“Recebi do presidente Bolsonaro o convite para ser o nome dele ao Senado em Goiás”

Ex-senador por seis anos e meio, empresário se diz totalmente afinado com as pautas do Planalto e diz que a lealdade é regra para alianças

Pré-candidato ao Senado Wilder Morais (PL): “Recebi convite pessoal do presidente Jair Messias Bolsonaro” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O empresário Wilder Morais chegou à política pela suplência do então senador Demóstenes Torres, que acabaria cassado em julho de 2012. Assumiu a vaga e mostrou habilidade política à frente de seu gabinete na Câmara Alta do Congresso Nacional. Testado diretamente pelo voto pela primeira vez em 2018, não foi reeleito ao Senado, mas ficou em um surpreendente 3º lugar, tendo em vista quem deixou para trás – nada menos que a então senadora Lúcia Vânia (então no PSB) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).

Agora, aos 53 anos, Wilder quer voltar à Casa em que ficou seis anos e meio. Admite que até não cogitava a possibilidade até receber um convite bastante especial para a disputa: Jair Bolsonaro (PL) o “convocou”. “Eu não pensei nem meio segundo para dizer sim”, revelou o agora pré-candidato pelo PL ao Jornal Opção.

Nesta entrevista, ele conta como iniciou sua amizade com o presidente e diz que sua experiência como parlamentar e secretário de Estado em duas oportunidades – nos governos de Alcides Rodrigues (2011, na Infraestrutura) e de Ronaldo Caiado (2019-2020, na Indústria e Comércio) – pode ser fator decisivo no convencimento do eleitorado para ganhar mais um mandato como senador.

Euler de França Belém – O sr. assumiu a vaga de Demóstenes Torres e foi senador por mais de seis anos. Durante esse período, o que o sr. fez por Goiás?

Fiz muito por Goiás. Talvez o que menos fiz tenha sido divulgar o que eu fiz naqueles seis anos. Como estou aqui no Jornal Opção, que é referência no Estado em termos de comunicação, posso relatar. Fui o senador da República, na história goiana, que mais trouxe recursos para cá. Para todos os 246 municípios. Não tem nenhuma cidade de Goiás que eu não tenha ajudado. E isso em todas as áreas, especialmente na saúde – que teve um ministro de nosso partido à época, Ricardo Barros (pP). Ainda hoje estamos inaugurando obras de quando eu era senador, quatro anos atrás. Hoje estamos inaugurando nosso maior hospital regional, em Palmeiras de Goiás, que vai atender a 40 municípios, com verba de R$ 16 milhões destinada por mim. Da mesma forma, ajudamos o Hospital do Câncer de Rio Verde; também equipamos o maior hospital de Aparecida, que estava havia dois anos e meio concluído, mas sem condições financeiras de se credenciar ao SUS [Sistema Único de Saúde] e estar equipado; outros hospitais com que colaboramos foram os de Águas Lindas – com R$ 16 milhões – e de Uruaçu; o Hospital do Diabético, aqui em Goiânia, com R$ 6 milhões, a pedido de um senador que era vereador na época…

Euler de França Belém – Jorge Kajuru (Podemos).

Isso, ele pediu para que fizéssemos esse encaminhamento ao governo federal. Ajudamos também centenas de cidades com um programa do governo federal, de mobilidade para os grandes centros de atendimento a partir dessas cidades, com ambulâncias. Fui sub-relator do orçamento da Educação, Ciência, Tecnologia e Esporte do Senado Federal na época, quando fizemos um projeto, sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT), e pude colaborar com a criação das faculdades de Medicina de Jataí e Catalão. Precisamos agora contemplar o Entorno do Distrito Federal com uma faculdade assim, como queríamos naquela época.

No Senado, fui relator também de várias matérias importantes. Na pauta da economia, teve a criação da secretaria de Moreira Franco, a PPI [Secretaria de Programa de Parcerias de Investimentos]. Hoje, todos os projetos que são desenvolvidos pelo governo federal, desde a indicação do ex-ministro Tarcísio de Freitas [Infraestrutura], foram construídos por nós no Senado, colocando todos esses temas para todas as áreas no Brasil. Fui também autor de projetos relevantes para nossa economia. Um deles, que é um sucesso, autoriza as universidades federais a fazer convênios com a iniciativa privada.

Euler de França Belém – Esse projeto está sendo efetivado?

Sim, as informações que eu tenho dão conta que melhorou muito a relação das universidades com pessoas físicas e jurídicas. E por que isso? Na Universidade Federal de Goiás (UFG), por exemplo, existia uma trava quando os recursos chegavam. As verbas já têm carimbos para custeio, para pagamentos dos servidores etc., mas não havia nenhum convênio para que se pudesse utilizar a estrutura física das universidades e – o que é mais importante – a capacidade técnica de doutores, mestres e demais estudantes, que poderiam estar nos laboratórios a favor da sociedade, não só com seus testes e ensaios, mas verdadeiramente trabalhando com empresas. Por exemplo, uma indústria de cosméticos, com esse pessoal, fazendo parcerias e destinando dinheiro para fim específico. É um projeto de muita relevância para a educação brasileira.

