“Marconi governa pensando nos 7 milhões de goianos e não em seus interesses eleitorais”

Líder do governo na Assembleia destaca a importância de a PEC dos Gastos não sofrer mais mudanças e diz que Caiado não trouxe nada de positivo para Goiás com seu mandato de senador

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Francisco Oliveira é um veterano do Parlamento em Goiás. Ex-vereador e ex-deputado por vários mandatos, ele se ocupa de uma função espinhosa no momento: a liderança do governo na As­sembleia Legislativa. O tucano está incumbido de fazer avançar a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o corte dos gastos públicos, uma polêmica que tem deixado muito deputado da base aliada com insônia, por medo de perder a própria base. Ele, porém, é taxativo: “Não há mais o que cortar no texto da proposta. As mudanças que poderiam ser implantadas já foram feitas. Mais cortes vão inviabilizar o projeto, que ficará sem sentido.”

Como político experiente, Chiquinho – como é mais conhecido – diz que entende a dificuldade de seus colegas, mas que é preciso enfrentar os desgastes. Seu espelho é o próprio governador. “Marconi Perillo nos dá exemplo de como ser gestor acima dos próprios interesses pessoais. Ele pensa no Estado e não apenas em eleições. No momento, está pensando nos 7 milhões de goianos. Os servidores públicos têm direito de se manifestar, mas eles sabem como foram valorizados pelo governo desde 1999”, declarou.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o deputado fez também muitas críticas ao senador Ronaldo Caiado, como contraponto aos elogios que dedicou a Lúcia Vânia (PSB) e Wilder Morais (PP), os outros nomes goianos naquela Casa: “Basta ver o que Lúcia e Wilder já trouxeram para o Estado. Caiado, desde que está lá, ainda não trabalhou por Goiás e se contenta com o discurso fácil, aproveitando o momento de crise nacional para atacar o governo por interesses puramente políticos”. Para Francisco Oliveira, a chance de sucesso de Caiado ao governo está em uma bênção de sua candidatura pelo PMDB.

Cezar Santos – Na votação da PEC dos Gastos na Assembleia, houve vários votos em separados de deputados da base aliada. Isso mostra certo dissenso em relação à matéria, mesmo depois de conversas com o governador, em que foi ressaltada a importância de aprovar a matéria Como o sr. vê essa situação?
É uma coisa natural, tendo em vista que o parlamentar é assediado por vários segmentos que estão sendo atingidas pela PEC e faz com que um ou outro aceite os argumentos de quem faz o pleito e ache uma forma de querer prestigiá-lo. O caminho mais claro seria a apresentação de emendas, como foi feito no próprio relatório do deputado Gustavo Sebba (PSDB), que acatou itens que não estavam no acordo com o governo daquilo que poderia ser cedido.
Como você bem disse, o governador recebeu os deputados e mostrou a importância da PEC, que foi amplamente discutida com todos os setores no momento oportuno. Quando se propõe em uma emenda a retirada de setores como a saúde e da educação dos efeitos da PEC, se desfigura totalmente o objetivo do projeto encaminhado pelo governo. Marcamos uma reunião com o secretário João Furtado (titular da Secretaria de Gestão e Pla­ne­ja­mento) para levar esses deputados para argumentarem e nós, como base aliada, contra-argumentarmos em relação ao que eles propõem. Vamos então tirar o relatório e levar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pedir aos deputados da base para que acompanhem o voto encaminhado pela liderança do governo.

Augusto Diniz – Qual análise o governo faz sobre o prejuízo às contas públicas com uma eventual retirada da Saúde e da Educação dos efeitos da PEC?
Na verdade, quando há uma proposta assim, o que se quer é limitar gastos. Para os próximos dois anos, isso seria algo em torno de R$ 2 bi­lhões em economia. Um montante que serviria não só para investimentos, mas também para manter o crescimento vegetativo e o custeio da máquina pública sob controle. Sem essa restrição de gastos, sem essa PEC, virá cada data base e seus efeitos. Como o governo não terá parâmetro para segurar, isso vai deixar o Estado com seus cofres no vermelho. Como todos sabem, o governo não pode gastar mais do que arrecada.

Essa PEC é limitadora, mas não é um engessamento. Obviamente, quando houver condições para atender demandas do servidor, vamos fazer isso. O que não pode haver é uma arrecadação menor e a lei dizer que o gestor tem a obrigação de cumprir as metas, mesmo sem recursos.

Marcos Nunes Carreiro – O governo já tinha cedido, com a retirada dos servidores civis e militares da Segurança Pública. Agora, há também essa proposta da saída da Saúde, da Educação e de carreiras de Estado. Provavelmente o governo terá de ceder alguma coisa. Isso não vai acabar por inviabilizar a PEC como um todo?
Exatamente. O governador já ce­deu onde podia. Por exemplo, de dez anos de revisão isso foi reduzido para três anos. A avaliação dos aumentos ficou para o IPCA no valor maior do ano anterior, para que se façam as correções. O governo cedeu, também, para ceder os outros Poderes, até porque são autônomos.

