“O governo de Goiás tem o direito de ter acesso a financiamento do FCO”

Líder do governo na Assembleia, Bruno Peixoto diz que Caiado faz um governo moralizador e defende a gestão de Iris Rezende em Goiânia

Bruno Peixoto (MDB) é líder do governo na Assembleia Legislativa de Goiás | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção
Bruno Peixoto (MDB) é líder do governo na Assembleia Legislativa de Goiás | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Líder do governador Ronaldo Caiado na Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado Bruno Peixoto (MDB) comemorou uma vitória na última semana: a aprovação da segunda etapa da reforma administrativa. Segundo o emedebista, ela possibilitará uma economia importante no processo de ajuste fiscal do Estado. “Reduzimos comissionados e gratificações para efetivos”, diz.

Apesar do início atribulado na Assembleia (Caiado não conseguiu eleger o presidente e teve de recuar no projeto do Passe Livre Estudantil), Bruno afirma que a base está consolidada. “O governo não perdeu uma só votação”, afirma. No caso do Passe Livre, Bruno Peixoto relativiza: “O projeto não foi retirado, o governador foi sensibilizado e o retirou para análise”. 

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Bruno Peixoto fala da intenção do governador de obter empréstimo no Fundo Constitucional do Centro-Oeste, defende a gestão do prefeito Iris Rezende mas deixa claro que o MDB ainda está dividido. 

Rodrigo Hirose – A reforma administrativa foi aprovada na Assembleia Legislativa. Em linhas gerais, o que ela traz?
Ela atinge o objetivo do Governo do Estado de Goiás, que é tornar a máquina administrativa mais enxuta, com menos burocracia, maior eficiência e redução de custos para o contribuinte. A reforma traz uma economia de aproximadamente R$ 500 milhões durante o mandato do governador Ronaldo Caiado. É uma economia significativa, sem trazer prejuízo à gestão e à qualidade do serviço.

Rodrigo Hirose – De onde vem essa economia?
Da redução de mais de mil cargos comissionados de livre nomeação e mais de 2 mil gratificações para servidores efetivos. Também há redução no número de gerências e superintendências.

Rodrigo Hirose – No início do mandato, o govenador Ronaldo Caiado falou que reduziria em 30% o número de comissionados…
Não, nós temos um valor global. Estamos reduzindo em torno de 20% o gasto com servidores comissionados e funções gratificadas.

“Como economista, entendo que a despesa começa em um centavo. Então, temos de começar a cortar em centavos até chegar aos milhões ou bilhões”

Rodrigo Hirose – Esses R$ 500 milhões até o fim do mandato do governador representam R$ 125 milhões por ano. O que isso significa para o Estado, que só com a dívida paga aproximadamente R$ 180 milhões por mês?
Como economista, entendo que a despesa começa em um centavo. Então, temos de começar a cortar em centavos até chegar aos milhões ou bilhões. Temos de ter um começo. O governador é sério, transparente e está procurando a diminuição dos gastos públicos e a redução do déficit.

O governador está reduzindo despesas em todas as áreas. Inclusive determinou a redução dos valores gastos com locação de imóveis. Por exemplo, a Secretaria de Educação locava um prédio na Avenida Anhanguera, Setor Coimbra, no valor de R$ 500 mil [por ano]. O governador determinou que não apenas esse prédio fosse devolvido, mas também que a secretária da Educação [Fátima Gavioli] buscasse uma sede própria, uma escola que estivesse apta a receber a secretaria sem causar prejuízo aos alunos da região.

É assim que o governador tem feito: reduzindo custos em todas as áreas sem causar prejuízos à sociedade.

Augusto Diniz – A estrutura do antigo Instituto de Educação de Goiás (IEG), para onde a Secretaria da Educação foi transferida, está totalmente adapta ou precisará de gastos para receber a secretaria?
Serão necessários gastos, mas bem inferiores a 20 dias do aluguel que era gasto no governo anterior.

