“A independência da Alego está no diálogo e na defesa de suas posições”

Presidente da Alego, Lissauer Vieira, confirma que será candidato a deputado federal pelo PSD e diz estar totalmente fechado com grupo que buscará reeleição do governador Ronaldo Caiado

Elder Dias, Euler França Belém e Marcos Aurélio Silva

Natural de Coronel Bicaco, no Rio Grande do Sul, Lissauer Vieira se mudou para Goiás motivado pelo progresso do cultivo de soja na região de Rio Verde, onde sua família atua como produtores rurais. Sua entrada na política ocorreu em 2013, quando assumiu o cargo de secretário de Comunicação da prefeitura de Rio Verde. Em 2014 ele se elegeu deputado estadual pelo PSD, em 2016, ele foi para Partido Rede Sustentabilidade. Em 2018 se filiou ao PSB, partido que lhe garantiu a reeleição. Desde 2019 Lissauer Vieira é o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), função que ele deve exercer até o fim deste ano.

Na classe política, Lissauer Vieira é um reconhecido articulador. Entre os colegas ele é sempre apontado como dono de uma capacidade de diálogo que permite a boa convivência de alas diferentes no Legislativo Estadual, assim como se tornou um forte aliado do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). O legado de Lissauer no comando da Alego e seu reconhecimento entre políticos goianos são atributos que ele usará para disputar as eleições deste ano para deputado federal. Ele promete que vai aproveitar a janela partidária para voltar ao PSD que promete formar uma chapa forte para o pleito.

Em entrevista aos editores do Jornal Opção, o parlamentar falou sobre o cenário político em Goiás, assim como as principais marcas de sua gestão a frente da Alego.

Euler França Belém – A chapa para reeleição do governador Ronaldo Caiado está  mais ou menos definida, seria Daniel Vilela a vice e Henrique Meirelles para senador. O senhor acredita que deva ser esse o formado? 
Eu creio que a escolha para o candidato ao Senado que vai compor a chapa será uma decisão tomada no momento oportuno pelo governador. Vejo que o Meirelles é um perfil, um quadro extremamente, viável para a chapa. 

Um primeiro ponto é que Meirelles traz consigo um partido forte – sendo o PSD – com tempo de televisão e tem bons quadros internos. Segundo ponto é que se tratada de uma candidatura com uma  viabilidade muito grande do mercado. Ele é uma pessoa com credibilidade no mercado financeiro, econômico e político nacional e internacional. O nome de Meirelles vai agregar muito para o parlamento, ao trazer investimentos que vão contar muito para o estado de Goiás. É um bom perfil aonde o governador vai ter tranquilidade de trabalhar, de pedir voto, já que ele tem todas as credenciais para representar o estado no Congresso Nacional. Vejo que a tendência é muito grande de o governador optar  pela candidatura de Henrique Meirelles.

Eu ainda estou afiliado ao PSD, mas posso falar porque estou conversando com os membros, e vejo que tem uma convicção sobre a candidatura de Meirelles. Esse é um tema pacificado no partido. O PSD não tem pré-candidato ao governo nem a  vice-governador. O PSD vai montar  a chapa de deputado estadual e federal, até mesmo usando a força do pré-candidato ao senado Henrique Meirelles. Ele é um bom nome e nós temos visto isso no reflexo das pesquisas.

Euler França Belém – O leitor vai perceber que em suas respostas o senhor  não cita o nome de Daniel Vilela. Por qual motivo? 

Porque já está definido. O governador definiu a chapa de vice em setembro.

Euler França Belém – Mas o senhor teve uma resistência?
Eu não tenho resistência a decisão do Governador. Eu respeito a decisão. Politicamente quem tem que decidir o que é melhor é ele  próprio, o grupo político e seus conselheiros. Eu também respeito, mas não preciso concordar. Vejo que o governador tem um resultado administrativo muito grande, ele trabalhou, ajudou muito, fez muito esforço para poder tirar Goiás da crise, a Alego teve um papel fundamental de ajuda nesse processo, mas agora o Governador tomou essa decisão, respeitada por mim e por todos. Mas não preciso concordar com a forma política que o Daniel atua. Eu, particularmente, como pessoa pública, não tenho nenhuma pretensão de fazer política ao lado dele. Agora, ele vai ser candidato a vice-governador ao lado do governador Ronaldo Caiado, totalmente respeitado por mim. Tenho um compromisso com o governador. Exclusivamente com o projeto do Governador.

