“Com a eleição de Gustavo Mendanha, Aparecida de Goiânia continuará se desenvolvendo”

Um dos prefeitos mais bem avaliados do País trabalha para fazer seu sucessor e garante: “Se ele for eleito e quiser minha ajuda, basta pedir e a terá”

Prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela | Foto: Fernando Leite

Prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela | Foto: Fernando Leite

Maguito Vilela (PMDB) é, sem sombra de dúvidas, um dos prefeitos mais bem avaliados do Brasil. Articulado e conhecido por sua característica diplomática, tem bom trânsito em Brasília e até mesmo no Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual liderado pelo principal adversário político dos peemedebistas, Marconi Perillo (PSDB).

“Eleito, o político, seja do Executivo ou do Le­gislativo, assume um compromisso grande com a população. E, se a pessoa começar a brigar com os governos federal e estadual, ela joga a cidade em um abismo, porque não recebe obras, não recebe benefícios e, muitas vezes, é perseguido politicamente. E quem perde com isso? A população”, afirma Maguito.

Foi sob esse pensamento que o prefeito, que encerra seu segundo mandato à frente da cidade neste ano, colocou Aparecida de Goiânia no mapa econômico do Estado. A cidade passou “de cidade dormitório para cidade industrial, de cidade de baixo padrão para cidade universitária”.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, Maguito faz um balanço de seus quase oito anos de gestão na maior cidade metropolitana da capital e traça o caminho que Aparecida precisará seguir nos próximos anos para que continue crescendo. O prefeito fala ainda dos desafios que o País enfrentará agora que Dilma Rousseff (PT) foi afastada definitivamente da Presidência da República.

Augusto Diniz – Nesses pouco mais de sete anos e meio à frente de Aparecida de Goiânia, como o sr. avalia sua gestão na cidade?
Em Aparecida de Goiânia foi feito o máximo que poderíamos fazer. Asfaltamos 115 bairros, mais de 6 milhões de m². O que foi realizado em praticamente toda a história da cidade, nós fizemos na nossa gestão. Além desse novo asfalto, recapeamos o asfalto velho em mais de 300 km. Construídos 29 unidades básicas de saúde, três UPAs, que era o possível, pois o projeto é para que, a cada 200 mil habitantes, seja construída uma UPA; nós temos três e 550 mil habitantes, logo não se pode mais construir UPAs em Aparecida.

Voltemos um pouco na questão da saúde. Hoje, se alguém sofre infarto, há mais chances de que ela se salve se for infartada em Aparecida do que em Goiânia. Nós temos um mecanismo em que, se uma pessoa enfartar, em cinco minutos o Hospital Encore sabe, já prepara tudo e a transporta. Essa é uma experiência que es­tamos fazendo com o Encore, do dr. Mauricio Prudente, e que tem dado certo. E a Prefeitura economiza com isso também, pois não precisa levar para uma UPA e, de lá, para um hospital que não tenha condições, o En­core faz, e pelo SUS. Estamos economizando mais de R$ 100 mil por mês com esse sistema. Tem também o Santa Mônica. Temos feito parcerias importantes com esses hospitais.

E um projeto do Gustavo Mendanha [candidato do PMDB à Prefeitura de Apare­cida], no qual eu vou ajudar, é o Hospital do Câncer. Ele já me pediu e, se ele for eleito, nós vamos construir. O Hospital Araújo Jorge já não suporta as demandas. Então, já separei uma área muito importante e o Ministério da Saúde já demonstrou interesse em ajudar nisso. Como há muitos empresários e indústrias grandes, não teremos dificuldade alguma.

Augusto Diniz – O sr. diz que asfaltou o equivalente ao que já existia de asfalto na cidade. Como isso foi possível?
Aparecida tinha 50% de asfalto e 50% de terra. Consegui fazer os projetos corretos no PAC Trans­portes e os recursos vieram. Con­segui 35 milhões de dólares no Banco Andino para asfalto e fiz os eixos estruturantes. Um dos eixos tem 13 km de extensão em pista dupla equipada com ciclovia e ciclofaixa. Uma pessoa pode ir do Setor Santa Luzia ao Garavelo de bicicleta. Um dado interessante é o que foi investido em Aparecida com recursos próprios da Pre­feitura. Podem somar os recursos de Goiânia e Anápolis que não dá o que foi investido em Aparecida com recursos próprios.

