“Escândalo na Petrobrás tira R$ 3,5 milhões por mês de Senador Canedo”

Prefeito afirma que sua reeleição vai depender do desempenho administrativo que ele conseguir realizar neste ano de muitas dificuldades econômicas

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

 

Um administrador de olho no futuro, trabalhando para preparar sua cidade no rumo de desenvolver sua potencialidade natural como polo industrial. Assim pode ser definido o prefeito de Senador Canedo, Misael Olivei­ra (PDT). O ex-vereador e ex-deputado fala das muitas dificuldades que enfrenta na gestão de sua cidade, mas também enumera um rol de projetos realizados e a realizar principalmente nas áreas de saúde, de educação, de habitação popular, de segurança pública e de meio ambiente.

Misael desmente afirmação de pessoas da Prefeitura de Goiânia, de que os canedenses sobrecarregam o sistema de saúde da capital, garantindo que é o contrário. “Nosso postos de saúde próximos a Goiânia estão cheios de gente da capital, mesmo porque temos médicos 24 horas por dia, diferentemente do que acontece nos Cais goianienses”, afirma.

Na questão política, Misael Oliveira diz que está trabalhando para que o ex-prefeito Vanderlan Cardoso (PSB) e o governador Marconi Perillo (PSDB) se reaproximem, talvez até para uma aliança político-eleitoral mais adiante. “Por enquanto, estou malhando em ferro frio, mas acredito que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Euler de França Belém – Senador Canedo sempre teve uma arrecadação alta devido à Petrobrás. O escândalo da empresa afetou o faturamento dela no município, como aconteceu em outros lugares?

Desde 2010, percebemos que os índices de arrecadação de Senador Canedo vêm caindo de ano a ano. Fomos procurar o cerne da questão. Começamos através das notas fiscais de transferência, porque a gasolina vem para o município, que é filial da base de Paulínia, então não tem venda, não tem transação comercial. Em 2010, a gasolina chegava a Senador Canedo a 420 ou 430 reais o metro cúbico. O valor adicionado do município, de todos os municípios, é calculado pelo valor da venda do produto menos o valor de entrada, aquilo compõe a riqueza do município.

Acontece que a Petrobrás passou a majorar o custo — e depois que o escândalo veio à tona, fomos entender — para diminuir o repasse aos acionistas. Numa empresa com sócios, se os diretores usando de má fé, dizem que os custos de produção aumentaram, então eles têm argumento para poder repassar menos dividendos a esses sócios.

Mas a verdade é que os custos de produção não aumentaram coisa nenhuma, porque o preço do petróleo fez foi cair no mercado internacional, está num dos níveis mais baixos da história recente. E como a Petrobrás compra muita da África, da Venezuela, usaram o argumento de que a importação elevou o custo da produção, mas vemos que com o escândalo da Lava Jato, era só pra diminuir o repasse ais acionistas.
Isso prejudicou Senador Canedo sobremaneira, porque nossa grande riqueza vem do ICMS do petróleo. Estimamos uma perda em média de R$ 3,5 milhões por mês por causa dessa queda. Para se ter uma ideia, Senador Canedo já foi o terceiro lugar em ICMS no Estado, com 5,46% do total, hoje estamos em sexto lugar, com 3,77%. Aparecida de Goiânia, que era o sexto, hoje é o quarto, porque investiu pesado nos distritos industriais. Nosso foco em Senador Canedo é a vocação industrial.

Estou trabalhando nisso hoje, e será um legado que deixaremos para as próximas gerações. Recuperação de ICMS não se faz da noite para o dia, ela se faz na média dos dois últimos anos em vendas e valor adicionado. Mesmo que a Petro­brás volte a faturar o correto, nossa recuperação ainda vai demorar. A questão da Petro­brás nos complicou.

Euler de França Belém – Falando nos distritos industriais, hoje a empresa mais forte na sua cidade é a Hypermarcas [conglomerado brasileiro com sede em São Paulo]?

Não. A Hypermarcas é outro problema, porque o município deu a ela uma área de cinco alqueires para fazer o centro de distribuição (CD), mas ela fez em Goiânia. Ou seja, a riqueza da Cosmed [indústria de medicamentos e bens de consumo dos setores alimentício e cosmético do grupo Hyper­marcas] produzida em Senador Canedo, numas sete ou oito empresas lá, com quase 4 mil funcionários, vem toda para Goiânia.

É um arranjo fiscal que a lei permite e que eles usam para diminuir a incidência dos impostos no custo de fabricação. Eles jogam uma margem de lucro pequena dentro de Senador Canedo, 2%, aí incide os impostos do IPI, Pis, Cofins e o ICMS substituto tributário. Quan­do vendem para a Hypermarcas, ela coloca o preço real de mercado para vender para todo o Brasil, e aqui já não pode ter mais incidência de imposto, senão seria bitributação. Então a grande riqueza produzida hoje em Senador Canedo fica em Goiânia, no CD da Hypermarcas.

Euler de França Belém – E não tem jeito de mudar isso?

Não tem jeito, porque a Hypermarcas gastou uma fortuna para fazer seu CD em Goiânia, enfrentou Ministério Público, etc. Do ponto de vista fiscal e tributário é uma operação legal. O que precisávamos mesmo era do valor adicionado. Eu preferia que a fábrica da Hypermarcas estivesse em Goiânia e o centro de distribuição estivesse em Senador Canedo.

Cezar Santos – Mas como está o trabalho para ampliar o distrito industrial de Senador Canedo?

Temos um compromisso do go­vernador, feito em campanha, pa­ra a doação de uma área de 30 al­queires, da Emgopa, para isso. Queremos fazer só centros de distribuição nessa área.

Quando se olha no índice, por que Abadia de Goiás teve um aumento? Porque o Ricardo Eletro levou o centro de distribuição para lá. Aparecida teve um crescimento violento porque investiu em CDs, tem lá as empresas Rio Vermelho, Jorge Costa e muitas outras distribuidoras.

