Lincoln Tejota: “Para ser vice-governador tem que se posicionar politicamente”

Vice-governador e presidente do Cidadania atua nas costuras políticas para as eleições municipais, mas diz não perder o foco no trabalho que dá sustentação a gestão de Ronaldo Caiado

O Lincoln Tejota vem de uma família de políticos. Filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás e atual Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sebastião Tejota, e da ex-deputada estadual, Adalberta (Betinha) Tejota, ele se envolveu ainda na juventude com movimentos e atividades políticas. Em 2010 foi eleito deputado estadual pela primeira vez pelo PT do B. Em 2014 foi reeleito pelo PSD. Já em 2018, quando presidia o diretório estadual do PROS, entrou para a vaga de vice na chapa vitoriosa que tem Ronaldo Caiado (DEM) como governador.

Goiano, de 36 anos, graduado em Direito e em Gestão em Órgãos Públicos, Lincoln Tejota assumiu o presidência estadual do Cidadania, partido que trabalha para lançar candidato a prefeito em Goiânia e que promete estar presente nas composições dos principais colégios eleitorais do Estado. Em entrevista ao Jornal Opção, o  vice-governador demonstrou que está ativo nas costuras políticas, mas sem perder o foco na gestão do Estado.

Lincoln Tejota avalia que a pandemia causou um forte impacto tanto para os gestores públicos, quanto para as campanhas eleitorais. “Nunca se viveu um momento como este. Nunca tivemos um País tão comprometido financeiramente”, diz. Apesar da crise sanitária, o vice-governador se mostra confiante nas metas do plano de governo planejado para o atual mandato.

O Cidadania leva até o fim a candidatura de Virmondes Cruvinel a prefeito de Goiânia ou vai negociar com algum outro grupo político?Essa é uma resposta que vai não só da minha pessoa, mas do momento que o partido está passando hoje. O Cidadania teve a característica de esquerda muito forte e hoje o presidente Roberto Freire – uma pessoa que é detentor da minha profunda admiração por ser centrado como é – entende que a política velha não serve para o momento que nós queremos chegar com o País.

Candidatura nossa ela é real

Hoje o que estamos vendo pelo País afora é uma guerra de ideologias para um lado e para o outro. Ninguém apresenta um plano de crescimento e desenvolvimento para o País. O que mais pesa hoje é a falta de perspectiva. Vemos o Brasil afundado em discussões ridículas, muitas vezes incentivadas pelo próprio executivo. Então, respondendo a pergunta: o momento não cabe para o Cidadania negociar. Nós não estamos aqui para negociar esse momento. Nós não abrimos mão de ter uma candidatura que a gente acredita. E o Virmondes tem o potencial que nós acreditamos. É um deputado já de segundo mandato, foi vereador e é uma pessoa que tem uma carreira. É uma pessoa que tem conhecimento muito forte e ama Goiânia. Acreditamos que é o momento de colocar essa proposta para sociedade. Não é o momento de negociatas políticas.

Estamos vendo uma mudança muito forte no eixo da política, e acredito que seja na política mundial, parte disso incentivada pela pandemia, que tem testado Estados e Municípios. Aqui, enquanto ele (Virmondes) quiser e  enquanto ele tiver o desejo de ser candidato, a sua candidatura será patrocinada pela executiva nacional, estadual e, obviamente, pela municipal. Então a candidatura nossa ela é real.

E você considera que a candidatura e os projetos do Virmondes Cruvinel vão ao encontro do que o eleitor está interessado e tende a escolher para Goiânia?
Eu acredito. Eu acredito que o Virmondes já tenha história e vivência. Os pais dele também foram pessoas que tiveram destaque na política. Tiveram uma carreira profícua e ajudaram a construir um momento novo em nosso Estado.

Temos que entender que esse é um momento de construção. O que estamos fazendo hoje estará escrito nos livros de história daqui alguns anos. E eu quero saber que ajudei e contribuí. Esse momento pede uma política e um pensamento como o de Virmondes. Entendemos que a população quer uma política voltada para ela. Durante muito tempo o sentimento sempre foi do povo servir ao governo. E é o oposto. Toda a política foi criada para servir ao povo. Temos que abandonar as práticas e pensamentos que não vão ao encontro do que a população quer. Políticas assim não vão encontrar pouso no desejo da população de hoje.

Virmondes é um cara que pensa de forma moderna, diferente e que tem a juventude – que não é só de idade, mas de pensamento. Virmondes deixa claro pela suas ações e bandeiras que carrega como político que quer modernizar Goiânia e que deseja uma capital diferente.

