“Estamos mudando a história da saúde de Aparecida de Goiânia”

Prefeito assume dificuldades, mas diz que responsabilidade na gestão tem possibilitado apresentar avanços, como a inauguração do Hospital Municipal

Prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB) | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Depois de dois anos de gestão, o prefeito Gustavo Mendanha (MDB), de Aparecida de Goiânia, descreve as dificuldades enfrentadas pela crise nacional como uma oportunidade de mostrar responsabilidade com as obrigações e avanços necessários na cidade. Depois da inauguração do Hospital Municipal, que Mendanha espera colocar em 100% de funcionamento até outubro, a meta ousada da prefeitura é colocar em prática o projeto de município inteligente, com investimentos em tecnologia.

Augusto Diniz – Como está a gestão de Aparecida de Goiânia depois de dois anos que o sr. assumiu o cargo de prefeito? Qual é a situação da prefeitura hoje?
Continua a mesma. A situação fiscal está controlada. O pagamento dos servidores está rigorosamente em dia. Os fornecedores estão sendo pagos. Continuamos a fazer investimentos que são importantes. Acredito que fomos uma das poucas cidades do País a pagar o 13º salário no dia 3 de dezembro. Temos cumprido com nossas obrigações, que é cuidar da cidade, mas, claro, cuidar daqueles que nos ajudam a cuidar da cidade.

Nos primeiros dois anos tivemos algumas dificuldades por conta do momento que o País vive. Em anos anteriores tivemos mais acesso a recursos do governo federal. Ainda conseguimos avançar em alguns pontos, mas a verdade é que foram reduzidos esses investimentos. Sobre o diálogo com o Estado, tinha uma relação bastante profícua com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) quanto com o ex-governador José Eliton (PSDB). Estou esperando o momento para conversar com o governador Ronaldo Caiado (DEM).

Danin Junior – Ainda não teve essa conversa com o governador?
Fiz apenas uma ligação ao governador Ronaldo Caiado convidando-o para ir à inauguração do Hospital Municipal, que ocorreu no final de dezembro. O governador foi muito receptivo, mas no dia Caiado tinha a votação do orçamento e não pôde estar. Vou solicitar uma audiência para conversar com o governador em breve. A relação será como sempre foi, republicana, democrática. Claro, se essa premissa valer também por parte do governo.

A cidade de Aparecida ganhou grandes equipamentos públicos nestes últimos dois anos, principalmente na área da saúde. Me atrevo a dizer que estamos mudando a história da saúde de Aparecida de Goiânia com a inauguração de UBSs [Unidades Básicas de Saúde], mais uma UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e com a inauguração do Hospital Municipal. Nos próximos dias irei inaugurar um Centro de Especialidades.

Danin Junior – Qual é previsão para que o Hospital Municipal funcione completamente?
Isso está dividido em fases, o que sempre foi discutido com o governo federal por ser uma unidade grande. Tem toda a questão de ver se aquilo que foi feito vai funcionar, por isso passa a funcionar por etapas. O governo federal também libera o recurso por etapas. Se fosse o recurso liberado por completo eu colocaria o Hospital Municipal para funcionar totalmente. Nos primeiros meses, a ideia é que a unidade funcione com certa de 30% a 35% de sua capacidade, o que deve subir, entre o final de fevereiro e o início de fevereiro, para 35% a 40%. A meta é que a partir de outubro o Hospital Municipal esteja funcionando 100%.

Na primeira etapa, além do ambulatório que está em funcionamento, serão dez leitos de UTI mais 60 leitos convencionais. Isso ajudará a desafogar as UPAs. Hoje, uma pessoa que está internada em uma UPA, se não abrir uma vaga de UTI ou para receber determinado tratamento, continua na UPA por não ter unidade para recebê-lo. Mesmo ainda sem a UTI, com os leitos convencionais será possível receber os idosos, que muitas vezes são os pacientes que ficam mais tempo nas unidades de saúde.

Augusto Diniz – Com o ambulatório do Hospital Municipal funcionando, o que muda na realidade da saúde em Aparecida?
Com o ambulatório estamos desafogando filas que tínhamos de atendimento e que dependíamos da rede privada ou de hospitais do Estado e de outras cidades. A partir de agora, principalmente quando o Hospital Municipal estiver funcionando a todo vapor, teremos nossa independência na saúde. Teremos tudo de saúde dentro de Aparecida de Goiânia. Desde uma consulta básica que já acontece nas UBS, que inauguramos novas unidades, à segunda fase, que são as unidades de emergência e urgência, é isso que a UPA faz. Agora estamos indo para a terceira fase, o que fecha todo o ciclo, que são as cirurgias eletivas, as UTIs e as cirurgias de alta complexidade.

Quando o hospital estiver em sua fase final de atendimento, a ideia é que tenhamos cirurgias cardíacas. Não está previsto, mas manifestei desejo de fazermos transplantes em nosso hospital, e isso está caminhando muito bem no Ministério da Saúde. Aparecida vai se tornar uma das referências não só de Goiás, mas do Centro-Oeste em saúde pública. Estamos fazendo isso não só inaugurando equipamentos novos, modernos. As macas e aparelhos utilizados são os mesmos do Hospital Sírio-Libanês.

Há alguns meses, contratamos uma consultoria do Sírio-Libanês. Neste momento, os colaboradores e servidores das UPAs estão sendo qualificados pelo Hospital Sírio-Libanês. No dia 22 de janeiro, cinco servidores que se destacaram no processo de qualificação irão passar três dias no Hospital Sírio-Libanês. Isso será importante para que avancemos muito. Investimos muitas vezes em prédios, em equipamentos públicos, e deixamos de investir naquilo que é importante, que é o ser humano. Esse investimento será também importante para que possamos melhorar o fluxo, reduzir o tempo das pessoas nas filas e, principalmente, prestar um atendimento de qualidade.

Danin Junior – Sabemos que a manutenção e o funcionamento de um hospital em um tempo curto supera o investimento feito na estrutura física. A prefeitura está pronta para arcar com o custo de 100% do funcionamento do hospital a partir de outubro?
A prefeitura não vai fazer isso sozinha. A saúde funciona tripartite. O governo federal banca uma parte, o governo estadual outra e o municipal outra. A ideia é que o governo federal banque 50% da operação, o município banque 25% e o Estado venha a bancar 25%. Este hospital é municipal, mas também é regional. 55 cidades do Sul de Goiás poderão pactuar com o município. Se quiserem contratar serviços e demandar para a nossa cidade, podem fazer. E com a pactuação essas prefeituras vão pagar e ter esses serviços.

O Hospital Municipal passa também a ser regional. A ideia é que o governo federal cumprindo com seus 50%, o Estado e o município cumprindo, faremos um serviço de excelência. O governo federal sempre fez a sua parte. O Estado às vezes atrasa um pouco, mas também, nos últimos anos, cumpriu com sua obrigação. A expectativa é que o governo do Estado continue fazendo isso para que possamos prover saúde e qualidade de vida para todo cidadão.

Augusto Diniz – O sr. citou a dificuldade financeira, que fez com que os investimentos fossem reduzidos nos últimos dois anos. O ex-prefeito Maguito Vilela (MDB) queria fechar a gestão em 2016 com a entrega do Hospital Municipal, o que acabou não acontecendo. O que aconteceu desde então que foi necessário adiar a inauguração da unidade?
A liberação dos recursos para compra dos equipamentos atrasou. O hospital foi construído em uma parceria do município com o governo federal. Aparecida entrou com parte dos recursos e com a área. O governo federal entrou com a outra parte dos recursos, e nessa parte estava a compra dos equipamentos. A liberação desses recursos ocorreu há cerca de três meses, quando houve a compra dos equipamentos. Por isso houve o atraso na entrega da obra.

