“A candidatura de Daniel Vilela é irreversível e acreditamos que Caiado virá nos apoiar”

Deputado emedebista descarta qualquer possibilidade de reviravolta em relação a ter um nome do partido à sucessão estadual e vê cenário positivo para o pré-candidato da sigla

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Wagner Siqueira compõe a chamada nova geração de políticos emedebistas, herdeiros políticos de seus pais. Assim como o deputado federal Daniel Vilela (filho do ex-governador Maguito Vilela), do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (filho do ex-deputado estadual Léo Mendanha), o parlamentar tem a vida pública no DNA — é filho do ex-deputado Wolney Siqueira —, mas já chegou há tempos à fase da maturidade e tem voo e ideias próprios.

No Poder Executivo, Wa­guinho tem orgulho de sua passagem pela Comurg, quando o prefeito Iris Rezende (MDB) voltou a administrar Goiânia após mais de 35 anos. “Troquei 100% da iluminação, fiz 400 praças, implantei a coleta seletiva com os caminhões, comecei a expansão do aterro sanitário e deixei a empresa com todas as certidões de saneamento financeiro”, enumera. Como deputado oposicionista, admite a dificuldade de lutar contra a “máquina do governo”, mas diz que conseguiu mobilizar a sociedade civil por meio da imprensa e, dessa forma, fazer recuar vários projetos de lei que a base tinha aprovado.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, ele afirma categoricamente que o MDB terá Daniel Vilela como seu candidato e diz acreditar que o senador Ronaldo Caiado (DEM) ainda vai compor o grupo de apoiadores. Pode ser difícil, mas, para Waguinho, não é tão impossível como uma aliança com os tucanos nas eleições. “MDB e PSDB são adversários históricos, é como tentar fundir Goiás e Vila Nova”, descarta o deputado — aliás, vilanovense fanático.

Cezar Santos — Este é um ano de eleição, o que se torna complicada a questão do quórum na Assembleia. A mesa diretora já passou alguma orientação para os deputados?
Falo com muita tranquilidade sobre isso, porque sou um dos deputados mais assíduos da Casa. Já existe um projeto de mudança de regimento interno — que torcemos para que seja aprovado no começo do ano —, para que exista o corte de ponto, inclusive com as perdas proporcionais ao salário do representante público. Não há como parar, até porque a Assembleia precisa votar assuntos que não podem ser postergados.

O que posso falar é sobre como tem funcionado nesses sete anos, em que estou no Legislativo. O governo hoje tem uma maioria expressiva, em torno de 30 dos 41 deputados, e a única chance da oposição de reverter o que quer o governo são com manobras para atrasar as matérias, por exemplo, com pedidos de vistas. Durante esse tempo que a gente consegue protelar uma votação, nós buscamos alertar a sociedade civil por meio da imprensa para aquele tema. Com isso, a pressão popular tem feito com que vençamos algumas batalhas.

Elder Dias — Qual batalha o sr. poderia dar como exemplo?
O projeto de transferência do serviço de emplacamento para a iniciativa privada, pelo qual 10% da arrecadação ficaria com o Detran e 90% com as empresas. Houve um grande estardalhaço da sociedade a partir da divulgação pela imprensa e, com isso, a entrada do Ministério Público. Perdemos nos votos, mas o projeto de lei foi derrubado com a ajuda da mobilização popular.

Sobre o quórum em si, não vejo que haverá grandes problemas. O Brasil pós-Lava Jato é muito mais politizado. Dez anos atrás ninguém sabia o nome de um ministro do STF [Supremo Tribunal Federal]. Hoje todo mundo sabe quem é Gilmar Mendes, Luiz Fux e, da mesma forma no Congresso — todos sabem quem é Eunício Oliveira [MDB-CE, presidente do Senado]. As pessoas hoje em dia vão buscar esse tipo de informação na hora de escolher seu candidato e quem for extremamente faltoso sofrerá as consequências por parte de seu eleitorado, com risco de grande perda de votos.

Elder Dias — E nas galerias [espaço destinado à população das casas legislativas]? A participação popular mudou nesse período em que o sr. está como deputado?
Infelizmente, a população não tem o costume de acompanhar o trabalho muito de perto. Se acaso está em votação algum projeto que afeta ou tira benefícios de determinada categoria, quem a integra comparece. A população em si acompanha mesmo pela imprensa, pelas rádios e jornais, até mesmo pela questão do horário das sessões, das 15 às 18 horas.

Elder Dias — As redes sociais impactam o trabalho da Casa?
Muito. Qualquer posicionamento, diante de qualquer tema, recebe repercussão imediata, inclusive com cobrança por parte dos cidadãos, se for o caso.