Rodrigo Hirose – O Instituto de Educação foi definitivamente desativado?
Sim. Houve uma mudança dos alunos para uma escola próxima, sem trazer prejuízos para ninguém.

“Não houve demora na reforma administrativa, mas uma análise aprofundada” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Rodrigo Hirose – Estamos em maio, quase metade do ano. A reforma administrativa não demorou demais a sair?
Não houve demora, mas uma análise aprofundada. Foram mais de 50 leis condensadas em apenas uma reforma. Teve de ter uma força-tarefa de análise, secretaria por secretaria, para que trouxesse economia sem prejuízo ao serviço prestado. Foi uma análise muito bem feita, que demandou tempo.

Rafael Oliveira – O governo acabou definitivamente com a Secretaria de Trabalho. O Brasil está com 14 milhões de desempregados e com indicadores de que a situação pode piorar no segundo semestre. Não é um momento delicado para acabar com a Secretaria do Trabalho?
O que houve foi uma junção. A superintendência [de Trabalho] abrange tudo isso e cuida especialmente do Sine [Sistema Nacional de Emprego]. Não há necessidade de uma secretaria específica, com uma grande estrutura.

Rodrigo Hirose – Por que, no caso do Esporte e da Cultura, o raciocínio foi o inverso e optou-se pelo desmembramento, retirando as duas da Educação?
Tínhamos cinco Secretarias Extraordinárias e sabemos bem que elas, em sua grande maioria, eram destinadas às ações políticas. O governador deu a essas secretarias uma destinação como secretárias ordinárias de Cultura, Esporte e Indústria e Comércio. Elas receberam funções e afazeres, sempre diminuindo [os gastos].

Augusto Diniz – A aprovação da reforma administrativa foi uma vitória do governo. Mas, nas semanas anteriores, o governo teve uma derrota na apresentação das mudanças do Passe Livre Estudantil. Inclusive, o sr. apresentou uma emenda sobre o tema. Por que houve tanta resistência dos deputados na Assembleia?
Não houve derrota. O governo decidiu retirar o projeto para análise. O governador entende que o Passe Livre é um benefício social. Hoje, pessoas com alto poder aquisitivo possui esse benefício. Pessoas que têm dois carros, três casas no nome, recebendo um benefício que a sociedade paga por meio dos impostos. Por isso, o governador entende que deve haver critérios sociais [para ter direito ao Passe Livre], já que é um benefício para atender o estudante que tem necessidade. O programa deve, também, ser ampliado para todo o Estado e não apenas para Região Metropolitana de Goiânia, Rio Verde e Anápolis.

Há uma divisão de competências: o governo federal é responsável pelo ensino superior, o governo estadual, pelo ensino médio, e os municípios, pelo ensino fundamental. Então, o governo estadual entendeu que sua responsabilidade era com o ensino médio. Em um segundo momento, o governador decidiu fazer uma análise para inclusão dos estudantes universitários no projeto. Por isso, solicitou a retirada do projeto. Então, não houve derrota.

É claro que muitos deputados solicitaram a inclusão dos universitários e mantivesse o critério social. E assim foi feito. O governador retirou o projeto para análise do impacto financeiro dessa inclusão.

Augusto Diniz – Nas primeiras sessões para discussão do projeto os estudantes estiveram na Assembleia. Inclusive, o presidente Lissauer Vieira suspendeu a sessão por causa das manifestações. Houve uma pressão dos deputados para o governador retirar o projeto, temendo desgastes políticos?
Não houve. O que houve foi uma sensibilidade do governador para analisar o impacto financeiro para inclusão dos estudantes universitários.

“Houve evidentemente um clamor social e o governador, atento às necessidades do nosso Estado, decidiu retirar o projeto doPasse Livre e analisar o impacto da inclusão dos universitários”

Rodrigo Hirose – Por que essa sensibilidade só aflorou após as manifestações de deputados e estudantes e não antes de enviar os projetos?
Houve evidentemente um clamor social e o governador, atento às necessidades do nosso Estado, decidiu retirar o projeto e analisar o impacto. O governador dorme quatro, cinco horas por noite. Está atento a todos os acontecimentos. Inclusive é um leitor assíduo do Jornal Opção. E evidentemente vocês noticiaram as várias solicitações dos estudantes. O governador é sensível às necessidades da sociedade.