Patrícia Moraes Machado – O Complexo Logístico Industrial e Alfandegado (Clia) de Aparecida é um projeto o sr.?
O Clia nada mais é que um porto seco avançado e moderno. Toda taxa de aduana [taxas alfandegárias] ficará em Aparecida. A Perdigão, por exemplo, já opera lá; a Nestlé também está indo, assim como grandes laboratórios. O Complexo já é um grande centro de distribuição, tendo indústrias que exportam, por exemplo, stent de coração para 29 países. Então, todo o processo de importação e ex­portação será feito no Clia. As mercadorias só vão para os portos, aeroportos ou ferrovias, mas tudo já com a burocracia toda pronta, sendo que as taxas ficam em Aparecida.

Agora, fiquei dois dias em Santa Catarina visitando os portos da cidade. Visitei, inclusive o porto de Itapoá, o mais moderno do Brasil. E eles têm o Clia. São dois portos, o seco e o molhado. Essa Clia é o que nós vamos implantar e o mesmo pessoal que fez os estudos em Santa Caterina, também fez aqui. Nós teremos nesse Com­plexo uma Ceasa três vezes maior que a atual. Vamos ter um complexo só para atacadistas, capaz de suportar todos os atacadistas de Campinas e Goiânia que quiserem ir para lá. E vão, porque estão espremidos e lá terão mais espaço para crescer.

Nós temos 1,8 milhão de m² para fazer o Clia. Isso é três ou quatro ve­zes mais que o Porto Seco de Aná­po­lis, três ou quatro vezes maior que a Ceasa. Isso fora o complexo atacadista. Depois de cinco anos, o Clia vai gerar 22 mil empregos. Ele dará uma agilidade muito grande aos empresários de Aparecida. Agora, ele só será con­solidado na próxima administração, mas o bom é que temos a área pronta. Fizemos uma parceria e o go­vernador Marconi passou mais de 300 mil m², a Prefeitura tinha outro tanto e tem outra parte que é de um empresário só e ele também está entrando no projeto. A sorte foi ter a área desocupada; a única coisa que há lá é o semiaberto, que vai sair de lá.

Patrícia Moraes Machado – O investimento é público e privado?
Mais privado que público. Hoje não adianta. As prefeituras não dão conta de fazer sozinhas.

Patrícia Moraes Machado – Esse é o novo modelo de gestão pública?
Tem que ser, senão não funciona. E isso deu certo nos Estados Unidos e em outros países e vai dar certo aqui pa­ra iluminação pública, resíduos sólidos, para grandes projetos e até para escolas. PPP [parceria público-privada] dá certo, desde que seja muito bem organizada.

Euler de França Belém – Como está o projeto do aeroporto de Aparecida?
O aeroporto está “patinando” por causa de uma licença do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], que exige um monitoramento completo, desde o início até o último momento da construção do aeroporto. E com razão, para preservar o que aconteceu nessa área em anos remotos. Uma tribo indígena e fazer todo aquele histórico. Então, já fomos lá para esclarecer e acertar tudo.

"O hospital de Aparecida será, sem medo de errar, o mais moderno hospital público de Goiás”

“O hospital de Aparecida será, sem medo de errar, o mais moderno hospital público de Goiás”

Patrícia Moraes Machado – Tem um hospital sendo construído na cidade. Quando será entregue?
Em dezembro ele estará pronto e equipado para ser entregue. Ele tem 230 leitos, 30 de UTI — 20 adultos e 10 neonatais. São seis blocos de três an­dares cada um e é, hoje, sem medo de errar, o mais moderno hospital público de Goiás e, talvez, o mais moderno do Brasil. O local de fazer exames laboratoriais serve unicamente para isso; o local de tomografia é outro ambiente; UTI infantil fica em um lugar totalmente apartado da UTI para adultos; a área administrativa não se mistura com nada. Então, é um hospital muito funcional. A casa de máquinas é encantadora. Todo o hospital tem ar-condicionado. São 180 leitos de enfermaria. Material de primeira qualidade.

Cezar Santos – E a educação no município?
A educação evoluiu tanto quanto a saúde. Temos Cmeis com quatro refeições, nutricionista, quadro de servidores todo contrato por concurso e videomonitoramento em todos os Cmeis e escolas, que foram ampliadas e reformadas. E um dado importante: construímos 33 ginásios de esporte co­bertos, ilu­minados e com arquibancada. Praticamente um em cada escola e que também servem à comunidade. Colocamos biblioteca em todas as es­colas, assim como salas de informática e ar-condicionado em todas as salas.

