“Quero governar Uruaçu sem deixar de ser um cidadão comum”

Tucano conseguiu vitória em sua segunda tentativa de chegar ao comando municipal e pretende firmar parcerias com deputados e governos para superar momento de crise financeira

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Logo após ter a confirmação da vitória à prefeitura de Uruaçu, o primeiro compromisso que Valmir Pedro (PSDB) se impôs foi de, no meio da carreata, descer e ir até a igreja para que o pastor orasse por ele. De lá, seguiu para a residência do bispo da diocese local, dom Messias dos Reis Silveira, para também ser abençoado pelo representante católico — não o encontrou, mas retornou no outro dia.

Valmir Pedro não é só evangélico desde os 14 anos. É também formado em Teologia e pastor credenciado da Igreja do Evangelho Quadrangular, tendo fundado igrejas em municípios vizinhos, como Campinorte e Itapaci. Mesmo assim, se diz “o evangélico mais católico de Uruaçu”. Uma pista disso é que seu material de campanha tem uma citação do papa Francisco sobre política. “Sempre tive uma relação muito boa com a Igreja Católica. À frente da prefeitura, quero fazer um governo voltado para Deus e para o povo”, ressalta.

De fato, sua campanha vitoriosa evidenciou o congraçamento de lideranças diversas, além do aspecto religioso. Trouxe para sua chapa, como vice-prefeito, Dr. Juarez, agropecuarista, liderança importante na cidade e então pré-candidato pelo PSB. Em sua gestão, quer implantar uma forte parceria com o governador Marconi Perillo (PSDB), com quem tem relação estreita e antiga. Também conta com vários parlamentares para lhe dar sustentação em Brasília. Ao fim desta entrevista ao Jornal Opção, ele ressaltou algo que sempre pede e que realça bem seu jeito de fazer política: “Sou um cidadão comum, apesar de prefeito, e não quero mudar meu jeito de agir, quero poder caminhar pela cidade e parar para comer um sanduíche onde sempre faço. Peço à população e a minha equipe para que me ajudem a me vigiar.”

Euler de França Belém — Sua campanha vitoriosa em Uruaçu teve verdadeiramente a participação popular, por meio de figuras conhecidas na cidade como Dona Filó e o garoto “Parafuso”. Dizem que eles foram decisivos no convencimento dos eleitores. Como foi mesmo essa história?

Dona Filó é uma pessoa muito humilde. Mora no bairro mais pobre da cidade de Uruaçu, um lugar sem asfalto, sem esgoto, sem energia na maioria das ruas. As casas são todas humildes, lá não tem uma praça, não tem posto de saúde, não tem creche. Lá é conhecido como o antigo “lixão”. Ela mora sozinha, em um barraco muito simples. As pessoas no centro da cidade a conhecem e têm um carinho especial por ela, porque Dona Filó anda pela via principal de Uruaçu, a Avenida Tocantins, durante todo o dia, com uma violinha sem corda na mão. Ela vai às feiras livres aos domingos e quartas-feiras. Então, a cidade tem carinho por ela.

Como nós fizemos uma campanha apoiados principalmente pelas pessoas mais simples, enfrentando um pequeno grupo da elite, no meio de um discurso no palanque, tivemos uma luz ao ver Dona Filó no meio da multidão. Naquele momento, convidei-a para estar comigo para representar os quase 40 mil habitantes de Uruaçu. O público ali foi ao delírio, porque ela representava as pessoas que realmente precisam do poder público, as pessoas humildes e simples. A partir dali, Dona Filó virou símbolo da campanha, esteve conosco em todos os palanques representando a população.

Euler de França Belém — E o “Parafuso”?

É um garoto de 15 anos, que nós conhecemos no meio da campanha, no bairro Guarapari. Terminado um comício, eu e minha esposa estávamos conversando com as pessoas, e o “Parafuso” estava na praça, sem ter como voltar para casa. Colocamos o garoto no carro e fomos levá-lo. No meio do caminho, porém, ele disse que não tinha casa, que morava às margens da BR e dormia num buraco, próximo ao viaduto. Nós o levamos para lanchar e ele nos contou sua história, que nos comoveu, porque é o que se passa com um grande número de crianças neste Brasil afora, sem ter um lar seguro, uma família que lhes dê estabilidade. Ele foi usuário de drogas, o pai também, a mãe o deixou quando ele tinha apenas 6 meses. A partir daí, “Parafuso” também passou a ser símbolo de nossa campanha, representando as crianças e os adolescentes de Uruaçu. A cidade toda se apegou à dona Filó e ao Parafuso. Nossa campanha pregou um futuro humano, justo e voltado ao social na Prefeitura de Uruaçu. Hoje, na cidade, onde se fala no “45”, em Valmir e no Dr. Juarez, as pessoas se lembram de dona Filó e do Parafuso. E isso não foi nenhuma ideia de marqueteiro. Foi algo que aconteceu do coração mesmo, de forma espontânea na nossa campanha.

Euler de França Belém — O sr. enfrentou um candidato milionário, com uma estrutura que parecia até de candidato a governador ou de senador. Como foi esse enfrentamento tendo uma escassa estrutura?

Sempre tive o sonho de ser prefeito de Uruaçu e venho militando há muito tempo. Fui vereador com 18 anos, dei um tempo depois, fui fazer faculdade de História, fiz uma pós-graduação em Recursos Hu­manos. Em 2010, disputei a eleição para deputado estadual, fui o mais votado na cidade, mas não fui eleito. Em seguida, em 2012, disputei a eleição para prefeito. Naquele momento, o PSDB passava um momento muito difícil em Goiás e também não era o meu momento. A atual prefeita, Solange [Bertulino, do PMDB], tinha disputado uma eleição e havia perdido. Já naquele momento, estava propício a ela ganhar o pleito. Mas disputamos para levar nossas propostas e representar o PSDB e o governo do Estado, o que acabou pavimentado o nosso caminho para hoje conquistar essa vitória.