É importante lembrar que os critérios sociais têm sim de estar no projeto. Pois, se é um benefício que a sociedade paga para quem precisa, tem de haver critérios e hoje não há. Pessoas com alto poder aquisitivo têm esse benefício.

Rodrigo Hirose – Vai ser mantido o critério de até três salários mínimos de renda familiar para ter direito ao Passe Livre?
Os critérios ainda estão sendo analisados.

Rodrigo Hirose – Já que estamos falando do assunto, a Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) está trabalhando em um projeto para criação de fontes extratarifárias de financiamento do transporte coletivo público. O que o sr. acha dessa proposta?
Vejo com bons olhos, desde que criemos sistemas que não tragam aumento de impostos para a sociedade, ou novas taxas. Temos de discutir dentro dos critérios existentes.

Augusto Diniz – Quando a nova legislatura assumiu, houve uma movimentação do governador para tentar eleger um deputado de sua base, ou do próprio DEM, para a presidência da Assembleia. Mas o deputado Lissauer Vieira foi eleito com o discurso de independência. Hoje, qual a situação da base do governo na Assembleia?
Os poderes são independentes e autônomos. O presidente Lissauer está fazendo um trabalho excepcional à frente do Legislativo. Ele houve os deputados, tem diálogo. É um presidente extremamente republicano, que dá liberdade aos deputados.

É evidente que buscamos a consolidação da base em sintonia com o presidente Lissauer. Hoje nós temos uma base consolidada de 28 deputados. A prova é que todas as matérias do governo, sem exceção foram aprovadas na Assembleia.

Augusto Diniz – O Passe Livre Estudantil seria a única exceção?
O Passe Livre não foi votado. O governador retirou antes da votação para que se observasse o impacto da inclusão dos estudantes universitários. Nós ganharíamos a votação. Tínhamos 23 votos confirmados. O governador tem uma base sólida.

Rodrigo Hirose – O sr. não foi favorável à alteração do índice do orçamento impositivo para 1,2% das receitas do Estado. Essa postura não vai de encontro com o discurso de independência da Assembleia?
Temos a independência do Poder Legislativo, mas também temos de observar o orçamento. Não adiantar ter uma lei que determina um gasto ou investimento sendo que não há o recurso. Temos de ter prudência e foi isso que mostrei aos deputados. Aprovamos as novas regras em acordo com o governo, que também teve uma vitória satisfatória nesse projeto. Os deputados compreenderam que o Estado passa por dificuldades financeiras.

Augusto Diniz – No início do governo houve algum ruído na Assembleia em relação aos secretários que vieram de outros Estados. Os deputados atualmente entendem melhor a necessidade de o governador ter trazido esses secretários de fora?
A oposição tem criticado. Os deputados da base reconhecem que eles estão deixando seus Estados e a família para vir para Goiás se dedicar ao serviço público. Eles merecem o nosso reconhecimento.

Tanto que a Assembleia já aprovou o título de cidadão goiano para a Fátima Gravioli [Educação], para o Rodney Miranda [Segurança Pública], para a Andrea Vulcanis [Meio Ambiente] está em votação, para a Cristiane Schmidt [Economia], também em votação. A Assembleia está reconhecendo que esses secretários estão desempenhando um papel excepcional a favor da população do Estado.

Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Rodrigo Hirose – A aprovação do título de cidadão goiano requer a comprovação de serviços prestados ao Estado. Não é um pouco prematuro concedê-lo aos secretários que estão em Goiás há apenas cinco meses? Já há serviços prestados o suficiente?
Sim. Cito exemplos em todas as áreas.

Em relação à Secretaria da Segurança Pública, houve redução de todos os índices [criminais] e é isso é nítido. Vivíamos um terror constante. [O secretário] Não merece o reconhecimento por parte do Poder Legislativo?

