Gustavo Mendanha: “Queremos continuar o trabalho para melhorar a qualidade de vida da população”

Candidato a reeleição, o prefeito de Aparecida de Goiânia diz que os avanços vividos pela cidade nos últimos anos precisam continuar e que é possível fazer mais

Candidato a reeleição em Aparecida de Goiânia, prefeito Gustavo Mendanha (MDB) diz que é um corredor nato. “Não olho para o lado, foco sempre na chegada. Meu foco é o dia 15 de novembro” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), tem apenas 38 anos. Mas está em campanha pela reeleição. Quem vê o índice de intenção de votos, com 74,6% na pesquisa estimulada Serpes/O Popular, até esquece do ano atípico e preocupante que viveu o emedebista. No início de 2020, Gustavo foi internado para tratamento de uma trombose venosa cerebral. Voltou para casa e Aparecida de Goiânia começava a sentir os efeitos da pandemia da Covid-19.

Na busca de um modelo para enfrentar a crise na saúde, o prefeito adaptou o modelo usado em Israel para combater a pandemia em Aparecida de Goiânia. “á testamos mais de 20% da população de Aparecida. Sempre com exames RT-PCR.” Enquanto tentava controlar o avanço da doença e se recuperava do tratamento médico, Gustavo foi convocado a dividir as atenções eleitorais entre Aparecida e Goiânia. O ex-governador Maguito Vilela (MDB) precisou ser internado para acompanhamento da Covid-19. “Não tenho dúvida de que Maguito será eleito prefeito de Goiânia”, declara.

Augusto Diniz – Na primeira rodada da pesquisa Serpes/O Popular, o sr. aparece com 74,6% das intenções de votos em Aparecida de Goiânia. O segundo colocado no levantamento nem é mais candidato, o vice-prefeito Veter Martins (PSD). Como o sr. recebeu o resultado da pesquisa? A situação é mesmo de tranquilidade na busca pela reeleição?
Recebi com muita alegria, mas também com muita humildade. Aumenta ainda mais a minha responsabilidade. Além de um momento registrado em uma pesquisa eleitoral, é o reflexo da situação que a cidade vive. Uma cidade que era cidade-dormitório, que era considerada uma cidade problema. As pessoas tinham até vergonha de dizer que moravam em Aparecida. E hoje temos, de fato, um sentimento de orgulho. Orgulho pela saúde que temos, pela educação, pelos investimentos que foram feitos na urbanização da cidade. Hoje as pessoas saem de casa, tiram fotos com as flores e marcam Aparecida na localização. Fico muito feliz. Além de um momento eleitoral, é o momento da cidade.

Augusto Diniz – O sr. acabou por assumir um compromisso duplo. Tivemos a confirmação na semana passada de que o ex-governador Maguito Vilela (MDB) está com Covid-19.
Maguito acabou de ser internado [a entrevista foi concedida na tarde quinta-feira, 22].

Augusto Diniz – A ida do candidato a prefeito em Goiânia pelo MDB para o hospital gera uma preocupação. E o sr. esteve com Maguito no final de semana passado. Chegou passar por um novo exame?
Ainda não fiz um novo teste. Decidi aguardar para fazer o teste na sexta-feira, 23. Mas não tive qualquer sintoma. Embora tenha encontrado com Maguito, estávamos os dois de máscara e ficamos distantes um do outro. Não tivemos um contato como tive com o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Vanderlan quando teve a confirmação de que estava com Covid-19, estive na casa do senador nos dias próximos ao resultado. Se não me engano, Vanderlan estava no sétimo ou oitavo dia. Fiquei do lado do senador sem máscara. Com o Maguito, nosso encontro foi de máscara, não fizemos aperto de mão. Mesmo sem manifestar sintomas, farei o teste.

Augusto Diniz – O sr. começou a participar de carreatas em ruas e avenidas que dividem as cidades de Goiânia e Aparecida, o que foi motivo de críticas, inclusive da primeira-dama do Estado, Gracinha Caiado. Como o sr. recebe as críticas a fazer campanha em Aparecida e Goiânia? Como tem sido a agenda de pedir votos em Aparecida para a sua reeleição e na capital para o candidato Maguito Vilela?
Sou um corredor nato. Não olho para o lado, foco sempre na chegada. Meu foco é o dia 15 de novembro. Se eu fosse escutar as pessoas, não seria político. No meu primeiro mandato de vereador, meu pai tinha sido deputado [Léo Mendanha] quando eu era um jovem desacreditado. Ninguém acreditava que eu seria eleito. Quando me candidatei a presidente da Câmara de Aparecida, todos diziam que eu não teria condições nem sequer de ser eleito, quem dera de conduzir os trabalhos do Legislativo. Fui eleito presidente. Depois fui reeleito sem adversário.

Quando fui candidato a prefeito, o descrédito das pessoas era gigante. Muitos diziam que votariam em mim, mas que sabiam que eu não conseguiria gerir o município. Tanto que Maguito avalizou minha candidatura. Sempre lidei com críticas naturalmente. Confesso que não entendo a motivação. Até tentei manter uma boa relação entre governos. Não levo isso em conta. Meu foco é a eleição. E continuarei a trabalhar focado nas eleições em Aparecida. Tanto é que começamos as carreatas em Aparecida. Fazemos trajetos de fronteira. Passamos em Aparecida, vamos para Goiânia, voltamos para Aparecida, depois passamos pela capital e voltamos para Aparecida.

Na quarta-feira, 21, eu fiquei arrepiado. No momento em que entrávamos em Goiânia, era muito boa a recepção em Goiânia. Não tenho dúvida de que Maguito será eleito prefeito de Goiânia. Poderemos fazer um trabalho em conjunto, principalmente para resolver os problemas da Região Metropolitana.

Marcos Aurélio Silva – Com o afastamento de Maguito da campanha em Goiânia, aliados assumir a agenda eleitoral do candidato. O sr. estará presente em parte dos compromissos do nome do MDB em Goiânia?
Me coloquei à disposição da militância, do presidente Daniel Vilela (MDB), do Agenor Mariano (MDB) e do candidato a vice-prefeito, o vereador Rogério Cruz (Republicanos), para, em algum momento, se entenderem que posso representá-lo. Na quinta-feira pela manhã, eu tinha uma reunião na Igreja de Cristo, em Goiânia, e falei em nome do Maguito. Em algum momento, serei chamado. É óbvio que estou focado na minha eleição. Embora tenha uma vantagem na pesquisa, não me exime de estar nas ruas e mostrar às pessoas o que fizemos e o projeto de continuar a melhorar a cidade. É o que continuarei a fazer.

Isto não é uma novidade de agora. Ao longo das últimas eleições, sempre fizemos campanhas casadas. Eu fiz com o prefeito Iris Rezende (MDB). Maguito já tinha feito com Iris em 2008. No limite, sempre fizemos trabalho em conjunto. Principalmente no segundo turno. Acredito que, se Deus quiser, serei eleito no primeiro turno. As pesquisas apontam para que isso ocorra. Claro que com muita humildade. Ficarei muto feliz se isto ocorrer. No segundo turno, eu estarei ainda mais presente na capital.