Interessante que se cristalizou na população que, mesmo perdendo, eu nunca desisti de trabalhar em favor de Uruaçu. Perdi num dia e, no dia seguinte, eu já estava em Goiânia visitando secretários, gabinetes, atrás de benefícios para a cidade. Criou-se na cabeça das pessoas que eu era um deputado sem mandato de Uruaçu, porque eu fazia articulação de todas as demandas da cidade junto ao governo estadual, independentemente de quem estivesse no poder, de qual partido estava governando a cidade. Nos quatro cantos da cidade, as pessoas diziam que agora era o momento de Valmir. Quando surgiu um candidato afortunado, com grande poder econômico, teve um momento que eu me preocupei. Nas minhas orações, eu pensava: será que esse sonho todo vai ser tirado de mim pelo dinheiro? Será que não teria sido melhor eu ter dedicado a minha vida a fazer fortuna e hoje disputar a eleição com muito recurso?

Mas Deus nos honrou. Firma­mos uma grande aliança, com gente dedicada ao projeto e aconteceu, afinal, que as ideias e o preparo venceram o poder econômico.

Euler de França Belém — Enquanto seu adversário importou marqueteiro, o sr. foi o próprio marqueteiro de sua campanha?

(risos) Sim, fui meu próprio marqueteiro. Dois companheiros, Gilson Pontes e Christian, amigos meus da cidade, cuidaram do visual da campanha, mas todas as frases, os textos, as ideias, era eu quem passava a eles, que produziam a arte em cima disso. Fomos bem ativos nas redes sociais e quem cuidou dessa parte fomos eu e minha mulher. Fazíamos a seleção de fotos, as postagens, os textos, respondíamos diretamente os eleitores. Em nenhum momento um aliado ou um coordenador ocupou meu espaço nas redes como se fosse eu. Eu mesmo respondi os grupos no WhatsApp, no Facebook, o tempo todo. Fazia isso depois dos comícios, a partir das 11 horas da noite e, além de produzir o programa da campanha para o dia seguinte, também eu respondia os eleitores, até 2 horas ou 3 horas da manhã fazendo esse trabalho. Quando o eleitor acordava já tinha a resposta do Valmir Pedro no Face, no WhatsApp. Não tive assessoria, eu e minha mulher cuidamos pessoalmente disso.

Augusto Diniz — A diferença de sua votação para o adversário foi de pouco mais de 500 votos. O que foi determinante para marcar essa diferença?

Euler de França Belém — Acres­centando: antes da campanha, o sr. fez uma discussão ampla com a sociedade de Uruaçu, elaborando proposta com os segmentos organizados. Assim, o sr. tornou-se um candidato não imposto, mas praticamente natural de seu partido.

Como a reforma política permitiu a pré-campanha a partir do dia 1º de janeiro, possibilitando ações que antes não eram possíveis, nós usamos tudo que a legislação nos permitia. Fizemos em torno de 50 reuniões de bairros na pré-campanha, discutindo com a população ideias e sugestões para o futuro plano de governo. Trabalhamos muito com vídeos nas redes sociais, falando das nossas propostas — inclusive chegamos a ser questionados pela oposição na Justiça Eleitoral, sobre a legalidade ou não desta ou daquela postagem. Mas o juiz eleitoral sempre se manifestou de forma favorável a nós. Então, usamos as redes sociais, fizemos essas reuniões na pré-campanha e firmamos uma aliança muito importante com o PSB, colocando na vice o Dr. Juarez, que também era pré-candidatos a prefeito, e mais dez partidos. Os candidatos a vereador de maior peso em Uruaçu estavam nesses partidos.

Mas o maior diferencial foi a linha da nossa campanha: em nenhum momento passamos por cima dos princípios éticos, morais e cristãos simplesmente para ganhar a eleição. Fizemos uma campanha humilde, num trabalho em contato direto com o povo e, acima de tudo, com o coração.

Augusto Diniz — E os debates, foram intensos?

Os debates foram um diferencial nesta campanha. Na eleição passada, não houve nenhum debate em Uruaçu, apenas uma rodada de entrevista numa rádio. Nesta eleição, foram realizados oito debates e o nosso principal adversário [Machadinho, do DEM] não participou de nenhum. O marqueteiro dele estava tentando construir uma imagem de bom gestor e estava conseguindo isso, mas a ausência dele nos debates jogou por terra essa imagem, porque cristalizou na cabeça da população a ideia de que ele não estava preparado, que não tinha propostas.

Euler de França Belém — Consta que ele não sabe falar em público, é verdade?

Bem, quem assistiu comícios dele voltava decepcionado, era o comentário. Não tive oportunidade de assistir a nenhum, porque estava fazendo meus comícios, todos os dias. É normal no interior, o adversário ver o comício do concorrente, de longe, dentro do carro.

Euler de França Belém — Houve investigação sobre compra de votos em Uruaçu?

Houve várias denúncias, mas a estrutura da Justiça Eleitoral é muito pequena, então quem faz a denúncia tem de produzir a prova e levá-la, o que dificulta muito. Nós, então, não partimos para esse lado.

Elder Dias — A gente sabe que, na maioria dos municípios, há uma rivalidade muito grande entre os grupos políticos. Como é essa questão em Uruaçu? O sr. acredita que vai ter uma transição vai ser fácil? Já começou a fazer algum tipo de contato nesse sentido?

Eu creio que será fácil. A prefeita, mesmo não tendo conseguido sucesso na reeleição, é uma pessoa de bons princípios e quer o bem da cidade de Uruaçu. Não vai querer de maneira nenhuma prejudicar a futura administração. De acordo com o TCM [Tribunal de Contas dos Municípios], a gente tinha dez dias depois da eleição para fazer a solicitação. Nós protocolamos na segunda-feira [dia 10 de outubro] o pedido de criação da comissão de transição. Eu já indiquei os seis membros. Solicitamos uma audiência com a prefeita e a chefia de gabinete me ligou pedindo para adiar para a próxima semana. Estamos aguardando o contato da prefeita e acredito que nos próximos dias ela deva indicar os nomes que farão parte da equipe de transição.

