“Se a base dividir os votos, o outro lado leva a vaga de senador”

Luiz do Carmo se diz contra candidaturas avulsas ao Senado e defende que seu nome é o melhor para estar na chapa governista

Elder Dias e Marcos Aurélio Silva

No Senado há pouco mais de três anos – após assumir como suplente a vaga deixada pelo governador Ronaldo Caiado (UB) – o senador Luiz do Carmo se diz habilitado para concorrer a reeleição e continuar na Casa. Ele, que por décadas esteve nos quadros do MDB, neste ano migrou para o PSC para viabilizar a candidatura na chapa caiadista.

Luiz do Carmo refuta a ideia de candidatura avulsas ao Senado e se considera  o melhor nome para compor chapa com Caiado, mas também não descarta possibilidade do PSC se aliar a outro grupo para viabilizar sua candidatura para senador.

Marcos Aurélio Silva – O senhor está no Senado há pouco mais de três anos. O senhor consegue nos apontar onde suas emendas foram aplicadas no Estado?

Quando fui assumir a cadeira no Senado, antes eu visitei ao meu amigo, que era prefeito de Goiânia a época, Iris Rezende. Eu perguntei o que tinha que fazer no Senado, porque substituir Ronaldo Caiado não é fácil –  ele brigava com a esquerda, bom de usar a Tribuna. O Iris me instruiu a ficar um tempo observando o funcionamento da Casa. Aqui tem muitos ex-ministros e ex-governadores, ou seja, é uma Casa diferenciada. Eu estava acostumado com a Assembleia Legislativa de Goiás. 

Por fim descobri que não é tão diferente. Todos tem seus interesses. É uma Casa que tem mais gente experiente e com cabelo branco. Descobri que aqui é uma Casa de velhinhos veiacos. Quando se pensa que está na frente, eles estão ainda mais a frente. Baseado nisso e no meu jeito goiano conseguimos algumas conquistas. Para se ter ideia, faço parte da Mesa Diretora do Senado. Há quantos anos tinha que nenhum senador goiano participava dessa composição.

Observando e trabalhando no dia a dia eu encontrei meu caminho aqui no Senado. O meu caminho foi através das demandas dos municípios. É onde o povo vive. É onde se tem os problemas. É lá que precisa de escolas, hospitais e de consertar o asfalto. Baseado nisso eu tracei meus passos aqui no Senado. Aqui os prefeitos vêm nos procurar falando das dificuldades. Então decidi ajudar as cidades.

Mandei para os prefeitos mais de R$ 400 milhões. Qual meu critério para mandar recurso para as prefeituras? Não procuro qual o partido do prefeito e não questiono se me ajuda na campanha. Anhanguera, a menor cidade de Goiás, tem emenda minha.

Em cada cidade que chego, tenho orgulho por ajudar o município. Também não posso negar que essa é uma prática que o presidente Jair Bolsonaro nos autorizou. Ele nos disse: mais Brasil e menos Brasília. Ele diz que é para ajudar as cidades e prefeituras. 

Muito dos recursos de emendas minhas foi para o combate a Covid. Quase toda prefeitura tem um orçamento meu. Arrumei para o Estado de Goiás outros R$ 48 milhões para se consertar pontes. Isso foi no começo do mandato do governador Ronaldo Caiado. Sabíamos que não tinha recurso, o estado estava quebrado. 

Outro exemplo é o cheque-reforma. Consegui R$ 30 milhões que se concentrou nas cidades do Entorno de Brasília. Uma grande população que mora nessa região foi beneficiada.

Baseado nos bons costumes e nas conversas com prefeitos é que tenho pautado o envio de emendas. Ajudei muitos. Prova disso é que hoje tenho vários prefeitos que me apoiam para reeleição porque querem a continuidade da parceria. 

Marcos Aurélio Silva –  Partindo disso, o senhor considera que os prefeitos são bons cabos eleitorais?

São bons cabos eleitorais. Mas não são só eles. O Caiado foi eleito com apoio só de 17 prefeitos. A população tem uma mentalidade. Quando querem mudar, eles mudam. Mas o prefeito tem a obrigação de estar bem com a população. Em cidades pequenas os prefeitos transferem votos. Em cidades maiores eles não têm essa influência tão grande.