A secretária da Educação conseguiu administrar. Mesmo com o Estado em extrema dificuldade financeira, não tivemos greve, as aulas estão normais, começaram a chegar carteiras de estudante novas. A secretária fez um trabalho fundamental para conseguir que recursos oriundos da recuperação de recursos da Lava Jato para reformar as escolas. Isso também faz com que ela seja merecedora [do título]. É uma mulher guerreira e determinada.

Cristiane Schmdit [secretária da Economia], juntamente com o governador, conseguiu recursos do governo federal para Goiás, o primeiro Estado a elaborar um plano para recuperação econômica. Ela tem feito a diferença também.

Rodrigo Hirose – O sr. falou de recursos federais. Mas o governador não conseguiu incluir Goiás no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) nem no Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF), que não saiu até hoje. Agora o governador tenta obter uma fatia de 30% do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). Quais foram, então, esses recursos que a secretária e o governador conseguiram trazer, além das transferências obrigatórias da União?
O governador Ronaldo Caiado conseguiu novas UTIs [Unidades de Terapia Intensiva] infantis com recursos do governo federal. O governador tem ido a Brasília constantemente em busca de recursos. Lembrando que nosso Estado está com um déficit financeiro e o governador está cortando despesas. Ele está trabalhando diuturnamente, em sintonia com a Secretaria de Economia, e já tem resultados positivos.

Augusto Diniz – Independentemente da discussão se já há tempo suficiente para se mostrar serviços prestados, a concessão do título de cidadão é uma forma de a Assembleia tentar reconhecer que esses secretários foram aceitos?
Sem sombra de dúvida. Além do serviço prestado, é uma maneira de reconhecer que eles largaram seus Estados e suas famílias para se dedicar ao povo goiano.

Augusto Diniz – Recentemente a Assembleia aprovou a proposta do deputado Humberto Teófilo [PSL] de conceder o título de Cidadão Goiano ao presidente Jair Bolsonaro. Na legislatura anterior, foi o título foi concedido ao presidente Michel Temer, mas dificilmente hoje algum deputado se disporia a realizar uma sessão para entrega dele, após as denúncias e até prisão por suspeita de desvio e lavagem de dinheiro relacionados à construção de Angra 3. Qual sua opinião sobre a concessão de títulos de cidadão a presidentes em tão pouco tempo?
Respeito bastante o propositor. Nesse caso, os propositores foram os deputados Humberto Teófilo e Paulo Trabalho. Os dois são do PSL e apresentaram o título para o líder máximo do partido, que é o presidente da República Jair Bolsonaro. Por isso, votarei favorável, em respeito aos deputados.

Augusto Diniz – Não se corre o risco, caso ocorra uma reviravolta no País, que aconteça com o título do Bolsonaro o mesmo que ocorreu com o título do Michel Temer?
Quando se vota e aprova, o deputado conhece a história da pessoa até aquele momento. Não há como prever o futuro. Até o momento, não há nada que desabone a concessão do título em relação à moral, ao caráter do presidente. Voto com tranquilidade.

Augusto Diniz – A propositura teve um parecer contrário do relator, Vinícius Cirqueira (Pros). Como o sr. vê essa questão?
O voto do Vinícius tem uma questão de ideologia. Respeito esse posicionamento, mas também os autores da proposta, que colocam em xeque as próprias reputações ao apresentarem o projeto.

“Quando o governo investe na recuperação das rodovias, facilita o escoamento da produção, barateando o frete”

Rodrigo Hirose – O sr.  correto usar recursos do FCO, que são destinados ao setor produtivo, para cobrir gastos dos governos? Não é uma interferência negativa na atividade econômica?
O Estado tem de investir em infraestrutura para escoamento da produção e melhor qualidade de vida da população. Quando assim o faz, traz benefícios direitos para a indústria e para o comércio, porque a população, com melhor qualidade de vida, busca maior consumo.

Quando o governo investe na recuperação das rodovias, facilita o escoamento da produção, barateando o frete. O governo do Estado de Goiás tem, sim, o direito de ter acesso a financiamento do FCO. Sou totalmente favorável.

