“Quero realizar meu sonho de ser candidato e debater a cidade com Iris”

Deputado aguarda parecer do TRE para se filiar ao PSL e poder disputar eleição para prefeito da capital quatro anos depois de renunciar vice do emedebista 

Deputado estadual Major Araújo (PRP) | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Em seu terceiro mandato como deputado estadual, Major Araújo (PRP) comprou com uma de suas bandeiras na nova legislatura a emenda que assina em conjunto com Talles Barreto (PSDB) para aumentar o orçamento impositivo. A parte dos recursos anuais do Estado destinada aos parlamentares, pelo texto, pode subir de 0,5% para 1,2% e ainda ver desvinculada a obrigação de que todos os recursos sejam destinados à saúde.

Ao olhar para a gestão do prefeito Iris Rezende (MDB) em Goiânia, Major Araújo diz que não se arrependeu de ter renunciado o cargo de vice-prefeito. “Modernidade não é com ele.” Para o deputado, que aguarda a liberação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para mudar de partido e se filiar ao PSL, a capital precisa de uma pessoa que viveu a cidade, que conhece suas ruas por andar a pé ou de bicicleta, já vivenciou a dificuldade do trabalhador que usa o transporte salário, faz bicos e sobrevive com um salário mínimo.

Augusto Diniz – A secretária da Economia, Cristiane Schmidt, foi à Assembleia na quarta-feira, 20, prestar contas e apontou frustração de arrecadação. Como o Legislativo tem visto a situação do atraso do pagamento dos servidores do Estado, que tem se arrastado há quase três meses?
A secretária foi prestar contas sobre o exercício de 2018, embora os parlamentares tenham feito perguntas relacionadas ao ano de 2019. Falou principalmente do gasto com servidores, que Cristiane Schmidt afirmou ter extrapolado o limite prudencial. Há muita controvérsia nessa questão. O deputado Helio de Sousa (PSDB) disse que parte do cálculo da despesa com pessoal considerada pela secretária não deveria estar na conta.

Rodrigo Hirose – Quais são essas despesas?
Imposto de Renda, servidores aposentados, proventos de Previdência. Isso não deveria fazer parte da folha. Hoje o Brasil inteiro adota essa prática de incluir no cálculo da folha para dizer que é despesa da folha. A Previdência não é financiada por nós? Não deveria fazer parte do cálculo. E a secretária incluiu.

Foi aprovada uma lei pelo governo passado, que talvez a intenção fosse tirar do cálculo para dizer que não havia violação da Lei de Responsabilidade Fiscal, porque foi praticado o governo inteiro, só no final desconsiderou possivelmente para que o balancete dos quatro anos fechasse. A lei determinava que a partir de determinado momento não seria mais considerado o desconto do Imposto de Renda e a Previdência no cálculo.

Rodrigo Hirose – O sr. então é favorável à retirada dos descontos do cálculo?
Concordo. Tem de ser retirado. Nosso contracheque vem Goiásprev. Ainda temos um regime em vigor no Estado que para cada R$ 1 de contribuição do empregado o patrão contribuiu com R$ 2. Pode haver déficit? Pode. Mas o recurso deveria ir para a Goiásprev para que fosse pago o servidor. Pode ser questionada se a contribuição faz parte da folha.

Não faz parte. Folha é o que entra no contracheque do trabalhador. Essa é a contribuição patronal. São tributos. O INSS não é um tributo? Vamos colocar tributo na folha de pagamento? Um tributo que é do Estado? O governo coloca. Se você pega esses recursos e paga os servidores aposentados – sabemos que o governo não vinha recolhendo o valor da Previdência, mas deveria recolher -, esse valor não deveria fazer parte do cálculo da folha.

Rodrigo Hirose – A intenção da secretária é reincluir a aposentadoria no cálculo do salário?
Não vi os documentos que a secretária apresentou. Mas concordo com dr. Helio [de Sousa] que a secretária incluiu na apresentação do cálculo de pessoal para chegar ao percentual de pouco mais de 64% despesar que não deveriam figurar.

Augusto Diniz – A Assembleia tem discutido com o governo ou vê alternativa para solucionar o atraso do pagamento do salário de dezembro dos servidores?
A Assembleia tem contribuído com o que pode. Uma grande contribuição é a CPI dos Incentivos Fiscais. Estado de Goiás gasta com incentivos fiscais praticamente um terço da sua arrecadação. Isso não é praticado em lugar nenhum do Brasil. Em média, o Brasil inteiro pratica 8% da sua arrecadação.

Em valores reais, talvez 8% em Minas Gerais seja mais do que os 33% praticados aqui. Mas em termos de percentual é o aceitável. Precisamos nos adequar ao que é praticado no Brasil inteiro, em um limite aceitável de incentivos fiscais. E vem a contradição da própria secretária, que apresentou crescimento no desemprego em Goiás.

Inclusive a Novo Mundo é objeto de ação do Ministério Público para devolver recursos, porque entende o MP que houve concessão indevida pois não redundou em geração de emprego e renda. O MP cobra da Novo Mundo R$ 140 milhões considerados concedidos indevidamente. Isso precisa ser discutido. Há um mistério nessa conta.

Se aplicamos muito mais do que os outros Estados, deveríamos gerar muito mais empregos. É cálculo matemático. E matemática não mente. Se não está a gerar emprego, tem alguma coisa errada. E não temos o menor nível de desemprego do Brasil. Temos o maior. E também o maior em índice de concessões de incentivos fiscais, anistia e outras formas de renúncia à receita.

Isso precisa ser explicado. E é uma contribuição da Assembleia. Faço parte da CPI, que vai contribuir bastante. As entidades de comércio e indústria – os empresários – estão muito preocupadas. Vai ser uma grande contribuição para o Estado porque tende a melhorar a arrecadação.

Não entendo a conta apresentada. Com relação à folha, falta o governo priorizar o pagamento dos salários. Só isso. Priorizou outras demandas. Foi publicado que 44% do déficit já foi pago. Então o governo priorizou saldar outros débitos que não sejam a folha. Com o pagamento dos 44%, a folha não foi paga. A folha não está incluída nesse débito.

