“Podem anotar: os evangélicos vão dobrar sua bancada no Congresso nas próximas eleições”

Fundador da Igreja Fonte da Vida, apóstolo diz que eleitor não pode se guiar pela emoção e de novo jogar seu voto em uma aventura com consequências sérias para o futuro do País

Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

A Igreja Apostólica Fonte da Vida nasceu de um ex-católico que hoje vaticina: “O Brasil vai ser um país evangélico”. Depois de sua passagem ao mundo evangélico e de, no início, vivenciar o que chamou de movimento “hippie-gospel”, César Augusto Machado de Sousa e sua mulher, Rúbia Pinheiro, em 1994 fundaram a missão que hoje se estende a 20 países, além de praticamente todo o território brasileiro. Tudo isso iniciados em cultos num apartamento de amigos no Setor Oeste. O casal mora hoje em São Paulo, mas, em passagem por Goiânia na última semana, o apóstolo esteve no Jornal Opção para conceder a entrevista.

Religião foi apenas um dos temas. César Augusto é pai do deputado federal Fábio Sousa (PSDB) e sogro de Gian Ribeiro, o dr. Gian, vereador por Goiânia de 2009 a 2016. Apesar de dizer que não tocam no assunto “política” em família, o líder religioso falou bastante sobre política local — elogiou os três principais pré-candidatos ao governo goiano —, mas, principalmente, sobre o cenário nacional. E o futuro do Brasil com o próximo presidente é um tema que o ocupa. “Não podemos deixar o País ser comandado por um populista que não entende de gestão nem de economia, da delicadeza que é dirigir uma Nação”.

Em relação a planos para sua igreja, um é o de implantar, em um futuro breve, uma Fonte da Vida em Jerusalém — cidade para a qual César defende, com base na Bíblia, o reconhecimento pelo Brasil como capital de Israel, assim como fez os Estados Unidos na gestão de Donald Trump. “A Bíblia é muito clara ao dizer que quem abençoa Israel será abençoado”, arrematou o apóstolo, que não censura tatuagens nem música secular entre os membros de sua denominação e que revela gostar de futebol — é torcedor fiel do Goiás e do Corinthians.

Augusto Diniz — Quando e como começou seu trabalho com a Igreja Fonte de Vida?

Venho de uma igreja história. Eu me converti na Igreja Presbiteriana, em uma paraeclesiástica chamada Mocidade Para Cristo, que fazia trabalho com jovens e nas escolas, muito bom, por sinal. Eu morava no Setor Campinas e recebi um convite para uma conferência de jovens em Belo Horizonte. Eu era um católico convicto. Fazia a 3ª série do ginásio e, naquela época, era muito difícil passar de ano. Então, fiz uma promessa e fui a Trindade a pé. Lembro-me disso claramente: fui a pé, paguei 60 passos antes de entrar na igreja e fui de joelhos até o altar. Fiz também o encontro do Movimento de Cursilhos de Cristandade (MCC).

Tive o encontro com Jesus. Às vezes, a pessoa não acredita, mas não tem como acreditar se ela pelo menos não tentar ter a experiência. Fui para a Igreja Presbiteriana e, depois de algum tempo, saí com um grupo de pessoas para morar em uma chácara. Era uma espécie de movimento “hippie-gospel”, largar tudo por conta de seus ideais e sonhos. Disso saiu a Comunidade Evangélica, que hoje tem várias ramificações. Depois, comecei um trabalho em um apartamento no Setor Oeste, na casa de uma irmã. Esse grupo cresceu e, de repente, tivemos de ir para o salão de festas; depois, o dono da antiga Rey Drogas, já falecido, ofereceu um anfiteatro. E quando lá não cabia mais, tivemos de ir avançando. Mas a Fonte da Vida começou mesmo em um apartamento de uma família aqui em Goiânia. Hoje estamos em 20 países e praticamente todo o território brasileiro, com veículos de comunicação e obras sociais. É uma igreja solidificada — não é antiga, mas não é uma igreja jovem, já tem 24 anos.

Augusto Diniz — Como é a formatação da Fonte da Vida nos Estados Unidos?

Nos EUA, estamos em dez Estados. Muita gente diz ter uma igreja lá e a primeira pergunta que eu faço: é uma igreja legalizada? Porque é preciso andar segundo as leis. Nossas igrejas todas são, nossos pastores têm “green card” [como é chamado o visto de permanência nos EUA], respeitamos todos os trâmites.

Cezar Santos — Um processo mais rigoroso?

Muito mais. Aqui abre-se uma igreja como um empório, é um ab­surdo. Toda hora aparece alguém fal­ando que teve um sonho e abriu uma igreja. Não é assim nos Estados U­ni­dos, é realmente bem mais rigoroso.

Marcelo Mariano — Quais foram as grandes dificuldades que a igreja passou?

