Euler de França Belém, Fabrício Vera, PH Mota e Marcos Aurélio Silva

Deputada federal eleita, a delegada Adriana Accorsi (PT) aposta que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será pautada pelo diálogo. Ela tem se colocado como interlocutora entre o petista-chefe e o governo de Ronaldo Caiado (UB). A petista defende um pacto federativo em que a proposta é de União e Estados atuarem em pautas conjuntas consideradas prioritárias, como o combate à fome e investimentos na educação.

Filha do professor e ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi, a delegada Adriana Accorsi conviveu com a militância político-partidária desde a infância. Na década de 1990, atuou nas atividades políticas da juventude petista ativamente, inclusive como presidente da juventude do Partido dos Trabalhadores. Ela foi a primeira mulher goiana a ocupar o cargo de delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, e exerceu dois mandatos de deputada estadual. Suas pautas sempre estiveram relacionadas à segurança pública, à defesa dos direitos da criança e do adolescente, da mulher e do público LGBTQIA+.

Sua trajetória política e como servidora da segurança pública a credenciou para ser integrante do Grupo de Transição de Lula da Silva. Adriana Accorsi ganhou destaque e seu nome passou a ser ventilado como uma possível indicação para um ministério do próximo governo. A parlamentar também passou a ser cogitada como possível candidata a concorrer à Prefeitura de Goiânia, em 2024. Em entrevista ao Jornal Opção, ela falou das suas pretensões políticas e como espera que seja a gestão do presidente Lula da Silva.

Euler de França Belém — A sra. foi a quarta mais votada para deputada federal em Goiânia, com 44.560 votos, atrás apenas de Silvye Alves, Gustavo Gayer e Zacharias Calil. Isto a credencia, mais uma vez, para a disputa da Prefeitura de Goiânia, em 2024?
Primeiro, recebo com imensa honra o fato de ser lembrada. Goiânia é uma cidade grande, com desafios e oportunidades de realizar políticas públicas. Tenho uma memória afetiva sobre a prefeitura, porque meu pai foi prefeito de Goiânia [Darci Accorsi — de 1993 a 1996]. Tive a satisfação de ser candidata ao cargo por duas oportunidades. É sempre interessante poder discutir a cidade, as pessoas e as políticas que a sociedade precisa. É por isso que fico honrada, mas eu já tomei a decisão sobre a eleição de 2024, e não serei candidata a prefeita. É uma decisão já tomada.

Recebi uma missão do povo de Goiás ao ser eleita deputada federal, com votos em todas as cidades goianas. A metade da minha votação foi no interior do Estado. Também recebi uma missão do presidente Lula, de apoiá-lo na reconstrução do País em áreas fundamentais para o nosso povo, como o combate ao feminicídio, a segurança e os direitos das crianças e adolescentes. Eu vou cumprir essa missão.

PH Mota — Esta decisão foi tomada sozinha, ou em conjunto com o PT nacional e demais apoiadores?
Foi uma decisão tomada em conjunto com meu grupo político, dentro do PT em Goiás.

Fabrício Vera — Já que a sra. se coloca fora da disputa de 2024, qual nome do PT poderia estar na disputa para Prefeitura de Goiânia? O partido já tem essa visão?
As conversas estão começando agora. O PT tem uma dinâmica de diálogo interno que é muito importante e que todos respeitam. O debate vai acontecer de forma democrática. Temos muitos nomes, e devemos buscar uma frente progressista com outros partidos e forças políticas para ter uma prefeitura progressista que defenda os direitos das pessoas, os direitos à educação, à saúde pública e defenda as causas nas quais acreditamos. 

PH Mota — Quais são os nomes do PT para a Prefeitura de Goiânia?
O PT tem muitos nomes para disputar a Prefeitura de Goiânia. A discussão vai acontecer no momento apropriado, e de forma adequada. Chegaremos fortes em 2024, como geralmente acontece, pois participamos da disputa pela Prefeitura de Goiânia há muitos anos [o PT já elegeu três prefeitos na capital: Darci Accorsi, Pedro Wilson e Paulo Garcia].

