoio do governo do Estado quando tivemos a duplicação da GO-403, a extensão do Eixo Anhanguera, o Colégio Militar, agora a legalização das escrituras do Jardim das Oliveiras, do Liberdade, da Vila Galvão, Margarida Procópio, São João, Valéria Perillo, em parceria entre a Prefeitura e o governo do Estado, vai consolidar também esse trabalho de resgate da cidadania das pessoas, de ter seu imóvel legalizado e escriturado para que possam fazer os empréstimos para a reforma de suas casas. O governador vem honrando todos os compromissos assumidos durante a campanha e pediu também para nós acelerarmos o ritmo para que ele possa honrar “pelo menos 100%” de seus compromissos de 2014 até o fim do ano.

O colégio militar já é uma realidade, em pleno funcionamento e estamos pleiteando com o governo mais duas escolas de ensino médio. Em relação às vias estruturantes, construímos a Avenida Pedro Miranda e o Estado vai doar a iluminação; está também doando o lago da Emgopa [a extinta Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária], de 4 alqueires, para que a Prefeitura faça o Lago da Juventude. O governo autorizou o registro da escritura de uma área de 18 alqueires para a rede ferroviária e, adquiridos em parceria com a União, com o governador doando mais 12, perfazendo um total de 30 alqueires para que tenhamos um novo distrito agroindustrial, garantindo assim a sustentabilidade do município.
Estamos com um projeto junto ao governo federal para a obra da Avenida Progresso, que ligará o Centro da cidade até a Vila Galvão e o Portal do Sol.

Euler de França Belém — O acesso a Senador Canedo ficou bem facilitado.
Seremos o único município do interior com quatro vias de acesso duplicadas: além da Avenida Progresso, também a GO-020, a GO-403 e a GO-010. É uma região de fácil acesso e que está com uma valorização acima da média do mercado nacional, mas que sofre com um crescimento também muito alto. Nesses anos, nos superamos: crescemos em 25% o número de habitantes. Senador Canedo não se preparou, talvez por falta de planejamento e de pensar na crise hídrica, mas a verdade é que entre 2005 e 2010 liberaram mais de 40 loteamentos, os quais estão sendo construídos agora. E agora não estamos tendo água para abastecer todo mundo. Nesse intervalo, portanto, houve erros de planejamento. Faltou analisar perspectiva de futuro e de crescimento e isso está se refletindo agora em nossa administração.

Euler de França Belém — Então a gestão de Vanderlan, que ao contrário do que ele costuma dizer, não foi tão planejada assim?
Teve seus erros, principalmente na questão de abastecimento, além de loteamentos em excesso. Infelizmente, estamos pagando o preço agora. Mesmo com investimento feito permanentemente em nossa empresa de saneamento. Mas o plano municipal de saneamento basicamente vai ser feito agora. Todo o plano anterior foi por água abaixo com o crescimento volumoso da cidade. Tornou-se irreal.

Euler de França Belém — Quem fez o planejamento anterior?
O nome dele é Rogério Bar­tolomeu. Infelizmente, seu planejamento não condiz hoje com a realidade da cidade.

Euler de França Belém — Vanderlan é dono de algum loteamento na cidade?
Não, hoje não. Mas ele está conseguindo a aprovação de um, em conjunto com a imobiliária Adão Imóveis. Mas isso foi adquirido no ano passado, já com Vanderlan fora da Prefeitura. É uma área que fica perto do distrito industrial, na Avenida Progresso.

Euler de França Belém — E sobre os condomínios fechados, como está a aprovação desses empreendimentos?
Até hoje só aprovamos um. Os condomínios antigos, que já existiam, não passaram pela legislação específica que elaboramos. Re­solvemos, com a Câmara, não aprovar nenhum loteamento aberto, por entender que, por haver 30 mil lotes vagos em Senador Canedo. Há uma outra cidade só com esses números.