Além disso, construímos três escolas profissionalizantes. Só a Escola Senai Dr. Celso Charuri já capacitou mais de 10 mil trabalhadores. O IFG também, que tem curso de engenharia civil e forma, agora em dezembro, os primeiros engenheiros. Há também a UFG, com cursos de engenharia de transportes, geologia, engenharia de produção e, agora, o reitor disse que todas as áreas da engenharia serão contempladas. Isso será feito para dar suporte aos polos de Aparecida. E a UniEvangélica lança no dia 15 de setembro a pedra fundamental da faculdade que terá engenharia, odontologia, enfermagem, educação física, entre outras. Será em frente ao Huapa [Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia].

Cezar Santos – Aparecida se tornou uma cidade universitária, então.
Sim. De cidade dormitório para cidade industrial, de cidade de baixo padrão para cidade universitária.

Patrícia Moraes Machado – E qual será o desfio do próximo gestor nessa área da educação?
Continuar ampliando essa rede. Quando assumi, eram sete Cmeis. Vou deixar 50. Mas ainda é pouco. Pre­ci­sam construir mais uns 50. Nossos Cmeis não perdem para o de nenhum lugar do mundo. São bonitos e funcionais.

Patrícia Moraes Machado – O sr. tem uma boa relação com o governador Marconi Perillo, de quem é adversário político. Como o sr. narra essa sua trajetória de bons relacionamentos políticos?
Isso é no afã de fazer o bem. Eleito, o político, seja do Executivo ou do Legislativo, assume um compromisso grande com a população. E, se a pessoa começar a brigar com os governos federal e estadual, ela joga a cidade em um abismo, porque não recebe obras, não recebe benefícios e, muitas vezes, é perseguido politicamente. E quem perde com isso? A população, que confiou. Então, o político tem que ter responsabilidade. Eu não faço oposição ao governo do Estado ou governo federal e sempre procurei ter boa relação administrativa. Politicamente, todos sabem a minha posição: eu sempre fui PMDB, dei as votações que o partido esperava na minha cidade e eu e o governador Marconi nunca discutimos política; só discutimos administração. Ele tem a posição dele e eu tenho a minha, mas temos que procurar ter uma boa relação. Agora, Aparecida se desenvolveu muito e tem mais de 400 obras, algumas delas importantíssimas e que 90% da população de Goiás não sabe e 70% da população de Aparecida não conhece. O segredo disso são os bons relacionamentos administrativos com os governos federal e estadual, com as entidades de classe, com as igrejas, com os poderes instituídos. Aparecida é uma cidade que tem parecerias com todo mundo: Lions, Rotary, maçonaria, igrejas evangélicas, católicas, comunidades espíritas; tem parecia com Banco do Brasil, com Caixa, bancos privados; é uma cidade que é retrato de parcerias no Brasil.

Patrícia Moraes Machado – O candidato que o sr. apoia, Gustavo Men­danha, conseguirá dar prosseguimento a essa representatividade política que deu resultados econômicos?
Vai, até porque ele tem meu exemplo; ele participou como meu secretário, como vereador e como presidente da Câmara, percebendo que essa é a maneira correta de se administrar. Ele está consciente de que, se fizer o contrário, não conseguirá governar. Então, ele vai seguir essa escola política.

Patrícia Moraes Machado – Mas ele tem essa experiência de buscar recursos em Brasília?
Tem. O maior acerto da minha administração foi criar uma secretaria pequena chamada secretaria de contratos, convênios e captação de recursos. Ela só tem os engenheiros, arquitetos, contadores e ad­vogados que precisa. É uma se­cretaria enxuta, mas que faz todos os projetos que Brasília precisa pa­ra liberar recursos. São projetos bons, bem feitos, consistentes e con­vincentes. Todos os ministérios têm projetos de Aparecida; e todo dia tem um sendo liberado. Gus­tavo sabe que esse é o caminho.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia os candidatos à Prefeitura de Aparecida?
Euler de França Belém – Qual o di­ferencial de Gustavo Mendanha?
Ouvi todos os presidentes de bairros e 90% deles queria Gus­tavo como candidato da nossa base. Ouvi todos os se­cretários, 90% queriam Gustavo; 95% dos vereadores e 70% dos partidos políticos queriam Gustavo. A escolha foi feita assim, pelas lideranças da cidade; não foi escolhido por mim. Ele mostrou que é articulador, conciliador, carismático e ha­bilidoso, pois dirigir uma Câmara com 25 vereadores requer habilidade. E ele presidiu com maestria e foi secretário do meu governo. En­tão, é um rapaz preparado. Já fez mis­sões no exterior, foi para An­gola ajudar o povo como missionário. Ele, embora novo, tem experiência e eu acredito muito nele. E acho que a cidade precisa de eleger essas pessoas, que têm liderança. Toda cidade precisa ter líderes.

