por Euler de França Belém e Italo Wolff

O ex-bancário André Luís Carlos da Silva, mais conhecido como André Fortaleza (MDB), é considerado um “inimigo” pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano (Patriota), mas afirma estar apenas fazendo seu trabalho. Além de fiscalizar gastos da prefeitura, André Fortaleza sucedeu Mariano no cargo de presidente da Câmara Municipal com a proposta de fazer melhor e conseguiu economizar R$ 9,6 milhões em dois anos na mesa diretora. Segundo o vereador, o objetivo de cortar gastos fez com que fossem descobertos contratos superfaturados, licitações irregulares, e obras mal projetadas pela gestão anterior. 

O Jornal Opção ouviu André Fortaleza, que, mais do que uma oposição vigilante e incômoda em Aparecida de Goiânia, se tornou um dos principais nomes para a corrida eleitoral de 2024. O vereador é bem relacionado e – com exceção de Vilmar Mariano e Magda Mofatto (PL) – diz se dar bem com todos os demais políticos, incluindo seus concorrentes. Neste momento, o político se ocupa de viabilizar seu nome pelo MDB e lidar com a multiplicação de pré-candidatos ao cargo de prefeito. Este fator ele também atribui à fragilidade da gestão de Vilmar Mariano.

Euler de França Belém – Bruno Peixoto, como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), está tendo um compromisso que a gestão anterior não tinha, de repassar recursos economizados para a área social do governo. E em Aparecida de Goiânia, onde a Câmara Municipal também está cortando gastos? O que a Câmara tem feito com o dinheiro?

Tínhamos um objetivo. Quando assumi a presidência da Câmara, em 2021, a obra de uma nova sede tinha se iniciado em 2018 e estava paralisada desde 2019. Fizemos um distrato com a construtora e, sem contrair novo empréstimo, fizemos um novo processo licitatório. Enquanto o processo tramitava, cortamos gastos. Economizamos R$ 9,6 milhões em 24 meses, o que permitiu pagar a nova sede com nossos próprios recursos. É uma forma de respeitar e atender melhor os quase 600 mil habitantes de Aparecida de Goiânia.

Euler de França Belém – Quando a nova sede fica pronta?

Nossa previsão é para dezembro deste ano, porém existe uma Lei Federal de 2021 que determina que determina que a Câmara não pode usar fundos de investimento para transferir recursos de um ano para outro. Como nunca se havia economizado dinheiro na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, quando apresentamos o balancete de 2022 e se percebeu que tínhamos R$ 9,6 milhões no fundo, o prefeito Vilmar Mariano (Patriota) entrou na Justiça, baseado na Lei que proíbe a transferência de recursos, para cortar o acesso a esse dinheiro. Portanto, não temos certeza de que a nova sede será concluída até dezembro.

Euler de França Belém – Essa ação da prefeitura teve resultado?

A Juíza bloqueou o acesso ao saldo do fundo, mas não permitiu que se descontassem valores do duodécimo. Ainda está tramitando, não há decisão final.

Italo Wolff – Como economizaram? Onde houve corte de gastos?

Em todas as áreas, principalmente nos contratos. Havia vários contratos que, ao meu ver, eram pouco transparentes. Pagávamos preços exorbitantes por produtos e serviços. Apenas com contratos conseguimos cortar 30% dos gastos. Um exemplo era o contrato de ar-condicionado, que foi de R$ 18 mil reais mensais para os atuais R$ 4,6 mil. Mas essa postura vai até o nível da água – não compramos mais copos plásticos de água, apenas garrafas maiores, mais econômicas. Nosso duodécimo aumentou; a receita aumentou; e a despesa não. Aplicamos o excedente no fundo.

Euler de França Belém – Quanto a Câmara recebe por mês?

No ano passado foram R$ 3,249 milhões por mês. Neste ano recebemos R$ 3,699 milhões por mês.

Euler de França Belém – O prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano te fez um desafio. Segundo Mariano, o senhor teria um dossiê contra ele, e pede para que exiba esse suposto documento ao público. Esse dossiê existe? É ficção?