O caso da Polícia Militar é em torno de uma classe especial, bem como a Polícia Civil. O policial sai de casa para cuidar da sua e da minha segurança. O que ele tem pela frente, a cada dia, não é um trabalho burocrático diante de uma mesa, mas o enfrentamento de bandidos e de uma realidade nada amistosa. Ele coloca em risco sua própria vida e, portanto, não dá para não tratar essa categoria de forma especial. O governo assim entendeu e os policiais, tanto militares como civis, sempre foram valorizados. Então, cedemos no que poderíamos.

Com a conversa que tivemos com a equipe econômica do governo – Segplan, Casa Civil e Fazenda –, percebemos que tudo o que mudar a partir de agora na PEC será mexer em algo que não pode mais ser cedido. Entendemos todas as preocupações, mas, sem esses limitadores, amanhã o governo ficará prejudicado e não terá nem mesmo como cumprir o pagamento em dia da folha, o 13º salário, os benefícios dos inativos e pensionistas etc. A PEC vem para limitar os gastos de forma com que possamos continuar entre os cinco melhores Estados do Brasil em relação à crise econômica.

Fomos os primeiros a sair da crise positivamente, haja vista o lançamento recente de obras no valor de R$ 10 bilhões. Não estamos incorrendo em erros que ocorreram no governo de outras unidades federativas. Aqui, o governador Marconi Perillo faz sua lição de casa desde 2014, com cortes e enxugamentos para nos dar, hoje, essa condição privilegiada. Se tomarmos os índices de avaliação sobre o crescimento e o desenvolvimento dos Estados, nós batemos 13 dos 15 itens. O governador tomou medidas duras, mas medidas de um grande gestor. Marconi administra Goiás para seus 7 milhões de habitantes, mas também para os servidores públicos, porque, à medida que trabalhamos esses limitadores com a PEC, estamos dizendo a eles que essa proposta é do bem, poderemos pagar todos os salários e benefícios sempre em dia. É só lembrar que em 12 Estados isso não está ocorrendo, não há pagamento de folha e muito menos custeio da máquina.

Para dar só um exemplo, a saúde de Goiás hoje é referência nacional. Mais de 16 Estados encaminharam seus secretários – ou até mesmo vieram os governadores – para conhecer nosso trabalho aqui nesse setor, que hoje tem a aprovação de 96% dos usuários dos serviços.

Marcos Nunes Carreiro – O governo, portanto, não pensa em ceder mais em nenhum ponto?
Conversamos com os deputados estaduais e, naquela reunião com eles, o governador fez uma análise muito clara e transparente sobre a realidade do Estados. Temos hoje um déficit mensal de R$ 150 mi­lhões para o custeio da Previdência. Isso representa R$ 1,8 bilhão ao ano e impacta seriamente nas contas do governo. Se o cuidado de manter a PEC como está em seu texto atual não for respeitado, vamos inviabilizar tudo isso. Essa PEC não é minha, não é de Marconi, não é dos deputados, mas um instrumento que vem ao encontro dos interesses do Estado. O governador sabe o ônus que a proposta acarreta, mas, como gestor, se sente na obrigação de fazer esse encaminhamento para que a PEC seja votada dentro dos limites agora estabelecidos. O que vier além disso fará seu sentido se perder.

Marcos Nunes Carreiro – Mas o governo não pretende enviar à Assembleia uma PEC específica sobre a Previdência no segundo semestre? Não são coisas diferentes?
São questões diferentes, mas até que haja o ajustamento, qualquer medida que se tome para resolver o problema da Previ­dên­cia a partir apenas dessa PEC em pauta agora vai fazer com que levemos anos e anos para que consigamos equilibrar receita e despesas das metas. Só que a despesa bate à porta todos os meses. De onde vem esse dinheiro? Do Tesouro. Portanto, são essas medidas que o governador quer implantar, para que possamos seguir cumprindo em dia com todos os que recebem seus benefícios. O governo não pode existir apenas para gerenciar folha de pagamento e, se tomarmos os 15 anos de gestão com esse grupo que está no poder, o gráfico de valorização do servidor de Goiás é apontado para cima, enquanto o dos outros é apenas mediano. Somos quem mais valoriza o funcionalismo, mas estamos agora em um momento de crise. Mesmo assim, o governador deu quase 14% de aumento para a PM e acabou de repassar um índice significativo para os trabalhadores da Educação. O governo faz o que é possível, o que pode ser feito, mas precisa ter responsabilidade.

