“O PSDB precisa ter candidato a prefeito ainda em janeiro”

Deputado federal e pré-candidato do PSDB diz que Goiânia precisa ter um “síndico” no comando, mas que isso tem de vir com planejamento

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Foto: André Costa

Em seu primeiro mandato eletivo, Giuseppe Vecci já se mostra como um dos principais nomes da bancada goiana, em termos de trabalho na Câmara: o deputado federal participou de oito comissões e subcomissões no Congresso. Acumulou ainda o cargo de vice-presidente nacional do PSDB e, juntamente com Aécio Neves, o presidente tucano, busca estruturar fortemente o partido para as eleições municipais deste ano. Eleições das quais Vecci pretende participar ativamente, e como protagonista: ele é pré-candidato do partido à Prefeitura de Goiânia, assim como o deputado Fábio Sousa e o vereador Anselmo Pereira. Ele diz não temer as prévias, mas avisa: é preciso que o PSDB seja dinâmico para botar o bloco na rua antes de janeiro acabar, para não perder tempo na corrida sucessória.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o tucano histórico — é fundador do PSDB em Goiás — fala de seus planos para a cidade, analisa o quadro nacional e a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e diz que a situação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente do Legislativo se tornou insustentável.

Cezar Santos — O sr. cumpriu, em 2015, o primeiro ano de seu primeiro mandato eleitoral. Qual o balanço deste início na vida parlamentar na Câmara dos Deputados?
O ano de 2015 foi efervescente para o Brasil. O Congresso Na­cional, em especial a Câmara, desengavetou projetos e teve, principalmente no primeiro semestre, uma atuação muito dinâmica. Em face às crises econômica, ética e política que vivemos, tudo rebateu no Con­gresso, que foi palco de ações positivas e ações não tão positivas.

Cezar Santos — O que não foi positivo?
A reforma política, por exemplo, na qual o povo brasileiro tinha uma esperança muito grande, se mostrou pífia, pequena, uma “reforminha” que não avançou. E isso não foi culpa do presidente da Câmara, que colocou a matéria para votação.

Marcos Nunes Carreiro — Foi culpa de quem?
Dos 513 parlamentares, daquilo que pensam. Eles mostraram que não estão sintonizados com a população brasileira. Há mais coisas que não avançaram. Participei como membro da Comissão da Reforma Tributária, uma questão fundamental para o País, já que ninguém aguenta mais tanto imposto, tanta tributação de forma não proveitosa e que não atende o interesse da maioria da população. Acabamos votando um projeto muito tímido diante do que o País necessita. Hoje, por exemplo, o cidadão paga 50% de carga tributária no consumo, ao passo que se tributa muito pouco a renda e o patrimônio. A renda, por exemplo, não é progressiva: quanto mais se ganha, menos se paga. Quem paga mais são as pessoas de baixa renda. Inverter isso não foi adiante.

Outro projeto que não avançou foi a reforma da Previdência, de que já falei aqui no Jornal Opção. Todo mundo quer ficar velho, o que significa não morrer cedo. Mas todo mundo também quer se aposentar cedo. O Congresso não teve a coragem de enfrentar o desgaste contra determinados segmentos corporativistas para aprovar uma reforma que determinasse uma idade mínima para aposentadoria. Não tem cabimento uma pessoa se aposentar aos 50 anos, por mais que tenha trabalhado, porque isso significa que outra pessoa vai ter de pagar essa aposentadoria até os 75 ou 80 anos ou mais dessa pessoa. O Congresso ficou a dever, então, essa reforma da Previdência.

Assim também ocorreu com outras questões fundamentais para o País, como a trabalhista. Na reforma tributária, se trabalhou com a possibilidade de desonerar a folha de pagamento, pegar os 20% que o patrão paga de cada salário e colocar no imposto sobre movimentação financeira. Isso certamente geraria empregos, ficaria mais barato, mas nada avançou. Mas certamente houve outras medidas que determinaram um ano de muita atividade no Congresso.

Cezar Santos — Porém, no segundo semestre, veio o vendaval de denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Infelizmente, houve isso contra Eduardo Cunha, e também, em menor dimensão, contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Isso também influenciou muito a questão em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que se tornou uma nota só, e acabou paralisando o Congresso.

Cezar Santos — Especificamente, como o sr. avalia o seu primeiro ano de mandato?
Foi movimentado. Participei de seis comissões e um conselho — no fim do ano, fui designado pelo PSDB para ser membro suplente do Conselho de Ética e Decoro Parla­men­tar da Câmara. Fui presidente da Subcomissão Permanente de Indi­ca­do­res de Qualidade da Educação; presidente da Subcomissão de Fontes de Recursos para a Cultura; vice-presidente da Comissão Mista (Câmara e Senado) de Orçamento; vice-presidente da Comissão de Turismo; e participei da Comissão de Finanças e Tributação, além de outras. Apre­sentei um conjunto de projetos de lei. Por exemplo, um projeto de emenda à Constituição (PEC) que estende o Fundo Constitucional de Finan­cia­mento do Distrito Federal para aplicar recursos nos municípios da Ride [Região Inte­grada de Desenvol­vi­mento do Distrito Federal e Entor­no], aumentando o valor desse fundo. Apre­sen­tei projetos para o auxílio-creche, pa­ra financiar a economia criativa pelos fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Fiz diversos pronunciamentos no plenário.