Aparecida está certa, investiu certo. Queremos com esse 30 alqueires fazer um centro de distribuição em Senador Canedo. Já temos uma área de 18 alqueires do governo federal, da antiga Rede Ferroviária, e queremos fazer ali também um ponto de transbordo para Anápo­lis. Quem quiser mandar mercadorias para Anápolis e para São Paulo, poderá fazê-lo a partir de Senador Canedo, porque queremos fazer um CD aproveitando a linha férrea.

Euler de França Belém – Qual é a arrecadação de Senador Canedo hoje?

Em torno de R$ 23 milhões por mês, e nossa folha de pagamento é na ordem de R$ 12,3 milhões. O problema é que au­men­taram a demanda da saúde e da educação. Nossa população está crescendo na média de 12% ao ano. E quando falta o recurso do ICMS, afeta nossas finanças, porque temos de manter a máquina funcionando. Nós pagamos banco de hora para as Polícias Militar e Ci­vil, em torno de R$ 100 mil por mês.

Euler de França Belém – E melhorou a segurança com o banco de horas?

Melhorou, a Polícia Militar tem levantamento de que houve redução da criminalidade no município. Mas nós cedemos funcionários para o Tribunal de Justiça. Tive­mos de reduzir a folha de pagamento agora em 20%.

Mandamos o projeto de lei para a Câmara, temos de fazer uma readequação e vamos demitir em torno de 200 funcionários comissionados. Hoje temos em torno de 1,1 mil comissionados. Fizemos concurso para a Saúde no ano passado, para contratar 1,3 mil pessoas. Estamos chamando os concursados e dispensando os contratados e comissionados.

Cezar Santos – Quantos funcionários a Prefeitura de Senador Canedo tem hoje?

A estrutura da prefeitura exige cer­to número de funcionários. Te­mos hoje 5 mil servidores para atender 110 mil habitantes, conforme o SUS, já caminhando para 115 mil — o número do IBGE é de 98 mil.

Euler de França Belém – Por que Senador Canedo atrai tantas pessoas do Nordeste? Sabemos que há muitos baianos, por exemplo, indo para o município.

Atrai por causa de empregos, saúde, qualidade de vida. Estamos na região metropolitana da capital, a apenas mil km de São Paulo, 200 km de Brasília, estamos no coração do Brasil. Isso influencia. O IBGE mostra que 66% da população de Senador Canedo é composta por nordestinos.

conexao.qxdCezar Santos – A moradia em Senador Canedo é mais em conta, mesmo estando tão perto de Goiânia?

Não é, a moradia lá é mais cara. A valorização imobiliária em Senador é acima da média nacional. Um alqueire de terra dentro da área de expansão urbana custa R$ 1,4 milhão. Foi vendido agora, num leilão do Estado, quatro alqueires na área de expansão, por esse preço. Acho que essa valorização se dá pela qualidade dos serviços de saúde prestados na cidade.

Enquanto Aparecida tem 150 médicos para 500 mil habitantes, Senador Canedo tem 184 médicos para 110 mil habitantes. Temos 22 PSFs [Programa Saúde da Família, implantado no Brasil, pelo Minis­tério da Saúde em 1994], uma UPA (Unidade de Pronto Aten­dimento) e três prontos-socorros.

Temos centro de especialidades médicas, centro de especialidades odontológicas. Temos uma maternidade-escola reconhecida pelo Ministério da Educação, oferecendo oito vagas de residência. Vamos ampliar essa maternidade agora para fazer a unidade neonatal com 25 vagas.

Temos convênio com a Universidade Federal e com a Uni-Evangélica. Inclusive, estamos negociando com a Uni-Evangélica, que está construindo sede em Senador Canedo, para que ela transfira parte de seu curso de Medicina para a cidade. Hoje, sem falsa modéstia, posso afirmar que temos a melhor rede de saúde do Estado e uma das melhores do Brasil. Não sou só eu que fala, pode conversar com os médicos do CRM (Con­se­lho Regional de Medicina) e do CRO (Conselho Regional de O­don­tologia). Aten­demos 100% do PSF.

Cezar Santos – Então, a migração não dificulta a administração da cidade?
Essa questão complica. Nós gastamos com o transporte escolar R$ 5 milhões por ano para buscar as crianças que mora a mais de três km da escola. Temos um transporte escolar interno dentro da cidade. Isso nos preocupa porque o dinheiro do transporte escolar não vem, o dinheiro dos PSF também está atrasado e o município acaba tirando recursos de outras áreas para cobrir essas lacunas.

Euler de França Belém – No tocante à saúde, como está a relação da Prefeitura de Senador Canedo com a Prefeitura de Goiânia? O sr. diz que a rede em sua cidade é muito boa, mas aqui eles alegam que muita gente de Senador busca atendimento na capital.

Isso é uma mentira das grossas, é querer transferir reponsabilidade. E eu desafio: os nossos postos de saúde no limite com Goiânia são todos sobrecarregados com gente da capital e até de Aparecida. Nossa saúde é pactuada, qualquer atendimento de gente de Senador Canedo em Goiânia é pactuado, só é liberado depois de autorização da Regulação de Goiânia, que regula todos os municípios.

Então, isso é uma balela muito grande, conversa fiada. Eles fecham o pronto-socorro do Jardim Novo Mundo e sobrecarrega o nosso Alvorada e Vila Galvão, onde passei ontem à noite (dia 18) e vi vários carros com placa de Goiâ­nia.

E somos obrigados a atender, é emergência. Já tive a experiência de ir aos Cais Amendoeiras e Novo Mun­do, à note; cheguei lá tinha apenas um médico de plantão. Enquanto na UPA temos cinco médicos de plan­tão durante 24 horas. Nos outros prontos-socorros temos sempre mais. No Alvorada temos três médicos 24 horas, no São João.

Euler de França Belém – Quanto ganha um médico em Senador Canedo?

