Sabrina Garcez: “Republicanos precisa fazer uma reflexão interna e autocrítica, e depois voltar para o campo de batalha”
17 outubro 2026 às 21h00

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Advogada e especialista em Direito Constitucional e Administrativo, Sabrina Garcez tem uma trajetória que a fez experimentar praticamente todos os nichos da vida pública, desde a militância no movimento estudantil, passando pela vereança, até a ocupação de cargos no Executivo municipal. Hoje secretária municipal de Governo de Goiânia, considerada uma das pastas-chave da gestão de Sandro Mabel, Sabrina foi eleita vereadora em 2016, com mais de 7,2 mil votos provenientes de todas as regiões da capital, com ênfase na Região Noroeste. Em 2020, foi reeleita com 5.891 votos, sendo a quarta mais votada da cidade.
Filha da também ex-vereadora Cida Garcez, Sabrina tentou a reeleição em 2024, mas, mesmo com mais de 6 mil votos, não conseguiu se reconduzir ao Legislativo. Contudo, sua capacidade de articulação e o bom trânsito construído na Câmara Municipal a credenciaram a se tornar um dos principais braços direitos de Mabel. É Sabrina, por exemplo, quem entra em campo na Câmara quando o prefeito precisa articular a aprovação de pautas consideradas espinhosas ou até impopulares.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, a secretária fala sobre seus planos para a vida pública e também faz uma avaliação dos resultados obtidos por seu partido, o Republicanos, nas eleições deste ano. Para ela, a legenda, liderada em Goiás pelo ex-prefeito Roberto Naves, precisa fazer uma “autocrítica” e concentrar esforços na atração do eleitorado de direita, hoje captado principalmente pelo PL e o bolsonarismo.
Ton Paulo – Você foi uma vereadora muito bem votada e, até hoje, mantém um bom trânsito dentro da Câmara. No entanto, mesmo com essa proximidade, ainda observamos muitos atritos entre o Executivo e o Legislativo. Há quem diga que, com essas movimentações e o avanço do PL, a relação da Prefeitura com a Câmara pode melhorar. Teremos um diálogo mais tranquilo entre Executivo e Legislativo nesta nova fase da Legislatura?
Não considero que o diálogo seja ruim. Pelo contrário, o que percebo, a partir da Secretaria de Governo, por exemplo, é o prefeito recebendo a maioria dos vereadores. Temos uma base consolidada.
O prefeito tem disponibilidade para atender os vereadores e ouvir suas demandas. As solicitações que chegam até ele geralmente são atendidas com prioridade. Portanto, não percebo essa relação como ruim.
É evidente que existem embates e debates. O prefeito, por também ter vindo do Poder Legislativo, tem experiência nessa relação. Sandro Mabel foi deputado federal, líder da bancada do PL e, como ele mesmo costuma dizer, chegou a liderar uma bancada com mais de 100 deputados. Isso também facilita meu trabalho, porque o prefeito é um articulador nato.
Ele participa diretamente de parte da articulação. É uma pessoa que se senta conosco e com os vereadores para discutir projetos e pautas. Quando surge alguma dúvida, conversamos com ele. Muitas vezes, o próprio prefeito pega o telefone e liga para o vereador.
Portanto, essa articulação conjunta com o prefeito facilita muito o trabalho, justamente porque ele é bastante ativo nesse processo. O que entendo é que temos diferentes perfis de vereadores e parlamentares. Alguns integrantes da Câmara, inclusive muito bem votados, estão saindo, enquanto outros estão chegando.
O prefeito já tem mantido diálogo com esses novos integrantes. Também tenho conversado com os suplentes que vão assumir agora e percebo que estamos vivendo um novo momento.
João Paulo Alexandre – O vereador Luan Alves, atual presidente da CCJ, foi alvo de críticas do prefeito em razão da quantidade de processos que ficaram parados na comissão. Willian Veloso, eleito novo presidente, poderá adotar uma atuação mais republicana, sem travar os projetos do prefeito?
Entendo e respeito a atuação de cada parlamentar. Já estive naquela posição, já fui presidente da CCJ e vereadora. Cada parlamentar tem suas motivações e seu estilo de trabalho, portanto, não cabe a mim fazer uma avaliação positiva ou negativa.
No entanto, considerando a postura do vereador Willian, sua formação, suas declarações e a maneira como atua enquanto membro da CCJ, esperamos que os processos tenham uma tramitação normal, respeitando os prazos adequados em cada comissão e garantindo as discussões necessárias. O que não podemos ter são projetos parados durante 40, 50 ou 60 dias em uma comissão.

