“Vanderlan Cardoso sobe nas pesquisas porque eleitor quer um gestor experiente e que saiba inovar”

Marqueteiro diz que propostas do candidato do PSB têm sido o diferencial da campanha e o principal motivo de sua crescente aceitação junto à população de Goiânia

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A tese de que haverá a­penas um turno na elei­ção deste ano em Goiâ­nia parece dar sinais de enfraquecimento. Iris Re­zen­de (PMDB) continua na frente nas pesquisas, mas já percebe o crescimento de Van­der­lan Cardo­so (PSB), que é pro­gres­sivo.

Carlos Maranhão, que compõe a equipe de marketing do candidato à Prefeitura da capital, explica que esse crescimento se dá, em grande parte, pelas propostas apresentadas pelo empresário. “Na pré-campanha, as pesquisas mostraram que Vanderlan, mesmo tendo sido candidato a governador duas vezes, era o menos conhecido dos três primeiros colocados. Um quarto da população de Goiânia não o conhecia. Na medida em que as pessoas passaram a tomar conhecimento do aspecto inovador da gestão que Vanderlan fez em Senador Canedo e de suas propostas para Goiânia, isso foi um fator forte”, diz.

Carlos Maranhão, que é considerado um ás do marketing político de Goiás — foi figura importante nas campanhas eleitorais bem sucedidas do governador Marconi Pe­rillo (PSDB), a quem acompanha desde a primeira vitória majoritária, em 1998 —, diz nesta entrevista ao Jornal Opção que o apoio do go­ver­nador a Vanderlan, ao contrário do que se pensa, é positivo.

“Existe a tese de que o eleitor goianiense não vota em candidato do governo. Pela minha experiência, a população de Goiânia não gosta é de votar em candidato títere, que funciona como joguete de outra pessoa ou poder. As pessoas querem um prefeito que tenha personalidade e que defenda os interesses da cidade. É o caso de Van­derlan, que tem uma história, um projeto e também autonomia para defender os interesses da população”, diz.

Euler de França Belém – Qual a participação do sr. na equipe de marketing de Vanderlan Cardoso?
O coordenador da campanha é Alberto Araújo, que se soma à produtora Gente Legal e à Agência Mancini, do Geo Mancini, que é um publicitário muito competente. A esse pessoal viemos somar eu e Bráulio Morais. Fomos convidados a somar na equipe e nossa participação é mais na parte estratégica da campanha e também no intento de contribuir com nossa experiência para criar uma sintonia mais fina nos programas, nas pílulas e nas propostas. Existe uma equipe responsável pelo programa de governo, mas nós sempre so­mos ouvidos e não nos ne­ga­mos a dar nossa contribuição para que a proposta de trabalho seja a que a população espera.

Euler de França Belém – Na sucessão em Goiânia, já ouvi várias pessoas dizendo que vão votar em Vanderlan Cardoso, mas observando que Iris Rezende vai ganhar. É parecido com a campanha ao governo em 1998, quando muitos eleitores diziam que iam votar em Marconi Perillo, mas que Iris iria ganhar. Marconi terminou o primeiro turno em primeiro lugar e ganhou no segundo turno. O que explica esse fenômeno?
Há uma diferença básica entre Vanderlan Cardoso e Iris Rezende. A verdade é que as pessoas estão procurando um candidato novo, que venha a preencher esse momento de insegurança e de incerteza em relação à administração de Goiânia. Não há dúvida de que todos querem um gestor; é a principal qualidade que os goianienses querem de um candidato. Isso está posto desde o começo do ano e decorre da má avaliação da atual administração da Prefei­tura de Goiânia.

Iris Rezende é um bom gestor, mas, ao mesmo tempo, as pessoas sabem que ele não traz nada de novo. Tem experiência, mas não traz uma visão contemporânea para os problemas de Goiânia, que são outros em relação aos da época que ele administrou a capital. Os problemas se diversificaram. E o principal nessas questões são os serviços prestados pela Prefeitura, que têm de ser de qualidade, seja na limpeza, coleta de lixo, na educação ou na saúde. A maior demanda da cidade não é segurança, mas saúde. As pessoas sabem que serviços não são o foco de Iris, que gosta é de fazer obras. Ele não é um bom administrador na área de serviços. Não se pode dizer que ele não faz o feijão com arroz, o dia a dia; faz, mas não inova, não cria.

