“Minha eleição representa o fortalecimento de Anápolis”

Tucano diz que é o candidato com mais condições políticas de buscar soluções para resolver os problemas da cidade, que é uma das mais importantes do estado

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Foi para ser candidato à Prefeitura de Anápolis que o deputado Carlos An­tonio se filiou ao PSDB. Inicialmente sob dúvidas, o tucano mostra que tem conseguido se viabilizar e, com o respaldo do governador Marconi Perillo, se apresenta como um nome forte para ganhar a eleição de outubro.

Radialista, Carlos Antonio, embora não seja anapolino, diz conhecer a cidade como ninguém. Chegou à cidade em setembro de 1987, com uma sacola de supermercado como bagagem. “Fui para dormir na casa dos outros. Contratado pela Rádio São Francisco, consegui me destacar e, em 2001, passei a fazer um programa popular que me projetou em meio à população”, conta.

Incentivado a ser candidato a vereador em 2004, teve 1,2 mil votos e ficou como suplente. “Nem sabia o que era política. Já em 2008, fui eleito como o vereador mais bem votado, com 2,6 mil votos. E, em 2010, na metade do mandato, fui eleito deputado estadual, o que foi uma surpresa muito grande, com 17,3 mil votos, e fui reeleito, em 2014, com 28,3 mil votos”.

Por isso, agora, Carlos Antonio diz que quer ser o prefeito exatamente para devolver a Anápolis tudo o que ela lhe deu. Nesta entrevista, o tucano detalha algumas de suas propostas e relata: “A minha eleição representa o fortalecimento de Anápolis politicamente”.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. se filiou ao PSDB de Anápolis e viabilizou sua candidatura a prefeito. Como está o quadro, agora que as candidaturas foram registradas?
A nossa convenção foi o pontapé inicial da campanha. A participação maciça de populares deu um impulso e mostrou para quem tinha dúvidas de que chegaríamos fortes, de que nossa candidatura seria competitiva, que conseguimos aglutinar pessoas que estavam mais distantes. Hoje posso dizer que o grupo do PSDB em Anápolis está mais unido que antes; posso assegurar que os partidos da nossa coligação estão empenhados na nossa campanha e a cada dia temos recebido apoio de novas lideranças. Ou seja, a minha candidatura a prefeito de Anápolis é uma realidade.

Estou preparado para ser prefeito de Anápolis. Preparei-me para isso, com curso superior de gestão de pessoas que fiz. Além disso, visitei oito cidades, do porte e com a mesma vocação de Anápolis, em busca de solução de problemas que a cidade tem e que já foram solucionados em outras cidades, como Criciúma, Chapecó, Bento Gonçalves, Joinville, Maringá e Caxias do Sul. Paulínia, em São Paulo, por exemplo, é a cidade com a melhor coleta de lixo do Brasil, feita de maneira subterrânea. Cada quarteirão tem um contêiner subterrâneo. É um sistema espetacular e que quero implantar em Anápolis. Visitei ainda Recife, que tem a Escola do Futuro; nelas, um adolescente que tem vocação para ser médico já é acompanhado até se formar médico, com o município financiando-o. Isso é algo que também quero implantar em Anápolis.

Marcos Nunes Carreiro – Na pré-campanha, o sr. disse que queria uma aliança com poucos partidos e, de fato, fechou sua coligação com cinco siglas. Por quê? O prefeito João Gomes tem mais de dez legendas em seu apoio.
É sabido que qualquer negociação de apoio político sempre se vincula à administração, de forma a ter de agasalhar esses partidos na gestão. Se eu faço uma coligação com dez partidos, provavelmente não poderia formar um secretariado como eu quero fazer, técnico e, mesmo sendo também político, de resultados. Então, prefiro estar enxuto em número de partidos neste momento para ter liberdade de, num eventual segundo turno, poder agregar mais gente e também chegar à Prefeitura com a tranquilidade de poder montar o secretariado que pretendo para a administração.

Augusto Diniz – Mas esses cinco partidos que estão com o sr. não brigariam para ocupar mais espaços em caso de sua vitória?
Mesmo eles vindo para a administração, teremos espaço para trazer pessoas que nem sequer têm filiação partidária, até porque meu compromisso com eles não é ceder a secretaria A ou B, e sim trazê-los para a administração na conveniência da gestão. E como são em número bem menor, eu terei muito mais tranquilidade para formatar um secretariado de acordo com o que a população deseja, de acordo com o que eu tenho conversado com os moradores de Anápolis. Com 10 ou 12 partidos eu me sentiria muito mais pressionado pelas conveniências políticas.