Augusto Diniz — A sessão de abertura de trabalho [quando o líder da oposição, José Nelto (MDB), criticou duramente o governador Marconi Perillo (PSDB), que, presente à sessão, retrucou em igual tom] foi acalorada. Isso é um indício do que será o ano no Legislativo
É natural o acaloramento em um ano eleitoral, é quando isso fica mais evidente. Só que hoje a população não quer mais nada pessoal. Esse tipo de agressividade dirigida a alguém em demasia não ajuda. O que temos de fazer é interpretar o conteúdo dos projetos e ver seu impacto, discutir sobre isso. Qualquer um que venha a governar o Estado precisa de saber da obrigação de ter a temperança suficiente para reconhecer os avanços que houveram, mantendo-os, e corrigir erros que porventura existirem. Entrar e dizer que vai mudar tudo, que está tudo errado, não dá certo. O que todos nós queremos é uma mudança de comportamento, precisamos modernizar o Estado — por exemplo, não há como ter a frota que o governo de Goiás tem sem monitoramento por satélite, compartilhamento, sem ferramentas de tecnologia para tomada de decisões.

Não dá mais para simplesmente aumentar impostos, onerar mais ainda — já pagamos o maior ICMS de energia elétrica do País, temos um dos IPVAs mais caros do Brasil e a tributação sobre nossos combustíveis é gigantesca. Fazer política com esse viés sobre uma população que já está sofrida não dá. Precisamos é criar condições para que as pessoas empreendam, gerem riquezas e, a partir daí, impostos. Por isso, a palavra mágica para o próximo governo é gestão, assim como eficiência, compartilhamento, transparência.

Marcelo Mariano — O sr. fala em não “radicalizar” o debate. Isso é um recado dirigido ao senador Ronaldo Caiado (DEM)?
Acredito na pré-candidatura de meu partido, que é a do deputado federal Daniel Vilela. Caiado foi e é meu senador, foi eleito com o apoio do MDB. Acredito nele e ele diz que sem o MDB não vai disputar as eleições. Fizemos 17 encontros regionais e, posso dizer com certeza absoluta, mais de 90% do partido fechou questão com a pré-candidatura de Daniel, que saiu de traço nas pesquisas de intenção de voto para a vice-liderança. É uma postulação irreversível. Por isso, acredito que Caiado, quando observar isso, vai fazer exatamente o que falou e virá compor conosco. O DEM tem quadros importantes e que podem contribuir para nosso trabalho em Goiás. Temos uma alta expectativa de que venham caminhar conosco.

Cezar Santos — Em que pese isso, há prefeitos emedebistas de cidades importantes que são claramente contra a candidatura de Daniel Vilela. É o caso de Ernesto Roller (Formosa), Adib Elias (Catalão), Paulo do Vale (Rio Verde) e Renato de Castro (Goianésia). Essas prefeituras têm mais eleitores do que o restante dos municípios do interior governados pelo MDB. É um peso significativo, não?
Primeiramente, é preciso sempre dizer que toda unanimidade é burra. Esses prefeitos não têm defendido a candidatura de Caiado, mas a união das oposições. A partir do momento em que o PMDB deixar claro, no momento correto — que ainda não é agora, mas nas convenções —, duvido que uma pessoa como Adib Elias, cuja história se confunde com a do partido, vá divergir da posição de todos. Elegemos 48 prefeitos e perdemos 6, que acreditaram no programa Goiás na Frente. Em relação a isso, não quero que acreditem em mim, mas faço o desafio: liguem aleatoriamente para 20 dos 246 municípios e perguntem se os recursos do programa ou parte deles já chegaram até essas prefeituras.

É muito difícil administrar hoje sem a ajuda de Brasília ou do governo do Estado, então o município requer essa ajuda. Fazendo essa observação, dos 48 prefeitos eleitos, 42 estão com no MDB e, desses, 37 estão firmes e a maioria esteve com Iris Rezende semanas atrás — os demais estavam em uma agenda em Brasília e se justificaram. Estão todos firmes no projeto da pré-candidatura de Daniel.

Já Iris Rezende é um caso à parte. Ele disse, na reunião, que será o elo para a tentativa de pacificação e união das oposições. Porém, uma vez que o MDB tenha sua candidatura, ele se torna um soldado do partido. Nenhum leitor do Jornal Opção — que é um termômetro da política em Goiás — imagina Iris pedindo voto para outro partido que não o MDB. Ao contrário, ele é o pai do MDB. Foi ele quem criou essa nova geração — eu, Agenor Mariano [ex-vice-prefeito de Goiânia e atual secretário municipal de Planejamento Urbano, Bruno Peixoto [deputado estadual] e até Maguito Vilela [ex-governador], pai de Daniel. Iris tem se colocado em uma posição de estadista — porque, como eu disse, ainda acreditamos que Caiado virá nos apoiar.

Volto a falar: a pré-candidatura de Daniel é irreversível e, caso ele não venha a ser, por qualquer outro motivo, o MDB vai apresentar outro nome, porque é o único partido que vem sendo antagonista a governo que aí está nas últimas cinco eleições. É Daniel o candidato que consegue fazer convergir, aglutinar. Para governar, não basta chegar lá: é preciso ter uma boa relação com a União, com os municípios, com a Assembleia. É preciso criar todo um ambiente, buscar recursos, socorrer os municípios de forma apropriada. Daniel está preparado para isso, é formado em Direito, tem um curso de Gestão Pública pela FGV [Fundação Getúlio Vargas], tem demonstrado posicionamento e coragem, enfrentando eleições difíceis e pesadas em diretórios conseguindo recompor depois do desgaste das disputas. Temos de estar preparados para a democracia e o processo interno de disputa nos partidos é natural. Nos Estados Unidos, há duas eleições: primeiramente, republicanos e democratas definem seus candidatos e depois se unem para buscar a vitória.