Interessante é que eu estava comentando exatamente sobre isso com um amigo, o apóstolo Estevão, que me perguntou como estavam as coisas este ano. Respondi que este ano e o ano passado talvez sejam os piores da igreja. Porque igreja depende de doação, depende de dízimo. O País estando na recessão em que está, com 12 milhões de desempregados, torna tudo mais difícil para todos. Tivemos de praticamente fechar 60 salões pelo Brasil. A igreja continua, mas fechamos os salões e alugamos espaço em hotéis, justamente por conta da crise. Essa é hoje nossa maior dificuldade, a situação do País. Mas, antes, a dificuldade era o preconceito. Se tem um segmento rejeitado pela maioria da sociedade e olhado por ela com desconfiança é o evangélico.

Augusto Diniz — Ainda hoje?

A situação hoje está melhor do que quando iniciamos, mas ainda aparece essa rejeição. Quando a Fonte da Vida foi criada teve um fator que mudou a visão da sociedade. Arthur Rezende [jornalista e colunista social], que hoje é meu amigo, foi à reunião, esteve no culto. Sem que eu esperasse por isso, no dia seguinte ele descreveu o culto em sua coluna, o que havia sentido. Foi uma coisa muito positiva, porque ajudou a derrubar o estereotipo de que evangélico é “inculto”, “alienado”. Arthur praticamente nos apresentou para a sociedade, houve essa quebra de barreira, como também ocorreu com a imprensa da época. Com o decorrer, porém, com o avanço da igreja, muitas pessoas nos olhavam com aquela rejeição característica de quem não conhece o mundo evangélico.

Hoje ainda observamos essa rejeição. Um jogador de futebol, quando comete um ato ruim, não recebe nenhuma observação sobre sua religião, se for católico. Mas, se for evangélico, aí foi “o evangélico” que “deu o soco no adversário”. Como se o evangélico não fosse também alguém humano.

Augusto Diniz — A crise econômica, então, tem afetado a manutenção das igrejas?

Sim, porque quando a pessoa está desempregada não tem como devolver o dízimo. Temos de observar bastante a eleição para presidente da República. Não podemos deixar o País ser comandado por um populista que não entende de gestão nem de economia, da delicadeza que é dirigir uma Nação. É alguém que vai prejudicar os evangélicos, a imprensa, todo mundo. Muitas vezes dizem, entre os membros, que temos de ter um crente na Presidência. Mas não estamos em uma eleição para sacerdote, mas para presidente. Não vamos eleger um pastor, mas um governante. É preciso ter em mente que, se o eleito for um bom gestor, a Igreja, no contexto geral — seja formada por católicos, evangélicos etc. —, e o País vão ganhar com isso. A questão econômica afeta muito. Não adianta pensar que Deus vai agir em sua vida, financeiramente, se não tiver oportunidade de trabalhar. Deus nunca vai fazer aquilo que eu tenho de fazer, vai agir se eu me qualificar, se eu acompanhar o desenvolvimento da sociedade.

Marcelo Mariano — Quando o sr. diz que é preciso evitar candidato populista e que não entenda de economia, é um discurso contrário a Jair Bolsonaro [pré-candidato à Presidência pelo PSL]?

Não tenho nada contra ninguém, pelo contrário, amigos mui­to próximos estão apoiando Jair Bolsonaro. Hoje vemos uma co­moção social como era com Lu­la, mas com pensamento à esquerda.

Marcelo Mariano — Uma comoção de caráter populista?

Sim, isso me preocupa, porque a experiência antiga não foi boa. Entrei nesse barco três vezes [apoiando o PT, com Lula e Dilma Rousseff], achei que era a solução para o País. Hoje tenho 62 anos, não posso errar mais. Quem tem 18 anos pode, quem tem 25 pode ir embora. Não sou daqueles que vão embora, que dizem “eu amo o Brasil!”, diz estar preocupado com o País, com a criminalidade, mas morando em Paris, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Suíça. Eu moro aqui, vivo aqui e quero o melhor para o País. Até poderia ser Bolsonaro, se ele tivesse as qualificações para tirar o Brasil da crise.

Marcelo Mariano — Entre os evangélicos Bolsonaro é a opção mais benquista?

Hoje os evangélicos não têm definição por um candidato, há uma divisão em nosso meio. Mas creio que isso vá afunilar.

Cezar Santos — O sr. diz que não tem nada contra nenhum candidato. Mas tem a favor de alguém?

Eu sei em quem não vou votar, mas ainda não sei quem vou apoiar.

Por mim, ele (Fábio Sousa) já teria saído (do PSDB) há muito tempo. Quando um partido limita seu crescimento, é porque não querem você ali. O eleitor não vai votar em partido, mas em pessoas”

Cezar Santos — E em quem o sr. não vai votar?

(risos) Aí é uma questão de foro íntimo.

Augusto Diniz — O sr. citou que não só os evangélicos, mas toda a sociedade tem de entender que deve escolher um nome para governar para todos. Esse nome, então, pode ser de fora do meio evangélico?

Não temos esse nome hoje no meio evangélico: uma pessoa que entenda profundamente de segurança, que tenha experiência de gestão, que entenda de economia, que vá gerar empregos para toda a Nação. Não podemos colocar um neófito. Não pode ser como Lula, que do nada vira de repente o presidente da Repú­bli­ca, porque as ações populistas depois vão jogar o País numa vala. Pode até aparecer alguém capaz no meio evangélico ainda, mas até agora ninguém assim se lançou candidato.