Ano passado demos uma contribuição que foi o corte dos incentivos fiscais que redundariam em R$ 1,8 bilhão de arrecadação a mais neste ano. Era para ter havido um incremento. Se a secretária disse que não arrecadou tem alguma coisa errada. É preciso saber o que está errado. Contribuição nós já demos e estamos dando.

A contribuição maior tem de partir do Executivo. A maioria dos projetos que poderiam ser aprovados ou ações que poderiam ser implementadas têm de partir de iniciativa do Executivo. Não é do Legislativo. O deputado Paulo Cezar Martins (MDB) apresentou um projeto de lei que talvez tenha vício, mas que preocupou bastante, que é a revisão dos benefícios concedidos à Enel. Se isso também for feito daríamos uma contribuição com incremento na folha.

Há quem entenda que existem vícios de origem no projeto. Isso deveria ser uma iniciativa do Poder Executivo por ter sido ele o responsável por conceder os incentivos.

Euler de França Belém – Governador Ronaldo Caiado (DEM) tem tomado providências com relação à Enel?
As providências tem sido tomadas pelo governador com relação ao serviço prestado pela Enel. Mas em relação às muitas concessões – para mim exorbitantes – que foram feitas, acredito que não. Não vi providência nesse sentido. Pode ser que esteja a incentivar deputados a agir. Por parte do governo, não vi providência nesse sentido.

O fato é que os serviços pioraram. Houve até um expediente que foi feito junto ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e à Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] para melhorar o atendimento. Mas no sentido de buscar o passivo que foi deixado para o Estado não.

Estado assumiu as dívidas da Celg. Aprovamos cerca de R$ 8 bilhões em empréstimos para a Celg. A empresa foi vendida por R$ 2,3 bilhões. Foram R$ 8 bilhões para salvar a Celg e não salvou a companhia. O Estado assumiu os passivos da Celg, as ações com fornecedores, com servidores da empresa, concedeu anistia, perdoou a dívida que a Celg tinha de ICMS e concedeu incentivos fiscais.

Foram bilhões e bilhões concedidos para a empresa, uma parte no presente e outra ao longo de 29 anos com incentivos fiscais milionários, e não melhorou o atendimento. Se eu fosse o governador iria buscar de volta a empresa, porque é questão de um contrato não cumprido.

Euler de França Belém – O que foi feito do dinheiro da venda da Celg?
Não faço a mínima ideia. Sou crítico do governo passado. Acredito que o dinheiro foi desviado. Não redundou em obras nem nada. Uma pequena parte foi usada de forma eleitoreira. Todo mundo sabe que o Goiás na Frente foi um programa eleitoral. Uma pequena parte foi para a mão de prefeitos.

Marconi Perillo (PSDB), quando lançou o Goiás na Frente, ao mesmo tempo mandou para a Assembleia um projeto que endurecia os critérios para que municípios e entidades que recebem verba do Estado tivessem de atender a uma série de requisitos. O Estado incluiu as certidões negativas do prefeito e do vice-prefeito. Se o prefeito estivesse devendo o IPVA o município não podia receber recurso. Tudo feito para dificultar o acesso ao recurso.

Fui contra a aprovação desse projeto na Assembleia porque dava com uma mão e tirava com a outra. Demonstrava a intenção de dar recurso, mas inviabilizando o preenchimento dos dados para receber a verba. Me lembro de certa vez conversar com o prefeito de Indiara, Divino Marques de Sousa (PDT), que me disse que apenas três prefeituras preencheram os pré-requisitos para receber o dinheiro do Goiás na Frente: Indiara, Trindade e Goiânia. As outras estavam lutando para resolver problemas e conseguir atender aos requisitos.

“Discussão que se faz da reforma é muito rasa. É preciso levar em consideração outros fatores que não são observados”

Major Araújo cineminha - Fotos Fernando Leite Jornal Opção

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – Quanto o governo aplicou do Goiás na Frente?
Não sei. Não faço a mínima ideia.

Euler de França Belém – Não seria importante saber como deputado?
Seria, mas não temos acesso a esses dados.

Euler de França Belém – Mas são dados públicos.
O que é publicado não é o que foi realmente aplicado. Como eu não represento prefeito, não me preocupei muito com essa questão.

Euler de França Belém – Mas o sr. representa o Estado.
Sim. Represento. Mas o Goiás na Frente foi uma medida voltada para os municípios. Quem tinha representação, o prefeito apoiou, com certeza estava de olho nisso para ver se realmente foi aplicado. Não tenho dados precisos. Tenho outras demandas. Nós deputados não conseguimos atacar completamente todas as questões. É preciso priorizar.

Represento muito o servidor público e as questões que afetam os funcionários estaduais, as questões de segurança pública dentre outras que priorizo senão não conseguimos exercer o mandato.

Euler de França Belém – A Previdência da prefeitura foi bem equacionada pelo prefeito Iris Rezende (MDB)?
Tenho uma visão bem diferente do que é aplicado à Previdência dos servidores de forma geral. O que Iris fez foi copiar o Estado: alíquota, o sistema de Previdência. Algumas medidas que o Estado tomou eram necessárias para coibir fraudes na Previdência, o que eu aprovei. Não votei a favor porque a maior parte do que estava em discussão era injusto com o servidor.

Eu trataria essa questão de forma diferente. A Previdência tem outros fatores que contribuem para o cálculo. Não se pode fazer uma discussão rasa somente com o tempo e do valor da contribuição. A violência que Goiás e o Brasil enfrentam influencia na Previdência. A violência causa um grande déficit para a Previdência. Cada pai de família, que é trabalhador, que morre em um assalto como acontece todo dia em Goiânia sobrecarrega a Previdência.

Com o servidor público não é diferente. As condições de saúde do servidor afetam a Previdência. É preciso olhar todo o conjunto de coisas. Foi feita uma discussão rasa da Previdência. E faz-se igual ao Estado, com elevação da contribuição para 14,25%, a mais cara do Brasil, aumenta o tempo de contribuição para X e tomar medidas que o Estado adotou de forma acertada.

Uma medida acertada foi o combate a fraude na Previdência. Um cidadão separa da esposa com 70 anos. A lei civil sobre a herança trata bem dessa questão. A mulher que se casar com um cidadão com mais de 70 anos não tem direito a herança. Na Previdência precisa acontecer também. O homem passa a viver com uma mulher jovem de 20 anos, falece e deixa a Previdência por quantos anos para essa senhora? Isso precisa ser realmente contido.

