“Se os programas Produzir e Fomentar forem cortados, é provável que vejamos empresas deixarem Senador Canedo”

Prefeito fala sobre mudança de realidade do antigo distrito emancipado há 30 anos, a força da arrecadação do ICMS e alerta: “Tenho receio com relação a esse fim”

Divino Lemes - Foto Fábio Costa Jornal Opção 4 editada

Divino Lemes (PSD), prefeito de Senador Canedo | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

De olho em um futuro, seja ele distante ou não, o prefeito de Senador Canedo, Divino Lemes (PSD), tem se atentado para uma realidade que um dia teremos de encarar: a substituição a longo prazo dos combustíveis fósseis. Para garantir que a cidade da Região Metropolitana de Goiânia não sofra o impacto na sua arrecadação, que depende bastante do ICMS do petróleo, o chefe do Executivo municipal tem incentivado a diversidade da atividade econômica nos novos polos abertos na cidade.

Na entrevista concedida ao Jornal Opção, o prefeito fala sobre as mudanças vividas pelo município desde sua emancipação, há 30 anos, a realidade da educação pública, com aumento de 11 mil alunos nas unidades municipais, e a quantidade de atendimentos realizados nas unidades de saúde de Senador Canedo de pessoas que chegam de cidades vizinhas, inclusive a capital do Estado.

Rodrigo Hirose – Senador Canedo completou 30 anos em 2019. O sr. é uma das lideranças que participou do processo de emancipação da cidade. Como foi a mudança de Senador Canedo ao longo de 30 anos?
Na caminhada de 30 anos de Senador Canedo, pude acompanhar de forma bem direta. Sendo nascido ali, quando criança tínhamos a perspectiva da instalação da estrada de ferro e dois ou três comércios na região mais urbana que existia. Me recordo que praticamente todos os acontecimentos.

Emancipar Senador Canedo foi para nós a saída. Tive a oportunidade de, vindo da sala de aula, da direção de colégio, disputar uma eleição para subprefeito. Fui o último dos subprefeitos antes da emancipação. Nossa realidade era de independência total de Goiânia, sem orçamento específico. O que conseguíamos era com muita dificuldade. E Senador Canedo não tinha peso político.

A partir do momento em que houve a emancipação, o quadro se inverteu. Conseguimos começar a ter presença política, aumentamos a população. E de certa forma, nos tornamos uma reserva para expansão dos investimentos na área de empresas, indústrias e no campo imobiliário. A mudança se deu ao longo do tempo. Deus me deu a chance de acompanhar a tudo isso.

Rodrigo Hirose – O sr. foi prefeitos por quantos mandatos?
Fui subprefeito eleito. Emancipamos a cidade, fui o primeiro prefeito. Fui terceiro e quarto prefeito de Senador Canedo quando foi permitida a reeleição. E agora ocupo o sétimo mandato de prefeito da cidade com direito a disputar a reeleição.

Rodrigo Hirose – O crescimento da cidade, com expansão econômica e da população, trouxe vários desafios para Senador Canedo. O sr., que está no quarto mandato de prefeito, quais foram os maiores percalços do município até hoje?
Toda vez que se consegue equacionar uma situação no serviço público, isso atrai pessoas. Em todas as áreas. Temos uma educação pública de relativa qualidade, na qual investimos muito no passado. Qualificação do professor, tirar professores com apenas o ensino médio e substituir por professores pós-graduados. Estamos colhendo uma qualidade boa hoje. Isso atrai pessoas.

Na saúde, mesmo com as dificuldades inerentes ao sistema que o SUS coordena em todos os municípios, quando se oferece um atendimento com relativa qualidade, a cidade atrai os parentes daquela pessoa atendida que chegam de outros municípios. No geral, o serviço com qualidade e a possibilidade de emprego desperta a atenção das pessoas.

Senador Canedo hoje é um município com arrecadação razoável e proporcional certa qualidade de vida. As pessoas são atraídas por uma boa escola, saúde e emprego. O desafio aumenta. De 2017 a 2019, tivemos um acréscimo de 11 mil alunos na redes municipal de ensino. Assumi a gestão com 19 mil alunos. Hoje estamos com 30 mil estudantes. O aumento da demanda por espaço físico, estrutura, logística de alimentação, professores, acompanhamento e salários são demandas significativas.

No momento em que o sistema de saúde para novos programas – no início do mandato Goiânia estava com suas unidades praticamente fechadas -, a Região Leste da capital foi toda atrás do atendimento em Senador Canedo. Os municípios vizinhos com menos capacidade de investimento em saúde nos fornecem um grupo grande de pessoas a procura de tratamento. Nosso sistema de saúde está sobrecarregado. 30% dos pacientes são de outros municípios.

A perspectiva toda, quando funciona com razoabilidade, gera mais demanda. As nossas e as agregadas de outras cidades. Isso é normal.

Rodrigo Hirose – O crescimento das cidades de Goiânia e Senador Canedo fez com que as duas cidades ficassem conurbadas. Vila Galvão, Jardim das Oliveiras e Vila Pedroso são exemplos de que não há divisa entre os municípios.
No setor Jardim das Oliveiras, temos um atendimento 24 horas, ambulatório com médio e farmácia. Muitas vezes a pessoa prefere ser atendida em Senador Canedo do que em uma unidade de Goiânia, que estão em reforma.

Marcos Araken – O sr. sabe qual o percentual de pacientes de Goiânia atendidos em Senador Canedo?
Número exatos nós não temos porque o sistema é universal. No momento em que se coloca captação de dados, podemos incorrer em improbidade pelo cerceamento do atendimento. Não fazemos isso por compreender que o sistema é universal. Quem procura tem de ser atendido. Mas pagamos caro por isso.