Acho que, em meu ver, fui dinâmico neste primeiro ano. Pude aprender um pouco com o Congresso e coloquei meu trabalho em diversas comissões. Mas eu diria que o maior aprendizado que tive foi ter a experiência do contraditório, o que é muito positivo. O debate, as visões contrárias das pessoas sobre um mesmo assunto. Isso certamente enriquece o processo democrático e foi muito positivo para mim.

Cezar Santos — O sr. vem de muitos anos em funções executivas, onde tem de fazer acontecer de forma rápida. Já se adaptou ao trabalho legislativo, marcado pela morosidade, onde na maioria das vezes os debates não levam a nada prático?
O ser humano se adapta ao que ele vivencia. Comigo não foi diferente. Em determinados momentos, realmente o Legislativo é muito burocrático, diferente do Executivo, onde se tem a capacidade de realizar. Mas o Legislativo é muito positivo também, por termos uma visão ampla do processo. Verdade que, em alguns momentos, há discussões chatas, enjoadas, burocráticas, patrimonialistas, corporativistas. Mas há cabeças pensantes que nos transmitem coisas positivas no Congresso.

Elder Dias — Quem o sr. citaria como referência?
São inúmeras as referências. Cito deputados como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), uma grande referência, e Miro Teixeira (Rede-RJ). Nosso líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), é um político muito firme. Mendonça Filho (PE), líder do DEM, também. Rubens Bueno (PPS-PR) tem uma capacidade tremenda de apresentar o que está ocorrendo no Brasil. Na esquerda, apesar de ideias de que não compartilho muito, também há gente de quem não se pode negar o trabalho, como a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), por exemplo. E outras tantas mulheres que estão lá, além de ex-governadores, pessoas que têm um grande cabedal de conhecimento. Em outros partidos adversários, até no PT, também tem gente boa.

Marcos Nunes Carreiro — O Con­gresso está em recesso, mas as articulações de bastidores continuam. Há dois temas que precisam ser fechados assim que os parlamentares voltarem: o afastamento de Cunha da presidência da Câmara e o impeachment da presidente Dilma. Como está o clima no Congresso em relação a isso?
Em relação a Eduardo Cu­nha, é muito ruim. De dez deputados que vão a plenário, cinco ou seis dizem que ele não tem mais condições de permanecer, por tudo aquilo que está se revelando. A situação é mesmo muito ruim. O protelamento que ele conduziu na Comissão de Ética, por exemplo, é algo no qual ele está só postergando uma situação muito difícil, ruim, ocasionada por tudo o que ele fez.

Elder Dias — A situação é ruim pelo que ele fez e pelo que está fazendo?
Com certeza. E isso depõe contra a Câmara dos Deputados. E devo dizer que reconheço nele uma pessoa de pulso, firme, que fez um bom trabalho no primeiro semestre, mas por tudo que apareceu, acho que ele não tem mais condição de permanecer como presidente da Câmara. Ele tem direito à defesa, mas acho que ele teria de se afastar — e parece que essa não é a postura dele —, para que possamos retomar a normalidade dos trabalhos na Casa.
Em relação à presidente Dil­ma, vemos o imbróglio que mo­mentaneamente a favorece, em função do recesso parlamentar, do que o Supremo Tribunal Fe­deral (STF) definiu. Mas o Brasil muda de 20 em 20 minutos. A Operação Lava Jato pode novamente reverberar de forma negativa para ela no Congresso Nacional. E é bom lembrar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não analisou todo o processo de denúncia eleitoral contra a presidente.

Cezar Santos — O sr. vê base sólida para o impeachment?
Em meu entender, a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade fiscal e, por isso, ela está sujeita ao impeachment. Tanto que o STF agora reconheceu que o impeachment não é golpe e determinou o rito do impedimento. Não vou nem dizer que a presidente mentiu, que deixou de cumprir promessas de campanha, fora o que está ocorrendo com o partido dela, em que ninguém sabe de nada, ninguém participou de nada, é todo mundo inocente etc. Eu quero falar do ponto de vista institucional. Todo mundo diz que tem de haver uma argumentação muito jurídica para se analisar a questão do impeachment; eu não sou jurista, mas há um tanto que é jurídico e um tanto que é político.

Cezar Santos — Impeachment é processo eminentemente político.
Com certeza, até porque a questão jurídica comporta muitas visões diferentes. Politi­camente, a presidente arruinou nossa economia, apesar de ser economista. Ela não disse a que veio como gestora, não conseguiu politicamente nem aglutinar sua própria base, não tem uma agenda propositiva para o País, não tem credibilidade para apresentar isso aos brasileiros. A situação está de tal forma que qualquer que seja o desfecho, com impeachment ou não, o final será bom para o País. Se ela sair, será positivo; se não sair, tira essa história e, quem sabe, ela poderá criar um mínimo de coesão para governar. O País não dá conta de ficar do jeito que está.