Havia fraudes na Previdência do Estado que o governo tratou bem. O cidadão que casava com a própria nora para deixar pensão para a esposa e o filho. Continuavam a viver juntos, separavam no papel para o pai casar e deixar pensão. Essas questões foram coibidas com o projeto aprovado.

Mas a discussão que se faz da reforma é muito rasa. É preciso levar em consideração outros fatores que não são observados. É uma reforma que só penaliza o trabalhador do município. A saúde do servidor não está bem. E se não estiver bem vai ter déficit na Previdência.

Euler de França Belém – Quando o sr. diz que não está bem é no geral?
Em Goiânia não está bem. Veja o escândalo no Imas [Instituto de Assistência a Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia] com o dinheiro sendo desviado, o servidor fica sem atendimento, o serviço é suspenso. Tanto no município quanto no Estado isso acontece. O prestador suspende o atendimento, o médico descredencia porque não recebe. É preciso melhorar a saúde do servidor. Tomar outras providências.

Ou então fazer uma discussão honesta sobre Previdência. Já que não damos um bom atendimento de saúde, é preciso considerar que o déficit foi gerado por culpa também do próprio município. Prefiro tratar dessa forma. Gosto do sistema de fundo, que é formado para pagar o servidor. O Estado tinha um fundo.

De 2003 para cá foi criado um fundo. Maguito Vilela (MDB) criou a contribuição previdenciária, que não existia. A contribuição antes era feita para a saúde por meio do Ipasgo [Instituto de Assistência aos Servidores do Estado de Goiás]. O Ipasgo era o Instituto de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores. Era tudo junto com apenas uma contribuição para a saúde e a Previdência. Inclusive era simbólica.

Era descontado 8%, que foi elevado a 11%, como era o INSS, e foi desmembrada a contribuição para a saúde em 6% e 5% para a Previdência. Quando Marconi Perillo assumiu o governo, a contribuição de Previdência foi elevada para 11% mais 6%, que dependia do limite salarial do servidor, para a saúde. Foi quando ocorreu a criação do Instituto de Previdência, uma autarquia, e o de assistência. O que melhorou.

Em 2003, Marconi criou o fundo. Para cada contribuição de R$ 1 do servidor, R$ 2 do Estado. Só que esse dinheiro não foi arrecadado. Conversei com a promotora de Justiça Marlene [Nunes Freitas Bueno] e de fato não foi recolhido. Não estaríamos falando hoje em déficit da Previdência se o fundo fosse bem administrado, as aplicações fossem feitas nas mais rentáveis condições que o mercado oferecesse, de forma diversificada para não perder dinheiro. Tudo com o devido critério.

O dinheiro poderia ser suficiente para pagar as aposentadorias. O que daria condições para pagar em 2033 a aposentadoria dos servidores que se aposentassem com 30 anos de contribuição, em 2038 com 35 anos de contribuição. Esse fundo seria suficiente. Ao menos por um período. O Estado arcaria só com as aposentadorias de quem aposentou até 2003.

Mas Marconi extinguiu o fundo e disse que doravante o Estado vai arrecadar e pagar com o próprio Tesouro as aposentadorias. Isso é um erro. Esse sistema está em discussão por regime geral de Previdência, que é o regime mais praticado no mundo inteiro, inclusive pelos programas privados de Previdência. Forma-se o fundo, que paga as aposentadorias.

O fundo também é lucrativo. A pessoa que vem a falecer, ela e sua futura pensionista, deixa o dinheiro para o fundo. O que hoje afeta negativamente a Previdência poderia ser revertido em recurso para o fundo. No caso da PM, que há muitas exclusões. Recentemente foram excluídos dois policias da Rotam [Rondas Táticas Ostensivas Metropolitanas] com 26 e 22 anos de contribuição. Os 22 anos do ex-policial ficam para o fundo.

O máximo que poderá ser feito pelo servidor excluído é averbar no INSS para receber. Mas o Estado não passa o dinheiro relativo à contribuição dos excluídos para o fundo do INSS.

Rodrigo Hirose – Uma das ideias propostas para a Reforma da Previdência dos militares é que haja a verticalização e valha para os Estados. Qual análise o sr. faz do projeto?
Querem jogar os policiais no regime geral. Só os militares federais que teriam direito a sistema de proteção. Discordo porque o sistema de proteção é para o militar. E o militar estadual também é militar, depende do vigor físico, tem dedicação integral. O militar estadual sofre tanto que não recebe o bônus porque são servidores públicos. Mas na hora de arcar com o ônus somos militares.

Não temos direito a definição de jornada. São muito direitos que os servidores têm que os militares não têm. A única coisa que os militares estaduais ainda preservam é o tempo de contribuição semelhante aos federais. A pensionista dos militares federais não contribuiu com Previdência, a nossa contribui com o mesmo valor do ativo. E só recebe 70%, dos federais é integral. Cabo e soldado federal não contribuem, os estaduais contribuem. Aqui contribuem com o mesmo percentual das demais graduações e postos.

O que é bônus o militar estadual não recebe. O que é ônus temos todos. Essa distinção entre ser militar na hora do ônus e ser servidor na hora do bônus não é justa. Não podemos receber junto com o servidor público. Foi aprovado pelo Romeu Tuma a aposentadoria das militares femininas aos 25 anos de serviço. Como somos militares disseram que não, que nós temos regras do militar estadual. A regra do militar federal não serve para nós. As policiais estaduais femininas ficaram fora do projeto.

Espero que a aplicação seja realmente vertical e que a bancada representativa que foi eleita – nunca houve uma bancada tão grande de militares no Congresso – se posicione pela inclusão dos militares estaduais na proposta dos federais. Isso nos garantiria um tratamento realmente digno.

Rodrigo Hirose – O sr. criticou bastante a intenção do governo de cobrar imposto sobre a AC4 [hora extra remunerada]. Essa situação está definida?
Fui informado pelo comando da PM que a situação foi contornada. A solução que daria para o governo é aumentar o valor da hora extra. A AC4 foi criada pelo ex-governador Alcides Rodrigues no valor de R$ 14. Para se ter ideia de quanto é antiga. Alcides governou de 2006 a 2010. De lá para cá, houve uma diferenciação entre o pagamento do valor noturno do diurno. Ninguém queria pegar serviço a noite, quando veio a oferta de um pagamento um pouco acima a noite.