Internamente fizemos a tarefa de casa. Fizemos quase 20 encontros regionais, ouvimos as bases e é praticamente unânime o apoio a Daniel. E é bom lembrar que só em Goiânia e Aparecida temos 1,5 milhão de eleitores — e ambas são cidades governadas por emedebistas.

Cezar Santos — Iris tem se mostrado claramente a favor da candidatura de Ronaldo Caiado. Ele chegou a dizer isso tempos atrás, ainda que de forma um tanto velada, mas na manifestação dos bastidores sabemos dessa vontade dele.
Vou discordar de você por conta de algo que ouvi da boca dele, de forma presencial. Iris disse que torce muito pela união, que vai trabalhar por ela, mas que é um soldado do partido — só vou discordar porque para nós ele não é soldado, é um general. Iris garantiu que estará imbuído, trabalhando muito, inclusive com disposição de, aos fins de semana, viajar e pedir votos.

Marcelo Mariano — Essa união é com Caiado ou com Daniel na cabeça de chapa?
Sempre com o MDB na cabeça (enfático). Volto a falar, nossa candidatura é irreversível, repito, saiu de traço nas pesquisas para hoje estar como vice-líder.

Elder Dias — Pelo que representa para o partido, por seu estilo político, sempre conciliador, existe alguma possibilidade, ainda que remota, de Maguito Vilela vir a ser candidato para apaziguar essa disputa?
Não. Maguito Vilela não será candidato a nada.

Elder Dias — Maguito já falou uma vez que não seria candidato à reeleição em Aparecida de Goiânia, mas foi. Se o partido precisar, ele não se sacrificaria novamente?
A pré-candidatura de Daniel tem sido linda, diferente…

Elder Dias — A pergunta também se dá por percebermos que, por toda a conjuntura, a rejeição de Daniel, em relação à que Maguito teria hoje, é muito maior — como deputado federal, Daniel paga o preço de ter votado a favor da permanência de Michel Temer na Presidência, a favor da reforma trabalhista, entre outras coisas.
Trabalhamos muito com pesquisa, que, no entanto, não podem ser divulgadas pelo partido. Mas o que vemos hoje no mapa que temos? O senador Ronaldo Caiado é conhecido por 98% da população eleitoralmente ativa, com 45% a 47% da intenção de voto, índice que vem se mantendo nesse patamar nos últimos seis meses. Quando um candidato é conhecido por quase 100% da população — e isso eu ouvi de especialistas —, mas essa intenção de voto se mantém ao longo dos meses, talvez isso ocorra por estar em seu teto. O vice-governador José Eliton (PSDB) já tem o conhecimento de pouco mais de 60% dessa mesma população, mas está em 3º lugar nas pesquisas, com algo de 10% a 13% das intenções.

Já Daniel é conhecido por menos de um terço da população. Ora, como uma pessoa pode ser muito rejeitada se não é conhecida nem por um terço dos eleitores? E, mesmo assim, ele é vice-líder, com variação de 15% a 13%. Na pesquisa qualitativa, o que vemos é a população desejando um governante jovem, preparado, que já tenha sido testado — Daniel já foi vereador, deputado estadual, deputado federal. Podem falar que Daniel seja novo, mas o dono do Facebook [Mark Zuckerberg] é novo, mas é muito bom. Ele representa o que a gente precisa, a mudança, a eficiência.

Cezar Santos — Mas como fica Daniel Vilela em relação a seus adversários?
O candidato do governo é o vice-governador. Não vim falar dele, mas as pessoas vão buscar o histórico dele: foi presidente da Celg, foi secretário de Segurança Pública, entre outras coisas. As pessoas vão observar e pensar: é isso que queremos, o Estado que está aí? Se for, ele é o candidato. Se for olhar para Ronaldo Caiado, o que ele representa? Qual é a capacidade de ele aglutinar, de formar uma base? Ele inspira mudança, modernidade? Se as pessoas acharem isso, talvez ele seja o candidato certo.

Já o candidato que eu acredito é Daniel, que já foi eleito como um dos cem deputados mais influentes do Congresso no primeiro mandato. Ele tem conversado com todos os partidos, com muita coisa avançada. Estaremos em março, com a divulgação de novas pesquisas, observando a continuidade de seu crescimento — o que é natural, já que está ficando mais conhecido. Isso vai encorpando a campanha.

Outra questão interessante: 2017 foi o ano de conversar com os partidos. Em 2018, já fizemos conversas com a sociedade em 30 ou 40 municípios. Como se dá isso? Ligamos para os líderes partidários e de associações — Acieg, sindicatos rurais, federações, igrejas, líderes religiosos — e vamos até lá, aproximando o plano com as demandas da população.

