“Sindicato deve ser do tamanho que categoria deseja”

Candidato a presidente da Federação do Comércio de Goiás afirma que entidade precisa trabalhar na busca da reestruturação e fortalecimento dos 29 sindicatos ligados à Fecomércio no Estado após processo eleitoral em maio

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A menos de um mês da eleição que escolherá o novo presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO) para o quadriênio 2018-2022 – a ser realizada entre as 9 horas e as 12 horas do dia 11 de maio –, o 1º vice-presidente da entidade e candidato à sucessão de José Evaristo dos Santos, Marcelo Baiocchi Carneiro, entende que o momento é de sucessão natural na Fecomércio. “Sou o único além do Evaristo que já administrou uma entidade do sistema S. Eu fui por quatro anos presidente do conselho do Sebrae. Ninguém mais na Fecomércio foi. Tenho gabarito e experiência de sindicalista que sou, que prestei serviços e entreguei.”

Em 12 anos à frente do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias (Secovi Goiás), o empresário, que entre as atividades é proprietário de uma imobiliária e uma indústria de cosméticos, aposta na recuperação e aprimoramento dos 29 sindicatos filiados à Fecomércio para colocar em prática o nome de sua chapa: “Fecomércio com S de sindicato”.

“Em números resumidos, o Secovi saiu há 22 anos de uma sede de 60 metros quadrados para uma recém-inaugurada sede própria com 4,6 mil metros quadrados, tinha apenas dois funcionários e conta hoje com 60, saiu de um orçamento de R$ 50 mil por ano para R$ 8 milhões anuais. E há de se dizer que 85% da receita do Secovi é de serviços”, apresenta parte do que defende com currículo que o gabarita para ser o próximo presidente da Federação do Comércio em Goiás.

Marcelo Mariano – Se o sr. for eleito, provavelmente assumirá a Fecomércio em um momento novo e desafiador aos sindicatos. O sr. é contra o favorável ao fim da contribuição sindical obrigatória?
O fim do imposto sindical era algo que nós já prevíamos. Não adianta ser a favou ou contra porque não temos o poder de decisão. É lei. Nós temos de cumprir. Mas os sindicatos e a própria Fecomér­cio precisavam ter se preparado para o fim desse imposto. Sabía­mos que isso poderia acontecer. O exemplo que dou é o do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias (Secovi), que presidi e hoje tem à sua frente Ioav Blanche. Há 22 anos, quando assumimos o Secovi, já prevendo o fim do imposto sindical, preparamos o sindicato para que ele pudesse sobreviver sem a contribuição obrigatória.

Começamos a transformar o Secovi em uma entidade que trabalhasse com a mentalidade e a cultura de uma empresa. Era preciso pro­duzir riqueza e prestar serviço. Em números resumidos, o Secovi saiu há 22 anos de uma sede de 60 metros quadrados para uma re­cém-inaugurada sede própria com 4,6 mil metros quadrados, tinha apenas dois funcionários e conta hoje com 60, saiu de um orçamento de R$ 50 mil por ano para R$ 8 milhões anuais. E há de se dizer que 85% da receita do Secovi é de serviços.

Precisamos fazer adequações com a perda de 15% da nossa receita. Demitimos dez funcionários, cortamos despesas e estamos adequando à nova realidade. Mas o Secovi sobrevive. Poucos sindicatos tomaram esse cuidado. Até por­que não foram alertados. Sen­do eleito presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), uma das primeiras medidas a serem adotadas será levantar condições e ajuda para que os sindicatos se reergam – muitos estão com dívidas. De­pois precisamos fazer com que as entidades ligadas à Fecomércio preparem instrumentos para gerar riqueza, receita através de serviços. Não tem outro caminho.

Marcelo Mariano – O sr. acredita que os sindicatos podem vir a ser extintos ou a tendência é a fusão entre diferentes entidades?
A extinção simples não. Se houver a possibilidade, acredito que pode acontecer de um sindicato deixar de atuar e outro venha a ocupar aquela base. Como presidente, trabalharei para que os 29 sindicatos se reorganizem e se preparem para ter receita própria para que as entidades consigam sobreviver dentro da realidade do orçamento de cada um. Sempre preguei que o sindicato dever ser do tamanho que a categoria quer que seja. Se o sindicato é grande é porque a categoria investiu para que seja grande.

O Secovi, como dei de exemplo, não tem receita própria. Não é uma empresa que gera seu produto para vender. Ele representa uma categoria que acreditou e gerou riqueza com a categoria. Por isso o sindicato é do tamanho da categoria que representa.

Cezar Santos – De um modo geral, a mudança na legislação dificulta a farra da criação de sindicatos no Brasil. Há casos de entidades que representam no máximo três empresas ou categorias pequenas que são criadas simplesmente para enriquecer as pessoas que estão à frente de suas diretorias.
O Brasil tem mais de 15 mil sindicatos. E precisa de tanto sindicato? É só pegar países semelhantes ao nosso que não têm 1,5 mil sindicatos. O que se perdeu foi o propósito do sindicalismo. A ideia de Getúlio Vargas quando criou a estrutura sindical é muito interessante, porque todo mundo tem de se fazer representado. Eu, como empregado de uma empresa, não consigo negociar um aumento salarial com meu patrão. Mas eu, pertencente a uma categoria, faço parte da negociação entre o sindicato laboral e a entidade patronal para que se chegue a um termo comum. Isso é muito positivo.

Ao longo do tempo perdeu-se um pouco – principalmente no laboral – a formação da entidade representativa e foram criadas estruturas para servir a determinadas pessoas. No patronal, que é o caso da Federação do Comércio, isso existe muito menos. Tanto que uma entidade do porte e da representatividade da nossa tem em sua base 29 sindicatos. Para o tamanho da economia do Estado de Goiás e a quantidade de representações possíveis, ter 29 sindicatos sendo representados é um número importante.

É importante que os sindicatos entendam que a possibilidade do imposto sindical voltar é praticamente remota. O que nós temos de investir é em serviços. Temos de fortalecer os sindicatos para que eles sejam tão bem geridos quanto as empresas que essas entidades representam. Que venham a dar receita porque presta serviços para aquelas empresas, que o remunerará pelo serviço prestado.

Augusto Diniz – Como ficou a situação da Fecomércio e dos 29 sindicatos representados pela entidade com o fim do imposto sindical obrigatório?
Muitos dos sindicatos estão passando por dificuldades financeiras porque estão sendo obrigados a se reestruturar e não se prepararam para isso. Boa parte estava preparada, tinha caixa ou anteviu. O exemplo do Secovi, que é o sindicato que presidi e posso falar com liberdade, é o de uma entidade que se preparou para enfrentar o momento.

O que tivemos de perda pelo fim do imposto sindical obrigatório nós nem podemos culpar a Fe­co­mércio porque é algo muito re­cen­te. Ainda não houve tempo pa­ra ter uma reação. Mas o que cabe à Federação do Comércio, por ser a entidade que congrega esses 29 sindicatos, é capacitar e criar condições para que voltem a arrecadar com uma nova mentalidade. É pre­ciso esquecer como era quando havia o imposto sindical.

Como não há mais como arrecadar pela contribuição obrigatória, precisamos oferecer serviços. Precisamos criar serviços que todo empresário faça questão de arrecadar para o sindicato. E independe da nomenclatura adotada. Pode ser até com o nome de imposto sindical, com a confederativa ou associativa, mas só teremos arrecadação em cima de serviços.

Augusto Diniz – O sr. acredita ser possível, a partir do interesse do filiado em determinado sindicato, que a contribuição permaneça de forma voluntária?
O exemplo que posso dar é aquele que eu vivo e conheço a realidade. Com o fim do imposto sindical, o Secovi tomou a seguinte atitude: pegou todas as arrecadações que tinha – imposto sindical, confederativa, associativa – e transformou na taxa associativa única, que foi dividida em 12 meses. Estamos com 80% de adimplência. Enquanto muitos sindicatos não estão arrecadando nem 10% do que arrecadavam, nós estamos arrecadando 80%. Há a possibilidade.