Euler França BelémQuando o Gean Carvalho, tio do Daniel Vilela, foi indicado para Secretaria de Comunicação do Estado o senhor deu a declaração dizendo que iria pedir para que seus indicados que trabalhassem na pasta deixassem os cargos. De fato o senhor fez isso? 

Pedi. Tinha três pessoas indicadas por mim que estavam na TV Brasil Central. As três saíram a pedido. Pediram exoneração. O presidente da TV Brasil Central, o Reginaldo Júnior optou em ficar. Eu respeito essa opinião dele, mas deixei claro a ele e ao governador, que não havia mais nenhum vínculo de indicação minha do governo. A partir daquele momento o Reginaldo passou a estar na estrutura do governador. E ele faz uma excelente gestão na TV Brasil Central. Nós temos que reconhecer isso. Mas eu não deixei nenhuma pessoa ligada a mim em uma pasta subordinado da Secretaria de Comunicação.

Essa decisão partiu de mim e não há radicalismo nenhum. 

Marcos Aurélio Silva  –  O senhor não é um político radical. Em suas falas, decisões e articulações demonstra sempre estar aberto a diálogo. No caso do Daniel Vilela o senhor não tem essa disposição?
Não. Eu não. Quando eu tenho uma convicção não tenho interesse nenhum em conversar com o grupo dele. Meu grupo político é outro. Minha forma de fazer política é outra. Apesar de respeitar qualquer outra forma de fazer política, e também esperar que ele respeite, mas não faço política da forma que ele faz e não tenho interesse nenhum conversar.

Marcos Aurélio Silva  –  Sobre as composições para as eleições deste ano, quais os partidos que devem estar realmente com o governador Ronaldo Caiado?
Além do União Brasil, que é o partido do governador, tem o MDB, PSD o PP. Tem o PSC, o PRTB e o Cidadania. Vejo que todos esses tendem a apoiar a reeleição do governador. Primeiro por ter pessoas nestes partidos ligadas ao governo, ocupando espaços na administrarão de Ronaldo Caiado. Nesta semana o PSC assumiu um cargo por meio do Eurípedes do Carmo. Isso é uma sinalização muito forte de que esses partidos todos estarão caminhando com o governador.

O Republicanos hoje tem uma representatividade grande por meio da Prefeitura de Goiânia, e a tendência é ser parceira do governo do Estado. Estamos falando da capital do Estado e do governo do Estado. Um precisa do outro. Vejo que essa composição com o Republicamos também vai se concretize no momento oportuno. 

Euler França Belém – E o PP de Alexandre Baldy?
Imagino que também. O PP hoje tem uma secretaria ocupada pelo irmão do Alexandre Baldy. Como que justifica se uma saída aos quarenta e cinco do segundo tempo ou na boca das convenções. Não vejo possibilidade de o PP estar caminhando contra o projeto do governador. 

Euler França Belém – Nas eleições de 2018 o PP saiu do governo de José Eliton (PSDB) já nas prorrogações e passou a apoiar o Daniel Vilela. 
Era outro momento. Era outra história. 

Marcos Aurélio Silva –  Se avaliarmos a quantidade de partido que o senhor cita que estará junto a Ronaldo Caiado no projeto de reeleição ao governo do Estado, sobra pouco para se organizar uma chapa concorrente, não? O senhor realmente considera que Caiado está em uma situação muito favorável?
Temos alguns partidos consideráveis, como o Podemos, o PL, que é o partido Presidente da República. Há ainda o PSDB, o PT e o PSB. Esses partidos mais de linha de esquerda e alguns outros partidos que ainda estão sem uma decisão tomada na composição e tendem a ir para a oposição.

Eu entendo que o governador está com o caminho bem construído para uma reeleição, com uma possibilidade muito grande de ter uma eleição de um turno só em Goiás, com a vitória do governador Ronaldo Caiado ainda no primeiro turno. Mas não existe eleição ganha e não existe eleição fácil. Vimos vários cenários que o candidato sai com uma composição partidária muito pequena e ganha eleição. Isso foi o caso do próprio governador na eleição passada. Ele tinha apoio de poucos prefeitos, poucos parlamentares e poucos partidos, mesmo assim ganhou a eleição no primeiro turno.