Augusto Diniz – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) levantou recentemente a discussão sobre o fim da reeleição, instituto que foi criado pelo tucano. Quatro anos não é tempo suficiente para fazer o que foi planejado para a cidade? Por que disputar a reeleição?
O índice de intenção de votos que tenho mostra que a população quer que eu continue. Sou favorável que tivéssemos mandatos únicos, mas que fosse por um período mais longo para ter tempo de fazer um planejamento, montar uma estratégia e realizar aquilo que foi proposto. Entendo também que com a pandemia nossos trabalhos foram prejudicados. Em 2020, tínhamos um volume grande de obras. Muita coisa foi feita, mas muitas realizações foram prejudicadas.

Pouquíssimas cidades do País atingiram o trabalho que fizemos em Aparecida, com muita testagem, como preconiza a Organização Municipal da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, abrimos muitos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e instituímos o escalonamento intermitente. Posso dizer que fui iluminado no dia que liguei para o embaixador de Israel, que me disse o que era feito no País e adaptamos o modelo para Aparecida. Não tenho dúvida de que os membros do comitê de combate à Covid-19 e da Secretaria Municipal de Saúde receberão prêmios. Foi o modelo que permitiu que as pessoas trabalhassem e, ao mesmo tempo, mantivéssemos a estabilidade. Em momento algum colapsamos a saúde do município.

Com esta mesma responsabilidade que quero continuar a trabalhar. Estou motivado. Tenho condição de fazer um grande governo. Até porque avançamos muito nos últimos dois anos. Melhorou a arrecadação e a infraestrutura, tanto física quanto tecnológica. Na terça-feira, 20, estive em Brasília para participar do 3º Simpósio Internacional de Segurança e falar sobre o case de Aparecida. Fui convidado porque as pessoas conhecem Aparecida pelo investimento feito em tecnologia. Queremos continuar o trabalho para melhorar a qualidade de vida da população.

Augusto Diniz – Qual foi a estrutura da saúde utilizada para atender os casos de Covid-19 em Aparecida de Goiânia? A cidade tem 512 mortes confirmadas pela doença. Como o sr. acredita que a cidade lidou com a pandemia?
Por várias noites eu perdi sono na busca de estratégias, conhecimento e em ligações com amigos que também tiveram de lidar com o impacto da pandemia na rede de saúde. Os modelos que mais me chamaram atenção foram o israelense e o sul-coreano. O que fizemos bastante foi testar a população. A média internacional é de 17 testes a cada 1 mil pessoas. Já testamos mais de 20% da população de Aparecida. Sempre com exames RT-PCR. Não sei se algum de vocês se submeteram a testes aqui na cidade. Dei prioridade aos jornalistas do Estado para que pudessem passar por exames de Covid-19 em Aparecida de Goiânia.

Tudo foi realizado com recurso próprio. Não houve qualquer contrapartida federal ou estadual. Goiânia criou 156 leitos de UTI. Criamos 130. A população de Goiânia é mais do que o dobro da de Aparecida. Com relação à pandemia, avalio que fizemos um trabalho muito bom. Colocamos 130 leitos do Hospital Municipal para combater exclusivamente a Covid-19. Os outros leitos continuaram a receber outros pacientes. Separamos as alas para estruturar o atendimento aos casos da doença.

Preparamos o Centro de Especialidades para funcionar como enfermaria e receber as pessoas que precisassem de leitos, mesmo que a situação não estivesse agravada. Mas o trabalho foi tão bem feito na testagem que nem precisamos utilizar o Centro de Especialidades. A testagem é importante para isolar a pessoa que está doente para evitar que outras pessoas sejam contaminadas. Realizamos inquéritos sorológicos nos bairros. Identificamos pessoa que estavam com a doença na forma assintomática.

Passamos a usar oxímetros em pessoas que têm comorbidades ou com idade acima de 65 anos. Um dos sintomas que evidenciam a escalada dos sintomas leves para a doença em sua forma agravada é a perca de oxigenação no sangue. Compramos 600 oxímetros, que são emprestados aos pacientes. Fizemos o dever de casa. Por isso, Aparecida foi a cidade do Brasil Central que mais criou novas empresas. A retomada rápida da economia, feita com responsabilidade, foi possível pela criação de leitos de UTI, a alta testagem e a implantação do escalonamento intermitente.

Augusto Diniz – O que possibilitou a retomada rápida das atividades econômicas? Aparecida não chegou a adotar o fechamento estadual.
Ao ver o modelo israelense, tive segurança para criar o escalonamento que nos deu a possibilidade de, se o número de doentes aumentasse, aumentarmos o número de dias de fechamento, o que permitia que as pessoas trabalhassem. Se estivéssemos no cenário verde, fechávamos um dia na semana. No cenário amarelo, o fechamento era de dois dias e o domingo. Nunca chegamos ao cenário vermelho, que seria de três dias de fechamento na semana, além do sábado e domingo. Chegamos em Aparecida apenas ao cenário laranja.

O grande problema que tivemos no Brasil foi a guerra ideológica. “Existe ou não existe doença? Mata ou não mata? É uma gripezinha ou uma doença grave?” Ficamos nessa disputa. Preciso concordar com o presidente: nosso País não aguentaria ficar todo fechado. Não temos a economia da Europa. Fomos inteligentes ao adaptarmos o modelo que permitiu que as pessoas trabalhassem, mas avisávamos ao empregador que ele precisava ajudar a combater a doença. Caso contrário, teríamos de fechar a empresa daquela pessoa. Trabalhador, amanhã você pode perder o seu emprego.

O fechamento, além de aumentar a taxa de isolamento, que em certo momento é importante, trouxe a consciência da utilização da máscara, de manter o distanciamento e de tomar o cuidado devido para evitar ser contaminado. Somos o segundo município acima de 500 mil habitantes com menor taxa de letalidade. Só perdemos para Florianópolis (SC). Com uma diferença: Florianópolis fez lockdown de três meses. Ficamos, no primeiro momento – eu não estava à frente da prefeitura, era o vice-prefeito [Veter Martins (PSD)] -, fechados.

Quando voltei ao exercício do mandato, retomei as atividades econômicas. Vivi dias de perder sono, porque sou filho de comerciante. Sei o que a realidade do comerciante e entendo o que estas pessoas viveram. Tivemos a inteligência de criar um modelo em que pudéssemos proteger as vidas. Em momento algum colapsamos a saúde. Em nenhum momento chegamos em 100% de ocupação de leitos. Tratamos não só o paciente de Aparecida de Goiânia. Muitas pessoas de outros municípios vieram para cá. E conseguimos manter o emprego. Por isso acredito que a retomada foi mais rápida.