Agora, os outros candidatos já foram candidatos várias vezes, a prefeito e a deputado estadual e federal. Marlúcio [Pereira (PSB)] sempre se elegeu deputado estadual, mas não fez aquilo que a cidade esperava; ele tinha que ter articulado muito em favor da cidade e não fez isso. A maior humilhação do povo de Apare­cida é quando morre alguém assassinado ou de acidente, pois o corpo vem para o IML [Instituto Médico Legal] de Goiânia e passa 24 horas, às vezes 48 horas, aqui. Tem 12 anos que Marlúcio tenta fazer o IML em Aparecida e não consegue. Um IML. (enfático)

Temos a Alameda da Paz, em que nós fizemos uma parceria, cumprimos a nossa parte e Mar­lúcio não conseguiu completar até hoje. Isso mostra que ele não é um político arrojado, que realmente briga pela cidade.

Aparecida tem 130 mil pessoas a mais que Anápolis. Isso é uma cidade do tamanho de Itumbiara, de Jataí, de Rio Verde. Mais pessoas, mas menos policiais militares, civis e delegacias que Anápolis. Um deputado estadual pode aceitar isso? Eu lutei e já me reuni muitas vezes, mas sou de oposição e não posso exigir. Agora, se eu fosse deputado do governo, isso não aconteceria. Agora promete que vai resolver os problemas da segurança pública. Vai como? Se tivesse a metade dos policiais que tem Goiânia, Aparecida seria uma das cidades mais tranquilas do País.

“Prefeito pode fazer segurança, mas precisa ter dinheiro” 

Prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela: “Acho que não votaria pelo impeachment, justamente porque não ficou nada provado contra a presidenta Dilma”

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Euler de França Belém – O sr. não acha que o maior desafio do próximo gestor de Aparecida é saneamento básico?
Nós fizemos o necessário e entregamos a responsabilidade para a Saneago por 30 anos, através de subdelegação. Água e esgoto. Achei que era o melhor para a cidade. Então, o município fica de mãos atadas.

Euler de França Belém – Como está o grande projeto que a Odebrecht tem nessa área, que seria de mais de R$ 1 bilhão?
Está em andamento. O projeto consiste em rede de esgoto para toda a cidade. Aparecida era a cidade que tinha a menor rede de esgoto no Estado, 17%. Agora estão fazendo, mas está lento. Quem teria condições de cobrar isso são os governos federal e estadual. O município está de mãos atadas sobre esse assunto.

Augusto Diniz – Caso Gustavo Mendanha seja eleito, qual será a postura do sr.? Vai auxiliá-lo ou não pretende participar do governo?
Vou ajudar em tudo o que ele precisar e me consultar, mas não vou dar palpite ou querer impor nome de secretário. Vou deixá-lo bem a vontade para trabalhar; o prefeito será ele. Sucessor ser teleguiado pelo sucedido nunca deu certo. Agora, precisou de mim, peça e será atendido.

Augusto Diniz – Essa independência que o sr. quer dar a seu sucessor é pensando em um projeto para 2018?
É pensando no bem da cidade. Se ele for eleito, ele é que tem que comandar.

Augusto Diniz – O sr. tem algum projeto para 2018?
Não. Já passei por todos os cargos e, agora, tenho que abrir espaço para os mais jovens.

Euler de França Belém – O comentário geral é que o sr. pode ser candidato a governador ou senador.
Não tenho pretensão nenhuma.

Euler de França Belém – O projeto maior, então, é Daniel Vilela?
Acho que sim. Ele, Pedro Chaves e os outros que estão na lida, na Assembleia, na Câmara, no Senado. Se Daniel quer disputar o governo, acho que tem o direito e a oportunidade. Agora, ele é que tem que trabalhar e viabilizar a candidatura.