Rodrigo Hirose – Mas não há um ressarcimento por parte da Prefeitura de Goiânia?
Há uma teoria que prevê o repasse de fundo a fundo, mas na prática isso não é muito fácil de se fazer. O morador sabe que se ele agregar o endereço de um parente ou de um amigo, o atendimento é menos complicado. Temos uma leitura de famílias na visita do agente comunitário de saúde e temos uma leitura motivada bem maior no número de cartões de tratamento.

A situação é clara de que a pessoa faz um tratamento em Senador Canedo e usa o endereço de um parente, o que é uma prática recorrente. Fora aqueles que não se preocupam com isso, chegam às unidades de saúde e nós atendemos.

Marcos Araken – É míope a visão do IBGE em relação à população de Senador Canedo?
Não diria míope. O IBGE segue uma normatização federal, com a média de crescimento nacional. Mas nós crescemos acima da média, cidades como a nossa, com perspectiva de receita.

Marcos Araken – Qual é a oficial e qual é a expectativa do IBGE?
Na oficial estamos com aproximadamente 104 mil pessoas. E a leitura de visitação familiar nos dá cerca de 150 mil. Temos um interregno de quase 50%.

Rodrigo Hirose – Isso traz problemas para o município até na repartição de impostos.
Claro. O FPM [Fundo de Participação dos Municípios], que um fundo per capita nacional, vem para 104 mil e temos demandas para 150 mil. O cálculo de repasse de atendimento do SUS vem parte por medição de serviços e outra parte per capita. Levamos prejuízo nisso.

Marcos Araken – Não há como corrigir isso?
Seria a leitura do censo feita de forma normal. O País está em crise e repete o censo de projeção de estatística, que usa a média nacional, por questão de economia.

Rodrigo Hirose – Como a falta de contagem correta, da proximidade de Goiânia e outros municípios com pequeno potencial de atendimento afeta o serviço de saúde em Senador Canedo? Como o sr. tem lidado com isso?
Afeta de forma direta. Se tivéssemos a possibilidade de atender a população de Senador Canedo, acredito que estaríamos prestando o serviço com mais tranquilidade e facilidade. Poderíamos investir mais em qualidade e celeridade de tudo. Quando aumenta a demanda, a gestão fica mais apertada.

Como se trata de um serviço universal, entendemos que temos de cumprir um preceito que é importante. O cidadão vem de outro município com toda dificuldade, ele é brasileiro, o sistema é nacional. Cumprimos a nossa parte. Mas entendemos que há dificuldades.

Rodrigo Hirose – O fenômeno do crescimento da educação tem parte alunos de outros municípios ou é o crescimento da população local?
Não. É o cumprimento da meta da nossa cidade. Acredito que os municípios vizinhos estejam cumprindo as suas metas.

Rodrigo Hirose – A Prefeitura de Senador Canedo atende plenamente a parte de educação que cabe aos municípios, que é o ensino fundamental?
Nós universalizamos o ensino secular, mas ainda temos déficit na parte de Cmeis [Centros Municipais de Educação Infantil] e Emeis [Escolas Municipais de Educação Infantil]. Estamos trabalhando para suprir a demanda. Em 2017, quase zeramos o cadastro de reserva. Obviamente com o nascimento e a chegada de novas demandas voltamos a ter uma necessidade de pouco mais de 1 mil pessoas que procuram por vagas.

Rodrigo Hirose – Como está a situação do caixa do município para lidar com todas as demandas? Pelo polo petroquímico e outras atividades, a cidade se tornou uma das mais atrativas do Estado.
A crise nacional da queda de receita afetou a todos e também nos afetou. Nossa luta é para fazer o dever de casa na arrecadação local. Ampliamos, se aumentar valor, a base do número de pessoas que contribuem com o IPTU. O imposto foi universalizado em setores novos e proprietários de imóveis que não estavam cadastrados.

Conseguimos manter a mesma receita em 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019. Mas há um agravante. Em 2017, o custo de manutenção da prefeitura era um e em 2019 é outro. Somente os produtos derivados de petróleo subiram mais de 50%. Energia elétrica, por baixo, 40% de aumento. Um material que a prefeitura consome muito é a massa asfáltica. A tonelada de Cbuq [concreto betuminoso usinado a quente] que nós comprávamos em 2017 a R$ 130, hoje está em praticamente R$ 530. Em média, Senador Canedo gasta 40 toneladas por dia.

Se houve a manutenção da mesma receita porque a crise diminuiu a participação, temos o mesmo recurso com metade do valor de investimento de antes. Isso deixa a gestão em uma saia justa. Medicamentos, que também entram na lista de itens com os quais gastamos muito, subiram muito. Pneus e peças subiram muito os preços. Se nós, em um esforço gigantesco, estamos mantendo a mesma receita, ela vale a metade.

Rodrigo Hirose – Como está a relação com o Estado? O fim do programa Goiás na Frente penalizou muito Senador Canedo?
Fui penalizado no Goiás na Frente porque pensei em redemocratizar bairros. Havia uma perspectiva de R$ 11 milhões em investimentos do Goiás na Frente. Transformei R$ 11 milhões em 28 projetos. Demorou demais a aprovar os 28 projetos, praticamente não recebi parcela alguma, acabou o programa e fiquei com a despesa dos projetos, licitação, documentação.

Por um lado é bom porque a prefeitura tem os documentos prontos. Assim que os recursos forem recebidos as obras poderão ser executadas. Mas do Goiás na Frente praticamente não recebemos nada. Muito pouco. Uma parcelinha de umas coisas ou outras que dará mais trabalho para prestar conta do que o efetivo benefício ao município. Não é uma reclamação, mas não vingou.