Cezar Santos – O sr. está dizendo que, se eleito, vai buscar na sociedade civil organizada nomes de destaque para compor sua equipe?
Sim, vou buscar pessoas qualificadas em todos os segmentos da sociedade.

Augusto Diniz – Pelo que o sr. tem ouvido das pessoas, o que elas mais esperam do próximo prefeito de Anápolis?
Saúde e segurança são as duas maiores demandas. As críticas nessas áreas são constantes na cidade. Faltam médicos e as pessoas reclamam muito dos atendimentos nas unidades municipais, nos Cais 24 horas; na própria UPA (Unidade de Pronto Atendimento) a reclamação é muito grande. O atendimento é extremamente precário e precisa ser melhorado. Por isso, elaboramos um plano de governo buscando atender às necessidades da população no tocante à segurança e à saúde.

Marcos Nunes Carreiro – Anápolis foi uma das primeiras cidades goianas a ter uma central de videomonitoramento. Os prefeitos dessas cidades dizem que isso melhora a sensação de segurança por parte da população. O sr. vai melhorar essa central?
Esse monitoramento é uma ferramenta importante no combate e na diminuição da violência. Mas em Anápolis funciona de forma precária, pois a Prefeitura não está dando a devida manutenção. Prova disso é que, quando se precisa usar a imagens, até para fins de investigação, elas não são nítidas. Há muitas reclamações nesse sentido. Não está sendo dada a atenção devida a essa ferramenta importante. Meu compromisso é manter a central, mas fazendo a manutenção adequada. E queremos ampliar esse monitoramento. Vamos chamar a sociedade para contribuir e vamos estimular as famílias para que também tenham seus sistemas de monitoramento, que poderão utilizados em caso de investigação de crimes.

Cezar Santos – As gestões petistas em Anápolis propagam que a Educação na cidade é de ponta, mas nas rádios ouve-se reclamações de moradores nessa área. O sr., que é radialista e tem um programa que serve de tribuna popular, também ouve essas reclamações?
Sim, ouvimos. Em Anápolis, os professores são muito bons, realmente, mas precisamos motivá-los mais, porque professor não é só salário, tem muito mais coisa que envolve a sua motivação. O fato é que precisamos melhorar a qualidade do ensino em Anápolis, porque está comprovado que os alunos que saem do 5º para o 6º ano saem com um déficit de aprendizado muito grande; tenho ouvido isso de muitas mães. Fiz 45 reuniões do Programa “Eu Quero Opinar” e em todas elas houve mães reclamando do déficit de qualidade do aprendizado de seu filho ou de seu neto. Precisamos melhorar isso, fazer com que a escola seja parte da sociedade.

Cezar Santos – Como isso será feito no hipotético governo Carlos Anto­nio em Anápolis?
Num programa que estamos denominando Escola Aberta, queremos atrair a sociedade para dentro da escola. Vamos levar para dentro da escola a saúde e dotar as unidades com psicólogos e assistentes sociais. Vamos realizar exames médicos preventivos em todos os alunos da rede municipal no início do ano letivo, oferecer tratamento odontológico, inclusive ortodôntico, aos alunos. Educação não é só escola, envolve muito mais, e nosso programa de governo contempla bem isso.

Augusto Diniz – O sr. quer aliar escola e saúde, mas como fazer isso num momento de crise econômica, com os municípios em sérias dificuldades financeiras?
Aí eu entro como uma solução, porque sou candidato do partido do governador, da base governista, que tem 14 deputados federais, dois senadores e o próprio governo do Estado com mecanismos de investimentos. No primeiro momento, vamos buscar esse apoio político. E já detectamos desperdícios na área da saúde em Anápolis. Vamos cortar essa sangria de recursos, cortar gastos para começarmos um trabalho preventivo na saúde, algo que começará a ser feito nas escolas.

