“Goiás sairá muito brevemente desta situação desconfortável”

Deputado federal diz acreditar no poder de articulação do governador Ronaldo Caiado (DEM) para encontrar alternativas para tirar o Estado da crise financeira

Diego Sorgatto - Foto Fábio Costa Jornal Opção 13 editada

Deputado estadual Diego Sorgatto (PSDB) | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O deputado estadual Diego Sorgatto vive um momento de definição do futuro político. De olho na eleição municipal de 2020 em Luziânia, na qual quer ser candidato da união das forças da oposição contra o grupo do prefeito Cristóvão Tormin (PSD), o jovem de 28 anos não sabe se continuará no PSDB ano que vem. “Tomaremos a decisão ao avaliar a viabilidade dos partidos por uma sigla que tenha condição de aglutinar. Não podemos estar filiados a um partido que tenha restrição às demais siglas.”

Os problemas no PSDB começaram quando Sorgatto resolveu apoiar o governador Ronaldo Caiado (DEM) na Assembleia Legislativa. Se colocou na defesa de integrantes da gestão, como a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli. O deputado diz entender que a reestruturação da rede de ensino é necessária pelo momento financeiro e que Goiás vai sair do caminho de dificuldade econômica em breve.

Euler de França Belém – O governo estadual, diante das dificuldades financeiras, conseguiu uma liminar do STF [Supremo Tribunal Federal] para suspender o pagamento de dívidas com bancos federais pelo período de seis meses. O sr. é favorável à inclusão de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal (RRF)? Resolve o problema de Goiás?
O governador tem buscado formas de resolver o problema financeiro do Estado. E na terça-feira, 25, teve uma agenda longa em Brasília (DF) no STF para falar sobre as tratativas entre o Estado e a União. Por mais que muitos imaginem, não temos acesso à situação real econômica do Estado. Sabemos que a situação é complicada, mas é uma discussão que parte muito da parte polícia, e não técnica.

Vamos apreciar na Assembleia uma proposta dos 2% da UEG [Universidade Estadual de Goiás]. Seria uma das condições para aderir ao RRF, ao abaixar de 27% para 25%. Queremos garantir os 2% da UEG nos 25% e não deixar esse recurso solto sem a obrigatoriedade do repasse por parte do governo. Precisamos saber a real situação econômica do Estado para decidir se a inclusão de Goiás no RRF é interessante ou não.

O que vemos é que o Estado, com a tomada de algumas medidas, não precisaria aderir ao Regime de Recuperação Fiscal e conseguiria caminhar com as próprias pernas. Confio muito o trabalho do governador e no poder de articulação.

Rodrigo Hirose – Quais medidas poderiam ser tomadas no Estado?
A que acabei de citar é uma das medidas. Diminuir o recurso vinculado daria a possibilidade ao governo de alocar os recursos nas áreas que mais precisam e enxugar gastos. Se houver a flexibilidade de 27% para 25% na educação, um recurso que pode não ser tão importante para a educação poderia ser alocado em outra atividade ou ser cortado para dar fôlego financeiro ao Estado para tomar suas decisões.

Confio muito no poder de articulação do governador Ronaldo Caiado (DEM) pelos anos que tem de experiência em Brasília. Caiado tem uma relação muito próxima com a maioria dos ministros, principalmente das pastas mais importantes. Na terça-feira, inclusive, teve uma audiência com o ministro Paulo Guedes (Economia). Goiás sairá muito brevemente desta situação desconfortável, o que deve ocorrer no segundo semestre.

Muita gente diz que o governador patinou em algumas situações, mas não sentimos isso no interior nas pessoas que formam opinião. Vi uma pesquisa recente no Entorno do Distrito Federal na qual Caiado aparece com índice de aprovação parecidíssimo com o que recebeu de votos na campanha eleitoral. Muitas vezes quem fala esse tipo de coisa vive na bolha do governo, mas na ponta a situação é outra.

Euler de França Belém – O deputado estadual Cláudio Meirelles diz que a UEG corre o risco de ser fechada. Na UEG ninguém admite a possibilidade, nem o governo. O que tem de verdade nessa história?
Dizer que a UEG corre o risco de ser fechada é jogar para a plateia. A UEG não vai ser fechada. O recurso que tem de ser repassado à universidade é repassado rigorosamente pelo governo. O próprio governador tem falando sobre isso. Mas não creio que seja um debate para o governador, e sim para a diretoria administrativa da universidade.

O recurso está indo para a UEG. Vimos nos últimos anos as falhas administrativas que ocorreram na UEG. Se tivessem mais competência para gerir a instituição com os recursos disponíveis, não chegaria na situação em que se encontra. Chegaram a avaliar o fechamento de cursos. Inclusive o de Pedagogia em Luziânia.

Não acredito que haja chance de fecharem a UEG, porque o dinheiro tem sido repassado. Se for necessária uma mudança, que seja feito um choque de gestão para que a universidade comece a funcionar direito.

Euler de França Belém – Como está a questão das mudanças no Protege, que muda a destinação nas áreas de saúde, educação e rodovias?
Tive uma conversa com o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSB). O presidente me disse que conversou com o governador na sexta-feira, 21, e Caiado estava com três projetos que gostaria de encaminhar à Casa. Mas ainda não tive acesso à proposta. Não conheço bem a proposta, quais são as alterações, para poder dizer o que penso sobre o assunto.

Depois da votação da PEC [Proposta de Emenda à Constituição] com aquela emenda que possibilita a reeleição de presidente da Assembleia, o governador pediu ao deputado Lissauer Vieira apoio em duas ou três matérias. Imagino que uma das propostas possa ser a das alterações no Protege.

Euler de França Belém – A Adial [Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás], empresários e economistas dizem que a longo prazo pode haver não só a redução dos incentivos fiscais, mas uma suposta campanha contra as empresas pode prejudicar a industrialização do Estado. O que o sr. pensa sobre isso?
A questão dos incentivos fiscais tem dois lados. Está instalada na Assembleia uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar essas situações, presidida pelo deputado Humberto Aindar (MDB). Os incentivos para os empreendedores, empresas e indústrias são importantíssimos. São a garantia da geração de oportunidade, renda e emprego.

