“Senador Canedo tem que devolver a qualidade de vida para as pessoas”

Depois de enfrentar seis pedidos de afastamento e uma CPI, o prefeito Fernando Pellozo diz que conseguiu pacificar a política na cidade e agora mira executar uma gestão moderna na cidade

O prefeito de Senador Canedo, Fernando Pellozo (PSD), afirma estar encerrando seu primeiro ano de mandato com saldo positivo. Apesar de iniciar uma gestão atribulada, com pedidos de afastamento e agravamento do problema de abastecimento de água da cidade, ele confirma que as questões estão solucionadas. Segundo o prefeito, resgatar a autoestima dos moradores de Senador Canedo está entre as prioridades de sua administração, que agora encontra um equilíbrio nas contas públicas. 

O senhor está encerrando o primeiro ano de sua gestão à frente da prefeitura de Senador Canedo e também é a primeira vez que o senhor está em um cargo executivo. O que o senhor considera como a principal dificuldade é que mais exige atenção para ser prefeito?
Senador Canedo tem todas características bem especiais. Estamos próximos da capital, mas não somos aquela pequena cidade do interior. Estamos na região metropolitana, porém, em número de habitantes ainda somos uma cidade pequena. O crescimento de Senador Canedo tem sido bem acelerado, o que nos dá características diferentes. 

Moro em Senador Canedo há 27 anos, sou servidor há 19 anos. Eu acompanho tudo que acontece aqui na posição de morador e cidadão. E o que mais me marcou como gestor neste período foi encontrar uma cidade que possui potencial tão grande estar tão sucateada. Esse sucateamento é em vários aspectos. A máquina pública estava ineficiente, com seus fluxos todos desconfigurados. 

O meu maior desafio é a questão da água. Garantir o abastecimento em Senador Canedo exige muito da minha atenção. 

Mas esse problema da falta de água é algo crônico em Senador Canedo. Dá para se ter trabalhar alguma solução definitiva em curto prazo?
A falta de água em Senador Canedo é multifatorial. Primeiro temos o problema que é global, ou seja, se não houver cuidado, a água vai se exaurir e não teremos como abastecer as cidades. Mas quando assumi a prefeitura eu já imaginava que o cenário era caótico e por isso acreditava que a solução seria complexa. Entretanto não foi assim. Detectamos que a falta de água era em razão da falta de zelo e manutenção básica. 

Nestes quase 12 meses, em resumo, foi feita a ampliação da represa da captação Bonsucesso, que tinha capacidade de 18 milhões de litros de água, ampliada para 93 milhões. Então já conseguimos organizar uma reserva. Temos uma adutora que traz água dessa da captação para a estação de tratamento Lucio Rosa. Fizemos a partir daí mais uma tubulação de 5 quilômetros. Isso multiplicou por 20 a capacidade de reserva e duplicou a capacidade de transmissão dessa água para estação de tratamento.

Conseguimos desafogar a estação Lucio Rosa ao ativar uma outra estação que ja estava pronta desde a gestão de Vanderlan Cardoso, mas que nunca tratou água na cidade. A estação que tem a captação do Ribeirão Sozinha.  Também trocamos as nove bombas, colocando equipamento de última geração, que agora conversam entre si. Com isso, passamos de 700 mil litros de água produzidos por hora para 2,3 milhões. Neste momento temos informações que as bombas precisam ser desligadas porque está derramando água. 

A conclusão que temos é que nunca faltou água nas nascentes da cidade. Temos uma ótima produção e estamos fazendo a preservação dos mananciais. O que não acontecia era fazer essa água chegar até a torneira das pessoas. Reconhecemos que o tratamento da água na cidade é uma das melhores e tem alta qualidade.

“Detectamos que a falta de água era em razão da falta de zelo e manutenção básica”

Outro trabalho que fizemos foi levar energia para as subestações, que até então, eram alimentadas por geradores. Eles consumiam 2,4 milhões por ano com diesel. Quando foi feito isso, encerramos o problema da água. Ainda há questões pontuais que são enfrentadas em razão da queda do reservatório do Campo do Trajano. Mas as obras de recuperação estão em ritmo acelerado. Já foi levantado todo um outro reservatório. 

Quando se fala em manutenção, equipamentos e logística, Senador Canedo não enfrenta mais problema. E o que se observa é que a solução não era algo complexo. É questão de gestão.

A solução do abastecimento de água potável em Senador Canedo é o que senhor pretende deixar como marca da sua gestão?
Eu acredito que o abastecimento é o básico do básico. Mas a contribuição que eu quero dar é a modernização da gestão. Quero profissionalizar a gestão e informatizar para que o cidadão tenha os serviços públicos na palma da mão. Senador Canedo tem as condições para ofertar isso. 

Estou falando em agendar consultas médicas por meio de aplicativo e não ter que ficar na porta do postinho. Solicitar alvará ou certidões sem ter que enfrentar uma verdadeira romaria aos órgãos públicos. Essa é a grande contribuição que quero dar.