Eu também atendo a demanda de vereadores. Muitos vieram no Senado para me pedir uma ajuda e foram recebidos e posteriormente o pedido foi atendido. A função do vereador é fiscalizar o executivo e fazer leis. Eles não têm obrigações nenhuma. 

Consegui essa semana R$ 60 milhões de emendas que serão repassadas para os prefeitos. Essa emenda é recurso do governo federal levado para o povo goiano. Não tem nada de errado nisso. É algo claro e transparente. 

“Ninguém pode falar em Goiás que eu fui só
suplente do Caiado. Hoje sou efetivamente
um senador que faz parte da Mesa Diretora”

Das minhas emendas, 50% foi destinada para saúde. O restante vou colocar na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). O motivo é que ela efetiva as emendas de forma mais rápida. Quando passa pela Caixa Econômica tem muita demora. Em geral, a obra paralisa por um ou dois anos. Os técnicos da Caixa eles enrolam, além deles receberem 11% das emendas. Não é um trabalho gratuito. Eles parecem ter um prazer em atrasar.

Não quero que minhas emendas passe pela Caixa. Não é por conta das fiscalizações. Temos muitos órgãos para fiscalizar, como a AGU (Advocacia Geral da União) e outros. Não pode é travar o dinheiro público.

Elder Dias –  Em relação a projetos, quais são os que o senhor fez e que pode ser o destaque no período como senador?

Há dez anos mataram minha filha, Michelle Muniz do Carmo. Os assassinos mataram para roubar o carro dela e trocar em drogas. Eles foram presos. Mas o que aconteceu foi que a lei dizia que eles poderiam ficar atrás das grades apenas ⅕ da pena. Os criminosos estão todos fora da cadeia. 

Graças a um projeto meu, mudamos isso. Hoje o criminoso pode ficar 40 anos presos. E ⅗ atrás das grades. Se fosse no caso da minha filha, ficariam quase 25 anos presos. E se for reincidente fica ⅘.  Esse projeto eu acho mais importante que fiz até hoje. 

Aqui os projetos não são aprovados muito rapidamente. Não é fácil. Mas tenho alguns importantes para pauta feminina. Hoje temos dificuldades para arrumar candidatas femininas. As mulheres não querem entrar na política porque é mais difícil para elas. O mundo é machista. O meu projeto que agora está para votação da Câmara, é que 30% das vagas dos legislativos sejam reservadas para as mulheres. Tem alguns critérios, mas vai reservar o espaço para elas. Assim vamos garantir as mulheres na política. 

Tenho trabalhado muito. Ninguém pode falar em Goiás que eu fui só suplente do Caiado. Hoje sou efetivamente um senador que faz parte da Mesa Diretora e líder do bloco União Cristã. Tenho trabalhado muito. Acordo cedo e só paro muito a noite.

Marcos Aurélio Silva –  E esse trabalho que o senhor tá falando que desempenha, ele te credencia para ser candidato para o Senado novamente?

Todo mundo pode ser candidato ao Senado. Mas, porque eu me sinto credenciado: estou sentado na cadeira de senador, faço um bom trabalho junto a sociedade e tenho apoio. 

Há as bolhas. Se fizer uma pesquisa nessa bolha política, tenho certeza que estou na frente de todo mundo. Considero como desvantagem o fato de nunca ter disputado uma eleição majoritária. O trabalho que vou fazer de formiguinha, junto aos meus companheiros e aliados me credenciam sim a ser novamente senador da república. 

Eu quero ser candidato. O povo é soberano e trabalho para eles. Tenho que ter capacidade e gente para me apoiar para que possa me consolidar como candidato. Não é fácil para ninguém. Na minha vida foi fácil. Para tudo eu lutei e vou lutar para ser senador. Vou ter muita gente ao meu lado trabalhando por esse resultado. 

Sou honesto, não tenho picaretas junto de mim, considero que dinheiro público é do povo e mais ninguém. Sou empresário do ramo de calcário e tenho meus ganhos fora da política. 

