“Nós nunca mais vamos ter nas eleições um adversário mais forte do que Iris”

Presidente da Agetop analisa momento político pré-eleitoral, insiste na união da base em torno de um candidato e alfineta os principais nomes rivais na disputa

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Jayme Rincón é um homem do Executivo. Mais uma vez, em nova entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras (Age­top) mostra-se realizado com seu trabalho. No mo­mento, tem como mote de encantamento outro “filhote” bem-nascido de sua gestão à frente do órgão: o Parque Marcos Veiga Jardim, uma área de lazer de 66 mil metros quadrados localizada, não por coincidência, dentro de outro fruto de seu trabalho — o Autódromo Inter­nacional de Goiânia.

Seus olhos brilham ao falar destes e de outros equipamentos públicos que já entregou ou que vai entregar ainda, como o novo Estádio Olímpico. Da mesma forma que também cintilam ao falar de política. Ele confessa que gostaria de ser candidato a prefeito — Jayme foi um dos principais nomes cogitados no PSDB para a sucessão municipal —, inclusive pelo prazer que teria de debater com Iris Rezende (PMDB). O veterano peemedebista, porém, também não está mais no páreo, após anunciar sua aposentadoria política.

Patrícia Moraes Machado – A análise que se faz hoje é de que se o sr. tivesse entrado na disputa para a Prefeitura de Goiânia, com ou sem Iris Rezende, o quadro poderia ser diferente. O sr. se arrepende de não ter se empenhado para ser o candidato do PSDB e de ter dado espaço para o deputado Giuseppe Vecci?
Na vida e em política não adianta arrependimento. Costumo repetir o seguinte: a vida é igual a um carro, ele tem um para-brisas enorme para você olhar para frente e um retrovisor pequenininho para você olhar para trás. Não adianta ficar olhando o que poderia ter sido feito. No momento em que eu achei que eu deveria sair candidato, eu estava convicto de que não era o momento. Acho, e o que está me frustrando um pouco, é que eu sempre defendi que nós tínhamos e ainda temos todas as condições de vencer essas eleições — mas se estivermos unidos.

Eu sempre falei, desde 2015 quando eu era questionado se seria candidato, que o PSDB vai chegar em 2016 em condições de disputar e vencer as eleições. E com um candidato forte. E nós temos o candidato forte hoje, independentemente de avaliação de pesquisa quantitativa. Vecci é um candidato que, todos unidos em torno dele, tem todas as condições de vencer as eleições.

O problema é que nós fragmentamos. Juntos, nós somos muito fortes. Divididos, nós somos muito fracos. Mesmo com a força do governo, a força do governador Marconi Perillo, fragmentados nós não vamos ganhar as eleições. Nós estamos cometendo o mesmo erro que as oposições cometeram conosco em 2010 e 2014. É lógico que a partir do momento que eles chegaram divididos, a eleição ficou menos difícil para nós. Não tem eleição fácil.

A mesma coisa vale para Goiânia. O nosso erro é não estarmos unidos desde o ano passado em torno de uma candidatura. Por que eu defendo a candidatura do PSDB? Primeiro porque é o partido do governador. Segun­do porque nós abrimos mão em várias eleições de ser cabeça de chapa. Terceiro porque nós temos o melhor candidato. Eu acho que é a hora do PSDB. Se os partidos da base não tiverem esse convencimento, vamos morrer todo mundo na praia.

Marcos Nunes Carreiro – Quando o sr. era cotado para assumir a candidatura, vários presidentes de partidos falavam do compromisso com o sr. Dito isso, por que há essa fragmentação? Pela conjuntura política ou pelo candidato?
Eu acho que é uma soma de várias coisas. Vecci, às vezes, paga um pato que não é dele pelas funções que ocupou nos governos; Vecci teve uma posição dura e às vezes antipática. Mas não é porque ele era esse durão ou um cara antipático. A função exigia que ele falasse não e não permitisse várias coisas. Isso acabou criando certo mal-estar entre ele e vários presidentes de partidos que ocuparam cargos no governo ou tinha alguma relação e eventualmente tenham sido contrariados por ele.

Às vezes, falam “o Vecci é fechadão”. Cada um tem seu estilo. É a mesma coisa que diziam em relação ao José Serra, que era fechado, emburrado. Mas nós não estamos disputando um concurso de simpatia. É uma eleição para a Prefeitura de Goiânia. A partir do momento em que cada partido coloca um candidato, é lógico que o recuo ou a desistência fica um pouco mais complicado quando você está discutindo o afunilamento em torno de um nome.

Essa negociação sempre é acompanhada de algum tipo de compensação. Nós não podemos atrelar 2016 a 2018. São duas eleições totalmente distintas. O que o candidato do PSDB poderia oferecer em termos de acordo para unir a base hoje? Tem que se discutir 2016. Você não pode atrelar isso a 2018. Na minha avaliação, esse é o grande problema que talvez a candidatura do Vecci esteja enfrentando.

Com relação a mim, a minha candidatura já estava sendo cogitada há muito tempo, ela estava mais ou menos sendo encarada como uma candidatura natural, e é lógico que isso agregaria esses partidos. Até pela relação que eu tenho com a maioria dos presidentes de partidos. Coisa que o Vecci infelizmente não teve no passado. Porque ele nunca teve a oportunidade de ter essa relação próxima com os presidentes de partido.

Comigo eu tenho certeza que esse afunilamento teria sido um pouquinho mais natural. Mas não vejo dificuldade nenhuma em trabalhar isso em torno do nome do Vecci. Não discuto a competência, a capacidade e o direito do ex-deputado Luiz Bittencourt (PTB) pleitear ser o candidato da base ou disputar a eleição.

Com relação ao PTB lançar candidato eu já tenho uma dúvida. Porque, em 2012, todo mundo abriu mão para o presidente do PTB ser candidato. E ele uniu a base. Nós fomos trabalhar na eleição dele. Agora o PTB foi o primeiro partido a lançar candidato e quando fez isso ele abriu a porteira. A partir do momento que abriu a porteira, todo mundo se sentiu no direito de fazer exatamente a mesma coisa.

O erro começou quando o PTB lançou candidato. Repito, não discuto a capacidade de Luiz Bittencourt, mas a união natural agora tinha que ser em torno do PSDB.