Eu gosto de dizer que R$ 1 para uma entidade que não faz nada é caro, mas R$ 1 mil para uma entidade que representa e presta serviço é barato. Um empresa do porte da minha contribui com aproximadamente R$ 1,2 mil ao Secovi, cerca de R$ 100 por mês. Eu tenho em serviço o dobro desse valor de volta. A maioria dos empresários fazem esta conta: compensa ou não? Eu coloco na balança. A nossa experiência no Secovi é o que quero levar para dentro da Fecomércio. Não só a do Secovi, mas de vários sindicatos que estão com experiências boas, para que possamos oferecer a todos uma experiência que faça com que eles também venham a arrecadar espontaneamente.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz – Toca-se pouco no assunto, mas dizem que existe uma caixa-preta a ser revelada chamada contribuição ao sistema S, com moldes parecidos ao extinto imposto sindical obrigatório. De fato é um fundo complicado de se tornar mais transparente?
Não é complicado. Até porque o sistema S é muito menos caixa-preta do que se divulga. O sistema S na verdade é uma contribuição que vem do empresário, arrecadada na GRPS (Guia de Reco­lhi­mento da Previdência Social) através do INSS. Um percentual disso vai para o sistema S, que distribui. Se é uma indústria que recolheu, o recurso vai para Sesi e Senai. Se é um comércio, vai para Sesc. Quando esse recurso pas­sa pelo governo e vai o sistema S, não é um imposto da Uni­ão, tanto que nem é do orçamento, mas tem uma cara de recurso público mesmo sem ser.

Somos fiscalizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), temos conselho fiscal. O conselho que compõe o Sesc, Senac e todo o sistema S, tem representantes dos empregados, empregadores e Delegacia Regi­o­nal do Trabalho (DRT). Todo esse processo faz com que seja muito transparente o uso do recurso. Para se contratar uma obra é preciso passar por um processo de licitação semelhante a um órgão público. Não é bem uma caixa-preta. O que precisamos é dar mais uma destinação que vá mais ao encontro do empregador.

O sistema S não foi feito para servir ao empresário, apesar de ser recurso do empresário. Foi criado para anteder quem trabalha no comércio, para aprendizagem do comércio. Por isso se chama Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Ou para oferecer serviço social ao comércio, o que justifica o nome Serviço Social do Comércio (Sesc). O Senac em Goiás tem um modelo de escola, que é o Sesc Cidadania. É uma escola modelo procurada por muitos alunos. O Sesc Cidadania oferece bolsas gratuitas e mensalidades muito mais acessíveis do que os colégios particulares. Não é uma concorrência, mas sim oferecer um ensino de qualidade para quem não pode arcar com os cursos da rede privada de ensino e não quer estudar em uma escola pública.

O Sesc Faiçalville é um clube que atende milhares de comerciários aos finais de semana. Durante a semana são oferecidas atividades esportivas. Os hotéis, que nós chamamos de colônias de férias, em Pirenópolis e Cal­das Novas sempre estão lotados com comerciários do Brasil in­tei­ro. Por isso não vejo como uma caixa-preta o sistema S. Ve­jo como um sistema muito bem gerido, que tem uma ocupação muito boa no território nacional e que consegue fazer uma gestão muito profissional. O que nós podemos é melhorar ou destinar mais esforço e recurso para a qualificação e área social desse empregado.

Euler de França Belém – O sistema S investe muito em cultura. Com teatros, livros, CDs.
É do objetivo do sistema S investir em cultura. Está entre as nossas propostas como candidato a presidente da Fecomércio. Basta ver o teatro Sesi, que sempre tem eventos ocupando o espaço. Os teatros do Sesc em São Paulo e no Rio de Janeiro com programação repleta de peças e apresentações musicais. E é o que queremos investir em Goiás. Na área da cultura, o Sesc aqui ainda tem deixado a desejar. Queremos voltar o Sesc para a cultura e o lazer. Podemos investir na formação profissional de jovens.

Um detalhe que discuto muito com o grupo que me apo­ia na eleição da Fecomércio é a ne­cessidade de ir para a periferia com o Sesc e o Senac. As atividades estão muito concentradas na região central. Qual o problemas de estarmos no bairro Ma­dre Germana ou no Parque Tre­men­dão com o Sesc Cidadania? Ou em um setor em que as crian­ças precisam desse serviço. O pai e a mãe saem para trabalhar e não sabem o que o filho faz o dia inteiro. Podemos levar nos­so objetivo, que é o social. En­quanto o comerciário vai trabalhar, ao sair de um bairro distante do seu local de trabalho, tenha perto de casa um Sesc Cidadania para cuidar do filho dele. Esse é o objetivo do Sesc.

Augusto Diniz – O sr. tem como uma das propostas de campanha justamente a implementação de uma curadoria de eventos para ampliar as ações culturais da Fecomércio. Como isso funcionaria?
Penso que temos alguns ca­mi­nhos. Não adianta também in­ventar a roda. A cultura precisa ser levada a sério. Se temos leis de incentivo à cultura, vamos uti­lizá-las. Tem a municipal, a es­ta­dual e a do governo federal, que é a Lei Rouanet – a mais co­nhecida. Podemos, por exemplo, criar um banco de crédito dessas leis. Temos tantas empresas que pagam impostos e que não sa­bem como poderiam usar para in­centivar a cultura. Poderíamos le­var as empresas a um banco e fazer a troca de incentivos.

Falo isso por experiência pró­pria. Um amigo, que tem al­guns projetos na lei de incentivo mu­nicipal, recebeu ajuda da mi­nha e de outras empresas para rea­lizar eventos culturais. Nem fizemos questão de propaganda. Ficamos felizes em poder ajudar. E por que não a Federação do Comé­rcio através do Sesc fazer isso? Podemos também incentivar a cultura diretamente levantando a tendência cultural do Estado de Goiás e investir para que se torne uma representação nacional. Vou usar um exemplo simplório para que todos entendam. A dança da catira é de Goiás, mas quase não vemos mais. Por que o Sesc não pode incentivar a catira nas escolas e transformar isso em algo da nossa cultura em Goiás?

Na cultura, há “n” aspectos que podemos investir. É possível a cultura com o esporte, a cultura com o lazer e o ensino. Por que não uma escola de música, de teatro? Por que não investir além do tradicional? Tendo recurso e sendo o que o comerciário e a legislação permitem, temos de estar prontos para fazer algo novo. Para fazer a mesmice, eu não precisava virar presidente da Federação do Comércio. Eu poderia manter como está. Até porque o presidente Evaristo (José Evaristo dos Santos) faz muito bem. Mas eu quero entrar para fazer algo a mais, pegar o legado do Elias Bufaiçal e do Evaristo e somar a algo que possamos melhorar.

Cezar Santos – Além da área cultural, quais são as principais propostas que o sr. apresenta aos sindicatos ligados à Fecomércio?
É preciso dividir em dois momentos. O primeiro é a Federação do Comércio, que diz respeito aos sindicatos. A nossa proposta é ter primeiro a atuação para o sindicato. Tanto que nossa chapa se chama “Fecomércio começa com S de sindicato”. Porque é Sesc, Senac e sindicato. O S do sindicato ainda estão muito mal assistido.

As primeiras ações na Federação do Comércio estão focadas em voltar a atuação para a área sindical. Preciso dar apoio aos 29 sindicato, levantar a necessidade de cada um, ver a estrutura física, de recursos humanos, tecnologia que cada um tem e ajudá-los a voltar a crescer, arrecadar e ter uma vida econômica, financeira e de representatividade na categoria de cada uma dessas entidades. Esse é o ponto inicial do nosso projeto e penso que seja a primeira situação que eu tenha de enfrentar. Até porque Sesc e Senac estão muito bem. São duas entidades fortalecidas e muito bem administradas.