Marcos Aurélio Silva – O sr. citou há pouco o aumento da arrecadação e da infraestrutura do município. Mas houve um impacto inegável da pandemia da Covid-19. O que o sr. em fazer a partir do início de 2021, se for reeleito, para enfrentar os danos deixados pela doença em diversas áreas?
O pós-pandemia será muito mais complexo do que a própria pandemia. 2020 é um ano praticamente perdido para a educação. Temos o desafio de inovar e ter criatividade na educação. Na saúde, começamos a preparar nosso profissional médico para o pós-pandemia.

Augusto Diniz – Como irá funcionar o serviço do médico pós-pandemia?
Preparamos o nosso profissional médico para lidar com os pacientes que tiveram Covid-19 e que poderão ter outros tipos de doenças agravadas. O Cocá [João Rodrigues, diretor de futebol da Aparecidense] teve Covid-19 há 60 dias. Ficou assintomático. Depois de 30 dias começou a passar mal, foi para a UTI e morreu. É uma doença muito nova.

Claro que nem todas as pessoas estes problemas, mas estamos a preparar a nossa rede com capacitação a partir do trabalho que é feito pela Secretaria Municipal de Saúde e também das consultorias que recebemos do Hospital Sírio-Libanês. Discutimos com o Sírio-Libanês a questão para cuidar deste paciente que apresentar qualquer agravamento no quadro de saúde em decorrência da Covid-19.

Augusto Diniz – A pergunta feita pelo Marcos Aurélio é importante porque é preciso fazer algo para recuperar a economia.
Fomos a primeira cidade de Goiás que autorizou a reabertura do comércio e dos shoppings.

Augusto Diniz – Liberar a volta do funcionamento dos cinemas não foi uma decisão controversa?
Não. Porque conseguimos criar uma rede de controle da doença. Se autorizássemos lotar o cinema, com certeza teríamos pessoas contaminadas. Se a retomada do cinema é feita com quantidade reduzida de público e com distanciamento, não haverá contaminação. Tanto é que desde a reabertura não houve uma disparada de novos casos na cidade. Tratamos a pandemia com muita responsabilidade. Tomamos sempre o cuidado de estudar para tomar as decisões.

Se liberássemos o cinema, a doença voltasse a ter uma alta de casos e houvesse a suspeita de que o contágio estava ligado ao funcionamento das salas de cinema, não tenho medo de voltar atrás em decisão alguma. Até o momento, tudo que temos decido veio de maneira planejada. Não houve qualquer equívoco nas decisões de reabertura.

Augusto Diniz – No início da pandemia, as imagens de vídeo de uma feira livre lotada em Aparecida de Goiânia chamou bastante atenção e causou preocupação das autoridades de saúde. O que foi feito a partir daquele momento para conter as aglomerações?
Os feirantes talvez sejam a parcela da população de Aparecida que ainda esteja um pouco chateada comigo. Fizemos um rodízio. Nas feiras acima de cem bancas, são permitidas em uma semana as fileiras pares e na outra as ímpares. E a montagem das bancas é feita no meio da avenida para evitar aquela quantidade de pessoas. Temos cinco grandes feiras livres, entre elas as feiras do Garavelo, Tiradentes, Cidade Livre e Vila Brasília. E o rodízio foi adotado para evitar a aglomeração de pessoas, o que geraria um risco maior de contaminação.

Augusto Diniz – O que permitiu a retomadas de visitas ao Complexo Prisional e às unidades de saúde com pacientes internados? Como será o funcionamento da visitação?
As regras do Complexo Prisional quem delibera é o Estado. A Defensoria Pública nos informou que o Estado havia liberado a visita de parentes, mas faltava a liberação da prefeitura. É importante ressaltar esta questão para não acharem que estamos a atuar em área que não pertence ao município. Atendemos a uma determinação da Defensoria Pública. O que nós fizemos foi adotar a portaria estadual no Complexo Prisional para atender ao pedido da Defensoria Pública.

Não sabemos quais foram os critérios analisados pelo Estado. As pessoas custodiadas no Complexo Prisional têm seus familiares que aguardam o contato, que é importante, com os parentes. O Estado decidiu, nós só acatamos uma orientação da Defensoria Pública. Nos hospitais, as pessoas que não estiverem com Covid-19, que utilizarem máscara e seguirem todos os protocolos de segurança poderão visitar os parentes internados. É importante na recuperação do enfermo a presença familiar. Liberamos as visitas com todos os cuidados possíveis. Se tivermos algum problema nas unidades de saúde, retomamos a proibição das visitas. Mas analisaremos diariamente, como sempre fizemos durante a pandemia, para avançar ou voltar atrás em alguns pontos.

Augusto Diniz – O auxílio emergencial foi muito importante para ajudar famílias que perderam toda sua renda na pandemia e segurar um pouco a economia. Há uma dúvida de como ficará a situação dos beneficiários do programa em 2021. O que o prefeito eleito em Aparecida de Goiânia precisará fazer para mitigar o impacto do possível fim do auxílio emergencial?
O governo federal fará este trabalho de auxiliar as pessoas em situação de vulnerabilidade. Atuarei para ajudar no empreendedorismo. Para os MEIs [microempreendedores individuais], micro e pequenas empresas, disponibilizamos uma linha de crédito, que já foi aprovada. Mas a legislação eleitoral impede uma série de ações.

Após as eleições – o calendário eleitoral se estende até o dia 31 de dezembro -, colocaremos uma linha de crédito à disposição do micro, pequeno e MEI. Porque a maior parte dos empregos são gerados através da micro e pequena empresa. Vamos ajudar as empresas a manter as portas abertas e garantirem os empregos. E o governo federal dará o auxílio às pessoas que estão em estado de vulnerabilidade.

“Quando fui candidato a prefeito, o descrédito das pessoas era gigante. Muitos diziam que votariam em mim, mas que sabiam que eu não conseguiria gerir o município”

Prefeito Gustavo Mendanha (MDB) em entrevista concedida aos jornalistas Marcos Aurélio Silva e Augusto Diniz: “Se eu fosse escutar as pessoas, não seria político. No meu primeiro mandato de vereador, meu pai tinha sido deputado [Léo Mendanha] quando eu era um jovem desacreditado. Ninguém acreditava que eu seria eleito” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Marcos Aurélio Silva – Retomar a economia será a sua principal bandeira da busca pela reeleição?
Esta é uma bandeira importante. Temos políticas de atração de grandes indústrias, o que acaba por gerar novas oportunidades. Empregos são gerados, o que traz tributos. É um ecossistema importante. Vamos ajudar o micro, pequeno empresário e o MEI, mas continuaremos a atrair as grandes indústrias para gerar uma quantidade gigante de empregos, o que alimentará a economia local.