Os investimentos até mesmo por conta da pandemia permitiu criar hospitais regionais

O sentimento popular ele tem que ser avaliado. Cada momento é um momento. Política muda muito. O período eleitoral vai servir para esses debates. Vejo hoje que os resultados que o governador teve, com a credibilidade que ele conseguiu ao longo desses anos, apesar de todas as dificuldades que ele assumiu o Estado e a pandemia que veio no meio do caminho, mesmo assim o resultado é extremamente positivo para ele conseguir consolidar essa reeleição.

Euler França Belém  – Qual que é o diferencial do governo Ronaldo Caiado em relação a outros governos com as seguintes áreas: saúde, segurança, social, emprego e qualificação profissional e atração de novos investimentos?
Vejo que o governador Ronaldo Caiado elegeu dentro do seu governo alguns pilares importantes para a sua administração. A segurança pública, a saúde e a educação foram prioridade nos investimentos que tiveram ao longo desses anos.

Os resultados na segurança pública eles são visíveis a todos nós.  A população sente isso no dia a dia. Nós vivíamos em momentos anteriores um verdadeiro terror. A população não tinha segurança para sair de casa. Hoje é bem diferente. Não só aqui na capital como também no interior e na zona rural. É visível e notório a melhoria na questão da segurança pública. Isso se deve muito às forças de segurança, aos profissionais de segurança pública, mas também a forma com que o governador agiu.

Há também a regionalização da saúde. Os investimentos até mesmo por conta da pandemia permitiu criar hospitais regionais e trazendo mais estrutura para interior do Estado. É algo fundamental da saúde.

Na educação os resultados são visíveis a todos nós. O estado hoje tem investimentos vultuosos como nunca se viu anteriormente. Investimentos nas reformas das escolas, há o cartão do estudante, em que o governador dá cem reais para os estudantes para não haver evasão escolar. Tem os uniformes para os alunos e material didático de primeira qualidade. Tudo isso são investimentos que vem reforçar a prioridade que o Governador teve na questão da educação no Estado de Goiás.

Quando se olha para geração de emprego, nós passamos um período muito difícil.  A pandemia trouxe dificuldade para vários setores econômicos da nossa sociedade. Falo do setor de turismo, setor de shoppings centers e tantas outras áreas como bares, restaurantes que tiveram que paralisar suas atividades e entrar numa dificuldade econômica muito grande.

Outra área que preciso destacar é a infraestrutura. Há uma crise por conta de excesso de chuvas é inevitável, mas temos visto investimentos grandiosos na melhoria da qualidade das rodovias. Falo na condição de asfaltos novos e de estradas que às vezes não são nem pavimentadas, mas nunca o governo do estado teve lá, mas hoje por meio da Goinfra o estado tem chegado para poder recuperar essas rodovias.

Temos inaugurado rodovias com o governador em várias regiões do Estado. Sou do setor produtivo de uma região agrícola. Posso falar isso e atestar com toda a segurança do mundo. As obras que tem sido feitas de recuperação de rodovias, de reconstrução e construção de novas rodovias, e até mesmo de melhoramento daquelas que não são pavimentadas, tem sido obras de qualidade.

Nós tivemos muitos avanços nessas áreas, mas muitas dificuldades também por conta da pandemia.

Qual que é o diferencial que eu vejo do governador Ronaldo Caiado, da sua gestão para com outros governos? Não  é desmerecendo nenhum outro governo. O que eu vejo é que nós temos uma equipe de secretários extremamente competente e compromissado com o plano de governador Ronaldo Caiado e temos um governador sério, que economiza cada centavo para poder investir em melhorias no estado e que faz um governo comprometido, sem corrupção, com trabalho focado, determinado e transparente.

Euler França Belém – A oposição fala que o governo de Ronaldo Caiado é um governo sem obras. O senhor discorda?
Discordo totalmente. Cito aqui várias obras feitas pelo governador. Cito as melhorias nas condições de rodovias, reformas de escolas, construções de novas escolas, tem a  retomada da obra do hospital de Águas Lindas, que é um marco para esse governo.  Tem a finalização das obras das policlínicas feitas em Quirinópolis, Goianésia, Formosa, São Luís de Montes Belos. Tem o Hospital de Uruaçu. O governo tinha muitas e muitas obras paradas e paralisadas. 

Tem obras que não se iniciaram no governo de Caiado, como do hospital de Uruaçu, mas são obras concluídas. O governador não seria irresponsável de começar uma obra nova sem concluir a outra. Esse era um hospital que estava inacabado e que inclusive tinha sido inaugurado por outro governo sem estar pronto. O governador Ronaldo Caiado concluiu e colocou em funcionamento. Não se pode falar que o governo não tem obras.

