“Não tem força humana hoje que derrube Eduardo Cunha”

Parlamentar tucano exalta força do presidente da Câmara dos Deputados. Um dos principais aliados de Marconi Perillo no Entorno do DF, ele tem como uma de suas pautas a criação de um Estado na região 

Foto: Renan Accioly

Foto: Renan Accioly

Pela primeira vez na Câmara dos Deputados, depois de duas legislaturas na As­sembleia (entre 1999 e 2007) e prefeito de Luziânia, Célio Silveira (PSDB) mostra-se já adaptado ao novo ambiente. Em um ano “quente” para a Casa, sob a liderança de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), talvez o político que vem causando o maior desgaste à presidente Dilma Rousseff (PT), ele analisa que o Legislativo está cumprindo sua parte. E muito graças a Cunha: “Ele está prestando um grande serviço para o País. Havia muitos projetos engavetados e que ele pôs para andar”, avalia.

Mais do que isso, Silveira calcula o tamanho da força que o presidente da Câmara tem hoje entre seus pares. “Não tem força humana que derrube Eduardo Cunha. Ele tem 200 deputados aliados. E as oposições têm uma grande simpatia por ele, pois é muito correto com os compromissos que faz e conhece os regimentos como ninguém.” Traçando um cenário sombrio para o futuro de Dilma, o tucano é comedido ao falar sobre as responsabilidades diante da conjuntura. “Quando a crise aperta, ela aperta para todo mundo. Então, temos de trabalhar todos unidos para que o Brasil saia da crise em que entrou”, diagnostica Célio Silveira.

Considerado um dos principais aliados do governador Marconi Perillo (PSDB) na região do Entorno do Distrito Federal, ele tem como uma de suas pautas na Casa a criação de um Estado com 20 municípios vizinhos de Brasília. “A melhor coisa a se fazer para a região é a criação do Estado do Entorno. Isso por si só geraria 50 mil empregos diretos. É uma população que tem muito mais ligação com a capital federal do que com a capital goiana.” Nesta entrevista ao Jornal Opção, ele avalia gestões municipais, critica seu sucessor em Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD), e discute os rumos das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) do Congresso.

Euler de França Belém — As pessoas reclamam muito do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, mas todos os deputados com os quais converso dizem que ele foi muito importante, pois fortaleceu a Casa. Isso procede?
Procede. Não tem força humana que derrube Eduardo Cunha. Ele tem 200 deputados aliados. E as oposições têm uma grande simpatia por ele, pois é muito correto com os compromissos que faz e conhece os regimentos como ninguém. Eu converso com deputados que têm oito mandatos, por exemplo, e todos falam que a Câmara nunca foi tão bem comandada como está sendo hoje. Ele sabe gerir a Casa. E mais: ele está prestando um grande serviço para o País, porque havia muitos projetos engavetados, que eram anseios da população e que ele pôs para andar. Veja o caso da redução da maioridade penal, por exemplo, que estava lá havia 20 anos para ser aprovada. Se é errado ou não, só o tempo irá dizer, mas isso era desejo de 87% da população. Veja a questão do ajuste fiscal. Se Eduardo Cunha não tivesse feito o enfrentamento, a situação para os mais pobres estaria muito pior. A CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] cujo retorno o governo ensaiou promover, Eduardo foi o primeiro a dar o grito e se colocar de forma contrária. Se ele pessoalmente fez coisas erradas, isso a Justiça e o Ministério Público vão decidir. Se ficar provado, a Câmara tomará sua decisão, mas, hoje, a Câmara está recuperando sua imagem e credibilidade junto à população. A Casa não está omissa diante das questões nacionais. Além disso, ele é o único presidente da Câmara, nesses 20 anos em que estou envolvido com a política, que não foi submisso ao Execu­tivo e isso é muito bom para a democracia.

Euler de França Belém — O sr. tem participado da CPI da Petrobrás. Ela tem condições de produzir resultados positivos?
Ela tem seus pontos positivos e procura fazer um trabalho muito bom, mas se prejudica por ocorrer juntamente com a Operação Lava Jato. As pessoas fazem as delações na Lava Jato, mas na CPI ficam caladas. Há essa dificuldade, mas acho que pode ajudar o Poder Judiciário em algumas coisas.

Cezar Santos — E a CPI do BNDES? Conseguirá ir mais a fundo?
Acho que sim. O BNDES tem muito imbróglio para ser explicado. Foram muitos bilhões de reais que saíram do banco. A CPI está no início, mas têm deputados muitos competentes e interessados em desvendar aquilo que de errado possa ter acontecido. Inclusive, há dois deputados goianos que farão um bom trabalho lá: o deputado Heuler Cruvinel (PSD) e o deputado Alexandre Baldy (PSDB). E digo isso apenas pela primeira reunião que acompanhei, pois eles fizeram bons questionamentos ao presidente do banco, Luciano Coutinho.