Cezar Santos — Que avaliação o sr. faz do trabalho que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella [PRB, também bispo da Igreja Universal do Reino de Deus]?

Crivella é meu amigo. E, com bastante segurança, vou dizer — e digo a ele, também: Crivella está sofrendo com a falta de habilidade prática de estar em um cargo executivo, em meio a uma crise como a do Rio de Janeiro. Se vocês tiverem a oportunidade de entrevistá-lo algum dia, vão perceber que ele é uma pessoa capaz e extremamente bem-intencionada. Só que isso somente não adianta. Crivella entrou em uma prefeitura que está no buraco, de uma cidade que foi tomada pelo crime organizado e com a Rede Globo em cima dele — imagina uma emissora desse porte em seu quintal a lhe vigiar. Esses dias noticiaram que a mãe dele havia furado fila para atendimento médico. Pergunto: isso é relevante para ser manchete de jornal? Em suma, Crivella peca por nunca ter administrado nada e pegar uma cidade tão complexa como o Rio de Janeiro, onde uma enchente leva todo o planejamento junto.

Augusto Diniz — Durante o carnaval ele se ausentou da cidade e alegou que estaria no exterior para conhecer novos modelos de gestão mundo afora. Como o sr. viu esse fato?

Creio que se, durante o período do carnaval, não tivesse ocorrido a enchente, se não tivessem havido tantos crimes, teriam esquecido Crivella, não haveria esse destaque. Mas, de fato, ele teria de estar na cidade, pela dimensão que é o evento. O prefeito pode até não gostar de carnaval, mas tinha de estar lá, como gestor da cidade.

Cezar Santos — Em outras eleições, seu nome chegou a ser ventilado para uma possível candidatura. O sr. nunca aceitou, mas seu filho [deputado federal Fábio Sousa, do PSDB] entrou na política. Para si não há essa possibilidade?

O deputado Fábio tem uma na­tureza muito forte. Desde pequeno eu o vejo falar de política. Não é que eu o tenha lançado nessa vocação, por­tanto: foi iniciativa própria, que eu respeitei e que, com o tempo, vi que foi acertada. Mas, se eu falar que não gosto de política, não estarei sendo verdadeiro. Gosto tanto de po­­lítica como gosto do Goiás e do Co­rinthians. Sempre prometo que não vou assistir mais jogo do Goiás, mas estou lá de novo. Sei que vai fi­car em 12º lugar, mas estou torcendo.

Política é da mesma forma. Todo cidadão é um ser político. Não tenho mandato, nunca disputei eleição, embora não tenham me faltado oportunidades. Porém, hoje, vejo que o meio evangélico tinha de ser muito mais valorizado do que é. Os evangélicos têm de acordar e parar de receber pessoas que dão tapinha nas costas e arrumam emprego para filho de pastor, com o intuito de depois pegar os votos.

Marcelo Mariano — O meio evangélico é desunido, politicamente falando?

Eu diria que não temos 100% de unidade, mas poderíamos ter se, na chapa majoritária, tivéssemos um representante. E precisamos ter, para agora. O que me empolga na política em Goiás é que, pela primeira vez, vamos sair da polarização entre dois candidatos. Há três pré-candidatos ótimos, excelentes: José Eliton (PSDB), que acompanha o governador Marconi Perillo (PSDB) e deve ter aprendido muito estando em um time vencedor; Daniel Vilela (MDB), um jovem que vem de uma escola política em sua família; e Ronaldo Caiado (DEM), que é alguém que, por si só, já carrega toda uma história.

Para senador, no entanto, vemos as mesmas pessoas, não se vê uma renovação. Acho que aí, sim, cabe alguém do mundo evangélico. Para o Legislativo nós devemos ir desunidos, mas para a chapa majoritária — para vice-governador ou senador — temos de nos juntar em torno de um nome. Somos de 35% a 40% de evangélicos em Goiás; então, uma chapa majoritária tem de nos respeitar e nos convidar para fazer parte.

Marcelo Mariano — O deputado João Campos (PRB) seria um bom nome?

Seria um excelente nome. Posso citar João Campos — que já manifestou vontade de ser senador —, Fábio Sousa — cujo nome não tem restrição em lugar nenhum —, Daniel Messac [deputado estadual pelo PSDB], Simeyzon Silveira [deputado estadual pelo PSC]. São pessoas que estão na política como evangélicos e que têm experiência. Por que não dar oportunidade a eles?

Marcelo Mariano — O sr. se anima mais com o cenário político estadual do que o nacional?

Por estar viajando bastante, estou muito ligado ao quadro nacional. Mas Goiás me empolga, por ser um Estado pequeno, e por ter tantas lideranças que já passaram pelo crivo de eleições e de quem sabemos o que podem produzir. Há também uma turma nova aparecendo. Temos pastores que não têm mandato — como Gentil [Oliveira] e Oídes do Carmo, da Assembleia de Deus; João Antônio e Washington Luiz, da Igreja Evangélica Quadrangular — e que poderiam representar o mundo evangélico como senador ou como vice-governador. Mas não os chamam para isso — quando chamam, é para a terceira suplência. É um absurdo.