Na região do Entorno, muito mais do que na Região Metropolitana, um dos principais complicadores sociais é a questão do desemprego. Se sair na rua em Luziânia, recebo de 20 a 30 pedidos de emprego por dia. Porque o povo não tem oportunidade de trabalho. Tem de ir para Brasília e outras cidades para conseguir emprego.

O incentivo fiscal é importantíssimo. Só que abriu demais no nosso Estado. Há várias denúncias de que pode ter havido distorções. E é o que está sendo apurado na CPI. Tem de existir o incentivo à geração de oportunidade, mas não pode abrir demais.

Rodrigo Hirose – É possível fazer alterações na Lei do Produzir para mudar que o modelo seja adequado, inclusive para que regiões que não receberam indústrias desde o início do programa?
Seria uma situação interessante. A concentração traz a disparidade social de regiões. As regiões do Entorno, Norte e Nordeste de Goiás deveriam ser priorizadas. Como podemos comparar a industrialização de Rio Verde e do Sudoeste goiano com o Entorno do Distrito Federal? Não tem como comparar. É um momento de priorizar essas regiões. Isso deveria partir de uma sensibilidade de governo.

No momento em que se verifica a vinda de uma indústria para Goiás, o secretário estadual de Indústria e Comércio e os responsáveis por conduzir a políticas de incentivos fiscais deveriam primeiro tentar atrair o investimento para as regiões que precisam mais para que haja a busca de um equilíbrio econômico e social. Percebemos que isso não ocorre.

Euler de França Belém – Nos 20 anos do tucanato no poder, o Entorno continuou a ser o patinho feito do Estado dos incentivos para a industrialização?
Recebemos alguns incentivos por parte do governo, vindos do Produzir e do Fomentar, para incentivar as indústrias a se instalarem na região. O ex-governador e seus secretários iam para a China e outros lugares do mundo para trazer empresas para determinada região de Goiás. Isso nunca foi feito como Entorno.

Não houve, por exemplo, a disposição de tentar levar a Heineken para Luziânia ou outra indústria para determinada cidade. Nos últimos 11 anos, nos quais tenho vivenciado a política diretamente, nunca presenciei essa articulação para a região. Há vários empreendimentos que aderem ao Produzir e ao Fomentar. Mas é preciso ir atrás do governo. Não há a disposição em tentar ajudar na industrialização.

Rodrigo Hirose – Quando o governador encaminhou à Casa a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], houve uma mudança no orçamento impositivo de 17% para 0,6%. Como está essa discussão?
Desconheço essa informação. Estava da forma que havia sido acordado.

Rodrigo Hirose – O projeto da LDO chegou à Assembleia com o orçamento impositivo estabelecido em 0,7%?
Exatamente. Deputado Karlos Cabral (PDT), presidente da Comissão de Tributação, Finanças e Orçamento, e o deputado Jeferson Rodrigues (PRB), relator, realizaram várias audiências no interior. Fizemos uma em Luziânia. Conversei com Karlos Cabral e o deputado me disse que o orçamento impositivo estava contemplado na lei da forma como havia sido acordado e aprovado.

Rodrigo Hirose – Quase em todas as áreas do governo, a questão financeira também preocupa a educação. A desvinculação de repasses à UEG não preocupa ainda mais a qualidade do serviço prestado pelo Estado, que neste momento fecha escolas para fazer economia?
Exatamente. Com o recurso previsto do ano passado para 2019, não sei qual seria o impacto em números. Se fôssemos desvincular os 25% da educação, reduzir para 23%, tirando os 2% da UEG dos 25% da educação, não sei quanto seriam os 2% em números. A secretária da Educação [Fátima Gavioli] tem feito um trabalho sério para otimizar. Tenho acompanhado isso de perto porque as reclamações chegam para nós deputados.

A escola estadual Caic, de Novo Gama – uma cidade que tenho a honra de representar na Assembleia -, tinha pouco mais de 200 alunos. E o custo da escola implicava ao Estado uma situação que daria para bancar mais de mil alunos. A secretária tem tentado resolver essa situação, mas é algo que gera desgaste.

Quando o dinheiro não é aplicado da melhor forma possível, porque é usado para custear uma escola que poderia ter mil alunos, mas só tem 200, é claro que gera um desgaste tirar os estudantes daquela unidade e transferir para uma unidade que está de três a quatro quilômetros de distância. A comunidade escolar formada por alunos, pais, mães, professores, alunos, diretores ficam irados com essa situação.

Nas condições de hoje, precisamos entender a atitude da secretária. Isso aconteceu no Estado inteiro. O que a secretário tem feito é para que haja uma adequação. Mas é difícil dizer porque não sabemos o impacto real nos recursos da educação. Se a secretária entende que a redução de 2% é prejudicial, deveria apresentar quanto a menor o Estado terá para aplicar na educação. É o momento de se fazer um estudo e ir à Assembleia apresentar os dados do tamanho do impacto.

Euler de França Belém – A reforma administrativa do governo Caiado ajuda a ajustar as contas do Estado?
O governo apresentou número que dão conta de uma economia superior a R$ 100 milhões por ano. Há grande possibilidade de ajudar.

Euler de França Belém – O sr. é favorável ao corte de gratificações?
Depende da situação. Mexer no bolso do servidor sempre é difícil. Mas em alguns casos defendo cortes. Deve ser discutido na Assembleia um projeto para que todos os vencimentos do Estado tenham como teto o salário de governador, o que geraria uma economia enorme para a folha de pagamento. São mais de 4 mil servidores que teriam de ter os salários reduzidos para equiparar o teto ao governador. É uma situação na qual sou favorável a cortar gratificações.