Já tivemos bons prefeitos em Goiânia, mas o último grande prefeito, na minha exclusiva opinião, foi Nion Albernaz. Ele foi emblemático, professor e um prefeito que deixou um legado incontestável. Nion falava que o mar que banha Paris é o mesmo mar que banha Goiânia. E não há mar nem aqui, nem lá. O que ele se referia é a história, a tradição, o povo, a cidade linda… isso tudo pode ser construído.

Não vamos acordar e Goiânia será uma Singapura. Isso tem que ser construído. Passos modernos precisam ser dados. Eu acredito que Virmondes não só entende o desejo do eleitor, como também ele é essa pessoa que o eleitor espera.

Como não há coligação proporcional, o Cidadania montou uma chapa consistente para vereadores em Goiânia?
Estamos com perspectiva de eleger de dois a três vereadores. É um trabalho que já vinha sendo feito quando eu assumi o partido. Cheguei e tive oportunidade de colaborar junto com o Virmondes na montagem dessa chapa, mas de uma forma  muito branda. Era um trabalho que já vinha sendo desenvolvido com intenção dele de ser pré-candidato a prefeito.

Esse é um dever de casa eu que já fiz quando fui presidente do Pros. Quando me preparava para ir a deputado federal, por parte dos partidos da base do governador Caiado, só a Democracia Cristã e o Pros formaram chapa pura. Virmondes fez a mesma coisa.

A perspectiva nossa agora é de eleger de dois ou três vereadores. Eu não gosto de citar nomes porque acaba desmerecendo a chapa e toda ela é importante. São bons nomes e com nomes de mulheres. O partido está bem e num momento bom.

Quais são as grandes apostas do Cidadania para prefeito em Goiás?
Para prefeito em Goiás temos bons nomes, como do Roni Ferreira, em Trindade – que é um jovem vereador que já tem se destacado bastante. Em Ceres tem o Edmário Barbosa, que já foi prefeito e está extremamente bem posicionado. Em Bonfinópolis é o prefeito Kelton Pinheiro, que está indo para reeleição. Temos bom nome em Caçu, que é o Gilmar. Em Inhumas também temos dois nomes para decidir.

Entendemos que precisamos ser responsáveis também com os recursos partidários. No momento o Cidadania ainda não figura entre os que são detentores das maiores parcelas de recursos. Temos uma bancada com nove deputados federais e três senadores. Estamos trabalhando para elevar o partido.

Nesta eleição fizemos questão de incentivar candidaturas com chances reais. Não só lançar candidaturas com números. Poderíamos pegar 246 filiados e lançar em todos os municípios, mas isso é espuma. E queremos o crescimento real do partido. Todas as candidaturas, às mais de 60, tem potencial real de eleição. Além disso, onde não temos candidatura para prefeito, temos ainda os vices-prefeitos que estamos trabalhando chapas boas. Não só isso. Temos mais de dois mil pré-candidatos a vereador.

O presidente Roberto Freire, numa live organizada pela juventude do partido, nos deu destaque. Ele disse que Goiás e Paraíba foram os Estados que mais alavancaram o crescimento. Esse trabalho foi dificultado pela pandemia. Vamos lembrar que assumi o partido no começo de março e logo no dia 13 do mês veio o decreto estabelecendo os padrões mais severos para isolamento social. Naquele momento paralisamos esse trabalho. Não tínhamos condições de ir nas cidades do interior visitar o pessoal ou mesmo receber eles na sede do partido em Goiânia. A gente não pôde fazer esse trabalho e mesmo assim conseguimos alcançar um resultado.

Passamos a ser um partido que está na mesa para discutir

O partido sai extremamente favorecido desse processo, independente de qualquer resultado. Passamos a ser um partido que está na mesa para discutir. É um partido que tem vice-governador, que tem deputado estadual e estamos trabalhando para fazer pelo menos dois deputados federais nas próximas eleições. A intenção é atrair bons nomes e construir uma chapa de pré-candidatos competitivos. Estamos bem empolgados, o momento é bom. O partido tem um bom nome e tem um presidente que acredito que é um dos mais centrados naquilo que o Brasil precisa. De fato estou empolgado.

Como você acredita que será a campanha em um momento de pandemia? A internet será a principal forma de se apresentar para os eleitores?
Com certeza. Nós já temos incentivado todos os pré-candidatos e os que têm uma aptidão política para começarem a desenvolver e mexer em ferramentas de campanha na internet.