Euler de França Belém — Há uma caixa preta na CPI da CBF [Con­fe­deração Brasileira de Futebol]? Podemos dizer isso?
É tudo muito estranho o que envolve CBF e Fifa. É muito estranho. Assim como é estranho o que fizeram ao longo dos anos, com a escolha de locais para sedes de Copa do Mundo. Há muito a ser explicado.

Euler de França Belém — E tem algum goiano nessa CPI também?
Não. Nós temos goianos na do BNDES, Heuler Cruvinel e Ale­xan­dre Baldy; e na da Petrobrás, Waldir Soares (PSDB). E eu fui da CPI das Órteses e Próteses.

Euler de França Belém — E como ficou essa CPI?
Existe muita coisa errada nesse meio, mas também há muita distorção. É muito difícil. Agora, dentro de uma semana, a CPI vai apresentar um relatório sugerindo algumas ações que possam vir a se tornar lei para coibir irregularidades. Eu vejo que há muitas negociações entre hospitais, médicos e empresas.

Euler de França Belém — Quem é o presidente da comissão?
O deputado Geraldo Resende (PMDB-MS).

Frederico Vitor — Houve um movimento popular muito forte pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O sr. acha que essa é uma pauta já descartada ou pode ainda passar pela Câmara?
Não acredito que esteja descartada. Uma grande parte da população brasileira quer o afastamento da presidente e vemos que ela está sem comando. O País vive a pior crise de todos os tempos, porque, além da crise econômica, há também a política. E temos uma presidente que não tem articulação para chamar o Congresso e apresentar soluções. Porém, não adianta que só as oposições — PSDB, DEM, PPS e Solidariedade — queiram o impeachment. Para que essa proposta seja colocada em prática são necessários 352 votos. Então, as oposições querem saber o que o PMDB quer. Se o PMDB quiser o impeachment, juntos com os outros partidos, aí há chance de a proposta passar. Tenho a impressão de que, se chegar um pedido de impeachment na Câmara, ele passa, porque é um desejo de aspiração nacional. Estive em Mato Grosso com o governador Marconi Perillo na filiação do governador mato-grossense, Pedro Taques, ao PSDB. E lá muitos políticos vieram me perguntar se haveria impeachment. E isso porque é necessário que haja uma solução para nossa situação.

O País está em recessão técnica. O crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] é um dos piores do mundo. A Grécia, que vive a pior crise de sua história, cresceu mais do que nós. A Espanha, que passou por uma dificuldade terrível, tem 3,5% de PIB e nós estamos com PIB negativo. E isso afeta todos os brasileiros. É preciso uma solução, pois não adianta apenas as oposições quererem um impeachment e não ter votos. A orientação para as oposições é de que esperem a posição do PMDB, que tem mais de 70 deputados e muitos partidos aliados a eles.

Euler de França Belém — Sem PMDB não tem impeachment?
Não tem. Não adianta apenas que­rermos e não termos nem a me­tade dos votos que são necessários.

Cezar Santos — Voltando à questão da Câmara, o sr. já tem experiências de mandatos anteriores, não é a primeira vez que o sr. está na Câmara. O que se diz é que o governo Dilma está totalmente desarticulado no Congresso. O sr. percebe esta falta de articulação no dia a dia da Câmara?
Percebo, sim, pois na Câmara nós conversamos com pessoas de todos os partidos e vemos que existe um desânimo até em aliados da Dilma. É possível perceber isso em votações, também. Têm votações que eles se juntam, falam que são todos da base e não conseguem 16 votos —– já aconteceu isso na Câmara. É algo totalmente sem comando, que perdeu a direção de fato. Um barco afundado. Eu dei uma entrevista a uma rádio, também de Goiânia, e o jornalista me disse: “O governo Dilma morreu. O sr., que é médico legista, sabe qual a causa da morte?”. E eu respondi: “Ferimentos múltiplos.” Quais são eles? Inflação, desemprego, perda de credibilidade nacional e também internacionalmente, falta de articulação política, recessão. São muitas coisas que levam o governo a não ter comando, a ninguém acreditar nele mais. Primeiramente, ganhou a eleição em meio ao maior estelionato político que já existiu na história moderna do País. Não tem crédito, e quem não tem crédito não consegue as coisas. O País está sem dinheiro e sem crédito —– às vezes, a pessoa pode estar sem dinheiro, mas com crédito ela consegue pessoas que lhe emprestem dinheiro e, com trabalho, ela paga a conta. Porque as pessoas confiam nela. O governo não tem confiabilidade mais, nem da classe política, nem dos empresários e dos brasileiros em geral.

Euler de França Belém — Com a saída de Michel Temer [vice-presidente, PMDB] da articulação política, esse cenário se reforça ainda mais?
Reforça muito mais, pois era Michel quem fazia a articulação dela, de manhã, e à tarde o pessoal do Planalto desfazia o que ele tinha feito. Portanto, ele estava ficando sem palavra. Certamente, Dilma combina algo que não cumpre. Ele não quis se desgastar mais. Tomou a medida certa para ele e isso foi muito ruim para o governo, pois Michel é um político nato, sabe articular.

