“Sou 100% UFG. A educação precisa ser a maior bandeira deste País”

De volta ao comando da instituição, reitor promove reforma administrativa para adequá-la às demandas internas e externas e realça defesa da universidade pública e gratuita

Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Edward Madureira Brasil está de volta ao lugar de onde não deveria ter saído – segundo o desejo de boa parte da comunidade universitária. Depois de quatro anos fora da cadeira de reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) – tempo em que se candidatou a deputado federal pelo PT (teve 58.865 votos e garantiu a primeira suplência) e assumiu uma secretaria no Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação, além de exercer a docência –, ele voltou ao posto com muita energia e convicção.

A energia está concentrada na disposição em pôr a instituição que dirige no leme do desenvolvimento. Para isso, já iniciou o contato com agentes externos – empresários, políticos e outras lideranças – em busca de parcerias e vai intensificar a relação institucional. Implantou uma reforma administrativa que criou secretarias estratégicas e que pretendem otimizar tanto o “infra” – a segurança nas dependências dos campi – como o “ultra” – um projeto para diagnóstico e intervenções na Bacia do Meia Ponte.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, porém, Edward assume completamente sua convicção por uma universidade pública, gratuita e de qualidade: “Se quisermos uma Nação que vá fazer a diferença no futuro temos de pensar assim. Ter a universidade pública é muito barato”, insiste.

Elder Dias – O sr. está de volta ao cargo de reitor da UFG apenas quatro anos após deixá-lo. Quais foram suas primeiras medidas ao retomar o comando da instituição?
Estamos passando por uma profunda reforma administrativa na UFG. Muito cuidadosa, mas profunda.

Elder Dias – Em que sentido?
Uma reforma geral na administração, com duas novas pró-reitorias e a criação de quatro secretarias.

Augusto Diniz – Essas secretarias têm status de pró-reitoria?
Estão ligadas diretamente ao gabinete do reitor, mas as pessoas que nelas estão não recebem a gratificação correspondente à de pró-reitor nem têm uma estrutura tão forte quanto à de uma pró-reitoria, já que têm menos funcionários.

Elder Dias – Uma das secretarias é a de Promoção de Segurança e Direitos Humanos, que está a cargo do professor Ricardo Barbosa de Lima, da FCS [Faculdade de Ciências Sociais]. É uma novidade para a UFG. Isso é uma resposta ao aumento da criminalidade na UFG nos últimos anos?
Na verdade, isso vem de uma longa discussão do Necrivi [Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência, da Faculdade de Ciências Sociais], com professores que trabalham com a área de criminalidade. Depois, uma comissão do Conselho Universitário (Consuni) elaborou uma política de segurança para a instituição. Entendemos que chegou o momento de ter uma estrutura para pensar nisso o tempo todo. Acredito muito que em função disso vamos, sem dúvida, dar um salto na qualidade do ambiente de nossos campi. Vamos fazer um diálogo com toda a comunidade universitária e teremos um conselho de segurança.

Elder Dias – Será como um “Conseg” [conselho comunitário de segurança, que funciona por regiões] interno?
Mais ou menos, porque teremos, além da comunidade universitária, também representação da sociedade civil. Algumas medidas são muito simples: melhorar a iluminação em certos lugares, ocupar o espaço da universidade. Estamos nesse processo e queremos avançar. A universidade precisa ser um lugar seguro para qualquer um, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Elder Dias – E a velha celeuma em relação à polícia dentro dos campi?
Creio que essa questão já está devidamente amadurecida. A comunidade universitária já percebeu que quem vai lidar com traficante não será o reitor, nem o diretor de unidade, nem o professor e muito menos os estudantes.

Elder Dias – Nem mesmo os vigilantes…
Nem mesmo os vigilantes, não há na universidade quem tenha preparo para lidar com traficantes. Isso é trabalho para a inteligência da polícia. Ficaram estabelecidos, durante o mandato do professor Orlando Amaral, protocolos com os organismos de segurança pública e vamos fazer valer esses documentos. Obviamente, não haverá policiamento ostensivo, porque a universidade é um ambiente de liberdade, onde a manifestação política é valorizada. Então, vamos ter todo o cuidado para não haver esse tipo de confusão. O que não dá mais para suportar é a convivência com o tráfico dentro de nossas dependências.

Cezar Santos – Quais são as outras secretarias nessa nova estrutura?
Temos agora a Secretaria de Tecnologia e Informação, a cargo do professor Leandro Luís Galdino, do Instituto de Informática (IF), com vistas a fazer com que a área ganhe um caráter estratégico na gestão – sempre corremos muito aquém do que deveríamos. Ou seja, é uma estrutura para resolver os problemas do cotidiano e também para antever os rumos da tecnologia, para que estejamos sempre antenados. Há alguns anos, poderíamos ter previsto que nossa forma de comunicação passaria pelo telefone móvel, mas não investimos devidamente nisso.