De nossa parte, nomeamos alguns técnicos, pessoas que têm conhecimento da administração pública. Estive em reunião com alguns companheiros da área de convênio, que a têm ajudado e, portanto, não vejo que teremos nenhum problema. Ela é uma pessoa que tem preocupação com a cidade e uma equipe em sua volta que também preza pelo bem dela. Eu acredito, e espero, que seja uma transição fácil.

Euler de França Belém — Quanto ao orçamento, o sr. já pode interferir, por meio da Câmara, no orçamento do próximo ano.

A prefeita mandou a LOA [Lei Orçamentária Anual] para Câmara na última semana, com uma margem de suplementação de 60%, o que é pouco. Ela governou com uma margem de 90%, e a Câmara a autorizava. Mas temos nossos vereadores, os que fazem parte da nossa base, e temos ainda vereadores que não estiveram comigo no palanque, que não se reelegeram, mas que estão apresentando um pedido de emenda para aumentar a margem de suplementação para 90%. Já temos um grupo articulando isso na Câmara. O orçamento para o próximo ano, portanto, já está para ser aprovado. A previsão é de que ele fique em R$ 114 milhões para o próximo ano.

Euler de França Belém — A folha de pagamento consume quanto dessa receita?

Hoje, 53% da receita do município.

Euler de França Belém — Sobra dinheiro para investir?

Muito pouco. O município, para ter ideia, tem uma ordem judicial no valor de R$ 8 milhões para pagamento de precatórios nos próximos anos. O fundo de previdência está com um rombo altíssimo, em torno de R$ 10 milhões — recolhidos do contracheque do servidor, mas não repassados. Temos um plano de cargos e salários, aprovado pela Câmara há mais de um ano, e até hoje a prefeitura não o cumpriu. Ele é objeto de briga na Justiça, a prefeita já perdeu nas duas primeiras instâncias e os servidores estão pressionando para que o plano seja cumprido. Nós o assumiremos e vermos o impacto que isso causará na folha. Eu quero cumprir os compromissos, ser parceiro do servidor público e, por isso, seremos obrigados a fazer uma reforma administrativa em janeiro, reduzindo o peso da máquina e fazer sobrar para pagar servidores e fornecedores e ter margem para investimentos.

Augusto Diniz — Pelos dados que o sr. tem até agora, apenas a reforma é capaz de dar condições ao sr. para fazer uma boa gestão ou é preciso discutir, nacionalmente, a questão do repasse de recursos?

Claro, nós temos de discutir. Precisamos fazer essa mobilização em Brasília, pois nenhum município brasileiro tem conseguido sobreviver com a situação atual. A demanda aumenta a cada dia, mas os repasses não aumentam. Além da reforma administrativa, da redução do peso da máquina, vamos nos mobilizar em Brasília e também junto ao governo do Estado, para que consigamos aumentar o índice de repasse do governo federal e do Estado, e ainda buscar as obras estruturantes, pois atualmente o município está sem capacidade de investimento, principalmente em infraestrutura. Se conseguir esses investimentos, teremos fôlego para administrar com uma pequena receita.

Euler de França Belém — O sr. já está estruturando sua equipe?

Eu tenho dito aos companheiros que aqueles que me procurarem por cargos perderão ponto agora (risos). Estamos focados na prestação de contas da campanha e preparando a equipe de transição, precisamos tomar conhecimento de toda a estrutura. Estamos ainda fazendo, com a equipe, um estudo de reforma administrativa. Depois do dia 10 de novembro, começaremos a fazer as consultas com os companheiros, de modo com que façamos o anúncio coletivo de toda a equipe. Não faremos anúncios “pingados”.

Euler de França Belém — São quantos servidores comissionados no município?

Hoje, nós temos dez secretarias, com várias superintendências, departamentos. Creio que comissionados sejam em torno de 300 pessoas, mas esperamos reduzir esse número pela metade.

O governador Marconi Perillo foi muito importante para nossa campanha: gravou dois vídeos e sua fala teve impacto positivo para nós”

Euler de França Belém — Campanha se faz de quatro em quatro anos, ou de dois em dois, mas gestor não deve fazer oposição a gestor. O prefeito Maguito Vilela, em Aparecida, é o exemplo disso, com sua relação construída com o Marconi Perillo. Por isso, é muito importante para Uruaçu ter um prefeito do PSDB diante de um governador também do PSDB, sem contar ainda a relação pessoal entre vocês dois, que é muito boa. Essa parceria vai resultar em algo melhor para a cidade?

Como prefeito, nossa relação será sempre a busca de resultados. Na política, temos uma relação realmente estreita — de amizade, respeito e consideração — desde a primeira eleição do governador, em 1998. Agora, deveremos ter uma relação de resultados, que realmente produza obras e benefícios para Uruaçu. Mesmo com seu trabalho e suas viagens, ele foi muito importante para nossa campanha: gravou dois vídeos e sua fala teve impacto positivo para nós; além de ter também participado da elaboração da proposta. É preciso ressaltar também a presença do vice-governador José Eliton (PSDB) nos últimos dias de campanha, que foi também muito importante. Da mesma forma, digo sobre a participação da deputada estadual Eliane Pinheiro (PMN) e do deputado federal Thiago Peixoto (PSD).

É claro que parte do sucesso é fruto de todo o trabalho que fizemos junto ao governo, mesmo não estando no exercício do mandato. Conseguimos muita coisa e isso acabou se transformando em apoio político para nossa candidatura. Agora, a população está na expectativa de que realmente transformemos esse discurso de parceria em benefício para a cidade — principalmente no que diz respeito ao Hospital Regional. Eu acredito que o governador Marconi vai cumprir esse compromisso de entregar o hospital até o fim do próximo ano, porque a saúde em Uruaçu e no Norte do Estado, como um todo, está um caos. Ele decidiu nos dar esse socorro e precisamos que isso se concretize.