Assim que os equipamentos foram comprados, inaugurei o hospital e a Organização Social (OS) contratada está em fase de contratação de profissionais para serem estruturados os 40% que temos de recursos deliberados pelo governo federal e as contrapartidas da prefeitura e do Estado.

“Saímos de um orçamento de pouco mais de R$ 300 milhões em 2009. Este ano estamos ultrapassando a casa de R$ 1 bilhão”

“A partir de agora, principalmente quando o Hospital Municipal estiver funcionando a todo vapor, teremos nossa independência na saúde” | Foto: Valdir Antunes

Felipe Cardoso – As gestões municipais, estaduais e federal têm demonstrados que há dificuldade financeira a ser enfrentada, mas o sr. alega que as situação de Aparecida está controlada. A que se deve o estado em que se encontram hoje as contas da prefeitura?
Posso definir em uma palavra: responsabilidade. Essa é a palavra crucial para qualquer tipo de administração. Se você ganhar R$ 2 mil e gastar R$ 2,1 mil, você vai chegar no final do ano quebrado. E é isso que muitas prefeituras e Estados têm feito, têm gastado mais do que a condição financeira. Em Aparecida, temos feitos o dever de casa que é aplicar aquilo recebemos. Temos feito nosso trabalho, mas com muita responsabilidade.

Por isso, em alguns momentos os governantes, prefeitos, são tachados de serem um pouco duros em determinados momentos, mas é justamente por ter responsabilidade. Na hora de discutir reajuste de salário de servidor, independente da categoria, não posso dar um reajuste maior do que aquilo que posso pagar. Até porque depois terei dificuldade de pagar o salário.

E também com aquilo que fizemos ao longo dos anos, que é uma política de empreendedorismo. A cidade de Aparecida era uma cidade-dormitório, um município que dependia totalmente de Goiânia. As pessoas dormiam em Aparecida e viviam em função de Goiânia. Hoje nós temos milhares de indústrias, empresas, comércios, profissionais liberais que vivem em Aparecida e isso dá autonomia à cidade.

Saímos de um orçamento de pouco mais de R$ 300 milhões em 2009. Este ano estamos ultrapassando a casa de R$ 1 bilhão. A cidade cresceu, melhorou a sua condição financeira, e com responsabilidade, aplicando bem os recursos, não fazendo compromissos maiores do que podemos cumprir, temos dado conta de fazer isso.

Há poucos dias disse que a Prefeitura de Aparecida talvez seja um oásis dentro deste universo de cidades que vivem em dificuldade. Há cidades e Estados que não pagaram o 13º, o Estado de Goiás está passando por isso, de não pagar o mês de dezembro. O Estado do Rio Grande do Sul parcelou o pagamento do 13º salário em 12 vezes. Eu, no dia 3 de dezembro, paguei integralmente o 13º de todos os servidores.

Danin Junior – O sr. está preocupado com a mudança na política de incentivos fiscais que o novo governo estadual defende em razão das indústrias que Aparecida recebeu e continua a se instalar na cidade?
Claro. Aparecida basicamente vive hoje em função das grandes indústrias que empregam muitas pessoas. Temos um comércio muito forte na Avenida Igualdade, no Garavelo, Vila Brasília, Papillon, Santa Luzia, Cidade Livre, com algumas avenidas que têm um comércio muito forte. Mas o setor industrial corresponde à maioria dos tributos que são pagos. E não vou dizer que é para Aparecida, mas importante para o Estado de Goiás.

Aparecida é hoje uma das alavancas propulsoras do desenvolvimento do Estado de Goiás. Se Goiás, há poucos dias, celebrava o número de contratados, de investimentos, Aparecida é responsável por boa parte disso. O Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados], em 2018, soltou os indicativos das cidades que mais empregaram no País. Perdemos apenas para Joinville (SC).

Enquanto o Rio demitiu 55, entre admissões e demissões, e São Paulo contratou 18, nós contratamos, entre admissões e demissões, 5,3 mil novas oportunidades de trabalho. Os incentivos fiscais são muito importantes para que o setor industrial possa permanecer a ter sua estabilidade em suas empresas. Nosso desejo é que isso possa ter sequência.

Mais do que isso, que possamos avançar em uma agenda de desburocratização para que o setor industrial, o pequeno e o médio possam ter condição de fazer mais investimentos, contratar mais profissionais. Isso é bom para a cidade, tanto na divisa de receita com as pessoas que são contratadas e compram no município como os impostos que são pagos para a cidade.

Danin Junior – O sr. vai discutir essa situação com o governador?
Temos conversado, tenho feito um diálogo como secretário de Indústria e Comércio, Wilder Morais (DEM), que é um grande parceiro, ajudou muito a cidade de Aparecida de Goiânia. Na quarta-feira, 16, conversei com Wilder por telefone mostrando a preocupação que tenho para que não venhamos a perder indústrias, mas também deixar de ser atrativos.

Enquanto o governador do Distrito Federal, Ibanêis Rocha (MDB), propõe reduzir os impostos para que cheguem aos níveis de Goiás, estamos falando em retroagir e aumentar os tributos. Isso é um tanto quanto preocupante. É preciso cautela. Alguns pontos precisam ser discutidos, talvez seja necessário fazer alguns cortes.

Mas é importante dizer que Goiás é o que é por conta do setor industrial e os incentivos fiscais por parte do governo estadual, e os incentivos municipais que também existem. No caso de Aparecida com cessão de áreas e a facilidade que o industrial tem na instalação da sua empresa foram fundamentais, posso dizer para Aparecida porque sou prefeito, mas para Anápolis e outras cidades que também têm a mesma característica do município de Aparecida.

“Parece até brincadeira, mas é um absurdo que vários pontos da cidade não tenham conexão”

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz – Enquanto o secretário de Governo Ernesto Roller (MDB) ainda era prefeito de Formosa, o emedebista dizia que muitos municípios dependem basicamente dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) pela baixa atividade comercial e industrial. Como Aparecida tem uma realidade diferente de muitos municípios goianos, qual é o tributo que mais impacta a receita da cidade?
O ISS [Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza] é bastante importante. Todos os tributos que chegam no bolo da arrecadação no ajudam a fazer a gestão da cidade. Não podemos perder estas empresas, deixar de tê-las arrecadando no município. É preciso pensar em todos os aspectos. Nossa tarefa é cortar gastos para que possamos ter condições de fazer investimentos e tornar a cidade ainda mais atrativa.

Um dos pontos importantes é que estamos promovendo uma verdadeira revolução na cidade de Aparecida e faremos a partir do investimento em tecnologia. Otimizar os recursos, conseguir fazer muito com pouco. Esse dever de casa é um tanto quanto complicado quando se fala em gestão porque envolve questões políticas e, às vezes, alguns agentes que não são da administração. Mas no caso de Aparecida de Goiânia, são inúmeros deveres que temos feito, desde o corte de gastos, tentar incrementar a receita sem penalizar o contribuinte, buscar mecanismos de facilitar sem deixar de ter essa provisão porque a cidade precisa disso.

Muitas vezes as pessoas ligam o imposto, especificamente o IPTU, a um bairro que não tem asfalto. Mas a cidade tem uma série de serviços que são feitos a partir do imposto que pagamos, desde a limpeza à iluminação, educação, saúde, lazer. A própria segurança, que não é nossa responsabilidade, mas fazemos através da Guarda Civil Municipal (GCM), que também contribui com o trabalho de segurança.