Cezar Santos — O deputado Fábio Sousa sempre militou na base do governador Marconi. Ultimamente muito vem se falando que ele considera a possibilidade de sair do PSDB. Ele já comentou isso? Como o sr. vê isso?

Por mim, ele já tinha saído há muito tempo. Quando um partido limita sua possibilidade de crescimento é porque não querem você ali.

Augusto Diniz — Fábio ainda demonstra descontentamento por ter sido preterido à presidência estadual do PSDB em relação a Afrêni Gonçalves?

Em casa temos um trato: não falar de política. Também tive Gian [Dr. Gian, vereador por dois mandatos e genro de César Augusto], que foi vereador, então, se for falar de política, fica apenas nesse assunto. Fábio ficou descontente não com a questão do diretório estadual, mas com o fato de não ter sido candidato a prefeito, porque nesse caso havia promessas — e digo porque participei diretamente —, mas a política é assim mesmo. A pessoa tem de sentir o espaço de que dispõe no partido. O eleitor não vai votar em partido, mas em pessoas — o País está mudando nesse rumo.

Marcelo Mariano — O sr. fala que as pessoas votar vão votar cada vez mais em nomes e não em partido. Mas é realmente possível a um candidato ser tão independente assim de sua sigla?

Não, precisamos de uma boa reforma política. Mas digo por mim: vou votar na pessoa.

Cezar Santos — Talvez o voto no partido seja mesmo um voto ideológico, principalmente de esquerda, como o eleitor do PT.

Sim, o sujeito que se o candidato for um poste, mas pelo PT, vai votar no poste. Não sou petista, sou de centro-direita. Acredito na livre iniciativa.

Augusto Diniz — Fábio Sousa chegou a ensaiar uma ida para o PSL, que, porém, em Goiás deve ser entregue ao grupo do Delegado Waldir (PR). Como o sr. vê uma possível mudança de partido?

Como pai, é até ruim eu entrar nisso. É o Fábio quem decide sua vida e tem suas razões. O que eu penso é que ele deveria repensar em relação ao PSDB. Chegou a sair uma nota segundo a qual o governador Geraldo Alckmin [de São Paulo] teria dito a mim que tem interesse em que Fábio continue no partido. Realmente eu tenho estado junto ao governador Geraldo algumas vezes e ele externa esse interesse em relação a Fábio. Mas, com todo respeito que tenho ao governador, quando o partido quer alguém, ele valorizado. Mas é Fábio Sousa quem decide sua vida.

Augusto Diniz — O sr. não quer dizer abertamente em quem pretende votar para presidente, mas disse de sua proximidade com Geraldo Alckmin e falou de seu perfil de centro-direita. Não é um indício de apoio a Alckmin?

Não, não. Hoje eu tenho analisado e estado com o governador Geraldo Alckmin. Mas precisamos de certos posicionamentos mais claros dele, como de outros postulantes. Só que ele foi o primeiro a me procurar. Esse relacionamento, essa conversa, essa discussão sobre projetos, não vem de hoje, mas já do ano passado. Mas é importante lembrar: é alguém que já administrou São Paulo quatro vezes.

Cezar Santos — Como o sr. analisaria uma candidatura de Henrique Meirelles [PSD, atual ministro da Fazenda]?

O dr. Henrique Meirelles tem uma capacidade inquestionável e o trabalho da equipe econômica deve-se a ele, a sua cabeça. Mas falta-lhe tino político. Não estamos na Suíça, mas no Brasil. Não referindo diretamente apenas a ele, mas às vezes quem tem certo grau de intelectualidade tem dificuldade de falar a linguagem do povo e o brasileiro vota pelo que ouve, apesar de isso estar mudando. Seria uma baita candidatura, mas poderia ser um grande vice, também. Uma chapa Alckmin-Meirelles seria sensacional para o País.

Augusto Diniz — Como é a relação com o voto dentro das igrejas evangélicas? O líder religioso tem influência sobre o voto de seus fiéis?

Se eu falar que não, estou mentindo, é lógico que tem. Um jogador de futebol não tem influência, quando declara seu voto? Um cantor também, da mesma forma? O prefeito de Belo Horizonte [Alexandre Kalil, do PHS] foi eleito por sido presidente do Atlético Mineiro. Então, falar que o evangélico não é influenciado não existe, é óbvio que o pastor influencia. Mas todo segmento tem os bons e os ruins, os que influenciam negativamente e positivamente. Nossa maneira de trabalhar isso é levar as pessoas a pensar no que é melhor para o País. Não é uma eleição para presbítero, para pastor, para apóstolo. É uma eleição para presidente de um País que está em profunda crise e que, se entrar outro nome ruim, vamos ter mais 12 anos de dificuldade. Temos de influenciar diante dessa pressão.

“Nenhum pré-candidato ao governo me procurou”

Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Augusto Diniz — Em todo período eleitoral, os políticos se voltam mais para as igrejas, independentemente da denominação. Os pré-candidatos às próximas eleições já estão se aproximando das igrejas?