Cezar Santos – Os benefícios, como a data base, poderão ser concedidos quando a arrecadação melhorar, porque agora a conta não fecha.
Exatamente, a conta não está fechando e os servidores têm consciência disso. Estamos colocando limitadores para que tenhamos argumento jurídicos que evitem greves e outras situações que exponham o Estado no fornecimento de serviços à população. Mas em momento algum o governo está fechado à valorização dos servidores, como, aliás, acabei de exemplificar. A PEC de limitação de gastos é um instrumento para estarmos balizados juridicamente, caso a crise perdure. Obvia­mente, à medida que a arrecadação aumente, Marconi continuará sendo Marconi, o governador que mais valorizou o servidor no Estado de Goiás e no Brasil. Basta dizer que nossa Polícia Militar é a mais bem remunerada de todo o País, à exceção dos militares do Distrito Federal, onde há uma situação particular. A Secretaria da Educação é uma das mais bem avaliadas do Brasil e o servidor dela é o mais qualificado do País. Isso porque, durante os anos, o governo foi tomando medidas de valorização. Temos, da mesma forma, um projeto forte de meritocracia. Por isso digo que não estou aqui criticando os argumentos e as reivindicações do servidor, só que o governo precisa trabalhar com medidas cautelares para os 7 milhões de habitantes de Goiás.

Augusto Diniz – No segundo semestre, não terá como o governo estadual fugir da discussão da Pre­vi­dência, haja vista que o governo federal retirou da PEC da reforma que tramita na Câmara dos De­pu­tados o funcionalismo dos Estados. Como isso vai ser encaminhado?
O governador não vai fugir dessa questão. Pelo contrário, ele está disposto a enfrentá-la com muita transparência. Não é algo para seu próprio governo, mas para os próximos: se não fizermos uma medida de reforma agora da Previdência estadual, o crescimento do déficit de R$ 150 milhões ao mês chegará a mais de R$ 200 milhões em dois ou três anos. É uma coisa muito superior ao ritmo de avanço da arrecadação. Se não fizermos essa reforma, no próximo governo, seja de quem for, vamos ter problemas de atraso de pagamento, o custeio da máquina não acontecerá. O Estado vai parar.

Augusto Diniz – Qual é o cenário na Assembleia para encampar essa discussão da PEC dos Gastos?
À exceção dessa emenda dos deputados da base, que têm o compromisso com o governo de votar a PEC, não vejo nenhuma dificuldade. Os parlamentares têm consciência de que qualquer nova retirada. Se isso por acaso ocorrer, a PEC perde o sentido.

Patrícia Moraes Machado – Ao mesmo tempo em que há essas medidas de contenção de despesas e de ajustes, o governo lança essa quantidade de obras que começam a partir de junho. São mais de R$ 10 bilhões de investimentos. É possível acreditar mesmo que essas obras serão entregues?
Claro que serão. Para ter ideia, os R$ 800 milhões que virão da venda da Celg já têm destino definido para cada centavo. A Agetop [Agência Goiana de Transportes e Obras], por meio do Fundo de Transporte, vai arrecadar R$ 2 bilhões nos dois próximos anos. Da mesma forma, mais R$ 650 milhões virão do Fundef, para a educação. Há mais R$ 600 milhões concedidos em empréstimo pela Caixa Econômica Federal ao governo do Estado para essas obras estruturantes. Também há R$ 3 bilhões que serão investidos pela empresa de eletrificação que fará aporte fortíssimo em subestações e novas linhas de transmissão, gerando mais emprego e renda para o Estado, já que estamos com muitas indústrias paradas ou estagnadas porque não há energia para atender a sua demanda.

O dinheiro para convênios com as prefeituras – R$ 200 milhões este ano e R$ 300 milhões para o ano que vem – virá do Tesouro e do Detran. Os 246 municípios terão, a seu próprio critério de escolha, a obra que quiser fazer. Obviamente, a maior parte deles pediram obras de pavimentação e recapeamento, já que a situação do asfalto está um caos na maioria das cidades e precisam mesmo ser refeitas de tempos em tempos. O governo deu a cada prefeito a autonomia de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões, dependendo da estrutura de cada município, para esses convênios. Todos serão oxigenados. Ou seja, essas administrações estão motivadas e o governo, até por questão política, precisa honrar seus compromissos.

Temos um projeto de sucessão para 2018 e temos dois candidatos já definidos: o candidato a governador é José Eliton (PSDB) e o candidato a senador é Marconi Perillo. O PSDB já tem um projeto de eleição para 2018 e é nesse projeto de gestão eficiente e qualificado que o governo vai se ancorar. Essas obras terão de ser cumpridas para termos credibilidade e receber o apoio desses prefeitos para esse projeto do Tempo Novo para o próximo ano.

Patrícia Moraes Machado – Mas essa divisão dos recursos foi além dos prefeitos da base, não?
Todos os 246 prefeitos que procuraram o governo para fazer convênios terão suas obras atendidas.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia a crítica do senador Ronaldo Caiado (DEM) a respeito do direcionamento desses recursos para os prefeitos?
O governante que não tiver uma visão voltada ao municipalismo e não entender que temos prefeitos que passam dificuldades e municípios que estão sem recursos diante da crise não precisa ser governador. Nesse sentido, o senador Caiado se equivoca e mostra uma visão curta e míope, por não entender que é preciso termos uma reforma tributária forte para beneficiar os municípios. Marconi é municipalista, então nada mais coerente que ele tenha esse trato com os prefeitos. Qualquer governante que se proponha a ser candidato com essa visão estreita que Caiado tenha precisa se candidatar não a governador, mas a presidente da República. Isso porque sua visão será a de fechar as torneiras dos recursos para as cidades e as portas do Palácio das Esmeraldas para os prefeitos. É esse o candidato a governador que está vindo aí: Caiado, se chegar se eleger, sua visão será essa, de centralização e de investir em tudo, menos nos municípios. Dizer que todos os que estão procurando o governador – de todos os partidos e todas as ideologias, aliás – foram lá para ser cooptados é uma extrema falta de respeito com esses prefeitos.