Pagamos 900 reais por um plantão de 12 horas, durante a semana, e 1,1 mil nos finais de semana. Tem médico que tira R$ 20 mil a R$ 25 mil por mês em Senador Canedo.

Euler de França Belém – O transporte coletivo tem sido uma queixa frequente. Melhorou, com a extensão do Eixo Anhanguera até Senador Canedo?

As reclamações diminuíram bastante, com a duplicação da GO-403. O que regula a qualidade do transporte é a rapidez. Com a 403 duplicada, com ônibus maiores, biarticulados, e a rapidez, certamente que as reclamações diminuíram. Ainda há reclamações sobre pontos de ônibus, que a CMTC deixa a desejar. A extensão do Eixo era um compromisso desde o primeiro governo Marconi com a duplicação da GO foi feita.

Cezar Santos – Os ônibus vão até à entrada da cidade?

Vão bem ao centro da cidade, o terminal é bem localizado.

Euler de França Belém – O que aconteceu com a Faculdade Padrão, que estava se instalando em Senador Canedo e de repente parou?

Nós doamos a área para a Padrão, na época do ex-prefeito Vanderlan Cardoso, eles fizeram o esqueleto do prédio, por sinal uma obra muito boa, com dois andares de sala de aula, mas não conseguiram aprovar os cursos para Senador Canedo até hoje. Sei que algumas universidades que têm cursos de Medicina aprovados em Goiás, que estão tentando negociar com o Walter Paulo (dono da Padrão) a aquisição do prédio.

Nós mesmos tentamos negociar a aquisição do prédio, dando lotes urbanizados em contrapartida. Ele não manifestou interesse. Quería­mos transformar o prédio no centro administrativo da prefeitura, deixando no paço apenas a questão mais política e as secretarias mais pesadas: a de Educação e a de Planejamento. Conversei com o advogado dele, mas não houve interesse. Porém, ainda mantemos esse plano.

Temos uma área que podemos urbanizar com essa finalidade, o que seria financeiramente benéfico para ele e logisticamente bom para o município, pois o cidadão canedense iria em apenas um prédio para resolver todos os seus problemas.

Euler de França Belém – É possível terminar o paço municipal neste ano?

Estamos caminhando com a obra, que está dentro do seu cronograma, seguindo o seu curso natural.

Euler de França Belém – São 110 mil habitantes e os valores dos terrenos e imóveis estão muito altos, como o sr. disse. Mas a prefeitura tem um programa de habitação, que, segundo consta, não constrói apenas casas, mas também apartamentos. Como está?

O programa começou durante o governo de Vanderlan Cardoso, com os bancos de lotes. A área foi cedida para a Caixa Econômica Federal, no Programa Minha Casa, Minha Vida. Coube à prefeitura conceder o terreno e a estrutura e à Caixa a construção das casas. Tanto que a licitação é feita pela própria Caixa.

E, nesses dois anos, estamos entregando 1.140 unidades habitacionais. Já entregamos 500 casas e faltam 640 apartamentos, que já estão prontos. A nossa estação de tratamento de esgoto está prevista para entrarem funcionamento nesses três próximos meses.

E, pela projeção, Senador Canedo será uma das poucas cidades do Brasil a fazer parte do seleto grupo que tem 100% de universalização de água e esgoto.

Euler de França Belém – Essas casas têm energia solar?

Sim. A prefeitura fez toda a estrutura da urbanização, com asfalto, galeria de água pluvial, meio-fio, calçada e grama. Gramamos em volta de todas as casas e a Caixa já construiu todas as casas com aquecedor solar.

No Residencial Prado, a iluminação de todas as 350 casas que entregamos agora é feita a LED, que gera uma economia de 40% de energia na iluminação pública. Ou seja, estamos dotando Senador Canedo com o que há de mais moderno na área de construção de casas populares e também na questão da sustentabilidade.

Euler de França Belém – Há muitas cidades com problema de água. Catalão, por exemplo, municipalizou o fornecimento, mas está com dificuldades no fornecimento. Senador Canedo tinha um problema com água. Resolveu?

Como toda administração tem suas variáveis, que exigem decisões imediatas, nos primeiros dias deste ano tivemos que fazer uma mudança de percurso para priorizar essa questão. A rede de esgoto está sendo instalada e a de água ampliada. Estamos fazendo várias represas. Estamos construindo a represa da Lajinha, que está sendo feita acima da estação de tratamento do Bom Sucesso, em uma área particular, onde antes havia uma represa que estourou.

Explicamos para o proprietário que era de interesse público fazer essa represa na área dele e ela funcionará com o sistema de monge [para drenagem da água], em que é possível regular a saída da água. Ali teremos cerca de 50 milhões de litros reservados. Além disso, vamos também am­pliar a represa do Bom Su­ces­so. Fora os cinco lagos do Parque Boa Vista, que irão servir também para o abastecimento.

Nesse momento, os lagos já foram reprojetados para o abastecimento. Se tivermos necessidade, recorreremos a eles. Há também o lago do Parque Alvorada. Já estamos entrando com as máquinas no local, que irá nos servir de mais aproximadamente 10 mi­lhões de litros. Nós estamos trabalhando para termos uma capacidade de armazenamento de mais de 200 milhões de litros.

Cezar Santos – Essas obras serão entregues na sua gestão?

Serão entregues agora. São lagos rápidos, que devem estar prontos até abril. Os topógrafos já estão fazendo os levantamentos e os projetos para imediatamente a prefeitura realizar a construção dos monges e barramentos.

Tudo dentro das técnicas de engenharia para começar a armazenas a água e encher os lagos. Temos previsão de chuva para fevereiro e confiamos que isso ajude a abastecer o lençol freático e encher esses lagos. Além disso, estamos projetando um lago que irá gerar aproximadamente 2 bilhões de litros de água.