Eu nunca falei em dossiê a respeito do prefeito. Todas as minhas críticas ao prefeito sempre foram públicas: sempre falei na Câmara que considero sua gestão desastrosa. A Câmara Municipal tem uma multa na receita federal de R$ 800 mil deixada pela gestão dele como presidente da Casa. A obra interrompida tem vários erros, com processos tramitando na Justiça. A sede foi orçada em quase R$ 500 milhões, gastaram R$ 12 milhões e concluíram 55% da obra.

Euler de França Belém – Vilmar Mariano se referiu ao senhor como ‘um inimigo dele’. O que isso quer dizer?

Eu até me expressei no plenário sobre isso. Eu disse que achei uma palavra muito forte. Não sou do convívio do prefeito, mas não o considero meu inimigo. Tento usar o bom senso e a responsabilidade como gestor público. Nossa relação é profissional e não de amizade ou inimizade. Eu discordo de suas ações, mas esse é meu papel como fiscalizador do poder Executivo, e vou fazer isso até o término do meu mandato independente de desalinhamento partidário ou de apoio eleitoral.

Italo Wolff – O senhor consegue apontar a origem desse rompimento? Quando começou esse desentendimento?

Começou quando eu o sucedi na presidência da Câmara. Com nove meses de presidência, eu fiz a reeleição antecipada, e Vilmar Mariano começou a fazer algumas retaliações porque ele foi contra, gostaria de ter reassumido o cargo. Por minha parte, mesmo antes de nosso rompimento, sempre apontei os problemas nos contratos da Casa e na construção da nova sede, mas Vilmar Mariano passou a tomar isso como inimizade.

Euler de França Belém – Vilmar Mariano diz que a Câmara está sempre o investigando, perseguindo. Ao que ele se refere exatamente?

Nós estamos cumprindo nosso papel, fiscalizando. Temos vários exemplos. Um caso escandaloso é a compra de cestas básicas no final do ano. Meio quilo do café mais barato do mercado era comprado por R$ 39,90. Um refrigerante de R$ 2 era comprado por R$ 13. É um superfaturamento notório. Se ele se sente incomodado por apontarmos esse fato, que melhore.

Houve também o gasto de R$ 3,5 milhões na iluminação natalina, sendo que R$ 2 milhões foram especificamente para a mão de obra. Gastamos R$ 400 mil para reformar um presépio. O cidadão prefere ter luzes de natal por um mês ou iluminação de qualidade o ano inteiro?  

Tivemos o caso da festa  “Aparecida é Show”, em que a prefeitura pagou R$ 1,89 milhões para uma entidade que afirmava representar a Central única das Favelas (Cufa) produzir o evento. Mas a cúpula nacional da Cufa não aprovou essa participação. Quero me reunir com o presidente da instituição para entender essa história. Aparecida de Goiânia gastou com banheiros químicos, limpeza do local, e tudo foi muito malfeito. Parte do pagamento foi efetuado para contas particulares. É um absurdo atrás do outro.

Há ainda irregularidades na prestação de serviços assistenciais pelo município. Funcionários da prefeitura denunciam desvio de função. Eles pedem para não ser identificados, mas temos casos de recepcionistas escaladas para aplicar testes de optometria e outros procedimentos de saúde.

Euler de França Belém – Denunciaram os casos ao Ministério Público (MP)?

Sim, algumas denúncias já foram feitas junto ao MP e outras ao Tribunal de Contas do Município (TCM). Também convocamos três secretários da prefeitura para esclarecer os casos na Câmara Municipal, mas eles não compareceram. O último convocado foi o secretário de Cultura, junto com o presidente da Cufa em Goiás, mas nenhum apareceu para dar satisfação. Agora, buscamos garantir judicialmente que eles venham dar explicações.

Euler de França Belém – O deputado federal Professor Alcides (PP) deu nota cinco para a gestão de Vilmar Mariano. Qual a sua nota?

Ele foi muito generoso. Na minha opinião, falta respeito com a população, com o Legislativo e com o patrimônio da cidade em si. Isso é visível pela administração desastrosa que estamos vendo. Eu daria nota dois.

Italo Wolff – O senhor é pré-candidato a prefeito? É o nome do MDB em Aparecida de Goiânia?