Cezar Santos – O sr. disse que não adianta olhar pelo retrovisor. As pré-candidaturas estão postas. Uns estão trabalhando mais outros menos. O Vecci tem trabalhado.
Muito. Vecci está trabalhando muito.

Cezar Santos – Mas há uma realidade diferente com a desistência ou pseudodesistência de Iris. Como a base vai trabalhar nesse novo cenário?
Eu ainda tenho uma convicção muito firme de que o Iris está trabalhando para ser candidato. Ao estilo dele. Esse filme nós já assistimos várias vezes. Já está havendo movimento, como no dia 15, para Iris ser o candidato. É a mesma ladainha de sempre. Eu conversei com algumas figuras importantes do PMDB e eles disseram que o Iris não é candidato, até porque eles não vão pedir para ele voltar.

Elder Dias – O próprio Maguito Vilela já disse para respeitar a aposentadoria política do Iris.
É um sinal.

Cezar Santos – Mas o próprio Maguito disse também que o apoia se Iris se lançar.
Se ele for o candidato sim. É uma decisão dele. Não estou vendo dentro do PMDB, pelo menos com as pessoas que eu conversei e que são importantes dentro do partido, disposição deles de irem lá pedir para Iris voltar. Por isso esse movimento tem sido feito por redes sociais porque não houve a manifestação de figuras importantes do PMDB. Mas Iris ainda tem muita chance de ser candidato.

Vamos supor que ele saia. Isso embolou ainda mais o outro lado. Eu no lugar do Iris teria deixado para falar que sou candidato no dia 30 de julho. Iris não tem que fazer campanha, quanto mais ele demorar mais ele está na mídia: ‘o Iris vai ser ou o Iris não vai ser’. Mas a partir do momento em que ele deixou de ser momentaneamente candidato, ele embolou mais porque todo mundo acha que zerou o jogo e que está em condições de vencer o jogo.
É lógico que uma eleição com Iris é uma eleição muito mais difícil. Se a gente se unir a gente tem chance de vencer a eleição, independente de Iris ou não. Porque nós unidos iríamos para o segundo turno.

Patrícia Moraes Machado – O anúncio do Vecci que ele poderia desistir não o enfraquece como candidato? Essa defesa da união da base não vai repetir 2012? Em 2012 a união em torno do Jovair Arantes não foi suficiente para levá-lo ao segundo turno.
Quando Vecci disse que se dispõe a conversar e até apoiar o outro candidato é o maior sinal que alguém pode dar de que a gente quer a união para vencer esse processo. Ele não impôs que queria conversar para chegar a um acordo desde que ele fosse o candidato. E Vecci dá um sinal claro de que nós estamos buscando um acordo.

Patrícia Moraes Machado – Mas o enfraquece como candidato.
Mas eu não sei se enfraquece ou se nessa circunstância de acordo se fortalece.

Patrícia Moraes Machado – Mas cria uma dúvida se ele é ou não candidato.
Isso em relação ao eleitorado. Ele tem que sinalizar para a base que é esse efetivamente o acordo. Ele está deixando claro que nós temos que trabalhar a união. Porque ele está fazendo isso? Porque ele sabe que é o melhor nome. E tem mais um detalhe. Nós não podemos menosprezar a força do governo e a força do governador Marconi Perillo em uma eleição. Na eleição nós vamos mostrar o que nós fizemos e que estamos fazendo em Goiânia na área de saúde, na infraestrutura, na segurança, que a gente vem conseguindo reverter muito rapidamente as estatísticas na capital.

E que campanha da base que o governador entraria de sola? A do Vecci. Acho que ninguém tem dúvida com relação a isso. Nós teríamos numa candidatura do Vecci a força do governador Marconi Perillo entrando fortemente numa eleição aqui em Goiânia.
Essa postura de Vecci de dizer que topa um acordo para conversar é a correta nesse momento.

Patrícia Moraes Machado – E essa questão de 2012?
2012 era eleição perdida. Só descobrimos isso depois. Nós não íamos entrar em uma eleição que a gente só pudesse perder. O governo vivia o seu pior momento. E era o governo e o governador. E, de uma forma ou de outra, Jovair não foi um candidato que empolgou. Todo mundo entrou na campanha, mas não era uma candidatura de força.

Tanto é que nós perdemos para um prefeito que naquela época não tinha aquela expressão. Ali valeu a força do Iris. Porque quem elegeu Paulo Garcia foi Iris Rezende. Era a força do Iris contra um governador que estava no pior momento da carreira política dele. Aquela eleição de 2012 é atípica. Nós vemos agora uma eleição totalmente diferente.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. fala que o PTB abriu a porteira para dividir a base. Jovair sempre teve essa postura independente de falar com todo mundo. Mas o PSD não bateu o pé pela unidade; ao contrário, demonstra que sequer pretende conversar sobre o assunto. Por quê?
Porque a porteira foi aberta. E os outros que não lançaram candidato, quando vai conversar dizem que vão esperar. “Vou esperar, vou ver como é que fica, estou conversando com todo mundo.” A unidade, quando você quebra, se não houver uma medida dura ou muita conversa para restabelecer… E nós temos o agravante de 2018. Vamos supor que hoje o governador Marconi Perillo pudesse disputar a reeleição, ninguém estaria tentando atrelar 2016 a 2018. Porque aí teríamos uma candidatura inquestionável posta.

A candidatura de José Eliton hoje está posta? Está. Ela é inquestionável? Para a maioria de nós sim. Eu acho que José Eliton será o melhor candidato da base em 2018. Até porque o governo vai estar muitíssimo bem avaliado e o governador Mar­co­ni Perillo vai ser o maior cabo eleitoral. E não temos adversários fortes do lado de lá. Então, acho que 2018 é usado por muita gente como tentativa de atrelar a 2016 porque não é o Marconi o candidato. O que é um erro.

Augusto Diniz – As prévias foram um processo desgastante para o PSDB?
Acho que não. A partir do momento em que eu não me coloquei como candidato, deveríamos ter trabalhado a unidade dentro do partido. Prévias no papel são interessantes, mas sempre deixa um ruidinho, algum desgaste. Na disputa das prévias alguma coisa mal colocada fica mal resolvida. Nesse ponto, o governador tem muito mais experiência do que a gente e decidiu que as prévias eram o melhor caminho e era o que tinha de ser feito. Não sei se faríamos novamente. Até pela liderança do governador, nós temos condições dentro do partido de colocar candidaturas sem deixar fratura exposta.