Estamos abertos à discussão. Torço para que os governos estadual e federal deem certo porque a nação depende do acerto dessas pessoas para irmos adiante. Estamos aguardando.

Marcos Araken – De que forma o possível fim dos incentivos fiscais pode afetar Senador Canedo? Alguma empresa anunciou a saída da cidade?
Muito. Sair não. Mas os programas estaduais Produzir e Fomentar, se forem cortados, é provável que vejamos empresas deixarem Senador Canedo. O reinvestimento do ICMS, se for cortado, perderemos mão de obra e recursos. Espero que não ocorra. Sonhamos com o contrário, que tenha mais possibilidade de incentivo para virem mais empresas. Tenho receio com relação a esse fim.

Por outro lado, o governo federal acena com a Reforma Tributária. O que será isso? Essa reforma não vai levar em consideração municípios como Senador Canedo nos quais o ICMS representa muito para pagar a folha de serviços, educação e saúde? E se a reforma vier para prejudicar mais? O que acontecerá com a reforma? E se cortar incentivos, mas reformar retrocedendo para alguns municípios?

Rodrigo Hirose – Qual é a política fiscal de atração de empresas em Senador Canedo? Como está a questão do polo moveleiro?
O polo moveleiro não vingou. Foi feito o polo, mas ninguém foi. Assim que assumimos, aprovamos uma lei na Câmara para abrir o polo moveleiro para quem quiser se instalar. Tem se instalado empresas diversas onde seria o polo moveleiro. Cedemos os espaços, se a empresa não vier cancelamos e buscamos outra. Não podemos estocar alguém que não quer investir.

Compramos uma área da liquidação da Engopa e abrimos um novo polo. Estamos na fase de ceder os espaços para as empresas. O incentivo que damos é a cessão da área com uma infraestrutura mínima, que seria a pavimentação, energia e água. A cobrança que fazemos é que a mão de obra e os materiais utilizados na instalação sejam adquiridos em Senador Canedo.

Respeitadas as tecnologias que existirem, devem ser nossas. E empregar pessoas da cidade de acordo com a tecnologia empregada. Se não houver mão de obra qualificada para determinados setores não podemos exigir a contratação de pessoas da cidade. Temos forçado para que as empresas se instalem logo. Apesar da dificuldade financeira que as empresas passam, temos empresas se instalando nos polos. Imaginamos que teremos condição de diversificar o nosso parque.

Há uma ou outra preocupação que nos ronda, mas que talvez fique para outros mandatos, e que pode bater à porta a qualquer hora, que é a mudança de matriz energética. O mundo caminha para cancelar o uso dos combustíveis fósseis. Nossa maior receita hoje é o ICMS do petróleo. Existem dois perigos: a mudança na sistemática de cobrança, que pode ser alterada e Senador Canedo perder dinheiro, e também o caminho natural para o carro elétrico e ficarmos sem uso do petróleo.

Minha preocupação hoje é diversificar nossa cesta de empresas que produzem e recolhem imposto para no futuro não sermos pegos de surpresa. Para amanhã não ser um amianto obrigando empresas a fecharem as portas e nos deixarem às traças. O sonho é que no futuro não tenhamos a interdependência que temos hoje do petróleo.

De 2017 a 2019, tivemos um acréscimo de 11 mil alunos na redes municipal de ensino

Divino Lemes - Foto Fábio Costa Jornal Opção 3 editada

Prefeito de Senador Canedo, Divino Lemes, concede entrevista aos jornalistas Marcos Araken e Rodrigo Hirose: “Nosso sistema de saúde está sobrecarregado. 30% dos pacientes são de outros municípios” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Marcos Araken – Quais são os ramos da economia além do polo petroquímico?
Hoje temos empresas em outros setores, sobretudo na área de distribuição e metalurgia. Já temos em Senador Canedo empresas que recebem bobinas por vias férreas das siderúrgicas de Minas Gerais. A empresa beneficia chapas e telhas. Recebemos a instalação de empresas de medicamentos, com a instalação de laboratórios.

Queremos trazer outras empresas, como de produção de placas fotovoltaicas. Acredito que essa será a questão do futuro. Não dá mais para estancar rios com usinas hidrelétricas. Estamos desperdiçando a luz solar. No futuro, é o que vai acontecer. Além de tentar colocar um parque de produção de energia solar, tentamos atrair empresas que fabricarão as placas, gerarão emprego e renda. Temos de diversificar a atividade econômica.

Rodrigo Hirose – Outro mercado que tem crescido rapidamente e com força em Senador Canedo é o imobiliário, especialmente os condomínios horizontais. O que esse mercado representa para a cidade, inclusive na mudança do perfil socioeconômico?
Significa muito. É um investidor de perfil de capital econômico forte. Atendendo às nossa exigências e em parceria forte com o Ministério Público do Urbanismo e Meio Ambiente, o investidor leva a possibilidade de empregos. Cada mansão, casa nível A, precisa de mão de obra. É o que nós mais temos, mão de obra com ensino fundamental incompleto. E também traz a questão urbanística que é preciso ser feita para ter o atrativo de venda, que para o município é importante. Nas exigências o investidor traz a infraestrutura.

O investidor não conseguirá vender para um público classe A sem infraestrutura e o município não permitirá que seja feito o parcelamento das linhas pela metade. Em todas as questões, desde a ambiental que envolve água e esgoto, investimentos fortíssimos são feitos em parceria com essas empresas. Os investimentos dos condomínios, dos empreendedores da área imobiliária, têm nos ajudado a transformar a cidade. Para o lado bom.