E a maior das obras é o equilíbrio fiscal do estado. Hoje o estado tem credibilidade ao nível nacional com a renegociação das dívidas. O estado fez todo o dever de casa, de arrumar toda a sua casa para poder ter crédito. Infelizmente Goiás era um dos quatro piores estados no que tange a situação do equilíbrio fiscal econômico. Hoje nós vemos que o estado tem  condições. Minas Gerais e Rio de Janeiro não conseguiram, o Rio Grande do Sul parece que agora que foi aprovado.

Isso é fruto de uma parceria do Executivo com o Legislativo, que teve coragem de fazer algumas mudanças que foram desgastantes, mas que foram necessárias. A população vai colher os resultados. Os investimentos que estão acontecendo nos  programas sociais é fruto de uma administração responsável. 

Veja, quantos programas sociais nós tínhamos no passado que começavam e não terminavam? Muitas vezes eram só em período eleitoral. De nada adianta um governo iniciar dez obras e não concluir nenhuma. É melhor iniciar uma e concluí-la. Isso é planejamento.

Marcos Aurélio Silva – Sobre esse processo que levou a estruturação do estado para se adequar ao RRF, houve medidas impopulares votadas e apoiadas pela Alego. O senhor acredita que os parlamentares que forem concorrer novamente esse ano terão que enfrentar algum desgaste por conta dessas matérias impopulares que foram defendias pela Casa?
Tenho uma gestão na Assembleia muito democrática. Os deputados que são da base e da oposição tem toda a liberdade. Cada um vota da forma que achar que deve e põe a sua opinião da forma que achar melhor. Claro que os parlamentares que vão buscar a reeleição ou buscar outro projeto, como é o meu caso, vai mostrar qual a linha de atuação. 

Vejo isso como uma ação positiva dos deputados, porque nós conseguimos devolver a condição do Estado de ter uma gestão equilibrada. Os juros que eram cobrados do Estado eram impagáveis. Vivemos três anos da gestão do governador Ronaldo Caiado com a suspensão liminar de uma dívida, sob pena que se não tivesse a renegociação ou a se caísse a suspensão, o governo não conseguia quitar a folha de pagamento.

Eu respeito a posição do PSB de aproximar da esquerda, mas eu não atuo junto nesta linha. 

Houve as matérias polêmicas,  porém necessárias para termos o ajuste e o equilíbrio fiscal do estado. Tanto é, que no dia 24 de dezembro o presidente Bolsonaro assinou e homologou a renegociação das dívidas do estado de Goiás. Isso por quê? Porque a Secretaria do Tesouro Nacional, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e também o STF deram o parecer que Goiás fez a lição de casa. Fizemos todos os deveres que tinham que ter sido feito. Isso é fruto das votações da Assembleia Legislativa.

Vejo que esse é um discurso positivo para os deputados. Nós ajudamos a reequilibrar as finanças do estado de Goiás.

Elder Dias – O senhor está agora em transição partidária e já definiu há muito tempo a saída do PSB, um partido que há algum tempo tem um posicionamento de esquerda. Esse posicionamento não pesou na sua decisão de talvez antecipar essa saída, já que se trata de uma sigla que não lhe acomodava ideologicamente?
Sou um político extremamente democrático. Nunca tive problema com o presidente regional do PSB, o deputado Elias Vaz, no sentido da linha de pensamento e da bandeira que ele defende. E ele sempre me respeitou também. Então nós tivemos uma convivência excelente ao longo desse tempo. O PSB sempre me deu liberdade. Minha posição política, até em razão da região que eu venho e o seguimento que eu represento, é ligado a linha de direita no país e em Goiás.

Não antecipei minha saída do PSB exatamente por uma questão jurídica. Só a partir do momento que a janela eleitoral abrir – ela vai abrir dia 2 de março – poderei trocar de sigla. A minha intensão de deixar o PSB não foi segredo para ninguém. Sempre falei isso publicamente. Sempre deixei muito claro que não permaneceria na sigla, não por conta de algum relacionamento no partido, mas por conta da linha partidária que o PSB optou, sendo uma forte aproximação com a esquerda.

Eu respeito a posição do PSB de aproximar da esquerda, mas eu não atuo junto nesta linha. 