Marcos Aurélio Silva – E qual sua opinião sobre a candidatura avulsa para o Senado? O senhor poderia se enquadrar e ir nessa candidatura, ou pro senhor só vale se for dentro de uma chapa fechada?

Minha conversa é a mesma deste sempre. Porque vamos mudar a regra do jogo agora? Acho que o governador transfere voto para mim e eu transfiro voto pro governador. Mas aí o governador decide que pode sair todo mundo candidato e eu que estou aqui no Senado lutando fico como? Acho injusto. É injusto.

Politica é uma mãe com a outra. O PSC tem candidatos ao Senado, deputado federal e estadual. Não tem a governador. Ai tem o União Brasil que tem candidato a governador e o Delegado Waldir é do partido dele. Eles tão dizendo que todo mundo pode sair, avulso. Mas o santinho é junto. 

 Eu não acredito nisso. Eu quero sair candidato ao Senado em uma chapa que tenha o candidato a governador. Quero trabalhar pelo voto de governador, vice-governador e senador. Essa é a chapa. Meu sonho é participar de uma chapa majoritária. Por isso que eu estou defendendo essa composição. 

Neste sentido meu grupo até saí a frente dos demais. O que eu quero é uma chapa toda certinha, com governador, vice-governador e senador. Uma chapa coesa. 

Elder Dias –  Não é meio improvável que essa situação se chegue a uma conclusão de forma harmônica? Ou seja, deve haver alguma cisão na base aliada em razão dessa vaga do senado?

Não vai ter. Agora é tudo consenso. A questão Henrique Meirelles já ficou para trás. Para mim, que estou sentado na cadeira de senador, levo as emendas e ajuda os municípios, está difícil de viabilizar a candidatura. Imagina os outros? Muita gente vai ficar para trás. 

O PSC, que é meu partido, já tinha conversado com o governador. Disseram que iriam lançar meu nome ao Senado. Mas também falaram que se tivesse outro grupo maior do que do PSC que tivesse um nome para o Senado, o partido iria recuar. Iria apoiar o governador do mesmo. O PSC foi claro com o governador. Foi dito que eu iria filiar ao partido para ser candidato ao Senado. 

Mas depois que  Meirelles saiu de Goiás mudaram a regra?  Na época ele era o candidato de todo mundo? Agora são perguntas que temos que fazer.

Já falei pro governador, no dia da minha filiação ao PSC, que nós dois demos certo. A dupla foi boa para Goiás. Quando Caiado foi candidato a governador, eu disse que se ele quisesse eu levaria o PSC para a campanha dele. Convenci o Eurípedes, meu irmão, a pegar o PSC e ele apoiou Caiado. Foi o primeiro partido a estar com Caiado na eleição dele em 2018. Então temos essa relação. Para que mexer com o que está certo? 

“Penso que a Polícia Federal e o Ministério Público tem
que investigar esse caso dos pastores com o MEC”

Eu tenho certeza que meu grupo agrega para o governador. Eu sou pré-candidato. Estou ampliando a equipe e buscando um bom marqueteiro. Não vou entrar nesse jogo só para dizer que estou participando. Eu quero fazer a coisa certinha e chegar lá na frente e arrepender. Não posso errar. 

Elder Dias – O senhor sairia candidato a senador em outra chapa que não do governador Ronaldo Caiado?

O meu companheiro é Ronaldo Caiado. Se lá na frente ele achar que nosso grupo é menor que um novo grupo que ele arrumar, nós vamos apoiá-lo de qualquer jeito. Mas se arrumar outro grupo menor do que o nosso, não terá porquê. 

Caiado é trabalhador e está fazendo muito por Goiás. Ajudei ele aqui no Senado. Vou deixar bem claro, meu companheiro é Ronaldo Caiado. Mas o PSC conversou antes com ele e disse que eu iria filiar e seria candidato ao Senado. Se ele tivesse outro grupo grande, maior do que o nosso, nós iremos ajudar. Mas se por outro motivo escolher outro grupo menor, aí estamos livre até para lançar candidato a governador. Temos o Glaustin da Fokus que pode ser candidato a governador. Mas meu parceiro principal é Ronaldo Caiado. 

