“As empresas perderam 80% do faturamento na pandemia”

Diretores do Grupom Consultoria e Pesquisa contam como a estatística pode ajudar a compreender o impacto do coronavírus na saúde, na economia e nas eleições

Mário Filho (no alto, à esq.) e Mário Neto em entrevista por videoconferência

Acostumada a fazer pesquisas de mercado e eleitores, a Grupom Consultoria e Pesquisa, fundada em 1972, encontrou na pandemia de Covid-19 um novo campo de estudo. Cruzando dados disponíveis em fontes internacionais e nacionais, a equipe comandada por Mário Rodrigues Filho cravou, uma semana antes, que o Brasil romperia a marca de 1 mil mortos por dia por causa da doença. “O gráfico da Covid-19 é um degrau. E a escadaria está cada vez maior”, diz.

A empresa também tem acompanhado a percepção dos empresários goianos diante da crise econômica decorrente da crise sanitária. E percebeu que especialmente os pequenos negócios estão seriamente ameaços. Nessa entrevista ao Jornal Opção, Mário Rodrigues Filho e Mário Rodrigues Neto, seu filho e diretor técnico do Grupom, também falam sobre como a pandemia afetará as eleições municipais deste ano.

Rodrigo Hirose – Com qual objetivo o Grupom decidiu realizar estudos sobre a Covid-19?
Mário Rodrigues Filho – Percebemos que não ia ser uma coisa banal. Em março, quando começou o isolamento da população em Goiás, percebemos que não havia dados suficientes, naquele momento, para aferir o grau de preocupação da população. Com isso, começamos a fazer uma investigação em dados internacionais. Hoje temos uma série de fontes de dados, universidades internacionais e de organismos que estão fazendo as estatísticas de casos.

A cada momento que passa, essas estatísticas estão se tornando mais complexas e abrangentes, de tal forma que precisávamos de alguma coisa que mostrasse o perfil do Brasil [em relação à Covid-19], utilizando os mesmos dados.

Em Goiás, as informações ainda são poucas.

Rodrigo Hirose – O que esses estudos demonstraram até agora?
Mário Rodrigues Filho – Na semana passada [a entrevista foi concedida na quinta-feira, 22], escrevi que entraríamos no milhar de mortos.

Rodrigo Hirose – E foi o que efetivamente ocorreu.
Mário Rodrigues Filho – A estatística mostra, como sempre, uma conversa sobre o que vai acontecer, a previsibilidade. Algumas universidades já fizeram essa previsibilidade, com as projeções. Como cidadão, não gosto de ver esses números, mas, como profissional, tenho de observar isso claramente.

Como os estatísticos conseguem fazer essa previsão?
Mário Rodrigues Filho – A coisa mais simples é olhar a tendência do gráfico. No histórico, observa-se a curva. Sempre nos finais de semana, cai [o número de mortes por Covid-19]. Ou seja, são subnotificados. A partir de segunda-feira, o número sobe assustadoramente.

Mas, a cada semana, quando se juntam as médias, o gráfico vira degrau. A cada semana, há um degrau novo. Assim, chega-se a uma previsão do que pode ocorrer lá na frente.

Rodrigo Hirose – Por isso a necessidade de se observar períodos maiores, pois a oscilação diária é muito grande, especialmente nos finais de semana.
Mário Rodrigues Filho – Exatamente. Quando se faz o histograma [um tipo de gráfico], os degraus estão subindo. A cada semana, desde o início da pandemia, tem-se uma escadaria, sempre cada vez maior. Tanto no número de infectados, como no de mortos.

É como nas pesquisas eleitorais. Quando se faz uma sequência de pesquisas, percebe-se a mudança no comportamento do eleitor também em forma de degrau, subindo para uns e descendo para outros. Assim é possível fazer a previsão.

Rodrigo Hirose – É possível prever se o degrau da Covid-19 vai continuar aumentando?
Mário Rodrigues Filho – Essa área é da saúde. Haverá um momento em que todos nós estaremos vacinados ou com anticorpos. Assim, a curva começa a descer. Uma universidade de Singapura iniciou esse estudo em relação ao Brasil, mas percebeu que o pico de casos está mudando. No início do ano, era no final de maio. Depois passou para junho e agora para o meio de julho.

A população brasileira é muito grande. Não estamos atingindo nem 2% da população brasileira [de mortes]. Em termos estatísticos, é insignificante. Mas, em termos de vidas humanas, é uma tragédia.