Euler de França Belém – Como enfrentar Judiciário e Ministério Público?
É sempre uma luta difícil. A Assembleia se torna uma vitrine. Somos prejulgados por outros poderes e pela população. Um cidadão que faz uma crítica à coisa pública não procura algo no Ministério Público ou no Poder Judiciário, busca é na Assembleia ou no governo do Estado. A crítica é direcionada a quem ocupa mandatos eletivos, que disputa voto, que dão a cara a tapa. Deveria ser o contrário. É algo que dificilmente vai mudar. Sempre seremos vitrine na qual as pessoas direcionam suas críticas, jogam pedras, muitas vezes sem ser justo.

Rodrigo Hirose – Os cortes atingiram bastante os serviços do Vapt Vupt e os Ciretrans [Circunscrições Regionais de Trânsito], principalmente no interior. Faltou planejamento ou mais critérios na hora de fazer os cortes?
A gratificação do Vapt Vupt no interior não foi cortada, aquela que varia de R$ 800 a R$ 1 mil. A que foi cortada é aquela para as pessoas que trabalham em Goiânia nos órgãos do Estado, como uma superintendência do Vapt Vupt. Aquele servidor que está no Vapt Vupt de Luziânia e recebe gratificação de R$ 800 continua a receber sem mudança.

Rodrigo Hirose – Mas na reforma foi aprovado um salário menor para os cargos de R$ 1,5 mil, que caíram para R$ 1,2 mil. Isso deve atingir grande parte dos servidores?
Com certeza. Mas são fatos novos. Não é uma mudança salarial para quem já está no Estado. É para quem entrar a partir de agora. Na situação em que nos encontramos, é preciso haver um entendimento de todas as partes de que é necessário melhorar. No interior do Estado é difícil encontrar um salário de R$ 1,1 mil, com uma gratificação de R$ 1 mil e um auxílio-alimentação de R$ 500, que chega a R$ 2,6 mil.

Euler de França Belém – A Reforma da Previdência em tramitação no Congresso incluir Estados e municípios diminuiria o desgaste. Se precisar ser feita na Assembleia, a pressão será muito grande dos setores corporativos. O que o sr. defende na questão da Reforma da Previdência?
Defendo que a Reforma da Previdência tem de ser feita. O problema vem de muitos anos. A situação é inviável. O governador tem defendido que se resolva em Brasília. Conversei com alguns deputados que têm total disposição em aprovar uma reforma estadual. Percebo um clima bastante favorável se a discussão chegar na Assembleia.

Euler de França Belém – No caso de um juiz que aposenta R$ 40 mil e passaria para um regime menos vantajoso não vai ser algo fácil de aprovar?
Mas é uma matéria impopular. Mas é necessário. É o famoso mal necessário.

Euler de França Belém – O sr. acredita que Estados e municípios ficarão de fora da Reforma da Previdência? O que o deputado Celio Silveira (PSDB) tem dito?
Não tenho conversado com o deputado sobre a Reforma da Previdência. Há um tempo não converso com os deputados federais sobre essa questão. Vamos aguardar. Estamos aqui para aprovar.

Euler de França Belém – Tenho ouvido políticos e moradores de diferentes regiões do Estado que tem reclamado da condição das rodovias estaduais. Qual é a situação das rodovias no Entorno?
As rodovias estaduais na região do Entorno estão com problemas pontuais. Na sua grande maioria estão bem conservadas.

Euler de França Belém – Mas bem conservadas pela gestão Caiado?
Também. Um exemplo é a GO-010, que pegamos pela saída de Senador Canedo e passa por Vianópolis até chegar a Luziânia, na qual eu passo três vezes por semana. É um trecho que abriu pouquíssimos buracos. A Goinfra [Agência Goiana de Infraestrura e Transportes] fez um trabalho de excelência ao tapar os buracos depois que fizemos uma solicitação. A GO-010 passou por reconstrução há muitos anos. Foi um trabalho bem feito pelo governo anterior.

Perto do Vale do Pamplona, na GO-436, abriram alguns buracos. Um produtor rural me mandou a reclamação. Mas problemas pontuais e. Na região do Entorno, não vejo problemas, apesar de sabermos de uma condição diferente em outras regiões do Estado. A Goinfra está funcionando. Mas a demanda é enorme.

“Dizer que a UEG corre o risco de ser fechada é jogar para a plateia”

Diego Sorgatto cineminha 1 - Fotos Fábio Costa Jornal Opção

Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Euler de França Belém – Os hospitais que a gestão Marconi Perillo (PSDB) começou a construir em Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas e Valparaíso de Goiás, que não foram concluídos, são um dilema.
Valparaíso nem começou a construir. Chegou a fazer a desapropriação da área, mas não chegou a iniciar a obra.

Euler de França Belém – É verdade que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), propôs assumir as obras dos hospitais regionais goianos no Entorno?
É um caso delicado. O prefeito de Águas Lindas de Goiás, Hildo do Candango (PSDB), que é presidente da Associação dos Municípios Adjacentes a Brasília (Amab), recebeu de auxiliares do governo do Distrito Federal um pedido para visitar o hospital da cidade para firmar parcerias. Mas acredito que esteja no lugar errado, porque deveria conversar primeiro com o governador de Goiás.

A obra é do governo do Estado. O secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino, que trabalhou e conhece com muita propriedade a região do Entorno, foi presidente do Instituto Base, conhece a real situação. Em conversa que tive com o secretário, Ismael lembrou quando o hospital de Luziânia foi fechado em 2016, que gerou um problema em Brasília com o afogamento da rede. O secretário esteve em Águas Lindas. As obras serão retomadas.

Não sabemos completamente os motivos de o governador do Distrito Federal ir a Águas Lindas, mas tem de conversar com o governador de Goiás para estabelecer uma parceria se quisesse de fato ajudar. E Ibaneis tem de ajudar, porque aquela situação gera um problema na saúde do Distrito Federal.

Euler de França Belém – Por que os hospitais não foram concluídos? As obras da unidade de Santo Antônio do Descoberto têm no mínimo 15 anos.
Ou mais. Acredito que seja falta de gestão e falta de vontade. Não faz sentido uma obra demorar tanto tempo.