Frederico Vitor — O sr. falou que ela nem conseguiu unir a própria base. O novo ministro da Casa Civil, o ex-governador Jaques Wagner, estaria melhorando essa relação?
Eu não lido com a base do governo federal. Mas, como parlamentar, vejo que estava muito ruim. Vejo nos jornais que Wagner está procurando ser proativo, que está querendo “chutar a bola”.

Cezar Santos — Os jornais trazem que o PT criticou Jaques Wagner pesadamente por ele ter dito que o partido se “enlameou”. Os petistas já o estão criticando.
Não falo sobre o PT, mas sinto que não há o mínimo de coesão para levar nosso País para o melhor, neste momento.

Cezar Santos — Sobre a economia, a presidente Dilma disse em seu discurso de posse que o País voltaria a crescer. Porém, o ano terminou com retração de 4%, inflação na casa dos dois dígitos e juros altos. Podemos dizer que 2015 foi um ano perdido?
Não só 2015, como provavelmente também 2016. Não haverá condições de reverter esses indicadores negativos que vivenciamos no Brasil. É necessário fazer reformas estruturantes. Já falei das reformas tributária, previdenciária e trabalhista. Mas o País está fechado para o mundo, pois é protecionista. A visão do PT não é de tornar o Brasil competitivo, como é a China, que é comunista há tanto tempo. Como também outros países de centro-esquerda são. O Brasil é protecionista e não quer se abrir para o capital internacional, mas favorece meia dúzia de capitalistas nacionais, com essa política de “campeões”, subsídios etc.

Ora, fecharam o País. (enfático) O Brasil não consegue, do ponto de vista de manufaturados, concorrer com o mundo. O que nos salva ainda é o agronegócio. A abertura da economia vai trazer problema? Vai. O dia que isso ocorrer, empresas vão fe­char, empregos serão perdidos, mas o ganho de inovação, produtividade e competitividade para o País certamente vai nos trazer benefícios grandiosos. Quer dizer, essa política de viés ideológico, atrasada, que o PT pratica no País, não tem futuro.

Veja, do ponto de vista econômico também, a Petrobrás: obriga-se uma empresa que está quebrada a ter uma participação em 30% de tudo. Isso paralisa os investimentos por muitos anos no País, que não tem mais investimento. O setor público está quebrado há muito tempo. Tudo o que ele arrecada é tão somente para pagar despesas correntes. Não sobra dinheiro para investir. E, ao mesmo tempo, o PT passou anos xingando Fernando Henrique Cardoso por causa da Lei das Concessões e das privatizações. Mas, depois de 12 anos, descobriu que precisava chamar a iniciativa privada para participar. Assim, fizeram os aeroportos e agora estão fazendo as rodovias e os portos.

Quem foi a Brasília mais recentemente viu a mudança feita no aeroporto de Brasília. Não quero dizer que a iniciativa privada só tenha pontos positivos. Quero dizer que ela tem dinheiro para investir. Por meio da concessão, mudaram consideravelmente o aeroporto de Brasília. Se tivessem feito isso com o aeroporto de Goiânia, ele provavelmente já estaria pronto. Então, esses são equívocos da política econômica do PT. Agora, há os quase R$ 400 bilhões de subsídios para empréstimos do BNDES para meia dúzia de países. Ou seja, o País já não consegue avançar dessa forma.

Em meu entender, a presidente Dilma cometeu  crime de responsabilidade fiscal e, por isso, ela está sujeita ao impeachment.O STF já disse que não é golpe | Foto: Ichiro Guerra

Em meu entender, a presidente Dilma cometeu
crime de responsabilidade fiscal e, por isso, ela está sujeita ao impeachment.O STF já disse que não é golpe | Foto: Ichiro Guerra

Elder Dias — E há dados em que o sr. se baseia para dizer isso?
Eu participo da Comissão Mista do Orçamento. Veja o absurdo: do orçamento, 45% é para dívida; 25% é para a Previdência. Já são 70%. Aí o que se discute lá na comissão é que a Educação tem 3,7%; Saúde tem 3,8%, e por aí segue. Isso porque apenas duas partes do Brasil tomam quase todo o dinheiro.

Vejo o Banco Central falando que vai subir juros porque a inflação aumentou. No Brasil, não se consegue combater a inflação a não ser subindo juros. Ora, o aumento da Selic representa um investimento no valor de quatro ou cinco ministérios. Então, tudo isso faz com que o País tenha dificuldade de avançar. Para se manter empreendedora, a pessoa tem de ser uma lutadora, porque ela não tem favorecimento. E ainda tem um detalhe: o lucro aqui é pecado.
No Brasil, precisamos retomar o processo capitalista, mesmo. (enfático) Não conheço um lugar do mundo que não tenha. E aí fica parecendo que é palavrão. É feio falar de capitalismo. Por quê? Ele não impede que tenhamos um Estado forte, regulador e preocupado com o social. Isso é a socialdemocracia, o equilíbrio entre o capital e o trabalho, entre o social e o econômico. Todos os países estão avançando nessas questões. Chile, Argentina, entre outros. Mas aqui, não. Ainda falamos que o capitalismo não serve e que o lucro coloca o “nós contra eles”.