Mas avançou o que? R$ 18 a noturna. A diurna é R$ 16. É uma covardia debitar o Imposto de Renda na hora extra porque acaba por levar tudo. A AC4 se soma ao salário e talvez o policial receba R$ 10. Menor que valor de quando foi criada. Nos posicionamos contra. Houve uma reação muito forte dos militares. Muitos não queriam dar o nome, já que é uma hora extra voluntária, para fazer serviço além do expediente. Isso causou um déficit no policiamento e o governo rapidamente contornou a situação.

“Nas duas legislaturas anteriores, independência não foi respeitada. Assembleia realmente cumpria ordens”

Major Araújo - Foto Fernando Leite Jornal Opção 19

Deputado estadual Major Araújo (PRP) em entrevista aos jornalistas Augusto Diniz, Rodrigo Hirose e Euler de França Belém: “O presidente da Casa não deve nenhum favor para o chefe do Executivo. Isso garante todas as condições para agir de forma independente” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz – Como está a discussão da emenda do orçamento impositivo, que aumenta o valor que fica com os deputados de 0,5% do orçamento para 1,2%?
O primeiro grande passo foi dado. Assinaturas suficiente nós conseguimos. O autor da propositura é o deputado Talles Barreto (PSDB) e entrei como co-autor. Fomos os únicos que votaram contra a modificação, proposta pelo Bruno Peixoto (MDB). Nem assinei a emenda e também não votei favorável a ela em dezembro de 2018. Fui contrário.

Venho mantendo o meu posicionamento com relação ao orçamento impositivo desde que foi criado no Congresso Nacional e houve a primeira tentativa em 2017 de aprovar na Assembleia. Assinei quando as assinatura foram coletadas. Contribuí com o trâmite até chegar ao plenário. Quando estava no plenário, o então governador Marconi chamou os deputados da base e determinou que se votasse contra a proposta que os próprios parlamentares criaram.

Votei a favor da proposta e fui vencido pela maioria que votou contra e rejeitou a propositura que haviam apresentado. Fui a favor da aprovação com 1,2% do orçamento e depois fui contrário à modificação. Tenho mantido minha coerência. Sempre me manifesto pela independência do Poder Legislativo. O que estamos praticando, o valor de 1,2%, fica aquém do que é praticado em média no Brasil. É um índice bastante razoável e contribui e muito com o governo. Em Brasília o valor fica atinge a casa dos 2%.

Augusto Diniz – Como está o orçamento impositivo hoje?
Neste ano já tivemos direito, mas com os limites impostos pela modificação que a Assembleia promoveu através da propositura do Bruno Peixoto. Ficou em 0,5% para ser aplicado somente em saúde. O que queremos é diversificar a aplicação, voltar ao que era antes. O projeto anterior à modificação previa aplicação de 30% na saúde, 30% em educação e 40% para ser aplicado livremente pelos deputados.

Quero mandar para construir uma praça, comprar uma van, um ônibus para a prefeitura de determinada cidade ou a um órgão. A outra modificação ruim que passou – todos os deputados que votaram a favor estão arrependidos hoje e espero que nos ajudem a modificar esta questão -, além de autorizar utilizar o orçamento impositivo apenas em saúde e deixa o governo livre para não destinar recursos às emendas e colocar em restos a pagar no final do exercício.

Não adiantou nada. Não é impositivo. Assinei junto e vou trabalhar para que a emenda seja aprovada.

Augusto Diniz – Na semana retrasada a Assembleia aprovou um segundo crédito suplementar de R$ 20 milhões, já havia liberado um de R$ 28 milhões, para que fosse usado no pagamento de parte dos servidores da educação. O que ainda não aconteceu. Ontem o governo aprovou um terceiro crédito suplementar. Por que o recurso foi liberado pelo Legislativo, mas ficou só para sexta-feira o pagamento do salário de parte dos servidores do Estado referente a dezembro?
Não sei. É uma pergunta que precisa ser respondida pelo Executivo. Nós lamentamos. Tenho muito respeito pelos professores, que sofrem muito no Estado. Os profissionais da educação, não só o professor. O caso de Suzano (SP) abre uma reflexão sobre o quanto o profissional da educação sofre. Deveriam receber um tratamento mais digno.

Quando o governo tomou a iniciativa de pagar os professores antes dos outros servidores, dei nota dez. Achei magnífico. Dei todo apoio. Não sei o que envolve a questão. A suplementação foi feita, mas tem dinheiro do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] também e uma série de fatores. Não sei explicar o que aconteceu. A melhor pessoa para responder isso é o próprio chefe do Executivo.

Augusto Diniz – O presidente da Assembleia, Lissauer Vieira (PSB), foi eleito com o discurso de que a Assembleia vai caminhar independente do Executivo, atuará como uma fiscalizadora do governo e apoiará os projetos que entender necessários. Será possível manter a independência ao longo do tempo?
Ajudei na composição e até agora não me arrependi. A independência já se verifica na Casa. Nunca se autorizou tantas CPIs [Comissões Parlamentares de Inquérito] como agora. Temos cinco CPIs aprovadas e algumas em andamento. Há outras já propostas que estão na fila. Essa é uma demostração de independência. Em outras épocas o governo viria a intervir para não deixar que fosse investigado determinado setor.

O funcionamento da Assembleia tem ocorrido com a valorização dos deputados por parte do presidente, tanto nas proposituras quanto no direito de uso da palavra. Tudo tem sido respeitado. Espero que a independência da Casa permaneça. Que isso prevaleça até o fim do mandato de Lissauer Vieira! Que os demais que vierem depois de Lissauer também façam o mesmo. Isso faz bem para o próprio Poder Legislativo, mas faz bem principalmente para a sociedade.

É preciso respeitar a independência dos poderes. Nas duas legislaturas anteriores, nas quais estive, isso não foi respeitado. A Assembleia realmente cumpria ordens, o presidente era escolhido pelo Executivo. Lissauer só não vai manter a independência se não quiser. Não foi escolhido pelo governador. Foi escolhido por nós na composição. O presidente da Casa não deve nenhum favor para o chefe do Executivo. Isso garante todas as condições para agir de forma independente.