Rodrigo Hirose – O governo anunciou a construção de quatro presídios: três no Entorno e um em Anápolis. No Entorno, apenas o de Formosa foi inaugurado. Além das obras dos hospitais, as dos presídios também estão paradas?
Em Águas Lindas, Valparaíso e Novo Gama têm também as obras das escolas padrão século 21, com várias paradas. São casos pontuais. Algumas construções são interrompidas porque a empresa que estava licitava para realizar a obra não tem viabilidade e quebra. Até fazer romper aquele contrato e fazer uma nova licitação demora.

Não sei qual é a situação dos presídios, mas temos casos uma empresa que construía seis unidades de escolas padrão século 21 e teve problema: uma em Cocalzinho, uma em Novo Gama e quatro em Águas Líndas. Estão todas com as obras paradas. O que é um problema, porque são todas escolas para atender mais de mil alunos.

E um dos maiores gargalos no Entorno é vaga em escola. Por isso existe o quarto turno, o chamado turno da fome. É preciso espremer a atividade da escola para poder fazer quatro turnos durante o dia. Isso ocorre em Águas Lindas, Vaparaíso, Luziânia. Derrubamos recentemente um veto na Assembleia de uma lei que cria um programa de integridade na contratação com a administração pública, que foi um pré-requisito do Ministério Público para termos acesso aos recursos recuperados da Operação Lava Jato para construir e reformar escolas.

Tenho tratado a situação com a secretária Fátima Gavioli para tentarmos acabar com o quarto turno. Ao mesmo tempo, a secretária da Educação tem trabalhado para conseguir retomar as obras paralisadas das escolas.

Euler de França Belém – A secretária tem recebido críticas no Entorno por fechar escolas.
A secretária tem feito um trabalho em todo o Estado para otimizar custos. É o exemplo que citei no início da entrevista. É complicado manter uma escola aberta com poucos alunos quando a capacidade é para mil estudantes. Onde hoje é a sede da Secretaria Estadual de Educação ocorria a mesma situação. Era um gasto exorbitante para atender pouco mais de cem alunos.

A secretaria recolocou os alunos em uma unidade mais próxima e consegue economizar recursos. Quero verificar com a secretária qual foi a economia gerada com a readequação da rede estadual de ensino.

Rodrigo Hirose – Seria votado o projeto de criação do Estado do Entorno. O deputado federal José Nelto (Podemos) era o relator na Câmara, mas não foi aprovado. Não seria bom para o Entorno com a criação de novos investimentos ou o sr. acredita que não traria nenhum benefício?
É uma situação que se transformou em uma queda de braço. Nós, que somos do Entorno, entendemos que isso não ajudaria em nada. Se o governo do Distrito Federal tem disposição de ajudar financeiramente, não precisa ser criado um novo Estado.

Fizemos uma reunião com o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), que disse entender que se tratava de uma questão inconstitucional por não existir no Brasil uma Região Metropolitana que atinja dois Estados. No caso seriam três unidades: Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais. Os municípios de Unaí e Paracatu integram a Ride [Rede Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno].

É da década de 1980 a lei que criou a Ride com os municípios adjacentes a Brasília, mas que até hoje nunca aconteceu. Nunca chegou qualquer recurso às prefeituras por fazerem parte da Ride. É apenas mais um título.

Euler de França Belém – A solução dos problemas não passa também por Brasília, como, por exemplo, o transporte?
Passar. O transporte da região do Entorno é um problema do governo federal. O transporte que mais tem problema é o interestadual, que sai de Novo Gama, Luziânia, Cidade Ocidental, Valparaíso e vai para o Distrito Federal. São licitações feitas pela ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres]. É o grande problema do transporte público.

Mas envolve também o governo do Distrito Federal. Todos os complicadores sociais precisam ser discutidos com o governador Ibaneis Rocha. Mas a criação da Região Metropolitana do Entorno não traria solução para os problemas.

O que queriam era usar a lei da criação da Região Metropolitana para pegar os recursos para investir nos municípios do Entorno da forma como bem entendessem, sem saber quais são as prioridades, sem buscar o que realmente precisa.

Rodrigo Hirose – A imprensa do Distrito Federal noticiou bastante que o governador Ibaneis Rocha fez o teste de um veículo elétrico e que o governador Ronaldo Caiado não teria recebido muito bem essa iniciativa, com uma ligação entre os dois chefes dos Executivos e uma troca, digamos, de gentilezas. Não seria melhor para os dois governadores estreitar as relações do que ficar em disputas políticas?
Certamente. Os governos de Goiás e do Distrito Federal têm de caminhar em sintonia para o bem do Entorno. Percebo que o governador do Distrito Federal tem errado mais nessa situação. Falamos sobre o hospital de Águas Lindas. Como o cidadão quer ir à unidade fazer uma visita sem comunicar ou convidar para estabelecer uma parceria com o governo de Goiás. Não vejo birra. A questão é de falta de diálogo para acertar os ponteiros.

O teste feito pelo governo do Distrito Federal é de um estudo que vinha sendo feito há alguns anos pelo antigo Ministério das Cidades, que tinha sido iniciado com Alexandre Baldy como ministro. Não é algo novo que Ibaneis inventou agora, vem de mais tempo. E é algo que ajudará muito a região específica do Entorno Sul de Brasília.

Euler de França Belém – A impressão que passa é a de que o governo de Goiás não quer ser ajudado e de que o Entorno não teria tanta importância. Se há outro governador disposto a ajudar, não seria melhor aceitar o auxílio?
No meu entendimento, não existe a situação de não querer ser ajudado. Até tenho me surpreendido com a disposição que o governador Ronaldo Caiado tem tido de ajudar o Entorno do Distrito Federal. Nos seis primeiros meses de mandato, o governador foi à região dezenas de vezes e demonstrou que pretende ajudar o Entorno. A criação do Comitê Ride Goiás é um exemplo da aproximação do governador com o Entorno do Distrito Federal.

Queremos trazer as prefeituras da região para mais perto do governo federal para que entrem no radar dos ministérios para receber recursos. Caiado não tem dificuldades em sentar com o governador Ibaneis para estabelecer parcerias para colaborar com o Entorno.