Outro projeto de minha autoria é o de multipropriedade. Mudamos 28 páginas do Código Civil para criar uma metodologia sobre como fracionar as habitações, principalmente para a área de turismo. Aqui em Goiás, houve a experiência do “time-share”, em hotéis referência de Caldas Novas, em que se vendiam temporadas, mas não havia uma legislação. Nosso projeto veio ao encontro, regulamentando esse tema. Hoje, além de comprar diárias num hotel, é possível ter o patrimônio, uma escritura fracionada daquele imóvel. Pode comprar uma semana ou duas, depende da parte comercial, e tem o direito de usufruir da estrutura daquele imóvel em uma data pré-estabelecida. Conseguimos regulamentar um volume de comércio em Goiás e no Brasil inteiro, o que se tornou um sucesso também fora do País.

Wilder Morais fala à equipe de Redação na sede do Jornal Opção| Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Euler de França Belém – Por que o sr. resolveu disputar novamente o Senado, sendo uma eleição tão difícil, que deve ter no páreo nomes como Marconi Perillo (PSDB), um ex-governador, João Campos (Republicanos), Luiz do Carmo (PSC), Alexandre Baldy (pP)?

Essa pergunta é providencial. Estou há dois anos fora da vida pública. Já estava achando que minha missão nos cargos que exerci: senador da República e duas vezes secretário de Estado. Entretanto, fui surpreendido pelo convite do presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) para disputar a eleição de senador por Goiás. Como minha vida é sempre pautada em projetos, achei desafiador, mas também uma defesa pessoal do que eu penso. Por isso, aceitei ser pré-candidato ao Senado pelo PL, partido do presidente.

Marcos Aurélio Silva – Então houve um acerto diretamente com o presidente, não passou pelo PL?

O trato do convite foi diretamente com o presidente e isso é simples, vou explicar por quê. Estive com ele de 2016 a 2018 – eu no Senado, ele na Câmara – muitas vezes. Tínhamos uma pauta em comum que começava na Câmara e ia para o Senado. Além disso, temos dois amigos em comum, o senador José Medeiros (PL-RN) e o ex-senador Magno Malta. Na maioria das quartas-feiras, sempre almoçávamos juntos. Desde aquela época, ele já pautava que queria ser presidente da República, um sonho dele. A gente acreditava, também desde aqueles tempos, que era uma pauta interessante. Então, ele começou a rodar o Brasil, principalmente nas capitais, a se movimentar. E nós já estávamos presentes. Em 2018, quando ele se tornou candidato a presidente, fui o primeiro parlamentar aqui em Goiás fora do partido dele [PSL, então o mesmo do Delegado Waldir] a declarar apoio a ele.

Mesmo não reeleito a senador, continuei com ele no segundo turno e, depois, participei em pautas em Brasília. Sempre tive um prestígio muito grande com o presidente, até pela relação que construímos. Hoje tenho uma convivência muito próxima com seus filhos. Fiquei surpreso quando ele começou a fechar as chapas que iriam concorrer ao Senado e ao governo e fui convidado para ser o candidato dele aqui em Goiás.

Euler de França Belém – O sr. se considera um político de direita ou de centro-direita?

Eu acredito que eu seja um político de direita, até porque sou uma pessoa da convergência, daqueles que acham que é preciso discutir projetos e realizações. Meu estilo – eu sou empresário – é de entrega de resultados. Quero que as coisas aconteçam e vou trabalhar para isso. Minha missão agora é trabalhar para que ele seja reeleito presidente da República. Esse é meu maior projeto e, logicamente, sabemos que um presidente precisa ter a seu lado o maior número de deputados federais e de senadores, para ter governabilidade.

Euler de França Belém – A eleição para o Senado será mais fácil com Marconi no páreo ou sem ele?

Existe um ditado que diz que time que escolhe adversário não ganha o jogo. Então, vamos para a disputa, independentemente de quem esteja concorrendo. Em 2018, tive uma disputa eleitoral difícil, comecei com uma das mais baixas intenções de voto e terminei em 3º lugar, com quase 800 mil votos [796.387 votos], praticamente o dobro do 4º e do 5º colocados.

Euler de França Belém – Quase o dobro de Marconi?

Sim, de Marconi [5º colocado, com 416.613 votos] e de Lúcia Vânia [então no PSB, 4ª colocada, com 519.691 votos], também. Vejo que agora, na pré-campanha, é o momento de mostrarmos tudo que fizemos. Uma coisa interessante é que fiz todo esse trabalho, nos 246 municípios, recebendo os prefeitos como poucos e andei todos os municípios. Fui eleito como parlamentar atuante por três vezes consecutivas e, nisso, criei uma relação política que me fez voltar a postular o cargo agora. Vejo que, olhando para trás, o presidente me honrou com esse convite pelo trabalho que fiz.

“Tenho serviços prestados, fui senador por seis anos e meio e autor de projetos importantes”

Marcos Aurélio Silva – Na base governista, a tendência é de que saiam várias candidaturas. O sr. acha que isso privilegia quem está na oposição, já que os candidatos da base teriam seus votos pulverizados?