Augusto Diniz – Ao olhar hoje para a eleição municipal de 2016, o sr. acredita que tomou a decisão certa ao não assumir o cargo de vice-prefeito de Goiânia?
Não arrependi. Estava sofrendo muito. Sofri durante a campanha com intolerância por parte da cúpula do MDB. Sofri muita puxação de tapete. Quis renunciar durante a campanha. Foi um apelo que me fez o próprio Iris e o presidente do meu partido, que respeito muito: Jorcelino Braga. Pediram para que eu não abandonasse a chapa porque isso poderia levar à derrota de Iris, poderia ser explorado na campanha.

Sempre acreditei que ter Estado e capital na mão de um partido só não é bom para o povo de Goiás. É preciso equilibrar o poder. Coloca-se o poder na mão de um no município e o Estado na mão de outro. Todo lugar precisa ter oposição. Na Assembleia é preciso ter oposição. Se não tivermos uma oposição forte, é ruim para todos nós. É ruim para a sociedade, para o próprio poder e até para o governo. Um governo que não é fiscalizado, que não se policia as suas ações, tende a cometer equívocos irreparáveis por falta de uma oposição dura.

Não me arrependo. Quando renunciei tirei um peso das costas. E saí aliviado.

Euler de França Belém – Dois anos e três meses depois, o sr. sente que fez bem? O sr. acredita que Iris vai bem ou mal?
Me senti bem. Iris não depende de vice. É um prefeito centralizador. Ele se intitula assim. Um vice para Iris seria realmente uma figura decorativa.

Euler de França Belém – Quero saber se as realizações do prefeito mostram que Iris não era talhado para modernizar a cidade.
Iris não é muito moderno. Iris não é afeto à modernidade. Iris faz bem o asfalto… cumpre bem os serviços que são rotineiros do município. Modernidade não é com ele. Participei da elaboração do plano de governo… Na realidade ninguém participa. Eu assisti. Opinião ninguém tinha como dar. O plano já estava praticamente desenhado. Algumas coisas que tentamos propor não foram acatadas.

Se você for falar para Iris sobre universalizar o sinal de internet para trazer benefícios, o prefeito discorda. O negócio do Iris é asfaltar, tapar buraco, fazer um viaduto. Aquela coisa do passado de deixar uma marca. É estarmos no alto de um prédio, olharmos para determinado ponto da cidade e dizer “aquela obra fui eu que fiz”. Quer deixar uma grande obra para ser lembrado.

As administrações do Iris sempre foram marcadas por isso. Rodoviária de Goiânia, Centro de Convenções. Há outras ações que precisam ser feitas para modernizar a capital. Senão não vamos mudar a questão do trânsito, do transporte, os problemas crônicos de Goiânia não vão se resolver se não olharmos para frente.

Rodrigo Hirose – O sr. já declarou que pretende colocar seu nome à disposição para a próxima eleição a prefeito de Goiânia. Ao abdicar de ser o vice-prefeito, e diante dos dois primeiros anos e três meses de administração – sofreu alguns desgastes, teve problemas, apesar de anunciar agora pacote de obras para a reta final do mandato -, o sr. acredita que politicamente a separação foi mais positiva do que negativa? O sr. evita o desgaste para disputar a eleição?
É uma estratégia fazer caixa. Algumas pessoas perderam a vida nesse intervalo pela inércia do município, por uma economia que foi feita. Outros tiveram danos materiais irreparáveis. Não pode fazer isso. Cada um tem seu sistema de gestão. Não tive rompimento e nunca terei. Respeito as pessoas.

Sou crítico do Marconi, mas já fui à tribuna na atual legislatura para enaltecer ações do ex-governador. Na ocasião do ataque à escola em Suzano, enalteci a Superintendência de Segurança na Secretaria Estadual da Educação, que para mim é pioneira no Brasil. Essa superintendência desenvolveu um protocolo no governo passado que não foi implementado, não deu tempo, mas deveria ser colocado em prática. Pedi às pessoas que compunham a equipe para que fosse implementada, essa que seria uma boa política.

Muitos casos de violência ocorridos em escolas públicas do Estado de Goiás poderiam ter sido evitados ou combatidos com esse protocolo. O que é bom temos de reconhecer. O que teve de avanço… Acabei de elencar medidas na Previdência que eram necessárias. Iris tem suas virtudes. Se fosse bobo não ganhava eleição, não teria tantos mandatos e uma carreira de mais de 50 anos de vida pública.

Sou goianiense. Está na hora de Goiânia ter um prefeito que trilhou as ruas da capital, que já comeu poeira, que já percorreu a cidade em cima de uma bicicleta, que já foi atropelado. Naquela época em que era adolescente. Imagine hoje! Uma pessoa que dependeu de salário para viver. Que saiu de baixo. Não consigo conceber que uma pessoa que nasceu em berço de ouro vai sentir a dor que sente uma pessoa que está na periferia.

Uma pessoa que nunca estudou em colégio público não sabe o que é isso. Alguns até estudaram mas parece que se esquecem disso. Não sabem o que sofre um professor. Não sabe o que a educação pública precisa. Nunca dependeu de saúde pública para saber o que é ficar sentado esperando atendimento. Já dependi disso.

Antes de ingressar na PM ia para a fila do SUS. Fui ao Hospital Geral do Inamps [hoje HGG] para ser atendido para fazer sutura após partida de futebol. Já fui para o Hugo procurar socorro com braço quebrado na fila para ser atendido e pegar um atestado e entregar no emprego.

O dia que nos atentarmos para isso. Essas pessoas não sabem. Não consigo imaginar que um milionário vai sentir a dor da população. Até ingressar na PM, e após também, ia para a academia de ônibus. Sei o que é andar em ônibus na capital. Sei o que a pessoa sofre quando vem um aumento da passagem em seu orçamento. Já ganhei salário mínimo. Sei o que é isso.

Trilhei as ruas de Goiânia em uma bicicleta fazendo trabalho de [office] boy ou de entregador. A molecada com 11 a 12 anos arrumava uma bicicleta para trabalhar, vender picolé, qualquer emprego informal. Ou dentro de uma viatura. Entrei na casa da pessoa mais pobre e da mais rica também. Frequentei todos os ambientes. Conheço Goiânia bem. Falta alguém que seja mais sensível com os problemas da capital.