A grande questão realmente está em responsabilidade. Não se pode fazer compromisso maior do que aquilo que você dá conta de pagar. A cidade de Aparecida realmente está na contramão da maioria dos municípios brasileiros e isso se dá por tudo que fizemos, de política fiscal, ajustamento e principalmente do corte de gastos que temos feito ao longo dos meses.

Rafael Oliveira – Se o governo estadual entender que é necessário aumentar impostos, que está em discussão com entidades empresariais, a prefeitura tem estudado alternativas para equilibrar a redução dos incentivos fiscais?
O Estado tem muito mais condição de fazer isso do que os municípios. O Pacto Federativo é algo que deveria estar em todas as mesas, não só de discussão entre políticos, porque nós pagamos nossos impostos, a maior parte vai para o governo federal, a outra parte vai para o governo do Estado, que recebe muito. A menor parte fica com o município. Mas quem de fato vive os problemas são as cidades.

Um exemplo é a saúde. Estamos fazendo investimentos vultuosos em saúde. A obrigação de um município investir em saúde é da ordem de 15%. Fechei o ano passado com quase 23% de investimento em saúde. E às vezes vemos em uma rádio, televisão ou jornal informação de que determinado Cais está superlotado. Só que quem atende está sendo penalizado. Locais em Goiânia, do lado de Aparecida, que não têm atendimento, a pessoa pega o carro e vai até outra cidade para ser atendida. Essas situações não são lembradas.

São coisas que dificultam um pouco. Nosso sonho é que Aparecida continue a ter suas atividades, melhore a qualidade de vida de sua população, e temos feito isso dentro de algumas premissas. Vários pontos são importantes, desde educação de qualidade, que temos trabalhado para conseguir isso com investimento nos profissionais, abertura de novas unidades. A saúde, que é um dos pontos importantes, talvez um dos mais gritantes no País.

Segurança pública, embora não seja uma responsabilidade do município, vamos fazer um investimento na ordem de mais de R$ 50 milhões em tecnologia. Esse é um dos projetos que vai mudar a história da cidade. Boa parte do projeto Olhos de Águia terá investimentos em segurança. Temos pouco mais de 200 câmeras em funcionamento e queremos ampliar para quase mil câmeras na cidade para ajudar a combater a criminalidade com inteligência e dar lucidez a casos que venham a ocorrer e com mais agilidade na resposta.

Quando falamos em segurança não é apenas a violência ou um acidente de trânsito. Além do investimento que será feito em segurança, que é muito importante, a área da saúde também será beneficiada. usaremos a tecnologia para facilitar a redução das filas. Se você for a uma unidade de saúde pública, a primeira vez vão pegar seus dados em um papel. Na próxima vez, seus dados serão pedidos novamente. Isso demora de dez a 20 minutos para passar todos os dados, uma pessoa que chega passando mal a uma das unidades de saúde.

Vamos implementar o que já existe em muitas das instituições privadas e em algumas cidades está em fase de implantação que é o prontuário eletrônico. Seu cadastro será feito em um cartão, que será usado em toda unidade que você entrar. Ao chegar em outra unidade, seu histórico de atendimento estará disponível, se você passou mal, qual medicamento foi usado. No momento do atendimento, o médico já saberá, pela sua ficha, se há algum medicamento que você não pode tomar, se você teve um problema grave, qual foi a última vez que você foi atendido. Isso vai desburocratizar o atendimento na saúde com investimento em saúde.

O primeiro investimento que faremos será na infraestrutura, dotando a cidade de conectividade. Parece que não, mas vivemos em função da tecnologia. Muitas vezes até ao banheiro você leva o celular. Vivemos o tempo todo com a tecnologia. O setor público tem de fazer investimentos nessa área, desde facilitar a vida do contribuinte como também o do colaborador.

Não direi que vamos abolir o papel porque muito documento precisa ser assinado e guardado. Mas a maioria dos processos será eletrônico. Iremos fazer isso nos próximos seis meses. Falei de segurança, saúde, mas teremos interfaces entre todas as secretarias do município. Não estamos discutindo com empresas pequenas. Temos discutido com grandes empresas do mundo. Entre as empresas que nos visitaram há chinesas, israelenses, dos Estados Unidos. Todas essas empresas têm interesse em utilizar Aparecida como case. Aposto muito nisso.

“Todas secretarias estão com projetos dentro desta grande plataforma que é transformar Aparecida em cidade inteligente”

“Todas as escolas e CMEIs de Aparecida são videomonitorados. Só que o monitoramento é gravado e não vai para o banco de dados” | Foto: Valdir Antunes

Augusto Diniz – De onde virão os R$ 50 milhões para investir no projeto Olhos de Águia?
Recursos próprios. É importante dizer que já estamos trabalhando nisso. A digitalização está em andamento. Estamos digitalizando todos documentos da prefeitura para acabar um pouco com o papel. Do ponto de vista ambiental é algo fantástico. Há também a desburocratização. Imagine um documento que você assina, encaminha para uma secretaria ou um departamento. Chega a demorar três dias para o documento sair da prefeitura e ir para o local de destino. Isso é geral. E muitas vezes com o apertar de um botão o documento chegará no departamento ou secretaria. Isso trará muita agilidade.

É justamente isso que defendo, a agilidade, a sustentabilidade e questão ambiental. Todo o processo de tornar Aparecida primeiro uma cidade digital e depois inteligente, é o que vai ocorrer nos próximos quatro, oito ou dez anos. Mas a base vai ser muito bem feita. Hoje estamos falando de 600 quilômetros de fibra óptica. Falamos de programa e aplicativo… Todo dia tem uma pessoa me apresentando um aplicativo. Todo dia tem alguém para me apresentar um projeto de aplicativo para facilitar determinado serviço da prefeitura. Mas não adianta se não houver conectividade.

Parece até brincadeira, mas é um absurdo que vários pontos da cidade não tenham conexão. É preciso ter uma internet a rádio. Vocês são bem que são de péssima qualidade. Porque as empresas de telecomunicações têm interesse em levar internet de qualidade para onde tem rentabilidade. Se no bairro as pessoas têm poder aquisitivo melhor, a internet é de boa qualidade. Se o bairro tem um poder aquisitivo mais baixo, a internet é de péssima qualidade. E dependendo do bairro não tem internet nenhuma. Há vários pontos da cidade de Aparecida, talvez Goiânia seja assim também, que não têm internet.

Quando você vai ao uma UBS e faz o atendimento, o médico receita um remédio, você pega o remédio na UBS. Se eu não pegar esse atendimento que foi feito e o medicamento, colocar em uma base de dados e mandar para o governo federal, deixo de receber recursos. Da mesma forma uma criança que está em um CMEI [Centro Municipal de Educação Infantil], em uma escola, e que tem merenda três vezes ao dia. Se eu não alimento o sistema, o governo federal não repassa os recursos para mim.

Hoje é preciso pegar tudo isso manualmente, levar para a Secretaria da Saúde e depois fazer chegar ao governo federal. Imagine a facilidade que teremos a partir do momento que todos equipamentos públicos tiverem uma internet de qualidade. Todas as escolas e CMEIs de Aparecida são videomonitorados. Só que o monitoramento é gravado e não vai para o banco de dados, não vai para a central de videomonitoramento. A partir do momento em que eu tiver isso em tempo real e não usar só o olhar humano…

Hoje estou em conversação com uma empresa israelense, a Elbit Systems, uma das mais importantes no mundo em armamento e tecnologia da segurança – cyber security. Uma pessoa com mandado de prisão em aberto e passar em um ponto videomonitorado, teremos condição de avisar com rapidez e agilidade as autoridades competentes para que seja efetuada a prisão. O sistema é tão moderno que se estivéssemos em uma praça com duas pessoas discutindo, quando começassem a falar com agressividade e a câmera filmasse, o agente de segurança seria avisado de que naquele local poderia acontecer alguma coisa.