Nossa igreja é um pouco diferente nesse sentido, talvez em seu início havia um pouco desse encanto. Hoje pensam duas vezes antes de nos procurar. Acho que isso é bom, mostra respeito ao púlpito que está ali. Em nossa igreja não falam, não usam o microfone. De qualquer forma, estamos abertos, mas, por incrível que pareça, nenhum pré-candidato ao governo me procurou. Então, estou livre para minha escolha, feliz (risos). Pela oposição que ocupamos, temos relação como todo mundo; se ninguém pedir o voto, melhor ainda para a gente se definir.

Augusto Diniz — O sr. citou algumas lideranças evangélicas e algumas delas têm dado espaço ao pré-candidato Ronaldo Caiado. Uma delas é o bispo Oídes do Carmo, da Assembleia de Deus — Campo Campinas, outra é o pastor Aloisio, da Igreja Videira, que o levou recentemente à igreja e fez comentários elogiosos. O movimento evangélico está migrando, já que havia uma maior proximidade com o grupo do governador Marconi?

Temos de respeitar a posição de cada um, mas não sei se é de fato um apoio. Tenho certeza de que, se outros candidatos os procurarem, vão recebê-los também. Em uma igreja há pessoas de todo tipo — há petistas, gente do DEM, do MDB, do PSDB. Se houver tratamento diferente, vão ter membros insatisfeitos e que poderão abandonar a igreja.

Marcelo Mariano — A imprensa já criticou várias vezes a realização de cultos religiosos nas dependências do Congresso. O sr. acha que é um local apropriado para essas atividades?

Todo dia, não. Mas, periodicamente, orar com os parlamentares, se é da vontade deles, não vejo problema. Não somente cultos, mas orações de qualquer religião. O País é laico, mas não é contrário à religião. Alguém às vezes vem com a ideia de retirar símbolos dos locais públicos, mas sempre foi assim. Isso é conversa de uma esquerda que até hoje acha a religião é o ópio do povo.

Marcelo Mariano — Qual avaliação o sr. faz sobre a atuação do Papa Francisco nas questões mundiais?

É uma pessoa extremamente carismática. Para mim, o relacionamento com Deus independe de denominação ou religião. Sou de origem católica e não gosto que falem mal de religião alguma. Tem muito católico que é cristão de verdade, como tem muito evangélico que não é cristão. Tenho profundo respeito pelo Papa Francisco, é uma liderança que pode contribuir muito pela paz, com a influência da Igreja Católica.

Marcelo Mariano — O presidente dos EUA, Donald Trump, recentemente reconheceu Jerusalém como capital de Israel, um posicionamento que mexeu com o mundo e criou alvoroço. O embaixador de Israel no Brasil [Yossi Shelley] disse ao Jornal Opção que seria interessante que o Brasil fizesse o mesmo. O que o sr. pensa sobre esse assunto?

Vamos fazer a Marcha Para Jesus em 1º de maio e pretendemos colocar 200 mil pessoas na rua. O embaixador de Israel vai estar na marcha. Gostaria de fazer um pedido ao Congresso Nacional: que influenciasse o Itamaraty a reconhecer Jeru­salém. A Bíblia é muito clara ao dizer que quem abençoa Israel será abençoado. Oswaldo Aranha [diplomata brasileiro que, como embaixador, presidiu a Assembleia Geral da ONU que criou o Estado de Israel] foi fundamental para a criação de Israel. O Brasil está mais inserido na história de Israel do que parece — e isso os governos de esquerda não observam. Como explicar uma nação daquele tamanho, onde só tem pedra, se transformar na mais importante do mundo? A bênção de Deus está ali. Isso vale tanto para nós, evangélicos, como para os católicos. É o que eu chamo de valores cristãos-judaicos, nos quais não se mexe. E um desses valores é o País apoiar Israel.

Marcelo Mariano — Na época do reconhecimento de Jerusalém, muitos analistas internacionais citaram o fato de o Ocidente ignorar os cristãos do Oriente. Por exemplo, do lado palestino existe uma grande população cristã — como a viúva de Yasser Arafat [ex-presidente da Autoridade Palestina] e a prefeita de Ramallah [Janet Mikhail], capital da Palestina. O Ocidente realmente ignora os cristãos orientais?

Eu acho que o Ocidente ignora o mundo cristão. Na religião muçulmana tem algo que deveria ter em nosso meio. Veja o que eles fazem quando mexem com os símbolos deles, com o profeta Maomé. Veja o que ocorreu na França com a sátira ao profeta [ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo, em Paris]. No Brasil, em qualquer programa de qualquer canal, satirizam Cristo e os profetas.

Cezar Santos — Mas o sr. concorda com essa posição sectária dos muçulmanos?

Não, não, sou totalmente contra isso.

Marcelo Mariano — Mas o sr. acredita que esse seja um posicionamento dos muçulmanos de forma geral, de mais de 1 bilhão de pessoas?

Não, mas acho que é de uma maioria esse posicionamento radical.

Marcelo Mariano — O islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Sua posição, então, é de que a maioria dos muçulmanos — mais de 800 milhões — tem posições extremistas?

Pode até verbalizar que não, mas, no fundo, tem. Basta ler o Alcorão [livro sagrado do Islã] que vai entender o que eu digo.