Nesta eleição, teremos uma avaliação muito forte de cada candidato. Por que escolher alguém e não outro? São vários. Eu tenho serviços prestados, fui senador da República por seis anos e meio, trabalhei muito pelo Estado, tenho capacidade de articulação muito grande por ter convivido no Congresso Nacional, fui autor de vários projetos importantes. Estamos colocando nosso nome para que as pessoas possam avaliar da melhor forma, pensando na seguinte questão: por que um senador em Brasília? Seria bom ter um senador atuante, que consiga unir as Casas, os Poderes, que seja conciliador? A população vai avaliar quem tem mais capacidade para estar lá.

Marcos Aurélio Silva – Sobre as emendas, quando o sr. esteve no Senado sua distribuição ocorria de uma forma. Hoje, mudou bastante. Agora há as emendas do orçamento secreto e um aumento substancial dos recursos na mão do Legislativo, reduzindo a força do Executivo nesse processo. Como analisar isso?

O processo político que o presidente tem adotado desde o início de seu mandato é totalmente diferente do que vivemos no passado. Para ter ideia, quando eu era senador, o volume de recursos que eu tinha era muito pequeno. Eram R$ 15 milhões por ano, para distribuir a 246 municípios. Em seis anos, então, seriam R$ 90 milhões. Quanto eu trouxe para Goiás? R$ 4 bilhões. Modéstia à parte, nenhum outro goiano estudou tanto o Orçamento da União como eu. Participei três vezes de sua elaboração, como relator subsetorial. Eu entendia como era feito o orçamento, participava dos orçamentos setoriais e sabia como seria a distribuição para os ministérios. Trabalhava na fonte, com o orçamento. Por isso, tive sucesso. Eu acompanhava desde quando eu gerava alguma emenda para uma cidade, até seu pagamento. É uma burocracia gigante, mas criamos uma estrutura para acompanhar isso. Sempre defendi as ideias e os interesses do meu Estado. Independentemente do que vou dizer hoje para você: eu era oposição ao governo, de um partido 100% de oposição ao governo federal. Hoje, o senador só compõe uma comissão de orçamento se fizer parte da base ou estar no maior partido. Mesmo assim, fui líder da minoria, líder de bloco e vice-líder de governo. Eu tinha acesso a todos os ministérios para discutir pautas de interesse de nosso Estado.

Nielton Soares dos Santos – A respeito de cassinos, o sr. é a favor da exploração, para ampliar as receitas, principalmente para a área turística?

Quando eu estive no Senado, meu voto foi contrário.

Euler de França Belém – Mas isso não é um moralismo? Nos Estados Unidos, como sociedade liberal, quem quer jogar joga. O mesmo ocorre no Japão. A proibição no Brasil parece ocorrer por causa do moralismo. Proibir as pessoas de jogar, por quê?

Nós já temos vários jogos legalizados.

Euler de França Belém – O maior cassino do Brasil é a Caixa Econômica Federal.

Já temos várias opções de jogos. Em meu entendimento, ampliar isso não vai gerar nenhum benefício para a sociedade, neste momento. Vivemos em um País em que, se olharmos para a economia, vamos perceber que ainda somos colonizados. Hoje exportamos minério, grãos, temos muita atividade que deve ser aperfeiçoada. Por que não agregar valor ao nosso produto e, por exemplo, exportar o óleo já embalado, em vez da soja in natura? Vejo que há muitas pautas a se discutir no Brasil mais importantes do que a dos jogos. Precisamos discutir a questão tributária. Quantos países têm hoje o imposto único? Temos pautas muito mais relevantes, não é o momento.

Euler de França Belém – Por que o sr. defende o imposto único?

Porque simplifica a vida de qualquer área da indústria e do comércio. A legislação muda todo dia, as regras do jogo mudam, os empresários não aguentam mais, precisam ser contadores, do departamento de pessoal, vendedores. Isso tira o foco, que seria produzir. Simplificando, com o imposto único, como ocorre em países vizinhos – inclusive na Colômbia, onde eu tenho empresa –, tudo fica mais prático. A sobrecarga que temos aqui é impressionante. Para ter ideia, sempre defendi que, onde houver obras públicas, não se deve gerar imposto sobre insumos. Não dá para fazer uma rodovia, para o povo, e então alguém emitir uma nota de frete, para gerar um monte de imposto em cascata, enquanto se poderia estar fazendo uma obra com 30%, 40% do valor, que é da sociedade. Se algo é em benefício do povo, para que gerar mais imposto naquilo? Precisamos simplificar a vida do povo brasileiro.