Na verdade a gente entende que uma das coisas que a pandemia fez foi acelerar o processo. Esse processo já é existente em demais  países. O meio digital para o candidato se relacionar chegou e é para ficar. Lá fora é possível ver que os eleitores não tem contato com o candidato. Ninguém vai na porta pedir voto. O que a pandemia está fazendo é acelerar esse processo em ambos os lados. Não é só para o lado do parlamentar, mas também para o lado do eleitor, que não se sente seguro nesse momento. 

Acredito que estamos navegando em águas completamente desconhecidas. Temos que estar abertos para mudanças e já aproveitar que é um momento de ruptura, e fazer isso de forma que atenda ao anseio da sociedade. Eu não posso responder pelos políticos lá fora, mas falando pelo Cidadania e pelo governo que eu faço parte, o foco nosso hoje é dar uma resposta que o povo quer. Essas eleições vão traduzir isso.

Não deixo de acreditar que haverá uma abstenção enorme. Os tribunais eleitorais já deveriam estar pensando em alternativas, como existe em outros países. Temos que começar a discutir o futuro do País e essa eleição  vai adiantar esse debate e dificultar sim para os candidatos. Eu acredito que vamos ver um resultado este ano de forma muito surpreendente.

Procede que seu pai, o Sebastião Tejota, está próximo de se aposentar do TCE?
Até onde sei não há isso. Ele está na casa dos 60 anos e a aposentadoria compulsória lá é com 75 anos. Esse é muito mais um desejo de pessoas que querem que ele saia de lá para tentar ir para essa vaga, do que dele mesmo. Da parte dele, nunca houve manifestação nesse sentido.

Falando sobre o governo. Pensando já em 2022, você acredita que se mantém na vaga de vice-governador ou pode abrir mão para outro postulante?
Não se luta e não se briga para ser vice-governador. Para ser vice-governador tem que se posicionar politicamente. Eu não planejei e nem estava no meu escopo ser vice-governador. Mas eu nunca neguei ou escondi de meus apoiadores e parceiros políticos o meu desejo de chegar no Governo do Estado e poder aplicar aquilo que eu acredito que seja política pública. Eu estou tendo a oportunidade de fazer isso hoje.

Quando me preparei para ir a deputado federal era um momento muito propício. Estava na presidência do partido, estava em no momento certo. Hoje, particularmente eu ainda me encontro politicamente mais confortável. Eu continuo na presidência de um partido, com mais confiança ainda da executiva nacional, com apreço e amizade do presidente do partido. E isso faz diferença.

Eu tenho condições de atender o Estado inteiro e fortalecer o meu nome. Ainda tem  muita água para passar debaixo da ponte. Essas coisas elas tendem a acontecer de forma natural. Eu tenho buscado cada dia mais entender e fortalecer.

O que nós precisamos é apresentar para sociedade um Estado que cresce. Assumimos o governo em um momento completamente conturbado no Brasil. O momento fiscal de arrocho grande foi mais complicado por uma folha e meia sem pagamento, mais de R$ 400 milhões em dívidas por atrasos para Organizações Sociais e R$ 73 milhões do Bolsa Universitária em atraso. O que nós fizemos: entramos e fomos agir em cima disso. Estabelecemos corte no custeio da máquina, diminuímos cargos comissionados e começamos a enxugar e gastar os recursos de forma inteligente e eficiente. Regularizamos a folha, apresentamos projetos de crescimento e logo que virou o ano veio o processo de pandemia. Recebemos o Estado com menos de 300 leitos de UTI, todos concentrados em três municípios goianos (Aparecida de Goiânia, Anápolis e Goiânia). Hoje já estamos com 611 leitos implantados em 16 municípios do interior.

Gosto do conceito de eleitor como clientela. Temos que trabalhar para esse cliente que paga pelo serviço que o Estado presta. Agora o cliente sabe o que quer e tem informação nas mãos. Mas em contrapartida nunca encontramos um País tão comprometido financeiramente.

Estamos trabalhando para entregar um Estado que cresce e caberá a população, lá na frente, avaliar se meu nome é bom e se o trabalho que eu fiz foi bom. O meu foco hoje é dar sustentação para que o governador possa fazer as mudanças necessárias. Quem quiser trabalhar para ser vice, a disputa está aberta, inclusive, eu estou aqui também.

O que é o programa “Goiás de Resultados”, que está sob a sua coordenação?
Assim que assumimos o governo todos nós nos deparamos com essa situação caótica e de dificuldade em entender que a maioria das coisas que as pessoas querem são passíveis de investimento por parte do Estado. Não se trata apenas de mudanças na legislação. Sabemos que a população quer, por exemplo, a regionalização da saúde, mas não acontece só com vontade política. Isso precisa de recursos. Duplicação de rodovias, criação de infraestrutura e criação de polos industriais requer investimento. Nas escolas do interior vemos que muitas estão passíveis de reforma, precisam de quadra de esportes e isso não acontece só com vontade política.