Marcelo Mariano — Mesmo tendo alguns exemplos como um muçulmano na prefeitura de Londres [Sadiq Khan], uma metrópole ocidental, e um católico na presidência do Líbano [Michel Aoun], um país muçulmano?

É uma minoria. A maioria, que Deus nos livre. Que Deus nos livre.

Marcelo Mariano — Mas o Estado Islâmico (EI), principal organização terrorista hoje e que está perdendo forças, tem 30 mil combatentes em uma religião com 1,5 bilhão de seguidores…

Quem está por trás do Estado Islâmico? Quem são as cabeças pensantes? Lá há jovens envolvidos por um ideal enquanto passam por crises.

Apóstolo César Augusto, com a equipe do Jornal Opção: “Fernando Henrique Cardoso anda falando muita bobagem” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Marcelo Mariano — A ideologia do EI é o wahhabismo, religião de Estado na Arábia Saudita, mas não representa o islamismo como um todo. O país com maior número de muçulmanos é a Indonésia.

Sim, mas a Arábia Saudita é um país riquíssimo, tem uma economia muito forte. Tenho como princípio não criticar religião alguma. Mas todo tipo de radicalismo — seja muçulmano, evangélico, católico — está fora.

Marcelo Mariano — O islamismo, no Brasil, tem crescido nas periferias. A religião disputa o mesmo espaço de crescimento que os evangélicos?

Não. O Brasil vai ser um país evangélico, posso lhe garantir com tranquilidade. Vamos ter uma maioria evangélica e estamos caminhando para isso numa velocidade maior do que o esperado. Hoje, grande parte da economia do País está na mão dos evangélicos. As universidades, o meio artístico, o esporte, são espaços cheios de evangélicos. Temos só em Goiânia sete ou oito rádios que estão com evangélicos. A TV Record produziu “Os Dez Mandamentos”, um filme com alta tecnologia que encantou não só os evangélicos. A Globo já começa a sentir a presença da Record, que está tirando seu monopólio. Isso é efeito do segmento evangélico.

E digo também: nas próximas eleições, em outubro, o segmento evangélico, com certeza, vai fazer uma bancada no Congresso Nacional do tamanho do dobro do que tem hoje. Depois me cobrem isso.

Augusto Diniz — É possível hoje pensar na união entre evangélicos e católicos — notadamente da Renovação Carismática Católica (RCC) em torno de nomes comuns ao Congresso, seja a deputado ou ao Senado?

Sou muito simpático ao movimento carismático católico, não tenho barreira nenhuma contra o catolicismo. Temos mais fatores que nos unem do que nos separam. Essa união pode acontecer, por exemplo, em torno de Geraldo Alckmin, que é católico praticante. Podemos ter uma convergência, o que é preciso é que exponha o que pensa por si, não pelo partido.
É preciso desassociar o candidato do partido, um partido não pode prender o candidato em sua doutrina. O candidato tem de respeitar seu partido, mas tem de ser ele mes­­mo. Uma candidatura de Alck­min pode unir católicos e evangélicos.

Augusto Diniz — Como o sr. vê a crítica aos projetos de lei da bancada religiosa do Congresso, que são tratadas como pautas conservadoras e retrógradas, que não respeitariam os direitos de outras representatividades?

Exatamente nesse ponto é que eu discordo: acho que os mais desrespeitados são os evangélicos. Posso não concordar com você, mas minha discordância não deve fazer de você meu inimigo ou vice-versa. Minha discordância não lhe impede de externar sua opinião nem eu de dizer a minha. Por que só os outros segmentos podem externar sua opinião e não os evangélicos? Vamos ser bem claros: o casamento entre homossexuais. Eles têm todo o direito de quererem casar, mas eu tenho todo o direito de não promover. Por que se eu não fizer é crime? Eu tenho direito de falar que eu não concordo. Por que se eu falar que não concordo é homofobia?

Augusto Diniz — Talvez a questão não seja separar o que é casamento religioso e união civil?

Estamos em uma democracia em que devemos respeitar a capacidade de pensar e de expressar. As leis devem ser colocadas para ser obedecidas, mas criminalizar um pensamento, uma opinião? Que democracia é essa? É uma visão de esquerda.

Augusto Diniz — O sr. está falando diretamente da proposta de lei que cria o crime de homofobia?

Sim, aplica-se nisso, mas qualquer opinião que um evangélico dê hoje é tachado de conservador. Então sou, sou conservador, sou um homem de direita. Mas tenho direito de falar, de ser assim. Tem gente que gosta de torcer para outro time que não o meu, vou achar ruim? Precisamos respeitar o direito de expressar, as divergências não podem trazer inimizades. Maturidade é conviver bem e aprender com as diferenças.

Augusto Diniz — De qualquer forma, as crenças e ideologias das pessoas têm levado a um enfrentamento cada vez mais violento. O sr. acha que ainda é possível criar um clima de respeito entre pessoas tão diferentes?