Euler de França Belém — Havia um acordo de passar a janela para políticos trocarem de partido. Parece que havia um acordo. Chegou a haver recuo?
A janela, na Câmara, já foi aprovada. Agora, no Senado, realmente, se conversamos com seis senadores e perguntarmos sobre, três dizem que vai passar e os outros três dizem que não passará. Portanto, está muito dividido isso no Senado. Na Câmara, não, está aprovada a janela para troca. É uma boa opção, pois os políticos devem ter a opção de mudar de partido. As pessoas mudam de ideologia. Elas não precisam ficar com a mesma ideologia a vida toda. Às vezes, você lê um livro, acha interessantes as ideias e resolve mudar o que pensa. Por que não? E por que governador, senador e prefeito podem mudar de ideologia e o Legislativo não pode? Já que pode para um, também pode para outro. Portanto, a janela seria uma boa opção para dar liberdade a quem tem um mandato de mudar de partido, ir para outra agremiação.

Aécio é forte, mas o PSDB não vive só em torno dele, pois tem Alckmin, José Serra e Marconi Perillo. Os quatro estão credenciados a disputar a Presidência” | Fotos: Renan Accioly/Jornal Opção

Aécio é forte, mas o PSDB não vive só em torno dele, pois tem Alckmin, José Serra e Marconi Perillo. Os quatro estão credenciados a disputar a Presidência” | Fotos: Renan Accioly/Jornal Opção

Euler de França Belém — Quanto à ampliação da abrangência do Sim­ples, para atender um maior número de empresários. O sr. é favorável?
Eu sou a favor. Quanto mais opção se der aos empresários para que eles tenham condições de melhor desenvolver suas atividades, melhor. O Brasil já tem impostos demais. A carga tributária é uma das mais altas do mundo. Isso sufoca o empresário dia a dia. Então, o Simples, que melhora as condições para os empresários, terá uma boa aceitação na Câmara, que ouve este segmento.

Euler de França Belém — Mas o sr. acredita que será aprovado? O governo está contra.
Mas o governo contra, hoje, já não quer dizer muita coisa na Câmara. Às vezes, ele pode até fazer o jogo inverso. Seria até melhor o governo dizer que é a favor, para que se votasse contra (risos). Hoje, eles (o governo) não têm o mínimo apoio na Câmara.

Euler de França Belém — Quanto às emendas para os parlamentares novatos, como está isso?
Foram R$ 10 milhões que entraram no Orçamento, mas já contingenciaram boa parte dela. De R$ 10 milhões, parece que sairá R$ 4,8 milhões.

Cezar Santos — O sr. citou a viagem do governador a Mato Grosso. Este grupo que ele encabeça — que envolve Marconi por Goiás, seus colegas do Centro-Oeste e mais os do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), e de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB) —, nomeado Fórum Brasil Central, tem reais condições de efetividade ou é só um balão de ensaio para Marconi obter maior visibilidade?
Eu vejo muitas condições de esse grupo de governadores efetivar muita coisa. O Centro-Oeste, atualmente, é a parte do País que tem segurado a economia. Se o nosso PIB está ruim, com 1,5% negativo, não está pior porque o Centro-Oeste tem uma força geradora de recursos muito grande. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são muito fortes economicamente no agronegócio. Quando se tem os governadores desses três Estados unidos, melhor. Hoje, o Centro-Oeste é praticamente tucano e isso dá uma força para toda a região. Por que o governador Marconi como líder? Porque ele tem quatro mandatos, tem uma experiência muito grande em gestão e é um político que sabe fazer política, enquanto o governador Pedro Taques (MT) e o Reinaldo Azambuja (MS) são bons políticos, mas estão iniciando agora. Isso pode vir a ter uma influência muito grande até na formação da chapa do PSDB em 2018. Em todas as eleições, José Serra [PSDB, hoje senador por São Paulo] ganhou no Centro-Oeste, Geraldo Alckmin [PSDB, governador de São Paulo], também. Aécio Neves [senador e candidato derrotado do PSDB nas últimas eleições] também ganhou no Centro-Oeste. Além da parte política e econômica daqui, que está segurando a economia do País, o que se quer mais? Já existem as partes política e econômica, por que não participar das grandes decisões nacionais? Portanto, não é só retórica. Eles veem o Centro-Oeste como um grupo forte. Inclusive, em Cuiabá, o governador Pedro Taques chamou a atenção de Aécio, Serra, Alckmin e Marconi Perillo: “Vocês quatro têm de se entender, pelo bem do Brasil.” Portanto, Marconi está em um jogo alto para estar dentro das decisões nacionais pelo PSDB. Ele tem muito prestígio no partido, na bancada federal, onde tem muito respeito dos deputados de São Paulo e de Minas, então, não é só retórica. É algo muito forte.