Cezar Santos – Circulou nos bastidores que o Jovair estava trabalhando para indicar o vice do Iris?
Fiquei sabendo das conversas. Jovair conversou com todo mundo. E Bittencourt ficou chateado. O problema foi o seguinte: quem deu o pontapé para essa desunião da base foi o PTB. Jovair tem uma larga experiência política, com vários mandatos, quem sou eu para criticar uma postura ou decisão política do Jovair. Mas eu acho que foi no mínimo ingratidão, a partir do momento em que a base se uniu para apoiá-lo em 2012. Ele foi ingrato com todo mundo que trabalhou por ele em 2012.

Elder Dias – O sr. acredita que a desistência de Iris foi mesmo uma estratégia de desistir para voltar nos braços do povo, que deu certo outras vezes? Você acha que o delegado Waldir Soares (PR) foi realmente o maior beneficiado e tem sustentação para garantir isso?
Eu acho que Waldir não foi o maior beneficiado. Quando você pega a distribuição dos votos de Iris, ela vai, mais ou menos, na mesma proporção para Waldir e para Vanderlan Cardoso (PSB). Acho que os dois foram os maiores beneficiados. Acho que Iris volta e que é mais uma jogada dele. E acho que Waldir vai se desidratar.

Elder Dias – Foi estratégia ou o Iris volta?
Eu tenho certeza que foi estratégia e acho que ele volta. No dia seguinte eu falei que esse filme a gente já assistiu várias vezes. Iris é candidatíssimo. Só se o tiro sair pela culatra. Sobre Waldir, acho que ele desidrata porque Goiânia não precisa de xerife. Segurança pública aqui é atribuição do Estado. “Porque eu vou reforçar a Guarda Municipal.” Primeiro que não tem dinheiro para isso. Segundo que não é atribuição de Guarda Municipal. Terceiro é que ele dificilmente teria uma Guarda Municipal com a mesma eficiência da Polícia Militar e da Polícia Civil. Eu acho que isso é balela.

Temos que ter muito cuidado porque passou do tempo de elegermos pessoas pelo discurso fantasioso. Essa história de Waldir com segurança pública, se ele quisesse fazer alguma coisa, como ele disse que queria ser deputado para resolver a segurança pública lá em Brasília, que projeto ele apresentou? O que ele fez lá? Mesmo assim, o lugar era lá. Mudar a forma de gerir a segurança pública é no Congresso. Isso está claro, é lei, não tem o que discutir.

Vamos supor que delegado Waldir desse conta de resolver a segurança pública em Goiânia, que tivesse dinheiro suficiente, estrutura. E o resto? O que ele faria com a cidade? Que experiência e competência ele teria para montar uma equipe de bom nível e para ser o gestor? Nenhuma. Nós temos que ter cuidado, porque ele se fez com a força das redes sociais, que não têm questionamento. O cara vai, posta o que quiser e pronto. Ele só fala as coisas mais absurdas, virou um personagem. Na hora que você apertar aquilo ali, não tem consistência nenhuma.

No primeiro debate que ele foi, perguntaram qual era o plano dele para o transporte coletivo. Ele gaguejou, gaguejou, não respondeu nada. Na hora que apertaram ele falou “meus técnicos estão preparando um projeto”. Tudo bem. Ele pode até detalhar em um projeto as ideias, mas ele teria que ter dito claramente as diretrizes. Lá atrás, a primeira pergunta era transporte coletivo.

A primeira coisa que nós vamos fazer é desmistificar essa história de preço de passagem. Quem paga a passagem hoje, na grande maioria, são as empresas. Depois é simples de você saber qual é o preço da passagem. Que transporte coletivo você quer? Que abrigo você quer? Que capacidade de ônibus? De quanto em quanto tempo ele passa naquele ponto? Que velocidade? Tudo.

Aí você bota quanto custa cada item desse. Porque não adianta colocar a passagem a R$ 3 e querer que o ônibus passe de 15 em 15 minutos, que seja com ar condicionado, que não tenha superlotação, que tenha sinalização. A conta não fecha.

Elder Dias – Tem a questão do subsídio que se dá. Em Paris e Barcelona, por exemplo, o governo paga a maior parte da passagem, até 90%.
No mundo inteiro. Waldir não tem a mínima noção disso. Para discutir o transporte coletivo é preciso definir que transporte nós queremos para ver quanto que ele custa. Quanto que o cidadão pode pagar no preço dessa passagem? 80% dela. E os outros 20% nós vamos buscar onde? O governo vai subsidiar diesel, imposto e vai entrar com a grana como, por exemplo, no Eixo Anhanguera.

O problema é que quando você vai discutir o transporte coletivo, a primeira coisa é o valor da passagem. Isso é um absurdo. Porque a passagem, assim como tudo na vida, está atrelada ao serviço que você tem. Se você tem um serviço melhor, a passagem tem que custar mais. E aí começa a sacrificar as empresas. Uma empresa grande, a mais tradicional daqui, entrou com recuperação judicial. Você acha que se transporte coletivo fosse esse negócio da China o cara teria pedido recuperação judicial? Lógico que não.

Isso é que tem que fazer, discutir com seriedade, tirar paixão, tirar oportunismo, tirar partidarismo dessa história e discutir o transporte que a gente quer. Você acha que Waldir vai fazer isso? Nunca.

Elder Dias – O que tem se falado de Waldir é que ele é o nome do povo. O que as pessoas mais tem sentido em Goiânia é o problema da segurança. Os candidatos estão preparados para discutir a questão como parte da ocupação urbana?
Eu não sei se essa discussão nesse nível vai chegar ao povo. Em momento de crise, você sempre tem a chance concreta de eleger o que vai falar mais bonito ou o que se apresenta como o salvador do povo, o xerife que vai acabar com a violência em Goiânia. Esse é o nosso risco. Mas isso é democracia. Eu acho que durante o processo eleitoral Waldir vai desidratar. A ponto de não ir para o segundo turno? Não sei.