Sim, sou pré-candidato pelo meu partido, MDB. Estou no momento de construir minha candidatura, correndo atrás de apoio, tentando viabilizar meu nome. É uma construção política, e política se faz com diálogo, não é? Só terei certeza do apoio ao meu nome durante a candidatura, lá na frente, mas por enquanto estou trabalhando para conquistar essa base.

Euler de França Belém – O ex-deputado federal Leandro Vilela (MDB), sobrinho do falecido prefeito Maguito Vilela e primo do agora vice-governador Daniel Vilela (MDB), pode disputar a prefeitura de Aparecida de Goiânia?

Respeito muito o Leandro Vilela, mas não acredito que ele tenha identificação com Aparecida de Goiânia. Já estive algumas vezes com ele, o considero uma pessoa idônea, com boa bagagem e bom político, mas a questão é que para sua eventual candidatura Leandro se valeria da associação com Maguito. Leandro não é Maguito. Na minha opinião, Maguito foi um político ímpar, que tinha contato direto com o povo aparecidense e era reconhecido em todas as cidades do estado; não é o caso de Leandro.

Euler de França Belém – O deputado federal professor Alcides Ribeiro é forte em Aparecida de Goiânia e próximo ao senhor. O senhor seria vice dele?

Não, eu acredito na minha candidatura. Nunca conversamos sobre isso. Ele está na base do prefeito Vilmar Mariano e creio que pode vir a ser candidato se o atual prefeito continuar nessa decadência. Se você me perguntar “por que Aparecida hoje tem tantos pré-candidatos?”, a razão é que as coisas estão indo mal. As pessoas se atentam para a possibilidade de ganhar em um município onde o administrador é ruim, impopular.

“Se Vilmar Mariano se sente incomodado com nossa fiscalização, que melhore”, afirma Fortaleza | Foto: Léo Iran / Jornal Opção

Euler de França Belém – O ex-prefeito, Ademir Menezes (Patriota), é um nome forte?

Claro que é. Apesar de ter se aposentado da política, existem rumores de que Ademir pode voltar a se candidatar pelo União Brasil (UB). Ele foi prefeito por dois mandatos e vice-governador, então tem trânsito livre com muitos políticos de Aparecida de Goiânia e tem contato com a população. 

Italo Wolff – Como é sua relação com os demais pré-candidatos a prefeito: Max Menezes (PSD), Glaustin da Fokus (PSC), João Campos (Republicanos)?

Minha relação com todos é boa. Tenho de conversar com todos. Considero nomes com potencial para a disputa de 2024, mas, no futuro, a situação vai se afunilar para apenas alguns irão disputar. Isso acontece quando vierem as pesquisas de intenção de votos, quando a análise das qualitativas vai revelar quem tem o caminho mais pavimentado. Se eu mesmo perceber que meu nome não tem viabilidade, deixo a vaidade de lado, dou um passo atrás, e vou buscar outro caminho. 

Euler de França Belém – Qual a importância de Gustavo Mendanha (Patriota) em termos de transferência de votos?

Gustavo Mendanha é sem dúvida alguma o maior transferidor de votos em Aparecida de Goiânia. Ele é a maior liderança na cidade e isso é inquestionável. Mesmo perdendo a eleição para o governo do estado, mesmo tendo deixado a prefeitura, mesmo que algumas pessoas atribuam erroneamente os problemas do município à sua gestão – mesmo assim, quem questiona a importância de Mendanha não entende de política.

Acredito que no momento, ele tem um candidato, que é o próprio prefeito, e está aguardando. Se as coisas não melhorarem, creio que Mendanha vai deixar o barco furado. O principal responsável por sua eleição é você mesmo. É você quem tem de viabilizar sua candidatura. Não adianta esperar que outra pessoa faça sua reeleição acontecer. Creio que Vilmar Mariano não entendeu isso, e em um ano e cinco meses ainda não mostrou ao que veio, está esperando ser reeleito pela associação com outros políticos.

Euler de França Belém – Delegado Waldir (UB) é um bom nome para a disputa?