Depois disso, queremos fazer com que Sesc e Senac estejam mais disponíveis ao comerciário. Porque tanto Sesc quanto Senac estão ali para o comerciário. Quero descentralizar a administração e as unidades. Temos muitas unidades centrais. No caso de Goiânia, a periferia pode ser atendida com uma unidade que dê todo o respaldo. Podemos ter uma unidade do Sesc e Senac em conjunto com oferta do serviço social e de aprendizagem juntos. Que haja pela manhã aula para as crianças e a tarde a parte social e cultural, com aulas de esportes, canto, música, teatro e começar a criar cidadãos completos. Essa é parte do nosso foco de atuação. Em nada foge dos propósitos do Sesc e do Senac. A ideia é ampliar as atividades oferecidas.

Cezar Santos – A ideia é a de que a entidade vá atrás das pessoas que a usam e saia de uma atitude passiva.
Um comerciário que sai de um bairro periférico não tem condições de pagar o ônibus para o filho e trazer à escola que está no Centro, como Sesc Cidadania, deixar o filho no colégio e pegar outro ônibus para chegar ao trabalho. Não há condição para isso. Se a estrutura não estiver perto dele, não há condições de que aquela estrutura que o Sesc e o Senac oferecem seja usufruída por esse comerciário. Estamos pensando em oferecer mais condição para que o comerciário seja mais atingido na ponta. O que necessariamente não precisa ser a construção de unidades, o que gera custo e investimento. Podemos fazer isso por meio de convênios. Tem muitas escolas públicas do Estado e do município que podem ser utilizadas. Por que o Sesc e o Senac não podem entrar nessas grandes parcerias atingindo o comerciário? Há boas estruturas em Goiânia e no interior de Goiás.

Augusto Diniz – A ideia de trabalhar o fortalecimento dos sindicatos desde a criação do nome da chapa, “Fecomércio com S de sindicato”, tem ligação com a proposta de criar o Fundo de Amparo aos Sindicatos (FAS)? Como funcionaria esse fundo?
O Fundo de Amparo as Sin­dicatos virá dentro do processo de apoio. Estamos com alguns sindicatos que estão com dificuldade financeira. Não dá para ficar dando dinheiro para ninguém. O Fundo de Amparo vai ser criado para poder a regularização dos sindicatos no primeiro momento, a criação de serviços e o crescimento das entidades para que esse recurso seja devolvido ao Fundo, que dará condições de fomentar um círculo virtuoso.

Pensamos também em criar um centro para abrigar os sindicatos que não têm sede. Citei o caso do Secovi, que tem sede e vai bem, mas há sindicatos que não têm sede e pagam aluguel.

“Uma das primeiras medidas será levantar condições e ajuda para que os sindicatos se reergam”

Euler de França Belém – E são muitos?
O número pode chegar a 15 sindicatos sem sede própria. Que possamos criar um prédio de serviços para trazer todos os sindicatos funcionando no mesmo local com auditório, salas de reuniões, secretaria, copiadoras. Todo o serviço que um sindicato precisa seria colocado em um prédio só para otimizar espaço e garantir a todos os sindicatos uma representação grande, porque estará muito bem instalado e com condição de atender toda sua equipe e associados.

Queremos também nos voltar mais para o interior. No interior, onde existem nossas representações do Sesc e Senac, com sindicatos, como em Anápolis, Catalão, Rio Verde e Jataí, são cidades que precisam de todo nosso apoio. No processo de descentralização da gestão e de serviços, queremos levar a Federação do Comércio para esses municípios, que são as que já temos Sesc e Senac. Precisamos ter a Fecomércio com uma base instalada também.

Os nossos sindicatos, que são nossos associados, que estarão à frente da Federação do Comércio e nos representar nessas cidades. Eles falarão pela Fecomércio, serão parte de uma espécie de extensão do conselho do Sesc e Senac. Quero levar para o Sesc e Senac de cada uma dessas regiões os sindicatos. Jataí será uma regional, Rio Verde outra. Anápolis uma grande regional, até por ser a segunda cidade do Estado, uma das mais industrializadas e com comércio fortíssimo. Queremos dar todo o apoio e força que Anápolis merece.

Para Catalão também, que é um município muito potente e que tem um comércio muito forte. São as quatro cidades para as quais vamos levar a Federação do Comércio, chamar os presidentes dos sindicatos e dizer “aqui vocês nos representam e falarão por nós em nome da Fecomércio, Sesc e Senac”.

Augusto Diniz – O sr. apresenta uma proposta de otimização de custos e outra de encontros direto ao ponto, para que as reuniões da diretoria da Fecomércio sejam mais objetivas. Qual é a situação da Fecomércio? Falta objetividade no que se discute na entidade?
A organização da Federação estruturalmente é muito boa. Quando propomos reuniões focadas para a entidade é porque hoje as reuniões da Fecomércio começam às 10 horas, param ao meio-dia para o almoço, às 14 horas discute-se Senac e às 15 horas Sesc – às vezes a ordem final se inverte. Acontece que duas horas é um tempo muito curto quando sentam 29 categorias para discutir problemas. Muitas vezes não é possível aprofundar a discussão, os assuntos são tratados de forma muito superficial. Não dá mais para buscar soluções.

A minha proposta é que façamos reuniões exclusivas da Federação do Comércio para que fiquemos pelo menos uma tarde inteira por conta dos assuntos dos sindicatos com previsão de término às 18 horas, mas podendo acabar antes. Que possamos envolver mais as entidades sindicais, principalmente os empresários. Por exemplo, quanto tivermos de enfrentar o problema do Difal (Diferencial de Alíquota do ICMS), que atinge diretamente o comércio e alguns segmentos representativos, precisaremos de mais tempo para debater o tema.

Além dos presidentes de sindicatos, temos de dar autonomia para que tragam representantes de seus segmentos que estejam sendo atingidos a participar do debate, o que enriqueceria a discussão, fortaleceria a entidade e nos ajudaria na negociação com o governo. Daria mais força pegar um grande empresário que tem sofrido com uma medida que entra na luta juntamente com a Fecomércio na hora de debater com o poder público. Os empresários representados pelos sindicatos precisam estar presentes nas grandes discussões que são importantes para a atividade deles.

A Federação hoje tem pouco tempo para o debate. Duas horas a cada mês é muito pouco. Precisamos estar mais ativos e dividirmos em câmaras setoriais. A entidade tem um presidente e dez vice-presidentes. Cada um dos vice-presidentes passará a cuidar de uma área. O que for mais voltado para a área de serviços assumirá esse setor e suas discussões. O mesmo com aquele que tiver maior envolvimento com o comércio, turismo e assim sucessivamente.

Chamamos a entidade de Federação do Comércio, mas na verdade a nossa Confederação, até mesmo a Federação, é de Comércio, Bens, Serviços e Turismo. Somos uma federação que comercializa o bem, o serviço e o turismo. Temos de englobar tudo isso no nosso escopo de trabalho e representação.

Augusto Diniz – Como está a situação do empresário em Goiás?
A situação do empresário do comércio hoje não é boa. Temos uma realidade em que estar estabelecido com a porta para a rua é muito oneroso. Além de ter toda a despesa fixa de um comércio, como aluguel, água, luz e empregados, é preciso responder a uma legislação muito rígida em alguns casos. Bom­beiros, vigilância sanitária, fiscalização da prefeitura, do meio ambiente. O empresário responde a todo esse escopo de legislação enquanto Goiânia é o paraíso das feiras. Nada contra as feiras. Até porque o Sindicato dos Feirantes (Sindifeirante-GO) me apoia. Mas nós precisamos regulamentá-las. O próprio sindicato diz que não apoia a abertura de feira indiscriminadamente.