Patrícia Moraes Machado – O sr. está na política há muito tempo e sabe muito bem a história desse Estado. Tomando como base o resultado da venda de Cachoeira Dourada, no governo do PMDB, como o sr. pensa que será feita a destinação dos recursos da privatização da Celg, com Marconi Perillo?
Quando o governador se propôs a vender a Celg não foi uma decisão propriamente dele. A empresa foi terceirizada para a Eletrobrás, que percebeu que ela, como outras estatais, estava sempre com balanço de saldo negativo. Então, definiu que venderia essas empresas, começando por Goiás. A diferença é muito grande se compararmos a venda da Celg – que vem ao longo dos anos gerando prejuízo – à de Cachoeira Dourada, que era a galinha dos ovos de ouro. A usina deu R$ 1 bilhão de lucro no último ano. Imagine, então, se tomássemos os anos anteriores, claro que não teríamos problemas financeiros para a Celg. Agora, a empresa que a comprou vai fazer grandes investimentos e aportes que o Estado jamais teria como fazer.
Sempre que falamos em Cachoeira Dourada temos em tela uma obra sem necessidade que foi feita no Eixo Anhanguera, em cestas básicas e várias outras coisas que não sabemos nem onde estão. Já o dinheiro da venda da Celg está com seu destino muito bem detalhado, pois não estamos fazendo circo com isso. Esses recursos vão para obras estruturantes e importantíssimas para o Estado. Isso é uma grande diferença. Quem tenta fazer uma comparação maldosa faz um discurso bobo, de quem fica lá em Brasília tentando fazer todo impedimento possível para que Goiás negociasse uma dívida Itaipu. Nesse sentido, a senadora Lúcia Vânia (PSB) foi uma guerreira na luta para que pagássemos um valor muito menor, economizando quase R$ 500 milhões.

Augusto Diniz – Os recursos da venda da Celg poderão ser concretizados em forma de obras antes do fim do atual governo?
Claro que sim. Primeiramen­te, haja vista que os volumes de recursos da Enel [nova proprietária da Celg] já estão definidos para subestações, linhas de transmissão e outras obras que interessam à própria empresa, porque quer retorno financeiro, já haverá um aporte financeiro e investimentos por parte da própria empresa. Sobre as obras que são de responsabilidade do governo, também serão realizadas, porque são recursos já destinados e temos a origem de suas receitas. Tenho certeza de que vamos estar com tudo isso concluído no prazo devido e dentro deste governo.

Cezar Santos – Houve na Assembleia uma reclamação de alguns deputados, especialmente Cláudio Meirelles (PR) – que se disse até mesmo desrespeitado pelo presidente da agência Leandro Garcia –, sobre a questão da Goiás Turismo [Agência Estadual de Turismo]. Isso gerou certa crise e fala-se até mesmo na criação de uma CPI para apurar as denúncias de irregularidades na contratação e realização de shows. O sr., como líder do governo, tem papel fundamental para estancar esse processo. Como isso vai ser gerenciado?
Entendo que o governador Marconi, tem em seu secretariado, pessoas probas e sérias, motivo pelo qual, aliás, estão no governo. Como líder, trabalharei para que essa CPI não ocorra. Caso essa comissão venha a ser iniciada, vamos acompanhá-la de perto. Os deputados têm a prerrogativa e até o dever de proceder toda investigação, jamais vamos tolher esse sentimento em vista de qualquer órgão do Estado. O governo está tentando dar as explicações necessárias para que essa CPI seja evitada. Se ela ocorrer, repito, vamos fazer com que tudo seja feito às claras e o governo vai se defender e mostrar a transparência que tem tido sempre. Acredito que na Goiás Turismo tudo esteja correndo de forma correta e que seu presidente, Leandro Garcia, trabalhe de forma honesta e tranquila. O que não podemos permitir é que haja disputa política interferindo em uma investigação por conta de uma ou outra contrariedade de interesses de parlamentares.

“Caiado faz política com o fígado e contra Goiás”

Patrícia Moraes Machado – O momento político é de crise geral. Para o governo conseguir se sustentar e honrar compromissos, precisa ter uma base forte. Houve algumas polêmicas que afetaram a convivência entre os muitos componentes dessa base. Como o grupo está novamente unido para dar sustentação a esse governo até o fim?
Precisamos olhar tudo isso por dois ângulos. Primeiramente, a base de sustentação política passa, antes de tudo, pela Assembleia, onde são votadas todas as matérias de interesse do governo e existem os pontos críticos de defesa ou acusação. Contamos com deputados coerentes e leais ao governador. Na semana passada tivemos uma audiência no Palácio em que 33 parlamentares foram hipotecar a ele, por meio de um documento, a confiança nele, reafirmando que todas as crises serão superadas. Essa base, portanto, é sólida para qualquer votação, inclusive para a própria PEC.