Isso poderá ajudar bastante a combater a criminalidade. Não é obrigação do município, mas precisamos fazer porque estamos chegando em limites inimagináveis com relação à insegurança que o País vive. A convite da embaixada de Israel, fui ao Rio de Janeiro no final do ano participar da solenidade com o primeiro-ministros de Israel, Benjamin Netanyahu. Eu conversava com as pessoas do Rio e a cidade chegou a um ponto que o governador faz o que está propondo ou fecha as portas e sai de lá.

E o medo que tenho como prefeito que isso venha a ocorrer no meu município? O investimento que estou fazendo é para que a cidade de Aparecida não venha a passar por situações que muitos municípios brasileiros têm passado. A ideia é fazer um cercamento digital. Leitura facial e de placas de veículos. Um veículo foi furtado, os dados são colocados no banco de dados da Polícia Civil, isso vai para o banco de dados da prefeitura.

Como ocorre um furto? A pessoa furta um carro e colocar em um lugar para esfriar em porta ou estacionamento de shopping, próximo a unidade de saúde. Recentemente teve uma troca de tiros em uma das UPAs de Aparecida, no Buriti Sereno. Quando foi buscar o carro, o guarda viu que a pessoa estava armada e atirou.

Com isso, vamos ajudar a reduzir a criminalidade drasticamente. Além de colocar vídeo, temos condições de captar áudio. Imagine em uma praça que tenha incidente de tráfico de drogas na qual seja colocada a captação de áudio. Imagine a revolução que será feita! As cidades que conseguiram fazer isso no mundo… e temos pequenas cidades no País que também conseguiram implantar esse sistema, conseguiram reduzir drasticamente os índices de criminalidade e violência.

A segurança das ruas é a mesma que vou colocar na unidade de saúde ou escolar, que já aconteceu em cidades no mundo de uma pessoa entrar e sair matando todo mundo. A pessoa entrou, a câmera mostrou aquela situação, as autoridades são alertadas que teremos um problema. Daqui a alguns anos, todos nós estaremos em um banco de dados como esse. A pessoa não terá mais privacidade. Você vai saber onde a pessoa foi. Se passar em qualquer ponto videomonitorado será possível acompanhar.

Até para combater funcionário fantasma em órgãos públicos. Será possível saber se uma pessoa foi realmente trabalhar. Pensamos só no gestor, no prefeito, mas às vezes na escola tem uma diretora que dizem que estava na unidade e não compareceu ao serviço. Com o sistema de videomonitoramento isso poderá ser verificado. Um funcionário de uma UPA que, no final do expediente, coloca um pacote de papel higiênico nas suas coisas e leva embora.

Esse sistema vai ajudar, mas também vai combater e inibir os pequenos delitos, e nas grandes causas que possam ter repercussão. Crimes como a saidinha de banco, que na cidade videomonitorada teria condições de garantir uma segurança e um controle maior para combater esses roubos. Em Aparecida, vamos revolucionar a segurança pública com os investimentos que nós faremos.

Estamos falando de inteligência: todo veículo terá um chip. Será possível saber se os carros da prefeitura estão sendo usados para serviço, onde foi, se está estacionado na garagem de um servidor ou se está rodando. A viatura da Guarda Municipal está em porta de comércio? É para estar em porta de comércio? Dará condição de fazer um controle muito grande, que é importante. É uma nova perspectiva, de governança digital.

Há dois anos estive aqui falando sobre esse projeto. O que já andou? Licitei, temos uma empresa vencedora e no início do mês de fevereiro começamos a primeira fase, que é a implantação da infraestrutura tecnológica, todo cabeamento. Acredito que até o mês de setembro ou outubro muito do que estou falando estará em funcionamento. Aparecida será uma vanguardista na área de segurança.

O investimento que é feito com tecnologia dá uma base para fazer quase tudo. É uma infinidade de coisas que podemos ter. Por exemplo a iluminação. Estamos fazendo a parceria público-privada (PPP). Goiânia tem alguns pontos de iluminação de LED. Mas quando se fala em telegestão, é um avanço na área de iluminação com inteligência. Dá a condição de, por meio de um aplicativo de celular, aumentar ou abaixar a iluminação de uma avenida.

Há um ponto com grande fluxo de pessoas e veículos, é possível colocar 100% de iluminação. Um parque industrial que na madrugada ou a noite há pouquíssimas pessoas ou ninguém andando, é possível reduzir a iluminação. Vamos ter condição para que, nas grandes avenidas da cidade, se ocorrer um acidente as luzes piscarem. No primeiro momento ninguém vai entender. Depois que for feita uma divulgação disso, as pessoas vão saber.

Imagine uma acidente em uma avenida, outro motorista não sabe, vem em alta velocidade e atropela alguém. Com o sistema inteligente é possível trabalhar com informação. Se a luz está piscando quer dizer que tem um acidente. São muitas as ações que estão sendo estudadas e trabalhadas para começarem a ser aplicadas a partir de fevereiro.

Não sei quanto tempo irá durar a primeira fase, que é importante, mas vamos trabalhar no meio ambiente o projeto de cidade inteligente, na Secretaria de Assistência Social, na Secretaria de Cultura. Todas as secretarias estão com projetos dentro dessa grande plataforma que é transformar Aparecida em uma cidade inteligente.

“Presidente [Bolsonaro] tem buscado desburocratizar muita coisa e facilitar a vida das pessoas”

Prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), em entrevista aos jornalistas Augusto Diniz, Felipe Cardoso, Rafael Oliveira e Danin Junior: “O que é muito ruim é o prefeito depender de uma boa relação com deputado ou senador para conseguir recurso” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Felipe Cardoso – Como gestor de um município que é visto como violento, com ocorrência de muitos roubos cometidos com armas de fogo, de que forma o sr. avalia o decreto que flexibiliza a posse de arma de fogo?
Tenho um pouco de preocupação. Grande parte da população não teria condições de ter uma arma em casa, muito mais portar uma arma a todo tempo nas ruas. É um tanto quanto preocupante. Vemos um policial militar, um policial civil, que tem um treinamento, muitas vezes reagir a um assalto e ser morto pelo bandido. Há casos de briga de trânsito que acabam em morte. Vai ser um período em que veremos o que vai ocorrer.

Se a população amanha entender que isso não é bom para o País, o presidente, como é muito de ter essa percepção da população, pode ser que volte atrás. Tenho uma série de preocupações. Acredito que há pessoas que tenham condições de ter arma. Mas é muito difícil com um teste, ainda mais se for liberar para todo mundo, ter condição com precisão de quem teria essa capacidade de poder portar uma arma.

Pelo fato de ocupar um cargo público, eu teria facilidade de ter arma na minha casa. Nunca procurei ter. Tenho um irmão que pensa diferente. Meu irmão tinha uma arma e recentemente o convenci a vendê-la. Não acredito que seja esse o mecanismo para resolver o problema de violência no País.

Temos de investir em educação, cultura, esporte e principalmente nas forças que fazem segurança. É investir no profissional, aumentar o número de profissionais da segurança nas ruas. Acredito que isso teria muito mais efetividade em reduzir a criminalidade do que liberar armas para a população.

Vamos esperar para ver no que vai dar. Espero que não venha a ocorrer grandes fatalidades. Infelizmente, a percepção que tenho é de que isso possa ocorrer.