Patrícia Moraes Machado — Diante de todo esse cenário, há quem argumente que derrubar dois presidentes em pouco mais de 20 anos é pior que todo o prejuízo que o governo Dilma tem causado. Isso porque causaria desconfiança. Para o mercado internacional, o que seria melhor: tirar ou manter a presidente?
Estamos demonstrando para o mundo inteiro que, apesar de todas as dificuldades que temos, as instituições estão funcionando. Isso significa que, se tirarmos a presidente, isso será positivo, pois mostrará que as instituições estão funcionando. Isso também será demonstrado se o contrário ocorrer e ela for mantida no cargo. O importante é nortear a comunidade internacional.

Não adianta mais fazer discurso contra o imperialismo. O rebaixamento do grau de investimento tira um dinheiro tremendo do País, pois os fundos internacionais deixam de aplicar aqui. E nós precisamos dos recursos do mundo inteiro. O mundo é globalizado, então não se pode fechar. Na cultura, sim, precisamos nos preservar; mas do ponto de vista econômico é necessário abrir e há outros fatores que precisam caminhar junto, como a competitividade e a educação, que são formas de melhorar a produtividade do brasileiro.

Patrícia Moraes Machado — Então, o impeachment não faz diferença para o mercado internacional?
Não. O que precisa é uma definição. A indefinição que vivemos já há seis, sete meses é o que traz cada vez indecisão de investimentos no Brasil.

Elder Dias — E essa indefinição também passa pela Câmara, pela questão de Eduardo Cunha. Junte a isso também o período de eleições municipais deste ano. Teremos, então, um prolongamento dessa indecisão vivida no País?
Acho que o impeachment será resolvido de forma rápida. Não se pode precisar direito, mas pelo que se observa e pelo que o governo deseja, deve haver uma decisão neste primeiro trimestre do processo que corre na Câmara. Mas outros podem aparecer. Ninguém sabe. Ainda tem a ação no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], e ainda pode surgir outra “Lava Jato” — tem tanta gente que fez delação e não se sabe o que foi delatado.

Elder Dias — O sr. falou da Operação Lava Jato. Uma crítica que se fez, por parte dos petistas, é de que a operação estaria voltada para o PT. Mas agora começa a aparecer citações sobre o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves. Como o sr. vê esse caso?
Tudo o que foi colocado na Operação Lava Jato tem de ser investigado. Não acredito que os juízes disseram que só queriam pegar o PT. Nem se eles quisessem conseguiriam isso. Acho que, se aparecer A ou B, tem de ser investigado. Tudo. Mas há denúncias que surgem apenas para criar fatos e embaralhar o jogo. E as instituições não podem servir para apenas determinado partido; têm de ser para todos. Estamos todos sujeitos a elas.

Patrícia Moraes Machado — Quais as expectativas para as principais reformas de que o Brasil precisa? E quais são elas?
Eu creio que o governo da presidente Dilma, a não ser que se modifique, não vai apresentar essas reformas. Isso não tem a cara do partido.

Elder Dias — Mas o sr. disse que o próprio Congresso tem dificuldades em bancar o desgaste dessas reformas.
Não é o Congresso. O político adora ficar apenas com as glórias. E tem muita gente que tem essa postura. Tem gente que é eleito só para cuidar de aposentados, deputado há anos e anos só para defender os aposentados. Não vejo defeito nisso. O defeito é que a maioria não tope fazer o necessário. Ou vocês acham que em 2018, quem quer que seja o presidente, não haverá reformas?
Se há um ponto positivo nessa crise é seu lado pedagógico, pois essas reformas precisarão ser feitas. O setor público está falido. O que vamos fazer com ele? A única solução, como está, é aumentar impostos.

Elder Dias — Mas não é uma irresponsabilidade do político brasileiro protelar essas reformas por mais dois anos, sendo que a folha de pagamento tem um crescimento vegetativo contínuo?
O povo, de uma forma geral, reclama de impostos. Não existe o Impostômetro em São Paulo? Por que, então, o povo e os em­presários não se preocupam com o “Gastômetro”? Por que quando tem aumento para o poder pú­blico ninguém liga? Ora, o tamanho do imposto é o tamanho do gasto. Se o gasto aumenta, o que se vai fazer? Eu estive na Comissão de Reforma Tri­bu­tá­ria e vi muita proposta interessantíssima de simplificação, de tributar coisas importantes do ponto de vista de justiça fiscal, mas isso não ocorre porque não há pressão. O Con­gresso tem de fun­cionar com a flecha nas costas. E essa flecha é a pressão po­pular. O MP, por exemplo, recolhe milhares de assinaturas para aprovar leis que passa no Con­gres­so, para poder avançar em questões importantes para o Brasil.