Augusto Diniz — De que forma prática essa relação pode ajudar o sr. na administração de Uruaçu?

Por meio dessa parceria. Temos condições de buscar apoio para obras estruturantes. Por exemplo, para a restauração de nossas vias. Uruaçu, acredito eu, talvez seja a cidade com mais buracos no asfalto em Goiás. Há muitos anos não passamos por um programa de restauração. A malha viária está velha e fizemos o compromisso de investir R$ 20 milhões para esse projeto de recuperação. Vamos fazer economias para poupar e termos recursos para isso. Mas também vamos buscar o apoio do governo, por meio da Agetop [Agência Goiana de Transporte e Obras] e de seu presidente Jayme Rincón. Outro caminho são emendas em Brasília: o deputado Thiago Peixoto já está agendando uma audiência com o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE) e também algo no Ministério da Integração Nacional. O deputado também já se pôs à disposição para encaminhar, com o ministro Gilberto Kassab [PSD, da pasta de Ciência e Tecno­logia]. O deputado Marcos A­brão (PPS) também se colocou à disposição em Brasília para nos acompanhar até o Ministério das Cidades e destinar parte de suas emendas para Uruaçu. Também estivemos nos gabinetes dos deputados Rubens Otoni (PT), Flávia Morais (PDT), Jovair Arantes (PTB) e Magda Mofatto (PR), que se colocou também disponível para nos ajudar na questão da infraestrutura turística e nos eventos relacionados à Goiasturismo. Também a senadora Lúcia Vânia (PSB) fez esse compromisso. Estive, ainda, no gabinete do senador Wilder Morais (PP) e do deputado João Campos (PRB), cujo partido integrou nossa aliança nas eleições e também comprometeu a nos ajudar bastante em Brasília. Vamos usar esse acesso que temos com a bancada goiana no Congresso, mas também vamos trabalhar bem a parceria com o governo do Estado, com as obras estruturantes e resolvendo a situação do Hospital Regional. Sabemos que o governador Marconi procura sempre ter uma relação republica com todos os prefeitos, independentemente de seu partido político. Mas é claro que a boa amizade que temos com ele, com Vilmar Rocha (PSD) e com todos os secretários — são todos meus amigos, temos uma história juntos — vão abrir portas para nos ajudar.

“A base vai se unir a José Eliton em 2018”

Euler de França Belém — Em 2018 o sr. vai apoiar o vice-governador José Eliton para o governo?

José Eliton hoje é o nome natural da base. Tenho por ele uma simpatia muito grande e a tendência, de minha parte, é a mesma do governador. Sou um soldado de Marconi. Onde ele botar a mão e abençoar, Valmir Pedro estará lá, aguerrido, com toda a disposição, para defender o projeto. Acredito que a base vai se unir em torno de José Eliton como nosso nome para ser o próximo governador.

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz — Que figuras foram importantes em sua campanha?

Eu teria pelo menos cem companheiros que foram fundamentais em nossa campanha. Mas tenho um grupo, em especial, que liderou esse processo: o presidente do PSDB no município, Mauri Lemes; Batista da Retífica; Luciano da White Martins; e o nosso vice-prefeito eleito, Dr. Juarez. Ele é dono da Rádio Uruaçu FM e produtor rural, era pré-candidato à prefeitura pelo PSB e estava recebendo o incentivo da senadora Lúcia Vânia para levar sua postulação adiante. Uma pessoa que tinha tudo para disputar com chances a eleição, mas que teve a humildade de reconhecer que era nosso momento. Então, veio compor a chapa como vice e nos ajudou a entrar no eleitorado da classe média e média alta, o formador de opinião. Por isso tudo, o Dr. Juarez teve uma participação decisiva. Sou muito grato a ele e ao trabalho que fez, em uma campanha bonita, sem nenhuma rixa ou discussão entre nós. Da mesma forma ocorreu entre nossas mulheres, discursando em palanques e comandando reuniões quando não era possível estarmos presentes. Sou muito grato à participação ativa do Dr. Juarez nesse projeto.

Elder Dias — Algo que deve afetar muito qualquer administração a partir do ano que vem será a aprovação da PEC 241 [proposta de ementa constitucional conhecida como PEC do Teto]. Como levar adiante uma gestão nesses novos termos?

Isso vai afetar diretamente os municípios, certamente. Mas é um mal necessário: não adianta abrir as pernas hoje e estar quebrado daqui a dois ou três anos. Por isso, novamente, vamos pedir compreensão aos companheiros, àqueles que nos apoiaram e que nos ajudaram na aliança, porque teremos de fazer muitos cortes e um governo com o pé no chão. Os recursos para educação e saúde vão sofrer uma queda grande com a PEC — terão apenas a correção pela inflação —, mas as demandas vão continuar no mesmo ritmo, crescendo. Teremos de fazer um milagre administrativo. Vamos precisar, mais do que nunca, de menos política e mais gestão por parte das gestões municipais.

Augusto Diniz — Como está a questão do fundo de previdência em Uruaçu, que se tornou caso até de Polícia Federal? O sr. vai conseguir regularizar isso para os servidores municipais?

Tenho duas demandas importantes para resolver em relação aos servidores: a primeira é o plano de cargos e salários, que já foi aprovado, mas nunca cumprido pela administração; a segunda é buscar uma solução para o fundo de previdência Uruaçuprev. Só que isso se resolve apenas com dinheiro — as duas questões — e ninguém faz dinheiro de um dia para outro. Por isso, vamos fazer um estudo profundo buscando solução para ambas as questões. Precisamos tomar posse, dar um choque de gestão, acabar com o desperdício do dinheiro público, fazer sobrar, poupar e, então, cumprir esses compromissos.