Euler de França Belém – Quem foi o governador do Distrito Federal que mais ajudou o Entorno: Joaquim Roriz ou José Roberto Arruda?
Certamente foi o governador Joaquim Roriz.

Euler de França Belém – Os deputados não têm de falar para os governadores Caiado e Ibaneis que os dois precisam encontrar um denominador comum?
Com certeza. A reunião realizada na semana passada é um passo para fortalecer a Ride. Participo como membro da Assembleia Legislativa. As reuniões ocorrem com periodicidade para tentarmos sensibilizar o governador. E tenho percebido a intenção do Caiado de ajudar a região. Foi ao Entorno dezenas de vezes, levou prefeitos a Brasília para falar com ministros importantes que têm condição de ajudar os municípios. Se não for a mão forte do governo do Estado e do federal, ficaremos sempre com muita dificuldade.

Euler de França Belém – O que o Entorno produz hoje?
Na região do Vale do Pamplona são quase mil pivôs centrais. É a maior área irrigada da América Latina. É uma riqueza enorme. Se você andar na região do Pamplona parece que o dinheiro corre no chão. É um fluxo grande de carretas.

Euler de França Belém – O que se planta na região?
As culturas mais nobres. Muito tomate. A plantação de grãos é feita em lavoura de sequeiro. É justamente nessa região que fica a GO-436, que é importante para escoar o fruto do agronegócio. Parece até que estamos em outra região. Cristalina fica a 80 quilômetros distante de Luziânia. E a parte de Luziânia para o Distrito Federal é tudo junto. Só tem uma linha imaginária que divide tudo.

Santo Antônio do Descoberto de um lado da ponte é Goiás, do outro é Distrito Federal. No Balão do Pedregal é a mesma coisa. Do lado de lá é Santa Maria, do lado de cá é Goiás em Novo Gama.

Rodrigo Hirose – Aparecida de Goiânia e o Entorno do Distrito Federal tinham características semelhantes há 20 anos. Cidades-dormitório com muitos problemas de violência. Por que Aparecida conseguiu evoluir o Entorno não acompanhou a mesma transformação?
Em 20 anos a população aumentou bastante, o que traz junto todos os complicadores sociais. O prefeito de Águas Lindas disse que libera por mês 700 habite-se. É uma cidade que entra no município todo mês. Se você pegar uma média de três pessoas por casa supera 2 mil novos moradores. Ainda está na fase de crescimento e explosão habitacional. E com isso vêm todos os problemas sociais. Caminhamos para um processo de melhoramento.

Em Luziânia, cidade onde cresci e moro, há falhas do poder público municipal que atrapalham o desenvolvimento. Luziânia tem um hospital municipal que é conhecido como hospital regional. Foi fechado em fevereiro de 2016. Havia um compromisso de abrir em dezembro de 2016. Até hoje está fechado. Isso atrapalha o desenvolvimento. É uma cidade que tem mais de 200 mil habitantes e não tem um hospital.

Euler de França Belém – O Jardim Ingá, distrito de Luziânia, tem 100 mil habitantes?
Aproximadamente.

Euler de França Belém – 46 mil eleitores?
Exatamente.

Euler de França Belém – Anhanguera tem 2 mil habitantes e é cidade. Por que o Jardim Ingá não vira uma cidade?
Hoje não temos um dispositivo legal que regulamenta a situação. Depois da chamada farra das emancipações, o governo federal travou a norma e ficou-se de discutir uma nova lei. Em 2014, foi aprovado um projeto no Congresso que regulamentava a emancipação, fusão e desmembramento de municípios, mas foi vetado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Naquela época houve mobilização. Fomos para o Congresso, participamos de discussões para que a lei não fosse vetada. Mas fomos derrotados. Há uma frente que defende um movimento de emancipação, não só do Jardim Ingá, mas a criação do dispositivo para poder ser apreciado. Depois foi apresentada uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição], que não depende de sanção presidencial. A proposta está em tramitação.

Se o Jardim Ingá fosse emancipado, seria a 16ª maior cidade do Estado dos 246 municípios em população.

Rodrigo Hirose – A emancipação do Jardim Ingá seria positiva para Luziânia?
Seria positiva para os dois. Por isso que apoiamos a emancipação do Jardim Ingá. Em virtude daquele veto presidencial, hoje não há essa discussão.

Euler de França Belém – Procede a história de que o prefeito Cristóvão Tormin (PSD) governa para o que ele chama de Luziânia e se esquece do Jardim Ingá?
A população do Jardim Ingá tem esse sentimento. Tanto é que o prefeito sempre perdeu nas eleições no Jardim Ingá. Falta sensibilidade da administração pública com o distrito do Jardim Ingá. As carências são enormes.

“Governos de Goiás e do Distrito Federal têm de caminhar em sintonia para o bem do Entorno”

Diego Sorgatto - Foto Fábio Costa Jornal Opção 6 editada

Deputado estadual Diego Sorgatto em entrevista aos jornalistas Euler de França Belém e Rodrigo Hirose: “Quero ser candidato [a prefeito de Luziânia] para consertar os erros que têm ocorrido. É inadmissível uma cidade com 220 mil habitantes não ter um hospital funcionando” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Euler de França Belém – O que motiva o sr. a ser pré-candidato a prefeito de Luziânia aos 28 anos?
O que mais me dá disposição para ser pré-candidato a prefeito de Luziânia é a quantidade de erros que tem ocorrido. É a cidade que eu amo, onde nasci, cresci e vivo. Quando estou em Goiânia, eu resolvo as coisas e fico desesperado para voltar para Luziânia. Vemos uma total falta de compromisso da administração municipal.

Estamos em uma posição que o cenário favorece. Por isso quero ser candidato para consertar os erros que têm ocorrido. É inadmissível uma cidade com 220 mil habitantes não ter um hospital funcionando. As UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] têm 150 pessoas na recepção esperando atendimento, gente com criança no colo. É uma humilhação que o morador de Luziânia hoje passa quando procura a saúde pública.