Já Vanderlan Cardoso se caracteriza exatamente por soluções criativas, como fez em Senador Canedo, onde criou coisas novas. Esses dias ele contou que, quando era prefeito, notou uma evasão muito grande no curso de educação de jovens e adultos, o EJA. Ao conversar com uma jovem mãe, ela disse que não poderia continuar frequentando o curso por não ter com quem deixar os filhos, mas, se pudesse levá-los à escola, ela iria. Então, ele criou um programa de acompanhamento dos filhos das alunas na escola e as pessoas voltaram às salas de aula.
Vanderlan é uma pessoa que inova, vai atrás de soluções. Esse perfil de gestor, que os goianienses estão passando a conhecer agora e que só sabiam por referência de quem o conheceu em Senador Canedo, traz esse novo para a eleição. A novidade da campanha em Goiânia são as propostas de Vanderlan, tanto na educação e na saúde, mas principalmente na administração regional. Ele vai criar oito regiões administrativas em Goiânia e descentralizar os serviços da Pre­feitura, colocando-a próxima de onde as pessoas moram.

Marcos Nunes Carreiro – Giusep­pe Vecci chamava isso de subprefeitura. É o mesmo conceito?
Exatamente, o conceito é o mesmo. Cada uma vai ter um Vapt Vupt, uma unidade da Co­murg com jurisdição naquela re­gião, com serviço de poda de ár­vo­re, de iluminação pública etc. Es­sa forma permite, e as pessoas estão entendendo isso, que elas te­nham onde solicitar e reclamar de­mandas, fazer sugestões, sem precisar atravessar a cidade inteira para ir à Prefeitura. É uma proposta que caiu no gosto popular e é uma inovação. Iris não apresenta nenhuma proposta que mude a forma de administrar a cidade. Por isso Vanderlan avança na campanha.

Euler de França Belém – Ao começar a aparecer em propaganda na TV, Vanderlan começou a crescer nas pesquisas. As pessoas perceberam que ele tem experiência e as referências a Senador Canedo, ao contrário do que se pensava, são positivas nessa percepção do eleitor. É isso mesmo?
Na pré-campanha, as pesquisas mostraram que Vanderlan, mes­mo tendo sido candidato a governador duas vezes, era o menos conhecido dos três primeiros colocados. Enquanto Iris tem 96%, 97% de conhecimento da população, Waldir Soares tem mais de 85%, quase 90%, tendo sido o deputado federal mais votado, Vanderlan tinha aproximadamente 75%. Ou seja, um quarto da população de Goiânia não o conhecia.

Na medida em que as pessoas passaram a tomar conhecimento do aspecto inovador da gestão que Vanderlan fez em Senador Canedo, isso foi um fator forte. Não foi forte para a eleição dele ao governo, porque aí era outra qualidade que as pessoas estavam pedindo, o conhecimento do Estado, e havia dois grandes líderes disputando, Marconi e Iris. A experiência de Vanderlan ainda não estava à altura do que o eleitor queria. Ali, o recado do eleitor para Vanderlan, no meu entendimento, foi o seguinte: “Passe por uma escala intermediária, Van­derlan, que será bom para você, para ganhar mais experiência, e bom para nós”. E essa escala intermediária é exatamente Goiânia. Para Goiânia, a experiência de Vanderlan como prefeito de Senador Canedo é importante por ser similar. Embora Goiânia tenha uma escala muito maior, trata-se da administração de uma cidade.