Euler de França Belém — Está­va­mos falando sobre o futuro, pois as pessoas vivem de esperanças. O que o sr. vai propor às pessoas?
O que preciso é comunicar meus projetos. Preciso encontrar uma forma de mostrar também o que eu fiz nesse mandato quanto à percepção de futuro, na educação principalmente — ao levar o IFG para Senador Canedo, por exemplo. Outras questões que realizei, como buscar a outorga de agua do Rio Caldas para garantir o abastecimento; construir estruturas de esporte e lazer para a população; investir nas áreas ambientais e de preservação dos mananciais; pensar no processo de industrialização da cidade, buscando ampliar o distrito industrial para atrair mais empresas para garantir o futuro da cidade; pensar no processo de educação, investindo no portal educacional, com notebooks, com cursos de aperfeiçoamentos e valorização, de fato, da educação, para que possa existir uma melhor perspectiva de futuro das próximas gerações.

Portanto, eu preciso — e não consegui mostrar isso ainda — transmitir isso à população, por mais que eu não saiba se ainda vai dar tempo. Pela minha experiência como parlamentar e como vereador, sempre estudando as questões de urbanismo, vejo que em Senador Canedo, por sua própria conjuntura, 68% da população que já vive seu trabalho dentro da própria cidade. Deixamos de ser uma cidade-dormitório e, hoje, passamos por esse processo de consolidação da identidade e de uma melhor perspectiva de futuro. Dentro disso, vejo que estamos muito além do que o que dizem as lideranças novas, que se dizem nascidas em Senador Canedo, as quais usam o discurso de que “Senador Canedo deve ser devolvido ao cidadão canedense”. Não, você não escolhe a cidade para nascer, mas a escolhe para crescer, todos temos livre arbítrio. Hoje todos os que vivem em Senador Canedo, os que nasceram lá ou chegaram há 30 anos e ainda os que chegaram agora, querem o bem da cidade da mesma forma. A cidade não é mais a mesma cidade de 3 mil ou 4 mil habitantes, é uma cidade que se consolida, dentro da região metropolitana, como um dos polos de desenvolvimento do Estado de Goiás.

Existe muito discurso, mas efetivamente há uma grande migração, principalmente do Nordeste brasileiro, para Senador Canedo, e temos de preparar a cidade para o futuro. Isso, em todas as áreas. Abastecimento de água e tratamento de esgoto são prioridades. Senador Canedo vai chegar como uma das cidades mais novas do Brasil, recentemente emancipadas, com 100% de rede de água e esgoto tratado.

Euler de França Belém — Dizem que os postos de saúde, na cidade, estão fechando às 16 horas. Procede essa informação?
Não, não procede. O que aconteceu foi que o governo federal deu aos médicos a opção de aderir ao Provab [Programa de Valo­rização do Profissional da Atenção Básica], com carga horária é de 18 horas. Então, hoje, os médicos têm um número de consultas a realizar e os postos de saúde funcionam com carga horária de 8 horas ininterruptas.

Euler de França Belém — Então, os postos não fecham às 16 horas?
Não. Se estiver fechando às 16 horas, é porque também está sendo cumprida a carga horária de forma antecipada. Muitas vezes, o médico almoça até dentro do posto, diminuindo seu tempo dele ao ganhar uma hora de serviço.

Euler de França Belém — Lá tem hospital municipal?
Temos o hospital municipal do vice-prefeito Alsueres, que é conveniado com o município. Há ainda uma maternidade, a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e os prontos-socorros do Setor Alvorada, da Vila São João e o da Vila São Sebastião. Ou seja, é um município com quatro prontos-socorros. Atualmente, nós temos hoje 180 médicos contratados dentro do sistema de saúde de Senador Canedo para 120 mil habitantes, enquanto Aparecida de Goiânia tem 150 médicos para 500 mil habitantes.

Até o final do ano, inauguraremos dois novos PSFs e o município terá quase 100% de cobertura. E é bom ressaltar que o PSF da Vila São João tem plantão odontológico noturno. Somos um dos poucos municípios que têm plantão odontológico para a população à noite e aos finais de semana. Só agora, nós estamos entregando o PSF Flor do Ipê, estamos entregando o PSF Prado e o PSF do Paraíso e temos um no Jardim das Oliveiras para entregar, além de um no Setor Santa Rosa. Tudo construído em nosso governo. Estamos também fazendo a reforma e a ampliação do pronto-socorro do Alvorada e a ampliação da maternidade, com a construção de 25 unidades neonatais. O Alvorada virará uma mini-UPA. Portanto, estamos investindo muito.