Rodrigo Hirose – Quanto o funcionalismo consome da receita de Senador Canedo?
Estamos na beira do limite, nos 54% da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não conseguimos sair disso dado o crescimento da população e a demanda por serviços. Estamos bem próximos dos limites. Com a redução da receita, o volume de 54% se agiganta. A receita cai e as despesas aumentam. Demanda por servidor, serviços. Um programa novo não se faz sem servidor. E de programa em programa a máquina vai inchando. A tendência é chegar bem próximo aos limites.

Marcos Araken – Tem concurso público na demanda?
Tem. É uma novela que me deixa angustiado porque demora muito todo o processo. Demorou muito a escolha da empresa em uma disputa homérica entre empresas. Estamos na fase de regulamentação junto ao Ministério Público e TCM [Tribunal de Contas dos Municípios]. E há um cronograma demorado, com passo lento. Mas segue dentro das normas.

Rodrigo Hirose – Quantos servidores serão contratados e para quais áreas?
Nossa perspectiva é entre 1,2 mil e 1,8 mil servidores em quase todas as áreas. Educação, saúde, serviços gerais, guarda municipal, segurança.

Rodrigo Hirose – Vão ser somados aos servidores em atividade ou haverá substituição de comissionados?
Por estarmos hoje no limite, a cada efetivo nomeado sai um comissionado.

Rodrigo Hirose – Como está situação da Previdência em Senador Canedo?
Senador Canedo é um município jovem, que tem apenas 30 anos. Nós ainda não temos um volume alto de pensionistas dependentes do fundo. E quando, no passado, fizemos a efetivação da Previdência própria, fizemos um cálculo atuarial dentro de normas que contemplam as necessidades de hoje. Temos um fundo forte e as despesas mensais vêm da arrecadação mensal.

É um fundo que gera proventos para o futuro. Na hora que a crescer, teremos condição de pagar. Hoje o fundo é só maravilha. Espero que com o crescimento da população que entrará de forma vegetativa para o fundo à medida que se aposentar o que foi gerado agora suporte bem a elevação da demanda. Como é tudo estudado e planejado, acredito que não teremos problema.

Marcos Araken – Como está o relacionamento dos municípios da Grande Goiânia a partir do momento em que houve a possibilidade de o Eixo Anhanguera deixar de ir até Senador Canedo, Trindade e Goianira?
Fiz parte durante muito tempo da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC). Depois entendi que seria interessante dar a possibilidade para outro colega. Hoje é o prefeito Jânio Darrot (PSDB) que representa os municípios. O Eixo é irreversível. O que Estado poderia fazer uma referência e licitar o serviço para uma empresa que execute o mesmo serviço. Não concebo retroceder em serviços que estão sendo executados. Temos é de avançar para melhor.

Das discussões, achei interessante o que a CMTC [Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos] tem discutido com os municípios que é encontrar alternativas financeiras para desonerar o preço. Se conseguirmos isso, será um grande avanço. Ao invés de penalizar mais o usuário, o ideal seria abaixar o preço da tarifa. Isso vai mexer no caixa da prefeitura? Não.

Buscaremos eficiência na parte central das cidades e estacionamento público tarifado. Esse dinheiro ajudaria a pagar o transporte coletivo para quem precisa. E outras fontes. Vejo que há uma busca da direção da CMTC por um avanço para conseguirmos equacionar a questão.

Marcos Araken – A proposta da CMTC é de desonerar a tarifa por meio da criação de um fundo com incremento na receita do licenciamento veicular. O sr. concorda com a tentativa de priorizar o coletivo em detrimento do privado?
Entendo que é extremamente válida. Não só essa proposta, mas a de cobrança do estacionamento e outras. Se vai ajudar muitas pessoas, considero a ideia louvável. Quem mora na periferia de Trindade, nos bairros mais distantes de Senador Canedo, é porque não conseguiu comprar um apartamento na região onde estamos, do Setor Bueno. Quem consegue comprar uma casa no Centro para não utilizar o transporte coletivo? Seria uma ação extremamente benéfica para uma pessoa que vem a Goiânia muitas vezes ganhar um salário mínimo baratear a passagem.

E Goiânia tem um compromisso com Senador Canedo. O cidadão vem, trabalha na capital, deixa seu esforço laboral na cidade e muitas vezes faz sua compra em Goiânia, nem compra no comércio da nossa cidade. Ele contribui aqui, mas mora lá. O filho vai na escola de Senador Canedo. A febre da madrugada é paga pelo nosso município. A conurbação de responsabilidades é importante. Faço coro por tudo que for bom para o nosso povo, sobretudo aquele que mora mais longe e sofre muito.

Rodrigo Hirose – Há uma parceria com um instituto de Nova York que envolve a preservação da água. Como funciona esse programa?
Desenvolvemos uma ideia, desde os mandatos anteriores, e queremos tirar do papel. Criamos uma lei que tira um percentual da tarifa de água, que é municipalizada, para um fundo para ajudar a custear o reflorestamento das nascentes. É uma questão lógica. Usamos a água hoje. Se não reflorestarmos as nascentes, amanhã vai secar.

Temos buscado referências onde é possível. Recebemos um apoio muito forte do Ministério Público do Meio Ambiente e começamos a fazer as primeiras contratações. Ao invés de o fazendeiro ter um alqueire com cinco vagas, o produtor rural passa a ter a obrigação de fazer o aceiro, evitar que o cidadão vá matar um pássaro ou outro animal silvestre, zelar para que o fogo não estrague a plantação que vamos fazer de forma conjunta e receberá o valor em moeda mensal.