O emprego é um dos maiores gargalos. A administração municipal disse que seria instalada na cidade uma montadora de veículos com geração de 3 mil empregos. Nunca se concretizou. O que vemos é o contrário, com indústrias fechando, como a Brasfrigo, ou a possibilidade da Goiás Verde encerrar suas atividades na cidade. Quem tem de chamar essa responsabilidade é o poder público municipal.

O secretariado é composto em parte por vereadores que vão para a secretaria exclusivamente para atender a conveniência do prefeito em ter maioria na sua base de apoio na Câmara. Não sei nem quem é hoje o secretário de Indústria e Comércio de Luziânia. Deveria estar em São Paulo na busca de investimento, andar nos maiores centros econômicos do País.

A Alfredo Nasser, a principal avenida da cidade, tem mais de 30 lojas desocupadas para alugar. Sentimos uma carência enorme. Quem tem de dar uma injeção é o poder público municipal. E a prefeitura tem feito o contrário. Ao invés de ajudar a incentivar atrapalha. Os principais fornecedores da Prefeitura de Luziânia é gente de fora, de Senador Canedo, Goiânia, que vão arrecadar e gerar emprego no município. O posto que o prefeito compra combustível é de Senador Canedo.

Quando a prefeitura fez o programa de compra de kit escolar, a licitação foi feita e o material foi adquirido em uma papelaria de Goiânia. Mais de R$ 3 milhões. São R$ 3 milhões retirados da economia da cidade e jogados na capital. O prefeito está jogando contra o município ao fazer isso. É um recurso que tem de ser aplicado na economia local.

A pessoa que recebe compra na farmácia da cidade, no mercado da cidade e o dinheiro gira em Luziânia e aquece a economia. São muitos os pedidos de emprego que recebo porque a população não tem oportunidade. Se não for o poder público municipal para chamar a responsabilidade, quem vai fazer?

Pedimos ao secretário estadual de Indústria e Comércio, Wilder Morais, que priorize o Entorno na atração de investimentos. Fazemos o que podemos. Mas quem tem o poder de decisão é a prefeitura, que não tem feito. São situações prejudiciais ao município e à população e que despertam em nós o interesse de buscar um projeto para a cidade.

É preciso ver a população em primeiro lugar, estabelecer tudo da forma correta, fazer tudo como tem de ser feito e não da forma como está. Recebemos inúmeras reclamações, mas as pessoas não encontram nem o prefeito para conversar. Ninguém sabe onde fica, não atende na prefeitura, não conversa com ninguém. Sei de secretário que não consegue falar com o prefeito há mais de um ano e meio.

Euler de França Belém – O sr. diz que quer fazer uma grande frente política em Luziânia. Como vai ser esse grupo?
Queremos ter a maioria dos partidos apoiando uma provável candidatura em Luziânia nas eleições de 2020. Para isso precisamos aglutinar legendas. Muita gente perguntava se eu deixaria o PSDB. Hoje não tenho vontade de sair. É uma discussão que ficará para o ano que vem, quando teremos uma provável janela de março a abril.

Mas tomaremos a decisão ao avaliar a viabilidade dos partidos por uma sigla que tenha condição de aglutinar. Não podemos estar filiados a um partido que tenha restrição às demais siglas. Para ter um projeto solo precisamos ter a maioria dos paridos em apoio ao nosso projeto.

Rodrigo Hirose – Hoje quais partidos fazem parte do projeto?
Está muito distante de começar uma corrida para a eleição municipal. Falar hoje o que está ou não acertado é difícil. O que posso adiantar é que tenho conversado com todos os líderes da oposição em Luziânia para tentarmos construir um projeto em comum. É o que acredito ser o interessante para a cidade de Luziânia. Que todos passem a pensar em uma alternativa em comum para apresentar uma proposta que se oponha a uma administração que não deu certo.

Inclusive não tenho vaidade sobre ser candidato a prefeito. Ser candidato a prefeito não depende só de a pessoa querer. Depende da viabilidade, de uma construção e das pessoas entenderem qual é o melhor nome e projeto. O que quero é mudar a administração que não está dando certo e apresentar um projeto de governo para Luziânia que seja melhor.

Se vai ser eu ou outra pessoa o candidato, isso para mim não importa. O que importa é que tenhamos conversado com todos os líderes da oposição para construir um projeto que seja de comum acordo de todos. Desde que, claro, seja a vontade da população. É essa a nossa missão até lá.

Rodrigo Hirose – Desde que o sr. se aproximou do governo Caiado, alguns membros do PSDB têm defendido que o sr. seja expulso do partido. Há certa hostilidade à sua permanência no PSDB? A tendência é saída do sr. na janela?
A primeira questão é fatura liquidada. Isso começou a ser discutido quando me aproximei do governador Caiado. E tomei essa decisão por querer ajudar ao governo de Goiás, e o governador, obviamente, como chefe do Poder Executivo, a poder superar os desafios do Estado. E a Assembleia teria papel fundamental nesse processo com a aprovação da reforma administrativa e de outros projetos que ainda chegarão à Casa.

Nunca escondi isso de ninguém nas reuniões de bancada e do partido que fazíamos. Sempre deixei claro para o líder do partido e para o líder da oposição, que é um deputado do PSDB, Talles Barreto, que eu tinha a intenção de ajudar o governo do Estado na Assembleia. Nunca demonstraram posição contrária em momento nenhum.

Depois que anunciei que fazia parte da base de apoio ao governo na Assembleia, vieram essas situações porque eu era membro indicado pelo partido na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]. Disseram que iam me expulsar do PSDB e da CCJ. Do partido quem chegou a falar foi o ex-presidente estadual, Giuseppe Vecci, que inclusive foi um dos piores presidentes do PSDB. Fez um trabalho pessoal e não partidário. Chegou a tomar algumas decisões que prejudicavam o partido, mas o beneficiavam. Isso para mim não é um presidente.

Mas depois de passada a eleição, com a escolha do prefeito de Trindade [Jânio Darrot] como presidente, Jânio chegou a citar o meu nome e disse que não iria me expulsar. Inclusive já conversamos. E é isso que avaliarei até a janela do ano que vem.