O empresário feirante que tem a banca dele sabe que quanto mais feira mais bagunçado fica e menos oportunidade de ganho ele terá. Goiânia é uma das cidades do País com mais feiras de todos os tipos. Conheço comerciante que tem uma porta estabelecida e tem três a quatro bancas nas feiras da capital. É muito mais fácil vender a modinha dele na Feira Hippie do que no comércio. Isso está acabando com o comércio em Goiás.

Estamos “favelizando” o comércio dessa forma. Precisa­mos de uma legislação que faça com que o empresário com porta para a rua tenha de cumprir o mesmo que o empresário com banca na feira precise cumprir para que todo mundo tenha a mesma oportunidade e a mesma chance.

O município não pode permitir a abertura indiscriminada de feiras, que precisam ter limite de permissões. Não pode ser permitida que uma feira vá sendo ocupada sem controle. Eu era menino de ir à Feira Hippie na Praça Cívica, onde estavam os hippies vendendo seus produtos. Ia tomar garapa, comer pastel e passear na feira. Hoje a Feira Hippie perdeu totalmente seu objetivo.

Cezar Santos – Os primeiros sinais de que a economia está em recuperação têm surgido. Como empresário do ramo imobiliário, o sr. consegue perceber esse movimento?
Sem dúvida nenhuma todos nós estamos vendo sinais de melhoria na economia. Só de começarmos a voltar a ter estabilidade financeira, inflação controlada de novo, juros ainda altos – 6,5% ainda é uma Selic alta –, mas racionais. Saímos de uma estratosfera de 14,5%, o que é inviável para qualquer empresário fazer qualquer empréstimo. Estamos vendo sinais da economia, mas tudo isso dependerá muito de se comportarão as eleições deste ano.

Tudo isso pode ser perdido de acordo com quem assumir o poder. Se assumir um populista, acaba tudo. Um populista fará o que foi feito no último governo (Dilma). Vai acabar com nossa economia para fazer populismo.

Precisamos de gente racional. Não sou eleitor de Michel Temer (MDB), mas temos de reconhecer que as medidas duras e necessárias foram tomadas em um curto espaço de tempo. Sei que não foi sozinho – com Ilan Goldfajn no Banco Central e Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda –, mas se não tivesse permitido que a equipe econômica fizesse o que fez, o Brasil estaria acabado.

A economia está melhorando. Os empresários estão sentindo essa mudança. O mercado da construção civil começa a falar em lançamentos de novo. A construção civil e o mercado imobiliário são os primeiros que retraem e os últimos que recuperam. Quando começa a faltar dinheiro, a primeira medida a ser adotada é se livrar das prestações mesmo perdendo dinheiro na rescisão, seja do lote ou do apartamento que a pessoa comprou. E só volta a investir quando começa a sobrar dinheiro.

Estamos vendo a reação de compra, de aquisição, com mais vendas no mercado imobiliário tanto de loteamentos quanto de imóveis usados e prontos. É um sinal bom da economia. Agora depende de nós brasileiros termos responsabilidade para eleger bons governantes para o Brasil e para nossos estados.

“Trabalharei para que os 29 sindicatos se reorganizem e se preparem para ter receita própria”

Euler de França Belém – As medidas anunciadas pelo governo federal na semana passada, que incluem o aumento do empréstimo para financiamento de casa própria, tendem a gerar bom impacto na economia? Qual das medidas o sr. considera a mais importante?
O conjunto das medidas é importante. Quando se amplia o valor de financiamento e abaixa a taxa de juros, isso coloca mais gente no mercado consumidor de imóveis. A Caixa Econômica Federal é líder no mercado de financiamento. Não como já foi no passado, quando detinha quase 100% do mercado. Mas a Caixa ainda deve ter aproximadamente 70% do mercado de financiamento imobiliário.

Quando a Caixa, que é líder no mercado, abaixa a taxa e amplia o valor financiável para 70% usado e 80% novo, permite que mais pessoas adquiram imóvel. Quem tinha uma poupança que não dava 50% para comprar usado, só tinha 20% ou 30% do valor, já pode comprar de imediato. É uma medida muito importante que aquece a economia, fomenta novos negócios. Só tem negócio se girar a roda. Se todos nós aqui pegarmos o dinheiro e guardarmos, acaba a economia.

Euler de França Belém – A construção civil é uma cadeia de negócios que movimenta toda a economia.
Augusto Diniz – A construção civil é de fato o grande termômetro da economia?
Sem dúvida nenhuma. Há alguns termômetros que medem o momento da economia. A construção civil e o mercado imo­biliário são termômetros mui­to racionais e têm a vantagem de consumir insumos muito bá­sicos, com 50% a 60% deles produzidos no Estado – tijolo, areia, brita e cimento –, além da oferta de emprego para a mão de obra mais desqualificada que existe: o servente.

O pedreiro e o assentador de azulejo precisam ser qualificados, mas são empregados fáceis de ser treinados. Diferente de uma indústria. Se uma indústria resolver incrementar a produção dele de uma hora para outra terá dificuldade para encontrar a mão de obra. A construção civil já consegue preencher as vagas abertas com rapidez. Por isso aquece toda a cadeia produtiva gerando muita riqueza para o Estado.

Cezar Santos – Em Goiás já se percebe melhoria no mercado imobiliário? Fala-se em termos gerais de um crescimento de 10% em 2018. É um número realista?
É realista. Estamos sentindo um crescimento da ordem de 10%. Mas se avaliarmos a perda dos últimos dois anos, poderia afirmar que esse crescimento é muito maior. Nos últimos dois anos, perdemos de 20% a 30% do mercado. Se deixamos de cair e voltamos a crescer, o crescimento é muito maior. Mas em números absolutos, ficar em 10% já é um grande avanço.

Augusto Diniz – O cenário de queda nos últimos anos não se deu só no mercado imobiliário. O comércio forte da Avenida Bernardo Sayão se tornou um grande cemitério de placas de aluga-se e vende-se. Há alguma solução para a Bernardo Sayão?
O movimento do comércio é muito efeito de manada. Temos algumas situações muito fortes em Goiânia. A Avenida 24 de Outubro tem um comércio forte desde que Goiânia foi criada porque já era de Campinas quando cidade. Se analisarmos os últimos 20 anos, veremos que o comércio andou muito. República do Líbano era um dos lugares mais nobres de Goiânia, hoje não é tanto. T-63 tinha o metro quadrado mais caro. Passou o corredor de ônibus e caiu. E a Bernardo Sayão tinha luva de loja de R$ 70 mil a R$ 80 mil. Hoje o proprietário dá um ano de aluguel e não encontra interessado.

O que houve foi um movimento do comércio. E para onde ele migrou? Foi para a Rua 44. Volto a insistir. O que me preocupa com o comércio é a “favelização” que estão criando na atividade. Estão permitindo que o comerciante estabelecido seja obrigado a se informalizar. Inicialmente ele informaliza colocando bancas nas feiras para continuar com o comércio, mas depois acaba fechando o comércio e ficando só nas bancas. Porque o produto dele, no comércio estabelecido, não consegue concorrer com o preço em um camelódromo ou uma feira.
Temos de ter regras justas e equilibradas. Não temos de penalizar o comerciante que está na feira, que é um comerciante valoroso e merece todo nosso respeito, mas que precisa seguir as mesmas regras do comerciante que está estabelecido com a porta.

Euler de França Belém – Dizem que 90% dos produtos chineses que chegam para os vendedores informais entram no Brasil por meio da pirataria. É verdade?
Se eu comentar, falarei por ouvir dizer. Não tenho certeza. Se isso acontece, é um caso de polícia.