Augusto Diniz – Qual impacto a implementação do sistema de videomonitoramento gerou na segurança pública?
Esta ainda é uma questão muito nova. Farei apenas uma comparação. Na gestão de Maguito Vilela como prefeito de Aparecida, foram instaladas 56 câmeras de videomonitoramento. Não utilizávamos inteligência artificial no município. Conseguimos reduzir a criminalidade em 22% com 56 câmeras. Estamos instalando 650 câmeras em ruas, avenidas, parques, praças, terminais de ônibus e locais que tenham grandes aglomerações, além de 2 mil em escolas, CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil], unidades de saúde e prédios. Nossas unidades prediais serão videomonitoradas. Nossa estimativa é de reduzir em até 70% a criminalidade.

Foi justamente este investimento que me levou a Brasília para palestrar no simpósio da Polícia Federal. Estava entre os participantes o [ diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre] Ramagem. Tive a oportunidade encontrá-lo e falar sobre o projeto. Após a eleição, o Ramagem virá a Aparecida para conhecer nossa estrutura. Falamos do videomonitoramento, mas esta é apenas uma fase do projeto Cidade Inteligente, que é voltado para a segurança. Se tirarmos Aparecida de Goiânia do Estado, Goiás tem pouco mais de 600 quilômetros de fibra óptica. Só Aparecida tem hoje 726 quilômetros de fibra óptica.

A cidade de Aparecida é hoje uma das mais conectadas. Isto será importante para conectar todas as informações para melhorar a segurança, a educação. Disse no simpósio que investir em saúde é investir também em qualidade de vida. Não só para fazer as pessoas se sentirem seguras, mas porque traz muita melhoria para a cidade. Nosso Data Center é um dos mais robustos em departamentos públicos. Trabalharemos o prontuário único eletrônico, no qual cada cidadão terá o seu banco de dados. Será importante para reduzir a fila na hora de fazer um cadastro de caneta e papel.

Além da eficiência na agilidade do atendimento, traz eficiência para o diagnóstico dos profissionais médicos. Se há todo o prontuário do cidadão, fica mais fácil descobrir que uma dor de cabeça talvez não seja só uma dor de cabeça. Pode ser algo como a doença que eu tive: uma trombose cerebral. Descobri porque fui fazer o exame. Se não tivesse feito o exame, talvez tivesse morrido. Será um sistema que ajudará o trabalho do médico.

Na educação, temos 50% das escolas com robótica. Levarei para 100%. É um compromisso. Fala-se muito na inclusão digital. E falávamos há pouco da inclusão social de pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade. Não sei se vocês assistiram a o Roda Viva com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que ele usou uma frase que achei fantástica. FHC disse que a situação agora mudou. Para a pessoa ser alguém, ela precisa estar conectada. É o momento que vivemos, independente da idade. Fernando Henrique tem 89 anos, é uma das grandes cabeças que o País tem.

Hoje todo mundo tem um smartphone na mão, que mede o tempo que você passa a utilizar o aparelho. Uma pessoa chega a ficar quatro ou cinco horas na internet no celular, em um jogo, conversando ou assistindo a um filme. Todo mundo hoje é assim. Temos de ensinar as pessoas a também utilizar o smartphone em prol da educação, de um curso profissionalizante, para que a pessoa desenvolva, através da cultura digital, e encontre uma nova oportunidade. É o que estamos a fazer na cidade de Aparecida. Não só com a inclusão à robótica nas escolas, mas como a inclusão digital para a terceira idade nos Cras [Centros de Referência de Assistência Social].

Tenho um sonho que é transformar Aparecida de Goiânia na cidade das startups do País. Disse isto para os delegados federais. Vou perseguir este sonho para que em um futuro não tão distante as pessoas tenham condições de ter uma vida melhor do que hoje. Logo depois de eleito, participei de um congresso com Maguito em Barcelona, na Espanha. Na primeira reunião com os secretários, disse que tinha um projeto pessoal e queria apresentar à minha equipe. Dos 21 secretários que estavam comigo, só três disseram que eu estava certo. Todos os outros perguntaram: “Não é melhor fazer asfalto?”.

Quando investi em digitalizar a cidade, não pensei na eleição de 2020. Ao invés de pensar em uma eleição, pensei nas próximas gerações. Sei que o investimento que fizemos colocará Aparecida não apenas no cenário nacional, mas, inclusive, no cenário internacional. É o que perseguimos.

Augusto Diniz – O que a árvore inteligente, instalada próximo à Prefeitura de Aparecida, significa no projeto de criação da cidade inteligente? A partir da árvore inteligente, o que será feito?
Tem a ver com a forma de pensar o novo mobiliário urbano, a internet das coisas. São objetos que as pessoas não veem ali um significado, mas tem um sentido. Aquela árvore transforma o solo em energia. As pessoas que estão na praça podem colocar o celular para carregar, ligar uma caixa de música para tocar. O que queremos é pensar este novo momento que vivemos. Um ponto de ônibus não precisa ser só um ponto de ônibus. Pode ser um espaço com um painel de LED no qual é colocada informação para a sociedade, com um painel solar para receber energia. É nisto que temos de pensar.

Exceto os elevadores, todo o prédio da cidade administrativa é alimentado por energia solar. O exemplo da prefeitura é o novo viés, da sustentabilidade. É preciso pensar no futuro. Não posso pensar só nos meus filhos, tenho de pensar nos meus bisnetos e tataranetos. Aparecida é uma das poucas cidades que faz um planejamento não para os próximos quatro a dez anos, mas para os próximos 50 anos.

Augusto Diniz – O sr. disse que a cidade mais inteligente, com maior cobertura de videomonitoramento, ajuda a combater a criminalidade. O sr. propõe a criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública. Como será a atuação desta pasta? Implicará em mudança na atuação da Guarda Municipal? Como se dará a integração às forças policiais estaduais?
Marcos Aurélio Silva – A presença da Penitenciária Odenir Guimarães no município influencia na proposta de criar a secretaria?
Há alguns anos, que não são poucos, mesmo na história recente de Aparecida, ganhamos o presente que se chamava Cepaigo, hoje Odenir Guimarães. O presídio estar em Aparecida de Goiânia, principalmente o semiaberto, traz uma série de problemas que nos obriga a ter uma atuação e, principalmente, um planejamento maior em segurança do que cidades que não têm um presídio. Tivemos em um passado não tão distante uma série de manchas criminais na cidade de Aparecida.

Há menos de três anos, uma universidade mexicana passou a fazer o ranking das cem cidades mais violentas. Saímos desta lista. É óbvio que o investimento em educação, saúde, mobilidade, transporte público, cultura, esporte, limpeza de lotes baldios e iluminação ajudam a combater a criminalidade. Fazem parte das ações de segurança. Mas por que criar a Secretaria Municipal de Segurança Pública? Está previsto na Constituição que a Guarda Municipal, além de fazer o trabalho de cuidar dos prédios públicos, também pode atuar nas ruas. Em Aparecida isto é feito.