Ele tem feito um trabalho excelente no Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO). Está fazendo as coisas acontecer, tem firmeza e tem corrido atrás. No meio político, quando uma pessoa tenta fazer a coisa certa, é vista como intransigente, como ditador, mas ele não é. Em Aparecida de Goiânia, seria um bom nome, mas não sei se ele tem esse interesse.

Italo Wolff – Quem é o favorito em meio a esses tantos pré-candidatos?

Não existe um franco favorito. Aparecida é hoje uma cidade aberta, e por isso chama a atenção de tantos políticos, alguns inclusive que não são da cidade. Todos que tiveram votação expressiva lá se consideram aptos a concorrer à prefeitura. Começam a circular boatos de que um ou outro está na frente, mas não tenho como afirmar porque não tive acesso à nenhuma pesquisa.

Euler de França Belém – Como avalia a gestão da prefeitura na área da Infraestrutura?

Temos uma Secretaria de infraestrutura que deixa a desejar. Já fiz várias denúncias em relação a qualidade do asfalto. Em fiscalizações, presenciamos operações de tapa buraco sendo realizadas sem um rolo compressor, apenas preenchendo as falhas no pavimento com massa asfáltica. Eu não sou engenheiro, mas há obviamente a tentativa de fazer barato. A água vai vir e levar o que foi feito, e não poderemos culpar as chuvas, que são esperadas todos os anos. A qualificação das pessoas e dos materiais não é lugar de se economizar, é necessário investir mais.

Euler de França Belém – E na área da Saúde?

A Saúde de Aparecida de Goiânia é notoriamente deficiente. Eu costumo até desafiar: se todos os postos de saúde de Aparecida de Goiânia fossem privados, quantos restariam abertos? Qual obteria a licença da Vigilância Sanitária para continuar em funcionamento? Nenhum. Garanto que nenhum.

Temos reformas iniciadas e nunca concluídas em postos que continuam funcionando em meio à obra. Temos falta de insumos, medicamentos e profissionais. Temos superlotação. E não podemos colocar a culpa na cidade vizinha, Goiânia, que envia pacientes para nós. A situação existe, mas o que nós vamos fazer? O sistema de saúde é único, não podemos negar atendimento e nem ficar usando  essa desculpa para ter uma saúde ruim. Temos de buscar soluções viáveis.

A falta de médicos, por exemplo, não é justificada pela chegada de pacientes de outras cidades. O que está acontecendo para causar esse déficit? O plantão está barato? Não estão recebendo de acordo com o que é ofertado pelo mercado? Temos de entender e procurar soluções, não ficar nos escondendo atrás das nossas dificuldades.

Em Aparecida, temos a questão complicada das maternidades. Muitos aparecidenses nascem em Goiânia, porque nossa maternidade é da época do Norberto Teixeira (MDB, prefeito de 1983 a 1988). Quantas ampliações em quatro décadas? Nenhuma. Desde lá, Aparecida mudou muito, deixou de ser cidade dormitório e hoje recebe trabalhadores de Goiânia. Precisa se modernizar.

“Quem questiona a importância de Gustavo Mendanha não entende de política”, diz André Fortaleza | Foto: Léo Iran / Jornal Opção

Euler de França Belém – E na área de educação? Como estão as Escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da Rede Municipal?

São insuficientes. Hoje nós temos um déficit de quase oito mil vagas para crianças nos CMEIs. Estamos fazendo um levantamento para verificar o aumento das escolas conveniadas, que foi muito grande e não supriram essa necessidade. Precisamos investir porque poucas mães têm o privilégio de poder ficar em casa e cuidar dos filhos; a maioria precisa sair para trabalhar, ganhar o sustento da família.

Euler de França Belém – Aparecida vai receber um novo polo industrial?

Sim, em um convênio da prefeitura com o estado, na área que era destinada ao semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. A Câmara Municipal não foi convidada a participar dessas reuniões, o que consideramos mais uma falta de respeito. Ficamos sabendo através da imprensa e das redes sociais. Já temos outro polo, e espero que o novo seja administrado pela estatal Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), que é a entidade competente.

Italo Wolff – Como avalia a área da segurança em Aparecida de Goiânia?