Augusto Diniz – Uma das propostas da secretária Cristiane Schmdit é reduzir os incentivos fiscais. Há, inclusive, uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] na Assembleia sobre isso. O sr. acha possível que se retire todos os incentivos? Ou é preciso manter parte deles?
Temos de estar contextualizados no cenário nacional. Não podemos entrar em leilão para dar mais incentivos que outros Estados. Entendo que os incentivos têm de ser lineares. O que temos de trabalhar é em relação aos créditos outorgados que já foram concedidos. Temos de revê-los e suspender toda a movimentação de vendas de crédito outorgado.

Augusto Diniz – Há uma discussão nacional sobre essa linearidade dos incentivos ou o fim deles. O sr. acredita que Goiás teria condições de atrair novas empresas se não houvesse uma diferenciação nos incentivos fiscais?
Nosso Estado não está suportando o gasto consolidados com a máquina pública. A folha [compromete] 64% da receita. A Educação tem 25% [da receita] e 12% para Saúde. Há os Poderes, que têm 3,5%. Mais as vinculadas [UEG, Ciência e Tecnologia e Emater].

Fábio Oliveira –São Paulo, que é o Estado mais rico do País, começou a ampliar os incentivos, assim como outros Estados maiores que Goiás. Esses incentivos, por mais que se abra mão de alguma arrecadação, vão atrair empresas que criam empregos, investem e acabam contribuindo para a tributação. Dar esses incentivos não pode ser benéfico?
Faço uma pergunta: você achar justo dar um incentivo para trazer uma nova empresa, fazendo uma concorrência desleal com quem já está [em Goiás]. Por isso, os incentivos têm de ser analisados em todos os aspectos.

Eles têm de ser regionalizados. Os incentivos devem ser discutidos nacionalmente, mas respeitando-se as particularidades de cada região. Não se pode ter uma decisão isolada.

Precisamos é de uma malha adequada para escoamento da produção, além de novos modais. Não podemos apenas ofertar os incentivos fiscais às indústrias.

No início do ano, 64 trechos de rodovias estavam em más condições Foto: Reprodução

Rodrigo Hirose – Para melhorar as rodovias, o sr. é favorável à concessão para a iniciativa privada e cobrança de pedágio?
Sou favorável ao pedágio em rodovia duplicadas com recursos de empresas privadas ou, naquelas já duplicadas pelo poder público, para ter recursos para duplicar as que não são.

Augusto Diniz – O governo foi honesto ao propor a transferência de recursos paras as prefeituras, para que elas fizessem o trabalho de tapa-buracos. Porém, quase nenhuma prefeitura aderiu. Essa [a cobrança de pedágio] seria uma alternativa ou há outras para recuperar as rodovias, que tinham 64 pontos caóticos no início do ano?
O primeiro ponto são os empréstimos, seja pelo FCO [Fundo Constitucional do Centro-Oeste] ou BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Temos recursos vinculados na casa de 108% das receitas. Então, o governo de Goiás busca alternativas – que é o que o governador está fazendo – de recursos e corte de despesas. E não é tão simples.

Esses números que estou mostrando não são fictícios, são constitucionais: 25% [da receita devem ser gastos] na educação, 12% na saúde, 3,5% nos poderes, 2% na UEG, 1% em Ciência e Tecnologia e 0,25% na Emater. Agora tem o 0,7% do orçamento impositivo.  Qual a solução se não for a busca de empréstimos e recursos do governo federal?

“O atual governo está em dia com esses repasses. Estão percebendo a diferença de governo?”

Rodrigo Hirose – O sr. está fazendo todas essas contas, que demonstram a dificuldade de lidar com o orçamento. Mas essas vinculações não são novas, sempre existiram. Mas o sr., quando oposição, criticava durante os governos anteriores. Quando se passa à situação, o olhar em relação às contas do Estado fica mais condescendente?
Até dezembro do ano passado, o governo anterior não havia feito os repasses durante mais de oito meses do transporte escolar e da saúde. O atual governo está em dia com esses repasses. Estão percebendo a diferença de governo?