Danin Junior – Nos últimos anos, Aparecida teve boa relação com os governos federais do PT e o mandato tampão de Michel Temer (MDB). Com Bolsonaro, qual é a expectativa?Supergoverno do Temer. Estou muito otimista e devemos estar sempre muito otimistas com o País. Bolsonaro tem muitos pontos que discordo veementemente. Mas algumas questões são importantes. Pelo menos em seus pronunciamentos e durante o período eleitoral o presidente falou muito “menos Brasília e mais Brasil”. Diria que o presidente errou, porque Brasília é uma cidade, Bolsonaro deveria falar menos governo federal e mais distribuição entre os municípios, porque Brasília também é uma cidade e que é importante.

É justamente o que falávamos sobre o Pacto Federativo. É só imaginar que os municípios, onde as pessoas vivem, são os que menos recebem recursos. O que é muito ruim é o prefeito depender de uma boa relação com deputado ou senador para conseguir recurso. Se não tiver não consegue. Nesse ponto, estou muito otimista com o governo Bolsonaro, com a expectativa que o presidente possa partilhar melhor os recursos, principalmente para cidades que não têm a sua saúde financeira suportável e que não têm condição de fazer investimentos possam receber recursos. Isso depois pode facilitar a vida de um prefeito de uma cidade grande que tem 570 mil habitantes e tem mais de 2 milhão de cartões SUS.

Imagine que há quatro vezes mais pessoas que têm o cartão utilizando o sistema de saúde da cidade. Conheço Bolsonaro. O gabinete do Bolsonaro da Câmara ficava ao lado do gabinete do Daniel Vilela (MDB). Tinha apenas um gabinete entre os dois. Vou muito a Brasília. Por várias vezes encontrei o presidente no corredor e conversei com Bolsonaro algumas vezes. É uma pessoa até interessante. Minha expectativa é que realmente o presidente possa fazer algo que possa mudar.

Tem mais um ponto que posso dizer estar otimista com Bolsonaro também. O presidente tem buscado desburocratizar muita coisa e facilitar a vida das pessoas. Enquanto prefeito ou governador, pensamos muito em fazer leis para facilitar, mas às vezes se algumas leis forem desfeitas será uma forma de facilitar a vida do cidadão. Há alguns pontos que podemos ajudar para dar mais competitividade, facilitar os investimentos, tornar o ambiente mais propício aos negócios e facilitar que municípios e Estados possam receber grandes indústrias, empresas e investimentos tanto nacionais quanto internacionais.

Augusto Diniz – Ainda na campanha, Bolsonaro falava na distribuição direta dos recursos para municípios, com maior parte do dinheiro para as cidades. Ao mesmo tempo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, descreve uma proposta de unificação dos tributos. O sr. acredita que de fato há uma possibilidade de o governo federal facilitar a chegada dos recursos aos municípios?
Estou torcendo. Seria bom para o povo brasileiro, não para o prefeito. Seria bom para as cidades. Até um tempo atrás, alguns ministros não eram ministros de Estado, eram ministros de Estados. Se o ministro era do Paraná, ele pegava 20% do orçamento da pasta e jogava no Estado do Paraná. Isso para o País e para as cidades é algo muito preocupante. Se Bolsonaro conseguir avançar nessa política, seria melhor para todos nós. Entre o que se fala e o que se faz às vezes há uma grande distância. Estou otimista e torço para que isso aconteça. Falo com alguns prefeitos goianos e do País, porque sou vice-presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, e todos estão otimistas, acreditando. Espero que isso ocorra.

Danin Junior – A Frente Nacional dos Prefeitos divulgou no final de 2018 o estudo Multi Cidades, no qual aponta que 2017 foi muito dramático para as prefeituras e o sr. disse que foram dois anos muito difíceis, incluindo 2018. Qual será a receita de Aparecida para sair da realidade de crise e dificuldade e trazer notícias boas para a população nos últimos dois anos de mandato?
É preciso facilitar a vida das pessoas. Não dá para querer ter uma cidade atrativa sobretaxando, criando dificuldade para o empresário. Finalizei um estudo e enviei um projeto para a Câmara. Infelizmente, por conta do tempo exímio para que os vereadores pudessem avaliar a proposta, não foi aprovado um projeto superinteressante. Um grupo de sete vereadores não entenderam o projeto e isso vai me atrapalhar um pouco. Estamos estudando um mecanismo que possibilite a implementação através de decreto e esperar para ver se haverá uma ação da Justiça contra a medida.

As empresas, para abrirem suas portas em Aparecida de Goiânia, precisam do alvará da Vigilância Sanitária. Pedi um estudo para a Secretaria da Fazenda, que chamou a Vigilância Sanitária, Meio Ambiente, Regulação, que é onde temos as taxas para empresas e construções. Me apresentaram um projeto, que a princípio iria depender de outro projeto, até porque o município não pode fazer renúncia de receita. Apresentei outro projeto que seria a compensação financeira desse projeto.

O projeto que foi enviado, eu perderia em 2019 aproximadamente R$ 1,5 milhão de receita. Se 100% paga e vai deixar de pagar eu perderia receita. Com esse projeto, 47% dos estabelecimentos não teriam de ter mais o alvará da Vigilância Sanitária. Por quê? Para que um escritório de advocacia precisa de um alvará da Vigilância Sanitária? Na época, o entendimento do Legislativo era de que teria de ter. Entendi e me provaram que não precisa.

“Vamos fazer um investimento na ordem de mais de R$ 50 milhões em tecnologia” | Foto: Reprodução

Você vai abrir uma sapataria, uma assessoria de comunicação, um jornal. Precisa de um alvará da Vigilância Sanitária. Isso ocorre em Aparecida, em Goiânia, em qualquer cidade. Aliás, um município faz uma coisa e os outros copiam. Enviamos o projeto de lei para a Câmara e estaríamos deixando de ter esse tributo. Hoje se paga, desde que eu encontre um mecanismo para compensar isso, R$ 130 para abrir uma borracharia. Uma indústria de 7 mil metros quadrados, com 500 funcionários, paga a mesma taxa para abrir.

Criei um valor por metro quadrado. E esse foi o grande problema na Câmara. Reclamaram que taxaria os empresários. Vou taxar, mas trazer justiça, além de perder receita e precisava ter uma outra fonte para compensar as perdas. Nesse projeto, eu perderia R$ 1,5 milhão de receita. O outro projeto era uma compensação disso, também com inteligência, para taxarmos um serviço que existe em todas as cidades, nas grandes metrópoles, e que não eram taxados. Estou me referindo aos aplicativos de transporte.

A maior empresa é a Uber, que tem muitos motoristas e usuários na cidade de Aparecida de Goiânia que fazem suas viagens, recebem, mas não vinha nenhum tributo para o município. Assim como várias cidades do mundo têm feito, estamos taxando o serviço. Inclusive a Uber esteve comigo e elogiou muito o projeto. Não pensamos em punir a Uber, porque é uma atividade muito interessante e importante. Mas também não posso deixar a empresa ganhar recurso sem dar a sua contrapartida ao município, porque, por exemplo, desgasta o asfalto.

Só houve um item do projeto que pediram para fazer alteração. Não o fiz no momento, mas como a regulamentação é por decreto, depois da aprovação do projeto vou retirar esse item. A Uber questionou e entendi que realmente a empresa tinha razão. Eu queria saber em tempo real como estava o deslocamento dos carros, até para que pudesse cobrar em Real. Alegaram que existe uma lei de privacidade. Isso estaria ferir o princípio e precisariam entrar com um mandado de segurança ou ação direta de inconstitucionalidade (Adin) pedindo a inconstitucionalidade da lei. Vou retirar o item.