“Me vejo preparado para ser prefeito de Goiânia”

Giuseppe Vecci06

Elder Dias — Mas isso não acaba colaborando para a judicialização do Legislativo?
Só há judicialização quando não há leis claras. E as leis, nós vemos como está isso aí, como medidas provisórias para favorecer interesses diversos. A população precisa cobrar, deixar de só xingar os políticos. Quando há interesses corporativistas, ficam lá no Congresso mais de dez dias. Temos de avançar mais e brigar por interesses brasileiros e fazer pressão no Congresso por interesses maiores e não só por problemas corporativistas ou pessoais.

Marcos Nunes Carreiro — Como tem sido a experiência como vice-presidente nacional do PSDB e o contato com o senador Aécio Neves, presidente nacional do partido?
A primeira coisa que fizemos foi a proposta de planejamento estratégico mais amplo, de uma agenda de combate, propositiva, de aumento de filiação para 2016. Alguns destes trabalhos ainda estão em análise na executiva nacional. Outras já estão em prática. O PSDB listou mais de 280 municípios no Brasil inteiro com mais de 100 mil pessoas ou que tem geração de TV. Nesses municípios, o partido está fazendo um acompanhamento especial, no Brasil inteiro. Foram designadas oito pessoas, eu sou uma delas. Fiquei com o Paraná, onde acompanho 14 municípios, e parte de São Paulo. Mas o que queremos? Ter chapa forte e que esteja sintonizada com as premissas da executiva do diretório nacional do partido.

Internamente, nós temos realizados reuniões da executiva para discutir assuntos mais relevantes, em nível de País, pesquisas nacionais para nortear a atuação do partido. Este ano vamos dar vazão a um conjunto de ações que foram colocadas, para serem implementadas. Nós temos nos reunido com vários segmentos do partido, como o setor de mulheres, de juventude e o afro. Há um aquecimento dentro do PSDB que pode ser “esquentado” mais ainda.

Patrícia Moraes Machado — A impressão que se tem é de que o PSDB deixou o bonde passar. Neste ano teve a oportunidade tremenda de vir para a sociedade como oposição, de maneira mais sólida, mas ficou tímido.
Num determinado momento nós fomos um partido de uma nota só, que era sobre o impedimento da presidente Dilma. Poderíamos ter feito muito mais, na área social, inclusive, e apresentado uma agenda sobre a abertura econômica do País. O Brasil, vejam só, não tem empresa de engenharia internacional, por isso há a formação de cartéis. Não estou contra ninguém de Goiás e do Brasil, mas acho que é salutar e construtivo para nossa economia este exemplo.

Cezar Santos — Por isso talvez digam que o PSDB é a oposição dos sonhos do PT.
Mas neste ano o PT apanhou muito.
Patrícia Moraes Machado — Mas não apanhou pelo PSDB.
No Congresso, nosso líder foi enfático.

Cezar Santos — Mas internamente o partido fica se debatendo entre Aécio, Alckmin [Geraldo Alckmin, governador de São Paulo], Serra [José Serra, senador por São Paulo], que dizem até que será candidato por outro partido. Dizem também que Marconi Perillo pode ser candidato por outra sigla. O PSDB parece que vive brigando.
Só no centralismo partidário não há briga interna. Na democracia é isso mesmo. A democracia é assim mesmo, é na conquista, no ganho.

Marcos Nunes Carreiro — O problema é que no PSDB se discute demais, mas não chegam logo a uma definição, o que atrapalha a construção de um projeto firme que se apresente à sociedade.
Você não tenha dúvida que este projeto está bem maduro e costurado. Tenha certeza que nosso presidente Aécio Neves vai apresentar este projeto à sociedade brasileira.

Elder Dias — O que foi dito em relação ao cenário nacional, vale também para o municipal. O PSDB não deveria definir logo quem é o nome e apostar nesse projeto? O partido demonstra ainda não ter uma proposta para Goiânia.
Eu compartilho da ideia de que há a necessidade de, o mais rápido possível, o PSDB definir as regras e apresentar seu projeto e a proposta para Goiânia. Quanto mais o PSDB demorar neste sentido, melhor para os outros partidos. Precisamos ter um nome definido rapidamente. Creio que, em uma semana, o partido deve definir as regras da escolha de seu candidato.

Cezar Santos — As prévias têm nítida preferência no PSDB?
Percebo que sim. A partir do momento em que não há consenso, acho saudável que haja as prévias. E estou determinado a ser pré-candidato, me vejo preparado para ser candidato a prefeito de Goiânia. Sei dos problemas que a cidade tem, mas acho que, com planejamento e com uma boa equipe, conseguiremos fazer uma gestão eficiente de mudança para Goiânia.