Outra questão é a disputa por espaço na chapa de 2018. A base tem vários partidos e as vagas são poucas. Na chapa majoritária há governador, vice-governador, dois senadores e seus suplentes. Obviamente, todos querem ser protagonistas e cada um vai colocar seu time em campo. Digo sempre que, se estivéssemos em decadência, não haveria tanta disputa para estar ao lado de José Eliton na chapa para governador ou para a outra vaga de senador, ao lado de Marconi. Essa briga mostra que a chapa é competitiva. Com todas as realizações que teremos por parte do governo até o ano que vem, vamos chegar muito fortes às eleições. Nossa base é muito vigorosa no interior e, com nossos prefeitos estando bem, tudo fica com cenário muito bom para eles e também os representantes do governo. E onde não estamos no comando não somos um zero à esquerda, estamos sempre muito próximos do nível de influência de nossos adversários.

O que não podemos nem devemos é ser incoerentes, nos atirando em um projeto sem ouvir todos, sem dialogar bastante. Cada um da base aliada é muito importante para esse projeto. Teremos mais tranquilidade com o alcance da unidade e com a valoração de todos os que estão na base. Vilmar Rocha [secretário de Cidades e Meio Ambiente e pre­sidente do PSD em Goiás] é muito importante e teria sido eleito senador se houvesse mais dez dias de campanha em 2014; da mesma forma, Lúcia Vânia é uma senadora combativa e de muita história em Goiás, que nos ajudou de forma imensa nesses anos e teve sua filha, Ana Carla Abrão fazendo um trabalho homérico na Secretaria da Fa­zen­da para segurar o Estado; Wilder Morais (DEM), sempre que solicitado, está pronto para atender ao go­vernador Marconi Perillo. São ações que cada um tem e que, em determinada hora, precisarão estar à mesa.

Cezar Santos – Todos serão contemplados?
Têm de ser. Cada liderança é muito importante para a saúde da base aliada. Não podemos desrespeitar ninguém. Maguito Vilela (PMDB) perdeu as eleições quando fechou as portas da vice-governadoria ao PT. Por isso, a cada liderança que perdermos, com ela perderemos um pouco de votos. Ocorre também o seguinte: o eleitor da base aliada em Goiás é muito atento e sabe que nosso adversário histórico é o PMDB. Todos os que saíram dessa base e mudaram de rumo fracassaram: Barbosa Neto saiu candidato e não teve votos; Demóstenes Torres teve uma votação fraca em um projeto individual para governador em 2006, sem o apoio dessas duas forças.

Em Goiânia está provado como isso funciona: enquanto o Brasil inteiro buscou alternativas para a gestão das cidades, aqui temos o prefeito mais velho do País, justamente por causa dessa polaridade das eleições. Quem sai fora disso fracassa. Quando Rachel Azeredo [então deputada estadual] saiu candidata a prefeita eu era do mesmo partido dela, o DEM, e o partido tinha compromisso com o candidato da base, Sandes Júnior (PP). Eu disse a Ronaldo Caiado em uma reunião para não nos dividirmos, já que o governador nos tinha dado um senador, Demóstenes Torres, e eu temia que a votação de nossa candidata fosse pífia, o que realmente ocorreu.

Goiás tem uma cultura diferente, se observarmos o País como um todo. Aqui, Iris Rezende está eleito e é prefeito por conta das pessoas que acreditam em seu projeto e em sua força; da mesma forma, do outro lado estamos nós, os marconistas e a base aliada. Essa polarização existe, como vai existir sempre a extrema dificuldade para quem não entender isso e ficar fora desse processo. Esse vai estar sempre fadado ao fracasso.

Marcos Nunes Carreira – Isso se aplica a todos os casos, realmente?
Sim. Vamos pegar como exemplo a eleição a senador em 2014. Nós tínhamos Vilmar Rocha como candidato e Ronaldo Caiado, o favorito, estava em seu grande momento, com muita visibilidade. Mas, não fosse o apoio do PMDB, mesmo estando muito bem pessoalmente naquele momento, ele teria perdido a batalha eleitoral para nosso candidato, bastava que a campanha tivesse mais dez dias.

É esse, aliás, o candidato que está se colocando ao governo para nos enfrentar amanhã: alguém que não tem base no interior, alguém com visão retrógrada, alguém individualista e alguém que está usando o PMDB para se sustentar em sua postulação. Caiado sabe que no partido dele é só ele mesmo, não tem mais ninguém. Então, se ele se agregar ao PMDB, pode fazer uma polarização conosco; mas, se houver um candidato do próprio PMDB além dele, Caiado estará fora do processo.