O Alphaville está negociando a doação de dez alqueires para a prefeitura fazer um lago abaixo do Rio Sozinha e do Bom Sucesso. Esse lago garantiria o abastecimento da cidade durante 460 dias. Queremos começar a construção desse lago ainda neste ano.

Marcos Nunes Carreiro – Senador Canedo é exemplo no fornecimento de água. O custo é alto? Por que outras prefeituras não conseguem municipalizar o fornecimento?

Posso te dizer que o governo federal tem recursos, principalmente em relação a saneamento básico, que são liberadores geralmente via OGU [Orçamento Geral da União], ou seja, o município não tem que pagar nada desses recursos. São os chamados recursos a fundo perdido. Cidades que têm projeto é só cadastrá-lo no Ministério das Cidades.

Em relação ao esgoto, eu sempre digo: por que a Odebrecht quer comprar o esgoto? Porque é o melhor negócio do mundo. O tratamento de esgoto antigamente correspondia a 80% e hoje a Saneago já cobra 100%. Se você consome dez litros de água, você paga o tratamento de dez litros esgoto.

Cezar Santos – E a questão de questão de escala? Se for um município pequeno não é remunerável…

Se entregar para o município, ele consegue gerir. O município não consegue fazer os investimentos, mas, se o sistema for dele, ele consegue recursos com o governo federal. Uma das prioridades do governo Dilma foi a universalização de água e esgoto, tanto que a Saneago conseguiu muitos recursos. O Estado conseguiu avançar muito na questão do saneamento básico. E esses recursos, quando não são a fundo perdido, vêm na forma de empréstimos a 5% ao ano. É melhor que o FCO [Fun­do Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste].

Marcos Nunes Carreiro – Mas o município tem algum custo ou vem tudo do governo federal?
A prefeitura tem que dar os aportes, até conseguir consolidar a estrutura da empresa. Quando tiver nossa empresa tratando o esgoto e com os reservatórios construídos, teremos uma empresa altamente competitiva e poderemos vender água até para Goiânia e os municípios da região. Por exemplo, Caldazinha venceu a concessão.

Se o município quisesse vir para Senador Canedo, e essa é uma proposta que estou fazendo para o governo e a Saneago, passar o sistema de tratamento de água de Caldazinha para a Prefeitura de Senador Canedo, nós assumimos tranquilamente.

Cezar Santos – Aí envolveria a questão mais ampla dos consórcios intermunicipais. Qual é a proposta de Senador Canedo?

Queremos fazer um consórcio nas áreas de lixo, iluminação pública e fornecimento de água. Esse consórcio envolverá dez municípios. Entre eles, Caldazinha, Bela Vista, Goianápolis, Bonfinópolis, Leopoldo de Bulhões, Silvânia e Hidrolândia. Iremos procurar as prefeituras dessas cidades para fazer um consórcio no tratamento do lixo e em relação à iluminação pública.

Assim, poderíamos perfeitamente estender nessa questão o fornecimento de água. Isso traria um avanço muito grande, tanto que o governo já criou o Plano Diretor da Região Metropolitana, o que nos permite criar consórcios. Já conversei com o prefeito de Caldazinha [Edimon Borges de Oliveira, do PT] e procurarei os demais sobre a criação do consórcio em um raio de 5 quilômetros buscando a melhoria da qualidade de vida e a diminuição dos custos das prefeituras. Propomos a troca da iluminação de todas as cidades por LED, a exemplo do que existe no Rio Grande do Sul. Fora isso, na área do aterro sanitário, propomos a criação de uma central de tratamento e geração de energia.

Essa central seria construída em Senador Canedo, na área do atual aterro sanitário. A geração aconteceria com a queima do lixo. Sobre isso, fizemos um protocolo de intenção e essa empresa do Rio Grande do Sul já nos informou que precisa, no mínimo, de cerca de 160 toneladas de lixo por dia para funcionar. Ou seja, o ideal seria que Goiânia encampasse um projeto assim, mas Goiânia não se manifesta e nós vamos buscar os municípios que estão com problemas com o governo federal em relação à construção de seus aterros sanitários.

Esse sistema acaba definitivamente com os aterros e nós vamos dar um passo à frente e avançarmos bem adiante no tratamento de nosso lixo, além de ter geração de energia. Até aquele lixo já enterrado será reaproveitado. É um projeto grandioso. A empresa gaúcha esteve aqui e apresentou a proposta. Queremos, agora, reunir os prefeitos para irmos ao Rio Grande do Sul conhecer como funciona. Queremos conversar com os municípios que fazem parte desse programa lá e perguntar se foi realmente vantajoso. Não iremos colocar nossos municípios em aventuras.

Frederico Vitor – A prefeitura de Goiânia nunca procurou fazer algum tipo de parceria com Senador Canedo?

Não, e acho que pela própria dificuldade enfrentada pelos municípios. Eu gosto muito de inovação. Eu faço muitas pesquisas na internet e procuro ler os jornais de circulação nacional. Assisto muito o programa “Cidades e Soluções”, no canal Globo News.

Tem muito projeto interessante acontecendo pelo Brasil, que é muito rico em bons exemplos. Na região serrana do Rio de Janeiro existem os biodigestores degradáveis. Eles não fazem estações de tratamento de esgoto. Algo que copiaram da China e que resolve o problema da região serrana. Então, há muita coisa interessante acontecendo nas mais de 5.500 prefeituras do Brasil.

Cezar Santos – Na sua cidade há uma utilização considerável de pivôs de irrigação?

Recentemente sobrevoamos o Bom Sucesso e vamos fazer agora um sobrevoo no Rio Sozinha, para perceber quais as regiões em que há mais pivôs de irrigação e que comprometem o abastecimento de água da cidade.

Então, na criação desse consórcio nós queremos remunerar os pequenos chacareiros e sitiantes pela recuperação das nascentes e para que possamos reflorestar essas áreas e preservar água para o futuro. Você conversa com o pequeno produtor hoje e ele diz que vive da venda do leite que retira do gado.