Marcos Nunes Carreiro – Anápolis tem dois candidatos da base, o sr. e o empresário Ro­berto Naves (PTB), que se aliou ao PSD do secretário Vilmar Rocha. Se houver segundo turno entre o prefeito João Gomes e o sr. ou Roberto Naves, a base vai se unir? Isso é tranquilo?
Há uma sinalização nesse sentido.

Marcos Nunes Carreiro – Como o sr. avalia essa desunião da base em Anápolis?
Acho absolutamente natural. É do processo democrático desejar lançar candidatura e os partidos estão entendendo que isso é necessário para fortalecer as siglas. Então, não entendi isso como desunião. Como o cenário está muito aberto, e como a administração petista não está tão bem avaliada como já esteve no passado, isso mostrou que os partidos poderiam ser competitivos e fez com que vários lançassem candidatura. Não houve estremecimento de relações nem por minha parte, nem por parte deles. E esse bom relacionamento mostra que poderemos nos unir no segundo turno.

Cezar Santos – Anápolis se apresenta como fundamental para os projetos da base em 2018. O governador Marconi Perillo vai atuar em favor da candidatura do sr.?
Tenho visto o governador entusiasmado com a cidade de Anápolis e, de uma maneira muito especial, com a candidatura tucana, que é a minha; ele tem aglutinado lideranças para me apoiar. Temos nos encontrado semanalmente, ou seja, tem dado a força que eu esperava dele. Claro que o Estado está em crise e não tem como fazer os investimentos que ele gostaria de fazer no município, o que certamente daria reflexos positivos na campanha. Agora, quanto ao apoio político, eu posso assegurar: o governador tem dado apoio total à minha candidatura.

Marcos Nunes Carreiro – A receptividade do governador em Anápolis sempre foi boa, até pelo volume de obras que o governo estadual tem no município. Isso facilita sua campanha?
Sem dúvida. Voltei para o PSDB contando com esse respaldo que o governador tem em Anápolis. Eu sabia que isso iria agregar forças à candidatura. O governador é muito querido na cidade; quanto a isso não resta a menor dúvida. O respeito que ele tem dos anapolinos é muito grande e isso reflete em mim. Se tenho uma candidatura solidificada, é porque tenho o respaldo do governo do Estado.

Augusto Diniz – Qual a influência que o ex-prefeito Antônio Gomide tem no processo?
Essa influência já foi maior. Hoje, é bem menor do que o próprio PT esperava. Se isso não fosse verdade, a administração petista estaria muito bem avaliada e o candidato do partido estaria liderando as pesquisas com folga, o que não acontece atualmente. É exatamente o contrário. Então, imagino que o respaldo eleitoral que o candidato petista tenha hoje ainda seja pelos votos que o prefeito anterior ainda consegue transferir.

Cezar Santos – O PT sempre sofreu uma rejeição muito grande em Anápolis, o que de certa forma foi quebrado por Antônio Gomide, que se elegeu e se reelegeu prefeito com alta aprovação. Essa rejeição dos anapolinos com o PT foi definitivamente quebrada?
Não procede. Anápolis não é uma ilha e o PT em Anápolis não é carreira solo. De qualquer forma o PT anapolino tem suas ligações com o PT nacional; não dá para separar. Embora tenha havido uma boa administração do prefeito petista citado, isso ocorreu num momento propício. Ele pegou uma administração extremamente equilibrada financeiramente do ex-prefeito Pedro Sahium; teve oportunidade de ser prefeito no melhor momento econômico do País, em que a arrecadação em Anápolis bateu recordes — hoje há uma queda brusca. O prefeito anterior teve a oportunidade de fazer e poderia ter feito muito mais naquelas condições. Por isso, não dá para isolar o PT anapolino do PT nacional, até porque ele não terá, repito, carreira solo.

Augusto Diniz – Como o sr. analisa a questão do interesse inicial do deputado Alexandre Baldy em ser candidato a prefeito em Anápolis, o que não se consolidou, e ele até saiu do partido? É um problema resolvido?
Acredito que o Baldy tomou a decisão de ter carreira solo e isso não é ruim. Talvez, ele tenha avaliado que tem fôlego para seguir carreira solo e construir uma coluna política que possa ter base no estado e não sei se isso se viabilizará, embora até entendamos que ele tem capacidade para isso. Isso é normal, é do processo. Ele não quis apoiar um candidato do PSDB e isso foi absolutamente tranquilo — até mesmo pelas alianças que poderão ser formadas em 2018. Da minha parte, não há questionamento ou estremecimento e, muito pelo contrário, eu continuo o admirando e torço para que a decisão que ele tomou tenha sido a melhor.