Quando saí de Taquaral, filho de pai taxista e mãe costureira, que não tinham nem uma casa onde morar, eu sonhava um dia ser engenheiro. Estudei muito para isso, sempre em escola pública – no Colégio Rui Barbosa, sou contador. Quando eu vi aquelas duas máquinas de datilografia ali [na redação do jornal], me lembrei de que eu morava em um prédio velho da Avenida Goiás, chamado São Judas Tadeu, em troca de vigiar quatro máquinas como aquelas. Tinha um colchãozinho, me enrolava nele e ficava lá. Sempre com o sonho de ser engenheiro. Quando passei no vestibular, eu tinha certeza de que iria dar certo. Hoje não temos certeza mais, se alguém diz que passou no vestibular. Sabe por quê? Porque a economia do Brasil não cresceu o suficiente para absorver esses jovens no mercado de trabalho. Isso porque continuamos a ser colonizados. Continuamos plantando, sendo o maior celeiro do mundo do agronegócio, simplesmente para exportar commodities. Agora, exportamos até o boi vivo. São essas coisas que precisam mudar neste País. Incentivar a indústria, as oportunidades para as pessoas, a geração de emprego e renda. É o que a gente quer. Minha contribuição em todas as áreas por que passei, seja como secretário estadual de Infraestrutura, quando defendi o investimento na área para melhor nosso custo-Goiás; seja como secretário de Indústria e Comércio, em um ano e sete meses, trouxemos 263 empresas com protocolos assinados para que elas pudessem vir se instalar no Estado. Foram mais de 43 mil empregos diretos e indiretos com a chegada dessas empresas. Independentemente de pandemia, sempre crescemos mais do que a média dos demais Estados. É por conta dessas pautas que quero voltar a ser senador da República.

“A Enel acabou com todos os escritórios que havia nos municípios goianos”

Ângelo Moureira – Como o sr. se posiciona em relação à Enel, com tantas queixas do setor industrial em relação à falta de investimento da empresa?

Isso é responsabilidade do Congresso Nacional. Criamos o processo de privatização, mas não a metodologia de como as agências iriam trabalhar em cima disso. O problema da Enel não é só aqui, não, mas em vários outros Estados onde ela atua. As agências reguladoras precisariam ter feito um projeto de privatização com regras mais claras de investimento e entrega de serviço. No caso de Goiás, não deveria haver uma concessão em que só a Enel poderia ser a responsável pelo fornecimento de energia para o Estado. Teria de ter o chamamento de outro grupo que pudesse investir, caso a Enel não tivesse correspondendo. O monopólio de concessão foi errado, o método que foi feito no governo do PT não preocupou com essa entrega do serviço. Do mesmo jeito, ocorreu com os aeroportos, o que acabou com a aviação civil.

No caso da Enel, ela acabou com todos os 246 escritórios que havia nos municípios, para enxugar custos. Hoje, para aprovar projeto aqui em Goiás, em qualquer área empresarial, é um entrave. Temos de rever isso. E, para isso, é preciso ter parlamentares preparados para discutir a regra do jogo. E é por isso que quero estar lá.

Euler de França Belém – A Enel, mesmo com as condições favoráveis que ganhou para operar em Goiás, está cogitando vender a operação sem ter cumprido os compromissos assumidos. Como fica essa situação?

A empresa foi vendida por um valor que, com menos de dois anos, já pagou o próprio investimento. Ela comprou a empresa (a Celg) “limpa”, não tinha nem o passivo. Sempre questiono isso em rodas de conversa: quantos empresários relevantes temos aqui em Goiás e a gente deixou uma empresa vir de fora do País e fazer a compra de uma distribuidora de energia – a única! – sozinha, sem concorrência. Esse mercado tem de ser bem regulado. Temos de ter as concessões, sou a favor das privatizações, da iniciativa privada, mas fico indignado quando há um processo desses em que quem deveria estabelecer a regulação pelas agências não fez seu papel.

Agora precisamos, por exemplo, precisar no desenvolvimento da energia fotovoltaica. Já há amarras para investimento nessa área. Ao contrário, deveríamos permitir que todo mundo que quisesse gerasse sua própria energia e não ter um monopólio. Tudo isso passa pelo Congresso. No dia que tiver pessoas preparadas para discutir ponto a ponto e saber ouvir o outro lado, a gente vai para frente.

Euler de França Belém – O federalismo, na prática, não existe. Municípios e Estados têm pouquíssima autonomia e há uma grande concentração dos recursos na União. Como melhorar essa distribuição?

Eu talvez tenha sido o senador mais municipalista de todos os tempos. A maneira com que o governo federal faz a distribuição é injusta, porque a vida acontece é no município, não no Estado nem na União. Se definirmos pelo imposto único e fizermos essa redistribuição, vamos ter mais justiça e podemos ter critérios de desenvolvimento econômico por região, respeitando sua vocação. Qual é a vocação de Goiás? Somos fortes no agronegócio, éramos o 3º em mineração, hoje somos o 4º do País, pois não criamos atrativos para as empresas se instalarem aqui. E nem falo de incentivos fiscais, mas de dar oportunidade para que elas venham estudar nosso subsolo, criar oportunidades. A região mais pobre do Estado é o Nordeste goiano. Mas, ao contrário, é o de mais potencial: tem minério de tudo que você possa imaginar – terras raras, cobre, ouro, minério de ferro, manganês. Tem toda uma metodologia que foi criada, várias APAs [áreas de proteção ambiental], mas sem critério nenhum. Vemos agora, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, a questão dos fertilizantes. Vocês sabiam que o Brasil tem grandes reservas de potássio? Só que estão em reservas indígenas ou em área de preservação. Mas o que é mais importante agora? Seria necessário fazer a transferência de APAs para outras regiões, com cuidado e zelo com o meio ambiente, mas pensando na população. Acredito que possamos fazer a preservação com responsabilidade social e ecológica, mas gerando oportunidades.