Já consegui licitar um software de gestão e estamos em processo de implantação. Mas o que quero oferecer para o cidadão e para mim mesmo, quando já não estiver como prefeito, é ter acesso aos serviços da prefeitura sem ter que estar peregrinando ou enfrentando burocracia sem fim. 

Esse trabalho para tornar a gestão de Senador Canedo mais moderna já está em andamento, embora ainda pouco perceptível. O legado que quero deixar é a agilidade para além do estamos acostumados no serviço público, e em conjunto a isso, a total transparência dos atos da gestão.

Logo nas primeiras semanas que o senhor assumiu a prefeitura de Senador Canedo, além de enfrentar o problema de abastecimento, havia uma questão relacionada a servidores que haviam sido desligados deixando algumas pastas sem condições de ofertar serviços. Essa é uma questão pacificada?
Esse ano a maior contribuição que tivemos na gestão ao falar do funcionalismo foi a implantação das mesas permanentes de negociação para construção do Plano de Cargos e Carreiras. Isso será feito de forma conjunta entre prefeitura, servidor, sindicato e associações. 

Já fiz o decreto, já foi implementada essa mesa e essa será a ferramenta usada para negociar e desenhar o Plano de Cargos e Carreira dos servidores. Temos que pensar que esse é um tema que deve atender às expectativas do funcionalismo, mas precisa ser sustentável para a administração. 

O senhor sofreu um pedido de afastamento, feito pela Câmara de Vereadores. Como conseguiu contornar essa questão?
Sim. Passei por um período em que foram protocolados seis pedidos de afastamento. Foi montada também uma CPI. No entanto, eu já até fiz uma mea-culpa, porque, quando assumi, entrei pra administrar e não procurei diálogo com os vereadores. 

Assim que conseguimos essa abertura para o diálogo e trazer as conversas com os vereadores para junto de nós, tomamos decisões conjuntas e hoje tenho ajuda deles. Foi um aprendizado. Passei por um amadurecimento necessário. Eu estava querendo separar a parte técnica da parte política, mas essas duas devem sempre caminhar juntas numa gestão.

O senhor tem base para aprovar projetos de interesse do Executivo na Câmara Municipal?
Sim. Hoje temos o diálogo e apoio necessário para gestão.

Prefeito, está em evidência o debate e alterações no transporte público da região metropolitana. Pontos que afetam a vida do cidadão de Senador Canedo. O senhor é favorável ao fim da tarifa única? A prefeitura tem caixa para dar subsídios?
Esse é um problema generalizado. Assim que chegamos a prefeitura tivemos que assumir uma conta altíssima de prejuízos das empresas durante a pandemia. Não concordamos com o cálculo que deu um valor para Senador Canedo, que ficou quase que o mesmo valor de Aparecida de Goiânia, sendo que aqui nossa população é menor e conta com menor número de linhas. 

Hoje temos estudado alternativas para ofertar para população, em uma saída que mesmo que pese para o tesouro da prefeitura, não pese no bolso do cidadão. Eu aguardo uma saída para essa questão, mas ainda não encontrei esse caminho. Pelo formato que hoje é feita a logística do transporte na região metropolitana, ainda está inviável para as empresas e para as prefeituras. O estado tem sofrido para conseguir dar conta do formato que está hoje. 

A forma com que o transporte público funciona hoje chegou ao limite. Estamos buscando alternativas, mas priorizando para não pesar para o usuário. Infelizmente no Brasil a conta sempre sobra para o mais fraco, ou seja, a prefeitura.

Mas se tratando de transporte coletivo, como tem sido o diálogo junto aos demais prefeitos da região metropolitana?
Há uma grande interlocução. Tenho falado muito com o prefeito de Bonfinópolis, o Kelton Pinheiro e com o Carlão da Fox (presidente da Associação Goiana de Municípios). Temos conversado com o governador também. Foram feitas inúmeras reuniões com a CMTC. O diálogo existe e o canal está aberto. É preciso encontrar a solução.

A pandemia causou impactos nos cofres públicos de todas as cidades. Senador Canedo conta com uma das melhores arrecadações do estado. Como foi esse impacto no município?
Sofremos muito com a arrecadação, assim como todas as prefeituras. Mas acredito que aqui o impacto foi menor. A arrecadação teve sua queda, mas não inviabilizou a gestão. Apesar de tudo, Senador Canedo teve em seus cofres o suficiente para se estabilizar. Isso é muito importante.

Algumas pastas já estavam profundamente prejudicadas. Cito a Saúde, que tinha um déficit que acumulava R$48 milhões. Conseguimos diminuir esse rombo, mas ainda é uma pasta que exige muita aplicação de recursos. É ruim lidar com uma situação como essa em plena pandemia. Estamos devendo fornecedores, havia médicos em greve e ainda há muitas dívidas do passado. Estamos pagando as atuais e parcelando as antigas. 