Euler França Belém –  O senhor quase foi para o PP, correto?
Tive convite de vários partidos. Um deles foi o PP. Obviamente coloquei na balança para avaliar toda essa situação. A princípio o PSD, tendo chapa, eu me familiarizo muito mais, em razão de já ter sido de lá. Minha primeira eleição foi pelo PSD. As pessoas que estão dentro são da minha estrita confiança e de amizade até mesmo pessoal. Tenho  uma ligação mais pessoal com os membros do PSD. 

Marcos Aurélio Silva – Que estrutura do PSD está te oferecendo para te lançar como deputado federal?
Em política nós não podemos pensar só em estrutura. Temos que pensar em relacionamento e em boa convivência. A partir do momento que começo a pensar só em estrutura ou no lado financeiro eleitoral, fundo eleitoral e eu poderia, na posição que eu estou hoje, fazer um leilão, né? Quem dá mais? Não é esse o meu objetivo. Não é isso que eu quero. Eu quero a convicção de estar me sentindo em casa dentro de um partido.

Nunca sentei com o partido, com o presidente estadual ou com o presidente nacional para negociar estrutura. O que eu quero é ajudar a crescer o viabilizar a chapa de deputado federal e estadual. Essa questão de estrutura vai ficar para gente decidir lá na frente.

Euler França Belém   –  O pré-candidato ao Senado, Henrique Meirelles, chega a ser chamado de “trem pagador”, em razão da fama de investir muito alto em suas campanhas. Como o senhor avalia?
Henrique Meirelles disputou uma eleição em 2002, depois ele disputou 2018 para  Presidente da República. Ele é uma pessoa de credibilidade internacional muito grande. O cenário econômico tem ele como um nome muito forte. Toda vez que se discute em nível nacional uma crise econômica o nome dele está entre os principais cogitados para assumir o Ministério da Economia, ou seja, estamos falando de uma referência muito grande no cenário internacional econômico.

Quando ele disputou a eleição aqui em Goiás, havia outras regras eleitorais, podia muita coisa que hoje já não pode mais. Hoje está muito mais restrito. Então a realidade era outra totalmente diferente da realidade hoje. Eu não vejo que o que foi feito no passado não vai se repetir agora.

Marcos Aurélio Silva – Henrique Meirelles demonstra sempre estar pautado por pesquisas e isso deve nortear a campanha ao Senado. O senhor também tem feito pesquisas, o que o cenário atual diz sobre sua candidatura ao Congresso?
Na eleição para deputado federal, pesquisa ela pouco influencia. Porque vai muito de regiões. Se pesquisar em uma região, talvez eu tenha muito voto, na outra, talvez eu possa não ter nenhum. E isso acontece com todos os parlamentares. Na eleição majoritária as pesquisas já abrange mais.

O eleitor é muito mais focado nas eleições majoritárias do que nas eleições proporcionais. A decisão do voto para deputado estadual, federal e vereador  – que são eleições de Legislativo –  muitas vezes é definido  na última semana, no último dia ou já na urna.

Penso que a melhor pesquisa é o resultado do seu trabalho, o resultado do que se faz. E eu tenho procurado, não só na minha gestão na Assembleia, mas também no meu mandato são os resultados no interior do estado e nos municípios.

Euler França Belém – Um prefeito da região do Entorno relatou que nas pesquisas feitas por lá o nome do senhor aparece muito bem. A que o senhor implica isso, já que não é uma região eleitoral do senhor?
O motivo são as amizades que eu construir no Entorno, a atuação política que eu tenho feito lá, e também o reflexo da minha da gestão na presidência da Assembleia. Apesar que o entorno ele é muito mais ligado a Brasília do que a propriamente a Goiânia, mas eu tenho lá um raio de atuação política com alguns parceiros, companheiros, prefeitos e amigos que me dá essa condição hoje. Uma condição ótima de disputa e de ter uma votação expressiva no entorno.

Estou muito focado nisso. Minha campanha de deputado estadual era focada na minha região, mas para deputado federal tem que expandir. Tenho que crescer com esses apoios e é isso que nós temos feito. Nosso trabalho não vem de hoje. 

Elder Dias – O senhor acha que o quociente eleitoral para deputado federal será de quantos votos?
Acredito que ficará em 170 mil.