Hoje, se pegar a votação de Waldir, quando faz essa estratificação, se vê que não é só o povão que está votando nele. Porque tem muita gente que não se atenta para o perfil do candidato em ano de eleição. Na hora que começar a colocar o problema de entregar a prefeitura para esse cidadão, como é que você acha que ele vai cuidar de saúde, de educação? E não adianta vir com uma campanha monotemática porque isso é bobagem. Não acredito que só segurança sustente uma candidatura.

“Batendo no governo, Vanderlan perdeu duas eleições”

galeriaPatrícia Moraes Machado – Marconi então foi responsável por não declarar apoio ao Waldir?
Muito responsável. Eu nunca conversei isso com o governador, mas eu acho que o governador não lançou Waldir preocupado com Goiânia.

Elder Dias – Ainda há a opção pela volta de Iris. Seria o antídoto para Waldir? Entre Iris e Waldir, como ficamos?
Entre Iris e Waldir? Mudamos de Goiânia. (risos)

Cezar Santos – Mas a situação atual da cidade é consequência do Iris.
Claro. Por que o governador Marconi venceu quatro eleições, três de Iris? Ora, Iris sempre governou de forma populista e não tinha planejamento consistente nos seus governos. E não é porque não tinha gente competente, porque tinha quem fizesse isso para ele. Mas Iris não aceitava nada que transcendesse o mandato. O governador Marconi não. Todos os programas e todos os projetos do governador transcendem os mandatos dele. São projetos que ficam por 15, 20 anos, independente de quem seja o governador.

Se Iris tivesse, e ele teve a oportunidade de fazer isso para Goiânia, pensado a cidade para daqui a 20 anos, muito dos problemas estruturais não estariam acontecendo. Iris é um cara que incentiva a especulação imobiliária, não planeja absolutamente nada que transcenda o mandato, ele não faz nenhuma obra ou intervenção que não seja eleitoreira. Quando ele fez aqueles dois viadutos, eram os piores pontos de Goiânia? Claro que não. Mas eram os mais visíveis. Ele fez exatamente com essa intenção.

Com aquela grana, eu não tenho dúvida que ele conseguiria fazer intervenções de trânsito em vários pontos da cidade que teriam tido benefícios maiores. Se você andar nesse viaduto, não o da Praça do Ratinho, que é só uma trincheira, mas no outro (Avenidas 85 com T-63), você vê que o problema de trânsito continua exatamente do jeito como era.

Patrícia Moraes Machado – Uma das características de Marconi, além da capacidade de renovação, é a busca pela união. E defendeu essa posição em discursos na cidade de Anápolis e em Goiânia. E a gente vê Lúcia Vânia (PSB) indo para um lado, Bittencourt para outro, mas tem também Vilmar Rocha (PSD). Na eleição de 2014 ele foi atendido, foi candidato ao Senado e ele insiste em atrelar essa negociação de 2016 com 2018. Como tratar com esse tipo de aliado?
Eu não sei se Vilmar está fazendo esse atrelamento de 2016 com 2018. Talvez esse assunto ainda não tenha sido colocado porque não houve um posicionamento claro. Independente disso, o governador, com mais dois anos e meio de mandato e muita coisa para fazer, talvez não tenha entrado com essa firmeza de dizer que é preciso sentar e acertar isso. Eu concordo que Vilmar foi um candidato plenamente atendido, recebeu o apoio de todos com convicção de que ele seria senador. Até porque Vilmar seria um senador infinitas vezes melhor do que Ronaldo Caiado (DEM), principalmente para Goiás.
Vilmar sempre trouxe benefícios para Goiás. Diferentemente de Caiado, que optou pelo Senado como trampolim para tentar uma projeção nacional para discutir temas nacionais. Mas o senador na realidade é senador de Goiás. Ele teria que estar lá brigando pelos interesses de Goiás. Por exemplo, na renegociação da dívida dos Estados, ele teria que pegar essa bandeira e sair para defender os interesses de Goiás.
Não sei qual seria a posição do Vilmar se o governador chegar nele com firmeza, com convicção. Acho que Vilmar é um homem de grupo, de partido. Não vejo Vilmar desatrelado do projeto do Marconi.

Cezar Santos – Queria que o sr. analisasse a posição do Vanderlan, que sempre foi tido como um dos nomes da base, mas nos últimos dias voltou a criticar o governo em uma demonstração de que não seria candidato da base.
O tempo já devia ter mostrado a Vanderlan os erros dele em relação a essa postura. Não tem jeito de você acender uma vela para Deus e outra para o diabo. Se Vanderlan tiver a intenção de ser o candidato da base do governo, tem ônus e bônus. Inclusive ele tem um problema de ordem pessoal que é o fato de ter batido violentamente no governo nas últimas duas eleições estaduais e perder. Na minha avaliação já é um dificultador para ele. Política é dinâmica. As coisas vão mudando com muita rapidez.

Em primeiro lugar ele tem que estar confortável em saber que vai ser o candidato da base. O nosso projeto é muito claro. O cara gosta ou não. Não tem meio termo. Vou ser meio candidato da base? Não existe isso. Acho que se a gente conseguisse unir em torno do nós teríamos alguma dificuldade dentro da base, das pessoas vestirem a camisa e defenderem “é o Van­derlan”? Teríamos. Até porque ele seria recém-chegado com um passado recente de muita crítica e de uma posição ferrenha a nós. Em termos políticos, eu no lugar do Vanderlan não pensaria duas vezes. Mas eu teria que estar convicto de que o que eu falei não procede. Até porque aquilo tudo não procede, é discurso de campanha.

Ele é um cara sensato e não pensa o que ele falava da gente nessas últimas campanhas. O problema de Vanderlan é o “estou conversando com todo mundo”. Tudo bem. Ele pode até conversar, mas em um determinado momento ele vai ter que tomar uma decisão. Não tem jeito de ir para uma eleição conversando com todo mundo. A partir de um momento que a campanha se iniciar, aí é adversário.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. disse, ele fica com esse receio com relação ao desgaste que o governo possa ter na candidatura dele. Mas caso ele seja eleito com essa estrutura que o governo vai oferecer para ele, sendo eleito ele torna-se um adversário para 2018. Em torno dele pode ser criado um novo grupo.
Concordo. Mas adversário mais forte que Iris nós não vamos ter nunca mais nas eleições para o governo estadual. Iris sempre foi um adversário fortíssimo. Qualquer grupo que se coloque agora com certeza não terá a história, a força, o carisma e a capacidade política de Iris Rezende. Se a base do governo estadual ganhar a eleição da Pre­feitura de Goiânia, acho que o primeiro beneficiado é a população da cidade. Você tendo um prefeito da capital ligado ao governador em um momento em que o governo vai estar muito bem, com dinheiro para investir.