Criar a Secretaria de Segurança Pública agora é blindar o momento que vivemos com todos os investimentos que foram feitos. Atuam juntos no Gabinete de Gestão Integrada a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] e a PRF [Polícia Rodoviária Federal]. Fazemos um trabalho de cooperação. A integração é muito importante. Fazemos algo aqui que é tendência. Defendo que a Segurança Pública não deveria se estadual. Deveria ser municipalizada, como na maioria dos países desenvolvidos do mundo. Quem lida com os problemas diários é o prefeito. Muitas vezes, até mesmo por questão política, um governador não coloca a Polícia Militar, não investe na Polícia Civil, na delegacia e municípios vivem em estado de precariedade.

Tenho uma parceria e não posso reclamar do secretário estadual de Segurança Pública [Rodney Miranda]. Inclusive fiz vários elogios públicos a ele. Mas queremos ter ainda mais. Tudo o que investimos e que pretendemos fazer, principalmente a partir da criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública, estaremos juntos no combate à criminalidade para reduzir a ocorrência de crimes em índices que talvez sejam inimagináveis.

Augusto Diniz – Houve um avanço na educação em Aparecida com a construção de CMEIs e escolas. Mas o que ainda falta para superar o déficit de vagas?
Não temos déficit no ensino fundamental. Temos na primeira fase, que são os anos da educação infantil. Estou muito preocupado com o que será do 2021 das escolas particulares. Não só em Aparecida, mas no Brasil. O governo federal ou o governo estadual deveria pensar em uma linha de crédito para auxiliar as escolas particulares de alguma forma. Várias escolas têm passado por dificuldade. Tenho conversado com as pessoas. Se estas escolas fecharem, teremos dificuldade de conseguir atender toda esta demanda.

Marcos Aurélio Silva – Os alunos irão migrar para a rede municipal.
Já temos hoje uma dificuldade. A máquina administrativa é muito inchada. Por isso o investimento em tecnologia é importante. O gasto é otimizado. Ao invés de precisar de um guarda em cada avenida, em cada rua ou em pontos de grande aglomeração, temos uma câmera. Aquela vigilância substitui o olhar de um ser humano da Polícia Militar ou da Guarda Municipal.

Ao mesmo tempo, é possível ter muita agilidade. Há a condição de avisar a viatura se houver uma ocorrência. O futuro é cada vez mais pensar em alguns mecanismos para facilitar atuação. Mas temos locais que não temos como substituir. É impossível substituir um professor em uma sala de aula. Mas onde é possível implantar um sistema mais eficiente, nós faremos.

Augusto Diniz – Hoje fala-se mais em Goiânia do que em 2016 na campanha da criação de incentivos fiscais para atrair indústrias e empresas. Aparecida vem com esta política nas últimas gestões.
É uma política que tem sido implementada há aproximadamente 20 anos.

Augusto Diniz – Nos últimos 12 anos, a política de incentivos fiscais foi ampliada.
Sim. Maguito fez algo para a cidade que talvez o evidencie como criador dos polos. Maguito investiu em infraestrutura, mobilidade, saúde e educação. Melhorou a condição de vida do cidadão aparecidense. Imagine um proprietário de uma indústria. Ele terá interesse em instalar uma indústria em uma cidade que não tem hospital, que não tem escola, que não tem um lazer para os filhos? Quando Maguito conseguiu trazer estes equipamentos públicos, que foram colocados em vários pontos da cidade, foi criado um ambiente favorável para que as indústrias viessem para a cidade. Isto ocorreu com mais facilidade e tivemos um boom nos últimos 12 anos.

Em 2009, quando Maguito assumiu o governo, tínhamos 6,5 mil CNPJs ativos. Maguito me entregou com 38 mil. Estamos passando dos 55 mil CNPJs ativos em Aparecida. De fato, nos últimos 12 anos tivemos um boom. Foi o investimento que foi feito na cidade que proporcionou este momento.

Augusto Diniz – O que agora vemos em Goiânia com diferentes nomes: polos regionais, polos de desenvolvimento, arranjos produtivos locais. Como Aparecida vai se posicionar com a concorrência da capital na busca por atrair indústrias e empresas?
Uma cidade não tem de concorrer com a outra. Tínhamos de criar um grande arranjo entre Brasília e a Região Metropolitana de Goiânia. Temos uma grande avenida para trabalhar. Os dois governadores deveriam conversar para fazermos aqui como é São Paulo e Rio, que se tornaram um eixo de desenvolvimento. É isto que temos de buscar.

De maneira alguma há a intenção de concorrer com Goiânia ou com Anápolis. Cada cidade tem a sua vocação. Temos de trabalhar em conjunto para melhorar. Se melhoramos Goiânia, Aparecida e Anápolis, melhoramos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de toda região. Vamos trabalhar juntos. Principalmente se Maguito for eleito em Goiânia. Temos condição de fazer este trabalho.

Augusto Diniz – A secretária estadual da Economia, Cristiane Schmidt, disse que é preciso diminuir o custo Goiás. Desde o início da gestão estadual, a titular da pasta defende uma política de redução dos incentivos fiscais. Qual é a situação fiscal de Aparecida hoje para conseguir manter a oferta de incentivos?
Todos fomos afetados com a pandemia. Temos a nossa estabilidade, continuaremos a investir na cidade e contribuir com os empreendedores que queiram vir para a cidade de Aparecida de Goiânia. Não podemos ir na contramão do que a maioria dos Estados têm feito. É o momento de tentar amenizar a vida das pessoas para que não tirem seus investimentos do nosso Estado, principalmente da cidade de Aparecida, o que faria com que perdêssemos receita e vagas de trabalho.

Augusto Diniz – Um dos outros candidatos a prefeito de Aparecida, o candidato Bruno Felipe (PSOL) criticou o sr. recentemente em uma entrevista na atuação no transporte coletivo. Disse que o sr só investiu em linhas que fazem ligação entre Aparecida e Goiânia. O sr. foi presidente da CDTC [Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos] por dois anos. Qual foi a sua atuação à frente da CDTC?
Fui o presidente da CDTC que teve coragem de abrir as reuniões. Tornei todas as reuniões públicas. O período em que estive à frente da CDTC não realizamos qualquer reunião fechada. Tivemos um grande avanço. Quem mora em Aparecida… Não sei onde o candidato mora. Talvez nem viva em Aparecida, o que é a situação de alguns partidos, e não conheça a realidade.

Nasci em Aparecida há 38 anos. Conheço a realidade. Fui usuário do sistema público de transporte. Fiz faculdade em Goiânia. Quando fui buscar minha formação superior, não tinha à época. Utilizava os ônibus quando bem garoto ir para o Shopping Flamboyant. Descia na BR-153, atravessava a rodovia, passava pelas Lojas Americanas, comprava uma Coca-Cola, um chocolate e ia assistir a um filme no cinema. Basicamente, o transporte de Aparecida era para fazer a ligação a Goiânia. Era uma necessidade nossa, até porque deixamos de ser cidade-dormitório, de ter as linhas entre os bairros. Foi um compromisso que fiz.