Outro exemplo, o dinheiro do Sistema Único de Saúde [SUS], que é federal, também não foi repassado para os municípios conveniados nem para as instituições. Entre elas, a Vila São Cotollengo. Recursos que o governo passado recebeu. O governo atual está em dia, porque é responsável e sério.

Sempre critiquei a [criação] da terceira classe dos policiais, os chamados policiais genéricos. Eles tinham o mesmo efeito com um custo menor. O policial militar que deixava sua casa para combater a criminalidade ganhava R$ 1,5 mil. No governo Caiado, que extinguiu a terceira classe, esse mesmo policial ganha mais de R$ 5,5 mil. Essa é uma das ações do governo Caiado que estão reduzindo a criminalidade no Estado.

Todos os índices [de criminalidade] estão reduzindo. É o trabalho o secretário da Segurança Pública e do governador, valorizando o policial militar, o policial civil, a polícia científica e o Corpo de Bombeiros, pois todos eles tinham a terceira classe.

Ações assim eu apoio e defendo. Por isso tenho orgulho de dizer que sou líder do governador Ronaldo Caiado na Assembleia.

“O governador tem economizado cada centavo para pagar a folha de dezembro” | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Augusto Diniz – Nós entendemos a construção do discurso da tentativa de separação das contas após a posse do governador Caiado das que ele herdou da gestão passada. Mas, passada a campanha, as dívidas são todas do governo, não há separação, elas terão de ser assumidas. A frustração da arrecadação mensal do Estado impacta até que ponto nessa tentativa recuperar as contas?
O governo de Goiás assumiu o Estado com um déficit orçamentário de R$ 6 bilhões. Ele assumiu a responsabilidade pela folha [salarial] de dezembro e está honrado. Neste mês de maio, serão quitados quase 90% da folha de dezembro. O governador tem tido um carinho muito grande com o servidor público, tem economizado centavos para pagar os salários de dezembro.

Assim ele [Caiado] está fazendo: mantendo a sua conta, do governo que ele assumiu em janeiro, com o salário sendo pago dentro do que determina a legislação, e ainda pagando o saldo remanescente de dezembro.

Os repasses do transporte escolar e da saúde dentro de seu mandato estão sendo pagos. Em relação aos repasses que não foram feitos [pelo governo anterior], o governador está conversando com os prefeitos.

Fábio Oliveira – Por que um prefeito forte como o Iris Rezende não conseguiu eleger o presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia?
Fui líder do Iris Rezende na Câmara em 2006. Ele tem seu estilo de gestão e de tratar com o Poder Legislativo, até mesmo porque ele foi vereador. O Iris não intervém e não impõe. Então, vejo com extrema naturalidade, tanto que boa parte dos vereadores que apoiam o prefeito votou no [Romário] Policarpo.

Na eleição de 2016, ele interveio para a eleição do Andrey [Azeredo], que estava iniciando o mandato. Mas interveio com respeito, sem imposição, pedindo aos vereadores que votassem no Andrey. Dessa vez, ele optou por não intervir e o Policarpo faz parte de sua base. O Iris sempre agiu de maneira respeitosa e respeitando o que determina a Constituição, a autonomia [dos poderes].

Augusto Diniz – Um gestor público tão experiente como o Iris Rezende não ficou devendo nos dois primeiros anos desta gestão em Goiânia?
Ele assumiu a Prefeitura de Goiânia com um déficit de R$ 250 milhões e trabalhou diuturnamente para equilibrar as contas públicas. Os dois primeiros anos foram de muita austeridade econômica, controle do déficit. Agora, o prefeito está com recursos em caixa, com as contas equilibradas, e já começou os investimentos em asfalto, praças, construção de CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil] e o retorno do BRT Norte-Sul.

Augusto Diniz – Com esses investimentos na segunda metade da gestão, pode-se deduzir que o discurso dele até as vésperas será o de que não é candidato à reeleição?
Ele é candidato.