Com um prefeito do PSDB e um governador do PSDB, nós teríamos condições de reverter a situação de Goiânia em um prazo muito curto. E com um detalhe: com Vecci na Prefeitura teremos um prefeito para pensar Goiânia para daqui a 20, 30 anos. Nesse caso do acordo, o primeiro beneficiado é o cidadão goianiense. Já em relação a um grupo forte na prefeitura, é lógico que se Vanderlan vencer as eleições e conseguir formar em torno dele um grupo, ele pode ser um canal dissidente ou de oposição ao governo substituindo o que Iris foi. Aí o PMDB acaba.

Augusto Diniz – Como fica a negociação entre Vanderlan e a base aliada depois das declarações que ele fez a partir do anúncio de desistência do Iris de disputar a eleição?
Tive informação de uma pessoa que supostamente conversou com ele, de que ele iria esgotar todas as possibilidades com Iris para ver se Iris, não sendo candidato, entraria na campanha dele. Se Iris se dispuser a isso, ele está fechado com Iris. Talvez seja até por isso que ele esteja protelando um pouco as conversas, sempre jogando para um próximo contato a decisão em relação à base do governo. Eu acho que ele só ficaria conosco se não tiver Iris na campanha dele. Essa é a leitura que eu venho fazendo.

Patrícia Moraes Machado – Quem foi o grande beneficiado da desistência de Iris foi Vanderlan?
Lógico. O grande beneficiado foi Vanderlan.

Elder Dias – Caso Iris saia da disputa, essa é uma eleição de todo mundo contra Waldir?
Eu não sei se vai ser todo mundo contra Waldir. O principal adversário de Waldir nessa campanha é ele mesmo. Porque ele vai começar a se mostrar, não vai ter jeito. Uma eleição majoritária é diferente de uma proporcional. Você consegue com os seguidores das redes sociais se eleger deputado, prefeito não. Muita gente que curte as coisas dele, na hora de votar para prefeito vai querer saber um pouco mais sobre ele e vai saber que o delegado Waldir não tem consistência.

Patrícia Moraes Machado – O fato de Lúcia Vânia estar com Vanderlan ajuda em alguma coisa nessas negociações com o governo?
Acho que sim. A senadora tem uma história com o PSDB, com o governador, com o grupo do governador. Eu acho que ajuda muito.

Patrícia Moraes Machado – Não era a hora de José Eliton já estar tentando essa união?
Ele está tentando. Aliás, ele está coordenando essa tentativa de união junto com o governador Marconi Perillo. José Eliton é extremamente trabalhador e pegou esse jeito político muito rapidamente. Ele tem um trânsito político muito bom, ele é de diálogo. Ele tem ajudado muito, até porque ele sabe da importância da eleição do prefeito de Goiânia politicamente para uma possível candidatura dele.

Elder Dias – Está previsto um concurso com salário de R$ 1,5 mil para os policiais e no governo da Paraíba deve lançar um edital com 4 mil vagas na PM ganhando R$ 3,5 mil. Se Goiás está em uma situação econômica melhor e anunciou que será o primeiro Estado a sair da crise, por que não ter mais vagas para policiais e um salário melhor?
O melhor salário de Polícia de Estado hoje é em Goiás de todo o Brasil. Você tem que ter uma escala. E tem que começar em uma escala inferior. Não discutindo o merecimento, porque é uma atividade complexa e complicadíssima. Os salários dos policiais estão hoje em um patamar que seria o teto para muitos e muitos anos.

Elder Dias – Mas R$ 1,5 mil não é muito pouco?
Eu acho que não. Dependendo da carga horária, da atribuição. A Polícia tem escola de formação para que ele se aperfeiçoe e suba rapidamente. Goiás foi o primeiro Estado a sair da crise, mas nós ainda vivemos uma crise. Nós fomos o primeiro a sair daquele grau de dificuldade quase que insustentável. Mas nós estamos ainda vivendo um período de muita dificuldade. O nosso horizonte é 2017. Nós tivemos um 2015 muito difícil. Estamos tendo um 2016 com muita dificuldade. 2017 é que as coisas começam a melhorar. O policial lá dentro, logo logo, ele sobe e já está ganhando o que os outros ganham.

Patrícia Moraes Machado – A negociação das dívidas dos Estados com a União teve votos contrários de deputados federais goianos. Como que o sr. vê essa atuação contrária aos interesses de Goiás?
Eu acho isso um absurdo tão grande. Política se faz com ações políticas. A partir do momento em que está em jogo o interesse do Estado, o Estado é maior do que essas picuinhas, do que essas brigas. Isso é muito a cabeça do Iris. É o ranço que o Iris deixou no PMDB de que adversário é inimigo, que tem que detonar o governo que está aí. A partir do momento em que a população escolheu aquele governo, nesse caso específico contra o PMDB várias vezes, é porque esse governo está indo bem. Agora você querer que criar qualquer dificuldade para o Estado. Porque na realidade você não cria dificuldades só para o governo, você cria dificuldades para o cidadão.

A partir do momento em que o Estado não tem dinheiro para investir em saúde, educação, segurança pública, o penalizado é o cidadão. Porque o governador passa, o cidadão fica. Na minha avaliação, esse é o grande equívoco de quem vota contra um projeto desse. Ele jogou contra Goiás e contra o Brasil. Os Estados estão todos na mesma situação. O momento de crise atingiu todo mundo. Como é que um deputado que vota contra o interesse do seu Estado, do seu cidadão, quer ser governador? Talvez até por ingenuidade tenha feito isso, porque é pensar muito pequeno.