PH Mota — O ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide, deputado estadual reeleito, é um nome de destaque dentro do PT, inclusive já concorreu ao governo do Estado. A sra. acredita que é uma opção para a disputa pela Prefeitura de Goiânia ou é mais interessante ficar no polo de Anápolis, onde já possui uma base estabelecida?
A avaliação tem de ser feita mediante a reeleição que Antônio Gomide teve para deputado estadual. Ele foi muito bem votado em todo o Estado. Não sei se foi em todas as cidades, mas conquistou uma capilaridade importante e uma votação expressiva. Ele segue sendo um nome de grande liderança no partido em nível estadual. É um dos nomes que está colocado. Não tive dele nenhuma menção como sendo um candidato em Goiânia, mas acho que a discussão começa agora, a partir dos últimos acontecimentos. 

Euler de França Belém — Há vários cargos federais em Goiás (Funasa, Incra, por exemplo). Quais partidos da base local farão indicações: PT, PC do B, MDB, PSB, pP, Avante?
O PT tem ligações muito forte com os movimentos sociais, que se mobilizam em todas as áreas, seja na educação, no campo e saúde. Tenho ligações com alguns grupos também, como, por exemplo, o MST e a Fetaeg (Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura Familiar do Estado de Goiás) e com o Sintego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás). Obviamente que a discussão para ocupação dos cargos federais em Goiás passa pelo debate com tais movimentos sociais. Afinal, serão nomes que, ao mesmo tempo que debatem e põe em prática as políticas do governo federal em Goiás, também têm diálogo com esses movimentos. Acreditamos em uma gestão democrática, que conversa com movimentos e população, buscando atender as demandas e anseios do povo.

“Atos de violência contra a democracia
precisam ser punidos com o rigor da lei”

Além das conversas com os movimentos, teremos, ao mesmo tempo, o diálogo com os demais partidos que compuseram a federação que elegeu o presidente Lula. Também há aqueles que estiveram junto conosco no segundo turno. Essa é uma costura delicada e complexa. Estamos conversando a respeito ainda. Não há nomes colocados. Mas faremos com democracia. Existe uma hierarquia na composição desses cargos. Os primeiros a serem escolhidos são os de primeiro escalão, ou seja, os ministérios. Só depois se ocupa, seguindo uma linha de trabalho desses ministros, os demais cargos nas regiões. Agora que começou a divulgação dos ministérios, então em breve vamos discutir os cargos no Estado também.

Marcos Aurélio Silva — Foi aberto algum canal de diálogo e aproximação com o governador Ronaldo Caiado? A sra. acredita que possa haver um alinhamento administrativo entre Caiado e Lula da Silva?
É importante ressaltar a disposição que o presidente Lula colocou logo de início ao ser declarado eleito, no dia 30 de outubro. O discurso foi colocado de forma veemente sobre a disposição do diálogo. O presidente demonstra disposição de unir o País, de governar para todos, seja quem votou ou quem não votou nele. Ele quer dialogar com os gestores políticos de todo o Brasil. Isso é foi preponderante na fala de Lula. Foi a fala que mais repercutiu na imprensa e na classe política.

Esta é verdadeiramente a nossa orientação. Não é apenas discurso. É um propósito do presidente Lula e se tornou nosso, que é o diálogo com os governadores. Isso já está acontecendo. Isso ocorre também porque temos um grande desafio que é a PEC do Bolsa Família, prioridade para nós.

O orçamento que Jair Bolsonaro legou ao País para 2023 torna o Brasil inviável. Não tem recurso para saúde, educação ou assistência social. O orçamento inviabiliza o funcionamento das políticas públicas no País, inclusive aquelas que ele havia prometido, como o Auxílio Emergencial. Ele prometeu, mas não disponibilizou o recurso no orçamento, para que assim se tornasse realidade.

A nossa prioridade dentro desse diálogo é para aprovar a PEC do Bolsa Família — que já teve um andamento excelente no Senado. Assim vamos abrir os diálogos com todos os partidos, inclusive o União Brasil, o partido do governador Ronaldo Caiado. É um bom diálogo. Estamos com esperança de conseguir apoio, embora haja discordâncias. Sabemos que é preciso a união do País. Temos toda abertura para implementar o diálogo. 

Isto que estou falando agora, eu já falei com o governador Ronaldo Caiado. Ele fez uma declaração muito feliz e responsável, dizendo que está aberto ao diálogo e que, sendo chamado, irá prontamente ao encontro do presidente. O governador disse isso pouco após o resultado das eleições, quando foi perguntado pela imprensa. E também Ronaldo Caiado já esteve em contato com a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann. Nós, em Goiânia, também temos um bom diálogo. Acredito que vamos trabalhar juntos pelas questões do País, apesar das divergências partidárias. Mas, em nome das prioridades, vamos trabalhar juntos.