Augusto Diniz – Há quem diga que poderia haver uma abertura de espaço para outro grupo do MDB, para que o ex-governador Maguito Vilela fosse o candidato a prefeito de Goiânia?
Não. Eu entendo que o Iris é o candidato.

Bruno Peixoto | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Rodrigo Hirose – Os dois primeiros anos da administração foram muito desgastantes para a imagem do Iris Rezende. Com o dinheiro disponível e as obras que está anunciando, ele se torna um candidato viável e até favorito em 2020?
Sim. O equilíbrio das contas do município mais o investimento que ele inicia, que começou este ano e seguirá ano que vem, os qualificam para a reeleição, com possibilidade reais de êxito no primeiro turno.

Rafael Oliveira – Com o tamanho e a força econômica que tem, por que Goiânia até hoje não tem um hospital municipal?
A informação que tenho é que a secretária [da Saúde, Fátima Mrué] está avaliando essa possibilidade. Pode ser que ocorra a aquisição ou construção de um hospital municipal.

Rodrigo Hirose – A Saúde é o calcanhar de Aquiles da gestão do prefeito Iris Rezende?
A Saúde tem melhorado, é preciso reconhecer.

Rodrigo Hirose – Mas como melhorado, se temos visto a morte de crianças sem atendimento?
A saúde melhorou bastante, mas ainda não é a ideal, que a sociedade espera.

Rodrigo Hirose – O sr. disse que o prefeito Iris é o candidato mais viável para sua própria reeleição. O sr. abandonou o desejo pessoal de ser o candidato do MDB a prefeito de Goiânia?
Não. Sinto-me preparado. Fui vereador por dois mandatos na capital, nasci em Goiânia, sou casado há 20 anos e tenho dois filhos que nasceram em Goiânia. Conheço cada canto da cidade, suas necessidades, o orçamento e o potencial da cidade.

Tenho, sim, essa vontade e me sinto capacitado para ser prefeito da nossa capital.

Augusto Diniz – Em 2016 o sr. chegou a colocar seu nome à disposição do partido caso Iris não fosse candidato, o que ele decidiu nas vésperas da eleição. Hoje o sr. coloca seu nome novamente à disposição do MDB ou vai esperar as coisas se encaminharem mais?
Tenho de esperar a definição de Iris Rezende. Caso ele entenda que não será o candidato, o meu nome estará à disposição para disputa em Goiânia. Modéstia à parte, sinto-me muito preparado para ser prefeito de Goiânia.

Augusto Diniz – O presidente do MDB em Goiás, Daniel Vilela, discorda da participação de filiados do partido, como o sr., participem do governo e da base caiadista. O sr. vê algum problema em ser do MDB, que é oposição ao governo, e estar na liderança do governo?
Atuei durante 20 anos na oposição ao governo do PSDB. Houve uma alternância de poder e ela é salutar. Então, temos de acreditar e apoiar. Em 2014, apoiei a candidatura do Ronaldo Caiado para o Senado. Percorri o Estado com ele e sei de suas qualidades. Fico feliz e agradeço o governador por ter me convidado [a ser líder na Assembleia], aceitei e estou fazendo o meu melhor para ajudar o governo.

Augusto Diniz – Como o sr. vê o momento atual do MDB goiano, que tem uma disputa pelo poder local?
Nosso partido saiu menor das eleições [de 2018]. O MDB tinha seis deputados estaduais, agora tem três; tinha dois deputados federais, não tem nenhum. O momento agora é de união e deixar que a maioria dos filiados defina o rumo. Não podemos fazer o inverso: uma minoria definir o rumo do partido. O partido tem de ouvir os filiados. Essa é a receita do crescimento.

Augusto Diniz – Quando o sr. fala em minoria, está falando especificamente de quem? Quem é essa minoria que está definindo os rumos do partido?
Só estou dizendo que a minoria tem definido.