Quando se pergunta quanto recebe por mês, ele diz 400 reais. Então, o consórcio vai remunerar esse produtor para afastar o gado da nascente e preservá-la. Dentro da zona urbana temos várias nascentes. Queremos isentar os proprietários de chácaras que fizerem a preservação dos leitos dos córregos e ribeirões. São ações inteligentes que vi no programa “Cidades e Soluções”, da Globo News.

Na área da segurança quero fazer o cadastramento de toda a zona rural com placas no telhado das propriedades, identificando as regiões. Quero melhorar o banco de hora dos policiais e já fiz audiência com o governador nesse sentido.

Teremos um projeto modelo em Senador Canedo em parceria com a Polícia Militar. Queremos afugentar a bandidagem de Senador Canedo e trazer paz à zona rural. Tudo isso são projetos e preciso pôr os pés na estrada e correr antes de meu mandato zerar. Tenho que correr mesmo para que as coisas ocorram ainda neste ano, no primeiro semestre.

Precisamos resolver a questão da segurança por meio desse projeto inovador, fazer o tratamento das nascentes, dando-lhes uma definição rápida para isso. No Brasil de hoje os municípios que tiverem águas serão os que mais vão crescer e se desenvolver.

Cezar Santos — Já que a cidade atrai tantas pessoas isso inevitavelmente gera uma especulação imobiliária, que de certa forma prejudica o município. Senador Canedo tem uma diferenciação tributária para essas áreas usadas para especulação?

O imóvel vago tem um IPTU elevado em Senador Canedo. O imposto progressivo é inevitável. Para se ter ideia, hoje Senador Canedo tem mais de 26 mil lotes vagos. Ou seja, se resolverem construir dentro de um ano 26 mil lotes vagos, nós teremos outra Senador Canedo.

Na verdade nós temos uma cidade do porte de Senador Canedo flutuando, só aguardando o momento de ser ocupada. Daí nossa preocupação pela universalização dos serviços básicos. Da nossa preocupação da questão do lixo, da água e abastecimento e da questão da segurança.

Nós devemos voltar a vocação original de Senador Canedo que é a industrialização. Pegar esses 20 alqueires, mais 18 alqueires e transformar em um grande centro de distribuição em Senador Canedo para melhorar as receitas, atrair novos investimentos, equilibrando as classes sociais da cidade, segurar os loteamentos populares, já que atualmente são 26 mil lotes, e investir na parceria com o governo federal para reduzir o déficit habitacional, dentro do Programa Minha Casa Minha Vida.

Cezar Santos — O déficit habitacional de Senador Canedo está quantificado?

estamos entregando 1.140 unidades habitacionais, com toda a estrutura de urbanização, asfalto, galeria de água pluvial, meio-fio, calçada e gramado em volta das casas”

estamos entregando 1.140 unidades habitacionais, com toda a estrutura de urbanização, asfalto, galeria de água pluvial, meio-fio, calçada e gramado em volta das casas”

Temos um déficit de aproximadamente 10 mil moradias. Entre­gamos agora 1.140 unidades habitacionais. Para se ter uma ideia, não terminamos de trabalhar os cadastros de 2009 porque estamos obedecendo os rigores da Caixa Econômica Federal, pelos quais fazemos o cadastro dessas pessoas ao longo dos anos.

Em 2014 encerramos essa questão de cadastro. Me parece que o governo federal vai continuar liberando o Minha Casa Minha Vida, tenho uma área de 5 mil alqueires que adquirimos no ano passado para fazermos o novo cemitério. Hoje, prorrogamos a vida do cemitério de Senador Canedo por mais cinco anos. Fizemos isso construindo gavetas. O Cemitério Público de Senador Canedo é de gaveta, no mesmo modelo do Cemitério Vale do Cerrado.

A mesma empresa que vende os módulos de gaveta ao Vale do Cerrado é nosso fornecedor, e o valor é de cerca de 400 reais cada gaveta. Numa região central, onde o 20 mil metros quadrados são avaliados em 20 milhões, conseguimos prorrogar o cemitério por mais cinco anos. Quero pegar esse cinco alqueires que compramos para fazer um novo projeto de habitação, para que mais para frente nós consigamos construir um novo cemitério em outro lugar.

Cezar Santos — O sr. tem conversado com o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso? Corre nos bastidores que há a possibilidade de ele ser candidato a prefeito de Goiânia.

Sim, tenho conversado com ele todas as semanas. Mas neste momento ele está no processo de reflexão, recolhido a suas empresas, pois ele ficou muito tempo afastado e descuidou dos negócios. Como reza o ditado, são os olhos do dono que engordam o boi.

Nesse descuido que ele teve, a sua empresa no Pará deu uma desandada, também a da da Bahia. Seus projetos empresariais deram uma parada. Vanderlan aproveitou esse período de ressaca eleitoral para fazer uma reflexão profunda para analisar o quadro político, mas sempre de olho no que acontece e sem descartar essa possibilidade de ser candidato à Prefeitura de Goiânia.

Mas em condições, ele não vem para ser candidato de si mesmo. Ele não vem em mais em candidatura solo, mas em um projeto de grupo. Se dependesse da minha vontade política, ele viria num projeto político do governo. Aí é o Misael falando. Tenho trabalhado para isso e tenho batido em ferro frio. Vanderlan não fala nem que sim e nem que não, não emite opinião. Ele tem conversado com várias lideranças políticas; eu defendo sua aproximação com o governo. Mas é ele que vai fazer essa avaliação.

Frederico Vitor — Essa dificuldade de Vanderlan se aproximar do governador seria pelo fato de ele ser muito mais próximo do publicitário e presidente estadual do PRP, Jorcelino Braga?

Não imagino dessa forma. Ele enfrentou uma eleição praticamente numa carreira solo. As pessoas falaram que ele não teria mais do que 30 mil votos e ele repetiu praticamente a mesma votação e em Goiânia ele cresceu.