Lula já disse que vai chamar para uma reunião todos os governadores para saber como trabalhar juntos, como o governo federal pode ajudar nas prioridades dos Estados e como seguir unidos pelo combate à fome e à miséria, e pela geração de emprego e renda, além de investimento em saúde e educação, relegados pelo atual presidente. 

O presidente já disse que terá de fazer um grande esforço nacional para combater o retrocesso na educação de nossas crianças. Muitas não tiveram acesso à educação durante a pandemia, e agora estamos enfrentando cortes de recursos. Até a merenda escolar teve verba cortada. 

PH Mota — A sra. poderá assumir o papel de ser uma das pontes entre o presidente Lula e o governador Ronaldo Caiado?
Coloco-me a disposição de ser uma ponte entre Lula e o governador Caiado. Acredito que posso contribuir. Tenho boa relação com várias pessoas do governo e com o próprio governador, que foi amigo do meu pai. Eles tiveram um bom relacionamento político. Tenho as minhas discordâncias, e elas são muito expressas, como no caso da votação na Alego das horas/aulas do magistério. Fui totalmente contra. Manifestei-me contrária, como em outras ocasiões. Mas acredito que isso não será um obstáculo ao diálogo, até pelo bem dos goianos. Esse é meu objetivo. Fui eleita deputada federal para ajudar o nosso Estado. 

Marcos Aurélio Silva — Lula tem como tarefa principal a ampliação da base de apoio que o levou à vitória no segundo turno. Pela sua coligação, o presidente eleito tem ao seu lado apenas 122 dos 513 deputados na Câmara. Como a sra. acredita que o presidente e o PT vão atuar para ampliar sua base?
Esse diálogo já está acontecendo. Estamos esperançosos e animados. A grande maioria dos parlamentares eleitos, independentemente de partido, tem demonstrado disposição em conversar e votar favorável aos projetos necessários, como a PEC da Bolsa Família e outros que vamos precisar ter apoio de parlamentares de outras partidos. 

Tenho convicção de que conseguiremos os apoios necessários, sempre pautando com muita democracia e respeito à autonomia legislativa e independência entre os poderes — algo imprescindível na democracia. Acredito que teremos um excelente diálogo.

Delegada Adriana Accorsi | Foto: Fernando Leite

Vou citar um exemplo: no dia da diplomação do presidente Lula, sentou-se ao meu lado a deputada federal Delegada Katarina, que é do PSD. Ela fez questão de estar na diplomação, se demonstrando também favorável à aprovação da PEC da Transição, como o PSD já está participando conosco. Aliás, o PSD é um partido que já se dispôs a vir para a base do presidente Lula. É por isso que vejo toda uma condição favorável para o diálogo, com todo o respeito à democracia.

PH Mota — A sra. foi convidada e compôs o Grupo de Transição do presidente Lula. Foi um dos primeiros goianos a integrar esse GT. Qual papel a sra. exerceu?
Foi entregue os relatórios ao presidente Lula. Foi um trabalho importantíssimo, em razão de que a transparência no governo Bolsonaro reduziu significativamente em comparação com governos anteriores. Portanto, o grupo de Transição teve o papel de fazer um diagnóstico sobre como está o governo agora, e assim poder iniciar, após a posse de Lula, uma gestão com pleno conhecimento da realidade do País. 

A imprensa tem divulgado, por exemplo, que cresceu o número de feminicídio no País, sendo a maior alta da história do Brasil. Nós diagnosticamos que foi cortado todo o recurso destinado às políticas de combate à violência contra a mulher. Não há recursos aplicados nesse tema em 2022. São dados importantes para que a gente possa estabelecer quais as medidas emergenciais devem ser tomadas logo no início do governo. 

Fiz parte do GT da Justiça e Segurança Pública. Nesse grupo, nós fizemos relatórios demonstrando situações preocupantes em várias áreas. São dados sigilosos e, portanto, não posso entrar em detalhes, mas são preocupantes e nos dão ideias para sugestões de medidas que precisam ser tomadas imediatamente após a posse. Mas quem decide essas medidas é o presidente Lula. 