Outra estrutura é a Secretaria de Planejamento e Avaliação, que está com o professor Vicente da Rocha Soares Ferreira, da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (Face). Foi criada para incentivar a cultura do planejamento na instituição, o que não é próprio nas universidades. Por fim, há a Secretaria de Projetos Especiais, com o ex-vice-reitor Manoel Rodrigues Chaves à frente, no intuito de prospectar e propor grandes projetos para o Estado, para o município, para o governo federal e para as empresas. Na próxima semana, vamos ter uma reunião com o presidente da Saneago [Jalles Fontoura], em que apresentaremos uma proposta de projeto para fazer um amplo diagnóstico e intervenções na Bacia do Meia Ponte, que é nosso maior patrimônio hídrico. Pelo menos 70% da economia do Estado está em volta desse rio e estamos vendo quase de braços cruzados ele se acabar. A universidade não vai se omitir nessas questões. Também estamos entabulando um projeto para o Rio Araguaia, de modo interdisciplinar, envolvendo toda nossa expertise nele.

O mesmo vale para a relação com empresas. Fui procurado recentemente por um empresário que quer criar um museu do Vale do Araguaia, para ser edificado em Goiânia. Estamos trabalhando para uma parceria por esse projeto, que vemos como essencial e que combina com nossa perspectiva sobre o Rio Araguaia.

Elder Dias – E como ficaram as pró-reitorias?
Reorganizamos todas as áreas que lidam com pessoas em uma Pró-Reitora de Gestão de Pessoas. Com isso, teremos uma política de pessoal que vai reconhecer o servidor, que é quem faz a universidade. Ela ocupa o lugar da Prodirh [Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional e Recursos Humanos], que deixa de existir, e pega também estruturas de outros órgãos.

Elder Dias – As condições entre seu primeiro mandato e o início deste, agora, são bastante diferentes. Em 2006, a universidade tinha recursos e era uma prioridade do governo federal. Agora, a situação é totalmente adversa. Muita gente diz que, naquele período, o sr. “surfou” na onda do crescimento econômico e pagam para ver o que será possível fazer em meio à crise e a escassez financeira. Ocorre que, antes de ser reitor, o sr. foi diretor da Escola de Agronomia da UFG em uma época também complicada em termos de verba. O que se pode esperar deste mandato?
O primeiro ponto que vale a pena frisar é que a universidade é algo extremamente complexo e geri-la, em qualquer tempo, é sempre um grande desafio, seja com recursos ou sem, é estar à frente de uma instituição muito viva e cheia de nuances em sua composição. Gerir uma universidade exige muito de qualquer gestor a qualquer tempo.

Em todas as situações, talvez a grande virtude de um gestor está na formação da equipe. Ninguém vai administrar a universidade sozinho nem tem o poder de transformar as coisas a partir de si mesmo. O diálogo muito franco e aberto é um dos princípios que sempre marcaram nossas gestões. Não vamos criar falsas expectativas na comunidade universitária.

Vejo que, neste momento, todos lá estão cientes do que estamos vivendo. Evidentemente, não são elevados os anseios em termos de realizações e obras, mas há um grande espaço – e talvez seja essa nossa grande oportunidade – para pôr para fora nossa criatividade. Tenho insistido muito para que todos entendam que é preciso mostrar o verdadeiro papel da universidade.

Cezar Santos – E qual seria esse papel, em sua visão?
A universidade é, em última análise, uma agente de desenvolvimento da sociedade em seus mais variados aspectos, como o social, o econômico e o cultural. Precisamos estar cada vez mais próximos dessa sociedade, sem perder, de maneira alguma, a perspectiva de que a função de financiamento da universidade, sua manutenção – ou seja, o pagamento de suas contas e de seus serviços básicos – é obrigação do governo federal. Não podemos deixar de exigir isso. Por outro lado, a universidade pode ser uma grande captadora de recursos públicos e privados. Estamos fazendo um movimento importante nesse sentido.

A universidade também deve ser uma agente de transformação da realidade. Nesses pouco mais de 20 dias de gestão, já abrimos diálogos muito promissores com diversos atores da sociedade – de todas as esferas de governo, bem como também com empresários e outras pessoas que estão colocando iniciativas interessantes ao dispor de Goiânia. Já estamos nos apresentando como facilitadores desse processo. Costumo dizer que não há tema na sociedade goiana ou brasileira que a UFG não tenha ao menos um especialista de bela formação para discuti-lo. Não existe esse tema (enfático). Sou capaz até de provocar esse desafio. Vamos falar de nanotecnologia? Temos dezenas de especialistas; se for sobre inteligência artificial, temos mais dezenas; da mesma forma se o tema for história medieval.

Ou seja, para qualquer campo de qualquer ciência, temos gente com capacidade de interlocução. Assim eu vejo que podemos administrar a universidade, colocando-a em seu principal papel, que é o de busca pelo desenvolvimento e pela transformação.