Temos uma equipe, da qual um dos coordenadores é Humberto Machado [ex-prefeito de Jataí], que está trabalhando há um ano no projeto de governo. Estamos coletando todos os questionamentos, vendo todas as necessidades das pessoas, dos empresários, porque não adianta ter apenas um candidato bom: é preciso ter um candidato que consiga executar um projeto bom e factível para o Estado de Goiás. Daniel representa isso.

Marcelo Mariano — Qual é a expectativa de bancada do MDB em Goiás, em relação ao número de deputados federais na próxima eleição?
Primeiramente, existe hoje um problema de chapa para deputado federal em todos os partidos. Se você perguntar isso no PSDB, no PSB, no PTB etc. vai verificar isso. No MDB, por exemplo, temos Dona Iris e José Nelto; no PSDB, talvez Giuseppe Vecci; no PTB tem o Jovair. Ou seja, existe hoje um problema sério de chapa, sim, no qual estamos trabalhando para poder contornar.

Marcelo Mariano — Mas qual a meta, um número, para eleger, em termos de deputados?
Obviamente, queremos eleger o máximo possível, pelo menos quatro deputados federais e, entre MDB e partidos aliados, fazer de 18 a 20 estaduais.

Cezar Santos — Na campanha estadual de 2014, uma reclamação foi de que a máquina ficou a serviço da eleição de Dona Iris. Agora, novamente se ouve isso, que a primeira-dama praticamente teria implantado um comitê dentro do Paço. Dizem mais: que Goiânia é a única cidade do País que tem dois prefeitos — no caso, um prefeito e uma prefeita —, tal é a ingerência dela na administração. O que o sr. tem a dizer sobre essa polêmica?
Eu frequento o gabinete do prefeito pelo menos a cada 15 dias e posso garantir que meus despachos administrativos são feitos com ele, Iris Rezende. Mas falemos de Dona Iris: ela hoje é a primeira-dama, mas foi deputada federal, presidente nacional do MDB, exerceu mandato de senadora. É alguém com uma folha de serviços prestados. Ora, quando Adib Elias elegeu Adriete Elias [a deputada estadual, em 2006] foi algo normal; quando Gilberto Naves [então prefeito de Goianésia] elegeu Mara Naves [a deputada estadual, também em 2006] foi algo também normal; mas, se Iris trabalha por sua mulher, isso é anormal? O errado seria apoiar quem não fosse da família. Apoio Dona Iris em Goiânia e em grande parte dos municípios em que tenho base eleitoral e não vejo nada de relação de troca. Porém, é natural que as pessoas comissionadas, que estão em cargos de confiança, tenham compromisso político com ela.

Cezar Santos — O sr. presidiu a Comurg na gestão de Iris Rezende que se iniciou em 2005. A partir dessa experiência na função, o sr. diria que hoje Goiânia é uma cidade limpa?
Conheço a forma de Iris trabalhar. No ano passado, ele assumiu a Prefeitura com um déficit de R$ 300 milhões, de acordo com a prestação de contas feita um mês atrás, na Câmara. O déficit mensal era de R$ 30 milhões. Como fechou 2017 com um superávit de pouco mais de R$ 100 milhões, então esse déficit foi sanado.

Fui presidente da Comurg de 2005 até fevereiro de 2010. Fiz 400 praças, troquei toda a iluminação pública, implantei o projeto de coleta seletiva. Nada disso foi no primeiro ano, que priorizou o enxugamento de custos, corte de gastos diversos — carros, celular etc. —, que foi exatamente o que Iris fez de novo agora. Por isso posso dizer, com certeza absoluta: a partir de abril, Goiânia vai voltar a ser um canteiro de obras. Agora, respondendo sua pergunta: Goiânia esteve bem mais limpa no ano passado do que em 2016 e estará bem mais limpa neste ano do que esteve em 2017.

Augusto Diniz — Se essa previsão de Goiânia virar um canteiro de obras não se realizar, o MDB corre o risco de Iris ser um cabo eleitoral negativo numa eventual campanha de Daniel Vilela, repetindo o que ocorreu com Adriana Accorsi [candidata do PT à Prefeitura de Goiânia em 2016] por conta da gestão de Paulo Garcia (PT)?
Não vejo isso. Vivo muito a situação da Prefeitura, estou por dentro dos projetos em andamento. Não vou trabalhar com uma situação que não existirá. O que tenho a dizer é que, para certas coisas, quando está ruim, às vezes o remédio é amargo. A “febre” das finanças já passou e agora a Prefeitura está com saúde suficiente para atender às demandas e aos compromissos que Iris fez durante sua campanha. Não tenho dúvida disso.

Cezar Santos — Em que pese isso, dois dos maiores críticos da gestão de Iris são o vereador Clécio Alves e o deputado José Nelto, ambos do MDB. Ou seja, há um descompasso interno, que faz companheiros reclamarem todo dia, nas entrevistas e na tribuna. E isso ocorre principalmente em relação à área de saúde.
A dra. Fátima Mrué [secretária municipal de Saúde] entrou na gestão com um projeto muito ousado…

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Cezar Santos — Ousado em que sentido?
No sentido de mudar aquilo que existia há 20 anos. A forma de tirar o “chequinho”, de trabalhar a área da saúde. Não se consegue fazer uma mudança desse porte sem criar traumas. Por exemplo, hoje, cerca de 40% dos atendimentos realizados em Goiânia não são de pacientes da capital.