Rodrigo Hirose – O crescimento do degrau da Covid-19 é constante ou sofre saltos?
Mário Rodrigues Filho – O gráfico que a equipe do Grupom produziu mostra que sempre há oscilações nos finais de semana, mas, na semana seguinte, sempre está um pouco maior que na anterior. Isso mostra que estamos caminhando, ainda, para o crescimento no número de infectados e da letalidade.

Estamos analisando o índice de pessoas infectadas e o de óbitos. O índice [de letalidade] está sempre em torno de 6% a 7%. Como as pessoas levam entre 10 a 15 dias para atingir o ápice da doença, sabemos que o número de pessoas infectadas hoje impactará no número de óbitos mais adiante.

Rodrigo Hirose – Goiás acaba de completar um mês da última flexibilização das atividades econômicas. As análises do Grupom detectaram alguma impacto na velocidade do crescimento da curva de casos de Covid-19?
Mário Rodrigues Filho – Houve um leve crescimento. O número de óbitos e de infectados está subindo lentamente, não tão abruptamente como em outras unidades da federação. A média brasileira está subindo mais rápido, apesar de ter ocorrido a flexibilização da presença das pessoas nas ruas e empresas – desde que utilizem a bendita máscara.

Aproveitamos esse trabalho, que começou no início de abril, para ouvir aquele que foi o mais atingido por esse contexto, que é o empresário, que gera emprego e dá condições de trabalho para todos. Ouvimos aqueles que estavam com a atividade totalmente ou parcialmente interrompidas ou que estava trabalhando porque tem uma atividade essencial.

Rodrigo Hirose – Quais foram as principais conclusões desse estudo junto aos empresários?
Mário Rodrigues Neto – Os dados dessa pesquisa foram coletados ao longo do tempo. Ele, então, mede o impacto [da pandemia] na economia de Goiás e a mudança de opinião dos empresários ao longo do tempo.

A pandemia, o processo de isolamento e a mudança de hábitos bagunçaram a vida do empresário. Há um desejo muito grande de boa parte dos empresários de voltar a trabalhar, a fazer negócios e a ganhar dinheiro, o que é natural.

Mário Neto: “Muitas empresas estão em
condições desfavoráveis”

Mas, quando se investiga as condições das empresas para reabrirem em um horizonte de até 90 dias, percebemos que a vontade é geral, mas muitas empresas estão se percebendo em uma condição desfavorável. Muita empresa não tinha caixa [quando começou a quarentena], como se diz, vende o almoço para comer o jantar. Quando a operação foi encerrada, por uma semana que fosse, a saúde financeira dessa empresa foi comprometida.

Existem empresas que têm problemas como estoque, sejam eles perecíveis ou relacionados à moda. O empresário, então, tem de negociar com fornecedores, que ter uma lógica completamente diferente.

A volta aos negócios não será igual para todos os segmentos nem para todas as empresas. Existem empresas mais capitalizadas, têm estoque e condições de operação e que poderiam voltar quase que imediatamente. No varejo, elas poderiam voltar em média em dez dias.

Outras empresas, não. Há uma heterogeneidade entre as empresas. Algumas empresas começam a refletir: “Não sei se consigo reabrir. Vou ter muitas dificuldades”.

Rodrigo Hirose – Segundo a pesquisa Grupom, mais de 80% dos empresários disseram que não tinham caixa para mais de 60 dias parados. E já passamos desses 60 dias. Podemos, portanto, prever uma quebradeira geral?
Mário Rodrigues Neto – Não é possível afirmar, pelos dados, que isso vai acontecer. Por outro lado, andando pelo Centro de Goiânia, por exemplo, é perceptível a quantidade de lojas que aparentemente não vão conseguir reabrir.

Há um indicativo de que, em decorrência da pandemia e do isolamento social, algumas empresas não vão sobreviver. Mas, qual o porcentual disso, qual a quantidade de empresas que não vão passar bem por essa etapa? Em nosso trabalho, fazemos uma conta por cima de 25% [de fechamento de empresas]. Mas é muito difícil bater o martelo. Não dá para falar que é isso.