Quando assumir a CDTC, coloquei isto como meta. Conseguimos ampliar em 600 quilômetros as novas linhas. São seis novas linhas que perfazem toda a cidade. A pessoa saía do Terminal Araguaia para ir ao Buriti Shopping. Precisava ir a Goiânia para voltar a Aparecida. A pessoa saía do Terminal Maranata, tinha de ir ao Garavelo, depois à Vila Brasília para voltar para o Centro de Aparecida. Hoje as pessoas saem do Maranata por dentro da cidade e chegam ao Centro de Aparecida.

Muitas pessoas vivem e trabalham em Aparecida. Ainda temos pessoas que trabalham em Goiânia? Sim. Foi algo que me propus como candidato. Era minha bandeira: criar o transporte interbairros. Consegui. Vamos avançar para a Região Metropolitana. Melhorar a qualidade dos ônibus, aumentar a quantidade de veículos, ter internet, mais acessibilidade. São pontos que podemos avançar. Principalmente com Maguito eleito, podemos fazer um trabalho em conjunto para poder avançar neste sentido.

Augusto Diniz – Se não for Maguito o prefeito eleito em Goiânia, o sr. terá dificuldade em dialogar com outro gestor?
Tenho mais facilidade com Maguito. Somos do mesmo partido, temos a mesma vocação. Posso até dizer que aprendi a administrar com Maguito. Terei muito mais facilidade de lidar com os problemas da Região Metropolitana tendo alguém que tenho acesso e mais facilidade de trabalhar do que com outro partido ou candidato.

Augusto Diniz – Nas gestões do Maguito e do sr. foram construídos os eixos estruturantes de mobilidade em Aparecida. Como estão as obras? Foram todos concluídos? Quais obras precisarão ser continuadas pelo próximo gestor?
Este talvez seja um dos pontos mais importantes de desenvolvimento nos últimos anos. Maguito iniciou a construção dos eixos estruturantes. Foram construídas as avenidas Jataí, Norte-Sul 3 e Norte-Sul 5. São avenidas que facilitaram o deslocamento das pessoas entre Aparecida e Goiânia, o que fomentou a vinda de novas empresas para a cidade. A vocação de Aparecida é logística. Como ter uma vocação logística com dificuldade para se deslocar na cidade?

O Maguito iniciou e eu concluí os eixos Norte-Sul. Agora partimos para os eixos Leste-Oeste. Dei a ordem de serviço. As obras já estão em andamento. Na Região Leste, próximo ao Complexo Prisional, está em construção o acesso à Universidade Federal. Vamos receber um empreendimento importante, que é o Aeroporto Antares, um aeroporto privado. A tendência é de que a Região Leste da cidade tenha uma explosão nos próximos anos. Também investimos na mobilidade no Grande Garavelo, que parte do Madre Germana. As pessoas tinham de pegar a GO-040. A partir desta obra, as pessoas poderão passar por dentro de Aparecida. É uma obra que inclui novos eixos, pontos e bueiros.

Contraí o empréstimo em dólar. Com a alta da moeda norte-americana, tivemos um maior aporte. Eu e Maguito faremos uma parceria para construir o viaduto entre o Jardim Bela Vista e a empresa Metalforte, na BR-153. O viaduto da Metalforte é onde temos hoje um grande gargalo. Construí o Viaduto João Antônio Borges, que fica na entrada da cidade de Aparecida. Assim como fizemos nos últimos 12 anos, vamos dar sequência. A mobilidade é um dos pontos mais importantes.

O que também faz parte dos modais são as ciclovias. Aparecida tem hoje 70 quilômetros de ciclovias. Temos condições para os trabalhadores que querem utilizar as bicicletas para ir até um terminal de ônibus ou para ir ao trabalho.

Augusto Diniz – Como o sr. se posiciona sobre o projeto de retirada do trajeto da BR-153 do perímetro urbano de Goiânia e Aparecida?
Esta é uma luta antiga. Começou com Maguito, que tem falado bastante sobre este assunto. É importante para toda a Região Metropolitana, principalmente para Hidrolândia, Aparecida, Goiânia e Senador Canedo. Se tornou uma grande avenida. Existiu o compromisso da empresa concessionária de fazer a obra, mas precisava de um aporte que não houve. A concessionária está em processo de devolução da concessão. É uma das obras mais importantes para a Região Metropolitana. Continuaremos a lutar junto ao governo federal para tentar avançar com esta obra.

“Em 2009, quando Maguito assumiu o governo, tínhamos 6,5 mil CNPJs ativos. Maguito me entregou com 38 mil. Estamos passando dos 55 mil CNPJs ativos em Aparecida”

“De fato, nos últimos 12 anos tivemos um boom. Foi o investimento que foi feito na cidade que proporcionou este momento” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Marcos Aurélio Silva – É o exemplo de uma obra que precisa de uma parceria com o governo federal. Como se dará a gestão de Aparecida com o governo federal?
Sempre procurei ter uma boa relação com os governos, seja com federal ou estadual. Isto eu aprendi com Maguito. Governo não faz oposição a governo. Tenho tido muito acesso ao governo federal. Já me encontrei com vários ministros. Me encontrei com o presidente da República por duas vezes.

Nos governos anteriores, tivemos um aporte do governo federal. Talvez até pelo momento que o País vivia. Mas não posso reclamar. Na saúde os recursos chegaram, na infraestrutura também. Obviamente nós esperamos que possamos receber mais recursos para poder resolver todos os problemas que temos na cidade.

Augusto Diniz – Temos duas vacinas que lideram as pesquisas em avanço nos resultados para prevenção à Covid-19. Se, quando tivermos uma vacina, a primeira a chegar no mercado for a chinesa Cinovac, o sr. tem alguma restrição a um produto desenvolvido por um laboratório da China em parceria com o Instituto Butantan?
Nunca esperei solução de quem quer que fosse. A pandemia é uma prova disso. Cada um buscou a sua direção. Eu busquei a linha de chegada. Como disse, sou corredor. Foquei em algo e fui sempre naquele sentido. “Vai fechar. Vai abrir.” Fiz um planejamento, está dando certo, vou segui-lo.

Mantenho conversas, através da Embaixada de Israel, com duas empresas israelenses e com o governo para tentar ter acesso à vacina israelense. Se o governo federal disponibilizar, qualquer que seja a vacina, estará à disposição da população de Aparecida. Estou em busca de uma alternativa. Inclusive estive na Embaixada de Israel na quarta-feira, 21, para conversar sobre a vacina israelense para que o município possa comprar e colocar à disposição da população.

Augusto Diniz – O que o sr. pretende manter e implementar na área social em Aparecida a partir e 2021 se for reeleito?
Fizemos a compra de alimentos e a doação de cestas básicas. As pessoas são assistidas através da Secretaria Municipal de Assistência Social, principalmente as família que passam por momento de dificuldade. Prestamos toda a assistência que é devida. Vou focar muito nas pequenas empresas para não perder as vagas de emprego que temos na cidade. Sei que são as micro e pequenas empresas que, de certa forma, sustentam a economia, principalmente o ecossistema das famílias mais simples. Grande parte das empresas são negócios familiares. Vamos auxiliar para evitar que estas empresas quebrem para que não percamos empregos na cidade.