Euler de França Belém – Jorge Paulo Lemann, um dos maiores empresários brasileiro, de nível internacional, repassa US$ 12 milhões todo ano para universidades dos Estados Unidos, mas sempre teve muita dificuldade para fazer o mesmo no Brasil, por falta de mecanismos institucionais. O sr. já chegou a conversar com ele para apresentar um projeto de parceria e de relação com a UFG?
Ainda não tivemos essa oportunidade. Salvo engano, a nova legislação a respeito desse tema ainda está tramitando. É uma lei que certamente vai facilitar esse tipo de parceria. Da mesma forma, uma medida, construída ainda no governo Dilma Rousseff (PT), de forma absolutamente suprapartidária, que é o novo marco da ciência e tecnologia. Não consultei nos últimos dias, mas que aguarda um decreto presidencial de regulamentação. Com certeza, esse decreto vai facilitar nosso diálogo com possíveis doadores e também com o chamado setor produtivo, que, historicamente, sempre ficou distanciado da universidade, por razões da forma com que se deu nossa industrialização. Hoje, porém, há esse movimento de aproximação, com seu tempo particular. Precisamos de instrumentos também, e você foi muito feliz ao dizer que alguns indivíduos encontram essas dificuldades para doações às universidades.

Euler de França Belém – Também havia uma visão crítica na universidade que resistia ao que achava ser “trabalhar para o mercado”. Hoje isso diminui e há uma relação mais positiva entre os dois setores. Na UFG isso também mudou? Como está o empreendedorismo na UFG? E o polo tecnológico?
Realmente existe essa posição crítica de alguns segmentos. Há pessoas que têm muita dificuldade nessa relação com o mercado. Mas também há uma quantidade muito grande de docentes, técnico-administrativos e estudantes dispostos a tornar essa relação mais próxima. É uma relação que tem de ser sempre altiva: a universidade não precisa se vender e deve preservar sua autonomia, seus interesses, fazendo o que sabe fazer melhor: transmitir e produzir conhecimento. As universidades brasileiras produzem cerca de 90% do conhecimento novo produzido no Brasil. Esse conhecimento tem de servir ao governo, aos empresários e à sociedade como um todo.

A UFG já tem uma agência de inovação em pleno funcionamento, bem como uma incubadora que já graduou várias empresas. Estamos adiantando nosso parque tecnológico e o segundo prédio dele, o da Agência de Inovação, foi inaugurado no fim do mandato do professor Orlando Amaral. É uma estrutura que abrigará empresas residentes, não mais incubadas. Ao lado desse prédio, temos uma área de expansão desse parque para – assim que terminarmos o processo de licenciamento ambiental – ser objeto de chamadas públicas para empresas edificarem dentro da área da universidade. O primeiro prédio do parque, o CRTI [Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação], já atende, com análises ultraespecializadas, vários setores de nossa economia. O setor mineral, por exemplo, já tem o CRTI como sua grande referência, por ter contato com equipamentos e análises que no Brasil só podem ser feitas ali.

Assim também temos com o setor de fármacos, que também receberá um centro de tecnologia farmacêutica também na mesma área. A Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) vai edificar seu prédio no parque, bem como um conjunto de prédios da área de biotecnologia também vai para lá. Ou seja, teremos ali, ao lado da universidade, ao mesmo tempo, centros tecnológicos em áreas estratégicas e empresas com suas atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Estamos trabalhando com a perspectiva de instalar nesse parque, ainda neste semestre, o primeiro laboratório de criatividade da UFG. Será uma instalação aberta a toda a comunidade e pela qual disponibilizaremos as ferramentas mais modernas da tecnologia, como impressoras 3D e várias outras. É algo tanto para o cidadão comum como para nosso estudante dar andamento a suas ideias e seus projetos em um lugar de referência. Assim como há os “fab labs”, que é a nomenclatura dada a essas estruturas do MIT [sigla para Massachusetts Institute of Technology, ou Instituto de Tecno­logia de Massachusetts, instituição que é referência mundial na área], teremos os nossos, tão modernos quanto os de lá e abertos à comunidade. A ideia é implantarmos pelo menos dez unidades de laboratórios de fabricação em todos os campi da UFG – Goiânia, Apare­cida, Catalão, Jataí e cidade de Goiás. Em 2018, por uma parceria com o Sebrae, deveremos viabilizar a instalação de pelo menos cinco desses laboratórios.

Cezar Santos – O sr. sempre enfatiza muito a importância da expansão da universidade. Mas há equipamento e pessoal para essa expansão, diante das dificuldades financeiras?
Desejamos sempre a expansão da universidade, até porque isso é vital para o País. Vou repetir números de nossa entrevista anterior aqui no jornal: convivemos com números ainda muito acanhados de jovens no ensino superior – entre 16% e 17%, enquanto países que já fizeram essa virada tem índice de 60%, 70% ou até 80%. Ou seja, precisamos dessa expansão. Por outro lado, não vejo em curto prazo um cenário em que isso possa ocorrer. Estamos limitados por um regime fiscal que condiciona nosso orçamento basicamente à correção do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Avançado, que calcula a inflação].