“Temos potencial para crescer além do Daia e o faremos”

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos – Anápolis tem um problema com o abastecimento de água. Como o sr. pretende trabalhar essa questão, caso seja eleito?
Sou contra a municipalização. Anápolis não suportaria isso, até porque existem investimentos da Saneago que precisariam ser ressarcidos e o município não tem fôlego financeiro para isso. O que precisamos é dar sequência àquilo que a Saneago tem de planejamento. Há um projeto orçado em R$ 81 milhões que solucionaria o problema de abastecimento pelos próximos 30 anos. A Saneago já propôs à Prefeitura para que ela fizesse um empréstimo nesse valor para que a obra fosse concluída e a própria empresa faria a quitação do débito. A Prefeitura não aceitou a proposta e optou em fazer um empréstimo de valor quase igual para a construção de viadutos no centro da cidade. Como prefeito, e se a Prefeitura tiver capacidade para isso, farei o empréstimo para que possamos resolver o problema da água em Anápolis. Tenho assumido com a população anapolina o compromisso de que, se o problema estiver em Anápolis, eu quero assumir. Se vou buscar os governos estadual ou federal, isso é outra história. Em qualquer área, se precisar de contrapartida, vou assumir.

Marcos Nunes Carreiro – Qual é, exatamente, a razão para faltar água em Anápolis?
É a capacidade de captação. A principal fonte de abastecimento é o Rio Piancó, mas temos dois outros rios que podem fornecer água: o Anicuns e o Capivari. Os dois já estão dentro do planejamento da Saneago para que possam fornecer água para o município. O projeto a Saneago já tem, só falta ser executado. A falta de água acontece porque, na época de seca, o volume de água diminui e a capacidade do Piancó não é suficiente, pois nas margens dele existem propriedades rurais que buscam a água do rio. Ou seja, o volume de água que chega para captação não é suficiente.

Marcos Nunes Carreiro – Anápolis ainda recebe água do Daia?
Sim. Se isso não ocorresse, o atual sistema sozinho não conseguiria abastecer 100% de Anápolis. A Saneago compra essa água.

Cezar Santos – Como o sr. pretende trabalhar a qualificação de mão de obra na cidade, visando o Daia?
A capacitação é muito importante para que possamos fornecer ao Daia profissionais qualificados. Anápolis já sofreu mais com relação a isso; hoje, sofre menos. Talvez, não atenda à demanda e precise de investimentos do próprio município, que deve ficar atento à mão de obra especializada, até porque o Daia tem um perfil diferente agora. Eu sonho com uma integração Daia e município. A Prefeitura tem que estar mais próxima à administração do Daia. Como o Daia é administrado pelo Estado, a Prefeitura se isenta da responsabilidade de qualquer situação e isso não é bom. Precisamos trazer o Daia para interagir com o município, pois, embora a gente saiba que existem profissionais anapolinos que trabalham no Distrito, o Daia precisa buscar profissionais em vários municípios. Não que isso seja ruim, mas o Distrito precisa ser mais de Anápolis. Hoje, ele é mais do Estado.

Cezar Santos – O que falta para o Daia 2?
Não saiu do papel porque o prefeito do PT apresentou uma solução que não dependeria só dele. Tudo aquilo que você planeja e que não depende de você é preciso se esforçar para acontecer ou não vai acontecer. A proposta era uma espécie de privatização do Daia 2. Em um momento de crise, com as empresas com poder de investimento menor, já dava para se ter uma ideia de que de fato seria um fracasso.

Como não saiu do papel, nós temos que buscar uma alternativa. E a melhor alternativa para incrementar, fomentar e aumentar o número de indústrias no Daia é fazer a expansão do atual. Criar um Daia 2, para que os empresários façam os investimentos, não é viável.

Marcos Nunes Carreiro – Mas tem espaço para expandir o Daia?
Tem. Desde que seja feita a desapropriação de áreas para ter condições de fazer essa expansão. Ela é possível desde que haja uma aproximação política entre governo e Prefeitura.