Cezar Santos — Mas sempre foi assim.
Mas está errado. Se o paciente vem já com seu atendimento pactuado com o município de origem, Goiânia vai receber a contrapartida. Por isso, o fato de algo estar errado há décadas não significa que devemos continuar assim. Pelo contrário, temos de criar mecanismos para tanto, do contrário não vamos mudar o País. Quantas coisas estão erradas no Brasil há décadas?

De 2005 a 2010, tínhamos uma frota da Prefeitura 100% monitorada por satélite. Isso passou a não ocorrer mais e agora Iris, novamente, está começando os procedimentos para retomar essa ferramenta de gestão. Quando alguém sabe que seu carro está monitorado, por mais que ninguém esteja vigiando, não para no supermercado para fazer compras ou no boteco para tomar uma cerveja, nem falar que o carro rodou sem ter ro­dado. Às vezes, um veículo desse custa R$ 15 mil ou R$ 20 mil e o mo­nitoramento custa menos de R$ 100.

Voltando à área da Saúde, as mudanças que a dra. Fátima está fazendo são importantes, mas não teriam como ser avaliados em curto prazo. Agora, quando passamos ao médio prazo, poderemos avaliar melhor, inclusive com a reabertura de unidades como o Ciams do Setor Urias Magalhães — e existem vários outros já em processo de abertura. Isso vai fazer com que o tratamento dessas pessoas que vêm de fora de alguma forma seja agregado para Goiânia, de forma a fazer com que os goianiense tenham um atendimento melhor e exames mais rápidos. É um remédio amargo, mas necessário. Pelo que tenho conversado com a secretária, há sinais de que tudo está tomando o rumo correto. Sei que a população ainda está sentindo os transtornos, mas ainda acredito que, dentro de pouco tempo, talvez 60 dias, haverá o impacto positivo.

Muita gente está chiando porque não está conseguindo fazer atendimentos de quem vem de fora. Ora, Iris é responsável por uma população de 1,3 milhão. Claro que queremos que todos os goianos sejam bem atendidos — o que, se Deus quiser, a partir do ano que vem será um problema para nosso pré-candidato Daniel Vilela. Mas hoje Goiânia precisa assegurar que seus habitantes tenham um sistema de saúde eficiente e que os demais que forem atendidos aqui sejam repactuados e que o pagamento venha para a SMS, de modo a termos mais estrutura para melhorar o serviço. Em suma, a mudança de paradigma causou muito descontentamento a quem vivia desse tipo de assistência.

Elder Dias — A crítica em relação à saúde em Goiânia, porém, não diz respeito apenas a quem vem de fora. Muitos daqui mesmo que precisam ser encaminhados com urgência para uma unidade como o Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia] ou o Hugol [Hospital de Urgências Governador Otávio Lage] vivem verdadeiros dramas. Nesse caso, vidas estão sendo perdidas por conta da burocracia da regulação. Não é preocupante isso para uma gestão?
Sem dúvida, o grande desafio é fazer uma boa interlocução e ter a capacidade de convergir. Não tem como um governador não conversar com o prefeito e com o presidente da República. Seja quem for eleito governador, se gostar de Goiás tem de gostar do presidente. Tem de ir lá buscar recursos e isso não se faz insultando quem está no cargo. O mesmo vale entre prefeito e governador. Esse é o grande desafio, pelo qual estão buscando uma melhor forma de interlocução no setor da saúde. O que sei é que os exames de baixa e média complexidade já ganharam maior agilidade na regulação e agora devemos fazer isso com os exames de alta complexidade, para o que estamos trabalhando em uma sintonia fina.

É nesse sentido que a dra. Fátima está trabalhando. É uma grande médica, nunca foi política e é preciso ter paciência com ela nesse sentido para ver os frutos de seu desempenho, porque há um plano real de saúde. O ambiente político a trouxe um pouco de dificuldade, é algo bem diferente de um ambiente 100% técnico. De qualquer modo, é realmente inconcebível que se percam vidas sobrando vagas.

Augusto Diniz — Vai ser possível colocar todos os Cais em regime de 24 horas, o que foi uma promessa de campanha de Iris?
Sim, isso vai ser feito e começamos pela unidade do Setor Urias Magalhães.

Augusto Diniz — E isso vai se estender a todas as unidades? Haverá condição financeira para tanto?
Nós recuperamos o caixa, como já disse aqui. Iris Rezende fez o mesmo compromisso de 2005 a 2010 e, se não me engano, depois de dois anos de governo, todas as unidades já estavam abertas diuturnamente. Creio que já teremos este ano um ritmo já bastante regular.