A segurança da cidade melhorou com a gestão do governador Ronaldo Caiado (UB). Eu fui criticado na época da campanha eleitoral porque apoiava o adversário, Gustavo Mendanha, e falei isso publicamente. Todos os gestores têm seus erros e acertos e, para mim, Ronaldo Caiado não fez tudo errado. Minha percepção é que a probidade administrativa melhorou, e sei que a segurança pública em Aparecida de Goiânia melhorou muito, sim.

Em parte, essa matéria se deve à Guarda Civil Municipal de Aparecida de Goiânia. Mesmo sem condições de trabalho, com pouco contingente e má remuneração, conseguem aumentar a segurança. O município paga R$ 8,3 mil reais por mês para alugar cada viatura, que é muito inadequada. Até as munições ficam vencidas. A situação é muito ruim. Para mim, são heróis.

Hoje nós estamos com cerca de 550 guardas, mas sempre há parte do contingente em licença, férias, folga por escala. Então, são cerca de 300 homens nas ruas diariamente. Há viaturas sucateadas e munições vencidas. Precisamos dar condições de trabalho para esses profissionais que vêm lutando muito. 

Euler de França Belém – Como avalia a reaproximação entre Gustavo Mendanha e Daniel Vilela?

Eu particularmente fiquei muito feliz e acredito que a maioria dos aparecidenses também aprova. Vemos com bons olhos essa aliança, porque a situação de rompimento nos deixava em uma posição muito difícil. Sempre os consideramos nossos aliados, e foi constrangedor ter de escolher lados. São líderes importantes que, juntos, podem fazer muito pelo estado de Goiás. Creio que Mendanha a princípio não deve ir para o governo, mas em médio prazo, essa porta poderá estar aberta. 

Euler de França Belém – Sobre o slogan de “Cidade Inteligente”, tem fundamento ou é ficção?

Já foi verdade, porque tivemos vários investimentos em câmeras e internet. Mas recentemente apresentei o projeto do 5G, que foi aprovado pela Câmara, e Aparecida de Goiânia poderia ter sido a primeira cidade do Brasil a regulamentar o serviço, mas a lei foi vetada pelo prefeito. Sob uma alegação ridícula de que a tecnologia ainda estava em estudo, acredito que tenha sido vetada por razões pessoais. Essa não é a postura de uma cidade inteligente.  

Italo Wolff – O que aconteceu entre o senhor e a Magda Mofatto (PL)?

Eu apoiei a deputada nas últimas eleições, coordenei sua campanha em Aparecida de Goiânia e fiz tudo o que pude. Mas a gente não dá conta de entrar na mente das pessoas e obrigá-las a votar. Magda Mofatto ficou insatisfeita com a votação que recebeu em Aparecida e deixou de dar contrapartidas e cumprir seus compromissos. Eu, logicamente, cumpri todas as minhas obrigações, porque meu nome também estava em jogo. Fiz campanha todos os dias. 

Hoje, digo que não sei de onde ela roubou seu slogan “Mulher de Palavra”, porque ela não honrou nenhum de seus compromissos. Entendo a decepção com o resultado, porque eu também esperava mais de dez mil votos e conseguimos apenas cinco mil e 300. Mas isso não é justificativa para deixar de fazer sua parte, não é? Nunca firmamos um contrato de satisfação por quantidade de votos. 

Italo Wolff – O senhor está levando representantes de Goiás para a Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia. Já levou o deputado federal Gustavo Gayer (PL), o deputado estadual Fred Rodrigues (DC). Vai tentar levar Magda Mofatto? 

Estamos buscando levar aqueles deputados que obtiveram votação expressiva em Aparecida para que eles possam honrar os votos que tiveram em nosso município e compreender as necessidades da população. Então nós precisamos que esses deputados tenham consciência para beneficiar Aparecida de Goiânia através de emendas parlamentares. 

Eu não tentaria levar a deputada Magda Mofatto. É lógico que a porta da Câmara Municipal está sempre aberta, não só para ela, mas para todos os deputados; até porque o Legislativo municipal não é meu. É um ambiente democrático e, se Magda Mofatto tiver interesse em ajudar Aparecida, as portas da Casa do povo estarão abertas, mas as portas da minha casa pessoal estão fechadas.