Cezar Santos – Anápolis está perdendo empresas nos últimos anos?
Não houve nenhum investimento nesse sentido, porque o poder do Daia de aglutinar novas indústrias é muito pequeno nesse momento. Nós perdemos uma indústria de cerveja por não ter como acomodá-la no município. Perceba que há a necessidade de a Prefeitura fazer a sua contrapartida.

Ou a Prefeitura faz uma parceria com o Estado e o convence, em um primeiro momento, que a expansão do Daia é a melhor solução e a mais rápida, ou nós vamos ficar não apenas cinco anos sem investimento, nós vamos ficar dez anos sem ter nenhum novo grande investimento em Anápolis.

Marcos Nunes Carreiro – Qual a empresa não foi para Anápolis?
A Heineken, que foi para Itumbiara.

Augusto Diniz – Além do Daia, há algum outro setor econômico de Anápolis que precisa ser mais bem explorado?
Anápolis tem uma vocação industrial espetacular. Não é de hoje. Descobriu-se na década de 1980 que a vocação é industrial. Mas Anápolis precisa fortalecer e fomentar as empresas já estabelecidas. Este será também um foco da nossa administração. Tem muita empresa fechando, demitindo gente. Há uma preocupação muito grande em atrair novas indústrias do que fortalecer as empresas que estão estabelecidas.

Nós temos hoje um polo atacadista ainda forte em Anápolis, mas que está esquecido. Precisa ser fomentado e nós vamos fazer isso. Acho que Anápolis não aproveita o presente de Deus que recebeu, que é a sua geografia. Anápolis é o trevo do Brasil e precisa investir em logística. Nós estamos com técnicos estudando a possibilidade de fomentar e atrair a logística para o município de Anápolis. Nós precisamos atrair o Brasil para Anápolis.

Tudo tem que passar por Anápolis. Já realizei reuniões com técnicos que estão nos preparando para que a gente possa fazer isso em caso de eleição. Anápolis tem potencial para crescer além do Daia. E é isso que nós vamos buscar.

Augusto Diniz – O sr. falou em trazer o Brasil para Anápolis. Como isso pode ser feito?
Através da logística. Eu acho que tudo tem que passar por Anápolis. Por ser o trevo do Brasil, Anápolis precisava ter o centro de distribuição das principais indústrias do País. E é isso que nós vamos fazer acontecer. Nós vamos atrair para Anápolis as principais empresas e indústrias através dos seus centros de distribuição.

Cezar Santos – Como está o projeto do polo tecnológico?
Foi abortado. Era da iniciativa privada, não progrediu e acho que o empresário já locou a área para outra finalidade.

Cezar Santos – Não seria o caso de o poder público municipal estimular isso e retomar a discussão?
Isso passa por aquilo que eu relatei há pouco. Precisa haver uma aproximação do Daia, que é administrado pelo Estado, com o município. Se houver essa parceria, eu acho que tem condições. Se a Prefeitura fizer isso sozinha é pouco provável que prospere.

Marcos Nunes Carreiro – E o Porto Seco? Ele depende diretamente da ferrovia Norte-Sul, que já foi inaugurada muitas vezes, mas nunca entra em funcionamento. Isso depende também de certa pressão do governo municipal no governo federal para que isso saia do papel?
É preciso buscar forças federais para isso. A minha eleição representa o fortalecimento de Anápolis politicamente. Porque sou um candidato do governo e, sendo eleito da base governista, atraindo o governo e deputados federais, temos mais condições de conversar e não fazer pressão isoladamente no governo federal. Não há força para fazer pressão isolada. Mas se você atrai o governo, os deputados federais e os dois senadores da base governista, eu acho que aí sim a gente tem poder pelo menos de fazer uma pressão para que a finalidade da ferrovia entre em prática.

Marcos Nunes Carreiro – Mas dizem que os empresários não têm muito interesse nisso. Isso não deveria partir deles também?
Tudo é uma questão de logística e de qualidade. Se você não oferece condições para que esses investimentos aconteçam, você não vai atrair ninguém. O empresário não quer perder dinheiro, ele quer ganhar. Ele faz investimentos desde que haja um retorno. Só que você tem que mostrar para ele que o retorno virá. Se é a curto, a médio ou a longo prazo, isso é uma questão de planejamento. Nós iremos propor isso também.