O que estamos fazendo, então? Com o que temos de pessoal – técnicos, docentes e estudantes –, manter uma relação tal com a sociedade de forma com que se criem espaços de encontro que dinamizem esse processo. Ou seja, fazer mais com o que a gente tem. Obviamente, é preciso investir aqui e ali, o que pode vir do governo ou da iniciativa privada. Mas é preciso separar essas questões, porque, conforme acredito, um Estado como Goiás deveria ter pelo menos o dobro de jovens que tem hoje na educação pública superior.
Um exemplo do que podemos fazer com alguma criatividade: estamos em uma parceria com o Sebrae para, no espaço que a gente tem, equipá-lo e colocar nosso pessoal junto à comunidade produzindo coisas novas e utilizando o que temos de melhor. Essa dinâmica é o que temos para oferecer enquanto não ocorre uma nova expansão. Mas não vou esconder de ninguém que sonho com um “Reuni 2” [o Reuni, sigla para Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expan­são das Universidades Federais, foi implantado pelo governo Lula a partir de 2007 e protagonizou a expansão do ensino superior público no Brasil]. Não falo isso por mim, mas porque o brasileiro jovem precisa chegar à educação superior, sob pena de perdermos nossa última janela para o desenvolvimento, de acordo com a curva de crescimento. Estamos entrando agora em um quadro de estabilização; com menos jovens, e sem dar a eles condições para se educar, como podemos vislumbrar o futuro da Nação?

Euler de França Belém – O novo prédio do Hospital das Clínicas (HC) já era para ter sido inaugurado, não?
Sim, mas temos de explicar o que ocorreu. A nova unidade do HC é um projeto já de mais de 12 anos. Quando sucedi a professora Milca Severino na Reitoria, em 2006, já encontrei o prédio com suas fundações prontas. Ela havia conseguido uma emenda parlamentar, mas, como ela veio apenas em parte, o que pode ser feito foi somente a fundação. Busquei alternativas para subir o prédio. E aqui é bom que se diga: aquela obra praticamente não tem recursos do Ministério da Educação (MEC) nem do Ministério da Saúde, está sendo edificada quase que totalmente por meio de emendas da bancada de deputados federais e de senadores goianos.

Ano a ano, fomos fazendo dessa forma. Então, o prédio foi sendo construído da seguinte maneira: em um ano conseguíamos a emenda, mas não era liberada ou só vinha uma parte; se ela era de R$ 10 milhões e liberavam apenas R$ 5 milhões, a gente licitava esse montante e tocava a obra. Noutro ano, a obra ficava parada, pois não liberavam nada. Por fim, em 2015 o professor Orlando conseguiu que a bancada goiana destinasse uma emenda de R$ 100 milhões, que foi aprovada como prioritária. Esse recurso começou a ser liberado em 2016 e é o suficiente para terminar a obra física. Isso deve ocorrer ainda este ano.

Vou dividir o processo, então, em três partes: o primeiro, a obra física, que tem quase 45 mil metros quadrados – como sou ligado à agricultura, digo que é quase um alqueire de hospital (risos)…

Cezar Santos – Procede que será o maior hospital universitário do Brasil?
De universidade federal, creio que sim, talvez com exceção do hospital da Unifesp [Universida­de Federal de São Paulo], que, porém, não é da universidade, mas de outra entidade. Mas, como patrimônio de uma universidade federal, será o maior, com 600 leitos, sendo 120 deles só de UTI. Ou seja, vamos atender a uma grande demanda reprimida.

A segunda parte relativa ao hospital vai ser viabilizar com uma nova emenda de bancada, que conseguimos colocar no orçamento deste ano, de mais de R$ 70 milhões. Essa verba será para equipar o hospital. Só para lembrar: esta tem uma emenda no orçamento, embora não tenha orçamento empenhado, diferentemente da primeira, a da obra física, que não tem nem mais como o governo federal desistir. Nosso objetivo, portanto, é trabalhar forte para liberar essa emenda para os equipamentos; se conseguirmos isso ainda no primeiro semestre, já vamos fazer a licitação. Dessa forma, podemos pensar em equipá-lo ainda neste ano.

Yago Sales – Quanto custará a obra, ao final?
A estimativa, embora não tão precisa, é de que o prédio saia por R$ 220 milhões no total, estando pronto e equipado. Até aqui, estamos na segunda etapa.
Já a terceira parte do processo do hospital é colocar o pessoal para trabalhar lá dentro. Isso vai ser pactuado com a Empresa Brasileira de Serviços Hospita­lares (Ebserh), responsável por contrato pelo fornecimento de pessoal. A partir do momento em que comunicarmos que temos leitos disponíveis, a empresa se programará para trazer pessoal para trabalhar.