Imaginemos que o proprietário alugue o pasto da nascente por R$ 30 por cabeça. Vamos supor que ele receba R$ 1 mil por mês, mas fique na obrigação de ser o tutor da área para que aquele reflorestamento realmente vingue. Que ele zele daquela área. É um programa produtor de águas, que está bem avançado. Construímos o terceiro viveiro de mudas para fazer o processo andar. Mudas do Cerrado, de plantas que tem historicamente tendência de ser de locais úmidos para reflorestar essa regiões.

Rodrigo Hirose – O valor que o produtor vai receber será pago pela prefeitura?
Não será a prefeitura, virá do fundo municipal que chama-se Produtor de Água. O fundo é composto por uma captação de um percentual das tarifas de água.

Rodrigo Hirose – Senador Canedo é um dos poucos municípios que tem o serviço de água municipalizado. Como está a preparação para o período de estiagem? Goiânia e a Região Metropolitana provavelmente vão sofrer com a falta d’água.
Estou muito otimista. Tivemos mais dificuldade no período chuvoso do que agora. E a Enel entrou e estava muito mal estruturada. Parece que melhorou um pouco. A falta de energia foi um câncer para nós no período chuvoso. Qualquer relâmpago ficávamos sem energia. O sistema de bombeamento de água não trabalha sem energia. Nossos geradores não conseguem atender toda a demanda. No ápice do período chuvoso faltou água em diversos bairros por conta disso.

Nossas captações vêm de cabeceiras longas. E quando chove muito, o pessoal gradeia a área da região produtora. Vem muita lama. Fazer o tratamento de uma água que está com turbidez alta demora mais. É preciso lavar filtro a todo momento. E tivemos muita dificuldade no ano de 2019 com os dois fatores somados.

No período seco, estamos bem. Inauguramos duas novas estações tratadoras de água. Temos muita reserva pronta, muitas caixas, para receber a água nova. Torço para que o período de estiagem seja o mais curto possível, mas acredito que estamos bem preparados.

Rodrigo Hirose – Como funciona o programa Cidadania nos Bairros?
Queremos fazer de forma modesta a prefeitura ir para o bairro. Em 2017, fizemos uma ação nos bairros de forma mais agressiva, com maior presença, o que ficou um pouco caro. A ação social nos bairros é feita por final de semana, toda sexta-feira, só com equipamentos da prefeitura, sem locar nada: tendas e estrutura. É uma preparação para voltar a ter toda a estrutura da prefeitura em um bairro em breve. Esse é o laboratório inicial.

Ainda não estamos levando saúde, infraestrutura toda e outros órgãos. Mas em breve iremos colocar, mas sem a necessidade de locação de equipamentos para diminuir despesas. A população tem correspondido.

Rodrigo Hirose – Senador Canedo ainda tem muitos bairros sem asfalto?
Estamos neste momento terminando as últimas ruas que ainda não tinham asfalto. Poucas, mas ainda em processo de conclusão. Estamos fazendo uma interligação importante entre o Morumbi, a região atrás do Parque Ateneu, com o Posto Eucalipto, na GO-020. São 4,5 quilômetros que darão uma nova vida à região do Morumbi. No ano passado, fizemos um bairro inteiro que não tinha asfalto, que era o Recanto das Oliveiras. Estamos colocando capa no Boa Esperança.

Terminado o serviço, teremos praticamente universalizado o asfalto em Senador Canedo. Não permitimos nenhum loteamento ou parcelamento novo sem 100% de infraestrutura. E com uma equipe de engenheiros que fiscalizam a qualidade. Não podemos receber serviços de má qualidade realizados para depois o município arcar com tapa-buracos. Queremos chegar ao final do período seco com 100% universalizado o asfaltamento das ruas.

Marcos Araken – Do que foi prometido na campanha de 2016, o que anda falta fazer? E o que o sr. acredita que pode pesar a favor de uma possível disputa pela reeleição?
Ainda temos demandas na área de escolas. Sou contra o modelo atual. As gestões que vieram depois de 2004 montaram apenas duas grandes escolas das 47 do município. Queremos levar a escola para o bairro. Uma escola menor, de fácil gestão e que atenda o bairro. E não mandar o menino para longe de sua casa. Temos projetadas para, com fé em Deus, início ainda este ano da construção de seis escolas em bairros que não disponham da rede de ônibus que busque os alunos. São quatro escolas e dois Cmeis.

Uma das grandes escolas começou a ser construída no mandato passado e, por mau gerenciamento e faturamento superior à construção, estamos desamarrando os entraves legais para concluir a obra. Passamos à conta de cinco escolas e dois Cmeis ainda em 2019.

Concluímos o sistema de tratamento de esgoto, que é municipal. Quando cheguei à prefeitura, a Estação de Tratamento de Esgoto era uma grande piscina de concreto, mas não tinha as tratadoras nem a energização ou as elevatórias. Investimos muito nisso e vamos avançar na questão do esgoto. Vamos avançar muito na água. É uma proposta nossa fazer com que não falte água. Fizemos inaugurações de interligações.

A região da Vila Galvão ainda é atendida por uma rede de 75 milímetros que instalamos em 2000, que liga a estação tratadora da sede na Galvão. Na época, abrimos muitos poços artesianos e não deu água. Agora cresceu e a rede de 75 milímetros não comporta mais. Fizemos uma rede de 4 quilômetros com meio metro de diâmetro, que já está cheia. São R$ 6 milhões em obras embaixo do chão. Além das caixas de reservação. Tudo isso efetivamente pronto. Desejo que não falemos em falta de água nos próximos anos.