O PSC vai lutar para ter deputado federal, estadual e senador, e até governador. Partido é partido e tem que sonhar. Quero continuar trabalhando. Tenho certeza que Caiado quando ganhou para senador foi porque o PMDB, que eu estava na chapa, apoiaram ele. 

Marcos Aurélio Silva – E o senhor concorda com a escolha de Caiado em colocar Daniel Vilela como vice?

Vou contar para vocês que o candidato ao Senado era o Iris. Um dia eu perguntei para o Iris se ele era candidato e ele disse que não. Então pedi para ele dar uma declaração para imprensa que eu seria o candidato a senador. E ele disse: fala para imprensa vir me procurar que eu vou te apoiar. Naquele dia eu senti que ele era o candidato ao Senado na chapa do Caiado. Só que teve a fatalidade da morte dele. 

Então Caiado chamou Daniel para compor. Ele é um homem de bem, trabalha muito e é jovem. O governador antecipou a escolha. O que Caiado quis dizer para todos ao escolher Daniel? Ele disse: esse aqui é meu sucessor. Vai colocar um homem de pouco mais de trinta anos, porque vai estar aí na política por muitos anos, defendendo um legado. Esse é meu raciocínio. 

Marcos Aurélio Silva – Qual sua opinião sobre as denúncias contra pastores que estavam vendendo influência no MEC?

Aqui em Brasília o que mais tem é lobista. Fui relatar um projeto em defesa dos caminhoneiros e fiquei abismado. Veio um rapaz que queria propor que todos caminhoneiros abastecessem com cartão de crédito. Só que a empresa do cartão era dele. Então tem sempre isso.

Temos 200 mil pastores. Ao vem aqui um deles com seu auxiliar. Finge que tem influência no MEC. Porque qualquer prefeito que vier com projeto de escolas o MEC recebe. E esses pastores vieram vender umas coisas sem pé nem cabeça. Pediram ouro.

Penso que a Polícia Federal e o Ministério Público tem que investigar esse caso dos pastores com o MEC. Também e punir quem está fazendo coisas erradas.

Eu sei que aquele pastor [Gilmar Santos] é de Goiânia, mas eu só o vi umas duas vezes. Ele e seu assessor [pastor Arilton Moura] queriam que se passar por pessoas do poder, vendendo coisas que não existiam, benefícios que não existiam. Eu conheço bem aquele ministro [Milton Ribeiro, demitido do MEC em 28 de março após vazamento de áudio em que dizia priorizar Gilmar Santos a pedido de Bolsonaro], assim como conheço bem o presidente. O que eu acho é que a Polícia Federal está capacitada para investigar o caso. São só dois sujeitos, dois problemas, dois investigados. Se teve problema no Piauí, em outro lugar, é preciso ir atrás, seja a Polícia Federal, seja o Ministério Público. Quem fez coisa errada tem de pagar, mas não é preciso CPI, de forma alguma. Por que querem CPI? Para fazer Bolsonaro sangrar, só isso. 

Eu era do MDB e, na CPI do Covid, no ano passado, eu vi muitas vezes os caras falando assim “nós precisamos trazer o presidente Jair Bolsonaro a menos de 20% nas pesquisas”. Eu achava um absurdo aquilo. Então, como aquela CPI não deu resultado – acho que eles erraram o tempo dela –, querem inventar outra coisa. Mas não podemos deixar passar isso. Eu agora estou tentando entrar com uma CPI questionando por que os Correios, no governo Bolsonaro, deu tanto lucro com um gestor militar – que a gente não pode considerar como o tipo de gestor mais eficiente – enquanto no governo Dilma [Rousseff, PT] deu aquele tanto de prejuízo? Tem alguma coisa errada e eu estou pedindo uma investigação, vamos para o outro lado, também, concorda?