“Temos de lutar sempre pela universidade gratuita”

Elder Dias – Qual é a diferença da Ebserh para uma OS [organização social], como trabalha o governo estadual?
A analogia que uso é a de que a Ebserh é como se fosse a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] da saúde. A diferença é que a Embrapa cuida apenas de pesquisas e a Ebserh cuida dos serviços hospitalares como um todo, com assistência e pesquisa também. Quem paga os servidores da Ebserh – que são concursados e submetidos à CLT – é o governo federal. Não é terceirização nem OS.

Yago Sales – A Ebserh hoje cuida de todos os hospitais universitários federais?
Salvo engano, só não estão na Ebserh os hospitais das federais de Uberlândia [da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)] e do Fundão [Hos­pital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)]. O da Unifesp só não está porque não é da universidade.

Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Elder Dias – Na prática, a gestão se dá como uma OS?
Não, porque os recursos são colocados não pela universidade, mas vêm da própria empresa. Os leitos do hospital são financiados pelo SUS e a Ebserh fornece o pessoal, ajudando na gestão. O superintendente da Ebserh em Goiás é indicado pelo reitor.

Cezar Santos – Como fica a relação com os professores do HC?
Não muda, fica como sempre foi. Os professores são da Faculdade de Medicina (FM). Dentro do HC, além deles, temos servidores técnico-administrativos da UFG, têm servidores do município e agora também da Ebserh.

Yago Sales – As universidades federais passaram por problemas de investigação nos últimos anos, com até mesmo a prisão de alguns deles. Ao mesmo tempo, por grandes dificuldades financeiras, como já foi dito. Como o sr. pretende administrar sem problemas diante de tanta fiscalização que tem tido por parte da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público, da CGU [Controladoria-Geral da União], do TCU [Tribunal de Contas da União], entre outros?
É uma questão preocupante, realmente. Conheço alguns desses reitores e sei da lisura, da trajetória e do compromisso deles. Obviamente, isso não significa que eles consigam alcançar cada espaço da instituição. Sabemos que onde há pessoas há também o risco de desvios. O gestor, na vontade de resolver, busca saídas, sempre com orientação. Nenhum reitor ou dirigente de qualquer natureza vai deliberadamente aplicar soluções que colocarão a instituição em situação de dificuldade no futuro, mas precisamos fazer a universidade andar.

Isso até é uma responsabilidade com a missão. Não podemos ficar de braços cruzados vendo nossos equipamentos ficarem defasados e o quadro pessoal se desmotivar. Não há como não buscar parcerias e alternativas para fazer a máquina girar em prol da sociedade.

Augusto Diniz – A UFG já tem sofrido com a perda de quadros qualificados para instituições de outros países, por causa de falta de recursos para manter aqui suas pesquisas e laboratórios funcionando? Isso já é um problema nacional.
Não tenho conhecimento de que isso já ocorra, mas não duvido que possa acontecer muito rapidamente. Temos um Ministério da Ciência e Tecnologia que teve seu orçamento cortado praticamente ao nível de dez anos atrás. Claro que isso vai causar falta de recursos para as pesquisas de pontas. Vamos trabalhar contra isso. Temos a Funape para nos ajudar e temos buscado também nosso espaço no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e na Finep [Financiado­ra de Estudos e Projetos, empresa pú­blica nacional na área de tecnologia], disputando recursos nacionalmente. Ocorre que o bolo é pequeno e há muita gente competente o disputando. Às vezes, muitos têm mérito, mas não conseguem ser contemplados.

Augusto Diniz – Quando o sr. se candidatou novamente a reitor, já sabia que as condições administrativas eram precárias, inclusive com o corte de energia em algumas unidades acadêmicas. Já houve tempo de tomar pé da real situação?
Já sabemos, de antemão, que o orçamento do MEC para a UFG, entre custeio e capital, é da ordem de R$ 100 milhões. É o que a gente pode administrar, excluindo aí a folha de pagamento de ativos e aposentados do quadro – sobre a qual não temos qualquer ingerência e que é o grosso do que vem para a universidade. Para dar um número que pode ser muito elucidativo, só a conta de luz da UFG é de R$ 15 milhões ao ano; a conta de segurança é de algo entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões. Ou seja, já sabemos, de antemão, que nossos recursos chegam só até setembro.

Foi isso que o professor Orlando enfrentou, em seu reitorado, com um agravante: o custo da universidade sobe além do IPCA, porque há muita gente capacitada iniciando projetos novos, o que acaba acrescentando mais ao orçamento. Suponha que haja a captação para um novo laboratório e, com ele, a aquisição de um microscópio eletrônico. É ótimo, precisa mesmo ser assim, mas vem a conta para a UFG – no caso, fazer a sala para acomodar aquele microscópio. Por isso, estamos sempre buscando alternativas, mas também tentando mostrar ao governo que quem colhe os resultados de todo nosso trabalho é o próprio governo. Temos 28 mil alunos, 4 mil entre mestrado e doutorado. Quem colhe o resultado é a sociedade. Precisamos superar o debate que diz que universidade federal é cara, porque é a única instituição que faz pesquisa e extensão, juntamente com os institutos federais. Juntos, somos nós quem produz o conhecimento novo. Só que isso não é medido pelo orçamento. Não é justa a conta que se faz do custo do aluno por ano (enfático).