Euler de França Belém – Fala-se muito que é preciso policiar as fronteiras pela entrada de armas e drogas. Mas e a pirataria, que praticamente destruiu o mercado de brinquedos, roupas e sapatos no Brasil?
E está destruindo em Goiás. O Estado foi uma referência em confecção. Hoje a referência em confecção Goiás já perdeu muito. Ainda é, mas está perdendo o espaço. Se for verdade que 90% entra pela pirataria, pela clandestinidade, é um caso de polícia. Por isso volto a insistir, precisamos de leis mais rígidas. Um pseudoempresário – vou chamá-lo assim porque um empresário que trabalha dessa forma não pode ser chamado de empresário – ou alguém que abre um local para ele vender, seja uma banca ou uma loja em um camelódromo, e traz todos produtos importados sonegando impostos e dando prejuízo para um monte de gente e não há uma ação eficaz do governo? A culpa é do governo.

A culpa não é do cidadão, que quer defender o meio de ganhar dinheiro dele e encontrou aquela forma. Precisamos criar regras e fiscalizar também naquele local. Se o dono do comércio fizer isso na porta da loja, ele tomará uma multa tão grande que não terá outra solução a não sei abaixar as portas.

Augusto Diniz – O que o poder público tem feito para tentar minimizar o impacto da crise?
O poder público ajuda muito quando não atrapalha. É preciso que o poder público seja um indutor de negócios, da economia e de riqueza. Ele não precisa atuar. O empresário não quer subsídio. O empresário não quer facilidade. O empresário não quer tratamento diferenciado. O empresário quer que o governo não crie obstáculos. Fui abrir uma indústria de cosméticos. Entre contrato social e ficar apto a produzir, fiquei dois anos na burocracia nos órgãos públicos. Qualquer empresário desistiria. Qualquer empresário de país de primeiro mundo, como o Canadá, onde você estabelece uma empresa em uma semana e uma indústria em um prazo de 60 a 90 dias, desiste de investir aqui pelas dificuldades que enfrenta.

Sempre que tenho oportunidade de conversar com prefeitos e governador, digo que é preciso criar facilidades para que o empresário possa trabalhar, ajudar o empresário a se estabelecer. Fazer com que órgãos governamentais tenham ambiente que facilite a vida do empresário para que ele possa cumprir as regras exigidas. A economia só tem uma saída: incentivar a geração de emprego e renda. O Estado não produz nada, só consome o que produzimos como empresário. E só tem uma forma de o Estado dar a volta e arrecadar mais, que é fazer com que mais riqueza seja gerada.

Só tem um cidadão nesse País que gera riqueza, que é o empresário, maluco, que pega o patrimônio e põe todo em risco. Pega o dinheiro que tem e coloca para rodar e ver se consegue ter lucro.

Marcelo Baiocchi é entrevistado pelos jornalistas Cezar Santos, Euler de França Belém, Augusto Diniz e Marcelo Mariano: “A situação do empresário do comércio hoje não é boa, ficar aberto é muito oneroso”

Euler de França Belém – Qual é a empresa que o sr. abriu?
Tenho uma indústria cosmética com alguns sócios, a Francefarma Indústria de Cosméticos, que está em Aparecida de Goiânia. Produzi­mos equipamentos de proteção individual (EPIs) como luvas químicas, protetor solar, creme hidratante, xampu infantil e produtos vendidos em redes de farmácias e supermercados. Hoje nós vendemos no Brasil inteiro.

Cezar Santos – Na busca de criar um cenário mais vantajoso para a recuperação da economia, a reforma trabalhista foi positiva?
Muito positiva. A resposta à reforma trabalhista que dá são os dados. Caiu em 25% o número de ações trabalhistas em Goiás. Há algo mais positivo do que diminuir litígio?

Augusto Diniz – Diz-se que a reforma trabalhista trouxe grande avanço na parte processual, mas que houve também uma precarização dos contratos de trabalho. Como o sr. vê essa situação?
Quem diz isso são os sindicatos laborais pelegos. Sindicatos que representam empregados que estão vendo sua força, renda e receita sendo perdida. Igual eu defendo que os sindicatos da Fecomércio passem a prestar serviço para arrecadar, as entidades de empregados também tem de prestar serviço e arrecadar. Não houve enfraquecimento das relações de trabalho. De jeito  nenhum. Empresário nenhum quer explorar empregado. Todo empresário está muito preocupado em ter uma boa e forte mão de obra junto com ele.

Tanto que quem está chiando com a nova legislação pega em um só ponto. Se você pegar o imposto sindical e autorizar o recolhimento novamente, certamente acabará a reclamação contra a reforma trabalhista. Na verdade, a preocupação não é com a precarização, que não houve, mas com a representação e a receita que ele perdeu.

Cezar Santos – A classe empresarial deve estar na espera da reforma tributária.
Sim. Mas não acredito que aconteça neste governo. Não há tempo. Precisamos de reformas mais profundas. Se não tivermos uma reforma partidária que diminua o número absurdo que temos de 35 partidos. Precisa­mos da reforma da Previdência, que está matando este País. Vemos uma minoria consumir a maioria dos recursos da Previ­dência. Colocam a culpa nos aposentados, mas os aposentados não têm culpa disso. Os grandes marajás da Previdência, que se aposentam com grandes salários, acabam com os recursos. Temer não teve tempo – vontade ele até tinha – de fazer reformas mais profundas. Sem isso, o País não se viabiliza.

Augusto Diniz – Como o sr. tem visto o momento político que estamos vivendo? Pensando nas eleições, como o sr. avalia a situação de Goiás?
Diria que Goiás está sendo neste momento um Estado privilegiado. Estamos entrando em um momento de campanha política com três grandes nomes. Temos o senador Ronaldo Caiado (DEM), o deputado federal Daniel Vilela (MDB) e o governador José Eliton (PSDB). São três grandes políticos com três plataformas diferentes.

Temos este ano o privilégio de poder escolher o melhor. E o melhor nós vamos conhecer na hora que a campanha começar com as propostas, na televisão, no corpo a corpo dos candidatos. As pesquisas mostram que Caiado leva hoje uma vantagem. Sabemos também que na política nada é certo até que as urnas sejam abertas e se contem os votos. Qualquer fato pode mudar um pouco o quadro. Não sabemos se esses três candidatos continuarão na disputa, se um pode apoiar o outro ou se pode haver uma composição diferente.

Augusto Diniz – Os sindicatos ligados à Fecomércio têm um entendimento sobre qual dos três pré-candidatos deverão apoiar ou qual teria o melhor projeto para o setor empresarial em Goiás?
A posição da Federação do Comércio em relação a candidatura política, como nós temos nos nossos quadros como presidentes de sindicatos filiados ao DEM, PSDB e PT, é de dar liberdade a apoiar o candidato do partido dele ou por quem tem mais simpatia. A Fecomércio não se posiciona politicamente, mas abre a casa para receber todos os candidatos que quiserem visitar a Federação e levar sua proposta.

Sem dúvida nenhuma, o candidato que adotar as propostas que a Federação do Comércio preparar, juntamente com o Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia), e disser “estou com o comércio” terá a nossa simpatia.

Cezar Santos – Em São Paulo, tem sido feito um debate no mercado imobiliário sobre o direito do protocolo. Em Goiás, o assunto é tratado e chega a ser um problema?
O direito do protocolo normalmente se discute quando há mudança de legislação. Tenho uma lei vigente, protocolo meu pedido na vigência de uma regra, na semana seguinte muda-se a legislação. Diz a doutrina jurídica que a lei não pode retroagir para prejudicar. Se protocolei algo que me interessa em um órgão governamental e 24 horas depois a lei é alterada, a legislação que vale é aquela que estava em vigor quando do protocolo. Esse é o meu entendimento.

Mas se a nova legislação aprimorar aquela regra, é opção da pessoa retirar o protocolo anterior e entrar com um novo protocolo. Acredito que isso não deve se discutir. Em Goiânia houve um problema sério que virou a CEI das Pastinhas na Câmara. Na mudança do Plano Direitor, há dez anos, várias construtoras tinham área com gabarito que iriam perder, correram para fazer o projeto e protocolar na legislação antiga e aprovaram com base na lei anterior. É um direito que pode ser exercido. O meu entendimento é esse.

