“O Republicanos quer que Goiânia seja referencial para as eleições”

Deputado estadual avalia o partido vive um bom momento, principalmente por estar a frente da prefeitura da capital, por isso, a sigla vai buscar reforçar seus quadros e tentar eleger mais deputados federais e um senador

O deputado Jeferson Rodrigues (Republicanos) tem reforçado sua agenda política com foco em 2022. O político, que também é pastor licenciado da Igreja Universal, foi escolhido pela sigla para ser o puxador de votos na chapa de deputados federais que é desenhada pelo partido.

Goianiense, Jeferson Rodrigues participou de sua primeira eleição em 2014, ficando como suplente de deputado estadual. Em 2016 ele assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás, em virtude da renúncia de Gil Tavares. Em 2018 ele foi reeleito.

O parlamentar avalia que o Republicanos vive um bom momento, tendo a administração da prefeitura de Goiânia e trabalhando para consolidar a candidatura de João Campos para o Senado. Em entrevista ao Jornal Opção, Jeferson Rodrigues avaliou sua pré-candidatura ao Congresso, reforçou que compõe a base de Ronaldo Caiado e que o partido deve estar na aliança que visa a reeleição do governador.

Marcos Aurélio Silva – O senhor ocupa hoje o cargo de deputado estadual, mas o Republicanos já cita o seu nome ao falar da montagem de chapa de deputado federal. É um projeto do senhor?

Eu sou homem de grupo. Em 2010 fui colocado na condição de candidato a deputado estadual e tivemos mais de 24 mil, não fui eleito, mesmo ficando em 28º mais votado. Depois em 2014 consegui chegar a 36 mil votos, e fiquei em 14º candidato mais bem votado. E em 2018 tive mais de 45 mil votos. Ou seja, desde o início o grupo que eu represento viu no meu nome a possibilidade real de crescimento e de condições de pré-candidato a deputado federal. Desde o início do ano de 2019 já havia a decisão de que meu nome estaria como candidato a deputado federal. 

Euler de França Belém – E quais os outros candidatos que vão compor essa chapa de deputado federal? O Republicanos já escolheu?

Estamos hoje organizando uma chapa para eleger três deputados federais. O mesmo trabalho que fizemos na eleição municipal em Goiânia, no ano passado, queremos aplicar em 2022. Em Goiânia fizemos uma chapa com puxador de votos, que foi o Izaias Ribeiro, que foi o mais bem votado, e ainda fizemos três vereadores. Tudo isso sem a força da máquina do estado e ou da Prefeitura.

Vamos usar essa mesma metodologia. Acreditamos que é mais fácil porque hoje vamos ter uma realidade mais favorável. A ideia é ter um puxador de votos e com possibilidade real de fazer outros dois deputados. 

São nomes que ainda estamos trazendo para o partido e que preferem não se expor neste momento de pré-campanha. Temos ao menos oito nomes de já assegurados, com potencial de 30 a 50 mil votos, cada. 

Euler de França Belém – O Republicanos vai participar de federações?

Não. O presidente nacional do partido, Marco Pereira, já definiu que vamos adotar essa modalidade. 

Marcos Aurélio Silva – O deputado federal João Campos tem o projeto de se lançar ao Senado. O senhor vai assumir as bases dele?

Naturalmente. Primeiro por eu ser detentor de mandato e ter aproximação com o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz. Temos uma estrutura e um grupo sólido. Naturalmente, meu nome deve agregar essas bases. Claro que, conforme o ditado, quem come a forma toda tem dor de barriga. Há um pedaço certo desse bolo que vai estar conosco. Boa parte das bases do João Campos será passada para nós, mas não posso querer que seja totalmente, já que há outros candidatos.

Euler França Belém – O projeto de João Campos é realmente ir ao Senado. Isso é em definitivo?

Acredito que já faz parte do sentimento dele. Ele percebe que é uma realidade o nome dele como candidato ao Senado. Já percebi essa vontade nele e por isso creio que não tem mais volta.

Euler França Belém – Na política tem o projeto pessoal e tem o projeto do grupo. O prefeito Rogério Cruz alega que o melhor candidato ao governo é Ronaldo Caiado. Se João Campos não conseguir compor a chapa com o governador, como fica?

Tudo isso dependerá dos números de pesquisas. O próprio governador já disse que vai escolher o candidato para senador em sua chapa, no mês de abril. 

Acreditamos que com as ações positivas que a prefeitura de Goiânia tem, e outros municípios administrados pelo Republicanos, vai ajudar a João Campos a ter a possibilidade real de ser o candidato ao Senado que o Caiado vai escolher. 

Euler França Belém – No momento ele está atrás de Meirelles e do delegado Waldir. Será que é possível reverter isso?

É possível. Acreditamos nisso. 

Euler França Belém – O senhor vai apoiar Ronaldo Caiado ou Gustavo Mendanha?