Euler de França Belém – Mas isso é que parece difícil, fazer com responsabilidade.

Não, pelo contrário. Se pensar em relação à área plantada no Brasil, em relação a outros países. Nós somos o País que mais preserva a natureza no mundo, tanto que temos o maior número de ONGs [organizações não governamentais] do mundo para discutir isso. Mas, para discutir produção, o que acontece? É o mercado de competição internacional e o Brasil tem de ceder primeiro. Volto de novo: se o governo tiver o maior número de senadores e deputados, essas pautas têm de ser colocadas em discussão, senão não vamos gerar oportunidades para nossos filhos e netos.

Há quantos anos não investimos em infraestrutura no País? Não investimos nada. E em ferrovias? Nós chegamos a ter 45 mil quilômetros de linhas férreas, hoje são 12 mil em funcionamento? E em duplicação de rodovia? Quantos anos gastamos para duplicar de Goiânia a Brasília? Há quantos discutimos a BR-153, projeto meu, brigando para fazer a privatização?

Ângela Moureira – Falta vontade?

Falta vontade política, quem queira entregar. Não é para todos, é para quem tem experiência, para quem quer fazer, levantar cedo e ser determinado. Ninguém chega em algum lugar na vida esperando acontecer. Alguém pode dizer que tive sucesso. Tive, graças a Deus. Mas eu dediquei minha vida para chegar ao meu objetivo.

Nielton Soares dos Santos – E como está a situação da BR-153? Foi feita nova licitação?

Sim, com uma nova modelagem. Na modelagem antiga, o sujeito pegou a rodovia pronta, novinha em folha e investiu apenas para fazer as praças de pedágio. Em que mais? Equipamentos que comprou, se brincar, pelo FCO [Fundo Constitucional do Centro-Oeste], não posso confirmar. E ficou na rodovia no período da concessão com o objetivo e compromisso de fazer o anel viário, previsto para ser executado do posto da PRF [Polícia Rodoviária Federal] na saída para Anápolis até Hidrolândia. Para ir embora, ainda tem de aumentar o valor do pedágio, para entregar a concessão sem prejuízo.

Com a nova modelagem é o inverso: quem assumir a rodovia já é obrigado a fazer a manutenção da rodovia, fazer a terceira faixa, fazer o planejamento. Isso porque, a partir da cobrança do pedágio, já comece também a entregar serviço à população. É esse o modelo que tem de ser feito. A iniciativa está entrando, mas com seus próprios recursos. Antes, quem ganhava a licitação já garantia um financiamento do BNDES.

Euler de França Belém – Quando começam as obras e qual o prazo para conclusão das obras? Será por lote?

Não tenho aqui os dados sobre quanto tempo vai durar a obra, mas a empresa que está aqui já é preparada, participa de outras concessões de rodovia, não é alguém que está iniciando no negócio. Quem está entrando já entende do assunto.

Euler de França Belém – Nesses três anos e quatro meses de governo Bolsonaro, com o ex-ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos), houve alguma evolução?

A maior de todos os tempos. Esses projetos já vinham sendo elaborados há muitos anos, mas não tinha um ministro preparado. Tarcísio é de carreira do Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] e passou no concurso público para analista de infraestrutura do Senado Federal. Então, já conhecia todos os projetos em andamento. O presidente lhe deu a oportunidade e condições para fazer as entregas. Nunca se fez tanta obra de infraestrutura no País.

Euler de França Belém – Isso vale para ferrovias, também?

Também. Vamos inaugurar a Ferrovia Norte-Sul, que está há 40 anos sendo construída. Nesse caso, a modelagem foi convidando as operadoras para ajudar a terminar. Estamos fazendo agora um trecho que sai de Mara Rosa até Água Boa, como prorrogação de uma concessão para a Vale em alguns anos, pelo ministério, como contrapartida a empresa vai criar ramais ferroviários. Isso foi feito no Brasil inteiro. Temos hoje a previsão de R$ 800 bilhões de investimentos em infraestrutura para os próximos dez anos. Isso em todas as áreas – saneamento, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos. Esse é o Brasil que nós queremos.

Ângela Moureira – O sr. esteve ao lado do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e foi seu secretário, numa pasta importante, e é amigo dele. Como foi sua saída do governo e agora sair a senador fora da base?

Eu já estava fora do governo havia dois anos, desde que deixei a SIC para pleitear a pré-campanha a prefeito de Goiânia e, depois, sendo candidato a vice-prefeito na chapa de Vanderlan Cardoso (PSD).

Ângela Moureira – Mas o sr. tem uma ligação forte com o governador, não?