Euler de França Belém – As cortes de conciliação são usadas no mundo inteiro, o que diminui o número de processos. Mas em Goiás têm sido muito questionadas. Por que desses questionamentos?
Da corte de conciliação do Secovi eu posso falar com tranquilidade porque fui eu que implantei. A corte de conciliação e arbitragem é um instrumento maravilhoso que se o Judiciário fomentasse mais – porque a Justiça não pode participar diretamente – ajudaria a desafogar as Varas e Tribunais. A corte de conciliação, especialmente a do Secovi, traz para ela as discussões de pequena monta com um mês de taxa de condomínio, dois meses. Estamos falando de ações de R$ 1 mil. Dois ou três meses de atraso na taxa de prestação de um loteamento.

Temos hoje mais de 600 protocolos por mês, mais de 800 audiências por mês na segunda corte. Esse é o movimento de uma Vara não especializada da Justiça comum por ano. O que produzimos por mês uma Vara produz por ano. O trabalho anual produz por 12 Varas não especializadas na Justiça comum. E com celeridade. Em 90 dias está tudo resolvido. Com índices de 70% de conciliação. O próprio Judiciário já reconhece.

O índice de nulidade de sentença é baixíssimo, quando uma das partes não fica satisfeita com a decisão e recorre. A corte de conciliação do Secovi deve ter em torno de 15 mil sentenças em 16 anos e não há 30 decisões anuladas.

Euler de França Belém – Há um advogado que questiona a validade jurídica dessas sentenças.
Eu quero primeiro que esse advogado me mostre uma ação que ele ganhou. Eu desconheço. Tem um advogado que está encabeçando um movimento, até porque ele era devedor de condomínios e foi cobrado dele na corte e ele desprezou a corte como está desprezando em palavras. Foi feito o edital, publicado conforme a lei determina, foi determinada a sentença arbitral e ele está sendo executado, vai ter de pagar ou já pagou. Esse advogado viu uma Justiça que funciona, séria, ética e moral. Está apavorado e quer acabar com as cortes.

Denunciou ao Ministério Público. Só o Ministério Público já ajuizou duas ações contra as cortes e perdeu. Se ajuizar mais uma será a terceira a ser arquivada. Eles alegam que a corte dentro do Secovi e trata o assunto das imobiliárias. A corte estar dentro do Secovi mostra que o Secovi é a entidade mantenedora. Não interfere em nada. Os árbitros são exclusivos, advogados, metade indicados pela OAB e metade pelo Secovi.

Tem a corte de associação médica. Assuntos da medicina. Eu convido o Euler para ser árbitro na área médica. Você tem capacidade?

Euler de França Belém – Não.
Nem eu. Mas eu preciso que os árbitros da área condominial e imobiliária sejam árbitros que entendam das duas áreas. É quando alegam que são só advogados que atuam nessa área. Tem de atuar. Não posso pegar um advogado que trata de direito tributário para discutir direito imobiliário. Os argumentos são de quem está com dor, perdeu um dia e achou que nunca fosse perder.

Euler de França Belém – Não se trata de algo legal, mas ilegítimo?
Não. Vou dar um exemplo simplório. Mudou a legislação e agora é preciso pagar para embarcar. Até determinado dia você podia embarcar sem pagar. A legislação foi alterada e foi estabelecido o dia em que a nova regra entraria em vigor. Se você chegasse um dia antes da lei passar a valer e falassem “hoje você vai pagar” seria algo legítimo?

Euler de França Belém – Co­mo o sr. avalia a gestão de Igor Montenegro à frente do Sebrae e de Clidenor Go­mes Filho no conselho de ad­ministração do Sicoob UniCentro Brasileira?
Clidenor é um grande ad­mi­nistrador, fez do Sicoob UniCentro Brasileira uma das grandes cooperativas de crédito do Estado de Goiás. Ele tem ajudado a transformar o cooperativismo de crédito em uma grande instituição financeira que sem dúvida nenhuma vai crescer cada vez mais por competência da equipe que faz a gestão. Porque o Clidenor é o nome que aparece porque é o presidente, mas tem toda uma estrutura de técnicos trabalhando. Por competência do SicoobUni, e também da Sicoob Goiás Cen­tral, do sistema Sicoob e Sicredi, o sistema de cooperativismo de crédito vai crescer cada vez mais em Goiás. E as pessoas têm buscado pelo bom atendimento, por tarifas muito mais baixas, por bons produtos e taxas competitivas com bancos.

Euler de França Belém – As pessoas falam que o atendimento é muito bom.
Muito superior. Você tem o tratamento do banco de 30 anos atrás. Você conhece o gerente, discute com ele, que te atende. Tem cafezinho. Temos uma cooperativa de crédito no nosso segmento também, a Secovicred. Na Secovicred, nós temos cafezinho, água, banheiro, convênio com estacionamento. Atende­mos o cliente como ele não con­segue ser mais atendido em banco. Enquanto o banco ho­je tem 40 a 50 ATMs – “automatic teller machine” –, que são os caixas automáticos e meia dúzia de funcionário, nós temos meia dúzia de ATM e 40 funcionários para atender.

Euler de França Belém – Banco só atende bem investidores.
Grandes investidores. Não adianta você chegar com R$ 100 mil lá não, R$ 1 milhão, que você não é grande. São de fato grandes investidores que recebem bom atendimento e o banco faz o que essa pessoa quiser. Com esses nós não com­petimos. Mas o médio e pequeno empresário, o profissional liberal, esse é imbatível.

Euler de França Belém – E como está o trabalho do Igor Montenegro no Sebrae?
Igor é um grande gestor, testado. Tem uma equipe com­petente, que é da minha época quando presidente, que são o Wanderson Portugal (diretor técnico) e a Luciana Albernaz (diretora de administração e finanças). O Sebrae faz um trabalho muito importante dentro do cenário empresarial em Goiás, porque atua em todos os segmentos. O Sebrae está no comércio, na agricultura, nos serviços, no turismo, na indústria, e oferece produtos que só o Sebrae tem e subsidiados.

O Sebrae hoje tem um cor­po técnico de mais de 230 fun­cionários e uma gama de con­sultores que consegue aten­der os pequenos negócios, que são os microempreendedores individuais (MEIs), as pesquenas empresas. E atende também as médias empresas. O trabalho do Igor, da Lucia­na e do Wanderson é um trabalho excepcional. Eles fazem realmente o que o Sebrae se propõe a fazer: entregam um serviço na altura que o empresário precisa.

Augusto Diniz – Qual a importância que o sr. dá para a proposta de se firmar um novo convênio com o Sebrae?
Vamos buscar no Sebrae o apoio aos empresários dos pequenos negócios. Percebe­mos que muitas vezes eles não conseguem chegar até a porta de entrada do Sebrae. Apesar de muito democrático, os em­pre­sários não estão dando con­ta de buscar os cursos, trei­namentos e assessorias que o Sebrae oferece.

Queremos conveniar com o Sebrae por meio da Federa­ção para os sindicatos. E os sindicatos chamarem os em­pre­sários da sua categoria e co­meçar a oferecer pacotes de consultoria financeira, na área de recursos humanos, um curso na área de atuação daquele empresário. Temos o Sebrae como uma grande alavanca de ajuda para o empresário que está na ponta.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – Por que o Órion deu certo e o Nexus está com problemas nas vendas?
O Órion é um empreendimento que marca Goiânia. É um empreendimento de grandes empresário que está trazendo Goiás o Einstein (Hospital Albert Einstein). Não o hospital, mas o Einstein como instituição para fazer a gestão clínica do hospital que vai ter no prédio e toda a parte médica. O Órion é uma obra linda. Quem ainda não conhece, vale a pena observar de longe. Foi lançado em um momento muito ativo do mercado imobiliário. Pegaram o aquecimento do mercado e surfaram toda a onda da alta. A obra começou a ser entregue no início da crise, o que foi uma grande vantagem frente ao Nexus.