Patrícia Moraes Machado — As prévias revelam uma divisão no partido. Mesmo com a vestimenta da democracia, a verdade é que prévia é uma eleição antecipada. Não seria mais interessante para o partido a formação da chapa por meio do diretório?
Qualquer que seja a proposta ela tem que ser rápida. Se essa solução pelo diretório municipal tiver condição de definir tudo, me coloco à disposição desta regra e possibilidade.

Patrícia Moraes Machado — Como político, qual o interesse de prévias, sendo que pode haver uma decisão interna?
A prévia é porque ainda não se conseguiu chegar a um consenso sobre a regra.

Patrícia Moraes Machado — Estaria faltando pulso por parte do presidente Rafael Lousa, do PSDB municipal?
Acredito que está faltando mais debate e mais diálogo com todos os segmentos, colocando o partido acima de tudo.

Patrícia Moraes Machado — Muito debate e muita democracia não levam o partido à inação?
Leva. Em meu entender, o partido precisa, ainda em janeiro, estar com candidato nas ruas e já apresentando sua proposta.

Cezar Santos — Até mesmo porque o pré-candidato Luiz Bittencourt (PTB) vem ocupando um espaço importante na base do governo…
É natural. O partido dele definiu que ele seria o candidato com condições de montar chapa de vereadores. Se conseguirmos resolver isso até o fim de janeiro, acho que estará a contento.

Frederico Vitor — Tradicionalmente o goianiense não elege o candidato do governador. O sr. acha que em 2016 isso será diferente? Esse tabu será quebrado?
Não vejo porque não. O goianiense não vive de história, mas do momento, do presente. E no presente ele vê uma cidade que não o orgulha, uma cidade “encardida”, para dizer uma palavra forte. Ele vai desejar alguém que lhe passe a expectativa de melhoria. Não tenho dúvida de que o próximo prefeito terá, mas é importante alguém com o perfil adequado.
Estou lendo a encíclica “Laudato Sì” [“Louvado Seja”, em latim], do papa Francisco, na qual ele levanta a reflexão sobre o que chama de “nossa casa comum”, ou seja, o planeta Terra. O papa encoraja as pessoas a reagirem, em busca do desenvolvimento sustentável, integral e que busque o bem comum. Alerta sobre a questão da poluição dos rios, das águas, a degradação do ambiente, o drama do lixo. Francisco fala que temos capacidade de superar esses problemas quando entendermos que eles são nossos e só nós podemos resolver.

Faço uma analogia que tem tudo a ver com Goiânia. A população não pode só ficar esperando o poder público para agir sobre essas questões que envolvem a água, o ar, a terra. Em uma boa entrevista aqui ao Jornal Opção, o publicitário Marcus Vinicius Queiroz fez exatamente essa ponderação. Tem de haver cumplicidade dos goianienses para tomar para si os problemas da cidade. Quem disser que tem condição de resolver todos os problemas com os recursos hoje existentes vai estar blefando.

Elder Dias — Muito se fala em “choque de gestão” hoje em dia. Falando da “casa comum” Goiânia, as pessoas sentem saudade das coisas básicas: da limpeza das ruas, da coleta adequada do lixo, um asfalto sem buracos. Parece que, só de acabar com a sensação de abandono, de perceber que a Prefeitura estaria agindo, a população passaria a caminhar junto. Já não resolveria muito se o prefeito fosse um bom síndico para a cidade, em vez de prometer grandes obras?
O que você chama de simples hoje virou coisa complexa. Porque o simples significaria ter zelo, compromisso com a cidade, com suas coisas básicas. Mas a Prefeitura ou não tem recursos nem para isso ou não tem gestão para trabalhar com os recursos existentes. Então, é preciso ter criatividade e capacidade para administrar. É preciso ser um “síndico” para a cidade, mas isso exige planejamento. Quando os recursos estão escassos e as demandas estão grandes, é preciso ter esse plano estratégico. Sem isso, não adianta.

Nesse sentido, me sinto orgulhoso por ser, além de empresário, um técnico. Por ter ajudado, ao longo de meu período na política, a desenhar tanta coisa positiva para a cidade e para o Estado, do ponto de vista social, do ponto de vista da infraestrutura, mesmo com recursos escassos.

Elder Dias — Muita gente dizia — e outros dizem até hoje — que o sr. falava muito “não”…
Sim, realmente eu falava muito “não”. Mas falar “não” é ter foco no planejamento, não é que eu goste disso. Foi assim que construímos grande parte dos projetos que estão por aí em Goiânia. Essa visão técnica é importante para abrir caminhos, embora não queira dizer que tudo será resolvido dessa forma. Mas é essencial para nortear o rumo, para saber como se realiza o orçamento, para ter meios de poupar recursos, ter economia de escala, de modo que se tenha como fazer esse básico de que você falou.