“Se você me perguntar se [Bruno Peixoto] foi a melhor escolha, talvez diga que não. Mas já que foi escolhido, acho uma tremenda covardia substituí-lo”

Major Araújo - Foto Fernando Leite Jornal Opção 7

“Não tem coisa pior para um governo do que ficar trocando secretário e líder do governo” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – Interpreto a fala do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, ao pedir celeridade para a tramitação do pacote anticrime no Congresso não como fazer pressão, mas uma cobrança de coisas que realmente demoram no Brasil. Na minha opinião, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) deu um sinal de que quer negociar com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Como o sr. viu o episódio?
Maia está defendendo seu interesse pessoal. O deputado não quer o pacote anticrime. Maia responde por crimes, está relacionado à Lava Jato. Ao dizer que vai esperar a Reforma da Previdência ser votada para depois colocar em análise o pacote anticrime, demonstrou que na verdade não quer ver as medidas serem aprovadas. O presidente da Câmara não deve dormir com medo de esse pacote ser aprovado e atingir em cheio o próprio Maia.

O presidente da Câmara não quer um projeto que confirme a prisão após condenação em segunda instância. Isso hoje só vale pela interpretação do STF, mas na lei não está. Maia sofre com isso. Para mim, o problema do pacote anticrime é o que as propostas causam no deputado federal ao saber que pode ele próprio ser vítima de um projeto que pode talvez colocá-lo na cadeia.

Mesmo que esteja no mandato, segundo o entendimento do STF, os parlamentares só têm imunidade relativa aos atos praticados durante o mandato. Aqueles praticados durante mandatos passados vão para a Justiça comum. Esse é o grande sofrimento de político bandido hoje. Maia sabe que agora vai responder na Justiça comum. E se for responder à Lava Jato na Justiça comum em Curitiba (PR), o que pode acontecer com Rodrigo Maia, mesmo sendo presidente da Câmara?

Euler de França Belém – Virar o Michel Temer 2.
É o sofrimento pessoal do Maia, que exteriorizou toda angústia que está sofrendo. Fez essa declaração infeliz. Não sei como um sujeito desse foi eleito novamente. Mudou muita coisa no Brasil, mas precisa mudar mais.

Euler de França Belém – Devido à estrutura de apoio.
Infelizmente tem prefeitos, vereadores. Uma estrutura partidária que os mantêm lá. Hoje é um sofrimento. As coisas estão mudando, mas lentamente. Vou a um município e o povo fala “Major, não posso contrariar o prefeito, gosto de você, vou votar em você caladinho, mas não posso pôr um adesivo”. Se coloca um adesivo é perseguido na prefeitura.

Aconteceu comigo caso de prefeitos que cortaram o transporte escolar universitário. A pessoa ouviu “você não tem mais direito ao transporte escolar”. O que é para todos foi cortado para a pessoa que me apoiou na eleição. É realmente um encabrestamento. Infelizmente político como esse continua sendo eleito.

Euler de França Belém – O deputado estadual Bruno Peixoto (MDB) vai deixar a liderança do governo na Assembleia?
Não sei. Mas sou contra. Não sou a favor de puxar tapete. O que puder contribuir com Bruno vou ajudar. Se você me perguntar se foi a melhor escolha, talvez eu diga que não. Mas já que foi escolhido, acho uma tremenda covardia substituí-lo.

Euler de França Belém – Por qual motivo querem trocá-lo?
Não sei. Estou ouvindo de você. Não vi ninguém falar em trocá-lo. Ouve-se boatos de terceiros e de pessoas que não estão nem inseridas no contexto da Assembleia. Na imprensa, você é a primeira pessoa que me fala isso.

Euler de França Belém – Recebi na semana passada ligação de dois deputados estaduais que disseram que dez parlamentares reclamaram tanto do Bruno Peixoto quanto do secretário [de Governo] Ernesto Roller. Os deputados alegam que os dois não resolvem as demandas e não agregam.
Vamos parar de ser injustos. Não vivo disso. Não vou ao Palácio nem procuro o secretário Ernesto Roller. Não vivo de cargo. Estou no terceiro mandato com atuação independente. Tanto que fui para a frente do Palácio defender a minha categoria, principalmente defender o meu próprio salário, porque sou aposentado da PM e o salário dos inativos ficou para ser pago depois.

Se está acontecendo algum não atendimento, é uma covardia pegar um secretário e um líder do governo e pedir a cabeça. É do chefe. Vamos ser sinceros. Se sou o governador e alguém chega me queixando, eu chamaria o secretário e o líder do governo para sentar com os dez deputados para fazer uma acareação para saber o que está acontecendo e resolver o problema.

Não tem coisa pior para um governo do que ficar trocando secretário e líder do governo. Quem vai sofrer os resultados negativos disso tudo, se vier a acontecer, é o próprio governador.

Euler de França Belém – Um secretário fez um comentário curioso. Disse que o sr. é o mais oposicionista dos governistas. Procede?
Estou caladinho na Assembleia.

Euler de França Belém – Dizem que o sr. está calado na Assembleia, mas liderando os movimentos.
Pode ser que eu ainda me torne. Quando tenho de falar não fico por trás. Não apunhalo ninguém pelas costas. Se tiver de posicionar, vou posicionar de frente. Talvez tenham dito isso porque assinei a emenda do orçamento impositivo. Mas não fiz nada escondido. De forma aberta, eu chego em todos os parlamentares para falar do orçamento impositivo.

Os novatos todos nos pediram que votasse contra. Chegou a vez deles de se posicionarem quanto a isso. A minha situação na Assembleia é aberta. Não tenho conversa paralela ou nada a esconder. Aliás, não tenho medo de celular grampeado. O que preciso falar eu digo no celular. Não tenho problema quanto a isso. As pessoas chegam e dizem “cuidado, o seu telefone está grampeado”. Se eu souber que meu telefone está grampeado aproveito para mandar recado para quem quero mandar de forma aberta.