Marcos Aurélio Silva – A composição eleitoral que o sr. conseguiu montar para disputar a reeleição deve levar a mudanças na equipe de secretários. Se o sr. for reeleito com uma votação elevada, a liberdade será maior para montar o secretariado em 2021?
Não fiz qualquer tipo de barganha como colocar ou tirar alguém da prefeitura. Sempre trabalhei com planejamento. Sempre fui focado no trabalho. Na minha equipe tem vários políticos. Mas sempre cobrei muito da minha equipe que apresentasse resultados. É o grande diferencial que me faz chegar com esta vantagem nas pesquisas. Meu time trabalhou muito. Hipoteticamente sendo reeleito, iremos discutir quem continuará na equipe e se farei alguma mudança. Mas só depois da eleição. Estou muito focado em trabalhar, defender o meu legado e, principalmente, apresentar os projetos que tenho para dar sequência ao que realizamos nos últimos quatro anos.

Augusto Diniz – O que de fato ocorreu nas negociações entre o sr. e o vice-prefeito Veter Martins para que ele saísse da chapa, chegasse a lançar uma candidatura contra a sua tentativa de reeleição e desistir em seguida?
Fui pego de surpresa. Sempre me relacionei muito bem com Veter Martins, é um grande amigo. Acredito que com a candidatura do Vanderlan, criou certa cissura entre nossos partidos. É evidente que tenho uma boa relação com Vanderlan. Torço muito para que continue senador. Ligo para o Vanderlan e brinco com isto às vezes. É um parlamentar que tem me ajudado. Não reclamo do Vanderlan enquanto senador. Em breve teremos uma UTI coronariana a partir do auxílio do Vanderlan. O senador tem ajudado muito a cidade. Não tem como falar do Vanderlan.

Peço voto para as pessoas em Goiânia, mas não tenho condições de falar do Vanderlan. É meu amigo. Liguei para o senador recentemente… Ou Vanderlan me ligou no meu aniversário. Conversamos um pouco. Torço para que a eleição passe logo porque sou uma pessoa que cria relacionamento. Em eleições, alguns adotam a postura de falar mal, brigar e xingar. Depois não conseguem nem estar mais juntos. Sempre fiz uma campanha propositiva e continuarei a fazer. Falo muito bem do Vanderlan.

É evidente que com a candidatura do Vanderlan criou-se uma certa animosidade. Com o movimento que houve, Veter pode ter se sentido inseguro. O governador teria o chamado e lançado seu nome como candidato. Depois voltou atrás. É uma pessoa que gosto muito. Espero que estejamos juntos em breve. Principalmente com a amizade que tenho com a esposa do Veter, Kassy Anne. Acredito que tenha sido muito mais a ação do governador, o desejo ávido de ter um candidato na cidade, que fez com que o Veter colocasse o seu nome e depois voltasse atrás.

Augusto Diniz – O que o sr. chama de desejo ávido do governador de ter um candidato em Aparecida de Goiânia se consolidou no nome do Avante, Márcia Caldas. Mas o caso do Avante repete o que ocorreu com o PSD. Os dois partidos estão na sua coligação. Como está esta situação?
Na quarta-feira, o Ministério Público solicitou à Justiça Eleitoral que reconsiderasse colocar o Avante, PP, PSD, PV e PMN na nossa coligação. Até porque a ata foi feita para isto. O que ocorreu é que após as convenções, com a movimentação do governo, refizeram a ata. Só que sem chamar toda a assembleia, apenas os membros da direção. A legislação é clara. É preciso fazer uma convenção para poder convalidar aquele ato. Não tenho dúvida de que infelizmente ela não terá condições de disputar o pleito. Depois entrará com uma ação na Justiça, terá sua candidatura sub judice.

Mas chegará ao TSE e irá perder, porque foi feito errado. Na correria, perderam. E lamento, porque poderiam disputar o pleito. É uma mulher que respeito. Esposa de uma pessoa que foi meu secretário. É algo do jogo político. Mas a juíza da cidade já decidiu que os partidos voltem a fazer parte da minha coligação. Fico feliz não pelo erro, mas pelos candidatos a vereador. Praticamente todos os candidatos a vereador destes partidos estão no meu projeto. Eu tinha dificuldade de participar em reunião. Criava um imbróglio por causa da legislação. Estou participando de tudo. Fico feliz principalmente pelos candidatos e candidatas a vereador que fazem parte da minha coligação.

Augusto Diniz – O sr. passou por um processo de emagrecimento grande. Mas foi surpreendido no início do ano com uma trombose e teve de ser internado. Sua saúde hoje está boa para fazer campanha de rua? Tem alguma restrição?
Estou curado. Óbvio que um problema cerebral, como eu tive, é preciso tomar uma série de cuidados para não ter novamente. Com alguns exames, descobri uma disposição genética maior a ter trombose. Acho que nunca contei isso antes. Tenho 30% de chance a mais do que uma pessoa normal de ter trombose. É até um exame que pouquíssimas pessoas fazem. Eu tenho um dos melhores hematologistas do País, que trabalha no Hospital Neurológico, que descobriu que meu sangue é 4G/4G. Se perguntar para um médico o que é isso, ele não vai saber. A não ser aqueles médicos que trabalham nesta área.

Augusto Diniz – Qual é o nome do hematologista?
Dr. César Leite [Santanna]. Meu neurologista é o dr. Chico [Francisco] Azeredo [Bastos]. Fiz o exame e descobri. Fiz uma cirurgia, coisa simples. Ficou uma fístula na anestesia. Saía líquido da cabeça e vazava. Meu cérebro foi desidratando, teve dificuldade de se deslocar e três veias entupiram. Acredito que tive a trombose cerebral pela predisposição maior em ter a doença. Estou curado. Mas, com a Covid-19, meus médicos têm muita preocupação. Sou um cara corajoso, destemido. Só sei fazer isso. Eu adoro gente, adoro política. Estou indo para as ruas. A recomendação médica é para tomar muito cuidado, mas tenho um tesão de trabalhar e estou na rua.

Augusto Diniz – Das promessas feitas na campanha de 2016, quais o sr. não conseguiu realizar e pretende retomar se for reeleito?
Algumas coisas que iniciaríamos este ano foram adiadas em decorrência da pandemia. Tivemos de deixar atrasar e deixar para um próximo momento. Uma ação que iríamos lançar em maio e que tenho muito desejo de construir é o Hospital do Combate ao Câncer. Com a pandemia, a parceria que estava em construção com o Hospital Sírio-Libanês informou que precisava focar no combate à Covid-19. E nós precisamos contingenciar R$ 50 milhões para combater a Covid-19. Não tivemos condição de tocar o projeto. Mas é um desejo pessoal que tenho de construir o Hospital de Combate ao Câncer.