Euler de França Belém – O sr. vê a possibilidade de uma acordão político em Goiás, entre PSDB e PMDB? Isso já foi tentado outras vezes, mas não deu certo.
Toda aliança política, se for bem trabalhada e para o bem da população e do Estado, tem que ser feita. A democracia é isso. Ninguém governa sozinho. O próprio Temer, para ter sucesso, terá que trabalhar isso. Vejo isso com muita naturalidade. Nós já fizemos aliança com o PSDB; acabou, fizemos aliança com o PT. Voltamos a fazer aliança com o PSDB e podemos fazer com qualquer partido, sem problema algum. Tudo isso é possível. Agora, o que sempre defendi e continuo defendendo, é que os políticos tem que ter responsabilidade. Aliança tem que ser feita pensando em fazer o bem para a população.

Euler de França Belém – Por que o sr. apoia um candidato do DEM, Victor Priori, em Jataí?
Porque o PMDB não lançou candidato e acho que a melhor opção lá é Victor. Acho que ele tem experiência e fará uma boa eleição; é um homem realizado e não tem mais ambições. O que quer, segundo ele, é pagar o que o município fez por ele e eu acredito que ele tem condições de fazer uma boa gestão. Claro que, se o PMDB tivesse candidato, eu apoiaria.

Euler de França Belém – O PMDB chegou a lançar candidato. Geneilton de Assis chegou a nos dar entrevista como pré-candidato.
Lançou e recuou. Essas coisas tem que ser feitas pelo prefeito. Não sou eu que vou lá a Jataí e me intrometer na política de lá, assim como ninguém vem a Aparecida dizer para mim quem é o melhor candidato. Eu é que tenho de saber e tenho de ter responsabilidade de escolher o melhor e apoiar. Era o que Hum­berto Machado deveria ter feito lá. Preparado alguém. Agora, Humberto não pode ser culpado de nada. Existiu uma expectativa muito grande sobre a candidatura de Leandro Vilela que, por motivos pessoais, não pôde ser. Aí desarmou o partido.

Cezar Santos – Humberto Machado está em rota de colisão com o grupo do sr.? Dizem que ele pode ir até para o PSDB.
Duvido. Quem viveu a vida inteira no PMDB não vai sair assim.

Euler de França Belém – Mas ele vai para a Agetop?
Não sei.

Euler de França Belém – O sr. falou em renovação e que prefere abrir espaço. Por que o sr., então, que Iris é o candidato mais qualificado para Goiânia?
Iris é um candidato diferenciado. Um grande gestor e político. Além de ter uma grande liderança na capital, pois aqui é o berço político dele. Se ele não fosse candidato, aí sim teria que ter aberto espaço para Bruno [Peixo­to], Agenor [Mariano], Samuel [Belchior], Zé Nelto e outro. Mas, como ele decidiu ser candidato, aí o partido tem de apoiar.

Patrícia Moraes Machado – Muitas pessoas dizem que Iris é um bom gestor, mas todas as consequências sofridas por Paulo Garcia nesses seis anos são decorrência das gestões de Iris. Ele não termina mandato e suga a “máquina” para ficar com uma imagem positiva e depois a entrega ao sucessor, que fica com o prejuízo na imagem. Então, como alguém assim pode ser entendido como um bom gestor?
É inegável que ele é um bom administrador. Foi no Estado e foi na capital; tanto é verdade, que ele lidera as pesquisas. Se não tivesse sido, não estaria. Sobre sugar a máquina, isso remete a uma resposta minha dada agora há pouco: o gestor é responsável; Iris é responsável pela gestão dele, assim como Paulo Garcia é responsável por sua gestão. Ninguém faz gestão por ninguém. Eu sou o gestor de Aparecida e sou responsável por ela; o próximo administrador, que espero ser Gustavo Mendanha, será responsável pela gestão dele, e não eu.
Agora, Paulo Garcia, que é uma pessoa de bom caráter, sem dúvida nenhuma, não soube fazer a gestão adequada para a capital. Não fez por quê? Talvez porque não tenha tido habilidade para isso. Às vezes, a pessoa nasce gestor, não se faz. Você pode colocar o mais brilhante médico do País para administrar um hospital, ele não dar conta e levar o hospital à falência. É o homem certo no lugar certo. Numa capital que arrecada muito não tem como explicar má gestão. Tem recurso.