Toda vez que entro para um projeto, faço isso pela causa. Quando fui convidado para ser secretário, eu entendia que, naquele momento, tinha condição de ajudar e dei o melhor de mim pela industrialização do Estado. Estava agora voltando para minhas empresas e encaminhando as atividades econômicas. Confesso que fui até surpreendido com o convite para disputar de novo o Senado. Tenho certeza de que cada um dos pré-candidatos que estão aí hoje colocados gostaria de estar no meu lugar: ser convidado pelo presidente da República para ser o nome dele em Goiás. Fiquei envaidecido, admito. Cheguei a pensar: por que eu? Ele respondeu que era por conta da minha história, da convivência, do quanto eu sou leal, do quanto ajudei o Estado, da capacidade política nos mandatos. Confesso que fiquei surpreso e não pensei nenhum segundo. Só falei “presidente, vou fazer o trabalho, andar o Estado de Goiás, levando seu nome aos quatro cantos e, logicamente, se o povo goiano entender que tenho chance de estar lá, vou honrar cada voto em Brasília”.

Ângela Moureira – Caso a candidatura do deputado Vitor Hugo (PL) não se consolide ao governo, o sr. vê a possibilidade de união a Ronaldo Caiado?

Quem está na política não pode nem pensar na expressão “não se consolidar”. A postulação está garantida, seguindo as regras da pré-campanha, conversando com as lideranças do interior e da capital. Acabamos de sair de um almoço com a Fieg [Federação das Indústrias do Estado de Goiás], estamos conversando com todas as entidades religiosas, sejam católicas ou evangélicas, enfim, fazendo nosso papel, que é colocar as propostas, eu como senador, explicando a experiência que eu tive e o que me motivou a aceitar esse convite para estar nessa chapa liderada pelo presidente, esse compromisso como empresário, com minha ideologia política 100% aliada ao presidente.

Marcos Aurélio Silva – Qual é a opinião que o sr. tem sobre o deputado Vitor Hugo?

Eu o conheci no Congresso Nacional. Não tinha muita convivência com ele, mas conheço sua história. É uma pessoa muito inteligente, fora da curva, passou em 1º lugar em tudo que se propôs na vida pessoal: no Exército, no concurso da Câmara etc. É preparadíssimo. Quando fui convidado, o governo Bolsonaro já tinha uma chapa definida para Goiás. O que queriam foi definido pessoalmente pelo presidente. Agora, com a convivência, só tenho entendido e admirado mais a lealdade que ele sempre teve com o presidente. Imagine, um jovem – creio que posso chamá-lo assim – como ele que, no primeiro mandato, ser prestigiado a ponto de ser o líder do governo na Câmara dos Deputados. Com certeza, essa relação que ele criou, de fidelidade com o presidente, pesou na escolha.

Cilas da Silva Gontijo – Com relação à campanha para governador, há vários pré-candidatos ao Senado que apoiam o presidente, mas estão caminhando com Caiado. O sr. acha que leva vantagem junto aos eleitores por apoiar o candidato oficial de Bolsonaro?

Não vou dizer que levo vantagem, mas que a gente cria uma afinidade com o presidente. Como senador, fiquei seis anos e meio com um governo de oposição e consegui trabalhar para os 246 municípios, fazendo projetos importantes. Goiás é um Estado conservador e é onde o presidente mais tem crescido nas pesquisas.

Cilas da Silva Gontijo – O sr. se considera um cristão conservador?

Com certeza, esses são meus princípios. O que está acontecendo no governo federal, as mesmas teses – Pátria, família, liberdade, contra o aborto, os valores da família – fazem parte das minhas prerrogativas. Acredito nisso também. Isso vai ajudar muito em nossa pré-campanha.

Cilas da Silva Gontijo – O sr. acha que a maioria dos goianos apoia Bolsonaro?

Com certeza. Nosso Estado é conservador, a economia que praticamente sustenta o Brasil é o agronegócio. Goiás se industrializou ao longo do tempo e, em relação aos demais Estados, tem gerado muitas oportunidades. Se você pegar o que era isto aqui há 30 anos atrás, comparado a Rio de Janeiro e outras unidades federativas e veja o salto. Foi algo muito grande.

“O presidente hoje é o maior líder político do mundo da atualidade”

Cilas da Silva Gontijo – Mas como o sr. vê a pesquisa Voga/Aciag, desta semana, que deu maioria para Lula (PT) no Estado?

Pesquisas têm uma metodologia para cada região. Se você pegar o que aconteceu em Rio Verde, na recente visita do presidente Jair Bolsonaro: a cidade parou. Todas as pessoas foram para a rua. Foi o evento mais bonito de que já participei na minha vida. Ao chegarmos ao aeroporto, as empresas liberaram seus funcionários, fizeram um cordão por toda a avenida e todo mundo foi para a rua para receber o presidente. Quando se vê aquele evento e a popularidade do presidente, voltando os olhos para as pesquisas: qual é a rejeição do presidente? O presidente hoje é o maior líder político do mundo da atualidade.

Cilas da Silva Gontijo – O sr., então, não acredita nas pesquisas?

As pesquisas estão começando agora. Não é que eu não acredite, mas, em janeiro, era 40% para Lula e 20% para Bolsonaro. Agora, lá em Rio Verde, no último estudo, o presidente estava com 36% contra 20%, era o inverso. O Centro-Oeste, onde estão os Estados mais conservadores, mostram que aqui o presidente já está na frente.

Ângela Moureira – E as ruas também mostram.