Mas não precisamos ficar só no básico. Vamos chamar a iniciativa privada para participar da gestão, por meio de concessões e parcerias, sempre com a fiscalização do poder público, que deve estar no leme da canoa. O ato de remar pode ser feito tanto pelo governo como por terceiros. É isso que temos de fazer em Goiânia.
Um bom exemplo é a antiga Rodoviária, onde hoje está uma unidade do Corpo de Bombeiros, ao lado do Lago das Rosas. Ali é para ser criada uma Estação Gastro­nômica, um projeto que foi paralisado por questões ambientais, mas que deve seguir agora. Com que dinheiro? Com dinheiro da iniciativa privada. O mundo inteiro usou e usa o poder do setor público para chamar a iniciativa privada.

Patrícia Moraes Machado — O sr. tem vários projetos que, direta ou indiretamente, foram implantados na cidade. Não é simplesmente um “síndico”, mas um homem de planejamento, que vem com algo a mais para Goiânia. Como fazer a capital avançar realmente, aumentando inclusive sua capacidade de obter recursos?
Estou com muita coisa desenhada para Goiânia já faz muito tempo. Se, ao fim do processo das prévias do partido, eu for o escolhido vou apresentar esse plano. Mas vou apresentar isso como político, não como técnico (enfático). Como técnico sei fazer essas coisas, que executei ao longo de minha trajetória. Como político, vou ao debate desse plano com a sociedade, fazer o diálogo dessas propostas. A partir daí, levantaremos as prioridades, sem medo, efetivamente. Devemos, como foi colocado aqui, começar pelas questões mais básicas e, então, mostrar o processo de evolução da cidade e o que desejamos para a Goiânia no fim do século.

Giuseppe Vecci: “Falar ‘não’ é ter foco no planejamento. Foi assim que construímos os projetos vistos em Goiânia”

Giuseppe Vecci: “Falar ‘não’ é ter foco no planejamento. Foi assim que construímos os projetos vistos em Goiânia”

Cezar Santos — Há quanto tempo o sr. mora em Goiânia?
Estou aqui há 44 anos. Convivi com seu crescimento e pude presenciar, como cidadão e gestor, o conjunto de transformações que ocorreu na cidade. Na década de 70, quando me mudei para cá, ainda existia charrete na Rua 10 como transporte. A Praça Joaquim Lúcio, em Campinas, era local de efervescência cultural. Na Avenida Tocantins não se andava de carro no domingo, ficavam os jovens passeando por ali a pé. O Chafariz da Praça Universitária era um grande ponto de encontro. Acom­panhei o crescimento da capital. Na década de 80, no governo Henrique Santillo, pude participar da criação do Jardim Curitiba e de outros grandes bairros.

Tudo mudou demais, claro. Não quero ser saudosista, mas é preciso dizer isso para que se possa resgatar a história de Goiânia e dar uma visão do que desejamos daqui em diante. Do ponto de vista econômico, que cara queremos dar à capital? O que vamos trabalhar? Será a economia criativa, a questão da informática? Vamos ser um polo de serviços? Ou um polo universitário? O que podemos desenvolver por aqui? Eu acho, por exemplo, que não é o caso de apostar em um distrito industrial para a cidade. O que tem a ver com nosso futuro é o conhecimento, é isso que gera valor agregado.

Elder Dias — E em relação à mobilidade, o que o sr. pensa?
Temos uma Goiânia que está pronta: o Centro, o Bairro Popular, a Vila Nova, os setores Univer­sitário, Aeroporto e Coimbra, para listar só alguns. Mas então aprovam um novo bairro a 20 quilômetros ou mais. Falta uma política de planejamento e incentivo urbano para que as pessoas possam morar o mais perto possível do centro da cidade. Assim, melhora-se o trânsito, pois o cidadão não tem de se deslocar por grandes distâncias.

Elder Dias — O sr. é contra a expansão urbana, no caso?
O que sou é a favor do adensamento nos locais que já estão com infraestrutura pronta. Quem não gostaria de morar no Bairro Popular? Ele está prontinho há muito tempo e a Vila Nova também.

Patrícia Moraes Machado — Está sendo discutida na Câmara de Goiânia, vai entrar na pauta neste ano, mais uma expansão urbana. Ou seja, querem expandir mais a cidade.
Por que não podemos ter a população de baixa renda, beneficiária do Minha Casa, Minha Vida, morando em locais centralizados? Nós queremos segregá-los, colocá-los na periferia? Por quê? Qual a razão?
Goiânia já foi tida como uma cidade ecologicamente correta. Hoje, só se for por conta de número de árvores, e olhe lá. O Rio Meia Ponte é escondido, quem passa nas duas pontas do rio no Setor Jaó e no Conjunto Riviera só veem um concreto. Querem escondê-lo, porque nossos mananciais e nascentes estão totalmente degradados. É preciso mexer em questões assim para melhorar a qualidade de vida nos bairros. O que as pessoas querem primeiramente? Saúde, segurança, limpeza, educação, transporte coletivo e, depois, desenvolver outros aspectos.