Euler de França Belém – O sr. falou das contribuições de Lúcia Vânia e Wilder Morais no Senado, para as questões que envolvem Goiás. E qual seria a contribuição de Ronaldo Cai­ado para o desenvolvimento de nos­so Estado desde que se tornou senador?
A não ser o fato de Caiado ser contra tudo o que se refere a Goiás, não vi nenhuma ação parlamentar de relevância por parte dele – totalmente contrário ao que fazem Lúcia Vânia e Wilder Morais, que sempre o contestaram por conta de suas posições. Ronaldo Caiado faz política com o fígado, tornando-se contra o governo de Goiás por causa do governador Marconi e não conseguindo olhar para o Estado tendo em vista os seus 7 milhões de habitantes. Quais são as ações positivas dele pensando no desenvolvimento da economia goiana? Nenhuma! (enfático) E o eleitor precisa estar atento a isso, precisa ver que projeto cada um tem.

Quando estou na Assembleia Legislativa, votando agora medidas desgastantes, mas importantes para o Estado, não penso em minha reeleição. Claro que eu também trabalho para isso, mas preciso entender que existe uma população inteira que precisa de ações reais, mesmo que isso custe desgaste. Entretanto, o senador Caiado prefere apenas ter um discurso para ficar bem com a opinião pública e participar de passeatas em São Paulo, não em Goiás. Todas as suas ações são fora do Estado. Agora, é óbvio, precisa do PMDB como muleta para efetivar seu projeto pessoal por aqui.

Euler de França Belém – Mas por que Caiado aparece em 1º lugar em to­das as pesquisas de intenção de voto?
Porque seu discurso é populista, alicerçado sobre ações de governo que geram desgastes, sobre uma crise por que os Estados e os municípios estão passando. Caiado vende as facilidades, a esperança, tudo aquilo que o eleitor quer ouvir. Porém, da mesma forma que em 2014, mesmo estando em seu melhor momento, ele perderia a eleição com mais dez dias de campanha, esse candidato deveria pensar sobre isso. Ronaldo Caiado não tem lideranças no interior, não tem base de sustentação, vai estar sozinho. Se conseguir agregar o PMDB, porém, certamente terá força política.

Euler de França Belém – Em 2018, vocês terão 20 anos de desgaste, por estar no poder durante esse tempo todo. Foi o discurso da renovação que levou essa base aliada ao governo em 1998. Como convencer a população de que esse grupo ainda pode representar alguma renovação?
O governador Marconi se mo­dernizou e se renovou a cada mandato. Basta ver agora, quando, em plena crise e procurando encontrar uma saída, ele idealizou o Consórcio Brasil Central, reunindo dez governadores para discutir o Centro-Oeste e agregando fundos de exportação para esses Estados. Uma luta do governador puxada por esse fórum culminou na conquista do repasse dos recursos da repatriação – foram quase R$ 400 milhões para Goiás, além do que veio para os demais Estados participantes. O governador deu condições para que esse bloco econômico ganhasse força e tomasse conhecimento de seu poder. Esse grupo do consórcio Brasil Central tomou consciência de que é ele que sustenta o País, com suas exportações, produção agrícola e indústrias. Repito: tudo isso em momento de crise.

Da mesma forma, também em cenário desfavorável, Marconi Perillo executou reformas importantes, colocando Goiás em posição de destaque no que diz respeito às contas e aos índices de desenvolvimento. Sem dúvida, enquanto o Brasil passa por uma situação difícil, estamos nos livrando de estar no olho do furacão por causa da visão do governador que temos. Essa questão dos 20 anos no poder vai estar na boca da oposição, mas como dizer que esse grupo que ele representa não se renova? Pelo contrário, o governo Marconi e a base que o representa são o que há de mais moderno no Brasil de hoje.

Patrícia Moraes Machado – O sr. diz que, com mais dez dias, Vilmar Rocha estaria eleito em lugar de Caiado. Mas uma das causas de isso não ter ocorrido foi que a base se convenceu muito tarde de que poderia elegê-lo. Agora, com a antecipação da escolha de José Eliton, essa mesma base já está convencida da força desse nome? Não há o risco de se repetir o que aconteceu com Vilmar?
De forma alguma. Se Vilmar tivesse seguido as orientações que lhe foram dadas desde o começo dos programas de TV, ele seria hoje senador. Ele, como candidato, trabalhou muito e teve muita vontade, mas o governador Marconi acreditou muito mais na eleição dele do que o próprio Vilmar. Nós trabalhamos como nunca para que ele fosse eleito, isso contra um adversário que estava muito bem posicionado. Então, quando as urnas se abriram, observamos que, se tivéssemos tomados outras medidas, poderíamos ter conseguido. São ações que poderiam ter sido implantadas pelo próprio candidato para animar a base – e não estou dizendo que a derrota seja sua culpa, mas, se alguma coisa mudasse, com certeza teríamos mais um senador trabalhando por Goiás no Congresso.