Até porque com uma reservação boa, de milhões de litros, e veio a água turva, muito suja na captação, há um fôlego para tratar de forma mais demorada e o morador não vai nem sentir. Estoura uma rede. A recuperação, tendo uma reservação boa, descapitaliza no volume acumulado, mas o morador não sente e não é penalizado.

Queremos deixar tudo isso pronto. Não queremos sofrer tanto quanto sofremos esse ano com asfalto podre e no tapa-buracos. Queremos fazer um serviço breve de recomposição das principais vias, com recapeamento, refazer o asfalto. Feito isso, vamos nos posicionar na condição de pré-candidato e avaliar tudo.

“Se o partido continuar com o mesmo ideário que comungo eu fico. Do contrário, procurarei outra agremiação”

Divino Lemes cineminha - Fotos Fábio Costa Jornal Opção

Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Rodrigo Hirose – Sobre a possível candidatura a reeleição, como está a discussão para a construção da chapa? O sr. vai manter o mesmo grupo, o vice-prefeito?
Acredito que manter o mesmo grupo não é muito simples. Houve algumas modificações. Diria que o mesmo vice e as pessoas que compõem o grupo. Quase 100% ficarão conosco. Tenho essa pretensão. Vice é uma escolha de composição. Está muito cedo para falar sobre isso. No quadro geral, vejamos o que pinta para compormos da melhor forma possível.

Rodrigo Hirose – O sr. permanece no PSD?
Permaneço ainda. Se o partido continuar com o mesmo ideário que comungo eu fico. Do contrário, procurarei outra agremiação.

Marcos Araken – Qual é o ideário do PSD?
Para mim em Senador Canedo é composição. Não estou pensando pragmaticamente em programa de governo. Se meu partido fizer composição estadual ou nacional com alguns adversários meus, não me cabe lá. Aí eu teria de procurar outro caminho…

Marcos Araken – Que caminho seria esse, o DEM?
Não tenho dificuldade com o governador. Minha maior dificuldade é que temos grupos antagônicos com o ex-prefeito de Senador Canedo [senador Vanderlan Cardoso (PP)].

Marcos Araken – O que o senador Vanderlan Cardoso fez por Senador Canedo em pouco mais de sete meses como parlamentar?
Posso estar mal informado, mas até agora nada.

Rodrigo Hirose – O sr. e Vanderlan são de grupos políticos diferentes, mas os dois devem desejar o melhor para Senador Canedo. O sr. conversa com o senador ou impossibilita a aproximação?
Alguém que é mandatário legislativo ou mesmo majoritário federal e tem interesse no município a prefeitura está aberta. Se o senador mandar determinado recurso, obviamente isso vai vincular em todos os anais de documentos e de poder de divulgação que foi feita uma ajuda ao município. Jamais eu devolveria e falaria que não quero ou precisamos. Mas não manda porque não quer.

Rodrigo Hirose – Existem outros parlamentares federais e estaduais que ajudam Senador Canedo?
Sim. O novo governo ainda não tornou efetiva a questão das emendas. Tem muita coisa nominada e pronta para empenho, mas que ainda não se transformou em recurso. Mas tem muita gente interessada em ajudar o município. Até porque foram votados em Senador Canedo. Não é a pessoa do prefeito Divino Lemes, mas a figura do número de votos que tiveram. Muitos fazem jus a essa questão. E precisam do município para efetivar as ações. Estamos abertos a todos.

Rodrigo Hirose – Quais são esses parlamentares?
Foram bem votados em Senador Canedo os deputados federais Glaustin da Fokus (PSC), João Campos (PRB) e José Mário Schreiner (DEM), que têm colocado emenda. Tem mais gente. Sempre que a pessoa tem voto no local, o parlamentar tenta agradecer, de certa forma, com algum benefício. Estamos abertos a cumprir. Se o parlamentar quiser divulgar, justiça seja feita.

Rodrigo Hirose – Qual avaliação o sr. faz dos primeiros sete meses da gestão do governador Ronaldo Caiado (DEM)?
Torço para que dê certo. As dificuldades que estão sendo enfrentadas agora são naturais de início de governo até tomar pé da situação. Jamais na minha vida pública torci para que alguém que tem mandato não dê certo só porque foi de partido diferente. Torço de coração para que dê certo. Espero que engreno o mais rápido possível. Não quer dizer que está desengrenado. Quem sou eu para avaliar? Não temos a percepção certa da questão financeira e das dificuldades. Longe de mim fazer críticas. Mas torço demais para que se acerte e que nesse acerto Senador Canedo seja contemplada.

Rodrigo Hirose – A prefeitura está construindo um restaurante popular?
Está na fase final. Tentei uma parceria com a OVG [Organização das Voluntárias de Goiás], mas não obtive sucesso. Tentei com dois restaurantes de regiões diferentes de Senador Canedo. Quando vi que não dava, parti para um projeto da prefeitura. As últimas licitações de equipamentos e insumos devem terminar em agosto e vamos abrir.

Sou muito preocupado com a fome. Dos males do mundo, a fome é o pior deles. O cidadão com fome tende a fazer qualquer coisa errada. Se é uma menina nova, um rapaz ou um pai de família, a tendência é desvirtuar porque a fome não perdoa. Se conseguirmos colocar uma refeição a R$ 3, qualquer pai ou mãe tem condição de fazer um bico e se alimentar ao menos uma vez no dia com uma refeição balanceada por uma nutricionista.