Augusto Diniz – A construção do Centro de Convenções de Anápolis e do Aeroporto de Cargas tem sido conversada com o governador? Como está essa situação?
Embora pareça que a obra do Centro de Convenções tenha parado, não é verdade. Se você for lá agora verá funcionários trabalhando. Ocorre que o trabalho do momento é de acabamento. É um trabalho mais lento. Ele não é um trabalho visível como levantar o prédio e mostrar que ali existe uma obra. Mas, nesse momento, existem funcionários trabalhando, existe um compromisso do governador de aumentar esse número de funcionários a medida em que o fôlego econômico do Estado melhore. O que eu posso assegurar é que em curtíssimo prazo o Centro de Convenções estará sendo inaugurado.
Quanto ao Aeroporto de Car­gas, existe uma possibilidade de investimentos do setor privado para que ele possa ser concluído. Mas a pista está concluída, foram feitos mais de R$ 100 milhões de investimentos no local por parte do governo do Estado. É uma questão apenas de interesse do mercado para que de fato ele possa ser colocado em funcionamento.

Augusto Diniz – E qual é a expectativa de incremento na economia de Anápolis com a conclusão dessas obras?
O Centro de Convenções, por ser o segundo melhor do País, vai trazer um incremento muito forte no turismo de evento em Aná­polis. Nós vamos atrair os grandes eventos para o município. E hoje já ocorrem investimentos na rede hoteleira. Anápo­lis está ganhando pelo menos três novos hotéis, alguns até com o patamar de cinco estrelas. Isso atrai esses investimentos satélites. E se Anápolis, embora seja o Centro de Convenções do Estado, souber tirar proveito disso, o município vai ganhar muito economicamente, mas também vai atrair pessoas para o município.

Quanto ao Aeroporto de Cargas, aí não é só importante para Anápolis, mas para Goiás, para o Centro-Oeste e para o País. É como se nós estivéssemos instalando em Anápolis um novo Daia.

Cezar Santos – Qual é a ideia com relação aos distritos do entorno de Anápolis e que fazem pressão sobre a oferta de serviços?
Anápolis não é um município que tenha uma área territorial muito grande. Anápolis é um município muito pequeno se a gente comparar com outros municípios. Anápolis está praticamente 100% tomada. Nós temos alguns distritos que sobrevivem de Anápolis. Eles não têm vida própria. A cidade não tem um cinturão verde e nem tem espaço para isso. Existem propriedades que produzem aquilo que é vendido no próprio comércio local, que é a nossa Ceasa.

Anápolis apenas precisa dar sequência àquilo que já apresentou como vocação. Não tem como você parar, pensar e dizer que Anápolis agora vai começar a fazer um novo investimento nisso ou naquilo. Não existe isso. Anápolis precisa dar sequência à sua vocação industrial, aprimorar a sua questão logística, atrair o Brasil para o município. Até porque na questão de distribuição nós precisávamos trazer centros de distribuição de grandes indústrias para Anápolis. Até porque a geografia de Anápolis permite isso. Mas não dá para apertar um botão e dizer que vai começar isso novamente. Essa é a nossa vocação e esse é o nosso caminho.

Carlos Antonio em entrevista ao Jornal Opção: “O Centro de Convenções, por ser o segundo melhor do País, vai trazer um incremento muito forte no turismo de eventos em Aná­polis”

Carlos Antonio em entrevista ao Jornal Opção: “O Centro de Convenções, por ser o segundo melhor do País, vai trazer um incremento muito forte no turismo de eventos em Aná­polis”

Cezar Santos – O sr. está focado na campanha em Anápolis, mas como deputado o sr. tem um olhar muito presente para a situação da capital. Como o sr. tem visto essa aliança que o PSDB fez com o candidato Vanderlan Cardoso (PSB)?
O governador foi sábio e, como sempre, surpreende com suas decisões políticas. Quando ele buscou o candidato Van­derlan, para apoiar pela base governista, tomou uma decisão inteligente. É um candidato com potencial de vitória, que não tem rejeição dentro da própria base e esta se sentiu fortalecida. Giu­seppe Vecci era, de longe, o melhor candidato para Goiânia e a sua não viabilização foi por uma questão política e, sabiamente, ele tomou a decisão de sair do processo. A grandeza do PSDB não permitia que o partido ficasse fora do processo eleitoral. Embora a base tivesse alguns candidatos, era preciso fazer esta leitura de que o PSD, por exemplo, com um candidato lançado, precisaria ter uma aproximação maior com a base, a qual se dava exatamente com o apoio do partido a candidatos do PSDB em outros municípios, mas não houve interesse do secretário Vilmar Rocha. Como a base pode apoiar um candidato do PSD, se o partido não tem disposição em apoiar os candidatos tucanos em outros municípios? Imagino que passou por essas reflexões a decisão do governador Marconi de levar o PSDB, com sua grandeza, a apoiar o Vanderlan.