A gente vê a espontaneidade das pessoas, como ocorreu na manifestação da Praça Tamandaré no dia 1º de maio. Jovens, crianças, todo mundo vestido de Brasil. Eu tive oportunidade de ter empresas em outros países. Estive por sete anos na Índia, estamos até hoje na Colômbia, sempre ligados aos hipermercados e shoppings que construímos. Nos países que visitávamos, toda casa tinha a bandeira do país. Hoje, logicamente em uma amostra muito menor, vemos os prédios com as bandeiras brasileiras. É um patriotismo diferente, o que estamos vivendo hoje.

Marcos Aurélio Silva – Nesse sentido, como o sr. interpreta as manifestações de apoiadores de Bolsonaro pedindo intervenção militar, fechamento do STF [Supremo Tribunal Federal] e a volta do AI-5?

Como em todos os partidos, há extremos de um lado e de outro. Mas nossa posição é sempre a de defender a Constituição. Essa é nossa diretriz e vamos sempre segui-la. O próprio presidente faz questão sempre de dizer que está “nas quatro linhas” da Constituição. Meu projeto, se eleito senador, é exatamente a de respeitar a Constituição e defender a harmonia entre os Poderes.

Nielton Soares dos Santos – O sr. já definiu quem serão seus suplentes na chapa?

Não definimos ainda, até porque tudo está muito recente. Temos que discutir isso com as lideranças do Estado inteiro, tentar arrumar um suplente que tenha uma estrutura política. Primeiramente, precisamos ganhar as eleições.

Marcos Aurélio Silva – Em relação à questão da suplência para senador, o sr. assumiu depois de ser um. Hoje o sr. apoiaria um projeto em que os suplentes também passassem pela aprovação das urnas, sendo votados?

Eu fui suplente e talvez esse tenha sido o maior questionamento que eu fiz na minha vida – por isso, que eu queria participar das urnas. O suplente ele é candidato tal qual o candidato cabeça de chapa. Tanto é que, na saída deste, o suplente assume. Ele é o “vice”. Por isso, o suplente precisa estar alinhado com os mesmos projetos ideológicos; tem de representar o mesmo grupo político; então, ele é um candidato a mais. Não tive o voto diretamente, mas andei pelos 246 municípios, pedi voto da mesma forma. Modéstia à parte, não decepcionei os votos dos goianos quando eu assumi. Lá, fiz como sempre fiz também dentro de meu grupo econômico: me dediquei e trabalhei muito pelo Estado de Goiás. Pode ter certeza: meu suplente terá de fazer a mesma coisa que eu faço. Tem de estar na política como candidato junto comigo após a convenções.

Cilas da Silva Gontijo – Estamos vivendo embates entre o Executivo e o Judiciário em nível nacional. O que o sr. pode falar do caso do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF, e o senador Jorge Kajuru se tornando réu, ambos por crime de opinião.

Marcos Aurélio Silva – O sr. poderia avaliar cada um dos casos separadamente?

A primeira coisa é o que foi dito aqui: o parlamentar tem a garantia, pela Constituição, de defender seus pensamentos, sua linha de expressão. Nesse processo, ficou nítido de que foi tirado esse direito do deputado, independentemente de mérito. Se existe algum excesso em qualquer das áreas, é preciso que tanto a Câmara como o Senado trabalhem por essa harmonia. Por isso, o presidente tem feito essa escolha em cada Estado para o PL, que hoje é o maior partido em número de deputados federais com mandato e que virão para buscar a reeleição. Da mesma forma, os partidos coligados ao governo terão candidato ao Senado nos 26 Estados e no Distrito Federal. Isso tudo para que possa ter a maioria nas duas casas para aprovar as pautas. O Senado é a Casa revisora, que norteia todos esses acontecimentos que envolvem os outros Poderes, e com certeza, neste momento, teria de ter gente lá, não somente dois ou três, para exercer a defesa da Constituição em todas as suas linhas.

Marcos Aurélio Silva – Então, no caso de Daniel Silveira, o sr. considera que houve excesso?

Houve excesso.

Marcos Aurélio Silva – E no caso do senador Kajuru?

Não acompanhei o caso dele.

Cilas da Silva Gontijo – Em relação a Daniel, o sr. acha que houve excesso do STF, mas também houve excesso nas palavras do deputado?

Não vou entrar nos pormenores. Uma coisa é discutir ideologia, ministério, e outra coisa é discutir pessoas. Se eu for senador, eu quero discutir as instituições, não se é A, B ou Z.

Cilas da Silva Gontijo – O sr. é a favor de impeachment de ministros do STF?

Lógico. Não tem impeachment de senador, de presidente? Tem impeachment de todo mundo. Isso é nossa democracia.

Cilas da Silva Gontijo – Considera que há ministros que estão extrapolando?

Nós já tiramos presidentes da República. Quantos impeachments já fizemos, inclusive de deputados?

Cilas da Silva Gontijo – Por que o Senado está fugindo dessa demanda?