Em relação especificamente ao Uruaçuprev, precisamos fazer o estudo necessário, buscar os técnicos e sair da discussão amadora, buscando quem tenha conhecimento. Essa questão virou um pesadelo na vida dos servidores, que estão tendo valores descontados em seu contracheque, mas não veem isso sendo repassado ao fundo. Quero deixar os servidores de Uruaçu de cabeça fria, porque terão prefeito, vice-prefeito, uma equipe de secretários e uma base na Câmara Municipal para articular uma solução para isso.

Euler de França Belém — O sr. ganhou também por ter falado o que as pessoas queriam ouvir. Quais são os projetos que o sr. tem para Uruaçu? O que o sr. propõe para intensificar a economia, porque as vezes uma intervenção da prefeitura dá uma nova dinâmica para a cidade, como Vanderlan Cardoso (PSB) deu para Senador Canedo e Maguito Vilela (PMDB) para Aparecida de Goiânia.

Há seis anos, a presidente da Associação Comercial tinha ido ao prefeito apresentando a ideia de criar a Fictur, a sigla para Feira da Indústria, Comércio e Turismo de Uruaçu. Ela não recebeu apoio da gestão. Eu não tinha mandato, mas ela me procurou e eu disse que iria apoiar a ideia e falei “vamos para Goiânia procurar o governador, vamos buscar ajuda para você fazer essa primeira feira, porque acredito muito nesse projeto”.

Uruaçu não é uma cidade industrial, não tem essa vocação, é uma cidade prestadora de serviço. Alto Horizonte tem o minério como riqueza, mas seus habitantes vão gastar o dinheiro que ganham em Uruaçu; Barro Alto, da mesma forma; Niquelândia, também. Isso porque eles não têm o comércio e os serviços que nós temos — a rede hoteleira, as lanchonetes, as farmácias, as autopeças, a prestação de serviços. Apoiei esse projeto justamente para consolidar a cidade como prestadora de serviço. E deu certo: este ano foi realizada a 6ª edição da Fictur, a qual eu ajudei sem ser prefeito, durante esses seis anos eu arrumando recursos para a feira em Goiânia. Agora, como prefeito, vou ajudar a feira a se consolidar, crescer cada vez mais, atendendo a todo o Norte de Goiás e ao Vale do São Patrício.

Elder Dias — E o que mais a cidade pode oferecer como serviço?

Nessa linha de prestação de serviço, temos agora o Hospital Regional de Uruaçu. O governador nos fez o compromisso de entregá-lo antes de deixar o governo. Falamos para a população que, até o final do próximo ano, vamos entregar essa unidade, que está com 76% das obras concluídas. Esse hospital vai gerar 1,5 mil empregos diretos e, indiretamente, cerca de outros mil postos de trabalho. Com o hospital, teremos a grande possibilidade de abrir uma faculdade de medicina no município. Aí vão laboratórios, clínicas, hotéis, restaurantes, casas de apoio. Municípios distantes vão abrir essas casas de apoio em Uruaçu. Vamos voltar a prestar serviços na área de saúde como antigamente, quando tivemos quatro grandes hospitais na cidade: São Vicente, Santa Helena, Bonsucesso e Santana. Hoje só há o Santana, os demais fecharam as portas. Perdemos essa prestação na área de saúde para Ceres, que hoje se consolidou nessa área. Até moradores de Uruaçu vão para Ceres fazer tratamento. Vamos seguir essa linha para a saúde.

Valmir Pedro, prefeito eleito de Uruaçu: “Queremos consolidar Uruaçu como cidade prestadora de serviços” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Valmir Pedro, prefeito eleito de Uruaçu: “Queremos consolidar Uruaçu como cidade prestadora de serviços” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém — O hospital tem quantos leitos?

O hospital tem 320 leitos, 80 de UTI.

Euler de França Belém — Deve ser uma capacidade maior do que toda a rede da região…

Sim. O hospital em Uruaçu vai fazer parte da Rede Hugo. Nós vamos gerar muito emprego com esse hospital, de forma direta e indireta.

Elder Dias — E o que pode ser feito em relação ao turismo?

Em Uruaçu temos o Lago de Serra da Mesa. Na cabeça dos prefeitos, há o pensamento provinciano de que o lago só existe no período de carnaval. Preparam a estrutura da praia, área de camping, shows, apenas para o carnaval. Nós vamos fazer diferente: além do carnaval, vamos criar também em julho a temporada de férias. O Rio Araguaia recebe em torno de 700 mil a 750 mil turistas por temporada. Uruaçu não recebe nenhum. Nós vamos criar em julho a temporada de férias, preparar a praia, a área de camping, o Memorial Serra da Mesa, que vocês terão de conhecer pessoalmente. É uma megaestrutura às margens do lago. Vamos fazer os grandes shows no decorrer do mês e divulgar Uruaçu nos grandes centros — Goiânia, Aparecida, Triângulo Mineiro, Brasília, Palmas. Temos o projeto de, em quatro anos, conquistarmos 5% dos turistas do Araguaia. Se a gente conseguir isso, vamos ter, ao fim do mandato, em torno de 40 mil turistas em Uruaçu. A gente quer começar a primeira temporada com 8 mil a 10 mil turistas, depois trazer 16 mil ou 17 mil, de forma que cheguemos até o final do mandato com 40 mil turistas na temporada de férias.

Augusto Diniz — Como foi sua passagem pela Goiasindustrial?

Como diretor administrativo da Goiasindustrial, adquirimos uma experiência muito grande com o Daia [Distrito Agroindustrial de Anápolis], o distrito de Senador Canedo, que nós transformamos em polo moveleiro e acompanhamos o desenvolvimento do distrito de Goianira como polo calçadista. Já o distrito de Uruaçu, quando eu assumi a Goiasindustrial, tinha apenas uma empresa funcionando e duas desativadas. Deixei o distrito com mais de 40 empresas. Nós iluminamos o distrito, fizemos sistema de tratamento e distribuição de água, fizemos o centro administrativo e levamos essas empresas para dentro do distrito.