Euler de França Belém – Com o impeachment de Dilma, Lula e o PT têm possibilidades de ressurgirem, lembrando que ele lidera as pesquisas, apesar da crise do partido?
Pode sim. Analisando a história, muitos políticos brasileiros estiveram no fundo do poço, mas parece que há uma mola no fundo que os impulsiona novamente para a superfície. É o caso de Antônio Carlos Magalhães, na Bahia, Getúlio Vargas, enfim… Lula é um político muito carismático, tem liderança nos movimentos sociais, sindicatos, ele tem muitas chances de ressurgir. Mas isso vai depender muito também da competência do presidente Michel Temer e seus ministros em fazer a economia melhorar, o Brasil voltar a se desenvolver, gerar empregos e riquezas, aí dificulta a reascensão de Lula.

Patrícia Moraes Machado – O sr. tem uma relação muito próxima com o agora presidente Michel Temer?
Tenho, como tive com Lula.

Patrícia Moraes Machado – Qual sua expectativa pelo que o sr. conhece dele? Serão dois anos para Temer melhorar a situação do país…
Michel Temer tem experiência, conhecimento do Brasil, é culto, preparado, vem há muitos anos na política, desde a época de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, então tem todas as condições para fazer um bom governo. Vai depender exclusivamente dele, da escolha de seus ministros, a liderança. O Brasil não é fácil de ser liderado, com tantas desigualdades, mas Temer tem bagagem para resolver os problemas.

Euler de França Belém – Quais as reformas fundamentais que Michel Temer precisa fazer?
Reforma tributária para dividir melhor o bolo entre a União, Estados e municípios. É nas cidades onde vivem as pessoas, é lá que necessitam de asfalto, de água, de esgoto, de escolas, de saúde, de iluminação pública. E hoje as cidades estão de pires nas mãos e o recurso todo fica em Brasília e nos Estados. A reforma tributária é determinante para o crescimento do Brasil. Por exemplo, o maior desgaste que sofro hoje em Aparecida é a segurança pública. E o que eu tenho a ver com segurança pública? Constitucionalmente, eu nem posso fazer segurança pública, a responsabilidade é dos governos estadual e federal. Mas o munícipe está ali e acha que o problema é da prefeitura, o povo não entende bem o que é responsabilidade de uma esfera e o que é de outra esfera.

Cezar Santos – As prefeituras deveriam cuidar de segurança também?
Eu até acho que o correto seria o prefeito fazer segurança pública, mas para isso ele precisa ter dinheiro para instalar a polícia local, bem preparada, com mecanismos de inteligência, etc. Seria muito fácil resolver os problemas de segurança no país se o comando fosse local. O Estado não consegue fazer segurança em todas as cidades. Mas temos de ter recursos, e acho que todos os prefeitos concordam nisso.
Então, voltando à reforma tributária, ela pode ser acompanhada disso, os municípios serem responsáveis por segurança pública, pela educação e pela saúde em todos os níveis também, não só na básica, mas também na alta complexidade. Porém, é preciso ter recursos.

galeriaEuler de França Belém – Esse é um aspecto da reforma tributária, outros são os incentivos fiscais. O sr. acha que os incentivos têm de ser retirados?
Acho que não. Se não fossem os incentivos fiscais a Perdigão não estaria em Goiás, a Mitsubishi não estaria, a Caoa e tantos outras empresas não teriam vindo. Se não der incentivo, elas ficam no Rio de Janeiro, em São Paulo, Rio Grande do Sul, porque viriam para o interior?

Tem de ter incentivo sim. Aparecida de Goiânia tem se desenvolvido muito por conta disso. Doamos áreas para os empresários, facilitamos a vida deles, desburocratizamos a forma de criar ou extinguir empresas. Incentivo é fundamental.

Euler de França Belém – Dizem que se não mexer na previdência, não sobra recurso para o Estado investir. O sr. apoia a reforma da previdência que Temer está propondo?
Apoio e tem de ter essa reforma, senão as próximas gerações vão sofrer com isso, não vai ter dinheiro para a aposentadoria delas. O rombo (da Previdência) é muito grande e só vai aumentando. O déficit é de bilhões e daqui a pouco será de trilhões. Qual economia no mundo su­porta pessoas ainda jovens se aposentando?