Tínhamos 12 CMEIs licitados. Um embaraço no governo federal quando houve a mudança de gestão…

Augusto Diniz – Que tipo de embaraço?
Quando o presidente assumiu o cargo, todas as obras que não tinham sido iniciadas, mesmo aquelas que já estavam licitadas e com ordem de serviço, houve um pedido para paralisar e retornar o dinheiro ao governo.

Augusto Diniz – O dinheiro já estava empenhado?
Estava empenhado. Ingressei com uma ação na Justiça Federal. Ganhamos em primeira instância. Inclusive o dinheiro está depositado no caixa da prefeitura e espera a decisão das instâncias superiores. Como cumprimos tudo que estava previsto, acredito que o dinheiro ficará na prefeitura para construirmos os 12 CMEIs, que serão importantes para universalizar o ensino.

Concluir o projeto de cidade inteligente é algo que me causa um enorme entusiasmo. É um sonho de ver tudo isto se tornar realidade. Já fizemos muitos. Estamos a passos largos para tornar Aparecida de Goiânia uma cidade inteligente. Isto se tornará um case para todo o País. A construção das praças é algo que traz um sentimento de orgulho ao aparecidense. Não sei se vocês moram em Goiânia, mas eu, que nasci em Aparecida, talvez seja uma das poucas coisas que tinha inveja de Goiânia. Quando eu ia a um parque, aquilo me causava inveja.

Hoje nós temos isto em Aparecida. Mas quando se faz algo que é bom, todo mundo quer. Inclusive eu estava em um ato de campanha em um setor que tem um projeto de construir um CMEI em uma grande área. Quando cheguei ao local, um morador me disse “Gustavo, vou lhe fazer só um pedido, nunca lhe pedi nada: tire este CMEI daqui e construa uma praça”. Virou algo interessante. Nós florimos muito a cidade.

Farei uma homenagem a um grande prefeito que me trouxe inspiração. Além do Maguito, tem duas pessoas que sempre me espelhei muito. Um foi o ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB) nesta questão de embelezar a cidade. Estamos construindo uma praça bela e faremos uma homenagem justa, bem florida, a prefeito Nion Albernaz. E temos o nosso modelo de mutirões, que é o Prefeitura em Ação.

Foi algo que me tornou muito conhecido, que me levou para os bairros. As pessoas dizem que sou o prefeito vereador. Porque estou na esquina, vou a um supermercado, corto o cabelo em um setor e ouço a população. Tento resolver os problemas que escuto das pessoas. A partir disto, tenho condições de buscar soluções. Foi algo importante e que nos espelhamos no prefeito Iris Rezende (MDB). Com este espírito que quero continuar a trabalhar, sendo reeleito, para melhorar ainda mais a vida do cidadão aparecidense.

Augusto Diniz – O sr. citou a questão da obra que a pessoa vê e quer igual no bairro em que ela mora. Como é ver na propaganda eleitoral obrigatória de rádio e TV de Goiânia candidatos registrarem em cartório a promessa de construir um hospital municipal, proposta que tem como inspiração Aparecida de Goiânia?
Fico feliz. Nunca escondi que existe uma Aparecida antes e depois de Maguito. Sempre faço referência porque de fato se tornou meu grande mentor. Tenho um pai que é político. Não sei se meu pai fica meio enciumado. Mas digo que Maguito também é meu pai, meu pai político. Maguito fez muito. E qual era meu desafio enquanto prefeito? Escutei isto da boca do governador, do ex-governador. Ninguém acreditava que eu conseguiria colocar para funcionar todos os equipamentos públicos que Maguito tinha construído. Não só conseguimos, mas fizemos com excelência. O Hospital Municipal é prova disto.

Recentemente fui participar da sabatina da Fecomércio-GO [Federação do Comércio do Estado de Goiás]. Quando a sabatina terminou, três candidatos me disseram que só não me elogiaram porque eu daria vantagem para o Maguito. As pessoas hoje olham para Aparecida e se espelham. Eu fico feliz. Nós, que eramos o patinho feito do Estado, da Região Metropolitana, não só nos tornamos motivo de orgulho para a população, mas nos tornamos referência para as demais cidades.

Augusto Diniz – O sr. se referencia ao Maguito como pai político. Mas sabemos que Maguito tem um filho que é presidente estadual do MDB e um dos vice-presidentes nacionais do partido. Começam a surgir conversas de que pode haver uma disputa em 2022, caso o sr. seja reeleito agora, para o governo. O prefeito Iris Rezende acabou de fazer elogios ao sr.. Como está a sua relação com Daniel Vilela? O sr. tem a intenção de ser candidato a governador?
Daniel é um irmão na política. Nunca irei confrontar um projeto com Daniel. Sou extremamente leal. Tudo isto foi gerado a partir do comentário do Iris, que disse que daqui quatro anos eu estarei pronto para ser governador. Quando eu terminasse meu mandato, se reeleito, eu estaria pronto para ser governador. O nome natural do MDB é o Daniel. Não tenho dúvida de que daqui a dois anos o MDB voltará a governar Goiás. O povo tem saudade dos governos do MDB. Eu estarei junto como soldado, trabalhando para possamos chegar lá.

Marcos Aurélio Silva – Mexe com o ego do sr. saber que quando se fala em MDB no Estado o seu nome surge como o principal cabo eleitoral do partido?
Fico feliz de ver o trabalho ser reconhecido. Mas também não me esqueço de como cheguei aqui. Maguito construiu muita ponte, eu criei um arranjo, embelezei e entreguei. Tenho de saber que Maguito faz parte. Por isto, a partir do momento que soube que Maguito estava com Covid-19, me coloquei à disposição do partido. Não sou eu. Aparecida tem uma gratidão pelo Maguito. Mais do que isso. É reconhecer o que ele pode fazer para a capita.

É evidente que fico feliz de ver meu nome ser lembrado, de as pessoas estarem felizes com o que ocorre em Aparecida, de muitos candidatos a prefeito virem aqui e dizerem que querem copiar nosso modelo e levar para outra cidade. Eu não me esqueço que o trabalho não foi feito por mim, mas sim por uma equipe. Temos aqui não o dedo, mas a mão do Maguito. Estou falando do Maguito, mas poderia falar do Ademir Menezes, de outros prefeitos que foram importantes na história de Aparecida. Foram responsáveis por criar a base e consolidar.

Cheguei, abri a porta e entrei. Estou neste momento. Mas o momento não é meu, é da cidade. Preciso reconhecer que Aparecida melhorou. Muitas pessoas, os empresários, as universidades, vocês da imprensa, às vezes com críticas que são importantes para nós políticos fazermos uma avaliação e sermos mais assertivos. Não um momento pessoal meu, é um momenta cidade. E eu celebro com meu povo este momento.

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