Elder Dias – O senhor julga que essa eleição terá algo em particular, como a abstenção do eleitorado?
Não dá para gente saber.  É uma eleição bastante duvidosa nesse quesito porque não se sabe como que vai estar a pandemia. Espero que ela já tenha acabado. Se a pandemia não existir, acho que a participação da população ela vai ser maior que na última eleição.

Como temos a polarização na eleição nacional os eleitores podem ter mais desejo de ir às urnas, ou seja, guerra de extremos acaba que vai levar o povo a votar. Porque as pessoas que tem essa divergência vão querer votar pela disputa nacional. Daí, vejo que nós temos condição de ter a participação maior da população.

Euler França Belém  – O senhor acredita no quociente de 170 mil votos, há também a mudança nas regras que envolve as coligações, o senhor não acha que serão poucos partidos que conseguiram eleger deputados federais?
Creio que vão ser de cinco a seis partidos que vão conseguir fazer chapas com viabilidade de eleger deputados federais. Nada mais que isso. 

Euler França Belem – Neste sentido, como o senhor avalia as federações partidárias?
Sou favorável as federações, mas acho que ela só vinga, ou seja, ela só vai dar certo para partidos de esquerda. São esses partidos que tem, em nível nacional, a mesma linha política.

Os partidos de centro e até mesmo de direita sempre tem uma divergência ou outra nos estados. Então é muito difícil conseguir um consenso em nível nacional para esses partidos se alinharem. Exemplo, aqui em Goiás o MDB com União Brasil está alinhado, mas em São Paulo talvez já não esteja, no norte e nordeste o cenário é outro. 

Já os partidos de esquerda tem mais alinhamento e conseguem falar a mesma linguagem. Então vejo que essa federação ela pode funcionar para os partidos com linha mais de esquerda. 

Elder Dias  – A tendência da federação partidária é de melhorar a política, causando um efeito na redução de partidos e uma clareza ideológica?
Não. Eu não vejo isso. Penso que teríamos que ter uma cláusula de barreira para ir excluindo os partidos que não tem representatividade e diminuir o número de partidos. Nós temos mais de 30 partidos no Brasil. Já perdi até a conta. O ideal era nós diminuirmos isso drasticamente. Como que você vai fazer esse filtro? Através de uma cláusula de barreira que vai excluindo.

As ferramentas que foram colocadas até gora não funcionaram. E não vejo que a federação partidária vá fazer isso. 

Marcos Aurélio Silva – Sobre a eleição presidencial, o senhor é a favor da reeleição de Bolsonaro?
Sim. Sou um político ligado à direita. Sou de ideologia de direita e defensor do setor produtivo. Vejo que Brasil passou por momentos de muita dificuldade com os governos de esquerda no sentido de ter problemas com a corrupção e tudo que aconteceu no país. Nós não podemos retroagir, nós precisamos pensar para frente. Precisamos entender que o Brasil vive uma nova fase, um novo momento de um governo que apesar de ter erros, também tem acertos, tem dificuldades e precisa enfrentar uma pandemia.

O governo de Bolsonaro tem uma equipe boa, tem focado e pautado a transparência, com isso tem tido resultados importantes principalmente no cenário de credibilidade. Não tem escândalos. Então eu sou totalmente favorável a reeleição do presidente.

Euler França Belém – O senhor acha estão superestimando o Lula e subestimando o Bolsonaro? 
Não vejo assim. O que eu vejo é que estamos em um momento de avaliação da população. Vejo que tem uma polarização no país. A extrema-esquerda contra a extrema-direita. Existe um meio-termo aí,  pessoas que talvez não querem nenhum lado e nem outro, e estão esperando para decidir. 

Eu não acredito que teremos um nome de terceira via que realmente seja viável. E aí, essas pessoas que estão aguardando por isso, vão optar muito mais pela reeleição de Bolsonaro do que pela esquerda de Lula. 

Euler França Belém –  Então o senhor acredita que dá para Bolsonaro virar esse quadro e ganhar?
Sim. Eu percebo que isso vai ocorrer.

Marcos Aurélio Silva – O senhor apoia a reeleição do governador Ronaldo Caiado, e também defende a continuidade do governo de Bolsonaro. Como o senhor vê a aproximação do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, do bolsonarismo, numa tentativa de viabilizar sua candidatura ao governo?
Direito dele. Ele tem que tentar buscar uma base política. Hoje ele ainda não conseguiu essa base. A partir da saída dele do MDB ele não tem nenhum partido, a não ser o Podemos que me parece que está muito ligado ao grupo político dele. Mas não existe nenhum outro partido que ele possa até mesmo filiar ou buscar composição.