Euler de França Belém – Alguns candidatos estavam se escondendo, inclusive na TV, e Vanderlan, ao aparecer com boas propostas na linha de frente, num programa muito bem-feito, mudou o quadro da campanha. A partir daí os outros também começaram a aparecer, principalmente Iris Rezende. Há essa percepção na equipe?
Sim, o programa de Vanderlan começou a pautar os outros. Iris, por estar muito à frente dos demais, estava fazendo campanha como se estivesse no segundo tempo do jogo com placar favorável, só mantendo a posse de bola e sem atacar. Aliás, é uma característica das campanhas de Iris, que volta sua mensagem não para o que pode fazer ou para os problemas que a população está apontando, mas para suas capacidades pessoais, seus atributos. É como se dissesse: “Vocês me conhecem, sou isso e aquilo, deixa comigo que resolvo”. Mas ele não diz como vai resolver. Claro que a população o conhece, mas ela quer saber como os problemas serão resolvidos. Por exemplo, Iris já passou pela Prefeitura duas vezes e o problema da saúde é o mesmo que havia lá atrás, quando ele disse que iria colocar os Cais (Centros de Atenção Integrada à Saúde) para funcionar 24 horas e tal. Não resolveu, tanto que a saúde piorou em Goiânia. No transporte coletivo, ele disse que iria resolver em seis meses. Iris volta agora dizendo as mesmas coisas, que vai resolver os problemas, mas sem dizer como.

Também na questão de obras, Iris diz que vai construir isso e aquilo. Sabemos todos que boa parte da estrutura de saúde que existe, que foi ampliada pelo prefeito Paulo Garcia, foi montada por Henrique Santillo lá atrás, esses Cais foram construídos por ele, que foi governador na década de 1980. Mas o que a população está reclamando hoje é da qualidade e do pronto atendimento na saúde. Não é possível demorar de 45 a 60 dias para fazer uma consulta, mais 60 dias para fazer exames. Às vezes, quando se consegue ter todos os exames na mão, alguns já estão vencidos e aí começa a via crucis de novo, pois o quadro clínico já será outro. E se precisar fazer uma cirurgia, são de seis meses a um ano. É um absurdo o que estão fazendo com as pessoas na saúde. Não é uma questão de funcionar 24 horas ou não, mas de ter um atendimento de qualidade, respeitoso, com médicos presentes.

Dou um exemplo: a candidata Adriana Accorsi, a quem respeito muito, diz que vai construir um hospital pediátrico. Eu pergunto: por que construir um hospital pediátrico? 65% dos casos resolvidos no Materno Infantil, um hospital de alta complexidade para crianças, são casos primários como diarreia, febre alta e outros, que poderiam ser resolvidos nos postos de saúde, desde que lá houvesse pediatras. O problema é resolvido com investimento muito menor se a gestão municipal colocar pediatras na rede básica, ao invés de construir hospital. Sabe o que vai acontecer se construir hospital? Vai gastar uma fortuna, e vai ficar uma unidade enorme, bem equipada, para resolver problemas de diarreia e de febre alta.

Marcos Nunes Carreiro – O problema, então, não é estrutural e sim de gestão?
É de gestão. É por isso que Vanderlan chega agora e começa a se diferenciar do próprio Iris, com quem ele está polarizando a eleição.

Marcos Nunes Carreiro – Uma característica interessante do programa de Vanderlan é que ele aparece sempre em lugares diferentes da cidade. Isso também ajuda no crescimento na campanha? Mostra que conhece as diferentes regiões de Goiânia?
Todo mundo gosta de saber que o prefeito vai ao seu bairro, que olha os problemas a partir de seu bairro. Aparecer em vários locais faz parte de mostrar que ele está conhecendo a realidade de Goiânia em suas diferentes regiões.

A proposta das regiões administrativas veio do fato de que Goiânia não é uma cidade homogênea, são várias realidades com variados problemas e que exigem diferentes soluções. São várias cidades. A região do Novo Mundo é mais íngreme, mais acidentada, diferente do Garavelo B ou da região sudoeste, que são mais planas e que, por sua vez, tem mais infraestrutura do que a região Noroeste, que é mais nova. Essa diferenciação mostra que a cidade está em diferentes estágios de desenvolvimento e, portanto, tem de ser encarada de formas diferentes.