Rodrigo Hirose – Apesar do relato de dificuldades, aumentou o porcentual de empresários que se dizem favoráveis ao isolamento social. Isso não é uma contradição?
Mário Rodrigues Neto – Em tese, é. Mas é preciso olhar outra questão. No primeiro momento, há o impacto da pandemia na vida da empresa, o comprometimento do negócio, a necessidade de demissão. Porém, há uma outra situação. No começo de abril, 9,6% conheciam alguém ou tinham um parente com sintomas da Covid-19. Na última etapa da pesquisa [na semana passada], chegou a 18%.

Essa é uma característica muito clara do comportamento humano. No Brasil, a pessoa só tem certeza de que o negócio é sério quando chega perto dela. Quando mais pessoas começam a saber que alguém próximo ficou doente ou morreu, e isso circula próximo ao meio empresarial, [o empresário] começa a pensar que isso é sério e que é preciso tomar cuidado. Apesar de parecer uma contradição, essa é uma explicação que os números da pesquisa nos trazem sobre essa aparente contradição.

Na análise estatística, há uma diferença entre causalidade e correlação. Não consigo dizer que uma coisa causa a outra, mas que elas estão correlacionadas, estão. Não consigo dizer “essa é a causa”. Não tenho substrato para isso. Mas os testes estatísticos nos dizem que as duas variáveis têm uma correlação.

Então, quanto mais pessoas perto de mim começam a apresentar sintomas de coronavírus, mais acho que o isolamento social é importante.

Rodrigo Hirose – A pesquisa mostra, ainda, que os microempresários e os Microempresários Individuais (MEIs) são os mais afetados. Isso indica a necessidade de políticas públicas focadas nesse segmento?
Mário Rodrigues Neto – A situação é muito séria. Essas empresas são as que mais empregam no Brasil. E são as que têm mais limites de caixa e financiamento. Em um contexto como o de hoje, são as mais vulneráveis. O empresário não tem caixa para girar, tem dificuldade de tocar o negócio e vai acabar demitindo.

Os impactos da pandemia são muito mais fortes e severos nos pequenos, nos negócios menores.

Rua da Região da 44 com comércios fechados | Foto: Fernando Leite

Rodrigo Hirose – O que mais a pesquisa demonstra?
Mário Rodrigues Neto – Há uma grande queda no faturamento [das empresas]. No início da pesquisa [primeira semana de abril], isso era uma perspectiva do empresário. Hoje ele confirma esses dados: houve uma queda no faturamento na ordem de 80% [em média]. Isso é algo muito sério do ponto de vista econômico.

Como o trabalho foi orientado para o empresário, esse é um aspecto que dá uma dimensão empresarial e social muito forte do efeito da pandemia.

Rodrigo Hirose – De que forma a ciência estatística e a matemática podem contribuir diante de uma pandemia?
Mário Rodrigues Neto – Todo processo de modelagem, a partir de base de dados e do conhecimento acumulado pode ser utilizado para traçar cenários preditivos em relação ao futuro. A maior contribuição da ciência é oferecer respostas sobre a realidade como está e como pode ficar.

Isso significa orientação de políticas públicas, orientação sobre até quando será necessário isolamento, a partir de qua momento é razoável se pensar no relaxamento do isolamento, quando vai ser o pico. O pico no Brasil é móvel, a cada mês ele é jogado para o mês seguinte.

Todas essas situações são cenários construídos a partir dos dados coletados hoje – no caso da Covid-19, os dados epidemiológicos – e, a partir deles, são gerados modelos que indicam o caminho a seguir, a margem do que pode acontecer.

Se forem analisados os dados da pandemia no começo de abril, estávamos em um cenário totalmente confortável. Em duas semanas, superamos os piores dados até chegarmos à situação que estamos vivendo hoje.

O cenário é como se pegasse uma foto sua hoje e imaginar como você será daqui a 20 anos. Se o modelo adequado for usado, há uma grande probabilidade de acerto. Mas você pode adquirir uma cicatriz o pintar o cabelo, o que não está previsto no modelo. Dados científicos nos trazem [informações] sobre o que pode ou não ser usado na pandemia, [permite] tomar decisões hoje que vão ter impacto no futuro com base nessas previsões.

Rodrigo Hirose – No início da pandemia, havia previsões de milhões de mortos. Exemplos são os dados da Imperial College London e os do biólogo Átila Iamarino. Essas projeções, porém, não são profecias autorrealizáveis. O que dizer para as pessoas que dizem que essas previsões foram furadas ou manipuladas?
Mário Rodrigues Neto – Se você jogar uma moeda para cima e segurá-la na mão antes de olhar o resultado, quais são os resultados possíveis?