Augusto Diniz — O sr. ainda acompanha de perto a Comurg. Como está a questão dos supersalários?
Hoje o teto salarial do município são os vencimentos do prefeito. Na primeira gestão de Iris, o maior salário que existia era o do presidente da Comurg — que hoje é de 70% do salário do prefeito. Ou seja, até fevereiro de 2010 nunca houve um supersalário. O que existe hoje — e acontece tanto na administração direta como indireta — é que, por questão de fechamento da folha, em determinado mês alguém pode receber referente a, por exemplo, 50 dias — 30 dias de um mês e 20 dias do outro. Dessa forma, acaba em alguns casos recebendo acima do teto no holerite. Posso assegurar que, no governo de Iris, não há qualquer vencimento acima do teto.

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Cezar Santos — Como o sr. vê a privatização da Comurg?
Particularmente, não gosto da ideia. A Comurg tinha, até fevereiro de 2010, uma despesa de menos de R$ 200 milhões por ano. Só tínhamos 20 comissionados — e agora voltamos a esse patamar — e a frota monitorada. A maior gratificação na gestão de Iris era de R$ 1.451, para o FC-1. Não podemos punir um exército de vassouras e enxadas, formado pelos trabalhadores da Comurg, sem que ele seja culpado, mas o mau gestor. O que precisa existir, volto a falar, é gestão.

Veja bem, o gari tem um trabalho operacional, precisa de força física para jogar o entulho dentro do caminhão, para pegar o lixo, entre outras tarefas. Mas essa pessoa às vezes, por algum motivo saúde, não consiga varrer rua ou coletar lixo, mas pode prestar serviço em uma escola, em uma unidade de saúde ou em um viveiro. Hoje a Comurg tem mais de 1,5 mil funcionários que, mesmo aposentados, continuam na ativa. Muitos deles já não têm uma capacidade produtiva plena. Iris já colocou isso em um plano e agora essas pessoas não vão ficar à deriva da sociedade, terão cobertura. Isso vai acabar, em última instância, desonerando a folha em algo em torno de 20% a 25%.

Cezar Santos — Mas o problema da Comurg não são os garis…
A sociedade hoje passou a ter até raiva da Comurg por conta da corrupção, mas lá temos 8 mil garis, gente trabalhadora, mas de baixa escolaridade. Se acabar com a Comurg, vamos acabar é com essas pessoas e suas famílias.

Elder Dias — A terceirização da Comurg, então, não é uma solução?
Suponhamos que terceirizemos a Comurg. Qualquer nota fiscal de serviços vai ter pelo menos 12% de tributação. Ninguém trabalha com margem de lucro menor que 15% de lucro. Nenhuma empresa vai entrar numa concorrência para não ganhar nada. Ou seja, só aqui já temos 30% de sobrepreço.

Isso só valeria a pena se acreditássemos que todo o serviço público é incompetente. Se fosse assim, teríamos de acabar com os concursos, por exemplo. Não trabalho assim, penso que é necessário criar ferramentas para punir e desligar o funcionário público incompetente. A estabilidade não pode ser algo que impeça a demissão de alguém que manda a pessoa esperar dez minutos para ficar no WhatsApp. Com estabilidade, a obrigação tem de ser atender melhor do que a iniciativa privada.

Cezar Santos — Uma acusação que se põe na berlinda sobre a Comurg é o uso político-eleitoral da Comurg. Como o sr. vê isso?
O uso eleitoral de qualquer órgão, qualquer um — Detran, escola, posto de saúde, agência de obras, de transporte etc. —, é algo criminoso. O que posso assegurar é que, ao fazer a conta dos serviços e das despesas da Comurg hoje, temos um balanço muito positivo. É a Comurg que limpa cemitério, que roça todos os Cais e todos os colégios. São tantos serviços paralelos que, se fossem terceirizados e computados, o valor seria muito mais alto.

Agora pergunto para vocês: vamos mandar um gari de 57 anos que só tem o primário? Nós, do poder público, não devemos ter responsabilidade social com pessoas assim? Podemos pensar em enxugar a Comurg, desligar os aposentados, remanejar os improdutivos. O caso da Comurg se assemelha ao de um órgão infeccionado: nenhum médico faz cirurgia sem antes deter a infecção. Iris está sanando a ferida e, depois, vai tomar a decisão correta.

E é bom recordar: quantos escândalos houve no Brasil em relação ao lixo terceirizado? Pipocaram denúncias e denúncias. Nesse sentido, Goiânia é um exemplo. Se um gari de 50 anos consegue ganhar R$ 2 mil na Comurg, que ótimo! O errado é o professor ganhar R$ 1,5 mil (enfático). Não podemos jogar tudo fora por conta de meia dúzia que está errada.
O Ministério Público tem hoje um papel muito atuante e a Comurg é uma empresa bastante visada ao extremo. Nada é assinado sem vigilância. Se pegar o que foi gasto no ano passado já se observará uma redução de 20% a 25%. Quando Iris terminar a implantação do monitoramento isso vai ser enxugado ainda mais.