Acho que ele tenta uma articulação política para poder se aproximar do presidente Bolsonaro. Para ele não seria ruim, mas eu vejo também uma possibilidade do  presidente Bolsonaro, numa articulação nacional, apoiar a reeleição do governador Ronaldo Caiado e às vezes, até mesmo União Brasil, fazer uma composição com o presidente lá na frente.

Tem muita coisa para acontecer, muitas articulações que vão se afunilar e se aprofundar nessas discussões.

Elder Dias – O senhor não acha que popularidade de Bolsonaro estaria melhor se ele tivesse acompanhado o curso da pandemia sem se mostrar anticiência e antivacina?
Vejo que o presidente Bolsonaro tem um perfil e que ele não vai mudar. Ele foi eleito assim, sempre falando o que vem na cabeça. É a forma dele de fazer. Ele se comunica com a parcela da sociedade que gosta dessa forma dele fazer política, dele trabalhar e dele atuar.

Como Presidente da República eu acho que ele teve sim muitos equívocos, muitos erros no sentido de conduzir a pandemia. Eu cito um exemplo muito claro: na campanha e até mesmo depois, quando se falava em economia ele sempre respondia que não entendia do assunto e que a questão seria tratada com Paulo Guedes. Então poderia ter feito essa mesma coisa em relação à pandemia. Podia dizer: não entendo de ciência, eu não sou médico, quem vai falar são as autoridades sanitárias. Poderia ter feito isso, mesmo não concordando com algumas ações.

Euler França Belém – O senhor se vacinou? Vacinou seus filhos?
Sim. Meus filhos já tem entre 16 e 17 anos, mas estão todos vacinados. Sou totalmente a favor da vacina. Temos que acreditar. Sou a favor inclusive para crianças.

Marcos Aurélio Silva –  Quais os três pontos mais importantes o senhor destacaria em relação a sua gestão frente a Alego?
O primeiro é a independência. Quando se fala neste ponto, o eleitor pode questionar que independência é essa se o senhor é aliado do governador? A independência não é ser radical ou do contra. A independência da Alego está no diálogo e na defesa de suas posições. Isso nós conseguimos implantar no poder Legislativo do Estado de Goiás. 

A Alego está ajudando o governador, pontuando na hora que tinha que ser pontuado, mas também fazendo todo o esforço necessário para poder ajudar o governo e toda a população goiana.

Outro ponto positivo é a condição que tivemos de garantir aos deputados as emendas impositivas. Elas foram aprovadas na legislatura passada, mas foram modificadas e dentro da minha gestão, com o apoio dos deputados nós conseguimos garantir as emendas impositivas. Se trata de uma ferramenta de trabalho importantíssima para os parlamentares. Todos os colegas deputados apontam o quanto é importante as emendas impositivas. Nós não tínhamos isso em mandatos passados.

Outro ponto que precisamos destacar é a entrega da nova sede. Uma obra que se iniciou em 2005 e teve vários problemas. Assumi a Assembleia com a licitação feita, dei a ordem de serviço e fiz a gestão da obra. Com muito esforço nós vamos entregar. Um marco que vai ficar da nossa gestão. 

Marcos Aurélio Silva –  O senhor não acha a atual sede da Alego está em um luga de fácil acesso de todos, por estar em uma região central, e que o novo prédio pode afastar um pouco a população do poder Legislativo?
Muito pelo contrário, por a Assembleia ser procurada muito por pessoas do interior. No novo endereço o acesso é muito mais fácil, porque está ao lado de uma rodovia. Quem vem do Entorno de Brasília já chega direto no local. O mesmo para quem vem da região sul do estado. 

A sede antiga não tem estacionamento, não tem condição de recepcionar as pessoas que vem do interior, o trânsito é muito complicado e a segurança por conta de não ter estacionamento também é complicado. A nova sede vai ter 1080 vagas de estacionamento e condição de receber essas pessoas muito melhor, além da condição de trabalho para os nossos deputados e servidores da Casa.

Marcos Aurélio Silva  –  O senhor sempre usou a palavra transparência em suas declarações na Alego. É uma coisa que o senhor considera que conseguiu em sua gestão?
Sim. Quando falo em independência, aí dentro está a transparência. Nunca tomei  nenhuma decisão sem consultar e conversar com os deputados. A imprensa sempre teve todas as informações necessárias. Eu sempre abri o diálogo e as portas da Casa.