Augusto Diniz – Mas quem seria especificamente?
A minoria interna. Não estou sendo específico a algum nome, mas à minoria que tomou a decisão e dá as coordenadas. Entendo que tem de ser o inverso, temos de ouvir todos os filiados, todos os mandatários e entender qual rumo o partido quer.

Rafael Oliveira – O que o sr. acha da indicação do Daniel Vilela para a direção nacional do MDB?
Ainda há muito a ser debatido. O partido, tanto em nível nacional como estadual, tem de se reestruturar. Não é mudando o nome que os problemas do partido serão resolvidos, é mudando as ações.

Rodrigo Hirose – Qual sua posição sobre a expulsão de prefeitos do partido?
Não se deve expulsá-los. Todos têm o direito democrático de optar por quem quer que queiram apoiar. Não podemos ter uma linha única, mas uma linha de convergência, de respeito às opiniões, por mais que se discorde delas.

O ex-prefeito de Jataí [Humberto Machado] não apoiou Iris [em 2014, quando o prefeito disputou o governo] e nem por isso foi expulso. A expulsão diminuiu o partido e não podemos fazer isso, temos de fazê-lo crescer.

Rodrigo Hirose – Há o risco de que ano que vem, quando haverá eleições municipais, esse processo de encolhimento do MDB se aprofundar?
Se não buscarmos a união, poderemos sair de 2020 menores que em 2016. Sem convergência, corremos o risco de sairmos bem menores.

Rafael Oliveira – Anápolis continuará sendo um município esquecido pelo MDB em Goiás?
Essa é uma história à parte. Iris Rezende fez muito por Anápolis, quando foi governador. Mas não houve a divulgação necessária de tudo que nosso partido fez pelo município. Mas o MDB tem uma história lá.

Rafael Oliveira – O sr. defende a indicação do deputado Cláudio Meirelles  [PTC] ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios?
Ele tem trabalho prestado ao Estado e tem conhecimento. Caso o governador do Estado, na vaga do governo, indica-lo, sem sombra de dúvidas terá nosso voto. Não tenho dificuldades em votar no deputado Cláudio Meirelles. Na vaga da Assembleia, a escolha será debatida entre todos os deputados.

Rafael Oliveira – A prisão do seu pai, Sebastião Peixoto [presidente do Instituto de Assistência a Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia – IMAS], em operação do Ministério Público, poderá ser caracterizada como um grande erro do Poder Judiciário e do Ministério Público?
O verdadeiro responsável [Carlos Bahia] assumiu a responsabilidade. Diga-se de passagem, não foi pago um real dos cofres públicos para a empresa mencionada [Urgembras]. Sebastião Peixoto efetuou o pagamento, ele determinou que não pagasse. Não houve dano ao erário. Meu pai sempre agiu no princípio da transparência e da responsabilidade.

Tanto que foi concedida uma liminar assim que foi impetrada, soltando-o. Ficou muito claro na liminar que não houve dano ao erário nem temporalidade. Havia uma nota de abril de 2018 que não foi paga, nenhum centavo.

Caiado e Iris | Foto: Divulgação

Rafael Oliveira – Ronaldo Caiado e o MDB hoje estão juntos. O que o ex-governador Pedro Ludovico diria sobre isso?
As pessoas e as ações políticas estão acima dos partidos. Essa é a conjuntura de hoje. O modelo eleitoral faz com que aja a união das pessoas dentro de projetos políticos. Até mesmo pelo alto número de partidos existentes, diferentemente da época do Pedro Ludovico, quando havia apenas dois partidos.

Augusto Diniz – O sr. defende que o governador Ronaldo Caiado mantenha os acordos de 2014 e continue aliado a Iris?
Entendo que o governador não deve se envolver com a política para 2020 neste momento. É hora de administrar o Estado, reduzir o déficit, recuperar a economia e retomar os investimentos. As eleições de 2020 devem ser tratadas em 2020. Essa é minha opinião pessoal.

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Valdimar

Usar um recurso destinado a produtores rurais e empresários não é correto. O recurso já limitado, o governo que arrume outros meios e não prejudique o setor produtivo do estado.