O papel do GT, que na minha opinião foi brilhantemente comandado pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), com toda experiência que teve como governador e gestor por tantos anos, foi uma condução séria e técnica. As pessoas de Goiás que foram convidadas para compor os GTs, como as professoras Ieda Leal e Maria Luiza, que foi presidenta nacional do Conselho dos Direitos da Criança e Adolescentes, e a vereadora Aava Santiago (PSDB), são muito capacitadas, de partidos diferentes ou que não são de partidos, mas são técnicos que contribuíram. 

Outra pessoa que admiro muito e que não é do nosso partido é o advogado Marco Aurélio Carvalho, que é do grupo Prerrogativas, grupo de juristas que defende os Direitos Humanos. Ele fez parte do GT da Justiça. Ou seja, pessoas gabaritadas e estudiosas puderam contribuir. Esse é um trabalho primoroso que vai permitir que o presidente Lula tome as decisões corretas com base na realidade de cada setor do governo.

Euler de França Belém — O convite para compor o Grupo de Transição de Lula colocou seu nome em evidência, chegando a ser apontado com um do que poderiam ocupar o Ministério da Segurança. Houve algum diálogo neste sentido?
Foi uma grande honra ser lembrada, apesar de não haver nenhum convite para assumir a pasta. É importante falar a verdade sobre isso. Mas meu nome foi bastante debatido, dentre outros. Foi uma honra imensa, por representar ainda mais o nosso Estado, em um setor que é uma angústia grande para o nosso povo. A segurança é uma preocupação. Quando vemos um caso como o da jovem Luana Marcelo, que foi abusada, morta e enterrada em um quintal, que aconteceu em Goiânia, sentimos a insegurança.

O caso da Luana eu levei para o GT da Justiça e consegui colocar no Plano Nacional de Segurança Pública a política de pessoas e crianças desaparecidas, que é elaborada no Congresso Nacional. É uma política nova e precisa ser melhorada e ampliada para nortear os trabalhos nos Estados. Essa foi uma área que trabalhei como delegada e sempre me comovi. 

“O presidente Lula da Silva
demonstra disposição de unir o País”

Assim, admito que seria uma honra assumir o Ministério da Segurança Pública. É um ministério que foi reivindicação levada ao presidente Lula por nós, durante a campanha. Ele acolheu a reivindicação. A intensão do presidente é criar o ministério, em breve. Mas a delicadeza do momento fez com que essas pautas ficassem em um ministério forte, liderado por uma pessoa com grande experiência, saber jurídico e credibilidade na área, o ex-magistrado e ex-governador do Maranhão Flávio Dino. 

Entendemos que grandes debates que estão colocados hoje no Brasil precisam ser conduzidos por essa pasta e com muito diálogo com a sociedade. O presidente Lula entendeu que esse não era o momento para desmembrar o ministério, para evitar causar instabilidade. 

Marcos Aurélio Silva — Sendo convidada para um ministério, a sra. estaria disposta a assumir?
Sim. É uma honra imensa e poderia compartilhar a experiência de décadas como policial civil, principalmente em dois caminhos essenciais: valorização dos trabalhadores da segurança pública e elaboração de políticas pública que de fato representem melhorias para as pessoas que vivem aqui. 

PH Mota — Como a sra. pode fazer este trabalho, sendo uma deputada federal, delegada e com a existência de uma bancada da bala — que na atual gestão está associada ao conservadorismo, algo bem diferente das suas ideias?
É um desafio que sempre enfrentei em Goiás como deputada estadual e não será diferente no Congresso. Primeiro, precisamos superar a expressão “bancada da bala”. É algo pejorativo e que não traduz o sentimento da população ao nos eleger. Quando vota um trabalhador da segurança, o eleitor deseja políticas públicas sérias de segurança. Isso não significa, necessariamente, a bala. Não pertenço a nenhuma “bancada da bala”. Eu sou da bancada da segurança pública. Sou da bancada do direito das pessoas à vida e a viver sem medo. Este vai ser meu trabalho. 

Adriana Accorsi durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fernando Leite

Um dos grandes motivos pelos quais fui eleita deputada estadual por duas vezes, estando entre as mais votadas no Estado, e agora a sexta deputada federal mais bem votada, é para trabalhar pela segurança. Elaborar políticas públicas, legislações e trazer recursos para os Estados. Hoje não há R$ 1 real indo para os Estados para o combate ao feminicídio. Detectamos na GT que não há uma equipe que esteja realizando efetivamente um trabalho de combate à pedofilia na internet — e o Brasil é um dos países onde mais há incidência desse tipo de crime. Hoje não temos R$ 1 real para os Estados atuarem no combate ao abuso de crianças. Isso é sério e grave. 