Cezar Santos – As universidades federais precisam mesmo continuar sendo totalmente gratuitas?
Sem dúvida nenhuma. Não dá para transigir nenhum milímetro em relação a isso.

Cezar Santos – Não seria o caso de ser gratuita apenas para o aluno pobre?
Nós espantaríamos o aluno com mais poder aquisitivo da universidade sem que a cobrança de mensalidade represente quase nada em nosso orçamento. É um ponto fácil com qual pode parecer fácil de argumentar em seu favor, mas, quando se examinam os números, verifica-se que nenhuma universidade do mundo vive de mensalidade, a não ser aquelas que fazem ensino, puramente.

Cezar Santos – Não seria “viver de mensalidade”, mas um sistema no qual pagasse aqueles que pudessem.
O que se conseguiria com isso seria fazer os filhos da classe média ir para fora do País. Temos de lutar por uma universidade pública, gratuita e de qualidade se quisermos uma Nação que vá fazer a diferença no futuro. Ter a universidade pública é muito barato. E se pensarmos no perfil socioeconômico de nossa sociedade – e fizemos esse estudo recentemente –, não teríamos praticamente parcela nenhuma da sociedade que conseguiria pagar faculdade dentro dos parâmetros que são colocados. Sabe por quê? Porque nossa sociedade é pobre. Nos Estados Unidos, com uma renda per capita algumas vezes maior do que a nossa, isso seria tranquilo. A gente precisa chegar lá ainda e, até lá, precisamos da universidade pública e gratuita durante mais 30 ou 40 anos. Agora, implantar isso seria expulsar nossos jovens. Mas veja este dado: hoje, na UFG, temos mais de 70% dos alunos e alunas na categoria enquadrada como de baixa renda.

Augusto Diniz – Com a inclusão do sistema de cotas e a adesão ao Sisu [Sistema de Seleção Unificada], o número de estudantes de baixa renda aumentou muito?
Nem tanto. Historicamente, sempre tivemos uma faixa alta de alunos de baixa renda. O que mudou significativamente foi a quantidade desses alunos nos cursos de maior demanda. Ou seja, esse perfil foi alterado para Medicina, Veterinária, Odontologia, para as Engenharias.

Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Augusto Diniz – Ou seja, os alunos pobres, que não tinham condição de acesso a esses cursos antes das cotas agora, estão conseguindo entrar.
E o que é melhor: sem que isso impacte a qualidade dos cursos. Pelo contrário, em alguns cursos o desempenho dos cotistas está acima da média dos não cotistas. Em geral, o desempenho entre cotistas e não cotistas está bem equilibrado.

Cezar Santos – Como está o projeto de tornar universidades federais os campi de Jataí e Catalão?
Está muito bem encaminhado. Uma vez aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto segue ao Sena­do e, da mesma forma com que passou pela Câmara, deverá ser aprovado, por acordo de lideranças. Depois, segue para sanção presidencial. Minha expectativa é de que em 2019 o Estado de Goiás tenha duas novas universidades federais.

Marcelo Mariano – Há duas semanas o embaixador de Israel, Yossi Shelley, esteve em Goiânia e o sr. participou da reunião dele com o governador. Ele é de um país referência em inovação, empreendedorismo, startups etc. Existe alguma parceria com Israel e, se sim, como vai funcionar?
O que existe é uma intenção de aproximação. Fui convidado a uma reunião com o embaixador pelo Secovi Goiás [Sindicato da Habita­ção do Estado de Goiás] e pelo Sinduscon [Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Goiás] e apresentado a ele, que já tinha conversado com o professor Orlando anteriormente. Há uma perspectiva de aproximação.

Uma questão que surgiu foi a possibilidade de montar uma grande parceria para um museu de ciências em Goiânia, voltado para crianças. Seria algo extremamente dinâmico, para despertar o gosto pelas ciências, o que é uma falha na formação dos estudantes no Brasil. Não somos incentivados a pensar sobre inovação e grandes descobertas. Essa iniciativa terá desdobramento envolvendo o governo do Estado, a embaixada de Israel e a universidade.

Fui secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do governo Dilma e essa área estava dentro de minha secretaria no MCTI [Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação]. Pudemos ver, infelizmente, o quanto o Brasil é pobre nesses meios de fazer encantar as crianças no gosto pela ciência.