Euler de França Belém — E o sr. pensa em fazer um centro cultural? Senador Canedo virou cidade, ganhou identidade. Os dados não mentem; 60% da população trabalha lá. Então, um centro cultural é importante para dar identidade à cidade. Anápolis e Luziânia têm.
Para esse projeto, nós estamos buscando recursos com o governo federal. Nos parques, nós já temos os anfiteatros e nós temos a diretoria de Cultura, que ministra vários cursos de música e de cultura na cidade. Agora, nós queremos construir uma unidade dentro da antiga estação ferroviária —– ainda não está pronto, mas nós estamos conversando para desenvolver um projeto cultural para construir a sede do Centro de Cultura ali dentro da estação.

Euler de França Belém — E um Centro de Convenções? A cidade de Senador Canedo é uma cidade industrial, que está em expansão e não no limite.
É uma coisa para se discutir em médio prazo, no momento, as prioridades são outras.

Euler de França Belém — E na área de assistência social? Muitos prefeitos são modernizadores, mas se esquecem do social.
Nós temos uma assistência judiciária, com mais de 20 advogados que atendem a população carente, assistentes sociais, o Creas, Cemaf, o Protege, que já existia, até a ampliação do Cesta Sustentável, que é um programa baseado na troca de dois quilos de alimentos por material reciclável, o que reduziu os casos de dengue. Nos últimos períodos, nós não tivemos nenhum óbito por conta da dengue e, no projeto, todo material que é trocado por alimento é doado a uma cooperativa de recicladores, onde conseguimos, em parceria com o Ministério Público, através de um TAC [termo de ajustamento de conduta]. Teremos um galpão moderno de reciclagem, construído perto do aterro sanitário, com toda uma estrutura decente para os coletores. Portanto, o que sustenta os catadores, a cooperativa, é o Cesta Sustentável, que faz um trabalho social nas duas pontas, doando material reciclável para cooperativa de catadores, além das palestras e de cursos profissionalizantes que a secretaria fornece e do atendimento ao cidadão que precisa de uma assessoria jurídica, de um advogado na área social. Atuamos no amparo, em internações, em doações, fazendo encaminhamento, capacitação, cesta básica. Enfim, é um amplo trabalho social desenvolvido em Senador Canedo que, realmente, poucas prefeituras no Estado de Goiás têm.

Euler de França Belém — Qua­lificação profissional é boa por lá?
Muito boa, pois temos, junto da Secretaria de Trabalho, a Secretaria de Assistência Social. Ambas fazem, juntas, um trabalho de preparação da mão de obra, com treinamento, cursos e encaminhamento para o mercado de trabalho.

Euler de França Belém — Seu chefe de Gabinete, hoje, foi indicado por Vanderlan?
Não. Minha chefe de Gabinete é Marta Bueno, uma professora moradora da cidade, e Liminha, que também é secretário, entrou no processo de execração por parte de Vanderlan. Ou seja, os dois únicos políticos que o ajudavam, ele resolveu do nada execrar.

Euler de França Belém — Em relação a Marconi, Vanderlan está vestindo uma pele de cordeiro?
Acredito que ele está tentando o apoio do governo, mas no sentido de o governo bancar a candidatura dele e ele ir para o segundo turno. Mas, pela característica dele, ainda assim, ele continuará sendo a terceira via política. Seguirá na mesma condição.

Uma resposta para ““Vanderlan diz que foi traído por mim, mas é ele quem sempre descartou seus aliados””

  1. arthur de lucca disse:

    Euler de França,
    Trata-se de Misael Oliveira ou Misael Pereira? (Capa)
    Nos 740 apartamentos do prefeito estão faltando 100. (208+432)
    Um amplexo do
    Arthur de Lucca.
    Em Goiânia, Go. 13/outubro/2015

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