No seu lançamento, o Nexus pegou um momento ainda bom do mercado. Chegou a ter um bom momento de vendas. Só que enfrentou questionamentos de ordem jurídica, que parecem estar todas vencidas. Como é uma obra muito grande, o movimento de vendar tende a começar quando a construção sair do chão. É algo natural em qualquer empreendimento. Nós dizemos que enquanto a obra está enterrada, que é a parte de subsolo, tem pouco apelo comercial. Quando ela começa a aparecer, as vendas aumentam. O paralelo é esse, entre um que pegou um momento muito bom e outro que enfrentou um período não tão bom.

Augusto Diniz – O momento dificulta a obra do Nexus a seguir seu cronograma?
Não tenho essa informação precisa. Mas os empresários que estão à frente da incorporação têm capacidade financeira de tocar a obra. Acredito que não terão problemas de execução. A obra vai cumprir seu cronograma, até porque tem cumprido. É uma obra muito grande e bonita, que vai ser um marco para Goiânia quando estiver pronta. É uma obra de eixo Rio-São Paulo sendo feita em Goiânia.

Euler de França Belém – A TCI, apesar da recuperação judicial, continua funcionando?
Todas as construtoras e incorporadoras que entraram em recuperação judicial, aproximadamente 90% continuam atuando. O caso da TCI não era financeiro, era econômico. Havia um estoque de R$ 300 milhões e uma dívida de R$ 100 milhões. Só que não conseguia pagar o estoque para pagar a dívida. Essa é a razão para entrar em recuperação judicial, para poder voltar ao equilíbrio, senão ficaria insolvente.

Cezar Santos – A TCI tinha mercadoria, mas não tinha comprador.
Não tinha comprador. Foi o auge da crise com muito prédio pronto, pagando taxa de condomínio e IPTU, dívidas para vencer e não conseguia pagar. Quem tem crédito não recebia apartamento. A única saída era entrar em recuperação judicial, esperar o mercado melhorar e voltar às vendas. As informações que tenho são de que a TCI tem conseguido romper a recuperação e em breve estará recuperada.

Euler de França Belém – Antigamente as imobiliárias precisavam muito dos jornais. A presença hoje é muito forte na internet com páginas muito boas, com fotos e vídeos. Realmente mudou muito?
Das empresas, 95% da nossa publicidade está nas mídias eletrônicas. Jornal não vende mais imóvel. É muito fraco. Às vezes serve para um aluguel ou venda de imóvel. Na minha empesa, 80% dos clientes chegam pela internet. Chega pelos meios eletrônicos, pelas páginas que colocamos produto ou da própria imobiliária. Hoje fazemos toda nossa mídia voltada para esse tipo de publicidade, que tem vencido até a mídia tradicional, que é a televisão.

Cezar Santos – O impacto da tecnologia trouxe outras modalidades de negociação de imóveis e de aluguel, como o QuintoAndar. Isso é uma tendência? Vai chegar a Goiânia?
Já chegou. Está marcada uma reunião com o grupo das imobiliárias para tratar da chegada da QuintoAndar a Goiânia. Eu até brinco que é a uberização dos serviços. A Uber não veio para acabar com o táxi, mas veio para quem quer um carro para fazer um trajeto com um motorista. O QuintoAndar é a mesma coisa. Coloca quem tem um imóvel para alugar em contato com quem quer alugar. Isso acaba por tirar os intermediários, que são as imobiliárias. Mas onde as imobiliárias têm de atuar? No QuintoAndar fazendo o contato.

Temos de criar o nosso QuintoAndar. Teremos de oferecer serviços diferenciados. Temos de mostrar aos nossos clientes que quando é feito o aluguel pelo QuintoAndar, não há qualquer garantia, não tem assessoria na locação ou na vistoria, nem mesmo no cadastro do cliente. A pessoa está sujeita a um malandro alugar o imóvel. Para tirar esse malandro vão dois a três anos. O que nós teremos de vender são os diferenciais de serviço. Teremos de vender a segurança do serviço. Vale a pena pagar para uma imobiliária fazer. Eu não tenho medo desses aplicativos que colocam pessoa com pessoa – “peer-to-peer” –, o que nós precisamos ser é melhor do que eles.

Augusto Diniz – O comércio online já é uma realidade para as empresas goianas ou ainda é algo tímido?
É algo crescente. Não é tímido. Faz parte da nossa realidade. Hoje é difícil um cliente que parte para uma aquisição seja de serviços, bens ou turismo que não consultou antes na internet o que ele quer comprar. Comprei um apartamento e estou preparando o imóvel para mudar. Todos meus eletrodomésticos antes de comprar eu entrei na internet e perguntei “qual a melhor máquina de lavar louça do mercado” e vi em sites de comparação qual era o melhor produto. Pegava o modelo, jogava no Google, olhava as ofertas e comprava.

Cheguei em casa domingo depois da igreja e fui jantar com meus filhos. Peguei o iPad e comprei uma lava roupas e uma secadora de roupas pela internet. Eu já tinha pesquisado de manhã e a noite só comprei. A internet vai entrar cada vez mais nas nossas vidas. Vai fazer cada vez mais parte de nós. Com uma smartTV a pessoa entra na Netflix e assiste o filme que quiser. Pelo serviço da TV por assinatura é possível ver online o programa que você quiser a qualquer hora. A internet é uma ferramenta de vida.

A internet está mudando o usuário, está mudando o nosso cliente, mas também está mudando o comércio, o serviço, o turismo. Quem não se adaptar a esse novo público vai ficar sem público.

Euler de França Belém – O jornalista Marcelo Nogueira, assessor de imprensa do candidato a presidente da Fecomércio, José Carlos Palma, mandou um material do seu adversário nas eleições. Há um trecho no qual José Carlos diz: “A Federação é uma ferramenta de suma importância na defesa do empresário. No entanto, a entidade está enfraquecida por interesses diversos, e até conflitantes acumulados durante anos. E esses motivos de enfraquecimento devem ser reavaliados”. E acrescenta: “Os empresários precisam de uma federação forte e livre de compromissos que não têm a ver representados”. O que é isso exatamente? Ele está dizendo que a gestão de Evaristo enfraqueceu a Fecomércio?
José Carlos não é meu adversário, é meu amigo. Infelizmente ele está do outro lado. Pedi para ele estar do meu lado, mas não quis. É a opção do José Carlos. Ele e todos os 29 presidentes de sindicato têm esse direito. Também fiquei sem entender, porque o José Carlos é ex-presidente do Sindilojas (Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás). O Evaristo era presidente do Sindilojas. Evaristo foi vice-presidente dele no Sindilojas. O Sindilojas que indica o Evaristo para ser presidente da Fecomércio.

José Carlos é sócio do Evaristo nos quiosques. Porque a empresa do José Carlos é dois quiosques, um no Goiânia Shopping e outro no Flamboyant, que trocam pilhas, pulseiras de relógios. Pequenos souvenires. De repente ele vem com uma declaração dessa. Não entendi o que o José Carlos está querendo dizer. Até porque não tenho essa visão da Federação do Comércio. Muito pelo contrário. Vejo uma Fecomércio forte, representativa. Não há defesa de interesses pessoais. Evaristo é uma pessoa simples, humilde, que está sempre pronto a somar com os empresários.

Penso que isso seja mais desespero de candidato. Do meu amigo José Carlos foi um desespero dele. Porque ele sabe que do meu lado estão 17 sindicatos. Do lado dele só tem 12 em um universo de 29. Ele está querendo virar de oposição, o que eu não estou entendendo. A pessoa está há 20 anos ao lado do Evaristo como vice e na diretoria da Fecomércio. Agora vira oposição para falar mal da Federação?