O programa visa dar resposta dar resposta definitiva para problemas históricos que a população tem clamor de mudança

Lá atrás quando nos deparamos com um emaranhado de situações que precisava organizar, o governador Ronaldo Caiado pensou logo em como dar soluções a esses problemas e não perder o foco das entregas que precisávamos implementar. Ele criou o programa “Goiás de Resultados”, que é patrocinado pela governadoria do Estado, eu sou coordenador. Ele visa focar principalmente nas entregas em pontos que a população mais tem desejos. São pontos que nós apresentamos durante o período eleitoral e que fazem parte do plano de governo. 

Na prática nós nos sentamos com os secretários, encontramos os gargalos, discutimos e vê o que é necessário. Por exemplo, nós não admitimos pagar R$ 2 mil para manter um aluno e pagar R$ 3 mil para manter um detento. A população não tem mais cabeça para isso. Pegamos os principais modelos que diminuem o custo do sistema prisional e que também ressocializa o preso. Onde está dando certo? Fomos em outros estados e agora estamos estabelecendo modelo próprio.

O programa visa dar resposta definitiva para problemas históricos que a população tem clamor de mudança e às vezes não vê.

E como que a recém-criada Secretaria Estadual da Retomada vai atuar?
Ela virá com a temática de geração de emprego. Há uma perspectiva hoje da taxa de desemprego chegar a 32% da população. Isso para Goiás representa 900 mil pessoas desempregadas ou um terço das nossa força de trabalho. E não tem governo que dê conta disso. 

O que o governador fez foi criar a pasta para esse foco, pegou as demais superintendências de outras pastas que trabalham nesse tema e que tem condições de discutir isso de forma mais eficaz e mais célere, colocando debaixo de uma coordenação única. Assim poderemos dar uma resposta mais ágil. 

O governador entende que o desafio nosso não é só a questão da saúde. A população tem contribuído e temos dia após dia focado nisso para não esquecer das medidas de segurança, mas nós sabemos que não tem máscaras para o desemprego.  Sabemos que não tem álcool em gel para uma crise financeira dentro empresa. E muitas vezes essas pessoas ficam a mercê da criminalidade, crianças evadindo da escola e não tem perspectiva. 

Essa secretaria visa dar uma resposta para o problema reunindo os principais focos e principais temas dentro de uma pasta só.

Como, mais tarde, o governo fará pagar a dívida do Estado (suspensa pelo Supremo Tribunal Federal)?
Existe uma preocupação minha desde que era deputado estadual. Nós temos discutido uma reforma e um pacto federativo. Temos que entender uma coisa: essa dívida é impagável. Da forma como está posta hoje nenhum Estado conseguirá pagar essa dívida.

Eu penso que é necessário um movimento nacional. Quando a gente cumpre nossas vinculações constitucionais e paga a folha do funcionalismo, o lastro para investimento é inexistente. O Estado não tem capacidade para endividamento. Como trazer desenvolvimento dessa forma?

Uma porcentagem grande do nosso orçamento fica como pagamento dessa dívida. Hoje estamos conseguindo viver nesse momento de pandemia justamente porque a dívida está suspensa. Assim estamos conseguindo pagar a folha, cumprir os compromissos e manter o Estado rodando. 

Distribuímos 500 mil cestas básicas e abrimos  hospitais, claro que o Governo Federal tem nos auxiliado, e ele não está fazendo favor. Não é bondade do Bolsonaro, ou de qualquer outro presidente que poderia estar lá. É obrigação. O presidente foi eleito para dar solução ao nosso problema e fazer com que os recursos cheguem.

Como você avalia as emendas (impositivas) dos deputados estaduais?
Eu avalio que o momento hoje é totalmente atípico. Hoje tem muito o olhar coletivo. A emenda eu sempre avaliei de forma positiva porque o Estado vê as situações de forma macro. Já a emenda visa atender o micro. É a ambulância que a cidade precisa ou determinado aparelho para o hospital do município. Muitas vezes o Estado não consegue ver essa capilaridade toda e fazer esse pente fino. O deputado consegue porque tem uma representatividade local.

O momento agora é onde todo o recurso tem que ser empregado para a retomada do crescimento do País. Eu particularmente acredito que o Legislativo entende isso. O Legislativo tem sido parceiro fundamental para sobreviver esse momento. O que eu fico feliz é por perceber que os deputados estão com esse entendimento. Mesmo em momento de pandemia e de período eleitoral. Sei que todos estão preocupados com sua base, mas eu fico feliz de ver que eles tem paciência. O governador tem demonstrado e estamos trabalhando para que possamos honrar as emendas parlamentares. E vai dar certo. Eu acredito muito. 