Esse é o mote. A demanda vai depender da necessidade da comunidade, da procura. Se tiver mil pessoas para alimentar, vamos fazer para mil. Se forem apenas 300, vamos fazer para 300. Será um laboratório a demanda, que vai mandar no nosso projeto.

Marcos Araken – Existem demandas de Senador Canedo com o governo do Estado?
Temos situações conjuntas que precisamos da ação do governo para acelerar. Na área de segurança, o presídio municipal depende do governo. A cadeia pública foi construída no nosso mandato passado para 60 presos. Hoje beira a casa dos 300 presos e não prende mais porque não tem espaço. Essa condição é sub-humana.

O preso em Senador Canedo não é um preso estadual ou um preso federal. É um preso do governo. Do Estado como ente público. Na agonia de tentar ajudar a diretora da agência prisional, fiz um convênio puxando para mim a responsabilidade para que a prefeitura construísse o presídio. Do momento em que comecei o convênio, em 2017, para 2019, a receita caiu muito mais.

Fiz uma bolsa com recursos mensais que conseguimos bancar para a empresa ganhadora do processo licitatório, mas está devagar. Precisamos ao menos terminar a ala masculina, que é onde tem mais presos. Com isso, poderíamos dar uma condição mínima digna para o preso. O projeto que desenvolvemos funciona da seguinte forma: a parte albergada ao centro e a área toda em volta para empresas que empregam mão de obra para fechar bola, camiseta e atividades nesse sentido. Em todo o entorno do núcleo de custódia temos área para empresas comensais à mão de obra carcerária.

O acordo que temos com o Ministério Público e o juiz da Vara de Execuções Penais por meio de um termo de ajustamento de conduta (TAC) é que só vai para esse local quem tem interesse em trabalhar para conseguir a progressão de pena. O preso que não quer trabalhar é encaminhado para outra cadeia do interior e troca a vaga por um daquela unidade que quer trabalhar. E em um número limitado para não virar o novo Cepaigo.

O projeto é muito bem concebido e está na fase de muro. Vamos começar a construir a ala masculina e a administração. Só a ala masculina sem a administração não serve para não deixar os presos sozinhos. Depois faremos a ala feminina. A atual cadeia pública de Senador Canedo poderia provisoriamente ficar a ala feminina. Mas precisamos de recursos.

Como é uma área do Estado, precisamos que o governo nos ajude a conseguir recurso para concluir a ala masculina o mais rápido possível para desafogarmos essa questão e buscarmos empresas. Na questão geral de segurança eu tenho investido relativamente pouco, embora tenha investido bastante. Gasto R$ 200 mil por mês com a segurança pública estadual através dos bancos de horas. Hoje talvez sejamos um dos últimos municípios que ainda pagam banco de horas.

São mais de R$ 100 mil para a Polícia Militar mais outra quantia para a Polícia Civil e um pouco para a agência prisional melhorar a condição de muitos presos em um espaço reduzido. Se eu invisto os R$ 200 mil na Guarda Municipal, teria uma outra guarda. Mas invisto na polícia por questão de treinamento e logística para ajudar. O governo do Estado precisa olhar para Senador Canedo com um olhar um pouco mais generoso para que terminemos com urgência o presídio e para nos ajudar no geral para compensar o que investimos em segurança.

E isso apenas na área de segurança. Vem a educação. O último colégio de ensino médio construído é de 2010 quando minha esposa era deputada [Laudeni Lemes]. A prefeitura tem de emprestar prédio. Há uma grande demanda. É preciso investir em ensino médio. Na saúde, o Estado exauriu Goiânia. Um expemlo é o Hospital Materno Infantil, que fica na região central da capital.

Por que não construir um Hospital Materno Infantil em Senador Canedo com espaço para estacionamento, laboratórios e toda estrutura? Estamos às ordens. Qualquer grupo econômico compraria a área do Materno Infantil no Centro de Goiânia e pagaria toda a despesa de construir em Senador Canedo. Faço apenas uma sugestão. É uma possibilidade a realização de uma conurbação. Poderia ser um novo Hospital de Urgências para melhorar a condição da saúde da cidade na Região Leste.

Vindo para Goiânia passei pelo Jardim Novo Mundo. Chegamos às 9h30 no Posto do Palmito e aquela subida estava toda congestionada. Imagino se tem alguém tendo um infarto em uma ambulância naquele trânsito. O governo do Estado pode nos ajudar junto ao governo da capital para pleitear uma trincheira ali. Arrumaria fácil o problema daquele ponto até que seja construído o Hospital de Urgências na Região Leste.

Precisamos a quatro mãos ter ações na área de segurança, educação, saúde. Tudo indica que por meio da parceria do governo do Estado com a Prefeitura de Goiânia a continuação da Anevida Leste-Oeste será construída. Estamos fazendo a Avenida Progresso, que vai até o cemitério em Senador Canedo. Quem sabe o governo do Estado não lembra de Senador Canedo e emenda na Leste-Oeste. Aí teremos a avenida saindo de Goiânia até Senador Canedo. São coisas pequenas que o governo pode fazer conosco e que são muito importantes para nós.

Marcos Araken – Um amigo, que é guarda municipal em Senador Canedo, diz que os bandidos têm mais medo da Guarda Municipal do que da Polícia Militar. É eficaz mesmo a Guarda Municipal da cidade?
Tenho uma versão não muito boa para isso. Quando chegamos à prefeitura existiam 18 reclamações de abuso de poder contra a Guarda e nenhuma contra a Polícia Militar. Imputo isso à falta de preparo para as ações. Tive problemas no início do mandato com a Guarda.