Frederico Vitor — E em relação a Aécio Neves? Pois, de todos os tucanos que se candidataram, ele foi o que mais se aproximou de ganhar do PT, tanto que saiu mais fortalecido da eleição, apesar da derrota nas urnas. O sr. acredita que ele é um líder do PSDB nacional e está à frente dos demais quadros?
Pela exposição, que ele teve durante a campanha, sim. Perdeu por muito pouco — aliás, até horas antes do fim da votação estava ganhando; a mudança só veio às 21 horas. Isso tudo deu uma projeção nacional muito grande a ele. É um líder, um senador atuante, foi um bom governador de Minas Gerais por duas vezes, fez o sucessor dele depois de pegar um Estado com muitas dificuldades.

Portanto, Aécio Neves está credenciado a exercer o cargo de presidente da República, tranquilamente. Agora, o partido não vive só em torno de Aécio. O partido tem Alckmin, que é um gestor muito forte, e várias vezes ele foi governador de São Paulo, onde o PT é muito forte, principalmente na região do ABC Paulista. O José Serra também é um homem muito preparado e credenciado a disputar qualquer cargo; e Marconi Perillo também, por sua história política e pelos quatro mandatos que obteve aqui, em Goiás, tirando do comando uma oligarquia que comandava o Estado há muitos anos. Os quatro, dentro do PSDB, estão credenciados a disputar o cargo de presidente da República e, com certeza, se fosse hoje a eleição, qualquer um deles ganharia, devido ao desgaste que o PT vive nacionalmente.

Euler de França Belém — Quanto à privatização da Celg, por que os deputados Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (PMDB) estão contra?
Isso pode ser apenas por questão política. A Celg perdeu realmente sua capacidade de investimento e hoje isso prejudica muito o Estado. Nós temos vários produtores do agronegócio que querem crescer, se desenvolver, mas que compram o pivô de irrigação e, quando chegam até a Celg, não obtêm respaldo, não têm cabo de expansão e de rede, nada disso. Sabemos hoje que a melhor saída para o Estado e para o governo federal, que também está em uma situação econômica muito difícil, é a privatização. Portanto, a única justificativa de quem se coloca contra isso só pode ser por questão política.

Euler de França Belém — Como fica a situação de privatização?
O que vejo hoje, que é o que todos veem, é que o processo de privatização da Celg está bem encaminhado para ocorrer até o fim deste ano. A própria presidente mesma torce, agora, pela privatização da Celg, pois, entra quase R$ 3 bilhões no orçamento dela. Para ter um orçamento positivo, ela precisa de R$ 8 bilhões, se ela pegar R$ 3 bilhões só da privatização da Celg, veja que maravilha seria também para ela. Portanto, a Celg será privatizada.

O governador Marconi Perillo, com sua sensibilidade de olhar sempre pelas pessoas, deve olhar, principalmente, para os funcionários da Celg. A estatal tem muitos bons funcionários de carreira, muitos engenheiros elétricos e civis, enfim, toda sua equipe é muito qualificada e não pode sofrer prejuízos depois de uma vida dedicada à empresa. A Celg será privatizada, já está tudo encaminhado para isso.

Euler de França Belém — O que está acontecendo no Entorno do Distrito Federal? Por que a base governista está com um índice de rejeição altíssimo? Quando falo “base”, estou citando o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD), com 70% de rejeição; o prefeito de Formosa, o Itamar Barreto (PSD), com uma rejeição próxima a isso; o prefeito de Cristalina, Luiz Carlos Attié (PSDB), também com rejeição alta, com dificuldade até de ter um candidato para sucessão, talvez precisando até importar candidato de Luziânia. O que acontece no Entorno?
Não podemos olhar apenas para o Entorno. Tem muito prefeito bom ainda em Goiás — e cito dois, por exemplo, com mais de 80% de aprovação: Rogério Troncoso (PSDB), de Morrinhos, cuja cidade está um brinco, com uma administração fantástica; e Issy Quinan (PP), em Vianó­polis, com gestão muito boa. O problema é que os prefeitos fazem muitas promessas quando candidatos. Eles não sabem que existe o momento de pagar a conta, que existe um custeio da prefeitura. O que aconteceu com o prefeito de Luziânia foi isso. Ele prometeu muito e não está dando conta de cumprir nada. Ele veio com tantas promessas de cargos e a Prefeitura de Luziânia tem seis suplentes vereadores, que assumiram a Câmara. Esses vereadores viraram secretários. Quanto não custa isso para a Prefeitura? Portanto, são vários erros que eles cometem. Quando chega a conta, não fecha o balanço, só têm gastos. Falta gestão e aí jogam a culpa no governo federal. Não é verdade, não é culpa só do governo federal. O município tem de fazer a sua parte. Tem prefeito que não faz contas, que não exagera em cargos comissionados, que não exagera em contratações de máquinas e companheiros, que não faz as coisas erradas; certamente ele está fazendo algo bom. Não é só governo federal; o governo estadual, o governador Marconi, tenta ajudar seus companheiros; mas tem muitas coisas que não são da competência dele. Eu ouvi dele que vai voltar com o programa Rodovida Urbano, que vai ajudar os gestores.