Marcelo Mariano – O Jornal Opção fez há alguns meses uma reportagem sobre pesquisas da UFG que impactam a sociedade. A repercussão me chamou a atenção em alguns aspectos. Muitas pessoas falaram que não sabiam de tudo isso que a universidade produz; outras criticaram o fato de não terem sido listados projetos das ciências humanas. O que está sendo produzido nessa área que pode contribuir para a sociedade?
A invisibilidade do que é produzido na universidade é um problema crônico. Há uma dificuldade em apresentar o que se produz e pesquisa. Nas mais diferentes áreas das Humanidades, temos trabalhos muito relevantes – nas Letras, com suas pesquisas ligadas aos indígenas e suas línguas, na História, na Filosofia, nas Ciências Sociais, na Antropologia.

Acredito que esse início de diálogo por meio de matérias assim mostra um caminho interessante para apresentar o que fazemos na universidade. Há muitas outras coisas a apresentar e não só em Goiânia, mas em todos os campi. Como eu já disse: em qualquer assunto, temos gente pesquisando e fazendo isso com muita propriedade e competência. Isso pode e deve ser levado ao conhecimento público.

Augusto Diniz – O Enem se tornou o novo vestibular? Como é que a UFG tem avaliado o encerramento do vestibular e a atração de novos alunos por esse processo?
O Enem foi uma política pública extremamente exitosa e, claro, pode ser sempre aprimorada. Quando se tem a possibilidade de, com uma única avaliação, poder acessar vagas em universidades de todo o País, há uma grande democratização de todo o processo. Havia um tempo em que os alunos que prestavam vestibular tinham de fazer um verdadeiro turismo – e um turismo caro e de pouco aproveitamento nesse sentido propriamente dito. Os alunos migravam de Estado para Estado para fazer provas diversas, em um calendário insano, tentando garantir vaga no curso que gostaria de fazer.

Quando as universidades concordam em colocar suas vagas em um sistema único de seleção temos outro avanço. Há problemas, sim: temos de pensar que o ingresso na universidade tem sido sempre o balizador do ensino para chegar a ela. Sendo assim, me preocupa sobremaneira alguns aspectos regionais que deixam de ser trabalhados nas escolas com a prova do Enem.

Por exemplo, dificilmente uma escola de Goiânia vai se propor a ensinar a história de Goiás ou da capital, nossa geografia e outros aspectos importantes na formação do cidadão. Por isso, penso que o exame poderia criar um mecanismo para contemplar essa questão. Como ele é baseado em uma metodologia chamada “teoria de resposta ao item”, em que questões de mesma dificuldade podem ser substituídas – tanto é que o resultado de um ano pode ser comparado ao de outro –, podemos conceber um conteúdo que abranja as regionalidades, que não podem ser desprezadas na educação básica.

Outra questão é a necessidade de avançar na proposta e, quem sabe, fazer duas edições de Enem por ano e tirar o estresse de uma única prova. Sabemos do impacto que isso tem sobre o aluno. Sei que um Enem por ano já é caro, mas temos de repensar o que é caro em termos de educação. O País tem de tomar sua decisão: ou investe em educação ou está fadado a ser sempre um ator coadjuvante no contexto mundial.

Ainda sobre o Sisu, com ele passamos a receber alunos de todo o País. Isso não deixa de ser um choque muito grande. Se vem um aluno da Região Norte – o que não é muito comum, por termos aqui escolas muito boas e o impacto dos alunos de fora não é muito grande –, às vezes nem sempre estamos preparados para receber. Às vezes alguém vem do interior de um Estado distante do Norte ou do Nordeste somente com o dinheiro da passagem de vinda, porque passou na UFG. Ao chegar, nem sempre temos condições de dar moradia e alimentação e perdemos esse aluno. Isso acontece não só aqui, mas no Brasil inteiro. Ou seja, temos uma democratização do acesso, mas os mecanismos e recursos para permanência desse aluno não têm sido satisfatórios.

Cezar Santos – A UFG está preparada – ou se preparando mais – para ter alunos com necessidades especiais?
Muito bom questionamento, haja vista que agora as cotas têm um recorte para pessoas com deficiência de escola pública. Isso certamente vai causar um grande impacto. Nós já temos um núcleo de acessibilidade que já funciona. Não é o ideal nem o que a gente sonha, mas já temos apoio para deficientes visuais e auditivos e pessoas com mobilidade reduzida. Semana passada, formou-se uma aluna cega no curso de Letras, que foi motivo de matéria por parte de vocês. Também houve uma aluna com síndrome de Down que se formou em Matemática semanas atrás.

Cezar Santos – E como está a formação dos docentes para esses alunos?
É sempre um desafio. Nunca estamos totalmente preparados, mas esse núcleo de acessibilidade tem dado suporte tanto aos docentes como aos estudantes. Temos ainda um curso de Letras/Libras [Lingua­gem Brasileira de Sinais], que forma intérpretes e professores de Libras. Temos lá tanto alunos como professores surdos. Para esse trabalho, precisamos de intérpretes. Só que nem sempre o governo federal libera o quantitativo de servidores intérpretes. É um desafio cotidiano e que, claro, impacta nosso orçamento, já que este ano vamos receber um maior quantitativo, já que está na lei das cotas um recorte para pessoas com deficiência.