Augusto Diniz — No fim da gestão de Paulo Garcia havia falta de recursos para pagar as empresas que faziam coleta de lixo na capital e o problema ficou para Iris. Qual é a solução ideal para essa questão do contrato com caminhões? É melhor ter caminhões próprios ou pagar uma empresa?
No início de 2017, a frota se encontrava em estado bastante precário, totalmente quebrada. Na gestão passada, provavelmente por erro técnico, compraram caminhões que não eram reforçados como deveriam ser. Um caminhão de lixo precisa ter chassi reforçado, porque trabalha só em primeira e segunda marchas, freando toda hora, descarregando em aterro que não é asfalto — nem teria como ser. É uma situação que só se compara à do caminhão de mineradora, mas é ainda pior, porque o caminhão de coleta para de 20 em 20 metros.

Iris está readquirindo uma frota tecnicamente compatível com o serviço e criando ferramentas de aprimoramento e controle da mão de obra. Tenho certeza de que, quando essa nova frota chegar, o serviço será de outra qualidade. Tanto é que, de 2007 a 2009, quando assumimos a gestão do lixo em Goiânia, a cidade foi considerada uma das capitais mais limpas do País e com a coleta mais barata.

Augusto Diniz — O chorume [líquido resultante do esmagamento do lixo coletado] derramado dos caminhões muitas vezes fica como um rastro pelas ruas. É algo que pode ser resolvido?
O Brasil vai ter de evoluir nesse aspecto. A lei fala que o lixo precisa ser acondicionado corretamente no dia da coleta e suspenso em uma lixeira externa. Mas o que ocorre de fato? A pessoa faz um almoço no domingo, sobram os miúdos do frango e ela bota tudo isso no chão da rua. Passa um cachorro, um gato ou um rato e rasga a sacola, ou vem uma chuva forte e a enxurrada leva o lixo. Ou seja, é preciso ter uma consciência maior por parte da população, além de uma frota um pouco mais bem preparada, com boa manutenção, reservatório de contenção do chorume adequado e com o motorista fazendo as curvas de forma mais suave.

Elder Dias — Está na lei que cada habitação precisa ter sua lixeira suspensa. Por que a Prefeitura não empenha mais esforço em fazer cumprir o Código de Posturas do município?
Já começamos a fazer isso. Se não me engano, 30% ou 40% da população já foi notificada a fazer a calçada, com piso tátil, e instalar a lixeira adequadamente. O cumprimento da norma por parte da população é necessário, até para que possamos, mais à frente, reduzir os impostos. Hoje o jogo é o contrário, a pessoa pensa em sonegar o máximo possível porque pensa que o poder público não faz sua parte, o IPVA é caro e a estrada é ruim etc. É preciso fazer cumprir as leis e normas para que isso permita a redução de carga de impostos.

Marcelo Mariano — Em nível nacional, alguns quadros do PSDB já desembarcaram do governo Temer. Outros continuam, como o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Em Goiás é possível que MDB e PSDB caminhem juntos?
Zero por cento de chance. É a mesma chance de fundir Goiás e Vila Nova.

Augusto Diniz — Mas, no fim da pré-campanha de 2016, houve a conversa entre Marconi e Iris, para costurar que alguém do PSDB pudesse ser vice de Iris na chapa à Prefeitura. Agora, dizem que poderia haver uma possível pré-candidatura de Maguito Vilela, com apoio do atual governador.
Isso muitas vezes é usado pelo governo como forma de marketing deles, mas volto a dizer: o único partido que tem sido antagônico ao governo há 20 anos tem sido o MDB. Nos 246 municípios, nosso grupo político disputa eleições e a chance de aliança com o PSDB é 0%. O MDB não vai jogar pedra nos outros, mas há um projeto nosso que vamos apresentar. Não queremos e não teremos o apoio do PSDB. (enfático)

Cezar Santos — Nem mesmo se o PSDB entrar como vice?
Não existe essa hipótese. Se eles quiserem votar na gente, agradecemos, mas não temos compromisso de dar um cargo. MDB é MDB e daqui a dois anos, nas eleições municipais, vamos disputar provavelmente contra eles novamente.

Elder Dias — Nem mesmo o apoio em um segundo turno, supondo que o duelo seja entre Daniel e Caiado?
O apoio do PSDB não entra em questão para nós. Ficando de fora, os eleitores deles vão buscar votar em quem quiser.

Elder Dias — É uma posição pessoal ou do partido?
É uma posição consensual. Daniel tem falado isso em todas as entrevistas: a chance de aliança com o PSDB é zero. É importante que as pessoas entendam que somos adversários políticos e que isso é normal. O que difere a democracia da ditadura é a oposição. Ninguém imagina que os democratas apoiem os republicanos nos Estados Unidos.

Elder Dias — E o PT?
Em outro veículo de comunicação, também me perguntaram sobre uma aliança com o PT. A questão é que, infelizmente temos agentes políticos de todos os partidos — do MDB, do PT, do PP, do PSDB — envolvidos em denúncias e que envergonharam a Nação inteira.

Augusto Diniz — Em 2014, Iris e Caiado — líderes partidários que eram adversários históricos — conseguiram se entender e formaram uma chapa majoritária. Pensando na relação administrativa que começa a ser costurada entre Iris e Marconi, não é possível pensar em aliança eleitoral, ainda que não para este momento?
São gradientes de concentração completamente diferentes. Tenho muito respeito pelo DEM, mas, perto do MDB e do PSDB, é um partido nanico em Goiás, talvez tenha cinco ou seis prefeitos. Se, mais do que isso, observarmos a porcentagem de eleitorado que eles administram, a coisa fica pior.