Augusto Diniz – O sr. também tem ligação com a gestão Evaristo porque o sr. é 1º vice-presidente da Federação.
Um vice-presidente duro, que já tive grandes embates com o Evaristo. Nas nossas reuniões já discutimos. Mas nunca perdi o respeito com a Federação do Comércio e jamais com o presidente Evaristo nos momentos mais difíceis que tivemos nesse embate eleitoral ou nas discussões classistas. Sempre respeitei o presidente Evaristo e sempre o presidente me respeitou. Nem por isso vou falar mal da Federação, da minha Federação. Porque se eu acho que ela está dessa forma eu deveria nem querer ser candidato.

Euler de França Belém – Desse mesmo material, tem outro trecho que é um recado de José Carlos Palma para o sr.: “Não é possível admitir que uma instituição tão representativa seja conduzida na próxima gestão por pessoas ligadas a outros ramos de atividade. Se queremos fortalecer a Fecomércio, é necessário que a presidência seja ocupada por um nome do setor”. Ele afirma isso por que o sr. é ligado ao ramo imobiliário?
Infelizmente, não sei se o problema é porque são daltônicos ou não conhecem dicionário, mas quando afirmam isso é porque eu sou do setor imobiliário. Há de se salientar que um dos maiores presidentes que a Federação do Comércio já teve, o presidente Elias Bufaiçal, exclusivo do setor imobiliário. Competência não vem por segmento, vem pela pessoa, pela capacidade que ela tem de empreender. Do mesmo jeito que eu empreendo nos meus negócios, posso empreender e fazer uma grande federação.

O que eles me acusam e que ouvi também é o fato de como eu tenho oito CNPJs e vou ser presidente da Fecomércio. O problema é eu ser empresário. Acho que ele queria que eu fosse concorrente dele com outro quiosque no Goiânia Shopping e outro no Flamboyant. Infelizmente eu não sou. Eu sou empresário do ramo imobiliário. Realmente tenho vários CNPJs, tenho empreendimentos imobiliários nesse Estado inteiro. Tenho uma empresa imobiliária, uma indústria de cosméticos que meu sócio toca. E tenho atuação muito ativa na área empresarial.

Isso não me desclassifica por ser da área de serviços, que é um dos itens que a Federação representa. A Fecomércio representa comércio de bens, serviços e turismo. Dos três itens, o serviço é a maior representação no sindicato, com metade dos sindicatos da área de serviços. A área que represento é muito bem vista em Goiânia e em Goiás. É uma das mais fortes junto com o comércio. Querer me desqualificar por esse motivo é porque não estão sabendo por onde me bater. Até porque não tem onde.

Euler de França Belém – O que tem sido dito também é que dois a três sindicatos estariam com documentação irregular. O que isso significa?
Estão querendo achar motivo para, dos 17 votos, tirar três meus. Eu cairia para 14. Mesmo assim continuam com 12 e eu ganharia a eleição. Se tentarem tirar quatro votos, eu ficaria com 13 e venceria a eleição. Mas isso é desespero. No direito isso se chama “jus sperniandi”. É o direito que eles têm de espernear.

Fiz uma análise jurídica junto à dra. Nádia Tavares Cardoso Morais, assessora jurídica da Federação. Perguntei se os mesmos 29 sindicatos votaram na última eleição. A resposta foi “votaram”. Depois questionei se os mesmos 29 sindicatos votaram na última eleição com a mesma situação na qual estão hoje. A dra. Nádia respondeu que votaram com a mesma situação. São dois pesos e duas medidas? Na eleição anterior não tinha disputa e ninguém questionou. Agora que há disputa vamos questionar? Isso não existe.

Qualquer juiz de bom senso vai entender que o direito adquirido de votar na última eleição permanecendo o status quo daquele sindicato tem de votar agora. Não tem irregularidade.

Euler de França Belém – Mas o que é exatamente a irregularidade alegada?
Temos um sindicato ligado à área de serviços que é sindicalizado à Federação e associado a uma federação nacional. É livre direito associar-se. Agora sindicalizar só pode a uma entidade. Ele poderia ser sindicalizado à Federação do Comércio do Estado de Goiás ou à federação nacional dele. Ele optou pela Fecomércio. Assim como outros sindicatos têm federações nacionais e optam por estar na do comércio.

O outro problema que eles levantam é o de que tem sindicato que não está inscrito na CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Mas esse não um problema do sindicato. Compete à Fecomércio pegar essa entidade que ela aceitou a sindicalização e inscrevê-lo na CNC. A estrutura confederativa é muito clara. Sindicato, federações e confederação.

Sindicato não pula federação e fala com confederação. Sindicato fala com federação, que fala com a confederação. Se a Federação não tomou o cuidado de levar esses dois sindicatos a serem sindicalizados na Confederação, isso não os impede de votar na Federação. No Estado, eles estão aptos a votar e serem votados na Fecomércio. Qualquer ação deles será repudiada com nossos advogados e qualquer juiz vai dar liminar para votar ou manterá o voto deles. Eles têm todo o direito de espernear. Eu preferiria que ganhássemos no voto.

No dia em que eu conversei com a dra. Nádia, a pergunta que ela me fez era sobre um sindicato que está do lado do José Carlos. Respondi que defendia o voto de todos os sindicatos. Se os 29 votaram na última eleição, também devem votar nessa. Que vença quem tiver mais votos. É assim que tem de ser. Fora disso não é democracia. Fora disso não é legal, não é moral, é querer ganhar no tapetão. E tapetão nós estamos cansados de ver o resultado. Não dá em nada.

Augusto Diniz – O que o sr. tem apresentado aos 29 sindicatos que o gabaritam a ser presidente da Fecomércio?
O que eu tenho para apresentar é o meu currículo. O resto será trabalho depois de eleito. Eu já citei o Secovi, quando saímos de duas salas de 60 metros quadrados no Palácio do Comércio para 4,6 mil metros quadrados, de dois funcionários – uma secretária e uma telefonista – para mais de 60, de R$ 50 mil de orçamento para R$ 8 milhões em 20 anos. E eu sou o único, fora o Evaristo, que já administrou uma entidade do sistema S. Eu fui por quatro anos presidente do conselho do Sebrae. Ninguém mais na Fecomércio foi. Tenho gabarito e experiência de sindicalista que sou, que prestei serviços e entreguei.

Ninguém no mesmo ponto nesses 20 anos fez em um dos 29 sindicatos nem metade do que o Secovi é. Temos grandes sindicatos arrecadadores. Mas o próprio Sindilojas, que é o sindicato do José Carlos, tem uma base de associados há muitos anos de 30 mil e não presta nem 10% do serviço que o Secovi presta com 5 mil associados. Não arrecada nem metade do que o Secovi arrecada. Eu tenho história, preparei, me capacitei. Tenho o que mostrar como sindicalista e quero continuar dentro da Federação do Comércio. É isso que eu transmito para quem está comigo. E tenho conseguido manter esse grupo unido há muitos anos. Há anos estamos discutindo o processo eleitoral da Federação.

Euler de França Belém – O sr. ainda acredita que o José Carlos pode desistir da candidatura e apoiá-lo?
Eu esperava que ele viesse compor conosco, porque na última eleição eu me candidatei, tinha um grupo, mas o Evaristo decidiu ir para a reeleição no dia e eu optei em compor. O Evaristo ajustou comigo na presença de várias testemunhas que eu seria o próximo candidato e viria naquela eleição como 1º vice-presidente dele, o que aceitamos.

Nos primeiros dias de gestão, o Evaristo me chamou e pediu para não falar em eleição por enquanto senão complicaria a gestão dele. Concordei. E fui fazendo reuniões e almoços com os grupos para que fosse formada uma plataforma de proposta. Fui pego ano passado com um processo eleitoral em andamento e consegui fechar com 17.

Esperava que o José Carlos aceitasse também ser vice para ser presidente na próxima eleição. Mas às vezes a vaidade, o grupo, a conversa de outras pessoas que o cercam não deixaram que ele tivesse humildade em compor comigo. Mas é meu amigo, não meu adversário.

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