Augusto Diniz – E como está a vinda de professores de outras universidades? Há um intercâmbio grande?
Vejo nisso um problema de nosso sistema. Não temos mecanismos tão fortes que estimulem esse intercâmbio. O que temos é colaboração em pesquisas. Isso está crescendo, apesar da dificuldade de algumas pessoas para formar redes. Em relação à atração para participação em concursos para professor efetivo, temos tido experiências muito animadoras, porque recebemos visitas durante eventos e concursos e a UFG, nesses momentos, tem chamado muito a atenção por conta de nossos grupos de pesquisas, de nossos laboratórios e de nossa infraestrutura geral. Com isso, há muita gente prestando concurso. Às vezes, há uma única vaga aberta para titulação de doutor – lembrando que não temos tantos doutores no Brasil – e têm mais de cem candidatos na disputa. Isso é normal para algumas áreas da universidade. Mas, mesmo que fossem 20 doutores para uma vaga, já seria uma quantidade muito expressiva.

Obviamente, a dinâmica da docência tem outros fatores que influenciam. Há gente que veio para cá, mas não se adaptou e quer ir embora; da mesma forma, há professores daqui que estão em outros lugares e quem voltar para casa. Esses movimentos são comuns. O fato é que a UFG tem se tornado um polo de atração de pesquisadores. Há professores de universidades consagradas que vieram para cá nos últimos tempos.

Augusto Diniz – O sr. foi diretor da Escola de Agronomia. Qual é a contribuição que essa área dá, em termos tecnológicos, para o mercado e para a sociedade?
Já temos muitos projetos de pesquisa desenvolvidos na Agronomia. O setor em que trabalho, que é o de Melhoramento Genético, faz parte hoje de uma rede nacional de pesquisa que desenvolve variedades de cana-de-açúcar. Essa rede, por sua vez, é responsável pelas variedades de cana plantadas em 70% do território nacional. Ou seja, 70% da cana colhida no Brasil saem de pesquisas de dez universidades que têm uma rede – e uma dessas é a UFG, por meio da Escola de Agronomia e do Setor de Melhoramento Genético, do qual faço parte.
Na área de pragas de plantas, temos pesquisadores, no Setor de Entomologia, que trabalham com as pragas mais importantes das culturas. Posso citar o professor Paulo Marçal, que trabalha com a broca da cana, entre outras pragas, e conseguiu reduzir, com monitoramento e formas alternativas, a aplicação de inseticidas enormemente nas lavouras. Também a professora Cecília Czepak, que foi a pesquisadora a identificar, no Brasil, uma nova praga, a Helicoverpa armigera, uma espécie de lagarta que ataca várias culturas. Ela, com seus alunos, está desenvolvendo o manejo para controlar a praga. Projetos em parceria com a Embrapa e outras instituições, com resultados práticos, são inúmeros, isso tanto na área de alimentos como na de agronomia, em todos os aspectos. A área de engenharia florestal, pelo fato de o curso ser novo, está começando a se desenvolver agora.

Augusto Diniz – Sua volta à UFG pareceu algo natural, haja vista sua dedicação à instituição e seu crescimento. Mas, pessoalmente falando, é apenas um adiamento do projeto político, que começou em 2014?

Cezar Santos – Complementando a pergunta, há um petista na reitoria da UFG?
(risos) Não, não há. O reitor da UFG, conforme eu falei na entrevista ao Jornal Opção em julho, não pode ter vinculação partidária. Afinal, ele exerce uma atividade naturalmente suprapartidária. Então, me desfiliei do PT, por achar que o reitor precisa de independência para dialogar com os diferentes atores e até para contestá-los, sem que receba rótulo de estar vinculado ao partido A, B ou C. Estou sem filiação e assim continuarei durante meus quatro anos de gestão. Não costumo fazer planos políticos. Creio que, depois de minha gestão, isso pode acontecer, se vier de forma muito natural.

Elder Dias – A experiência como candidato foi boa?
Como toda experiência, teve seus prazeres e seus desgostos, também. Eu digo que foi mais prazerosa, mesmo não tendo me elegido. De qualquer forma, não há nenhum plano no horizonte nesse sentido, nem de ser nem de não ser. Não há qualquer questão fechada em relação à política.

Mas hoje – e pelos próximos quatro anos – eu penso 100% na UFG e no sistema federal de educação superior. Gosto de ressaltar dessa forma porque esse sistema extrapola as universidades, que são os institutos federais. Eles cumprem um papel extraordinário. A educação é minha bandeira e entendo que essa deveria ser a maior bandeira de um país. O reitor é um ator político o tempo todo, embora não seja partidário. Vou fazer a boa política da educação. l

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.