Eu adquiri, lá dentro, um conhecimento que vai me levar a criar em Uruaçu uma cidade industrial e prestadora de serviço. Nós vamos comprar cinco alqueires, fazer a infraestrutura, dividir em lotes, começando pelas empresas da cidade. Vamos pegar a serralheria, a marcenaria, a atacadista, a distribuidora, doar a área para a empresa dentro do distrito e convidá-las para ir para dentro do distrito. Povoando essa cidade industrial, vamos fazer um trabalho de busca de empresas de porte médio e grande da região e outros lugares do Estado para essa cidade industrial.

Nós temos o exemplo de uma fábrica de gelo que estava em uma portinha no centro da cidade. Nós convidamos para a área no distrito industrial e eles construíram um galpão de 800 metros quadrados, compraram máquina moderna e acabaram gerando mais empregos. Isso motiva o empresário. A fábrica de canoas e barcos que estava dentro da cidade, por exemplo, nós levamos para dentro do distrito.

Nós queremos agora levar as fábricas de artigos religiosos, como já levamos a fábrica de sorvetes. Quase ninguém sabe, mas Uruaçu é destaque no Brasil inteiro como fábrica de artigos religiosos. O terço da novela “A Padroeira”, da Rede Globo, a Marlene Mattos [produtora da emissora] ia comprar em Uruaçu. Nós temos mais de 20 fábricas de artigos religiosos na cidade. A agência dos Correios de Uruaçu é uma das agências que mais faturam em Goiás, por conta da remessa de encomendas religiosas para todo o Brasil e para o exterior. Nós queremos dar vida a essas fábricas, dar destaque para elas e consolidar Uruaçu como cidade prestadora de serviços.

Esse é o nosso papel, tanto na área da saúde, turismo e educação. Uruaçu tem hoje o Instituto Federal de Goiás (IFG), com curso superior de Engenharia, e os jovens da Região Norte e do Vale do São Patrício todos vão estudar em Uruaçu. Nós temos a UEG [Universidade Estadual de Goiás], para a qual estamos lutando visando a que o governador nos ajude a implantar o curso de Direito. Nós temos também a Unopar, a Faculdade Serra da Mesa (Fasem) e a Unip…

Euler de França Belém — Uruaçu já é uma cidade universitária.

No conceito, sim. Goiânia hoje, por exemplo, não é uma cidade industrial. As pessoas acabam ganhando em Anápolis, Aparecida, Goianira etc. e vindo gastar em Goiânia no comércio, nos shoppings. Essa imagem é que a gente quer criar de Uruaçu, esse perfil de prestadora de serviço.

Euler de França Belém — Há uma fábrica de bicicletas em Uruaçu?

Sim, é a fábrica das bicicletas Grecg, por sinal muito boas. O empresário e proprietário Geraldo Silvério merece meus agradecimentos. No dia que ele reuniu seus funcionários para nós, deixou claro que me apoiaria pela preocupação que tenho com a cidade e com os empregados da fábrica. Ele disse: “Em momento de muita dificuldade para a empresa, fiz uma ligação para o Valmir, que foi até Brasília comigo, onde passamos o dia todo para resolver minha situação.” Esse fato que ele relatou ocorreu há três ou quatro anos, mas ele manifestou diante dos funcionários dele a gratidão por nosso trabalho, para que a empresa não fechasse as portas. É esse conjunto de trabalho e de ações que a gente tem feito pela cidade e que agora desaguou nessa vitória eleitoral.

Augusto Diniz — O sr. disse que é preciso explorar melhor as potencialidades do Lago Serra da Mesa. Ele enfrenta um problema grave de redução do nível de água. Qual vai ser o tamanho desse problema para a sua gestão e como enfrentá-lo?

A questão da falta de água no lago é algo complicado de resolver, porque é uma questão realmente climática. Mas eu não vejo o nível da água em Uruaçu no Lago Serra da Mesa como um problema para o turismo. O turista não vai para Uruaçu tomar banho no Lago de Serra da Mesa. Vão para pescar, participar dos grandes shows, conhecer o Memorial Serra da Mesa, para a praia, onde há várias duchas. É aquele clima de festa, mesmo. Quem toma banho é o povo de Uruaçu. E o lago, mesmo estando com nível baixo, ainda é um grande volume de água. É um espelho ainda muito bonito, principalmente se descer de Uruaçu de barco rumo a Campinaçu. Eu ainda não vejo como problema.

As pessoas, se forem para banhar, vão para Caldas Novas, vão para o litoral. Em Uruaçu elas vão realmente para curtir os grandes shows, para curtir as trilhas, as cachoeiras. Não acredito que o nível da água vá nos impedir de fazer um grande evento.

Euler de França Belém — O sr. acha que como prefeito, ao assumir, pode liderar uma frente com outros prefeitos junto aos deputados federais e aos três senadores para continuar a luta pela duplicação da BR-153? É preciso que se junte aos deputados e políticos do Tocantins, para fazer um movimento para a retomada da obra ou uma nova licitação para duplicar essa rodovia?

Com certeza. Nós vamos fazer isso junto com a Associação de Prefeitos da Região Norte, que é presidida pelo prefeito de Trombas, Catarino José da Silva (PT), e buscar força junto à nova diretoria da Associação Goiana de Municípios (AGM) e com a nossa bancada de deputados. Uruaçu tem aquela história de só cuidar do que é do município, de segurança pública ser obrigação do Estado, parcerias com escolas estaduais ser algo de obrigação do Estado também, de não se preocupar com duplicação de BR porque é obrigação do governo federal. São ações de obrigação de outros governos, sim, mas se não vai bem afeta a população da cidade e da região.