Rodrigo Hirose – Cara ou coroa, 50% [de chance de acertar].
Mário Rodrigues Neto – Até abrir a mão, você só tem a ideia de que há 50% de chances de dar cara e 50% de dar coroa. Quando você abre a mão e checa a moeda, sabe qual os 50% que estavam corretos.

No começo da pandemia, os dados eram insuficientes. As previsões são probabilidades do que pode acontecer. Com o incremento de novos dados e de novas políticas, com a mudança do comportamento das pessoas e uma série de outras situações, a previsão de ontem pode não fazer mais sentido hoje.

Não é que aquela previsão estava errada. É que os dados que tenho hoje são melhores que os que tinha ontem. Mas, até a coisa acontecer de fato, é a mesma situação da moeda: até abri a mão, só tenho uma probabilidade; quando abro a mão, consigo checar se a probabilidade era verdadeira ou falso. Há uma condição que é a qualidade de dados hoje. Atualmente, as previsões têm uma acuidade muito maior que no começo da pandemia.

Em termos de previsão, é totalmente esperado que ela não seja tão boa quanto no meio e tão boa quanto no fim. Se eu fizer uma pesquisa hoje para a eleição de 2022, provavelmente terá um resultado muito pior que se ela for feita a 15 dias da eleição.

Quando os dados vão melhorando, as condições vão se assentando, melhora o resultado da previsão. O material do College London, com os dados e modelos disponíveis naquele momento, era totalmente aceitável.

Havia a expectativa de que a doença ia perder o controle na China, mas não perdeu. Esse fato, simplesmente corta alguns milhões de mortos. É um problema de como a situação caminha.

Rodrigo Hirose – Não se pode afirmar, como tem sido feito nas redes sociais, que os cientistas erraram em suas projeções?
Mário Rodrigues Neto – Não faz sentido [a afirmação]. Para aquele momento, para o modelo utilizado e as informações disponíveis, a previsão fazia sentido. Hoje, não faz mais. Mas não posso mexer no passado.

A questão é como as pessoas usam as previsões. A balbúrdia de redes sociais é outra história. Ainda mais em relação à estatística. É outra coisa e não entramos nessa história.

Rodrigo Hirose – A pandemia terá qual impacto nas eleições deste ano?
Mário Rodrigues Filho – Certamente haverá uma mudança do comportamento do eleitor em relação aos políticos. Essa é uma previsão em cima do que estamos vivendo hoje: 99% da população que tenha um mínimo de conhecimento para entender o que está ocorrendo, em cidades pequenas ou grandes, cobram dos governantes uma orientação e uma liderança.

Mário Rodrigues Filho
Mário Rodrigues Filho: “Outras ferramentas de interagir com a população terão de ser usadas na campanha” | Foto: Jornal Opção

Percebemos, nas pesquisas que estamos fazendo, que não existe essa liderança. Os políticos foram votados, mas não foram elevados a líderes para caminhar com a população. O eleitor fará algumas opções e vai questionar mais o candidato nas próximas eleições.

Não será possível fazer caminhadas nem visitas [na campanha], pois talvez estejamos ainda no meio do caminho da pandemia. Outras ferramentas e formas de interagir com a população terão de ser usadas.

Até agora, muitos poucos profissionais estão preparados para oferecer algum resultado para esses políticos, pois o fato é muito novo. Estávamos em um processo de transição política e de conhecimento, que vinha das eleições de 2018, para 2020. Foi criada uma celeuma entre esquerda e direita, direita e esquerda. Hoje isso passou a ser menos interessante do que quais são os problemas da cidade e como eles serão resolvidos.

Rodrigo Hirose – A discussão, portanto, pode girar em torno de situações mais concretas? O eleitor percebe que a falta de investimento adequado em saúde está refletindo no problema da pandemia e vai cobrar isso?
Mário Rodrigues Filho – Ele [o eleitor] já está cobrando. Ele cobra também porque não tem como trabalhar nem o mínimo de subsistência em casa. Principalmente nas pequenas e médias cidades, as pessoas não têm poupança, não estão preparados para viver sem receita, elas têm de trabalhar. As pessoas precisam de condições financeiras para enfrentar [situações como a pandemia], mas não têm. O brasileiro tem uma despoupança, ele deve mais do que poupa.

O eleitor vai pesar o sofrimento que tem hoje em casa. Os modelos do passado já forma.