Cezar Santos – O sr. não percebe um germe de uma crise dentro da base com esta rebelião do Vilmar?
Isso é implícito. Não conseguimos visualizar, talvez, a dimensão que esteja. No entanto, é fato, e é uma decisão pessoal do Vilmar, que por alguma razão, esquecendo-se da eleição de 2014, em que foi apoiado pela base, e certamente não teria 1 milhão de votos se não fosse por isso, parece ter jogado isso na lata de lixo.

Cezar Santos – Como deputado, o sr. tem feito um trabalho muito interessante em relação a criança e ao adolescente. Faça um breve resumo desse trabalho que deu uma dinâmica nova à Comissão da Criança e do Adolescente na Assembleia Legislativa.
É um trabalho que me encanta. A minha preocupação é em deixar um legado, principalmente enquanto a discussão do tema, que era muito esquecido em Goiás, era um caderno dois. Quando chegamos a Assembleia, percebemos que só tinha um jeito de alavancá-lo, que era fortalecer os conselhos tutelares, a ferramenta oficial das garantia dos deveres e direitos da criança e do adolescente. Assim, percorremos o estado e o governo percebeu que era necessário fazer estes investimentos nos conselhos. Formamos, então, uma frente nacional com os deputados presidentes de comissões atinentes nas demais Assembleias e conseguimos chegar ao governo federal, ao qual apresentamos um modelo que, depois, tornou-se ideal e que visava o governo federal aproveitar as verbas dos deputados federais para que aquisição de kits conselhos (carros, computadores, ar condicionado, por exemplo) também para distribuição aos conselhos e não só em Goiás, como no Brasil. Ou seja, conseguimos mostrar que existe uma importante ferramenta, que é o conselho tutelar. Com a maioria deles estruturados, precisamos agora partir para garantia de direitos, de fato. E esse é o nosso trabalho atual.

Os srs. podem perceber que, atualmente, tem se discutido o abuso sexual infantil, o qual precisamos combater; e o nosso trabalho contribui com isso. Fomos nós que instauramos na Assem­bleia uma CPI que investigou todo o estado, a qual apontou que o problema não está apenas em Cavalcante, mas na maioria dos municípios goianos. Uma das sugestões apontadas foi a criação de uma frente parlamentar permanente que acompanhe o índice desses casos no estado, com a cobrança de punição, uma vez que a impunidade é o grande problema no combate ao abuso sexual. Então, nós acompanharemos desde a denúncia. Quando chega ao conselho, até a delegacia, para saber se se tornou em inquérito ou não, e se foi concluído e remetido ao judiciário, onde deve ser proferida a sentença. Esse é o trabalho que teremos daqui para frente, na Assembleia, enquanto permanecermos lá, ou que seja acompanhado por outros deputados.

Augusto Diniz – A partir do trabalho da CPI, principalmente quanto a esses casos de abuso sexual infantil e que foi iniciado em Cavalcante e se estendeu ao estado, já é possível perceber, junto aos prefeitos e órgão públicos, alguma mudança de procedência, de atitude?
Sim, até porque antes, infelizmente, as próprias autoridades co­me­tiam este tipo de crime. Hoje, o índice de autoridades envolvidas é bem menor que antes da CPI, o que é um tipo de legado. Mas precisamos ter o crime em si, do dia a dia, que acontece dentro das residências, que tenha uma redução no estado; e essa é a nossa grande preocupação. Há uma mudança sim de comportamento das autoridades diante o assunto e dos próprios prefeitos em combater esse crime — muitos ao menos já abraçaram a causa. Por­tan­to, a CPI contribui com este combate.

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