Sim, eu acredito e gostaria muito de poder ajudar nisso. A sociedade precisa de pessoas que sejam pacificadores. O diálogo pacifica. Por exemplo, eu tinha uma ideia sobre vocês que hoje mudou totalmente, aqui nesta mesa. Vou sair daqui falando bem do Jornal Opção. Por quê? Porque estamos dialogando. A distância e a falta de diálogo criam fantasmas. Entre os evangélicos, estou recebendo pressão para apoiar dois candidatos nacionalmente, mas que não vou apoiar. Seus apoiadores não podem ficar chateados comigo. Não vou apoiar, por convicção, porque não é a pessoa certa — pode ser até para outro cargo, mas não para o de presidente. Mas até dentro de nosso próprio meio as pessoas vão querer mudar minha opinião? Não, não vão mudar, mas vamos conversar. Hoje estou mais próximo de Geraldo Alckmin — não estou dizendo que vou votar nele — porque vejo nele uma capacidade de gestão que os outros não têm. Mas posso mudar, de repente aparece Henrique Meirelles, que tem minha simpatia, já o visitei várias vezes em Boston [Meirelles foi presidente mundial do BankBoston], mas precisa ser mais bem assessorado.

Augusto Diniz — O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, figura emblemática do PSDB, tem proposto uma série de nomes para disputar a Presidência pelo partido, que não Geraldo Alckmin…

Fernando Henrique Cardoso teria de ficar quieto, passou da hora. Anda falando muita bobagem.

Augusto Diniz — Num momento em que a eleição está um tanto distante, ele não estaria fazendo isso porque o nome de Alckmin ainda não decolou nem mostra sinais de que poderá subir?

Se não decolar, haverá outros, vão surgir novos nomes. Não sou oportunista, não vou apoiar alguém por estar em primeiro lugar nas pesquisas. O voto tem de ser consciente. Mas as eleições ainda não começaram, vão depender do destino de Lula e de outros movimentos.

Augusto Diniz — Como o sr. vê o cenário eleitoral a continuar essa disputa polarizada entre apoiadores de Bolsonaro e de Lula?

Isso é péssimo para o País, porque vão todos pelo calor da emoção, não pela razão. Todo País que vota pela emoção vai para o abismo. Tanto é que o discurso de Bolsonaro acaba quando Lula sai do cenário. O que ele vai fazer, além de combater Lula?

Marcelo Mariano — O que Bolsonaro deveria fazer?

Ele tem de mudar sua política, precisa fazer propostas. Não pode ficar só na crítica, tem de ter plano de governo.

Cezar Santos — A imprensa se refere, de modo até jocoso, à suposta bancada BBB — da Bíblia, do boi e da bala. Como o sr. vê isso?

A imprensa precisa mudar, pela importância que tem na democracia. Não pode ter lado, tem de informar. Quando der a informação, pode até criticar, mas não pode menosprezar, perseguir, fazer chacota. Não se pode fazer isso com quem está no Congresso, porque foi o povo quem elegeu. Se chegou lá é porque tem alguma capacidade. Discordo, por exemplo, quando criticaram Tiririca [humorista e deputado federal pelo PR-SP], que se faz de bobo, como alguns políticos que tínhamos aqui em Goiás. Quem via dizia que não tinha cultura nenhuma, mas era senador, prefeito, governador. Como não tem cultura alguém assim? Se chegou aonde chegou é porque algum mérito tem. A imprensa precisa mudar.

Marcelo Mariano — Qual é sua opinião sobre a liberação do porte de arma?

Sou contra. Imagine se liberar o porte de arma de fogo o que pode acontecer com esse País. Sou a favor, sim, do investimento em segurança — primeiro em qualificação dos agentes, tanto na parte estrutural como na intelectual e na física. Como um policial militar fora de forma pode perseguir um bandido? Como um carro sem condições adequadas vai alcançar o automóvel supermoderno em que está o criminoso? Esses dias me perguntaram quem é pior, o líder do crime organizado ou os que estão presos na Papuda [políticos condenados por corrupção]? Para mim, é tudo igual: uns matam com fuzil; outros, com corrupção — tiram o direito à saúde, à alimentação. É preciso moralizar tudo, mas para isso é preciso tempo. Ter um Congresso diferente, um presidente que tenha coragem de fazer as mudanças.

Augusto Diniz — O que seria um Congresso diferente?

Um Congresso independente dos partidos, sem “toma lá dá cá”. Não sou favor de candidatura avulsa, mas acho que o político precisa estar acima do partido. A cartilha do partido pode existir, mas não pode engessar. Sou totalmente contrário a enfiarem parentes por todo o lado depois de eleitos. Muitos fazem isso e ninguém fala nada. Esse é o Congresso que eu gostaria. Sempre brinco que não tenho nada contra quem está no segundo ou no terceiro casamento, mas quem não consegue ser fiel à esposa será fiel ao eleitor? Até isso é preciso observar, só nisso já se faz uma varredura maravilhosa. No Japão, se o primeiro-ministro for suspeito de adultério, ele suicida; na Inglaterra, se demite; aqui no Brasil, o sujeito ri.

Marcelo Mariano — O que o sr. pensa do regime parlamentarista?

Não estamos preparados para isso ainda. É o ideal, mas a consciência política do brasileiro não tem preparo para tanto. Precisamos caminhar nesse rumo, mas os cidadãos ainda não estão prontos.