Em algumas regiões é mais requerida a infraestrutura, em outras, mais serviços. A Prefeitura precisa ter essa visão das diversidades e, também, a visão de que o serviço centralizado na Prefeitura emperra o funcionamento dela e fica mais caro. Precisa mesmo aproximar a Prefeitura das regiões e dos bairros. Essa é a grande sacada da proposta de Vanderlan, a grande inovação que ele traz para a cidade.

Alguns podem dizer que Iris já falava em subprefeitura. Sim, ele falava em subprefeituras, mas Vanderlan fala em administrações regionais diferenciadas. Vanderlan não está preocupado com a questão política de colocar subprefeitos para comandar politicamente, mas em colocar equipes da Prefeitura para resolver os problemas sob a supervisão dele. E isso não fica mais caro, porque é uma redistribuição de pessoal e de equipamentos. É uma proposta factível. É colocar um Vapt Vupt municipal em cada uma dessas regionais para que as pessoas possam resolver os problemas mais perto de suas casas, economizando tempo. Isso é inovação.

Vanderlan está propondo fazer isso em todas as outras áreas. É uma maneira de trabalhar a realidade diversificada da cidade, o que é bom culturalmente e na urbanidade. A única cidade em que tentaram fazer bairros específicos foi Brasília, e não deu certo.

“Goiânia precisa voltar a ter rumo” 

galeriaEuler de França Belém – As grandes cidades europeias perceberam o seguinte: que cidades conurbadas são, na verdade, uma cidade só. O prefeito de uma cidade como Goiânia, que tem muitas cidades próximas, não precisa ter um planejamento que integre as outras cidades da região metropolitana?
A verdade é que não vivemos em uma cidade, mas em uma região metropolitana. Boa parte da população goianiense trabalha ou estuda fora de Goiânia, assim como muitos moram fora e trabalham ou estudam aqui. Então, não apenas as atividades econômicas, como as políticas públicas devem ser integradas. Um exemplo: não há como fazer um combate a endemias se não tiver uma integração entre as diferentes secretarias de saúde. Se houvesse integração, poderia haver uma melhor utilização dos equipamentos escolares.

O transporte público já é integrado. Existe uma rede metropolitana de transporte, que tem suas deficiências, mas já é uma rede integrada, tendo a mesma política e a mesma tarifa para todos os municípios. A extensão do Eixo Anhanguera para Trindade, Goianira e Senador Canedo recebeu a aprovação da população e melhorou o transporte. Da mesma forma será o Eixo Norte-Sul, o BRT, que vai integrar Aparecida de Goiânia à capital. Vanderlan já propõe fazer uma extensão da Avenida Goiás Norte, do Setor Recanto do Bosque ao Jardim Primavera, passando pelo Jardim Curitiba. Ou seja, isso já criará uma extensão para o BRT que ligará o Jardim Primavera, às margens da GO-070 a Aparecida de Goiânia.

Agora, a parte de mais fácil compreensão é a ambiental. Os mananciais que abastecem Goiânia ficam fora da cidade, não nascem aqui. Então, precisamos ter uma proposta de integração e, politicamente, a proposta para essa parte é a criação de um fórum para trabalhar por meio de consórcios entre as prefeituras. Isso vale também para as outras áreas. Várias experiências no Brasil mostram que isso funciona. Vanderlan levanta essa questão, que os candidatos mais tradicionais não têm. E não dá mais para administrar Goiânia sem ver isso.