É esse um trabalho do deputado. Mas, infelizmente, muitos deputados dessas chamadas bancadas da bala se preocupam em apoiar pautas que vão de encontro com a segurança pública, como o armamento da população. O armamento é o contrário da política pública de segurança. É o mesmo que dizer: não teremos políticas públicas, compre uma arma e proteja você mesmo a sua família. Há exceções, e estamos dispostos a dialogar sobre isso. Mas tem de ter política de segurança. Tem que ter salário digno para o policial, condições de trabalho, investimento em perícia e na inteligência, combate ao crime organizado… São coisas que têm de existir. E os deputados têm todas as condições de atuar nessas questões.

Fabrício Vera — Seguindo no assunto da segurança pública: há uma real preocupação com a saúde mental de quem trabalha nessa área? Afinal, há uma pressão muito grande na atuação de combate à criminalidade e há situações de estresse pós-traumático, por exemplo. A sra. tem ideias e projetos para preservar a mente de um agente da segurança pública?
Há muito tempo essa é uma grande preocupação para mim. Inclusive, como delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, fui a primeira a criar o núcleo de assistência psicossocial aos policiais. A princípio foi só na Polícia Civil, depois se expandiu e foi para Polícia Militar. Hoje atende todas as forças de segurança do Estado. Lá tem psicólogo, psiquiatra, fisioterapeuta e trabalhos de prevenção a suicídio. 

“Recebi uma missão do povo de Goiás
ao ser eleita deputada federal”

Também apresentei na Alego um projeto para a saúde mental dos servidores da segurança pública do Estado. São várias ações: prevenção, palestras, consultas frequentes com profissionais da saúde para verificar, campanha de conscientização, combate ao alcoolismo. É uma grande preocupação minha. E levamos para o GT como sugestão para o trabalho a ser feito junto aos governos de todos os Estados e em âmbito nacional. Estamos falando de algo grave, já que o índice de suicídio é alto e o uso de entorpecentes é grande também. Tenho carinho pelo tema.

PH Mota — Sobre os atos de violência e baderna que tomaram as ruas de Brasília na segunda-feira, 12, o PT não tem se manifestado muito sobre esse pessoal que está pedindo golpe militar e fazendo essas manifestações. É uma estratégia do PT para não fomentar ainda mais o movimento?
É triste ver um País em que pessoas atentam contra a democracia, inclusive se utilizando de atos de terrorismo. O PT está imbuído no propósito de assumir o País e organizá-lo e pacificá-lo. Já estamos trabalhando, como no caso da PEC do Bolsa Família e no Grupo de Transição. São centenas de voluntários para fazer os levantamentos necessários para começar a gestão. Quer dizer, o PT está preocupado com a sociedade, por exemplo com a redução das desigualdades sociais.

A nossa preocupação é realmente assumir o Brasil e trabalhar com competência para enfrentar os desafios tão grandes, como o da fome. Estamos focados nesta questão. Infelizmente existem pessoas agressivas e violentas que não aceitam o resultado das eleições, embora todas as instituições tenham demonstrado legalmente como foram transparentes e a lisura do pleito. Foi tudo totalmente legal e democrático. É lamentável que essas pessoas não aceitem. O que a gente espera, e eu me manifesto nas redes sociais sobre isso, é que a lei seja cumprida. Veja-se a declaração do chefe da Polícia Civil do Distrito Federal informando que nenhuma pessoa foi presa. Agora imagine se fossem professores fazendo uma manifestação como aquela no DF? Já presenciei coisas assim, elas seriam presas com grande violência e imagens circulando na imprensa. Pessoas seriam feridas com cassetetes e algemadas. 

Nos chama atenção a postura da polícia local. Nós não queremos que pessoas sejam espancadas, mas deveriam ter sido presas. Elas colocaram a vida de outros em risco. Por isso precisas ser contidas. Quando se fala em manifestações pacíficas, elas são garantidas pela Constituição. Nós jamais, no governo do PT, iremos coibir, muito menos com violência. Mas atos de violência precisam ser punidos com o rigor da lei. É isso que esperamos. 

Também queremos segurança no evento de posse do Lula. Mas acredito que será uma grande festa da democracia. Será a posse mais popular da história e com muita esperança e trabalho vamos começar o trabalho de cuidar do nosso povo.