Eu sou da base do governador Ronaldo Caiado. Quando o prefeito tem uma parceria administrativa, junto ao governo do Estado, é natural que haja um relacionamento e proximidade maior. Isso chega a tal ponto que ele (Rogério Cruz) já deu opinião de que se as eleições forem neste momento o melhor nome é o de Caiado. Neste momento, que temos essa aproximação, o meu sentimento é de estar com Ronaldo Caiado.

Tenho ótimo relacionamento com Gustavo Mendanha. Sou amigo dele. Mas neste momento a aproximação maior é com Caiado.

Euler França Belém – Porque o senhor acha que Caiado é o melhor candidato?

Sabemos que o governador, mediante uma pandemia como a que enfrentamos, teve atitudes que foram tomadas e que agora põe Goiás em vantagem para sair da crise.  Estamos com crise econômica, mas Caiado tem musculatura e disposição para a retomada. Essa é uma demonstração de gestão. Neste momento eu vejo que o melhor nome é o governador Ronaldo Caiado. Apesar de não ter objeção a Gustavo Mendanha. Mas temos que fazer escolhas.

Euler França Belém – O senhor é deputado e vivencia a realidade do legislativo goiano. Como é a relação de Ronaldo Caiado com os deputados? O que o senhor pode falar das emendas?

Existem ações do governador que me surpreenderam de forma muito positiva. Hoje não são somente deputados da base que têm suas emendas atendidas. Hoje, todos os 41 deputados estaduais têm sua participação. Neste ano teremos mais de R$ 9 milhões de emendas impositivas.

É claro que para que todas emendas destinadas cheguem à ponta, o deputado precisa acompanhar, saber que a prefeitura está em dia com as certidões e documentos. Mas tenho visto que as emendas dos deputados têm sido atendidas de forma unânime. Isso temos que reconhecer. 

Marcos Aurélio Silva – Esse sentimento que o senhor tem em relação ao governador Ronaldo Caiado, que também transparece nas falas do prefeito Rogério Cruz, é algo unânime no partido, ou há correntes divergentes internamente na sigla?

Para estar em um partido político é preciso respeitar e ver os posicionamentos de cada um. É preciso saber analisar para que a escolha não seja unilateral. Temos que ouvir o sentimento do partido. Quem são as pessoas? São os presidentes de diretórios, vereadores, prefeitos, deputados… precisa saber também a opinião de quem está em outro estado, e o que pensa a nacionalmente. 

Movimento por esse sentimento, o partido tem que escolher aquele que é o melhor projeto para o estado de Goiás. O deputado federal João Campos, como presidente do partido, é democrático, ouve e respeita os posicionamentos. Ele demonstrou sempre uma posição mais independente, mas quando conversei sobre minha candidatura e eu sendo da base, ele entendeu. João Campos entende o posicionamento dos membros do partido. A escolha vai ser feita de forma democrática. 

Euler França Belém – Se o João Campos não for candidato a senador na base de Ronaldo Caiado, vocês vão ter governador?

Vamos esperar para decidir. Esses acontecimentos eu não acredito que se confirmem. Eu não posso colocar situações de algo que eu não acredito que vá acontecer. 

Eu prefiro acreditar, neste momento, que o governador Ronaldo Caiado veja que o João Campos está melhorando nas pesquisas e a escolha será dele para compor a chapa na vaga ao Senado. 

Euler França Belém – Há possibilidade de João Campos ser candidato na chapa de Gustavo Mendanha?

Um nome como João Campos, que já está no quinto mandato de deputado federal, tem caráter ilibado e o respeito no cenário estadual e nacional, é desejado por qualquer candidato a governador. Pela representatividade política que ele compõe João Campos, ele está na mira dos candidatos. 

Euler França Belém – Essas qualidades também são do Alexandre Baldy, do Henrique Meirelles…

É por isso que não são muitos candidatos ao Senado. Vejo hoje que o nome de João Campos ainda é o melhor entre os que estão colocados.

Euler França Belém – Como o senhor compara a probidade administrativa do atual governador com os anteriores?

O mundo mudou. A população está muito mais atenta e cobrando as ações de seus governantes. Sabemos que, em parte, a culpa é da tecnologia. No momento que a população escolhe com governador, com 60% dos votos, é porque vê nele a credibilidade.

Ele tem demonstrado essa credibilidade. Ninguém ouve casos de corrupção. As pessoas sabem que o momento é de saber investir bem os recursos públicos. As pessoas enxergam bem isso. Para gerir e administrar o governador tem feito um bom trabalho. 

Euler França Belém – Na pandemia, como o senhor avaliou a conduta do governador?

Em alguns momentos ele tomou decisões pensando como médico, ou seja, valorizando a vida. Fomos um dos primeiros estados a baixar um decreto para manter o distanciamento. Caiado foi firme e a população precisava daquilo. 

O governador teve um zelo com a vida. Assim como em outros estados, Goiás teve um forte impacto na economia com empresas e indústrias quebrando. Infelizmente essa é uma situação que todos os gestores precisam saber lidar. Mas no momento que Caiado se posicionou foi pelo bem dos goianos.