Euler de França Belém – O sr. falou sobre o BRT. O VLT é uma iniciativa positiva do Estado, mas que não saiu do papel. Por quê? Algum dia será feito?
Tenho certeza de que algum dia ele será feito, mas temos tido dificuldade com questões conjunturais. A última tentativa de fazer o VLT foi por meio de uma PPP [parceria público-privada], com cerca de 40% de recursos privados e 60% público. A parte pública já estava praticamente equacionada, inclusive aprovada pelo Ministério das Cidades, mas ficou na dependência de uma aprovação dos ministérios da Fazenda e do Planeja­mento, porque se tratava de um empréstimo que o Estado iria tomar junto ao Fundo Nacional de Infraestrutura de Transportes, que é o fundo com recursos para o transporte nas regiões metropolitanas. Porém, dada a conjuntura que o Brasil entrou, após a reeleição de Dilma Rousseff, tudo ficou parado. Os Estados foram proibidos de tomar novos empréstimos e o projeto foi paralisado, situação que foi agravada com o envolvimento da Odebrecht na Operação Lava Jato, o que inviabilizou a busca de recursos pelo lado privado junto ao BNDES. Essa é a situação do VLT, que continua sendo necessário e tecnicamente viável, mas, do ponto de vista de financiamento, está quase improvável.

Marcos Nunes Carreiro – As pessoas gostaram da proposta de Vanderlan sobre os polos industriais em Goiânia, mas temem que sejam poluentes.
O polo de metalurgia pode ser ou não, assim como o polo de marcenaria. É só uma questão de cuidado com o despejo dos resíduos em local apropriado. O polo de confecção seguramente não é. Mas os polos que estão sendo propostos não serão poluentes e, hoje em dia, a legislação é e deve ser cada vez mais rigorosa para coibir as possibilidades de poluição. Não existe nada, atualmente, que não possa ser feito sem poluir; até as indústrias químicas podem ser feitas sem agredir o meio ambiente.

Na visão de Vanderlan, a proposição dos polos vai gerar um novo dinamismo na economia de Goiânia, que está ficando aquém do necessário. As últimas administrações não se preocuparam com o aspecto econômico de Goiânia e, com isso, nós tivemos um processo de decadência. É claro que sempre achamos que isso é uma responsabilidade maior dos governos federal e estadual, mas não é. Tudo o que acontece no município é de responsabilidade também do prefeito. Está aí, por exemplo, a questão da segurança pública, que a Prefeitura tem que entrar.

Goiânia já foi o 3º maior polo de confecção do Brasil; hoje, é o 13º. Por quê? Falta de apoio e in­cen­tivo às indústrias. Vanderlan criou polos bem sucedidos em Senador Canedo e, como empresário, sabe que esse é o caminho para Goiânia, pois dará mais dinamismo e gerará emprego. Além disso, a ideia de fazer vários polos, ao invés de fazer um grande, é para aproximar o emprego de onde as pessoas moram. Isso evita grandes deslocamentos, a perda de muito tempo no transporte coletivo e ajuda a diminuir o trânsito na cidade.

Euler de França Belém – O que Vanderlan Cardoso propõe para a área da segurança pública?
No que diz respeito à repressão, ele não propõe nada muito diferente dos outros, pois esta atividade está ligada às polícias civil e militar. Mas a Guarda Municipal pode ajudar. O que ele inova na segurança? Além de fazer o trabalho que a Prefeitura normalmente faz, como iluminação pública, limpeza urbana, aumentar o efetivo da Guarda e fiscalizar os prédios públicos, escolas etc., ele propõe um trabalho mais preventivo. Esse trabalho tem resolvido o problema da segurança em vários lugares. Medellín, na Colômbia, é um exemplo. Então, não é só a repressão, mas um trabalho de educação e Vanderlan propõe fazer isso.

Euler de França Belém – E na educação?
Todos nós sabemos que a melhor proposta existente para a educação são as escolas de tempo integral, mas sabemos das dificuldades de fazê-las. Tanto é que Goiânia deve ter mais de 100 escolas municipais e apenas 20 em tempo integral, mesmo com todo esse discurso, que vem desde Iris Rezende, lá em 2004. É um número muito pequeno. A primeira dificuldade é a questão física. As escolas foram construídas sem o espaço necessário para permitir a agregação de atividades culturais e esportivas. Essa dificuldade pode ser suprida se o contraturno for utilizado, assim como espaços já disponíveis na comunidade, como ginásios de esporte e academias privadas. Essa é a inovação de Vanderlan.