Então nós temos, sim, de correr atrás dessas demandas. Eu me lembro de que, certo dia, a prefeita disse “isso é obrigação do Estado, não é obrigação minha”. Eu lhe disse “prefeita, é obrigação do Estado, mas é dever de todos nós”. Por exemplo, uma rua sem iluminação está mais propícia ao crime. E a obrigação de botar lâmpada na rua é do prefeito. Um lote baldio do mesmo jeito.

A obrigação é do Estado de combater o crime, mas se a prefeitura não implantar programa de prevenção o jovem vai para a droga e vai para o crime para sustentar o vício. Acaba que enquanto ele está na droga quem pena é sua família, mas quando ele começa a cometer o crime para sustentar o vício quem paga é toda a sociedade. É uma cadeia que acaba envolvendo todos nós, tanto o município como o governo estadual e o federal. Demandas como essa, da BR-153, vamos trabalhar mobilizando nossa bancada no Congresso cobrando para que a gente consiga consolidar essas obras.

Euler de França Belém — A questão é preocupante, pois morreram em acidentes inclusive, vários políticos, entre eles uma ex-prefeita de Uruaçu.

Sim, tivemos o caso da morte da saudosa ex-prefeita Marisa dos Santos Pereira, que foi uma grande prefeita em Uruaçu. Mesmo eu sendo de oposição a ela, nós temos um grande respeito pela história dela na cidade.

Euler de França Belém — O município precisa de viadutos na BR-153?

Precisamos demais de viaduto e passarelas.

Euler de França Belém — Mas existe algum projeto?

Sempre teve, em discursos políticos, mas nunca conseguiram construir passarelas, por exemplo. Viaduto nós temos um, feito ainda na administração de Mozart Vasconcelos, em 1986, é o único. Ele dá acesso à região da cidade do outro lado da BR, quando sai para Porangatu, à esquerda. Aquela região é maior do que mais de 50% dos municípios goianos. São 10 mil habitantes ali do outro lado da BR — Vila Xique-Xique, Primavera, Setor Oeste, Parque Paraíso, Vila Guimarães, Santa Abadia. E eles têm apenas esse viaduto, que não é um viaduto, é um bueiro, que passa só um carro, para a população daquela região usar. É preciso um viaduto de verdade e também uma passarela.

Euler de França Belém — Um trecho que todo mundo reclama é a ponte entre Rialma e Ceres, que dá acesso a Uruaçu. Todo mundo que vai para lá tem de passar por ela. Como está essa ponte?

Continua na promessa de muito anos.

Euler de França Belém — E é verdade que ela balança e está cheia de buracos?

Balança. Realmente ela faz medo de passar lá (risos). A gente tem de fazer esse trabalho de mobilização da bancada goiana pela duplicação da BR. Estávamos animados com a forma com que estava caminhando a obra, a gente acreditava que sairia esse rodovia duplicada.

Euler de França Belém — A empreiteira Galvão [responsável pela obra] tirou os acampamentos dos locais de obra?

Tirou tudo. Esses acampamentos estavam em Porangatu.

Euler de França Belém — E como está a situação do saneamento básico?

Uruaçu é uma das poucas cidades de Goiás que está bem em relação ao esgoto. Devido à formação do lago de Serra da Mesa, houve um convênio entre o governo do Estado, Caixa Econômica Federal e Furnas. Nós hoje temos cerca de 90% da cidade com rede de esgoto. São poucos os bairros a serem alcançados, ainda. É esgoto tratado, a estação de tratamento da Saneago em Uruaçu é muito moderna. Não será muito difícil chegar a 100%.

Euler de França Belém — Quando foi construída essa estação?

O início da formação do lago foi em 1997; o prefeito Edmundo Filho, na época, era do PSDB — nosso partido volta a governar a cidade agora, depois de 16 anos. Na época, ele enfrentou um desgaste muito grande, pois quebraram a cidade inteira para colocar o esgoto. Em todo lugar tinham valetas e não se remendava o asfalto. Pense o quanto esse prefeito sofreu com isso. Mas ele saiu da cidade com quase 90% do esgoto.

Euler de França Belém — E a água tratada?

A água é praticamente universalizada, quase 100%. Existem, claro, novos loteamentos, por causa da expansão urbana desordenada.

Euler de França Belém — O sr. vai reordenar essa expansão?

A especulação imobiliária e o esquema de loteamentos vão acabar em Uruaçu. Terá de ser feito com muita responsabilidade. Ou se faz infraestrutura ou não terá loteamento. Hoje, o dono da imobiliária dá uma área como caução, não faz a infraestrutura e começar a vender lotes. Depois, o prefeito faz a desafetação dessas áreas e a distribuição entre seus apadrinhados. E fica ali um novo loteamento sem asfalto. Temos de acabar com isso.

Elder Dias — Em Goiânia vemos que cada bairro novo traz um custo maior para a Prefeitura. É preciso levar infraestrutura e as áreas públicas têm de ser ocupadas, do contrário viram zonas de violência e tudo o mais. Para cada bairro novo é preciso pesar isso, também.

Em Uruaçu nunca se aprovou, na história, tanto loteamento como nos últimos oito anos. Virou coisa de louco, tem loteamento para todos os lados, sem infraestrutura alguma.

Euler de França Belém — O município já tem um lago, o que reduz muito a preocupação com parques ambientais e coisas do tipo. O sr. se preocupa com a questão ambiental?

Sim, me preocupo muito. O lago, na verdade, contribuiu ambientalmente de forma negativa, pois houve muito desmatamento, mudança do microclima, entre outros fatores. A pesca predatória precisa ser combatida e nós precisamos investir, muito rapidamente, nas nascentes, cuja destruição é um dos motivos pelo baixo volume do lago, já que a situação dos córregos e rios da região é terrível, suas nascentes estão secas.