Agora, em relação ao caso do MEC, quem cometeu erro tem de ser punido. Eu falei isso no plenário, é preciso punir, pode ser pastor ou o que for. Só que, entre 200 mil pastores, acharam um com esse problema, alguém que ninguém conhecia. O ministro errou ao falar para atendê-lo, ao interceder por eles, mas isso é algo que é comum, pedir para atender alguém. Mas onde está o erro, em quem fez esse pedido? A corrupção é entre quem pagou e quem recebeu (enfático). Que eu saiba, ninguém pagou para o ministro. Se pagou, está bem escondido. No governo não teve isso, não teve recursos para ter corrupção assim como estão falando. De qualquer forma, tem de investigar, tem de prender quem for preciso. Tem de fazer o que tiver de fazer. Dinheiro público é dinheiro público. Ronaldo Caiado, por sinal, é exemplo de honestidade em Goiás. Não é que não tenha problema, pode aparecer, mas ele é um exemplo de honestidade na gestão pública.

Elder Dias – O senhor é próximo dos dois, Caiado e Bolsonaro. O que o senhor acha que ocorre por surgir tanto escândalo no governo Bolsonaro e não aparecer nenhum no governo Caiado? 

Qual escândalo que está aparecendo no governo Bolsonaro e que foi comprovado?

Elder Dias – Mas aqui a questão são denúncias. Em Goiás, não vemos nem denúncia de corrupção no governo Caiado. Mas no governo federal houve várias denúncias e há várias denúncias no momento. Bolsonaro diz que não tem corrupção, mas não há nenhuma investigação por parte do procurador-geral da República, por exemplo. E o comando da Polícia Federal, que poderia investigar, já foi trocado quatro vezes. O senhor não entende que os casos que aparecem, que são denunciados, não estão sendo apurados?

Primeiramente, a União é muito maior do que Goiás. E todo mundo, a grande imprensa, quer derrubar o presidente. Ficam inventando em cima de coisa que não existiu, que não foi comprovada. Cadê quem recebeu? Cadê quem pagou? Agora, denunciar por denunciar qualquer um pode, cadê a comprovação? No Supremo [Tribunal Federal], tudo que a esquerda pede contra o Bolsonaro, eles [ministros do STF] dão. Há um jogo muito grande em cima do presidente, porque ele não deixou acontecer muito interesse particular em Brasília, todo mundo sabe disso. Agora, ele tem aquele jeitão de falar, está falando para o público dele, para os 25% de eleitores dele. O que é preciso saber é onde está o dinheiro da corrupção, quem pagou e quem recebeu. Porque, se tiver, tem de prender mesmo.

Se o Bolsonaro quer trocar alguém da administração, é direito dele. Veja o caso da nomeação do [Alexandre] Ramagem, para a Polícia Federal. Bolsonaro conheceu Ramagem durante a campanha. Mas o Supremo não deixou ele ser nomeado. O que querem, que o presidente coloque um inimigo dele no cargo? E outra: a Polícia Federal não protege ninguém, são servidores de carreira, funcionários públicos, não podem ser retirados do cargo. E eles precisam ter uma proteção, assim como os parlamentares têm uma proteção para poder falar.

Agora, sobre Caiado, ele tem uma gestão muito boa. Ele realmente tem feito uma diferença muito grande, ele não aceita corrupção, ele age, ele troca, ele faz. No governo passado, teve muita gente fazendo coisa errada. 

Marcos Aurélio Silva – O senhor chegou ao Senado como suplente. E hoje, o ssenhor já pensou em quem seria seu suplente na eventual candidatura à reeleição?

O que temos são ideias. Creio que eu preciso arrumar alguém da área do agronegócio e outro da segurança [cada senador tem dois suplentes]. É o que as pessoas falam para mim. Hoje, dinheiro não ganha eleição, o que ganha é trabalho. Prova disso é que o [Henrique] Meirelles [pré-candidato desistente ao Senado em Goiás] voltou para São Paulo por ter visto que não teria como ter gestão do dinheiro todo que investiria. A senadora Selma [Arruda (MT), ex-juíza eleita pelo Podemos e cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso do poder econômico] perdeu o mandato porque fez coisa que não poderia. Eu não pensei nisso, é preciso até conversar com o governador, talvez para compor seria bom trazer até alguém que seja pré-candidato, para ser suplente, trabalhar juntos. 