O que ele fez em Senador Canedo e que agora propõe fazer em Goiânia? Contratar a parte ociosa dos espaços privados, como academias, para que as crianças possam praticar educação física. Pode-se contratar clubes, que são mais utilizados nos fins de semana e ficam nos outros dias mais vazios. Então, é possível fazer um trabalho de complemento à educação do município e dar um retorno imediato à criança. Isso é, de certa forma, um retorno às escolinhas esportivas que existiram em Goiânia e que foram finalizadas nas gestões de PT e PMDB. Antigamente, no Bosque dos Buritis, tinha uma escola de música da Prefeitura. Meus filhos estudaram lá.

Marcos Nunes Carreiro – Ainda existe o Centro Livre de Artes no Bosque dos Buritis.
Mas com uma forma muito reduzida. Naquela época, era comum que os pais matriculassem as crianças. E o que Vanderlan propõe? Fazer isso de maneira descentralizada, utilizando os equipamentos já existentes nas várias regiões, inclusive das igrejas.

Euler de França Belém – Se um artista perguntar, o que Vanderlan fará na área cultural?
O projeto de Vanderlan na área cultural é muito bom, no sentido de que vai trabalhar esse despertar da cultura, principalmente nas partes mais afastadas do centro de Goiânia. Como a visão dele é tratar a cidade por partes, isso se torna mais importante, pois é possível ver as manifestações culturais mais proeminentes em cada região, ao mesmo tempo em que pretende levar outros programas para os setores, como Orquestra Sinfônica e também teatro. E os próprios prédios regionais da Prefeitura podem e devem ter espaço para isso, por exemplo, tendo um auditório onde as pessoas daquela comunidade possam se reunir. Hoje, a grande dificuldade que existe nos bairros é a falta de local para as pessoas se reunirem e se apresentarem.

Marcos Nunes Carreiro – O transporte público é um dos principais alvos das reclamações da população e de difícil resolução. Como Vanderlan pretende trabalhar esse ponto?
O primeiro ponto é fazer a Prefeitura exercer seu papel de fiscalizadora e gestora do sistema, através da CMTC [Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos]. Todos falam dos problemas mais nítidos, como superlotação, atraso dos ônibus e falta de abrigos, que não protegem os usuários nem da chuva nem do sol. São problemas que precisam efetivamente ser resolvidos. Porém, hoje, as linhas não são traçadas por um órgão técnico da Prefeitura, mas pelas próprias empresas de transporte, que não têm nenhuma orientação que não seja a do lucro. Por que isso ocorre? Porque não se conhece a demanda da população, logo não se pode adequar o sistema. A última pesquisa de origem e destino feita em Goiânia foi em 2002 e digo isso porque eu era secretário de Infraestrutura e quem cuidou disso fui eu.

Agora, como traçar linhas se não se sabe o desejo de viagem das pessoas? Em 14 anos, a cidade mudou muito. Surgiram novos centros de interesse, educação, trabalho e lazer em Goiânia, então, é preciso adequar o sistema de transporte. Vanderlan tem essa clara visão: o primeiro passo é planejar. Tudo na Prefeitura tem que deixar de ser improvisado para ter um planejamento rigoroso. O planejamento do transporte é fundamental, assim como o do trânsito. Transporte público e trânsito estão interligados. Sem o conhecimento técnico, não se pode resolver o problema.

Carlos Maranhão em entrevista aos editores do Jornal Opção: “Goiânia está sendo administrada pensando somente no hoje e não no amanhã. As administrações de Iris Rezende sempre tiveram essa característica”

Carlos Maranhão em entrevista aos editores do Jornal Opção: “Goiânia está sendo administrada pensando somente no hoje e não no amanhã. As administrações de Iris Rezende sempre tiveram essa característica”

Euler de França Belém – Como o próximo gestor de Goiânia poderá resolver o desordenamento urbano deixado pelas últimas gestões? A cidade tem crescido de maneira desordenada não só porque as empresas o querem, mas porque a Prefeitura tem incentivado.
Esse é um problema fundamental. Goiânia está sendo administrada pensando somente no hoje e não no amanhã. As administrações de Iris Rezende sempre tiveram essa característica e isso tem provocado uma série de erros; algumas medidas que são positivos no começo acabam se mostrando negativas no longo prazo. Exemplo: os parques na gestão de Iris Rezende foram feitos já com o objetivo de serem implantados pela iniciativa privada, que só pensaram no aproveitamento imobiliário da orla. Resultado: todos os parques desse tipo estão produzindo danos muito fortes ao meio ambiente, com rebaixamento de lençol freático, perda de mananciais etc. No curto prazo teremos problemas sérios.