A partir de agora, o serviço de transporte por aplicativo vai pagar uma taxa ao município, que é parte do projeto de compensação que havia citado. O caso aqui é o mesmo do Meio Ambiente, que estávamos reduzindo as taxas, mas que são medidas para facilitar a vida daqueles que produzem. Os governos muitas vezes querem penalizar aqueles que produzem. Temos é de facilitar.

A partir do momento que a pessoa tem um emprego, que abre uma nova empresa, um novo comércio, são novas oportunidades que abrem e novas receitas que serão geradas para o município. Estarei neste ano com uma agenda permanente de discussão para facilitar e desburocratizar as novas oportunidades para a cidade de Aparecida de Goiânia. Estamos próximos de lançar um polo para micro e pequena empresa. São 40 novas áreas que serão cedidas para as empresas. Essa é uma política que a cidade tem, de ceder as áreas para que as empresas gerem emprego e receita.

Tenho conversado com o secretário Wilder Morais. Temos um complexo, inclusive onde está hoje a área do semiaberto, que tem uma grande área que faz parte. Queremos que o Estado possa fazer um novo polo industrial. Até porque hoje não há nenhuma área que está na mão da prefeitura que possa ser cedida para uma empresa. E todos os dias alguém bate na minha porta querendo vir para Aparecida. Ou empresas que estão em Aparecida ou Goiânia, e por estarem em locais residenciais e não têm como expandir.

Com os novos polos, eu teria condição de fazer a cessão de área para que essas empresas possam fazer investimento. O momento é de desburocratizar, facilitar a vida das pessoas, criar um ambiente de negócios e isso vai gerar oportunidade e receita para o município.

O segundo momento são os investimentos que faremos a partir de agora. Falei sobre R$ 50 milhões para infraestrutura, mas temos um pacote para os próximos dois anos de aproximadamente R$ 300 milhões para serem investidos na cidade. Desde pavimentação asfáltica, serão vários bairros que serão pavimentados, o empréstimo que estamos fazendo junto ao Banco Andino, será a segunda etapa de construção de eixos. A primeira etapa foi basicamente a construção de eixos que ligam Aparecida a Goiânia, Norte-Sul 1, 2, 3, 4 e 5.

Quando me perguntam o que foi feito pelo Maguito que foi mais importante para dar um salto à cidade foi mobilidade. Nós não percebemos, mas uma cidade que não tem mobilidade tem muita dificuldade de desenvolver. Maguito fez quatro eixos, eu fiz um, e agora faremos várias ligações no projeto Leste-Oeste, no sentido contrário. Agora é hora de dar mobilidade entre os bairros da cidade. Serão construídos bueiros, pontes e eixos ao longo do município.

Além do investimento em infraestrutura, vamos investir pesado em urbanização. A cidade foi concebida e construída ao longo dos anos para trazer a infraestrutura que é básica, que é asfalto, CMEI, hospital. Sou o primeiro prefeito nascido na cidade. Desde garoto sempre senti falta de ver mais cor na cidade, mais espaços. Avançamos muito nos últimos dois anos. Foram quase 30 praças que construí nos dois primeiros anos. A ideia é que nos próximos dois anos construamos mais 80 praças, além de fazer alguns cercamentos de áreas verdes, pistas de caminhada, playground, academia aberta. Isso melhora muito a qualidade de vida.

Além da construção de praças, para melhorar o ambiente da cidade, lancei um desafio ao secretário de florir a cidade. A primeira praça que vou inaugurar nesse modela será a Praça Nion Albernaz. Nion fez isso em Goiânia e foi importante. Na época, Goiânia tinha uma cara bonita no sentido de ter muita cor, muitas flores. Também faremos investimento pesado na roçagem, na limpeza. Fazemos isso ao longo dos meses com mutirões. Mas isso será feito permanentemente nos bairros e principalmente nas grandes avenidas.

A sinalização também será prioridade. Temos uma malha viária muito grande. Estamos sempre sinalizando, mas a ideia é realmente ter uma atenção muito especial. Faremos um investimento de quase R$ 10 milhões nessa questão.

Outro investimento que para mim é um dos mais belos, é uma experiência que eu tive e foi uma das que mais me deu prazer. Há alguns meses, fui ao Sesi/Senai de Aparecida e vi um projeto com os jovens chamado Robótica. Parece uma coisa tão simples, é em forma de brincadeira. A grande empresa que trabalha isso é a Lego. São equipamentos construídos para fazer algumas tarefas. Só que a criança, para operar isso, teria de estudar muita matemática, física e química. Achei interessante o projeto.

“Quando cheguei ao evento, estava lá a primeira turma de robótica de Aparecida de Goiânia” | Foto: Rodrigo Estrela

Meu primeiro emprego na vida foi de estagiário no Sesi. Falei com o Adair Prateado Junior, diretor do Sesi, e disse que tinha vontade de visitar e conhecer melhor o projeto. Tive a oportunidade de visitar e conversar com os adolescentes. Uma turma com um gás tão grande de querer estudar. Fiquei impressionado. Chamei o secretário de Ciência e Tecnologia, que é um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Cleomar Rocha. Perguntei ao Cleomar se era possível levar o projeto para o setor público.

O secretário respondeu que era possível. Minha ideia era levar o Robótica para o ensino fundamental. O secretário disse que fez um projeto com a USP para alguns colégios de São Paulo que não teve continuidade e me apresentou a proposta. Gostei da ideia, pedi para o secretário escolher uma escola como projeto-piloto. Pegamos a unidade mais problemática, que é a Escola Municipal Francisco Rafael Campos [Conjunto Planicie], por estar próxima ao complexo prisional. Muitas crianças são filhas de presidiários.

Pegamos uma primeira turma com oito garotos. Começaram a implementar. Foi quando teve a feira de ciência do município. Quando cheguei ao evento, estava lá a primeira turma de robótica de Aparecida de Goiânia. Sentei com essa criançada, bati uma foto. As pessoas queriam me mostrar um monte de coisa que tinha na feira. Disse que queria conversar com as crianças. Um menino começou a se emocionar e falou “Gustavo, você mudou a minha vida”. “Eu não tinha esperança de nada. Não gostava de ir à escola, ia porque se não fosse minha mãe ia perder o Bolsa Família, detestava o ambiente da escola.”

Um falou para levar o projeto para outras escolas. Um deles disse que quer ser professor, outro astronauta. Eu vi crianças desestruturadas, abaladas talvez pelo ambientes em que vivem, com o olho brilhando. Tomei uma decisão e vou implementar robótica em todas as escolas municipais. Vamos começar por 20. Os professores falam até de casos de crianças que tinham dificuldade de conversar. Se você visse essas crianças falando comigo! Houve uma mudança de cultura a partir do investimento também em tecnologia.

Não adianta ter uma cidade inteligente, com mecanismo, com aplicativo, com projeto, com programa, se não tiver um cidadão inteligente. A ideia é investir na aculturação das pessoas dentro da cultura digital para que no futuro as pessoas saibam que o celular não é só para entrar na rede social e jogar. O celular tem uma infinidade de coisas que nós nem sabemos o tanto de aplicativos e oportunidades que existem a partir de um aparelho.

Nos próximos dias, vou começar uma campanha na cidade, um projeto de trabalhar com o cidadão a conscientização da saúde. Quando falamos da saúde só falamos do doente. Pensamos na pessoa que está na fila para operar, o que tem pressão alta, diabete. É importante tratar essas doenças. Mas a pessoa saudável é um doente em potencial.