Augusto Diniz – Se o sr. for candidato a prefeito de Goiânia, por qual partido entrará na disputa?
Pelo PSL. O PRP foi extinto. O processo de fusão com o Patriota está na Justiça Eleitoral. Assim como também está meu processo de filiação ao PSL. Só que quero a homologação do TRE [Tribunal Regional Eleitoral].  Praticamente ao mesmo momento em que o PRP decidiu fundir com o Patriota e protocolizou o pedido, eu fiz junto ao TRE o pedido de filiação ao PSL, mas mediante homologação prévia do Tribunal Regional Eleitoral.

Euler de França Belém – É importante ressaltar que o deputado federal Delegado Waldir (PSL) disse ao Jornal Opção que apoia a candidatura do sr., o que já estaria fechado. Afirmou que não será candidato a prefeito e que o nome do Delegado Waldir é o sr. em 2020.
Tive o convite do PSL. Disse ao Delegado Waldir da minha pretensão de concorrer em Goiânia, o deputado federal disse que era um ótimo nome, que me apoia e manifestou publicamente. Nem foi pedido meu que fizesse isso. Foi espontâneo. Gosto no Delegado Waldir a forma firme de arcar com o compromisso que faz. Se o Delegado Waldir fizer um compromisso com você será cumprido.

Não pedi ao deputado para ir à imprensa e fazer essa declaração. Mesmo assim veio e declarou espontaneamente que apoiará minha candidatura. Estou feliz por ir para um partido no qual não serei apunhalado pelas costas, que não terei de tomar decisão. Disse ao presidente do Patriota que era contra a fusão com o PRP. O Patriota começou a apoiar Caiado, ia às reuniões, constava na lista de partidos aliados e depois veio uma ordem nacional para apoiar José Eliton (PSDB). Não quero passar por isso jamais. E sei que com Delegado Waldir isso não vai acontecer.

Sabemos que pode vir uma ordem nacional dizendo que determinado partido em Goiás não terá candidato e vai apoiar outro nome. Mas com PSL sei que isso não vai acontecer porque o Delegado Waldir não vai permitir que isso ocorra. Estou indo para o partido certo. Quero realizar meu sonho de ser candidato e debater a cidade com Iris.

Euler de França Belém – Por ser militar e discutir bastante a questão dos militares, as pessoas não prestam muita atenção no que Major Araújo fala sobre a cidade. E o sr. me disse que tem ideias para a capital.
Disse ao Euler que não pretendo viajar para buscar soluções fora de Goiânia. Nós viajamos e encontramos soluções para a cidade das outras pessoas. Funcionou lá, mas talvez não funcione aqui. Foram para Medellín, na Colômbia, para criar um sistema de segurança pública para Goiânia. Muitas coisas foram copiando. Virou um Frankenstein.

A solução está na cidade. É preciso levar em consideração o problema cultural, as características da cidade. Nossa cidade tem características próprias que você não encontra em outro lugar. Prefiro fazer um estudo em Goiânia levando em conta todos os fatores e encontrar uma solução.

Copiar uma medida adotada em outra localidade pode ser uma solução paliativa. Essa implantação pode trazer um resultado mínimo. Mas a solução definitiva será encontrada em Goiânia.

Rodrigo Hirose – Quais são os maiores problemas da cidade?
Infraestrutura. As soluções vamos encontrar com os técnicos. Gostava do Bolsonaro quando o presidente falava “vocês estão arrumando pegadinha para mim, falar de economia está falando inglês, mas tenho o Paulo Guedes”. Me apresentaram um projeto que acredito ser viável para conter os alagamentos que é muito simples. Conseguiu provar, mas é um zé ninguém, está patenteando o sistema.

É criada uma espécie de poço artesiano. Se você jogar água nele não tem fim a sua capacidade de absorção, porque a água vai para o solo. São cavados buracos, que poderiam ser feitos em Goiânia como política pública, e a água da enxurrada some e vai para o lençol freático, sem sobrecarregar os córregos. É algo simples que precisa ser estudado. Só fui apresentado ao projeto de forma superficial.

Mas sei que faz sentido porque tenho um poço em casa. Quando há falta de energia, por exemplo, eu abro o registro da água da rua e fecho o do poço. A funcionária da minha casa abriu o registro. A conta de água veio R$ 20 mil. A água ficou vários dias indo para o lençol freático e não transbordou. Um buraco pequeno. Acredito nessa pessoa pela experiência que tive na minha casa. São soluções. E se resolver?

Os problemas crônicos nós vemos. Não pode chover em Goiânia, há o problema da violência – a prefeitura é quem mais pode contribuir. Quero criar um sistema de inteligência. O Estado de Goiás não tem serviço inteligência. É muito precário. Não investe. É caro. Demanda investimento alto. Quero fazer esse investimento. Quero utilizar a Guarda Civil Metropolitana, especializar o serviço de inteligência para mapearmos e entregarmos para o Estado.

Quem tem de investigar é o Estado. Quero criar um setor de inteligência. Mas inteligência mesmo. Fiz curso na Abin [Agência Brasileira de Inteligência]. Sei o que é inteligência. Trabalhei cinco anos na PM2, mas revoltado porque não é um serviço de inteligência. A PM2 é como se fosse um serviço ostensivo velado. O policial está fazendo o policiamento sem farda. Isso não é inteligência.

Inteligência é monitorar um grupo criminoso, por exemplo, de droga para poder pegar os integrantes. Os equipamentos de escuta e monitoramento são caros. Não é investigar, é monitorar. O que é proibido é investigar. É preciso autorização judicial para investigar, monitorar não. No monitoramento, é possível pegar placa, quem é responsável por trazer a droga, levar, entregar para a Polícia Civil pronto o monitoramento com os dados de quem são as pessoas envolvidas, o serviço já derrubado. Isso não é investigar, que envolve quebrar sigilo e fazer o restante.

Quero resolver os problemas que são crônicos de Goiânia. Melhorar a questão da gestão da transparência da aplicação dos recursos. Na minha administração, se eu for eleito prefeito, não vai acontecer o que ocorreu com Iris, que disse não saber que Sebastião Peixoto praticava determinado ato ilegal. Todas ações que fizer colocarei o Ministério Público de forma prévia a acompanhar as ações dos órgãos para acompanhar cada operação financeira.