Como avalia a mais recente posição do governo sobre o combate à pandemia do novo coronavírus?
Eu não tenho como duvidar do que é feito aqui. É um caminho baseado principalmente na ciência. Obviamente que precisamos ponderar toda situação social que está acontecendo. Não se separa economia de vida. Não tem economia que se sustenta se o povo estiver doente, e vice e versa. Não são coisas que podem ser tratadas de forma separadas. Se perguntar hoje para qualquer governante, todos eles querem poder dar uma reposta e que se perca o menor número de vidas possível.

Muitos falaram que não era o momento de fechar o comércio (em março). Claro que era. Não tínhamos uma retaguarda que temos hoje em vagas de UTI. Imagina que hoje estamos de 80 a 90% de lotação nas vagas dos leitos de UTI. Mas estamos falando em 611 vagas que são ofertadas pelo poder público. Lá atrás não tinha nem 300. Ou seja, quantas pessoas estariam morrendo nesse prazo por falta de leitos?

É um inimigo invisível que não tem remédio comprovado e nem vacina.

Não ficamos parados, sem agir. Pelo contrário. Levamos a saúde para o interior do Estado. Hospitais em Porangatu, São Luís de Montes Belos, Formosa, Hospital de Campanha em Luziânia, Hospital de Campanha em Águas Lindas, Itumbiara, abrimos UTI em parceria com iniciativa privada em outras, como na Cidade de Goiás e Catalão.

Ninguém tem resposta definitiva para esse momento. É um inimigo invisível que não tem remédio comprovado e nem vacina. O que nos compete hoje é ser resiliente e tomar as medidas técnicas mais corretas para sair desse momento. O governador não politizou essa crise. Pelo contrário. Teve momento que ele foi extremamente criticado, teve momento em que teve indisposição com o presidente da República por manter o seu posicionamento. Me sinto muito confortável nas medidas que o governador tem tomado. Lamento muito por todas as famílias que já foram afetadas.

“Não podemos ser moroso porque estamos tratando da vida de todo mundo”

O senhor defende uma reforma ampla do secretariado?
Eu acredito que essa é uma avaliação que deve ser feita pelo governador. Não me compete neste momento dizer se é hora de uma reforma ou não. O governador consegue sentir isso de forma mais clara. Eu confio muito na liderança dele. Nós temos a liberdade. Ganhamos a eleição com 61% dos votos e isso só reforçou a independência política que ele (Ronaldo Caiado) sempre teve.

Ronaldo Caiado é um homem de resultados. Se o secretário estiver dando resultado ele vai continuar. Caso contrário, não haverá dificuldade em trocar. A gente tem que ser prático e rápido com o que é público. Não podemos ser moroso porque estamos tratando da vida de todo mundo. Essa avaliação é feita pelo governador de forma constante. Já vimos mudanças de secretários. Onde precisar e quando precisar ele vai fazer. Eu tenho total confiança na decisão dele. 

Como você avalia a execução do plano de governo e como a pandemia tem afetado essas metas?
Hoje é indiscutível que para qualquer governo entregar o plano de governo precisa de uma mudança na forma como as coisas estão acontecendo no País. A limites para que possamos fazer reformas e enxugar a máquina. Há compromissos que são inadiáveis e não são modificados, como o salário dos servidores e dos aposentados. Só isso já congela grande parte de nosso orçamento.

O que nós estamos fazendo é chegar em um momento em que o Estado tenha recursos, só que esses recursos vem da contribuição da população. Se a população está em crise e desempregada, consequentemente, o Estado sofre com isso.

Todo governador e prefeito hoje está preocupado com a retomada do comércio e da economia porque sabe que isso impacta diretamente na vida das pessoas. Não tem estado de direito que sobrevive com 30 ou 40% da população desempregada.

Hoje nós entendemos que essas entregas que estavam no plano de governo são passíveis de revisão porque precisam de recursos. Meu pai fala que para entregar uma obra precisa de dinheiro ou milagre. Milagre nós não aprendemos a fazer. O governador tem até se dado bem por ter conseguido as liminares da suspensão das dívidas. Não tem como dizer que a pandemia não impacta. Impacta sim e muito. O triste é saber que nós não fizemos um plano de governo politiqueiro. Fizemos um plano de governo ouvindo a população. E o recurso nesse momento é o mais difícil. 

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