Numa campanha para o Estado é exigido o envolvimento de toda uma estrutura partidária, de candidatos a deputado estadual, federal e senador, e os prefeitos ao lado. Ele repetiu a mesma votação de 2010 e cresceu em Goiânia, por isso que se comenta o nome dele para prefeito da capital. Goiânia hoje está acéfala de lideranças políticas, tanto é que, um dos grandes últimos populistas do Brasil, que é Iris Rezende, que teve grande votação em Goiânia, está falando em ser candidato novamente.

Daí fica todo mundo dizendo que se Iris for candidato ninguém ganha. Mas é eleição, há um ano ninguém falava que Marconi ganharia, aliás diziam que ele nem candidato seria. A política é muito dinâmica, acho que tem espaço e o Vanderlan é um político diferente. Em seu programa de televisão, todas as pesquisas qualitativas davam o dele em primeiro lugar.

Euler de França Belém — Numa entrevista recente, Vanderlan disse que não faria política de ódio.

É um avanço muito grande. Política é isso, a gente tem que conversar.

Euler de França Belém — Na semana passada ouvi do tucanato a possibilidade de Vanderlan se unir à base do governo. O sr. estaria nessa articulação?
Eu defendo, e não nego para ninguém, uma aproximação do Vanderlan com Marconi. Mesmo porque estou na base do Marconi e o apoiei no segundo turno. Ultimamente eu tenho batido muito em ferro frio. Mas sou daquela teoria de água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Euler de França Belém — Vanderlan candidato com apoio do Marconi passa a ser o favorito?

Nós temos um histórico em Goiânia de que os goianienses sempre votam na oposição. Só uma vez se quebrou este paradigma, que foi a eleição do Nion Albernaz, que depois rompeu com o PMDB e foi para o PSDB. Historicamente Goiânia não vota no candidato do governo. Mas em função da cobrança que existe hoje, de que Goiânia está acéfala…

Cezar Santos — Tem quem diga que Goiânia está sem prefeito…

Eu não diria isso porque tenho um respeito muito grande por Paulo Garcia (PT) e sei das dificuldades que ele está enfrentando. Mas acho que ele deveria falar para a população o real problema da prefeitura, mas ele não fala, enfim, respeito a opinião pessoal dele. Mas sabemos que não é só Goiânia, todos os municípios passam por dificuldades. Goiânia hoje está acéfala de lideranças e mais do que nunca a cidade quer um gestor.

É por isso que o Iris aparece porque ele tem fama de tocador de obra. Isso explica porque ele é muito querido em Goiânia, principalmente na região noroeste. Tanto é verdade que ele teve uma votação expressiva em Goiânia e Anápolis contrabalanceou em favor do governador. A verdade é que Iris tem grande apelo em Goiânia, e para contrapô-lo apenas um gestor e Vanderlan tem esse perfil.

O seu programa de metas foi um sucesso, pois mostrava de onde vem o recurso, como será usado e onde será aplicado. A vinda de Vanderlan para o PSB proporcionou mais experiência, e da sua convivência com Eduardo Campos surgiu o plano de metas, que trabalha com prazo, valores e objetivos.

Cezar Santos – Os rudimentos do plano de metas são aplicados em Senado Canedo?
Isso também se aplica em Senador Canedo, cada secretaria vai ter uma cota de dois meses com valores a serem gastos e metas a serem atingidas.

Secretaria de Infraestrutura na área de obras, de Educação com as metas de educação e assim cada secretaria respectivamente. Secretário que não der conta de atingir as metas será convidado pelo secretário de Governo na procurar outro lugar para trabalhar, porque queremos realmente quem dê resultados.

Posso dizer que o plano hoje, aplicado pelo governo, se aproxima muito do plano de metas do Eduardo campos, através da consultoria do Falconi [empresa reconhecida pela capacidade de ajudar as organizações a construir resultados excepcionais pelo aperfeiçoamento de seu sistema de gestão.

Fundada pelo Professor Vicente Falconi, atua há mais de 30 anos no mercado], de Minas Gerais, que fez consultoria ao ex-governador Aécio Neves (PSDB), para o Marconi aqui em Goiás e para o Eduardo Campos em Pernam­buco. A nova ordem administrativa para o País hoje é gestão pública, é controlar os gastos, ou seja, mão de ferro mesmo.

Marcos Nunes Carreiro – Vanderlan tem boas ideias, capacidade administrativa demonstrada na gestão em Senador Canedo, mas se comenta que ele queimou oportunidade ao disputar o governo sendo pouco conhecido pela população de Goiás, um Estado muito grande, com 246 municípios. Não seria bom ele disputar a Prefeitura de Goiânia, fazer uma boa administração e depois disputar o governo novamente, chegando com mais força? Como nome de terceira via, que não é bem vista pela população, as chances são reduzidas. Como o sr. avalia essa situação?

Vanderlan está certo ao entrar nesta hibernação, nesta avaliação, pois, hoje, o PSDB tem seu candidato natural, que é uma grata surpresa, o Jayme Rincón, que tem se revelado um grande articulador político e tocador de obras. A revolução que ele fez na Agetop –– e por lá passaram vários presidentes que não conseguiram fazer o trabalho arrojado que ele fez –– e o foco muito grande em Goiânia, que o governo do Estado tem dado, talvez sejam o diferencial do candidato ao governo nessa eleição.

Essa conversação com Vanderlan logicamente terá tempo. Temos até outubro de 2015 para conhecer, realmente, quem são os possíveis candidatos à Prefeitura de Goiânia. Até lá, tem muita água para passar debaixo da ponte e muitas conversas dos mais diversos agrupamentos políticos do Estado.

E, além disso, o foco de 2016 será em 2018, inevitavelmente. Por­tanto, Vanderlan está certo em manter a prudência, afinal caldo de galinha e juízo não fazem mal a ninguém. Ele está no caminho certo em avaliar, conversar.