Vejo a transparência como um dos marcos da nossa gestão, mas incluída no processo de independência da Casa.

Marcos Aurélio Silva – O senhor será candidato agora a deputado federal, mas o senhor é um político de visão. Já pensa em 2026? O senhor poderá concorrer ao Senado ou ao governo de Goiás?
Vamos passo a passo, degrau por degrau na escada. Um passo de cada vez. Nós temos que vencer para deputado federal. Nós temos que vencer a batalha de 2022, depois vamos avaliar 2026.

Marcos Aurélio Silva – Como que o senhor avalia o retorno do ex-governador Marconi Perillo para política – Inclusive com pesquisas apontando que ele está a frente Henrique Meirelles numa disputa para o Senado?
Vejo que ele tem seus méritos e também tem seus problemas políticos como qualquer um pode passar. Eu enxergo que o ex-governador Marconi viveu e ainda vive um momento de muita dificuldade  no tange a sua popularidade. O que refletiu na pesquisa Serpes não é o que estamos vendo em outras pesquisas.

Enxergo qualquer eleição majoritária para o Marconi Perillo como uma eleição pouco provável

Não estou questionando os dados e números do levantamento. Mas o que eu vi em outras pesquisas não são essa realidade, não só da intensão de votos, como também o número de rejeição do ex-governador. Agora, ninguém pode tirar o mérito dele da forma de fazer política. Ele provou sendo eleito quatro vezes. É uma pessoa audaciosa e que tem condições de disputar qualquer cargo que queira. Ganhar ou perder aí já vai depender da população e faz parte do jogo.

Enxergo qualquer eleição majoritária para o Marconi Perillo como uma eleição pouco provável. Mas isso as urnas é que vão decidir. 

Euler França Belém –  O senhor acha que a gestão de Tereza Cristina a frente do Ministério da Agricultura é positiva?
Foi positiva. Em todos os aspectos. O agronegócio vive hoje um momento muito especial, um momento muito bom, não só em tecnologia, em produtividade, como também em lucratividade para os produtores rurais.

Tereza Cristina tem credibilidade no setor agropecuário e só próprio presidente Bolsonaro por defender os próprios produtores. Ela levanta e  defende a bandeira deles.

A ministra conseguiu avanços importantes na área do agronegócio que hoje caminha sozinho. São avanços na área da tecnologia, na área da do acesso ao crédito do produtor rural, da melhoria na condição de comercialização, das exportações. O agronegócio hoje caminha por si próprio, com mais a credibilidade que o setor deposita no governo do presidente Bolsonaro e também na equipe do governo dele.

Euler França Belém –  O senhor é produtor rural na região de Rio Verde. Assim como você outros produtores fazem negócios com a China, mas vocês usam intermédios ou é direto com chineses? 
São empresas que intermediam essas negociações. Elas compram e exportam o produto em natura ou até mesmo industrializado. Nós temos boas grandes indústrias em Goiás. Algumas industrializam o grão, mas a grande maioria é exportado in natura. 

Euler França Belém – O senhor não acha que o Bolsonaro errou em comprar briga com a China?
Não vejo assim. Eu acho que às vezes tem uma forma um pouco equivocada e até mesmo o jeito com que os filhos do presidente falam. Fazer esse confronto que não é saudável para ninguém. Esse confronto com países que são consumidores do Brasil em geral causam mal para o Agro. Até agora não prejudicou porque o Brasil produz muito e eles precisam de fato da matéria-prima brasileira para poder alimentar a população deles.

Marcos Aurélio Silva – Falando em agronegócio, como está a produção de soja na região de Rio Verde?
Positiva demais. O produtor goiano vive um bom momento. Na Argentina e mesmo na região sul houve perdas em razão de problemas climáticos. Aqui para gente o clima ajudou e estamos tendo altas produtividades, vamos ter recorde na safra de soja.

No período da safra, o que geralmente ocorre é o preço das commodities caírem, por a oferta ser maior que a procura. Mas neste ano subiram bastante. Nós temos negócios aí de volumes muito altos no preço da soja. Então isso é animador para o setor.

Temos uma preocupação no radar de todos nós que somos produtores: é o custo da produção da próxima safra. Porque com a alta do dólar e com todo esse cenário o natural é o custo subir. Os produtos também ficaram muito caros e tão escassos no mercado. Existe falta de alguns insumos e maquinário.

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