O senhor é um profissional da área de saúde e tem um conhecimento sobre o setor. Dá para citar o que Senador Canedo ganha em infraestrutura como legado da pandemia?
Assumimos a gestão e não havia sequer um leito de UTI e nem enfermaria. Aqui não existe hospital público. Tínhamos um hospital particular que era conveniado e mesmo assim havia uma grande dívida. Foi por meio de uma parceria do Estado que saímos de zero leitos para 91. Sendo 15 de UTI. Hoje temos 10 UTIs e um total de 41 leitos. Não temos pacientes aguardando vagas para tratamento de Covid. 

“A forma com que o transporte público funciona hoje chegou ao limite”

Pegar uma cidade que não tinha leito algum, durante uma pandemia e conseguir ofertar 91 leitos, é algo que deve ser ressaltado. Conseguimos implantar o que chamamos de Unidade Semi Intensiva. Foi muito importante durante a pandemia e evitar ao ponto de que o paciente tivesse uma piora.

A pandemia fez vítimas em nossa cidade. Infelizmente foram 409 mortes. Mas em contrapartida já foram aplicadas mais de 180 mil doses de vacina. Isso mostra o esforço dos servidores da saúde e também da compreensão da população. O Ministério Público nos ajudou demais com campanhas para utilização de máscaras, além das parcerias com as empresas que aqui estão instaladas. 

Neste primeiro ano de gestão deu para fazer algum trabalho na área de infraestrutura da cidade?
Em Senador Canedo faltava água e sobrava buraco. Conseguimos neste primeiro ano cobrir a cidade com mais de 6 mil toneladas de massa asfáltica. Houve trabalho de tapa-buraco, recapeamento e microrevestimento. 

Infelizmente as chuvas têm causado alguns estragos nas pistas. Estamos hoje com duas equipes fazendo o tapa-buracos, mas ainda há alguns estragos surgindo. 

Há um tempo a cidade era conhecida como Senador faz medo. Mas antes de chegar para essa entrevista vi viaturas circulando. A segurança tem recebido alguma prioridade em seu governo?
Desde o primeiro dia da minha gestão, incrementamos o banco de horas da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Polícia Penal. Temos feito um esforço muito grande para investir neste banco de horas. Com isso, quase que triplicamos o número de viaturas na rua. 

Já em relação à Guarda Municipal, foram adquiridos seis novos carros para atendê-los. Outras duas caminhonetes. Além desses oito veículos, conseguimos implementar o sistema de monitoramento integrado à polícia. Hoje o tempo de resposta para uma atitude suspeita ficou bem menor.  

Houve investimento em armamento e treinamento. Além de conquistar uma nova sede para o comando da guarda, que fica bem no centro da cidade. Ou seja, há uma nova logística de trabalho. 

Entre as críticas que há contra sua gestão diz respeito ao seu aliado político, o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Muitos opinam que ele, que já foi prefeito na cidade, tem muita influência sobre suas decisões na gestão de Senador Canedo. O que o senhor diz sobre isso?
Há uma influência, mas é positiva, por se tratar de um senador, que já foi prefeito duas vezes na cidade. Não se trata de interferências, mas ele é um grande parceiro. A população aprova o nome dele e a forma como Vanderlan geriu a cidade no passado. 

Vanderlan me diz que só ajuda naquilo que ele é chamado, e ter uma consultoria de um senador que traz recursos e ainda dá as dicas, é algo muito bom. Infelizmente tem aqueles que tentam trazer isso para o jogo político e fazer críticas. Mas eu sempre digo que quando há uma demanda ou uma necessidade eu pego dicas com ele sim. Foi assim com o enfrentamento do problema de abastecimento. Foi muito importante ouvi-lo. Ele conhecia o sistema e tinha experiência. 

É preciso deixar claro que Vanderlan não força nada na gestão. Ele só tem contribuído. Eu tenho minhas posições e as decisões são tomadas por mim, como prefeito.

O senhor preparou uma festa para população neste final de ano. A cidade estava carente desse tipo de ação?
Eu procurei fazer aquilo que a população esperava. As pessoas estavam angustiadas, foram quase dois anos de muitas incertezas, perdas e insegurança. Acho importante o poder público mostrar para a população que tudo passa.

Foi muito bom ver a reação das pessoas com a iluminação especial de natal e os espetáculos. Colocamos iluminação em nove pontos da cidade. Todas as regiões foram lembradas. 

Isso devolveu um pouco a autoestima do canedense, que estava abalada. Termino o ano satisfeito com o que conseguimos fazer com o pouco que tínhamos e com toda a ajuda que recebemos de senadores, deputados e governador. A gente depende da boa energia da população para que 2022 seja um ano produtivo e de melhorias. A cidade é feita de pessoas, Senador Canedo tem que devolver a qualidade de vida para as pessoas. 

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