Temos de ter muito cuidado na hora de escolher parlamentares de agora para sempre. Não tenho nenhum vínculo de nada com governo. Nem meu grupo econômico. Então, estou aí para defender a Constituição brasileira. Se amanhã tivermos de convidar ou intimar ministros… se o Senado tivesse convidado alguns ministros do STF para esclarecer alguns fatos, certamente teríamos hoje mais harmonia entre os Poderes. Ninguém é dono da razão.

Euler de França Belém – O sr. e o major Vitor Hugo estiveram com dois correligionários, o deputado federal Professor Alcides e o deputado estadual Eduardo Prado. Professor Alcides finalmente fechou com vocês e vai apoiar Vitor Hugo?

Tenho um carinho especial com o Professor Alcides, uma relação de amizade muito forte. A vinda dele para o PL foi um convite nosso e hoje está muito afinado conosco, até porque ele defende as mesmas causas do presidente. Na formação de chapas, é natural que as pessoas vão se identificando com o tempo. Vitor Hugo está fazendo isso com muita tranquilidade. Em um primeiro momento, ele não forçou ninguém, foi criando uma naturalidade para as pessoas conviverem com ele. Ele pega a agenda e compartilha com todos os pré-candidatos. Então, todos sabemos o que ele vai estar fazendo e em qual lugar. E deixa claro: todos os que quiserem, que acham tal pauta relevante, são seus convidados.

Euler de França Belém – Para dizer claramente, o Professor Alcides vai mesmo apoiar Vitor Hugo ao governo?

Professor Alcides faz parte de nosso projeto, ele é do PL, está consolidado, cada dia mais junto conosco.

Euler de França Belém – E como fica a deputada Magda Mofatto, por que ela apoia outra pré-candidatura?

A deputada Magda Mofatto é a presidente de nosso partido, o PL, em Goiânia. Quando o presidente nos convidou para compor a chapa majoritária, ela, como nossa presidente, abonou nossas fichas. Ela estava em outro projeto, tentando consolidá-lo, mas é um processo natural. Nosso pré-candidato Vitor Hugo tem crescido nas pesquisas, mesmo com menos de três semanas em que seu nome foi definido. Ainda tem muita coisa para acontecer.

“Meu projeto é com Vitor Hugo e todos os pré-candidatos de meu partido”

Euler de França Belém – Aqui é preciso deixar registrado que não é que “ela estava em outro projeto”: ela está em outro projeto, que é o de Gustavo Mendanha [pré-candidato do Patriota ao governo estadual].

Quem tem de responder isso é exatamente ela. Estou no PL, que é o partido presidido por ela. Meu projeto é com Vitor Hugo e todos os pré-candidatos de meu partido. É com eles que vamos fazer dobradinhas pelo Estado inteiro.

Euler de França Belém – O sr. acha que é possível uma aliança entre Gustavo Mendanha, Wilder Morais, Vitor Hugo e Marconi Perillo?

Não. Isso em hipótese alguma vai acontecer. O projeto que foi consolidado tanto em Goiás como no Brasil inteiro foi para estar alinhado dentro dos princípios que o governo deseja. O presidente não quer fazer composição que já se uniu com a esquerda, com o socialismo, isso não faz parte do projeto.

Euler de França Belém – Essa resposta se dirige a Marconi e também a Mendanha?

Não estou discutindo pessoas, estou discutindo conceitos. O presidente hoje quer ter candidatos que estejam alinhados com o que ele defende. Então, todos os candidatos que estiverem dentro desses princípios caminharão juntos. E é bom lembrar que há outros partidos que fazem parte da base dele. A maioria do Congresso não é composta só pelo PL, mas por todos os partidos que estão aliados ao presidente. Em nível estadual, portanto, essa possibilidade não existe.

Euler de França Belém – Então tanto Vitor Hugo como Wilder Morais vão até o final em suas postulações?

Vamos até o final, não recuo nem para pegar embalo. (risos)

Euler de França Belém – O sr. acha que Bolsonaro conseguirá reduzir o preço dos combustíveis?

O valor dos combustíveis não está ligado apenas ao imposto federal, mas também aos tributos estaduais. Temos de definir qual é o papel da Petrobrás. É uma produtora de petróleo que tem de dar resultados ou que tem de subsidiar algo para a população brasileira? Qual sua função, é regulada pelo mercado internacional ou tem um vínculo com o mercado nacional? A Petrobrás tem de ganhar dinheiro para distribuir a seus acionistas? Tenho negócios na Colômbia, um país que não produz nada de petróleo e lá o preço é mais barato. Quem tem de fazer essa definição é o Congresso.

Euler de França Belém – A criação de um fundo para ajudar a regular o preço dos combustíveis é uma ideia que o sr. apoiaria?

Sou favorável a tudo aqui que dê melhores condições. Temos uma empresa brasileira petrolífera. Mas por que não existem outras? É o mesmo caso da Enel. Por que existe só a Petrobrás? Nos Estados Unidos têm várias “Petrobrás” da iniciativa privada. Por que fazer esse cartel aqui no Brasil, para dizer que o petróleo é nosso, mas um petróleo mais caro? Essas coisas precisam ser discutidas, mas quem debate isso é o Congresso Nacional, não é o presidente da República, que pode até dar uma linha do que gostaria.

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