Cezar Santos — O sr. é um ex-católico e diz não ter nada contra a doutrina. Mas como o sr. explicaria o fato de a religião católica estar perdendo fiéis no Brasil, à razão de 1% ao ano?

Esse índice se amenizou com a entrada do novo papa. A Igreja Católica se distanciou muito de seus fiéis. Vou dar um exemplo: nossa igreja aqui [no Setor Bela Vista, ao lado da Polícia Federal] está aberta o dia todo. Quem quiser orar, pode entrar. A igreja católica não, até tempos atrás abria só na hora da missa. Se a igreja seria sua casa, mas tem horário para entrar, então não é sua casa. O sacerdócio católico — no Brasil não tanto, porque há nomes como Marcelo Rossi, Fábio de Melo etc. — está longe do contato com as pessoas. Se virar arcebispo, então não tem mais. Esse é o risco que o evangélico corre, ter os “pop stars”. Jesus não era assim, andava no meio das pessoas. Não estou dizendo que não pode ter um motorista, mas viver rodeado de seguranças? Estrelismo afasta as pessoas.
Portanto, a Igreja Católica perdeu por se afastar de seus fiéis, primeiramente. Em segundo lugar, por falta de liberdade do Espírito Santo. Tem muito dogma, muita doutrina, mas não há liberdade do Espírito. Os carismáticos vieram para mudar isso — e perceba que essa é uma ala tolhida, não tem tanto espaço na Igreja. Quando eu era católico, a missa era em latim, celebravam de costas, eu não entendia patavina. Como o pastor pode estar de costas, e a interação com as pessoas?

Cezar Santos — O celibato é um complicador?

Nem acho que seja. Mas está cheio de padre com filho por aí, por que não mudar isso? É uma bobeira, onde está isso na Bíblia? Ora, o apostolo Paulo foi casado, assim como Pedro [o primeiro Papa] foi casado, assim como João [evangelista e autor do livro do Apocalipse]. Isso cria muitos problemas, gente processando a Igreja Católica.

Augusto Diniz — Não seria uma tentativa de negar que o religioso deixa de ser um humano comum?

Pode até ser, mas não há base para isso. O apóstolo Pedro tomou sua espada e cortou a orelha de um soldado, quando foram prender Jesus. Tem coisa mais humana do que isso? Mas Jesus o repreendeu. Por que pôr um super-homem à frente de uma igreja?

Augusto Diniz — Por que, entre os evangélicos, há a separação entre a economia religiosa e a chamada secular? Por que uma indústria fonográfica gospel, particular?

Você vai ouvir uma opinião diferente hoje. Para mim, música é música, há boas e ruins.

Augusto Diniz — Mas há um preconceito de ambos os lados.

Nas igrejas apostólicas, não. Fica uma ignorância: a pessoa fala que não pode ver novela, mas assiste filme. Qual é a diferença? “Ah, não posso ouvir música secular, só música gospel”. As músicas gospel há 15 anos eram péssimas, eu não aguentava escutar. Hoje a qualidade da música gospel é maravilhosa.

Cezar Santos — Mas a música gospel adotou os mesmos ritmos de fora da igreja — pagode, samba, arrocha…

Mas o ritmo, o estilo musical, esse não é o problema; a letra, sim. Tem música que faz o sujeito ficar depressivo, leva à depressão, à dor de cotovelo; tem música que o levanta. Tem música que incentiva a prostituição, a traição; e tem música que valoriza o amor, a família. O que é bom, se escuta. O meio evangélico está evoluindo, há 25 anos mulher não entrava na igreja de calças compridas nem de cabelo curto.

Augusto Diniz — Qual a explicação o sr. dá para a teologia da prosperidade?

Eu era fã de Francisco de Assis. Eu vi um filme sobre ele, “Irmão Sol, Irmã Lua” [lançado em 1972, dirigido por Franco Zefirelli], e achava que a pobreza era sinônimo de humildade. Mas não é. Não é o que eu tenho que me faz orgulhoso ou humilde. O mundo precisa crescer e a prosperidade que nós ensinamos é com o trabalho, com a dignidade, valorizando a livre iniciativa, o empreendedorismo. Quem não quer isso? A teologia da prosperidade que diz “fulano não prosperou porque pecou” está errada; se não prosperou é porque não trabalhou. Isso é o que a igreja ensina.

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Adalberto de Queiroz

Tudo muito bem, tudo muito bom, mas “Apóstolo” não é a designação para `chamada´ da matéria. Apóstolo é termo canônico que os irmãos “separados”, como este negociante da entrevista -, se apropriaram e a Igreja no Brasil não entendeu quão rápido e utilitarista é a ação destes.

Adalberto de Queiroz

Apóstata!

Adalberto de Queiroz

Cabe citar o pensador italiano Massimo Cacciari: “A apostasia não é o Último — é o último dos momentos históricos, é a conclusão da Era, é o espasmo tremendo, angustiante, do ´tempo que morre`” (em “O poder que freia”, Edit. Âyiné, p. 98).
Jornalisticamente falando, é descabido o uso da palavra “apóstolo” com que o apóstata Cesar se autonomeia. Ao usá-la, o Opção revalida o erro do apóstata.