Prefeito Misael Oliveira fala a editores e repórteres do Jornal Opção: “Estou focado em administrar Senador Canedo”

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Euler de França Belém – Vanderlan disse que o apoiará sua reeleição. Portanto, o sr. é candidato?

Depende deste ano, pois 2015 é um ano de reflexão para muitos prefeitos. Eu só serei candidato se estiver bem avaliado politicamente. Afinal, ninguém é candidato de si, sozinho, e alguém que queira se candidatar, tem que ser candidato de grupo político. E isso depende da minha avaliação como prefeito.

Se eu estiver bem avaliado no próximo ano, com as obras que estamos construindo em Sena­dor Canedo, será um processo natural. Do contrário, também é um processo natural. Portanto, neste ano estou focado em atravessar esta grande crise prevista para o Brasil nos diversos níveis; federal, estadual e municipal.

Todos sabemos dessas dificuldades. Eu me preocuparei, principalmente, em atravessar o ano, dar conta do recado, cumprir meus compromissos com a população e atendê-la bem. Quero manter a cidade iluminada, sinalizada, com tapa-buracos, com meio ambiente bem cuidado, moradia, coleta de lixo, com o pleno funcionamento dos serviços essenciais básicos. E quero focar, também, em três áreas: a segurança, saúde e educação.

Cezar Santos – Depois de vários mandatos como vereador e deputado, o sr. está gostando da experiência no Executivo?

Não é fácil. É muita pressão. Em alguns momentos, a pressão é tanta que cheguei a pensar em abandonar tudo e ir para casa, cuidar da minha vida. Em vários momentos, eu tive esse sentimento em função das dificuldades e da pressão política, que é natural, inerente. Ainda assim, esse teste é que diferencia o administrador.

O governador, por exemplo, passará por uma pressão violenta. Na verdade, já está passando em função de cargos. Mas ele tem que fazer uma opção. Ou ele continua com essa estrutura carcomida, pesada na costa do Estado ou ele atende a população. E os companheiros têm que entender, afinal de contas, o Estado e os municípios não podem ser fonte de empreguismo. Tem que ser fonte de solução. “Ah, mas e os compromissos?” Olha, tudo na vida tem o momento.

Nesse momento, a realidade exige isso dos governantes. Exige arrojo, sacrifício e as pessoas têm que entender. Não adianta o governador resolver o problema de 10 mil pessoas, enquanto temos mais de 6 milhões de habitantes em Goiás. No momento certo, ele atenderá, na medida em que o Estado for recuperando sua capacidade financeira e de investimento. Assim também é com os municípios. Em Senador Canedo, nós reduzimos 20% de custos, de cima até embaixo, em todas as áreas. Estamos contingenciando o orçamento em 20%, reduzindo os cargos comissionados, os credenciamentos também em 20%.

Todos os gastos, na verdade. É isso que faz a diferença. E qual é a pressão? “Ah, mas eu te ajudei quando o sr. foi candidato e se o sr. não fizer tal coisa eu não voto na próxima eleição”. Espera aí, então, neste ano, eu não disputo eleição. Este ano eu disputo a qualidade de vida do cidadão. Eu tenho que atender a população e se o preço do sacrifício for esse, eu estou disposto a pagar.

Marcos Nunes Carneiro — O sr disse que os médicos que trabalham em Senador Canedo têm uma renda alta. Mas a maioria dos servidores públicos do município mora na cidade?

Alguns médicos escolheram Senador Canedo, por conta da qualidade de vida, e moram na região de Alta Vista ou Boa Vista, dois condomínios de chácaras fechados, de 5 mil metros cada uma, com padrão de primeira. Muitos empresários moram nessa região, que é muito bonita e tranquila, repleta de chácaras. Vários médicos que atendem no sistema de saúde de Senador Canedo que moram na cidade. Por exemplo, o secretário de Saúde de Aparecida de Goiânia tem chácara em Senador Canedo.

Euler de França Belém – Voltando a falar sobre a administração de Senador Canedo, que trabalho o sr. está desenvolvendo na área de meio ambiente, os parques ambientais?

Também firmado no compromisso com o governador do Estado, nós queremos fazer um parque ambiental ao redor do lago da Emgopa: o Parque da Juventude de Senador Canedo. O governo doa as margens do lago, ao lado da GO-536, nós fazemos o projeto e o executamos em parceria com o Estado.

São várias realizações. A área de 30 alqueiras da Emgopa para o distrito industrial, o Colégio Militar, a legalização das escrituras fundiárias das áreas do Estado ocupadas por moradias que não têm escritura, na Vila Galvão, Margarida Procópio, Valéria Perillo, Jardim das Oliveiras, Conjunto Sabiá e todas as regiões onde falta escritura, nós estamos trabalhando para entregar ainda este ano. Ou seja, entregaremos todos os compromissos que o governador firmou no segundo turno em parceria com a gente e ele próprio já disse que quer que eu corra atrás para entregar ainda em 2015 todos esses compromissos com Senador Canedo.

Outras obras, por exemplo, é a duplicação da construção da Progresso, que liga a região central a Vila Galvão em parceria com a prefeitura; iluminação da avenida Pedro Miranda, que a prefeitura também está duplicando; a região da GO-020 ligando a Senador Canedo; o acesso ligando a GO-010, passando pelo Flor do Ipê, à região central de Senador Canedo. Enfim, tem muitas coisas acontecendo. Já estamos entregando, por exemplo, o Parque Boa Vista, que tem cinco lagos em cascata e que, também, neste momento e estrategicamente já contamos com a reserva desse lago, pois se precisar de um socorro para abastecimento, nós buscaremos as águas do Boa Vista e dos outros lagos que estamos construindo.