Isso em diversas áreas, na polícia, no corpo de bombeiros. Acho que Goiás deveria ter o dobro de policiais que tem hoje, mas como? Vemos coronéis se aposentando muito cedo, nada contra, mas o país teria que arrecadar muito mais para fazer o que fazemos. E o pior não é isso. Pior são as aposentadorias de políticos, e eu me insurgi contra isso há muito tempo. Quase todos os ex-políticos, ex-deputados, ex-senadores, ex-governadores, todos são aposentados com salários altíssimos. Nos tribunais se aposentam com salários altíssimos. Qual economia aguenta isso? Tem de fazer uma reforma mesmo.

Patrícia Moraes Machado – Dentre as reformas importantes está a política também. Há clima no Congresso para fazê-la?
Essa é a mãe de todas as reformas. Quando fizermos a reforma política, as outras vêm por gravidade. O principal gancho é o financiamento de campanha, definindo se ele será público ou privado. Se for público, tem de ter os mesmos recursos para todos os partidos e todos os candidatos. Aí fica justo: o pobre poderá ser candidato e o idealista também. E com condições de sucesso, porque hoje só ganha quem tiver poder econômico. Se não tiver, não mexa com política, porque não ganha mesmo, nem para vereador, nem para prefeito, governador ou presidente da República. Então, se é público, igualdade de condições; se for privado, a mesma coisa e tem que ser totalmente privado. Quem arrecadar, arrecadou. Hoje, não é nem uma coisa nem outra. Não se pode arrecadar para fazer campanha, nem há recursos públicos. Se fizer caixa dois, é punido; se não fizer, não ganha eleição. Tem que fazer uma reforma sensata. Se for privado, é privado. Quem arrecada mais, é mais prestigiado. Ou é 100% público, ou é 100% privado. Senão, não funciona.

E isso não pode ficar nas mãos de Ministério Público, de TRE, de juízes. Todos os políticos, hoje, estão nas mãos de instituições que fiscalizam e julgam. Por quê? Porque é impossível fazer política, nesse sistema, sem verba empresarial. Hoje, o político tem que ser trapezista para sobreviver, pois está nas mãos de todo mundo, dos Tribunais de Contas, do Ministério Público, TSE, TRE, Poder Judiciá­rio. Vejam quantos políticos têm sido cassados no Brasil, às vezes, até por coisas infantis. Mas é a lei.

Outra coisa: é preciso ter uma redução de partidos políticos. Partido que não consegue eleger, que não tem voto, não pode continuar. Tem que reduzir o número de partidos. Hoje, a maioria dos partidos funciona como balcão de negócios.

Patrícia Moraes Machado – Qual tipo de financiamento é melhor, o público ou o privado?
O público. Evita corrupção e dá oportunidade aos pobres, aos idealistas, a todo mundo. O financiamento púbico nivela. Aí é o debate das ideias e não poder econômico.

Euler de França Belém – Nos Estados Unidos, a corrupção diminuiu quando o financiamento passou a ser privado.
Lá eles têm fiscalização, diferente do Brasil, que não fiscaliza.

Euler de França Belém – O sr. concorda com o ministro do STF Gilmar Mendes, quando diz que a Lei da Ficha Limpa foi escrita por um bêbado?
De forma alguma. Houve excesso nessa colocação, que pode ser melhorada.

Euler de França Belém – Há um movimento dos prefeitos para que a Lei de Responsabilidade Fiscal seja ajustada. O sr. não acha que ela foi importante?
Aí é que reside o problema. Ela é importante, tem que existir, mas deve ser revista, sim. Por exemplo, eu sou o prefeito, responsável pela gestão de uma cidade. Mas, se você é secretário e comete um erro técnico, eu posso ter meu mandato cassado por isso e ficar impedido por muito tempo, sem ter dado motivo nenhum para aquela ação. O Ministério Público exagera, às vezes, nessas coisas. Então, a lei precisa ser melhor disciplinada, porque, se eu sou o único responsável pelo que acontece em Aparecida de Goiânia, por que vou querer ser prefeito lá? Não vou.