Elder Dias — O fato é que o DEM hoje é Caiado apenas. Mas ele lidera as pesquisas e isso lhe dá poder de barganha.
Temos vários exemplos de líderes de pesquisas que não ganharam: Iris em 1998, Maguito em 2006, contra Alcides, Delegado Waldir (PR) em 2016 [para a Prefeitura de Goiânia] etc. Cavalo que ganha é o que chega na frente, não o que dispara no começo.

Augusto Diniz — O sr. acredita que o eleitor vai mesmo pesar sobre o poder de aglutinação que faltaria a Caiado, na hora de votar?
Como já disse, o eleitor está muito mais politizado. Todos sabem o posicionamento dos ministros do STF, sabem o que ocorreu com a candidata a ministra do Trabalho [deputada Cristiane Brasil (PTB), impedida de assumir pela Justiça por conta de processos trabalhistas].
Se Iris vai destravar o BRT, sabe que vai precisar de quem? Do presidente Temer, da administração da Caixa, também. Ninguém vai dar conta de nada sozinho, é preciso convergir e aglutinar. Daniel tem essa característica. Será que os outros postulantes têm? Basta olhar a história de cada um para trás, o Google está aí para isso.

Cezar Santos — O sr. acredita que, diante do quadro, o MDB teria como lançar candidato a presidente?
Ninguém, em princípio, vai gostar de um político que não foi votado. Temer não foi votado, assumiu um mandato e tem tomado medidas impopulares. Mas o fato é que a curva do desemprego mudou, com redução; o PIB voltou a ser positivo; a taxa Selic é a menor da história; a indústria automobilística começou a reagir. O governo não salva um país, mas está aí para dar condições à iniciativa privada e ao empreendedorismo de gerar emprego e fazer a economia andar. Nisso o Brasil tem evoluído. Mas a viabilidade política dele é de quase zero, por conta da impopularidade.

Não acredito em movimentos extremos e a política tem demonstrado que o radicalismo funciona para cargos proporcionais, mas não para o Executivo. A população pensa “será que esse sujeito é bom da cabeça, será que vai dar conta?”. Mas no Legislativo é bom ter Jair Bolsonaro [PSC-RJ, deputado federal de extrema-direita e pré-candidato à Presidência] e Jean Wyllys [PSOL-RJ, deputado federal de esquerda e representante LGBT] no Congresso, porque levantam discussões.

Marcelo Mariano — Se o MDB apoiar o candidato do PSDB à Presidência — como Geraldo Alckmin, por exemplo —, o partido subirá no palanque dos tucanos?
Acho praticamente inviável. Pode ser que alguns, caladinhos, votem em um candidato mais centrado, uma pessoa com mais condição de aglutinar o Brasil para continuarmos evoluindo.

Elder Dias — Se o MDB não tem e provavelmente não terá, qual seria o candidato do deputado Wagner Siqueira hoje à Presidência da República?
(pausa para pensar) Gosto muito do ministro da Fazenda [Henrique Meirelles, pré-candidato pelo PSD], mas não sei de sua capacidade de articulação política. Como condutor da economia, o admiro, mas como ele conduziria o Congresso? Não sei se teria essa habilidade.

Cezar Santos — O sr. é pré-candidato à reeleição?
Sim, sou pré-candidato a um novo mandato de deputado estadual, tendo como base principal Goiânia e trabalhando por mais 40 municípios.

Elder Dias — Seria seu terceiro mandato. O que o sr. considera que produziu para merecer novo aval da população e retornar à Assembleia?
Durante minha passagem pela Comurg eu fiz uma companhia enxuta e Goiânia se tornou exemplo nacional de limpeza. Troquei 100% da iluminação, fiz 400 praças, implantei a coleta seletiva com os caminhões, comecei a expansão do aterro sanitário e deixei a empresa com todas as certidões de saneamento financeiro. Como deputado, combati o bom combate, mesmo diante da máquina do governo, que é implacável quando quer aprovar algum projeto. De qualquer modo, subi à tribuna, liguei para os órgãos de imprensa e motivar a sociedade por esse meio, buscando reverter vários projetos. Perdemos no voto, mas ganhamos com a entrada da sociedade civil no processo. Sou também um dos idealizadores e condutores do Código Florestal de Goiás, do ICMS Ecológico e faço parte de vários grupos de trabalho sobre aterros sanitários — temos só dez aterros e essa é uma bandeira que eu tenho. Além disso, elaborei vários projetos de lei que infelizmente não foram aprovados, como o monitoramento de carros oficiais por satélite; o controle de combustível desses carros por chips; o de direito à meia-entrada ao doador de sangue.

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Fabiano Oliveira

Esperem sentados !!!

Gilberto

Vcs deviam partir para carreira humorística, perderam eleição municipal em Jataí, vão ganhar onde???????????????