O parque ambiental da Vila Galvão, que construiremos, tem uma área de 25 mil metros. E aproveitaremos, também, as minas da área para fazermos captação e armazenamento no reservatório para servir de pulmão da Vila Galvão e o parque da Flor do Ipê, onde faremos uma pista de caminhada, o lago, academia da saúde e o iluminaremos; temos o parque São Francisco, cujo projeto já está pronto, e o parque do Jardim Canedo II. Portanto, nós estamos trabalhando muito nessas áreas ambiental, pois precisamos –– como já mencionei –– preservar nossas nascentes e aproveitar os lagos para fazer reservatório de captação de água para tratamento e abastecimento da cidade de Senador Canedo.

Euler de França Belém – E quanto à educação?

Nós estamos investindo, agora, nas escolas de tempo integral – primeiro projeto de escola de tempo integral na Vargem Bonita. Fizemos uma parceria com o Sistema Positivo de Ensino de Curitiba, o que permite que, por um portal, que dá acesso a todos os alunos e, com isso, nós temos a frequência digital. Hoje, a mãe já recebe um SMS, um torpedo se o aluno não tiver ido à escola, avisando se ele não estiver em sala de aula. Portanto, são avanços da frequência digital, do portal do Positivo e todos os alunos têm acesso à internet, agora, dentro das escolas.

Todas as escolas terão uma sala linkada a internet e os alunos terão uma senha, pois de onde ele estiver, ele poderá pegar sua aula ou uma aula anterior. Essas ações somam um grande avanço para Senador Canedo e temos o Mais Escola, que é um projeto para o contraturno escolar. Estamos investindo e os avanços melhorarão demais o Ideb do nosso município.

Frederico Vitor – E a assistência social?

Na área de assistência social, Senador Canedo recebeu o prêmio de primeiro lugar pela Associação Brasileira de Propaganda (Abap) em parceria com a Federação das Indústrias do Comércio do Estado de Goiás (Fieg) e Grupo Jayme Câmara, do Cesta Sustentável. Nós trocamos três quilos de matéria reciclável por um quilo de alimento e, com isso, reduzimos drasticamente os casos de dengue no município.

Toda semana, o Cesta Sustentável estava em uma região e a prefeitura recolhia oito, dez toneladas de lixo reciclável, que estava nos quintais. Tudo que é reciclável, nós recolhemos e trocamos por alimento. Esse é um projeto interessante e que nos deu esse prêmio da Abap de reconhecimento por ser um município que trata do lixo com responsabilidade e tem a sustentabilidade como ação.

Euler de França Belém – O polo moveleiro está funcionando?

Sim, o polo moveleiro está avançando, está gerando emprego e produzindo. Já temos dez empresas funcionando no polo. Elas produzem com alta qualidade, para classe A, fabricandos móveis para apartamentos, co­mér­cio, para todas as áreas moveleiras. A tradicional Armários Paulete e outras grandes empresas estão no polo de Senador Canedo.

Euler de França Belém – A classe média alta também tem procurado Senador Canedo. Isso se deve ao acesso fácil e rápido para o município?

A GO-010 duplicada já chega até ao Jardim das Oliveiras, e o governador já licitou até Bonfinópolis. Também a GO-403 e GO-020 chegam duplicadas. Sem contar que estamos construindo as vias estruturantes internas, também duplicadas. A Avenida do Progresso, com 9 km, ligando a região central até a Vila Galvão, que terá ramificação para o Portal do Sol e para o Distrito Industrial, saindo da GO-020 –– todas duplicadas.

Quanto aos condomínios, hoje estamos terminando de discutir com o Alphaville, pois eles doaram uma área de dez alqueires para construção de um lago de abastecimento. Haverá um lançamento, recentemente, de 1.100 unidades já na área do Alphaville, na região do fundo do Pedro Miranda, em frente ao Alta Vista e Alto Boa Vista. São lotes de 420 metros, com área verde. O Jardins também está previsto para Senador Canedo. Eles já têm algumas placas, embora ainda nada acertado.

Ali, é onde buscaremos parceria para construção da ponte que ligará a região ao Portal do Sol, ligando por vias estruturantes duplicadas de fácil acesso com Senador Canedo, além de outras benfeitorias que a região demanda, como adutores de água, para garantir o abastecimento.

Ou seja, faremos algumas parcerias com esses condomínios fechados, uns cinco ou seis. Um deles foi o do Dr. Reginaldo de Castro, que doou cinco alqueires para a Hypermarcas. Foi um compromisso da época do prefeito Túlio, na parceria para aprovar o condomínio. Outro foi o condomínio do Alphaville.

Estamos conversando com o Jardins e o condomínio da Adão Imóveis, também na região. Temos que ter cuidado, pois o nosso principal problema é o abastecimento e, enquanto não sai o lago, não teremos capacidade de expandir o adensamento urbano de Senador Canedo. Nós seguraremos, então, com mãos de ferro para que não sacrifique a cidade com a questão do abastecimento.

Frederico Vitor – Eu escrevi uma matéria na época da crise do lixo em Goiânia e conversei com as autoridades de Senador Canedo. Como funciona a coleta no município.

Euler de França Belém – Antes, havia um lixão a céu aberto; agora, não mais?

Lá, agora, é um aterro sanitário, que foi aprovado e construído na época do Vanderlan e que nós demos prosseguimento. A questão do lixo é muito séria. Por isso que nós estamos buscando, com o aterro sanitário, implantar esse projeto de cogeração de energia e acabar, de vez, com o aterro sanitário.

O mundo não tem onde jogar lixo mais. Tem países que o descartam no meio do mar. Põem em navios e jogam dentro do mar, o que é um absurdo. E, hoje, temos que aproveitar a geração de energia. Afinal, as barragens já não estão dando conta mais de gerar energia, elas estão secando.

Há alternativas como a energia eólica, a de termoelétricas, que são caríssimas, e as que funcionam a óleo diesel. Estamos buscando essa cogeração, pois é uma termoelétrica que funcionaria dentro do aterro sanitário, cuja matéria-prima seria através da queima do lixo.

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