Elder Dias — Em relação a isso, o sr. acredita que o ônus da administração do Paulo Garcia (PT) deve ser creditado também a seu antecessor, Iris Rezende (PMDB)? Iris é chamado de “bom administrador”. Mas o sr. acredita que a administração de Paulo, considerada ruim por muitos, é resultado apenas dele próprio ou tem consequências do que veio antes também?
É um somatório, pois um foi vice-prefeito do outro e, depois, prefeito. O que eu posso dizer é que Goiânia está largada, malcuidada e as pessoas deixaram de ter orgulho daqui, o que é preciso resgatar. São coisas mínimas. Não é necessário algo suntuoso ou chique, mas sim coisas que podem funcionar efetivamente. Isso é o que o próximo prefeito precisa apresentar para a cidade, dizer que aqui não é de ninguém, não é de uma pessoa específica, de um partido, de um segmento, mas sim de todos nós, que aqui residimos e desejamos morar em uma cidade com qualidade de vida melhor.

Para isso, é preciso fazer um chamamento, compartilhar, criar alianças e parcerias com todos os segmentos, pois não será fácil. Não adianta prometer mundos e fundos com escassos recursos. É preciso ter capacidade criativa, gestão empresarial, financeira, diálogo, debate, pois, a partir daí, sim, conseguiremos resolver os gargalos de forma coletiva. Aliás, a sociedade se organiza cada dia mais, não tem aguardado o poder público para a resolução de problemas existentes. Ela está criando condições para um esforço mais solidário e comunitário.

Patrícia Moraes Machado — Em termos de alianças eleitorais, o que o sr. vem pensando em possibilidades?
Pensando, todos nós já estamos, mas isso só avançará no PSDB a partir da definição do candidato.

Elder Dias — Parece que a base política terá pelo menos três candidatos. É o que sinalizam PSD, PTB e PSDB.
Primeiramente, só o PSDB tem três pré-candidatos. Eu já me coloquei como postulante e, assim que abrirem as inscrições para as prévias, eu vou me registrar. Também há o deputado federal Fábio Sousa e o vereador Anselmo Pereira.

Elder Dias — E como fica a situação do deputado Waldir Soares?
Eu não sei, pois ele tem dito que sairá do partido, não sei se vai se sujeitar às regras. Mas eu creio que, qualquer que seja a regra, trabalharei para ser exitoso e, se por acaso não for eu o nome, não terei problema algum em apoiar o vencedor. É preciso passar essa fase para enfrentar os demais candidatos, de partidos já posicionados.

Elder Dias — O sr. defende apenas um nome da base do governador Mar­coni para a sucessão em Goiânia?
Todos gostariam de ser o nome único, então, todos defendem que pudesse ter um só candidato da base. Mas não se pode cercear os partidos. É preciso aglutinar, “ciscar para dentro”, criar alianças que possam dar condições para um enfrentamento com possibilidades maiores. Mas isso não exclui a compreensão de que outros partidos podem ter seus candidatos no primeiro turno. Afinal teremos o segundo turno para nos unir.

Patrícia Moraes Machado — O sr. carregar em sua história uma militância inata no PSDB, toda sua história ao lado do governador Marconi Perillo. Isso pode ser um ponto a favor, por ter consigo uma militância talvez mais aguerrida?
Eu acredito que sim. Sou fundador do PSDB em Goiás e ajudei todas as candidaturas do partido, como cidadão, como técnico e empresário, e também como gestor desde 1990, efetivamente. Tenho procurado servir a meu partido e aos companheiros e atuado de forma participativa. Existia essa visão de que eu tinha um perfil muito técnico, mas a possibilidade de me candidatar pela primeira vez e ter sido muito bem votado — o segundo mais bem votado no PSDB — me credencia politicamente. Sei que os demais candidatos também têm suas qualidades, mas tenho de falar de mim aqui.

Patrícia Moraes Machado — Está pronto para colocar uma campanha na rua?
Como já disse, moro aqui há 44 anos e esse processo é natural da política. Espero que possamos, rapidamente, ter o candidato definido. Trabalharei para que o nome seja o meu e, a partir daí, para que o PSDB possa chutar a bola e desenvolva um projeto que possa aglutinar Goiânia e assim chegar ao final do ano como prefeito eleito.

Patrícia Moraes Machado — Iris Re­zen­de é um político muito carismático, que sai na frente por isso e por muitas outras questões. Tem um perfil populista, enquanto o sr. é mais propositivo, o que, às vezes, é mal interpretado como sendo “técnico demais”. Como seria este embate? O que o eleitor está buscando?
Espero que esteja me buscando (risos).

Patrícia Moraes Machado — O eleitor já mudou a preferência de voto dele?
Pelas pesquisas qualitativas sim, mas é preciso que esse “sim” seja comprovado no decorrer do ano. Precisamos ter a capacidade de mostrar nossa sensibilidade política, também. Lógico que queremos resultados, creio que somos mais propositivos, como você bem colocou, mas não somos insensíveis politicamente às demandas sociais e, imagina, nem poderíamos ser. Acredito que, no decorrer do tempo, ela conhecerá melhor minha pessoa; se for eu, ou os demais candidatos. Assim é na democracia.

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