Mas os prefeitos que estão desgastados, com índices de 70% de reprovação, a mudança disso não é questão de o governo federal aumentar o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), ou de o governador enviar mais recursos: é problema da gestão municipal. Não adianta ajudar se o prefeito coloca seis vereadores suplentes para assumir a Câmara e para ter o controle dela. Daí esses vereadores eleitos vão preencher pastas com as quais às vezes não têm qualquer afinidade. Não tem governador que aguente nem dinheiro que chegue de governo estadual ou federal. Onde a coisa é bem administrada e bem gerida a coisa é diferente. E aqui, volto a citar Morrinhos e Vianópolis, onde os prefeitos fazem bom uso do dinheiro público.

“Brasília não tem como dar moradia às pessoas que migram”

Deputado Célio Silveira em entrevista ao Jornal Opção: "Júnior Friboi, se quiser se filiar ao PSDB, será muito bem-vindo, pois já ajudou demais a base” | Renan Accioly/Jornal Opção

Deputado Célio Silveira em entrevista ao Jornal Opção: “Júnior Friboi, se quiser se filiar ao PSDB, será muito bem-vindo, pois já ajudou demais a base” | Renan Accioly/Jornal Opção

Euler de França Belém — Em Goianésia, administrada pelo PSD com Jalles Fontoura, parece que a situação vai bem também, não?
Sim, o prefeito Jalles é um que tam­bém sabe administrar suas contas.

Euler de França Belém — Em Goianésia há um fato interessante: as gestões geralmente são todas boas.
A cidade é muito organizada. Existe uma briga política muito forte, mas que é conduzida em termos de administrações boas entre os dois grupos. O que não pode é um prefeito [Cristóvão Tormin] colocar culpa no anterior [o próprio Célio Silveira], como ocorreu em Luziânia durante dois anos. O povo hoje é muito informado e percebe quem está só repassando a própria responsabilidade.

Euler de França Belém — Talvez uma das conquistas mais importante do PSDB recentemente tenha sido a filiação de Marcelo Melo, um político e um empresário de estatura. Com ele, é possível a base manter a Prefeitura de Luziânia?
Totalmente possível. Ele já foi deputado estadual duas vezes e também deputado federal. Na época em que estava na Câmara dos Depu­ta­dos, era aliado do governo Lula e ajudou muito a cidade de Luziânia com suas emendas. Tanto é que tivemos 5 milhões de metros quadrados de asfalto executados em Luziânia, com recursos federais e com emendas de Marcelo Melo. Na minha primeira eleição a prefeito ele me apoiou e ganhamos a eleição com quase 90% dos votos. Vieram mais dois anos e, na eleição para deputado federal, Luziânia deu mais de 30 mil votos para ele. Quando se faz política com quem cumpre seus compromissos, a coisa fica mais fácil. Como ele sempre cumpriu tudo, isso deu credibilidade para que nosso grupo do PSDB de Luziânia e outros partidos viéssemos a apoiá-lo.

Luziânia está precisando de um choque de gestão. A cidade está em dificuldade, há buracos na rua, falta asfaltar vias públicas. O atual prefeito prometeu a Guarda Municipal e até hoje nada. Com uma vitória de Marcelo Melo, essa política de olhar para o retrovisor vai acabar. O atual prefeito e seu grupo trabalharam contra minha vitória a deputado federal e eu estou levando quase R$ 10 milhões em emendas. Pessoas assim têm seu espaço diminuído no dia a dia da política e por isso que nós vamos trabalhar pela vitória de Marcelo. Realmente, com ele tiramos uma pessoa muito expressiva de dentro do PMDB. Nossa luta política maior é sempre contra o PMDB e por isso sua vinda para nosso lado é uma conquista muito grande.

Cezar Santos — Não faltaria um trabalho de parceria entre os governos de Goiás, DF e federal no Entorno? A impressão que passa é de que a região está abandonada.
Com certeza, a região ficou abandonada por muito longos anos. A partir da vitória de Marconi Perillo em 1998, muito foi investido na região, mas não o suficiente para sanar as grandes dificuldades que existem lá. Na época do governo de José Roberto Arruda [governador do Distrito Federal cassado em 2010] tivemos apoio, por meio de convênios. Para Luziânia, foi feito um convênio que disponibilizou R$ 10 milhões para asfalto em ruas e avenidas. Depois ele fez o mesmo com Cidade Ocidental, Valparaíso e Águas Lindas. Hoje, o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB) não dá conta de cuidar de si mesmo e Bra­sília está numa situação horrível, caótica. O governador diz que pegou a casa desorganizada pelo antecessor do PT [Agnelo Arruda], mas não se justifica. Faltam gestão e articulação política por parte do GDF.