Quando algum servidor da Guarda atua como policial de forma não muito bem preparada, o que não inclui todos os guardas municipais – temos profissionais extremamente competentes na nossa Guarda -, umas peças ruins deixam o serviço fora do que deveria ser, enquanto os prédios públicos eram invadidos e roubados.

Vamos fazer o dever de casa primeiro. Proteger os prédios públicos, fazer escalas de vigilância a praças. E no decorrer da atividade, encontrou algo errado, segure e chame a polícia. Não vamos ser policiais despreparados. Concordo com a fala trazida pela sua pergunta, mas em decorrência da falta de preparo. Ter medo não significa eficácia.

Marcos Araken – Como está a situação do efetivo da Guarda Municipal?
Perdemos alguns guardas para o concurso da polícia. Tivemos muitas discussões sobre a atuação do guarda municipal. Disse que se pretendem ser policiais que façam o concurso da PM. A Guarda Municipal tem uma outra perspectiva de segurança pública, que é cuidar da comunidade, mas primeiro cuidar do patrimônio público. Muitos saíram.

Nosso efetivo, acima de cem homens, é praticamente igual ao efetivo da polícia em Senador Canedo. E empata porque pago hora extra no banco de horas. Caso contrário o efetivo da Guarda seria maior do que o da polícia.

Rodrigo Hirose – A cidade é nova, mas a juventude requer um aparato de lazer e educação de nível médio e superior. O que a prefeitura tem feito para essa população?
Na área de lazer, temos tentado levar a Secretaria de Esporte para os bairros. Queremos que a pasta atue forte nos bairros como medida de oportunidade, socialização, competir com o lado mau para que o adolescente não vá para o caminho errado através das escolas e da Secretaria de Esporte. Revitalizamos parques. O Parque Boa Vista estava inacabado. Estamos terminando o Boa Vista. Estamos dando efetividade para a família naquele parque, com prática de esportes.

O parque do setor Castro estava bem abandonado. Revitalizamos o parque e estamos mobilizando as secretarias para atuar no espaço e trazer a família. Devemos inaugurar em breve o Parque Ambiental da Vila Galvão. A perspectiva é a mesma. Dar um local para a família visitar e envolver o jovem com nossas secretarias em atividades. Queremos ter uma biblioteca, uma escola ambiental e atividades de escola em lazer no novo parque.

Recebi do mandato passado uma Bolsa Universitária Municipal. Muito bonito o programa. Abriu a bolsa para algumas universidades, mas só pagou um mês de mensalidade. A conta ficou. Pagamos uma boa quantia a algumas instituições, mas a prefeitura ainda deve. Graças a Deus temos amizade com todo mundo. Visitamos gestores de universidades, a primeira coisa que falam é “me paga”.

Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), são colocadas de formas bastante definidas as obrigatoriedades. A lei preconiza que se cumpra as etapas para mudar de etapa. Na gestão passada havia déficit de vagas até para o ensino regular. Não era só para Emei e Cmei. Berçário e os antigos jardins. Existia até necessidade de vaga para o ensino secular. Mas inventaram de pular o ensino médio e fazer média com o ensino universitário.

Jogo aberto. Vou lutar para cumprir primeiro o dever de casa e tentar minimizar a falta de vagas em Emeis e Cmeis. Tem um interstício que é o ensino médio, o qual o governo de Goiás deve espaços físicos e outros detalhes. Tem de resolver primeiro para depois pensar em universidade. Não vou reabrir uma bolsa municipal só pensando em votos. Primeiro porque não tem orçamento para pagar e segundo porque não atende a lei.

Você vai perder eleição por isso? Vou cumprir a lei. Quem vai entender são as pessoas. Outro pode até prometer, mas não vai cumprir. Da mesma forma que o anterior não cumpriu. Abriu e não cumpriu.

Marcos Araken – Vanderlan sei que não deve caminhar com o sr. no ano que vem.
É quase certo que não.

Marcos Araken – Mas vamos a outros nomes que militam na política de Senador Canedo e o sr. me responde que poderá estar com o sr. em 2020.
Eu trabalho na política. Se a pessoa quiser o bem da cidade e fazer um projeto junto estou aberto. Não dá é para fazer alianças fora da realidade.

Marcos Araken – Misael Oliveira.
Não vejo dificuldades. Queremos crescer o município. Não vejo possibilidade de vir porque parece que se coloca em um projeto maior do que o nosso. Mas se vier vamos discutir.

Marcos Araken – Franco Martins.
Meu amigo pessoal. Se vier será bem-vindo.

Marcos Araken – Zélio Cândido.
Empresário que emprega pessoas. No passado, eu o ajudei muito. Se tiver interesse em estar conosco será bem-vindo.

Marcos Araken – Sérgio Bravo.
Sérgio hoje está conosco. O filho dele é secretário [Sérgio Bravo Filho, secretário municipal de Esporte e Lazer]. Temos tentado trabalhar juntos. Da minha parte, Bravo está 100% conosco.

Rodrigo Hirose – Professor Walter Paulo.
A compreensão do processo é mais difícil da parte dele. O Professor Walter Paulo foi útil para nós como vice. Se houver interesse dele de diálogo estou aberto.

Para mim, fazer parte de um processo de reeleição é muito importante. É um grande desafio. Apesar de todos os percalços que uma administração em tempos de poucos recursos pensa, é preciso fazer uma reciclagem de ideias e tem de se submeter à apreciação do povo. Isso nos coloca numa condição de maior humildade ainda – nunca tive vaidade – para receber ideias e críticas.

É uma evolução na minha vida no processo democrático. Espero que consiga convencer o maior número de pessoas. E que vença a maioria. E que tenhamos sucesso. Ouvimos a todos. Estamos abertos.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.