Digo isso porque já vinha buscando e conversando com a as secretarias de Saúde e Esporte para elaborarmos um projeto e disse que eu seria o primeiro a dar a lição. Talvez vocês não saibam, mas há 40 dias comecei uma dieta e perdi 16 quilos. Posso dizer que não tenho mais dor no joelho, tornozelo, hérnia de disco. Minha pressão regularizou. Até parei de roncar. Até na outra parte está muito boa. A saúde está nota dez.

Vamos começar o primeiro projeto com cerca de cem pessoas fazendo orientação nutricional, acompanhamento para a pessoa fazer atividade física, se for o caso acompanhamento psicológico. Vamos começar em três pontos da cidade. A ideia é fazer o que algumas TVs têm feito para conscientizar as pessoas da importância da alimentação, de fazer atividade física. Quanto mais o tempo passa, as filas nas unidades de saúde estão crescendo e não paramos para pensar que temos de prover saúde, hospital, equipamento, mas temos de prover também uma mudança cultural.

Estamos indo na mesma direção que os americanos foram. Uma população extremamente obesa, que não pensa na sua alimentação, que come muito mal. Eu, por exemplo, descobri um veneno que tinha na minha vida, que era o tal do refrigerante. Se me oferecesse Coca-Cola no café da manhã eu tomava. No almoço era todo dia. E no jantar se tivesse eu tomava. Um litro de Coca-Cola equivale a duas refeições, o almoço e a janta.

Parece que o prefeito está falando de uma bobeira, mas é um assunto sério. O prefeito, o gestor, tem de pensar na população. Vocês verão a mudança cultural que teremos nas pessoas de Aparecida. Não posso pensar só em orientação, tenho de prover espaço para as pessoas. Estaremos construindo equipamentos, praças, playground, pistas de caminhada. Temos orientação de cerca de 15 pessoas em praças da cidade com os grupos da terceira idade, com grupo de diabéticos. Nosso Centro Olímpico tem cerca de 600 matriculados na natação, hidroginástica, futebol, capoeira.

Vou começar, pensando em saúde pública, não só fazer investimento no hospital, mas promover esse tipo de atividade para as pessoas como um todo para melhorar a vida da população.

Augusto Diniz – O ano letivo está prestes a começar e a quantidade de vagas na educação infantil na rede municipal em Aparecida é de cerca de 4 mil. É o suficiente para atender a demanda da cidade?
Não é suficiente. Temos um cadastro de reserva. O município sozinho não tem condição de prover todas essas vagas. O governo federal tem as suas contrapartidas tanto para construção quanto para custeio. Falávamos sobre a saúde, é o mesmo caso da educação. O grande problema nessa equação não é construir equipamentos públicos, mas o custeio.

Em tese, o que se gastaria para construir uma unidade é gasto em um ano para mantê-la. Isso se falarmos só em insumos e na contratação de profissionais. Não estou falando de reparos, apenas na mão de obra. É preciso existir uma política do governo federal para realmente contribuir com os municípios, porque infelizmente nós não temos como prover sozinhos vagas para todas essas crianças.

E eu lamento muito. O meu sonho, para promover igualdade, seria que todas as crianças tivessem acesso à educação. Muitas pessoas não sabem disso, acham que os CMEIs seriam um espaço para que as crianças fiquem enquanto seus pais trabalham. Mas não, é uma das fases importantes dentro do ciclo da educação. Mas nós precisamos do governo federal.

O município de Aparecida havia conquistado junto ao governo federal, ao Ministério da Educação (MEC), a construção de 13 CMEIs. Nós cumprimos todas obrigações com o governo federal, desde a contrapartida das áreas e os prazos que foram estabelecidos para licitar e fazer os projetos, o que é um pouco burocrático. Já tínhamos licitados as 13 obras, mas no segundo semestre de 2018, o GPAC [Grupo Permanente de Análise de Conjuntura], do governo federal, soltou normativa cancelando todos CMEIs que já estavam liberado.

Como tinha cumprido com todas as obrigações do município, chamei a a Procuradoria e determinei que entrasse com instrumento na Justiça Federal para que não perdêssemos esse recursos. Em primeira instância, obtivemos a liberação do recurso. O MEC entrou com recursos e estamos esperando as discussões. Assim que for deliberado, se for positivamente para o recurso ficar com o município, darei a ordem de serviço.

Não fiz isso antes porque era ano de eleição e a partir do meio do ano não se pode fazer mais nada. A situação foi dada naquele período e não tive como iniciar as obras. Se ocorrer uma posição da Justiça favorável à cidade de Aparecida, dou a ordem de serviço e no outro dia podem começar as construções.

Se o entendimento for desfavorável ao município, teremos de iniciar um novo diálogo com o Ministério da Educação para mostrar a necessidade que realmente existe, são várias crianças que estão fora dos CMEIs, quanto a disposição do município com as contrapartidas, seja de doação de áreas e a manutenção depois de construídas as unidades.

“Torço muito para que Ronaldo Caiado faça um grande governo”

“Muitas pessoas não sabem disso, acham que os CMEIs seriam um espaço para que as crianças fiquem enquanto seus pais trabalham. Mas não, é uma das fases importantes dentro do ciclo da educação” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Felipe Cardoso – O secretário municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Goiânia, Henrique Alves, disse ao Jornal Opção que Goiânia não deixou de crescer, mas que Aparecida de Goiânia e Senador Canedo cresceram muito mais do que a própria capital. O sr. acredita que essa lógica tende a se manter?
Goiânia tem tido uma dificuldade, primeiro por conta de tudo que passou, pela crise que a capital tem experimentado. Se o prefeito não tem condição de fazer investimento ele tem dificuldade. Talvez isso se deve à perspicácia que tiveram Aparecida e Vanderlan Cardoso quando foi prefeito de Senador Canedo, de pensar que na Região Metropolitana Goiânia tinha fechado as suas portas para a industrialização. O que Aparecida fez e Vanderlan inteligentemente copiou Aparecida? Abrir a porta para as grandes indústrias. Aparecida, que era a cidade-dormitório, hoje Goiânia é cidade-dormitório de Aparecida e Senador Canedo.

Muitas pessoas que moram em Goiânia trabalham em Aparecida. Eu me lembro quando fazia faculdade, ia para Goiânia pela manhã para a universidade, era muito carro indo de Aparecida para Goiânia e pouquíssimos indo de Goiânia para Aparecida. Hoje você sai pela manhã ou no final da tarde e percebe que o fluxo é igual. Tem muita gente de Goiânia indo para Aparecida trabalhar, ir ao hospital, estudar.

Hoje temos esta independência e equilíbrio. Goiânia não podia dona de toda economia e as cidades da Região Metropolitana ficarem só com os problemas. Estamos conseguindo ter esse equilíbrio. A grande sacada foi a política de industrialização das cidades. Porque Goiânia entendeu, por ser muito forte no setor de serviços e no comércio, que a questão industrial não era interessante. Acredito que não tenha sido uma escolha do prefeito Iris Rezende (MDB), mas de gestões passadas que não buscaram para a capital essa vertente.

Singapura é uma cidade-Estado que tem leis que facilitam a vida das pessoas. Lá você não pode trabalhar a mais de 1,5 quilômetro de distância da sua casa. Singapura tem milhões de habitantes e é do tamanho de Goiânia. Uma das cidades mais fantásticas que visitei. O cidadão tem a facilidade de se deslocar e tem de trabalhar próximo de sua casa. O sistema de transporte é muito eficiente. A pessoa mora em um complexo que tem shopping, tem consultório médico, salão de beleza, escola. Só o trabalho dele fica fora daquele complexo. Isso facilita a vida das pessoas.