Augusto Diniz – O sr. acredita que o Senado acertou em dividir a destituição do cargo da ex-presidente da República da cassação dos direitos políticos dela?
Acertaram, sim. Todo crime tem agravantes e atenuantes. No caso dela [Dilma Rousseff], que é uma pessoa honesta, que não impediu fiscalização nenhuma, em órgão nenhum, acredito que a manutenção dos seus direitos políticos é um atenuante muito grande. Ela nunca mandou ninguém roubar. Agora, se ela se utilizou de caixa dois, é porque isso é corriqueiro no País inteiro, de vereador a presidente da República, e não só o PT, mas todos os partidos políticos. (enfático) Então, sacrificá-la em todos os sentidos seria muita injustiça. Então, o Senado agiu corretamente.

Agora, cada caso é um caso. Para os outros, que estão presos e em que foi provado todo tipo de malandragem, esses não podem ter esse atenuante; esses têm que serem cassados e ficarem oito anos sem disputar eleições.

Euler de França Belém – Mas ela ainda responderá a alguns processos, o que poderá levar à cassação de seus direitos políticos.
Mas isso aí, em qualquer época, vai acabar batendo nas portas do Supremo [Tribunal Federal]. E lá eles vão decidir com justiça. Se ela fosse condenada agora, ficasse oito anos inelegível, e amanhã fosse absolvida, seria muito pior. É melhor preservá-la agora para julgar depois. Se ela for condenada, o próprio Supremo pode fazer cumprir a Constituição e torná-la inelegível por oito anos.

Patrícia Moraes Machado – É uma característica do sr. ter fácil trânsito político com todos. Como o sr., que sempre defendeu a aliança PT-PMDB, se sente vendo a história do PT sendo finalizada com o impeachment de Dilma Rousseff?
Com tristeza, porque a esperança do povo brasileiro era muito grande no PT, que iria fazer as reformas que o País precisava e exigia, garantir uma melhor distribuição de renda. A derrocada do PT trouxe um descrédito de toda a classe política junto à população, o que é lamentável, afinal, existem políticos sérios.

Patrícia Moraes Machado – Se o sr. estivesse no Senado, seu voto seria como?
Pergunta difícil. Acho que não votaria pelo impeachment, justamente porque não ficou nada provado contra a presidenta Dilma, de que ela tenha participado de corrupção; nem ela, nem a mãe dela, nem o marido ou o filho. Nada. Pedaladas fiscais, todos os governadores do Brasil já fizeram e todos os ex-presidentes também. Então, acho que dificilmente eu votaria pelo impeachment. O que tira político ruim das administrações é o voto. A Justiça tem que tirar os políticos corruptos e desonestos. Não é o caso de Dilma.

Agora, digo isso analisando o momento atual. Mas tenho consciência de que ela perdeu o comando político do País e a confiança da população. Assim, é difícil conduzir o País com o descrédito que ela ti­nha, com 80% da população não a­creditando no governo dela. Então, se ela continuasse, não sabemos em que abismo o País se meteria.

Patrícia Moraes Machado – Assim que começou a crise, parte do PMDB de Goiás, mais ligado a Iris Rezende, decidiu romper com o PT. O sr. insistiu pela manutenção da aliança. Agora que Dilma está fora da presidência e analisando friamente, quem estava certo?
Administrativamente, Dilma foi muito boa para Goiás. Minha Casa, Minha Vida, duplicação de rodovias, daqui para Jataí, por exemplo. Os viadutos que ela fez, a ferrovia Norte-Sul deu um avanço grande, o aeroporto. Quase todas as cidades de Goiás tiveram obras do governo federal. Aparecida de Goiânia, por exemplo, teve um IFG [Instituto Federal de Goiás], formando seus primeiros engenheiros, a UFG está lá com o prédio já na quinta laje, o hospital municipal… E estou falando só de Aparecida, mas isso foi praticamente no Estado todo. Então, administrativamente, ela foi muito boa para o Estado. Por isso eu defendi a aliança. Agora, politicamente, todo mundo sabe que ela não foi bem. Mas quem fez desandar as coisas foi o pessoal que se corrompeu e está preso.

Patrícia Moraes Machado – O PMDB conseguiu se descolar do PT?
Aliança é aliança. Se fez, tem que aguentar. É claro que não se pode prejudicar a cidade ou o Estado, mas é o que eu disse: administrativamente, ela estava sendo boa, mas não tinha jogo de cintura político. Esse foi o erro dela.

Augusto Diniz – Pensando por essa lógica, foi um erro Michel Temer ter rompido com Dilma?
Acho que vice tem que ficar na posição dele, uma posição discreta, sem interferir nem para o bem, nem para o mal.

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