José Eliton vai assumir o governo por nove meses, a partir de abril do ano que vem. Será um diferenciado, que já conhece o Estado como a palma da mão e anda por todos os municípios, trabalhando e conhecendo as ações. Os prefeitos o respeitam e – o mais importante – nas pesquisas ele já está alcançando 17% a 20% nas pesquisas. É um quadro muito melhor do que imaginaríamos para o momento atual. Tenho plena certeza de que, em julho do ano que vem, José Eliton estará liderando todos os cenários.

Euler de França Belém – No início da conversa, o sr. disse que a base está se agregando. Mas uma das críticas dos próprios deputados é de que o líder do governo na Assembleia é um dos elementos desagregadores. Seis parlamentares já me disseram isso e um dos que dizem isso e me au­torizou a dizer o nome é Hen­ri­que Arantes (PTB), que chegou a su­gerir sua destituição. O petebista o acusou de ter ido até eleitores da ba­se dele e dizer que resolveria os pro­blemas que o próprio deputado não estava conseguindo. Isso procede?
Não, isso não é verdade. Estive com o próprio Henrique Arantes, que estava tendo uma versão distorcida da história. A questão é que há uma região em que nós dois temos vários prefeitos em nossa base. Assim, fizemos uma união de forças em prol daqueles municípios. Dessa forma, eu fui ao palanque dele e ele veio ao meu. Nunca tive interesse em cooptar prefeitos aliados a ele. Foi um caso que acabou sendo esclarecido não só por mim, mas também pelos próprios prefeitos. Desafio qualquer parlamentar a dizer que invadi qualquer cidade. O que sempre há é o “diz que me diz”. Henrique tem uma postura muito forte e transparente, sempre foi assim, e eu o respeito. De sua parte, ele sabe do respeito que tenho por ele e por seu pai [o deputado federal Jovair Arantes, presidente estadual do PTB]. Tudo está totalmente esclarecido.

Euler de França Belém – O PPS também está reclamando de sua interferência.
Repito: não interferi em lugar algum. O que ocorre é que alguém ouve minhas palavras e quer tirar conclusões. É claro que não sou nenhum “morto”, sou atuante, mas sempre com lealdade, sinceridade e coerência. Jamais interferi na base de ninguém. O que digo é para cada parlamentar cuidar bem de seus prefeitos, como eu cuido dos meus. Nessa linha, quero novamente lançar o desafio a qualquer parlamentar a comprovar que eu tenha interferido em qualquer base.

Patrícia Moraes Machado – Ainda há uma vaga, em tese, que está a­berta ao Senado. Lúcia Vânia fez um grande trabalho, mas que a po­pulação não sente os efeitos de for­ma direta, pois é algo que ocorreu diretamente dentro do Congresso. Temos também Wilder Morais, que vem trabalhando por todos os prefeitos e tem uma forma mais cativante de atuação. Como, no fim, será a escolha desse candidato?
O governador Marconi diz sempre para quem quer concorrer que trabalhe e que faça sua parte. Ele dizia “trabalhe e você poderá me suceder”. Ele não era candidato em 2014, mas essa candidatura acabou lhe sendo imposta. Ele virou o nome da base a partir de 2010 imposto pela base, embora o que ele quisesse naquele momento era construir um sucesso. O que ocorre é que nenhum político consegue impor um nome sobre prefeitos, partidos e qualquer situação.

Lúcia Vânia é uma senadora que, caso não fosse seu trabalho em Brasília, posso afiançar, não estaríamos bem em Goiás como estamos. Mas, como você disse, precisa estar mais envolvida diretamente, com ações políticas mais voltadas para nossa base, estando mais presente ao lado do governador Marconi e do vice-governador José Eliton, porque nós já temos um projeto. Lúcia tem o respeito de todo o Estado, mas, se não fizer seu trabalho junto aos prefeitos e a todos os partidos, vai ficando “de escanteio”. Sua presença nos eventos e em todo o processo precisa ocorrer de forma forte. É preciso dizer que é incontestável o que Lúcia faz, seria idiotice não reconhecer. Mas só isso não basta, é preciso que ela se mostre presente. O que não pode é ela andar mal acompanhada, com más companhias – a gente sabe, e ela também, como Ronaldo Caiado se comportou em outras eleições. O projeto de Lúcia, em minha avaliação, está calcado na base aliada. E volto a reforçar: quem saiu da base aliada teve votações pífias.

Euler de França Belém – Maguito Vilela me reiterou que não vai disputar a eleição. O sr. acha mesmo que a tendência seja haver uma disputa entre José Eliton, Caiado e Daniel Vilela (PMDB)?
Eu creio que sim. Daniel é um nome forte e vejo que essa situação por que ele passa em relação à Odebrecht foi por causa de ajudas de campanha, algo que era oficial no Brasil desde 20 anos atrás. É um jovem atuante e tem trabalhado seu nome. O PMDB, pelas cidades que tem e pelos quadros que possui, não tem por que abrir mão de uma candidatura. Ronaldo Caiado só trará seu nome, então não acredito que o PMDB vá se restringir a apoiar um candidato assim.