O governador Marconi procura ajudar a região, mas ele sozinho não dá conta, até porque são 246 municípios em Goiás. Eu acho que a melhor coisa a se fazer é a criação do Estado do Entorno e estou entrando com este projeto em Brasília. Só com a criação do Estado do Entorno seriam gerados 50 mil empregos diretos. Nós temos uma grande dificuldade de criação de empregos na região. É essa dificuldade de geração de emprego na região a grande causadora de violência exacerbada. Então, temos de esperar do governador Marconi investimentos em saúde, segurança, educação e transporte. Ele, que sempre teve votação expressiva na região, sabe que a área é carente e tem muitas dificuldades. Do atual governador de Brasília não precisa esperar nada.

Euler de França Belém — Como seria este Estado do Entorno?
Seriam 20 municípios, entre eles Formosa, Luziânia, Cristalina, Val­paraíso, Cidade Ocidental, Novo Gama, Santo Antônio do Desco­berto, Alexânia, Planaltina, Águas Lindas e Corumbá de Goiás. Seria um Estado enxuto que, somente com o Fundo de Participação dos Estados (FPE), pegaria R$ 85 milhões por mês. De arrecadação de ICMS seria R$ 1,1 bilhão por mês. Isso traria uma melhora na qualidade de vida de todos os moradores do Estado. Sei que isso é difícil, mas estou plantando uma semente para daqui a 20 ou 30 anos.

Euler de França Belém — O que o governador Marconi Perillo acha dessa ideia?
Nunca conversei com ele a respeito disso. Mas como ele tem muito carinho pela região e as justificativas são fortes, acho eu que ele não trabalharia contra.

Euler de França Belém — E a população?
A população em geral quer isso, quer independência. O Entorno praticamente não conhece a capital goiana, eles trabalham e vivem em Brasília. Muita gente que mora no Entorno nunca veio a Goiânia. A questão é que o plebiscito, se houver, seria no Estado todo. Se fosse apenas no Entorno, seria aprovado com mais de 90%.

Cezar Santos — Pegaria apenas municípios goianos? E Unaí e Cabeceiras, que são em Minas?
Não pensamos nisso, justamente porque sabemos que a luta seria ainda mais difícil, por causa do Estado de Minas.

Euler de França Belém — A região do Nordeste Goiano fica com Goiás?
Sim, ficaria com Goiás. O que queremos assumir é o Entorno do DF, as cidades ligadas diretamente a Brasília que têm as dificuldades com o crescimento da capital federal. Brasília não tem mais como dar moradia às pessoas que migram para lá e esse pessoal é empurrado para o Entorno. Vão para Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental, Águas Lindas e Luziânia, e isso arrebenta as cidades goianas.

Euler de França Belém — E o transporte coletivo na região, melhorou? Dizem que vai ter um trem ligando Brasília a Luziânia.
Sim, há o projeto de uma linha férrea que sairia de Brasília até Luziânia. É uma ideia fantástica em que o governador Marconi está muito empenhado e que resolveria bem a questão do transporte, que hoje ainda é muito difícil. Nosso transporte está sendo feito por co­operativas, que também têm suas dificuldades. O serviço é muito deficiente ainda. Para implantar esse trem é preciso apenas que haja recursos e boa vontade do governo federal para mudar a situação. O mais difícil, que é a linha, já está feita.

Euler de França Belém — E o trem que ligaria Brasília a Goiânia. Há décadas se fala disso.
Na atual crise econômica acho difícil sua viabilidade. Mas seria bom, seria uma boa medida para as pessoas se deslocarem, mas é algo que depende muito do governo federal, que está literalmente quebrado.

Euler de França Belém — Valparaíso é a cidade mais importante do Entorno e lá a atual gestão, de Lucimar Nascimento, que é do PT, se mostra desastrosa. A ex-prefeita Lêda Borges (PSDB) está muito cotada, mas ela reluta em se candidatar. Ela vai disputar?
Ela teria uma eleição bem facilitada. Lêda fez uma bela administração e o povo se arrependeu muito de não tê-la reelegido. Lêda hoje é secretária do governador Marconi [deputada estadual licenciada, ela ocupa a Secretaria da Mulher, Desenvolvimento Social, Direitos Humanos e Trabalho] e tem um bom desempenho, pois é sempre muito competente e dedicada naquilo que se propõe. Seria, com certeza, a melhor candidata que teríamos para Valparaíso, com uma eleição muito consolidada, com bastante apelo popular. De qualquer forma, sua vontade pessoal deve ser respeitada e ela está indo muito bem à frente da secretaria. Não sendo ela nosso nome, temos um candidato também muito forte e carismático, aliado de Lêda, que é o vereador Pablo Mossoró. Ele desponta bem nas pesquisas e é um sujeito tão de grupo que, se a secretária resolver se candidatar, ele não se oporá. Mas, caso Lêda realmente mantiver sua posição de não disputar, ele será o candidato do PSDB no município.

Euler de França Belém — E como está a situação em Cristalina?
Nesse município temos nosso prefeito Luiz Carlos Attié já reeleito, que não pode mais ser candidato. Pela base, temos vários nomes bons: Daniel do Sindicato (PSL), que foi candidato a deputado e teve ótima votação; Vanderlei da Plante Bem (PSL), um empresário muito bem conceituado na cidade e que tem pretensão de ser candidato; Mar­quinho Abrão (PPS), vereador por vários mandatos, de grande apelo popular, é outro nome. Um deles deve enfrentar, certamente, o pré-candidato apresentado pelo prefeito, que deve ser João Fa­chinello (PSDB), hoje seu vice. Será uma disputa muito boa em Cris­talina, já que nosso grupo é ligado à base do governador, assim como o de João Fachinello.