Vou chamar o MP e dizer que estou convidando todos os secretários para acompanhar processo licitatório, contratação de empresas, terceirizações. Tudo de forma prévia. Submeter primeiro ao Ministério Público. Se o MP aprovar, o que evita investigações, chama todo mundo e aí sim faz.

“Não há um setor do governo que o governador tenha conseguido dar uma aparência de melhora para dizer que agora o governo chegou”

Major Araújo - Foto Fernando Leite Jornal Opção 23

“Como Irapuan deu respaldo para o policial, foi um bom secretário” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – Não quero incriminar Iris. Mas um prefeito não saber o que acontece naquela dimensão no Imas, talvez esteja ausente.
Concordo. Também não dá para dizer que Paulo Garcia não sabia o que acontecia no Samu. Como o prefeito alegava que não sabia? Na época do Paulo Garcia, o prefeito precisava renunciar.

Euler de França Belém – De fato PCC e Comando Vermelho atuam no Estado de forma ostensiva ou são apenas gatos pingados?
Não. A atuação é ostensiva. Essas organizações criminosas se espalharam pelo Brasil inteiro. E com a contribuição do próprio poder público. Em Goiás, além de chegar em Goiânia, o governo ajudou a espalhar o PCC pelo Estado. Recebi o promotor Danni Sales, de Anicuns, me apresentou um dado de que na gestão passada, o governo transferiu os bandidos perigosos do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e espalhou Estado afora.

Levou para o presídio de Formosa, Águas Lindas, Anicuns – que é precário. O governo levou o preso que comanda o tráfico de dentro do presídio e começou a propagar mais ainda a organização criminosa cooptando jovens nessas cadeias. Com isso, espalhou o problema do tráfico e todas as práticas criminosas desses grupos para o Estado inteiro.

A pessoa sai do Rio e vem praticar crime em Goiás. Ficaram tão grandes com a omissão do poder público em investigar, punir, prender, também do Judiciário, que isso se propagou Brasil afora. Com a facilidade de locomoção e da tecnologia, ajudou na propagação do crime.

Euler de França Belém – Nos últimos anos, qual foi o melhor secretário de Segurança Pública de Goiás?
Particularmente gostei do Irapuan Costa Jr. como secretário por uma simples questão que eu adotaria se fosse governador: autonomia e respaldo dado às forças policiais para atuar. Irapuan buscava recursos, aceitava sugestões. O problema é que hoje as forças policiais não têm autonomia nenhuma, nem a Polícia Civil na investigação ou a Militar na prevenção. Não tem planejamento. Só faz o arroz com feijão. Não tem orçamento. Como se planeja sem orçamento?

Hoje o planejamento é feito da seguinte forma: o secretário vai ao governador para saber quanto será disponibilizado para tocar a Operação Férias. Planejamento para os quatro anos de gestão ou para o ano inteiro não tem. Ações de expansão para melhorar o atendimento ou ampliar um serviço. Quero criar uma unidade na cidade de Nova Veneza porque a Super Frango está montando uma unidade. A instalação vai gerar muitos empregos. Estão construindo kitnets para receber os trabalhadores. Isso não importa para a segurança pública? Não sabe de nada, os fatores não interessam.

Todos estes fatores têm de interessar para a segurança. Vai haver circulação de dinheiro, de bens, vão ser abertas novas empresas com empregos indiretos, vai movimentar a cidade. Mas o comandante não pode planejar porque não tem orçamento.

Como Irapuan deu respaldo para o policial, foi um bom secretário. O secretário tem de ser um comandante das forças policiais. Para comandar e ter o pessoal na mão, tem de demonstrar que está do lado do policial. Irapuan demonstrava isso. Não avançou mais porque não tinha recurso.

Euler de França Belém – Continua a faltar combustível, viatura, armamento?
Marconi dizia “investimos no último ano R$ 3 bilhões”. Os R$ 3 bilhões eram para gasolina, locação de viaturas, pagamento de folha. O ex-governador incluía tudo e falava que investiu R$ 3 bilhões. Investimento para mim é o que vem além disso. No governo Caiado não faltou. O que houve foi uma determinação de economia de 20% em todas pastas, inclusive na Segurança Pública. Cortaram o extra remunerado que é pago aos policiais para compor o efetivo. Mas não tem faltado recurso.

Euler de França Belém – De zero a dez, qual nota o sr. dá para o governo Caiado até agora?
Nota seis. Não podemos dar uma nota baixa, o governo está começando e devemos compreender algumas coisas. Mas devido a falta de atendimento em várias áreas não merece uma nota boa. Não tem jeito. A nota seis vem pelo esforço para viabilizar a gestão e a situação fiscal do Estado buscando recursos em Brasília, aprovando leis que favoreçam, como é o caso dos incentivos fiscais. Ainda não vi na prática, mas houve o anúncio de um corte de 20% no número de comissionados, a revisão dos contratos.

O governador acabou fazendo marketing em cima da revisão de contratos de terceirização, mas sabemos que foi o rompimento de um contrato oneroso para o Estado, que era o das lombadas móveis. Aquilo era muito oneroso, pagava mais do que arrecadava. O rompimento do contrato de terceirização no Detran. O esforço do governador merece uma nota positiva. E uma nota seis agora é positiva.

Rodrigo Hirose – Por que o sr. tirou quatro pontos da nota da gestão Caiado?
As rodovias o governo ainda não começou. As questões emergenciais precisavam ser prioritárias. As rodovias estão cheias de buraco e não vemos ninguém trabalhando. Se apareceu um buraco é preciso resolver rápido para não virar um buraco maior. A questão do servidor público poderia ter uma solução mais aceitável.

A solução apresentada para março é muito cruel com o servidor. Enquanto não resolver esse ponto o governador não terá paz para trabalhar. A questão da saúde, o Hospital Materno Infantil. Não há um setor do governo que o governador tenha conseguido dar uma aparência de melhora para dizer que agora o governo chegou. Os esforços existem.

Tem demorado a apresentar solução ao problema financeiro. Mas há questões que são emergenciais. Há arrecadação? Alguma coisa tinha de aparecer. Está muito parado o governo. Não estou vendo ações. A falta de nomeação de auxiliares para dar andamento nas ações. Falta ocupar cargos para autorizar documentos em pastas importantes do governo.

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