Patrícia Moraes Machado – Já Maguito tem outra posição, com uma postura de busca do diálogo e do equilíbrio.
Inclusive está na hora de o Maguito, pela experiência, pela biografia, pelo currículo, por tudo, ajudar o PMDB a ter juízo. Era a hora de o PMDB entregar essa liderança para o Maguito. Você nunca viu o Maguito jogar sujo, você nunca viu o Maguito agredir verbalmente ninguém. Equili-brado, sensato, leve, um cara bom de diálogo. Tanto é que quem chega perto de Maguito quer fazer de tudo para poder ajudá-lo. Ele é leve. Maguito é um cara do bem. E acho que se o PMDB tivesse a cara do Maguito, com certeza Goiás ganharia com isso.

Augusto Diniz – Aparecida de Goiânia vai ter dificuldades com a saída do Maguito da prefeitura?
Independentemente dos candidatos que estão colocados. Pela estatura do Maguito, pela dimensão, por tudo que ele já foi nacionalmente, o Maguito está fazendo em Aparecida uma administração que realmente é a melhor de todas que já tiveram por isso tudo e pela bagagem que ele tem. Acho que Aparecida vai sentir falta do Maguito sim.

Cezar Santos – O sr. acredita que agora a venda da Celg sai do papel?
Está marcado para o dia 19. Não tem mais razão nenhuma para protelar. Essa açõezinhas de sindicato, esse discurso do Caiado é outra irresponsabilidade. É quando o cara não pensa efetivamente em Goiás. Olha a incoerência. Se o partido dele é o partido que mais defende privatização, mais do que o PSDB, por que ele é contra a privatização da Celg? Porque é aqui. Porque se fosse a companhia de São Paulo, por exemplo, ele seria a favor.

Na política é preciso ter coerência, você não pode ter duas posturas. A Celg vai ser vendida, é o melhor que pode acontecer para a Celg. Aquela história de ‘a Celg é patrimônio dos goianos’. Eu como goiano, vocês como goianos, que benefícios que nós temos? Vamos supor que a Celg estivesse muitíssimo bem. Vai ter absorção de dividendos para você? O benefício que eu quero da Celg é rede de distribuição para atender toda a demanda que está reprimida. Energia de qualidade. Na hora que eu acender um interruptor na minha casa eu quero ter a certeza que ele vai ficar aceso e que a energia não vai ter corte.

É isso que eu quero da Celg. É função do Estado meter dinheiro em distribuição de energia? É lógico que não. Mas aí falam ‘o negócio é bom e tem que ser bem gerido’. O Estado tem que gastar a eficiência e os bons gestores que eventualmente ele tiver em áreas fim. Se eu tenho um cara muito bom para ser presidente da Celg, eu vou colocar ele para ser secretário de Saúde ou de Segurança Pública. A Celg tem que ser vendida sim.

É uma cretinice muito grande de gente experiente, experimentada, vir com essa história de que não pode vender a Celg porque ela é patrimônio de Goiás e trabalhar contra a venda da Celg. A partir do momento que está trabalhando contra a venda da Celg está trabalhando contra Goiás. Está trabalhando contra o produto que vai ser angariado com a venda ser reinvestido em benefício do cidadão ao invés de deixar uma empresa de energia elétrica que não é função do Estado.

Elder Dias – Mas uma empresa privada vai investir fundo perdido em eletrificação rural, por exemplo?
Claro que vai. Até porque existe financiamento para isso. Não muda em nada. O maior investimento em energia rural foi o Iris lá atrás com dinheiro japonês. Nós pagamos. E não tem dificuldade nenhuma da empresa, até porque hoje em Goiás a demanda por energia rural não é tão grande mais. Nós estamos hoje com a demanda reprimida de energia industrial.
O que é o grande problema do Brasil? Privatizou isso e aquilo. O PT acabou com as agências reguladoras. Esse é que é o problema. Você não pode fazer a concessão e passar para a iniciativa privada se você não tiver regulação e os órgãos fiscalizadores fortes. O PT aparelhou isso tudo, acabou com as agências reguladoras e hoje você tem pontualmente alguns problemas em algumas concessões.

Você imagina hoje a telefonia na mão do governo. Nós estaríamos no século passado. Tem que vender a Celg e tem que cobrar investimento. Você fala da energia rural, mas a energia rural ela é rentável hoje também. Há falta de energia rural em Cristalina por exemplo porque não teve como levar para lá. Na hora que levar a energia é rentável.

Marcos Nunes Carreiro – Da última vez que esteve aqui o sr. falou que a Agetop foi um dos órgãos que mais sofreu com a crise no Estado pela falta de investimento. Como está a situação hoje?
Nós tivemos 2015 um ano sofrível. Nós não fizemos praticamente nada, nem a manutenção rotineira, preventiva e corretiva das estradas nós não conseguimos fazer por falta de recursos financeiros. Mas essa fase nós já passamos. Se vocês pegarem o final do ano e início desse ano, todo dia a manchete era a Agetop: estrada, estrada, estrada. Um dia eu falei para o governador ‘a Agetop é eficiente, nós temos um quadro de funcionários fantástico, a gente tem condição de reverter isso’. Ainda mais na área de engenharia rodoviária, gente com experiência de 20, 30 anos, que conhece a fundo isso. Ele me chamou e perguntou o que que precisava para fazer o emergencial. ‘R$ 34 milhões’, eu disse. Ele prometeu dar um jeito de arrumar. ‘Em 90 dias eu tiro a Agetop dessa mídia negativa.’ Garantiu o recurso em solenidade no Palácio, entregou e fomos trabalhar. E tiramos.

É o ideal? Não. Nós precisamos ainda em torno de R$ 1 bilhão para reconstrução rodoviária. Tem 2,5 mil quilômetros de rodovia que não foram reconstruídos. Isso foi dito lá em 2011. Quando nós fizemos o levantamento, era em torno de 7,5 mil quilômetros, reconstruímos pouco mais de 5 mil. De lá para cá muita coisa deteriorou também. As que não estavam no programa em 2011 entraram depois. Nós gastamos hoje em manutenção rodoviária para fazer a manutenção dos sonhos em torno de R$ 20 milhões, no máximo R$ 25 milhões por mês. O Hugol consolidou em R$ 16 milhões a R$ 17 milhões. A gente gasta quase que um hospital. É muito pouco dinheiro em relação ao benefício que a gente traz para a população. Porque a estrada ruim atinge todo mundo.