“Meu sonho é participar de uma chapa majoritária”

Eu quero agregar, quero ajudar o governador, como tenho ajudado. Ele não pede nada errado, tudo o que pede é dentro da lei, mas se não formos atrás, colocar o projeto debaixo do braço, falar com um e com outro, não sai, fica tudo travado. Então, eu quero ser um agregador, jamais um desagregador. Só teve uma condição, que falei para ele. Nós nos damos bem, nossa relação dá certo, por que não continuar juntos? Vamos ver, até junho ele vai escolher. Nas pesquisas, em pré-campanha, eu estou com 3%, porque não sou conhecido. Isso em pré-campanha. Se o governador decidir a chapa dele agora, vamos correr o Estado juntos. E automaticamente o candidato do governador passa a ter 10% nas pesquisas. E eu vou buscar mais meus 15%. Creio que com 25% alguém vai estar eleito senador. 

É preciso entender que, se a gente dividir entre quatro os votos do lado de cá [base aliada ao governo], quem está do outro lado vai levar. Isso é matemático, não precisa nem fazer muita conta. 

Marcos Aurélio Silva – O senhor foi filiado ao MDB por 20 anos. Então, conheceu bem, como correligionário, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha. Como o senhor, de sua posição de senador, viu a atitude dele de deixar o partido e renunciar à prefeitura para concorrer ao governo?

O MDB era muito desorganizado. Aliás, é até hoje. E anda no “salto alto” [gíria conhecida para quem tem soberba, arrogância]. Estes são os dois defeitos que o MDB tem: ser desorganizado e ter “salto alto”. Um dia, eu vi os filiados fazerem Iris chorar para sair da Prefeitura de Goiânia e ser candidato a governador. Quando eu me tornei senador, eu quase me humilhei para o Daniel [Vilela] se lançar também ao Senado, para largar a ideia de ser candidato ao governo. Falei “Daniel, vem para cá, esse grupo é o nosso!”. Mas ele insistiu até o fim que o MDB tinha de ter nome próprio ao governo e saiu candidato naquela época [em 2018]. Agora, ele mudou de opinião; eu não mudei a minha. 

O MDB já errou muito. Eu fiquei 20 anos no MDB. Nunca chupei uma jabuticaba no palácio. Nesse tempo, só perdemos – com Iris, com Maguito Vilela e, agora, com Daniel. Só que tínhamos 35% dos votos. Qual foi a porcentagem com Daniel? Então, é preciso pensar. Agora, infelizmente, eu tive de tomar a decisão de sair do partido. Lá atrás, no começo das conversas, quando Iris ainda estava com saúde, conversamos e Daniel me disse que sairia a deputado federal. Então, pensei que meu “problema” seria Iris Rezende, que, se fosse candidato ao Senado, a vaga era dele, pronto e acabou. Agora, não: a vaga de Senado está aberta, mas, repito, se os três ou quatro pré-candidatos de cá se dividirem, o lado de lá vai levar essa vaga. E Caiado sabe disso, é um sujeito inteligente, tem vivência política. Em minha simplicidade, é isto: se abrir do lado de cá com candidatos independentes, não fechando com apenas um, o outro lado ganha. Mas está fácil de fechar: pegar todos e ver quais as qualidades e quais os defeitos de cada um. Não é tanta gente assim. Por isso, estou insistindo que essa história de candidaturas avulsas será ruim para o governador, só vai ajudar a oposição. E alguém precisa falar para ele que, se for por aí, estará entrando em uma cilada. 

Se quiser perder o Senado, basta lançar três candidaturas independentes. É desunião, e a gente tem é de ficar junto. E tem vaga para todo mundo, muita coisa para fazer. É só trabalhar. Por fim, eu repito: eu quero ser um agregador, jamais desagregar.

Uma resposta para ““Se a base dividir os votos, o outro lado leva a vaga de senador””

  1. Avatar luiz faleiro disse:

    Pede pra ele rever aí. O que ele mandou pra Bonfinópolis? não temos conhecimento de nada!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.