Rodrigo Hirose – A gestão que o governador Ronaldo Caiado e os prefeitos, como Iris Rezende [Goiânia] e Gustavo Mendanha [Aparecida de Goiânia] influenciará de que maneira em suas pretensões na eleição deste ano?
Mário Rodrigues Filho – Se eles conseguirem manter um nível mínimo de infectados no Estado ou em suas cidades em relação ao resto do País, eles terão sucesso [eleitoral]. Tenho recebido mensagens de pessoas de outros Estados ressaltando a situação de Goiás no enfrentamento do coronavírus.

Nosso índice por milhão de pessoas é muito baixo. Isso fará deles políticos que tomaram decisões de sucesso. Mas, se a situação fora para um lado incontrolável, será um complicador muito grande para suas reeleições.

Rodrigo Hirose – Segundo a última pesquisa da XP Investimentos, mais de 50% dos brasileiros reprovam o governo Jair Bolsonaro e 58% reprovam como ele conduz o combate ao coronavírus. Esses dados indicam que a direita terá dificuldades em consolidar as conquistas eleitorais que obteve me 2018?
Mário Rodrigues Filho – As pessoas estão deixando de olhar o governo federal nesse processo, porque o problema está próximo, está no bairro em que elas vivem. Bairros extremamente nobres [de Goiânia], classe A, têm um volume muito grande de infecções. O cidadão quer ver resolvido o problema do seu bairro, da sua cidade.

“A briga de Bolsonaro com Mandetta e Moro
é coisa muito distante” | Foto: Reprodução

A briga do Bolsonaro com o Mandetta [ex-ministro da Saúde], com o Moro [ex-ministro da Justiça e Segurança Pública] é coisa muito distante. O eleitor não está interessado nisso, tem de resolver o problema da máscara que ele precisa e acabou e não tem como comprar outra, porque ela custava R$ 5 e agora é R$ 15.

Rodrigo Hirose – Governadores e prefeitos então serão mais cobrados que o presidente sobre os reflexos da pandemia?
Mário Rodrigues Filho – Sim, evidente. A cidade faz um lockdown, outro faz bloqueio à noite. Cada um está mais desesperado que o outro.

Rodrigo Hirose – O governado Ronaldo Caiado e o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, saem fortalecidos ou chamuscados dessa pandemia?
Mário Rodrigues Filho – Se o nível [de contágio e mortes] de Goiás for mantido até passar essa fase crítica, eles terão sucesso e estarão aptos a disputarem até outros mantados.

Rodrigo Hirose – O prefeito Iris Rezende apostou na realização de obras nos dois últimos anos de mandato. Com a pandemia, porém, ele não poderá nem mesmo inaugurar com festa. A pandemia diminuirá a força eleitoral dessas obras?
Mário Rodrigues Filho – Essa é uma previsão difícil de fazer agora. Os dados ainda são insuficientes. Pode ser uma limonada muito boa a partir desse limão.

Rodrigo Hirose – O sr. está em cima do muro.
Mário Rodrigues Filho – Não, é o problema de fazer previsão. Se eu fizer essa previsão, estarei fugindo do princípio científico. Não há dados suficientes, pois isso depende do comportamento [do eleitor]. Pode ser que, em agosto, seja possível fazer inaugurações.

Rodrigo Hirose – As limitações de uma campanha em plena pandemia favorecerão, ainda mais, aqueles políticos já conhecidos?
Mário Rodrigues Filho – Sempre foi assim, o conhecido sai à frente. Por isso é preciso se preparar. Não se corre uma maratona com a vontade de hoje. São necessários, pelo menos, cinco anos para se preparar para correr uma maratona, mesmo que se tenha condições físicas e saúde.

No caso do político, é a mesma coisa.

Rodrigo Hirose – A direita consolidará a vitória de 2018 ou a esquerda pode recuperar parte do terreno perdido?
Mário Rodrigues Filho – A discussão sobre direita e esquerda é tempo vencido. Em 2018, o eleitor estava cansado e partiu para uma coisa nova, independente de esquerda ou direita. Essas são coisas pequenas. O eleitor estava cansado com o modelo antigo e, sempre que se cansa, ele troca.

Uma resposta para ““As empresas perderam 80% do faturamento na pandemia””

  1. Paulo Araújo disse:

    Mário Parabéns pela entrevista, sempre acompanhando as tendências GRUPOM e sua Equipe sempre com novidades concretas.

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