Elder Dias – E aumenta a demanda do Hugol.
Mas é isso mesmo. Desafoga até os hospitais com redução do número de acidentados. A gente vinha em uma crescente. Quando a oposição começou a bater em estrada, eu pensei ‘estão fazendo a mesma coisa de 2011’. Vão cair do cavalo de novo. Todo dia tinha uma cutucada na Agetop, em mim principalmente. Eu brincava: ‘deixa bater, eles vão ver como a gente reage rápido’. Foi o que aconteceu.

Vocês vão ver em 2017. Eu disse para o governador que em 2018, quando ele sair do governo, ele vai ter a melhor malha rodoviária do Brasil. Melhor do que a de São Paulo. Nós vamos lançar três programas. Um é o Peso Legal, que nós vamos colocar 39 balanças nas rodovias. Porque o grande problema é que o cara passa com 90 toneladas de carga. Caminhão de areia, canavieiro, é um negócio maluco. Nós vamos colocar as balanças e vamos dar uma sobrevida maior e uma qualidade melhor nas nossas estradas.

Nós estamos lançando o Pró-Vida, que é um programa de sinalização rodoviária padrão primeiríssimo mundo e isso em termos de diminuição de acidente é eficaz. Se você faz uma sinalização ideal, correta, na estrada e faz as estatísticas de acidentes despencar. E vamos ter um negócio legal que sugeriram para a gente que vai se chamar RodoBicho, um programa de preservação dos animais nas nossas rodovias. Vai ficar muito bom.

Elder Dias – Vai ser caro.
Mas nós vamos ter dinheiro. E vai ser feito com recurso próprio.

Presidente da Agetop, Jayme Rincón: “Fomos o 1º Estado a sair daquele grau de dificuldade quase insustentável”

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“Ainda vamos construir mais quatro Credeqs”

Elder Dias – Esses quilômetros de rodovias que foram reconstruídos, algum trecho já precisa ser refeito?
São um ou dois lugares. Tem um em Chapadão do Céu que foi problema com transporte de carga de usina de açúcar por excesso de peso dos caminhões. As estradas nos Estados Unidos são maravilhosas. Mas elas são construídas com material bem melhor do que o das nossas e são bem mais caras. E lá não passa caminhão acima de 30 toneladas. Aqui anda de 100 em estradas que foram projetadas para no máximo 40 a 50 toneladas. E tem outra coisa. A estrutura do que foi feito lá atrás não é boa. As estradas que o Iris fez: sem acostamento. A grande maioria.

Patrícia Moraes Machado – O programa de iluminação das rodovias vai continuar?
Vai. E também a instalação de câmeras. Colocaram monitor dentro da sala. As rodovias duplicadas têm câmeras. Dá para ver a placa do carro e possibilita o monitoramento 24 horas por dia.

Marcos Nunes Carreiro – Como está a GO-020?
Na quarta-feira (13 de julho) terminaram o relatório de campo. Foi um misto de algumas coisas o problema, mas basicamente o asfalto colocado fora da temperatura. Não é a rodovia toda, são alguns trechos. O que aconteceu? Nós não recebemos a rodovia até hoje. Ela não foi inaugurada. E a empresa vai ter que entregar do jeitinho que nós contratamos. E por que eu não assinei a iluminação? Porque tinha o risco de ainda ter que cortar alguma coisa na pista para corrigir o problema. Assim que terminar o asfalto vem a iluminação.

Patrícia Moraes Machado – E outros projetos além de asfalto?
Tem muita coisa. Nós temos o Centro de Convenções de Anápolis, os Credeqs, que ainda faltam quatro para serem construídos.

Patrícia Moraes Machado – E vão ser feitos?
Tudo vai ser feito. Nós estamos fazendo quatro presídios, são 1,2 mil vagas. A praça de esporte do setor Pedro Ludovico. Nós estamos terminando o projeto do Centro de Convenções de Aparecida de Goiânia. Terminamos o projeto do Parque Aquático, que ficou maravilhoso, lá no Centro de Excelência do Esporte, reforma do Ginásio Rio Vermelho. Nós temos muita coisa ainda para ser feita.

Patrícia Moraes Machado – O que vai ser feito até 2018 é a conclusão desses projetos anunciados?
Esses com certeza, mas nós vamos ter mais coisa além disso, tanto na área rodoviária quanto na área civil.

Elder Dias – Mas termina tudo até 2018?
Sim.

Elder Dias – Mas demorou cinco anos para terminar o Credeq de Aparecida?
O problema foi dinheiro. O que agora não vai ser problema. Nós fizemos de rodovias novas em torno de 2,5 mil quilômetros. Tivemos dois problemas, que coincidentemente foram com a mesma empresa, que é excelente, e não foi por má fé ou falta de eficiência deles, na GO-080 e na GO-020. A mesma empresa e problemas parecidos. Tudo indica que foi asfalto fora da temperatura.

Augusto Diniz – Há algum estudo para viabilizar a mudança do material que é usado nas rodovias para aumentar a durabilidade e reduzir o que é gasto com manutenção?
Não porque a solução seria concreto e é muito mais caro. Nós estamos fazendo na Agetop um negócio interessante que é um planejamento rodoviário para 20 anos. O que consiste isso? Rodovia de Goiânia para Catalão, por exemplo, tem o registro dos serviços realizados e em 2021 nós temos que reconstruir. Nós vamos começar a antecipar esse trabalho independentemente do visual. Porque depois de vencido o prazo de validade, a deterioração é muito rápida. E o custo para refazer fica bem maior.
Então nós teremos um programa que terá um planejamento de 20 anos de acompanhamento da condição das rodovias associado à instalação das balanças. Porque se não tiver as balanças esse programa pode ser esquecido porque não vai dar certo.

Elder Dias – Balança gera receita.
Gera. Mas o mais importante é a segurança rodoviária e a preservação do patrimônio do goiano.