Euler França Belém – E o presidente Jair Bolsonaro, se posicionou pela vida?

Da forma que ele via como melhor. Muitas vezes o presidente se posicionou de forma a ter uma avaliação contra a vida. É o pensamento e forma dele de gerir. Mesmo ele sendo contrário a governadores, ao uso das máscaras e das vacinas, eu acredito que ele tem a intenção de fazer o mal ou sabendo que estava errando. 

Euler França Belém –  O senhor acha que os bolsonaristas cometem esse erro ao não fazer críticas ao governo? Ou seja, eles estimulam o presidente a fazer as coisas erradas?

Eu não de direita. Não sou de extrema-direita. O Republicanos têm esse posicionamento. Aquilo que o presidente Marcos Pereira e a bancada federal viram que era bom e melhor para o Brasil, foi apoiado. Tudo foi feito com independência. 

Em algumas decisões eu tenho divergência de pensamentos. Se eu estivesse no lugar dele (Bolsonaro) eu tomaria atitudes diferentes. Mas ele foi eleito pelo voto popular. A maioria da população o elegeu. No ano que vem, a população vai continuar dando a ele esse crédito ou não.

Euler França Belém –  O Republicanos vai apoiar a reeleição de Jair Bolsonaro, correto?

Até este momento a decisão é essa. Nós estamos na base, inclusive o ministro da Cidadania, é do nosso partido. João Roma é um deputado federal, pela Bahia.

Euler França Belém – O senhor acredita que há espaço para a terceira via?

Eu acredito sim. Há esse sentimento na população. Há uma parcela de eleitores que querem a terceira via. Aquele que souber se destacar no campo das ideias, na arte da política e do convencimento, vai ganhar esse espaço na terceira via. 

Marcos Aurélio Silva –  Confirmando esse projeto do Republicanos para o Senado, vai ficar uma chapa encabeçada por Ronaldo Caiado tendo como vice Daniel Vilela. Levando em consideração o rompimento que houve entre o grupo emedenista e o prefeito Rogério Cruz, haverá algum incômodo à vista?

Eu creio que não. Tenho lido que o Daniel está aberto para o diálogo. Ele já consegue ver, como um grande líder, o peso e representatividade que o Republicanos têm. 

Marcos Aurélio Silva –  Mas o Republicanos têm a mesma visão que o Daniel Vilela?

Porque não teríamos? Eu sei que existe em nós e também no Daniel o sentimento pelo bem dos goianos. 

Euler França Belém – As pessoas costumam dizer que político não faz nada. Então, gostaria que o senhor falasse do seu trabalho como deputado federal e o que o senhor fez até agora?

Eu sou pastor licenciado da igreja Universal. Fui forjado para trabalhar em defesa das pessoas. Apresentamos projetos voltados para defesa da mulher, da pessoa idosa, da causa animal, da criança e do adolescente. Tive 33 projetos aprovados na Casa. 

O que eu achei mais significativo foi relacionado a pandemia. Quando houve o isolamento social, muitas notícias negativas, de incertezas e insegurança. Muitas pessoas ficaram aflitos, tiveram pânico, desejo de suícidio e com ansiedade. As pessoas de renda alta e média conseguem pagar um especialista para ajudar nas questões emocionais. Mas muitas pessoas não têm condições de ter um psicólogo ou psiquiatra. São essas pessoas que passavam na porta das igrejas e viam o local com as portas fechadas.

Apresentei um projeto para que as igrejas se tornassem uma atividade essencial em Goiás. Claro, sempre respeitando todos os protocolos de enfrentamento a Covid. Conseguimos que a lei se tornasse realidade. Assim se tornou modelo para os municípios. 

Como senhor vê esses comentários de que o Republicanos nacional estaria aparelhando a prefeitura de Goiânia via uma pessoa chamada Wanderley Tavares? O que tem de verdade ou mito?

Eu vejo que há mais mito do que realidade. É mais fácil vender a desconstrução do que o que acontece de real. O Republicanos quer que Goiânia seja como um referencial para as eleições. Sabendo que se a capital tiver um boom em crescimento tecnológico, humano, na saúde e educação, então será modelo para todo o Brasil.

Wanderley Tavares é o presidente do Republicanos de Brasília. Tem sobre ele a responsabilidade de trabalhar para organizar as chapas de deputados e está junto conosco. 

Euler França Belém – O Republicanos é da Universal, ou apenas existem pastores da igreja que estão no Republicanos?

Temos 27 estados. Destes, há a presença do partido na gestão de pelo menos seis. A direção nacional do partido tem a visão e compreensão de que política se faz com qualidade. Isso tem que independe se a pessoa é da igreja ou não. A pessoa precisa ter méritos. 

Outro fator, se o Republicanos fosse da Igreja Universal, nosso presidente não seria o João Campos. Afinal, ele é da Assembleia de Deus. 

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