Euler de França Belém – O deputado federal Célio Silveira irá apoiá-lo? E o Marcelo Melo (DEM)?
Tenho uma ótima relação com o deputado Célio Silveira. Marcelo Melo também. Para mim é motivo de muito orgulho ter o apoio dos dois por tudo que já fizeram e fazem muito pelo nosso Estado, especificamente se tratando de eleição em Luziânia, é motivo de muito orgulho e de importância para mim. Estamos construindo juntos. Não sou eu que sou o candidato e tenho o apoio dos dois. Conversamos diariamente. Estamos trabalhando um novo projeto para Luziânia.

Tenho a disposição de colocar o nome para disputa, mas não tenho vaidade de ser candidato a prefeito a qualquer custo. Temos conversado com todos os líderes da oposição para construir um projeto comum e consistente para chegar à eleição com viabilidade. Isso não é o mais importante. O que importa é tirar do poder uma administração que não está dando certo e montar um plano de governo consistente para ter chances de administrar para a cidade.

É preciso envolver todos os líderes de oposição. E é isso que tenho feito, conversado com as pessoas, com os vereadores e líderes políticos dos partidos de oposição. Discutir partido político e filiação vamos avaliar e deixar para a próxima janela.

Euler de França Belém – O programa Goiás na Frente contribuiu para recuperar as ruas do município?
Até tentei levantar algumas vezes a situação do Goiás na Frente em Luziânia, mas pela minha posição de oposição ao prefeito encontrava algumas dificuldades. Não sei hoje ao certo quanto entrou no caixa da Prefeitura de Luziânia para poder asfaltar ruas pelo programa. Percebemos que na véspera da eleição de 2016, o prefeito asfaltou muita rua. Ele sempre faz obra na véspera de eleição. Mas depois várias obras de pavimentação não foram retomadas. Mas não sei ao certo se houve ligação com o programa Goiás na Frente.

Euler de França Belém – A população de Luziânia considera satisfatório o custo do IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]?
Todos os anos tem reajuste. Sempre a população critica muito porque não sentem por parte da prefeitura que esse investimento é retornado para a população. Principalmente nos bairros mais afastados do Centro, nos quais há vários problemas de iluminação pública, rua esburacada, mato em lotes baldios, inclusive em áreas públicas. Sempre tem a reclamação de que se paga o imposto e não condiz com o que a prefeitura devolve para a população em benefício.

Euler de França Belém – E o funcionalismo público está satisfeito com o prefeito?
Totalmente insatisfeito. Sugiro que você vá a Luziânia de vez em quando para entender a situação. Na administração do prefeito Célio Silveira, sempre houve a valorização do servidor público, fazia o que era possível, dava abono no final do ano, pagava os reajustes da forma que o servidor merecia. Nunca teve problema.

Na administração atual é greve atrás de greve, servidor batendo panela na porta da prefeitura o tempo inteiro. Percebemos que a insatisfação é quase que unânime do funcionalismo público com a gestão de Luziânia.

“Sabemos da importância do acompanhamento psicológico de perto”

Diego Sorgatto cineminha 2 - Fotos Fábio Costa Jornal Opção

“Não tem lógica dizerem que investem três vezes mas do que na gestão anterior, não se sentir esse investimento e aumentar a taxa de energia” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Euler de França Belém – Os jovens são atendidos? Têm acesso a internet em locais públicos?
Zero. Há inclusive um estudo que mostra que Luziânia é uma das piores cidades para o jovem morar. Não tem opção de lazer, não há programa para incentivar a cultura. Em Luziânia, a paixão pelo futebol amador é enorme. Fui no fim de semana passado em uma final de campeonato na cidade e tinha cerca de mil pessoas em volta do campo.

Um campeonato que recebe o mínimo da prefeitura para ser realizado. A prefeitura dá bola e arbitragem. Acredito que deveria fazer muito mais. Ajudar e estimular outro campeonato que é realizado há mais de 20 anos, que não pôde ocorrer porque a prefeitura não arrumou o campo. É um descaso total com a questão do esporte, que é o que movimenta a juventude. Além de não ter a estrutura física, não tem um programa para incentivar uma iniciação esportiva. A prefeitura não faz nada.

Euler de França Belém – Como está posicionado o MDB de Luziânia?
Tenho conversado com algumas pessoas. Tanto o deputado Célio Silveira quanto o Marcelo Melo têm uma aproximação a direção do MDB. Temos também aproximação com os filiados do MDB em Luziânia. Acredito muito que o MDB esteja conosco nesta aliança.

Euler de França Belém – Qual a posição do sr. sobre a CPI da Enel?
Sou vice-presidente da CPI da Enel. Estamos fazendo audiências no interior. Na segunda-feira, 24, fomos a Caldas Novas. Estamos na fase de apuração, recebendo as pessoas, denúncias, representantes da Enel, procuradores e diretores para montarmos o relatório, que é do deputado Cairo Salim (Pros).

Precisamos ir fundo no levantamento porque a insatisfação da população é enorme com a Enel. Recentemente sentimos no bolso um aumento que não se justifica. Os representantes da Enel vão à CPI, dizem que assumiram a antiga Celg a quantidade de investimento triplicou, mostram números, mas não sentimos isso. Percebemos exatamente o contrário.

Nas cidades do Entorno há queda de energia. Há três semanas, estava em um aniversário em Santo Antônio do Descoberto. Houve uma queda de energia. O fornecimento de energia só foi retomado no final do dia seguinte. Causa problema de falta de água também porque as bombas param de funcionar. É uma catástrofe. Com quem temos conversado, o investimento não é sentido. Acreditamos que tem algo errado. E é o que queremos apurar. Mas que tem algo errado isso é fato.

Euler de França Belém – Tem algo errado?
Não tem lógica dizerem que investem três vezes mas do que na gestão anterior, não se sentir esse investimento e aumentar a taxa de energia.

Euler de França Belém – Procede a história de que a Enel está tirando parte do lucro para a Itália ao invés de investir no Brasil?
Faz sentido. Não chegamos a uma situação concreta com relação a isso. Não é apurado também na CPI. Mas o que posso dizer é que faz sentido, porque os números não batem, a conta não fecha. Não tem como a Enel dizer que aumentou o investimento se o serviço não melhorou 1% a qualidade e a conta ainda aumenta.