Qual o entendimento que os empreendedores têm? Se eu tenho muito serviço ofertado, mão de obra, e as pessoas estão morando em Aparecida, vou fazer edifício, condomínio fechado, para esse cara morar perto do serviço. É melhor estar a cinco, dez minutos, da sua casa do que ter de encarar uma hora e meia a duas horas de trânsito para chegar ao seu trabalho. Por isso, Aparecida e Senador Canedo têm tido essa explosão de investimentos que estão sendo feitos nessa concepção.

Se você for hoje em Aparecida verá dezenas, talvez centenas, de empreendimentos de prédios, condomínios fechados, casas. Por quê? Porque as pessoas querem morar perto dos seus trabalhos.

Augusto Diniz – Dada a dificuldade financeira e as patinadas administrativas da Prefeitura de Goiânia, como o sr. avalia a gestão Iris Rezende de 2016 até hoje?
Iris assumiu a Prefeitura de Goiânia com uma série de problemas. Não tenho dúvida que o Iris vai dar a volta por cima. Claro que o prefeito enfrentou alguns problemas crônicos, como a folha muito inchada. A folha da Comurg é maior do que a folha da Prefeitura de Aparecida de Goiânia. Se não há recurso para fazer investimento haverá dificuldade. Iris é um grande gestor, embora esteja com seus 85 anos de vida, ainda tem muita vitalidade, vai conseguir dar a volta por cima e fazer os investimentos que são importantes. Acredito que Goiânia vai começar a retomar as grandes obras e as pessoas vão, no final disso tudo, ter orgulho do prefeito que tiveram na cidade de Goiânia.

Augusto Diniz – O sr. foi um dos prefeitos que defenderam que o MDB tivesse candidatura própria a governador nas eleições de 2018. Vimos a situação de uma eleição no diretório estadual do partido que chegou a ser judicializada. Houve inclusive uma tentativa do grupo do MDB que apoiou o governador Ronaldo Caiado de tomar o poder do MDB no Estado. Como o sr. vê a situação do MDB goiano?
É natural haver disputa. Isso ocorre em todos os partidos. No PT aqui sempre há essas divisões. Quando não há um cacique que chega e aponta o caminho, existe essa dificuldade. Infelizmente Adib [Elias], que é prefeito e está certo de estar em Catalão preocupado com sua gestão, perdeu o prazo e não teve condição de montar sua chapa. Embora tenha havido uma liminar na quarta-feira por conta do pedido que Adib fez, eu li a decisão do magistrado e houve uma confusão.

Diz que o MDB e o presidente Daniel Vilela cumpriram o regimento, que diz que é preciso ter cinco dias – se você cumpriu os cinco dias você cumpriu o que está no regimento -, mas que, na razoabilidade, não está correto. Quem tem de discutir o mérito é quem faz o regimento. E quem fez o regimento foram os membros do MDB. Não há o que se discutir se o partido cumpriu com aquilo que está no regimento, não cabe discutir razoabilidade. Acreditava que a decisão seria reformada e no sábado, 19, tivemos a reeleição do Daniel como presidente do partido, infelizmente em disputa com chapa única porque os adversários perderam o prazo.

O MDB saiu muito fortalecido. Uma candidatura a governador que não tinha o apoio de muitos prefeitos. Um jovem como eu e que ficou em segundo lugar. E se não fosse essa onda que ocorreu no País de votar em pessoas que teoricamente têm essa posição mais de direita, até porque para mim o MDB é um partido de centro-direita, a onda chegou em Goiás também e Ronaldo Caiado venceu as eleições. Se as pessoas fossem votar por conta dos debates, quem tinha mais conhecimento e condição de governar Goiás, não tenho dúvida nenhuma que Daniel seria hoje o governador do Estado de Goiás.

infelizmente, em uma eleição totalmente adversa, isso não ocorreu. E espero que o governador cumpra com aquilo que ele se comprometeu, com o Estado de Goiás, que é mudar a história da saúde, da segurança pública, fazer investimentos importantes, pagar a folha em dia. Estou muito convicto que ele dará conta de fazer essa gestão e em alguns dias a situação estará normatizada. Mas o MDB continuará junto com Daniel Vilela, grupo do qual faço parte.

Danin Junior – Como o sr. avalia os primeiros dias da gestão Caiado?
Era previsto que Caiado teria dificuldade até acertar. O governador está um pouco atrasado com a equipe. Caiado já deveria ter nomes em todos os espaços para que tivesse condição e conhecimento daquilo que ocorre em todas as secretarias para que aqueles que são subordinados ao governador pudessem passar o que está acontecendo no Estado. Essa é uma das coisas que Caiado precisa acelerar. Até porque estamos chegando no segundo mês de governo.

As pessoas que estão sem receber eu me solidarizo com elas, as pessoas que trabalham, que cumpriram com suas obrigações e estão passando esse momento de dificuldade. A esperança que nós temos é que isso se resolva, que possamos pacificar essa situação e que o Estado de Goiás não venha a sofrer nenhum retrocesso. Que continuemos crescendo, bem posicionados nacionalmente e aumentando a colocação nos índices de desenvolvimento. Torço muito para que Ronaldo Caiado faça um grande governo.

Rafael Oliveira – O sr. disse que o MDB cresceu no Estado, Daniel ficou em segundo na disputa para governador, mas o partido perdeu representatividade no Congresso. Pedro Chaves e Daniel Vilela não foram candidatos a reeleição na Câmara dos Deputados. Em compensação, ganhou o senador Luiz Carlos do Carmo. A impressão é que o MDB centrou todas as forças na candidatura do Daniel e esqueceu de apoiar os candidatos a deputado federal. Isso foi estratégico para fortalecer o nome do Daniel e vir ainda mais forte na próxima?
Não diria que foi estratégico, diria que foi uma soma de vários fatos que ocorreram ao longo do processo. Parte do grupo que não apoiou Daniel pode ter atrapalhado um pouco o partido ir para a eleição dividido. Mas mesmo com isso Daniel obteve milhares de votos [479.180 votos], conseguiu muito bem fazer o seu papel. Não tenho dúvida que é o grande player para a próxima eleição de governador.

Não tenho visto Daniel demonstrar isso, mas pode ter certeza que ainda dará muita alegria para os goianos. Se Daniel estivesse à frente do Estado talvez teríamos, não vou dizer que uma outra situação, um pouco mais de parcimônia, um pouco mais de calma para poder fazer todas as mudanças que são necessárias.

Felipe Cardoso – Sobre a sucessão na Prefeitura de Aparecida em 2020, o que o sr. espera?
Não estou muito focado nisso. Até porque quero fazer um bom governo. Se as coisas estiverem na sua normalidade, avaliarei se colocarei meu nome à disposição ou não. Mas o que eu quero é deixar meu nome na história de Aparecida como alguém que revolucionou a saúde, como alguém que tornou Aparecida uma cidade inteligente, como alguém que levou as pessoas à cultura da tecnologia, como alguém que estabeleceu aliança com Israel. Estou com uma relação muito próxima ao governo de Israel. No Rio de Janeiro, fui o porta-voz do evento com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Tudo isso prospectando investimento e qualidade de vida para as pessoas.

Felipe Cardoso – Existe algum nome que o sr. acredita que possa vir a ser uma oposição ferrenha ao MDB em Aparecida?
Teoricamente o governador Ronaldo Caiado tem uma predisposição de lançar um candidato. Mas não sei se tem nome. Nem me preocupo com isso. Estou preocupado em fazer um bom governo. Depois, em um segundo momento, vou avaliar se colocarei meu nome à disposição, se contribuirei de outra forma. Eu nasci em Aparecida, vivi em Aparecida, vou continuar lá, tudo que eu tenho está na cidade. O que eu quero é que a cidade vá bem. É por isso que tenho trabalhado tanto.

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