Existem algumas medidas muito simples que precisam ser tomadas. Goiânia tinha quadros muito bons dentro do Instituto de Planejamento, o antigo Iplan, que pensavam a cidade e a trabalhavam para o futuro. Hoje, o Iplan se transformou em uma secretaria, que cuida muito mais da parte cartorial, de conceder licença de construção e fiscalizar obras, do que do planejamento em si. Então, há uma proposta de Vanderlan de reconstruir o sistema de planejamento da cidade no médio e longo prazo. Goiânia precisa voltar a ter rumo.

Euler de França Belém – Um dos maiores desgastes da imagem do prefeito Paulo Garcia foi o lixo. E um dos maiores problemas dessa área foi a quebra da terceirização da coleta realizada pelo ex-prefeito Iris Rezende. Como o sr. vê essa questão?
O problema do lixo é gestão. Isso será rapidamente resolvido por Vanderlan. Agora, nosso aterro sanitário está em fase final de esgotamento e precisamos pensar numa solução para isso. Inclusive, não se vê outros candidatos falando sobre o assunto. Existem tecnologias importantes para reduzir o volume do lixo depositado no aterro e políticas de reciclagem, que são importantes e podem ser utilizadas em conjunto com políticas de geração de emprego e renda. Então, não é uma questão apenas de coleta. É preciso coletar bem e dar um bom destino a esse lixo.

Euler de França Belém – O segundo turno em Goiânia é quase certo?
O segundo turno parece ser a vontade da maioria da população. O incerto é saber com que vantagem o primeiro vai em relação ao segundo.

Euler de França Belém – Todos falam sobre as redes sociais. Essa ferramenta não parece ter uma grande influência nessa eleição. Como o sr. analisa isso?
As pessoas, às vezes, querem vender uma facilidade de processo que não existe. Cada vez mais as pessoas estão ligadas na internet e têm presença nas redes sociais. Isso não significa, porém, que elas façam esse acesso para discutir política. Pelo contrário, as pessoas fogem desse debate nas redes sociais. Para isso, tem a hora, que é o momento da eleição. Já aumentou o número de pessoas com atenção ao período eleitoral nas redes, mas os instrumentos televisão e rádio, no que concerne à eleição, ainda são muito mais fortes que as redes sociais.

Euler de França Belém – Existe uma tese que diz que o eleitor goianiense não gosta de votar em candidato do governo estadual. Porém, a interação entre o governador Marconi Perillo e Vanderlan parece ser vista como positiva. É isso mesmo?
O eleitor goianiense, pela minha experiência, não gosta de votar em candidato títere, que funciona como joguete de outra pessoa ou poder. As pessoas querem um prefeito que tenha personalidade e que defenda os interesses da cidade. Elas não querem um candidato que aceite os desejos do governador. Não é uma questão de o governador ser querido ou não na cidade, mas uma questão de autonomia. Vanderlan tem sua história, seu projeto e seu partido, que não é o partido do governador. O governador veio apoiá-lo por entender que, dos candidatos, ele é o melhor para a cidade. Ora, quem é candidato tem que querer o maior número possível de apoiadores, inclusive de um governador, que tem muito a oferecer em uma parceria futura. Então, as pessoas estão entendendo isso. E mais: as pessoas estão entendendo que a política de inimizades pessoais não leva a nada. A população quer a cooperação dos diferentes políticos para beneficiar a todos. Não vivemos uma época fácil e a Prefeitura de Goiânia precisa ser recuperada. Então, todo e qualquer apoio, estadual ou federal, é bem vinda.

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