Euler de França Belém – Não seria adequado que uma parte do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] fosse pago pelo consumidor e outra pela Enel?
É uma proposta interessante.

Euler de França Belém – A Prefeitura de Luziânia colabora com a segurança pública?
Deveria ajudar, mas isso não é uma realidade. Inclusive uma das situações que poderia auxiliar bastante o Estado na manutenção da ordem pública era a Guarda Municipal. E a Guarda Municipal de muitos municípios na região funciona bem e os servidores estão satisfeitos.

Em Luziânia é exatamente o contrário. Não tem a valorização do servidor. Não tem qualquer tipo de amparo por parte do poder público. Quando houve a instalação recente da Guarda Municipal foi feita uma reciclagem de servidores que estavam em desvio de função. Uma bagunça!

O banco de horas, que sempre funcionou, hoje é motivo de preocupação por parte do comando da Polícia Militar. Há uma dificuldade enorme em estabelecer essa parceria com a prefeitura. Comandantes já me procuraram para dizer que a situação estava muito difícil, porque não encontram o prefeito para conversar. E é para atender questões do município. Apesar de ser uma questão constitucionalmente do Estado, a prefeitura não pode cruzar os braços como tem feito.

Euler de França Belém – O adversário do sr. nas urnas provavelmente deve ser o deputado estadual Wilde Cambão (PSD). O pessedista foi mais votado do que o sr. em Luziânia?
Foi.

Euler de França Belém – Wilde Cambão é um candidato forte?
Não considero porque começou agora na política. Nos primeiros seis meses de mandato, não vi nada que o deputado fez. Enumero várias situações em que entramos em defesa do município, inclusive na área de segurança pública. Estamos articulando um projeto junto com o governo para resolver o problema da segurança pública com o Comando de Missões Especiais no Entorno.

Na Assembleia, não vi nada que Wilde Cambão tenha feito que possa contribuir. A turma do prefeito e do Wilde Cambão usam de forma irresponsável, ilegal e imoral a Prefeitura de Luziânia para trazer efeito eleitoral. No final de semana passado foi realizado um torneio de futevôlei. Houve uma ajuda em mais de R$ 40 mil em que, nas propagandas, aparece “prefeito Cristóvão” e “deputado Wilde Cambão” no lugar de Prefeitura de Luziânia.

Se todo evento da cidade conseguirem ajudar com R$ 40 mil a R$ 50 mil, a conta não fecha. O dinheiro está vindo de algum lugar. Se for da prefeitura, deveria estar no apoio “Prefeitura Municipal de Luziânia”. Inclusive o prefeito responde a dezenas de processos por improbidade administrativa. Usam a prefeitura na campanha eleitoral com obrigação ao servidor público de adotar condutas ilegais.

Euler de França Belém – O sr. é a favor da criação do fundo para o transporte coletivo?
Tem de ser analisado como seria criado isso. Como seria movimentado esse fundo, de onde viria o dinheiro. Ter uma fonte de renda para melhorar o transporte é interessante. Mas é preciso ver de onde vem o custo. Desde que não seja tirado de alguma forma da população, vejo como positivo.

Euler de França Belém – O transporte coletivo da região do Entorno tem melhorado?
Temos dois transportes. Existe o do município e o interestadual. Ambos têm muitas reclamações. O que mais tem reclamação é o interestadual, que sai das cidades do Entorno e vai para Brasília. No início do ano, a ANTT autorizou, através de uma portaria, o reajuste. Em alguns trechos aumentou até R$ 0,40. É um valor exorbitante.

Não temos por parte das empresas o acompanhamento no aumento da qualidade do serviço que é prestado, na atenção dada ao cidadão que usa o transporte. Pelo contrário. A reclamação é geral. Fiz uma audiência pública na época, impetrei uma ação na Justiça com pedido de suspensão do aumento para que possa se discutir com a população.

O transporte coletivo de Luziânia tem muita reclamação com relação às linhas que deveriam passar e não passam. Há o caso de bairros mais afastados que só cinco a dez moradores usam o transporte coletivo e por isso o ônibus não passa no setor. O usuário é obrigado a andar vários quilômetros para poder pegar o ônibus. Tem de passar nesses bairros também. São cinco ou dez, mas que merecem tanto quanto os outros moradores.

Euler de França Belém – Hoje 20% da população de Luziânia trabalha em Brasília?
Acredito que seja mais do que 20%.

Euler de França Belém – Luziânia tem universidade?
Tem a UEG, que na discussão era um dos possíveis cortes no curso de Pedagogia. Conversamos com a administração da UEG, que garantiu a manutenção do curso. E tem uma universidade particular, que é a Unidesc [Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oestes]. E tem também o Instituto Federal de Goiás. A Unidesc atende a região.

Euler de França Belém – Luziânia tem escola militar?
Tem uma em Luziânia, que é boa. Foi inaugurada no final do ano passado. Escola conceituada. Só escutamos elogios de lá.  Estamos trabalhando para abrir um colégio militar no distrito do Jardim Ingá. Já existe a previsão legal.

Rodrigo Hirose – Como fica o projeto do sr. de colocar psicólogos nas escolas? A secretária diz que financeiramente seria complicado. Seria possível colocar em prática ou fazer uma adaptação?
Até coloquei o projeto em stand by na Assembleia para conversar com a secretária. Fátima Gavioli levantou uma preocupação com relação ao caixa. São mais de mil escolas, o que geraria a contratação de mil psicólogos. Sabemos da importância do acompanhamento psicológico de perto.

Queria conversar até para sugerir um meio-termo sendo sensível à situação financeira do Estado, com a possibilidade de um psicólogo a cada três ou cinco escolas. A secretária ficou de pedir um parecer à junta financeira. Mas estou trabalhando para que a matéria seja aprovada do jeito que foi apresentada na Assembleia. Deve entrar em análise na CCJ.

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