Patrícia Moraes Machado – Qual é a sua avaliação do governo do Michel Temer (PMDB)?
A melhor possível. O governador sempre foi um político habilidoso, carismático, que todo mundo gosta dele. Ele transita realmente muito bem. A gente comentava outro dia que todos os ministros da Dilma Rousseff (PT) atendiam o governador. Mas demorava, tinha que marcar para não sei quanto tempo, os assuntos não andavam. Mesmo a presidente tendo todo o carinho e atenção com o governador, entre o governador falar para o presidente, mandar fazer e as coisas acontecerem depende da agilidade e estrutura de governo. E tinha um ranço muito grande da turma do Lula (PT) dentro do governo da Dilma.

A gente sempre esbarrava em alguma má vontade no trâmite dos projetos. Agora é diferente. Tem uma simpatia pessoal do presidente com o governador. Os ministros são, a grande maioria, amigos pessoais dele. Então ele fala com o ministro a hora que ele quer, chega e é recebido na hora, com deferência. E com mais um detalhe. Pela projeção nacional que o governador tem hoje, ele sempre é recebido com certo respeito. Ainda tem esse ponto que nos favorece. Nós estamos no céu com o governo federal.

Patrícia Moraes Machado – O perfil político do Michel Temer também é diferente?
Também. Mudou tudo.

Patrícia Moraes Machado – E para o Brasil, esse governo vai ser melhor?
Vai. Até porque a primeira coisa que você avalia em um governo é a equipe. A Dilma, com todas as deficiências que ela tem, se tivesse montado uma boa equipe ela não teria ido para onde ela foi. Se você olha a equipe do Temer, por exemplo, na área econômica, já é um indicativo claro de sucesso da gestão dele.

Cezar Santos – A eleição do Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Câmara é auspiciosa nesse momento?
Eu acho, até pelo fato de que ele deve tentar resgatar a imagem da Câmara. A turma do Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não tinha condições de continuar mandando. A Câmara foi perdendo estatura. O Eduardo Cunha, se não tivesse esse lado que é nefasto e gangster dele, ele teria sido o melhor presidente que a Câmara já teve. Mas quando você for destrinchar, como é que ele chegou lá? Só comprando as pessoas, com maracutaias.

Augusto Diniz – A tendência é a de que esse centrão, que tinha 225 deputados, mas só deu 170 ao candidato do baixo clero na eleição da presidência da Câmara, se esvazie?
Eu acho que o Eduardo Cunha já está aniquilado. Acabou. A partir da renúncia e da eleição de um novo presidente forte, o Cunha é página virada. E tem um lado positivo, porque eles são rivais no Rio de Janeiro. Tem esse lado de que o Rodrigo Maia e o pai (Cesar Maia) fora espezinhados esse tempo todo. Se alguém tinha dúvida ao fim do Eduardo Cunha, com o Rodrigo Maia acabou.

Patrícia Moraes Machado – O que esperar do Consórcio Brasil Central?
Primeiro ele consolidou a força dos governadores. Porque quem tinha força no Brasil era o governador de São Paulo, de Minas Gerais. É o que eu falo: unido todo mundo é forte, dividido todo mundo é fraco. Consolidou a força dos governadores, unificou as reivindicações que são quase todas comuns. O que o governador fez com isso? Criou um Nordeste para nós. O Nordeste tem força porque a reivindicação é sempre única, eles se entendem e chegam sempre falando a mesma língua.

E hoje nós temos um bloco forte de governadores liderado pelo governador Marconi que a gente conseguiu unificar o nosso discurso. Para todos os Estados foi muito bom. Talvez Goiás não tenha sido o maior beneficiado porque dessa turma Goiás é o melhor em termos de projeção, participação nacional, de trânsito em Brasília.

Patrícia Moraes Machado – Qual a consequência política para o governador?
É difícil de a gente definir isso agora. Mas é lógico que a partir do momento que ele tem esses governadores dentro de um bloco e fez com que isso estabelecesse relações de ordem política e pessoal, isso pode, em um determinado momento, o alavancar ou respaldar um projeto nacional.

Patrícia Moraes Machado – Ele tem esse projeto?
É lógico que tem. Um cara que foi quatro vezes governador, senador, vice-presidente do Senado, com posições importantes no Congresso, eu acho que ele tem um projeto nacional e nós todos goianos temos que incentivar isso. O Iris teve uma oportunidade. Aí você vê a diferença. Eu não esqueço nunca quando o Iris foi para o Ministério da Agricultura e a Veja fez um editorial “Chega a Brasília um político de rara competência” e dizia para prestar atenção nesse político.

O Iris matou a gente de vergonha com dois a três meses de governo. É a mesma história do Waldir. O Iris quando teve essa exposição nacional encolheu. Porque as pessoas foram vendo que fazia um tipo meio caricato de roceiro, aquela história de ‘eu vim da roça’, aquelas bobagens todas. Eu acho que o mesmo vai valer para o Waldir porque não vai ter fogo para o holofote.

Quando o governador sai, ninguém tem medo de passar vergonha. Pelo contrário. Uma coisa que o governador não vai fazer lá é feio.

Augusto Diniz – Nas últimas eleições presidenciais, o PSDB de São Paulo monopolizou a indicação do candidato a presidente com Fernando Henrique Cardoso, sua reeleição, José Serra, Geraldo Alckmin, Serra de novo. Só em 2014 que essa lógica foi quebrada com a candidatura de Aécio Neves do PSDB mineiro, mas como presidente nacional do partido. Há alguma chance de esses dois Estados abrirem mão da indicação do candidato a presidente e surgir espaço para o nome de Marconi ao invés da candidatura natural a senador?
Presidência dessa vez é um sono. Vai depender muito do que vai acontecer com o Aécio. Eu acho que dificilmente o Aécio embarcaria em uma candidatura do Alckmin. O Aécio estando no páreo é uma situação. O Aécio não estando é outra. Se o Aécio não estiver, eu acho que cresce a chance do Marconi. Aí pode ser. De repente até uma vice-presidência da República. O PSDB saiu com chapa pura na última eleição.

Patrícia Moraes Machado – O governador poderia sair do PSDB para ser vice em uma chapa com o PSDB?
Não. Ele pode ser pelo PSDB. Por que não? Da última vez o PSDB foi com chapa pura, com o senador Aloysio Nunes de vice e quase ganhou a eleição. Eu não vejo disposição do governador, e ele é muito coerente. Recebeu o convite de vários partidos. E continua recebendo para ser presidente. Se ele não quer sair para ser candidato a presidente, para ser vice muito menos.

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