Euler de França Belém — E como está a situação da base em Formosa, onde o prefeito atual [Itamar Barreto, do PSD] sofre grande desgaste? O deputado oposicionista Ernesto Roller (PMDB) é muito forte e vem liderando as pesquisas entre os pré-candidatos.
Roller lidera as pesquisas somente quando o nome de Tião Caroço [ex-prefeito] não é colocado. O único candidato da base que temos lá hoje, fortíssimo e com aprovação popular é ele, mas o que temos ouvido da parte dele é que não deseja mais ser candidato. Com Tião, a eleição é uma; sem ele, a eleição é outra para nós. Se ele realmente não disputar, o cenário fica muito complicado, ainda mais pelas dificuldades atuais da administração, sendo o prefeito nosso aliado. Os demais pré-candidatos não têm muita densidade, mas ouço falar do vereador Macarrão (PP), um bom nome e que é do grupo de Tião Caroço.

Euler de França Belém — No Entorno, como está o quadro de Águas Lindas, um município bem populoso?
Águas Lindas é uma das cidades com mais explosão demográfica no mundo nestes últimos anos. O atual prefeito Hildo do Candango (PTB) deve ser candidato à reeleição e o ex-prefeito Geraldo Messias (PP), que teve uma votação muito alta para deputado, também deve disputar.

Euler de França Belém — Messias deve ir para o PSDB?
Não sei, ele está no PP. O prefeito Hildo é do PTB, mas comanda também o PSDB — aliás, algo que acho muito errado, alguém ser de um partido e controlar outro. Por mim, se Geraldo Messias quiser vir para o PSDB, encontrará portas abertas totalmente. Fez um bom trabalho como prefeito, com muitas obras, inclusive muito asfalto, e deixou muitos recursos federais viabilizados para seu sucessor, o próprio Hildo do Candango. Será, com certeza, uma eleição muito disputada em Águas Lindas.

Euler de França Belém — Os aliados de Júnior Friboi estão migrando para a base do governador. Alguns já estão e outros devem se filiar, como Robledo Rezende, advogado de Friboi, e o ex-deputado Francisco Bento. Se Júnior Friboi quiser entrar na base de Marconi ele será bem-vindo?
Muito bem-vindo. Júnior Friboi já ajudou demais a base do governador, sempre presente nas campanhas. Nesta última, quando viu que tinha sido ludibriado no PMDB, fez uma carta que contribuiu com nossa vitória. Suas características como pessoa — um sujeito maravilhoso, do bem, que procura sempre ajudar todo mundo — nos aproximam ainda mais. Ele seria bem-vindo no PSDB e em qualquer outro partido, somente o PMDB foi que o descartou, por algo que até hoje ninguém sabe. Friboi é alguém acolhido em qualquer partido, e falo em âmbito nacional. Sempre ajudou o Estado, com sua disposição, seu trabalho e a geração de empregos com suas empresas. Eu mesmo vou sugerir ao governador Marconi que o convide para o PSDB.

Euler de França Belém — Em Goiânia, entre os vários pré-candidatos do PSDB, se destacam no momento os nomes de Jayme Rincón, presidente da Agetop [Agência Goiana de Transportes e Obras], e o delegado e deputado Waldir Soares, que ameaça até sair do partido se não for candidato. Como o sr. analisa esse quadro?
Sou amigo de Waldir e me sento ao lado dele na Câmara. Realmente é um deputado que tem boas posições. Acho que ele deveria tentar fazer a união do partido em torno de seu nome. Assim, poderia ser o candidato natural do partido, porque voto ele já demonstrou que tem demais, teve uma votação nunca vista em Goiânia e Aparecida. Rincón tem uma experiência muito grande em administração, é um gestor de primeira linha, fazendo no dia a dia seu trabalho. Mas temos uma vaga só e os dois a querem. É preciso algum critério e o PSDB precisa resolver isso. O certo é que o partido não pode ficar sem candidato em Goiânia. E temos de ganhar as eleições, porque faz muito tempo que não temos o prefeito da capital e uma boa gestão nela é fundamental para a eleição de 2018, porque tem muita influência no pleito estadual.