Augusto Diniz – Quando o sr. diz que uma vaga de senador será de Mar­coni e a outra está em aberto, citando os dois atuais senadores, me vem à cabeça que há outros pos­tulantes à mesma vaga dentro da base aliada. Como fica essa situação?
Eu citei Lúcia e Wilder como candidatos por eles estarem no mandato e terem um direito natural de disputarem a reeleição. Temos ainda o nome de Vilmar Rocha, que voltou a declarar sua intenção de disputar o Senado; também João Campos [deputado pelo PRB], que é meu amigo e tenho defendido sua reeleição à Câmara, porque um projeto ao Senado é muito grande. Do outro lado, na oposição, também há dificuldades para definir a chapa, não está tão simples assim. Alguém que pensar que vai sair da base e encontrar vaga garantida do outro lado pode se dar mal.

Deputado Francisco Oliveira: Não invado base de ninguém. Não tenho interesse em cooptar prefeitos aliados”

Euler de França Belém – O vereador Jorge Kajuru (PRP) se dizia candidato a deputado federal, mas agora já cogita disputar o Senado. Seria um forte candidato?
Não vejo Kajuru como alguém com chance para a vaga de Senado. É um nome que tem votos, que faz um discurso que a população gosta, batendo no governador, batendo no prefeito. É um “tribuneiro”. Entretanto, o eleitor é muito atento à definição dos candidatos da chapa majoritária. Basta ver o exemplo do Delegado Waldir (PR), que saiu de uma votação estrondosa para a Câmara dos Deputados e veio se achando um “hour concours” para a eleição em Goiânia, ignorando tudo e todos. O resultado a gente conhece, Iris bateu a eleição com facilidade, exatamente por conta desse tipo de escolha do eleitor.
Para deputado federal, creio que Kajuru consiga o objetivo de se eleger sem muita dificuldade. É uma postulação que combina bem com ele. Mas para o Senado, com essa avaliação diferenciada do eleitor, creio que vá fracassar.

Euler de França Belém – E sobre a deputada Magda Mofatto (PR), ela tem alguma chance ao Senado?
Magda é uma companheira e amiga que tem um partido e um nome. Tem a intenção de estar na chapa majoritária, mas penso que ela perdeu o “timing” nas eleições municipais. É uma liderança forte, mas tem de repensar seu projeto para outro momento. Em minha opinião a deputada poderia ser uma grande candidata a vice-governadora ou a deputada federal, de forma tranquilo, mas não tem base, hoje, para uma candidatura ao Senado. Tenho por ela o mesmo posicionamento que tenho por João Campos.

Augusto Diniz – O destino natural de um governador é sempre a disputa ao Senado na próxima eleição. Marconi ainda tem muitos contatos com Geraldo Alckmin [governador de São Paulo] e João Doria [prefeito de São Paulo], que são os dois possíveis candidatos a presidente pelo PSDB. Há ainda a chance de o governador entrar na chapa de um deles, como vice?
Tenho plena convicção que sim, isso pode acontecer. Marconi dispõe de muita força junto a seus colegas, por conta do Consórcio Brasil Central, e está preparado para uma postulação assim. Tem discurso para mostrar, é respeitado e pode buscar esse projeto nacional. Cacife e liderança não lhe faltam. Portanto, é preciso deixar claro: temos um candidato definido ao Senado, e é Marconi Perillo; se as portas se abrir para um projeto maior, com certeza estaremos juntos com ele.

Patrícia Moraes Machado – Como fica o PT para as próximas eleições em Goiás?
O PT goiano tem nomes respeitáveis e lideranças fortes, mas está pagando um alto preço – como aliás todas as agremiações partidárias vão pagar. Aqueles que não devem nada, que provarem os equívocos da Operação Lava Jato, sairão mais fortes – este é o caso do governador Marconi Perillo. Já os que estão envolvidos de forma profunda não vão poder fazer isso. Como o PT é o mentor, o criador dessa corrupção no País, está pagando o preço, o que a gente pôde perceber com a candidatura de Adriana Accorsi [deputada], uma pessoa séria, honesta e que tem o respeito da cidade. Não será diferente para as próximas eleições.

Patrícia Moraes Machado – Em termos de coligação, com quem o PT ficaria?
É muito difícil avaliar neste momento, a um ano e meio das eleições, mas entendo que o PT deverá marchar sozinho ou com movimentos de esquerda. Não acredito que o PMDB marche com os petistas em Goiás, em função das ações nacionais, que unem o partido ao PSDB, que foi o grande vitorioso nas eleições municipais do ano passado.

Patrícia Moraes Machado – E como fica a situação de Antônio Gomide? Ele teria de sair do partido para ter chance de ser candidato em uma eventual chapa com Daniel Vilela, então?
Acho que o PT talvez até possa marchar com o PMDB, mas isso dependerá da lucidez dos dirigentes partidários. Seria uma tendência mais natural em Goiás, por toda a história dos últimos anos, tendo em vista o que ocorreu em Goiânia, por exemplo. Se o PMDB aliar com o DEM, obviamente, o PT estará automaticamente fora dessa aliança.

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