Queremos fazer um trabalho de recuperação das nascentes. Temos um córrego que corta Uruaçu, o Machombombo, que é muito bonito, mas está todo poluído. É um nome tupi-guarani — assim como “Uruaçu”, que significa “pássaro grande”. No centro da cidade tem uma escultura de um grande pássaro de concreto, porque, reza a lenda, que, ao começar a escassez das caças, a tribo local tinha a ideia de que um grande pássaro comia os animais, mas eram, na verdade, as consequências da depredação dos homens brancos. Nós precisamos nos organizar em Uruaçu quanto à questão ambiental, precisamos fazer uma reserva ambiental, até mesmo para pleitear o ICMS Ecológico. Colocaremos na Secretaria de Meio Ambiente um técnico que realmente entenda da área e que nos ajude a ter uma gestão em favor do meio ambiente, para que isso saia do marketing e do discurso político e seja algo visto com seriedade.

Elder Dias — Como é em Uruaçu a relação entre agronegócio e preservação de áreas de nascentes? Em que pé está a situação de pivôs centrais e da monocultura no município?

Em Uruaçu, quanto ao segmento da agricultura, não temos ainda nenhum dado de divergência com o poder público municipal. Nós teremos este conhecimento a partir de janeiro. Temos ainda uma grande usina de álcool, que é do grupo de Carmo do Rio Verde e que gera muitos empregos na cidade. Procuraremos ter com eles uma boa relação e achar uma saída caso percebamos algo errado e que prejudique o meio ambiente. Procuraremos soluções que preservem o meio ambiente e os negócios e empreendimentos que geram emprego e renda para cidade. A maioria dos proprietários de lavouras de Uruaçu é, de fato, da cidade; são famílias que moram e querem o bem do município. Eles não são investidores de fora, não veem a cidade como um garimpo. Portanto, vejo que será fácil a relação com os produtores.

Euler de França Belém — A Ferrovia Norte-Sul passa muito perto da cidade?

Ela passa a 5 mil metros de minha casa. De lá, dá para ouvir a sirene dos vagões que fazem testes e carregam materiais. O porto da ferrovia está entre Uruaçu e o Lago de Serra da Mesa. A distância dele em relação às casas populares recentemente construídas é de cerca de 800 metros.

Euler de França Belém — Mas não tem nenhum terminal?

Até agora, ainda não houve movimento algum nesse sentido. É algo que também precisamos, além da duplicação da BR: lutar realmente pela implantação da ferrovia.

Euler de França Belém — E a Rodovia BR-080, que segue por Barro Alto, está boa?

Sim, está em boas condições. Nós estamos mais próximos de Brasília do que de Goiânia por aquela rodovia. Ficamos a 240 quilômetros de Brasília passando pela BR-080. Na última semana, eu fui à capital federal por ela, que está, sim, muito boa. Recentemente, houve o recapeamento de alguns pontos.

Euler de França Belém — Terá um braço de outra ferrovia que passaria por Uruaçu?

Passará, na verdade, por Campinorte, quase na divisa com o Uruaçu. Será a Ferrovia Transoceânica. O projeto já está pronto, mas a população fica sem expectativa, pois a Norte-Sul levou décadas na obra e ainda não está funcionando. Assim, quando se fala dessa nova ferrovia, a população fica apática, sem muita fé.

Euler de França Belém — Há a proposta de fazer um centro cultural, como já existe hoje em Porangatu, para levar uma mostra de teatro, que poderia ser de Porangatu e Uruaçu?

Não tem algo assim, mas é um dos meus grandes projetos. Eu não posso terminar o mandato sem a gente ter o Centro de Cultura e Convenções da cidade de Uruaçu. Está no nosso plano de governo. Conversei com a professora Raquel [Teixeira, secretária da Educação] quando ela ainda era deputada federal. Eu a apoiei em Uruaçu e fiz esse pedido a ela, para nos ajudar a construir esse espaço. Já fiz esse pedido para o governador Marconi e também para meu deputado hoje, Thiago Peixoto (PSD). Nós vamos preparar a área já em janeiro e vamos fazer um trabalho grande junto ao governo do Estado, por meio de emendas parlamentares e recursos do governo federal. Não podemos em Uruaçu, com tantas faculdades, universidades e polos, ter as formaturas realizadas na feira coberta.

Uma coisa que amenizou a situação foi feita com ajuda de Thiago Peixoto, juntamente com o governador Marconi, que cobriram seis quadras de esportes das escolas estaduais, no ano passado. A gente tinha apenas uma quadra coberta em uma cidade de 40 mil habitantes. A comunidade acaba realizando eventos nessas quadras cobertas, que estão espalhadas pelas diversas regiões da cidade. Não havia local para realizar eventos. Uruaçu tem uma necessidade muito grande do Centro de Cultura e Convenções e eu quero terminar meu governo entregando essa obra importante para a população da cidade.

Euler de França Belém — O sr. não poderia propor a Pedro Fernandes [prefeito eleito de Porangatu, do PSDB] fazer a mostra de teatro nacional integrada entre Uruaçu e Porangatu para, assim, dividirem os custos?

Esta é uma boa ideia e eu discutirei isso com Pedro. Nós estivemos juntos, no lançamento da candidatura dele, ligada a um grande parceiro nosso, Júlio da Retífica [deputado estadual pelo PSDB], mas depois não tive oportunidade de voltar a conversar com ele, por conta da campanha curta. Mas eu quero visitá-lo nos próximos dias e discutir o que podemos fazer em parceria, de modo que isso beneficie os dois municípios. Eu vou primeiramente anunciar a equipe, pois permitiremos que o meio cultural faça a indicação do secretário. Fiz esse compromisso, no início de campanha, com o Conselho Municipal de Cultura de Uruaçu e esperaremos essa indicação, para então nos reunirmos com Pedro Fernandes, e também com o nome que ele vai indicar, para vermos a possibilidade de fazermos essa parceria.

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