Euler de França Belém — E como está a situação da base para 2016 em Anápolis? Há dois pré-candidatos, o ex-deputado Frederico Jayme e o deputado Alexandre Baldy (PSDB).
São dois excelentes nomes. Um, Frederico, já foi deputado e conselheiro de tribunais. O deputado Baldy já demonstrou que é a revelação política da Câmara: muito bem preparado e orientado, como na questão dos temas econômicos. Sua gestão à frente da Secretaria de Indústria e Comércio deu a ele uma cancha, um know-how muito grande. Aprendeu tudo muito rápido e é carismático. Às vezes as pessoas pensam que ele é um sujeito elitizado, o que não é verdade. Baldy tem todas as portas de Brasília abertas para ele e vai ter uma visibilidade considerável com a CPI do BNDES, porque é muito preparado. Respeito muito a história de Frederico Jayme, por sua história em Goiás e sua capacidade de articulação, mas vejo que o momento é da juventude. Vejo a eleição de Baldy para prefeito como muito viável. Te­nho certeza de que os dois vão che­gar a um denominador co­mum, quem sabe até constituindo a mesma chapa, porque a chance de ganharmos em Anápolis é muito grande.

Euler de França Belém — Como está a questão das pedaladas fiscais do governo de Dilma Rousseff (PT)?
A Câmara dos Deputados está esperando a decisão do TCU [Tribunal de Contas da União]. O tribunal tem dado mais 15 dias a ela, depois prorrogado por mais 15 e mais 15. O TCU nada mais é do que o órgão auxiliar da Câmara, que está no aguardo do parecer para fazer o julgamento da aprovação ou da rejeição dos balancetes da gestão. Colocada a questão em votação, vejo que Dil­ma terá muita dificuldade na Casa.

Euler de França Belém — E o que acontecerá se as contas forem rejeitadas?
Com esse cenário, certamente ela poderá ser cassada. A Câmara vai autorizar esse procedimento e o Senado vai dar continuidade.

Euler de França Belém — A discussão sobre os incentivos fiscais está parada na Câmara?
Realmente, está parada, com essa crise não tem nem o que distribuir (risos). O ministro Joaquim Levy, da Fazenda, veio com uma ideia de fundo compensatório, para que quem tivesse dinheiro no exterior compensasse os Estados prejudicados com a queda dos incentivos. Mexer com dinheiro dos outros é a coisa mais difícil do mundo, é algo muito impopular. Para um governo que está com a menor popularidade da história, com 7% de aprovação, como fazer isso?

Euler de França Belém — O governador Marconi Perillo está fazendo uma política de contenção de gastos muito dura, enquanto no Brasil há, me parece, seis Estados que não dão conta mais de arcar com sua dívida. Mas, de qualquer forma, ele está sendo muito criticado, como ocorreu por exemplo com os deputados Jovair Arantes (PTB) e Henrique Arantes (PTB), que dizem que há mais cortes do que investimentos. Como o sr. analisa esses ajustes?
Cada um tem sua visão econômica. A minha é que o governador, embora tenha cortado muita coisa, o que afetou também a todos, tomou medidas que o capacitaram a poder pagar a folha, mesmo que em duas vezes. Imagine como seria se não tivéssemos feito essa contenção, como Estados que estão deixando milhares de famílias ao deus dará. As medidas foram duras demais, fo­mos realmente afetados. Ga­nha­mos um mandato com mais de 100 mil votos e, claro, esperávamos por ser mais prestigiados, já que um político tem muitos compromissos e perde companheiros por não poder atendê-los.

Olhando por outro lado, porém, seria muito pior se não honrasse a folha, porque as pessoas estariam atrás de seu deputado para cobrar as coisas dele. As medidas trouxeram desgastes, há feridas a ci­catrizar, mas foram importantes para viabilizar as contas. Mesmo com o que foi feito, ainda passamos por dificuldades e precisamos conter muitos gastos. De qualquer forma, as medidas fizeram com que o governador pudesse arcar com seus compromissos com o governo federal em dia e viabilizasse R$ 400 mi­lhões em empréstimos do Banco do Brasil.

Euler de França Belém — Os deputados Jovair Arantes (PTB) e Daniel Vilela (PMDB) teriam feito um pacto para destinar uma emenda parlamentar para Jataí, com a concordância da bancada goiana. Depois, vocês se reuniram e destinaram esse recurso para o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Explique melhor isso, por favor.
Os deputados estavam bem intencionados, mas tem uma norma ministerial para liberar esse recurso, e também na Co­mis­são de Orçamento, que diz que esse recurso deveria ser destinado a obras em andamento ou já licitadas. Então, para não perder o recurso, o deputado Jovair viu que o recurso poderia ir para a obra em Jataí. Depois, quando a bancada se reuniu para rever isso, já havia até um pedido do vice-governador [José Eliton] para destinar a verba para o Projeto Flores e os aliados do governador Marconi não viram dificuldade alguma para isso. Mas, quando viram que tinha essa obra do Hospital das Clínicas da UFG e que precisava de recursos, a bancada se sensibilizou e fez a destinação desses R$ 150 milhões para lá, porque é uma obra que tem impacto em todo o Estado, além de pessoas de outros Estados. É necessário esclarecer esse ponto para que as notícias não sejam dadas equivocadamente. Os deputados Jovair e Daniel agiram de maneira correta para não perder a emenda, tanto que apoiaram a ideia de destinar a verba à obra do hospital, que favorece as pessoas que ganham menos. l

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