Não há justificativa para isso. Não existe debate, até porque a discussão não está acontecendo. Os projetos que estão na CCJ permanecem parados, sem discussão e sem qualquer tipo de encaminhamento.
Entendemos que o vereador Willian, inclusive por sua formação, já que é advogado e teve atuação na OAB, deverá assegurar o cumprimento do regimento, até como forma de respeito à sociedade. Os projetos que estão na comissão não são projetos de Sandro Mabel enquanto pessoa física. São projetos da Prefeitura, que beneficiam a cidade.
João Paulo Alexandre – Para este ano e também para o próximo, quais projetos Sandro Mabel considera indispensáveis e deseja que tenham uma tramitação mais célere na Câmara?
Alguns projetos considerados importantes pelo prefeito ainda não foram encaminhados à Câmara, pois estão em fase de discussão interna na Prefeitura. Entre eles estão as reformas do IMAS e do GoiâniaPrev.
No caso do IMAS, houve uma reforma durante a gestão do prefeito Iris Resende, à qual, inclusive, votei contra na época. Isso porque a reforma unificou um fundo dos servidores que era saudável com outro que estava deficitário. A Prefeitura ofereceu algumas áreas em contrapartida, o que acabou gerando um problema maior. Posteriormente, a Justiça determinou que essas áreas retornassem ao município.
Hoje, o caixa da poupança previdenciária dos servidores públicos está deficitário. Essa situação precisa ser enfrentada, e o prefeito Sandro Mabel está trabalhando para isso.
Uma das formas de enfrentar esse problema, por exemplo, é o projeto do Fundo Imobiliário, que já está na Câmara. A proposta busca gerar receitas, entre outras finalidades, para o Instituto de Previdência. Portanto, esse é um projeto importante que precisa avançar na Câmara.
Há também a própria reforma do IMAS. Como o prefeito tem afirmado, conseguimos melhorar o atendimento, mas ele ainda está muito aquém do que o servidor merece. O servidor contribui mensalmente, a Prefeitura também complementa os recursos e, mesmo assim, o serviço continua sendo alvo de muitas críticas. Compreendemos essas críticas e queremos melhorar o atendimento.
Para isso, precisamos de uma reforma que seja encaminhada à Câmara. É necessário concluir a discussão internamente para que a proposta possa ser debatida pelos vereadores. Acreditamos que, nesse momento, será fundamental contar com o apoio da Câmara.

Temos ainda o projeto do Fundo Imobiliário. Veja bem, o município possui centenas de áreas públicas, aliás, milhares de áreas públicas.
Muitas dessas áreas não recebem os cuidados necessários porque a Prefeitura não consegue administrar todas elas. Algumas acabam sendo invadidas, enquanto outras permanecem subaproveitadas. Isso gera um passivo para o município, que precisa arcar com a manutenção, a limpeza e a retirada de eventuais invasores.
Com o projeto do Fundo Imobiliário, essas áreas poderão passar a gerar rentabilidade para o município. Ou seja, o que hoje representa uma despesa poderá se transformar em uma fonte de receita.
E o município não perde a titularidade desses bens. Portanto, trata-se de um projeto importante, cuja discussão acredito que deva começar no fim deste ano ou no próximo, já que, até agora, não houve movimentação. Ainda nem sabemos qual é o posicionamento da Câmara, porque a proposta sequer foi pautada.
O prefeito, por exemplo, realizou uma reunião com os vereadores e chegou a propor a criação de um grupo de estudos e análise para aperfeiçoar o projeto. Entendemos que a Câmara tem um papel fundamental não apenas na elaboração de seus próprios projetos, mas também no aprimoramento das propostas encaminhadas pela Prefeitura. No entanto, nem isso conseguimos.
Até mesmo o direito dos vereadores ao debate está sendo retirado, porque o projeto sequer começou a tramitar efetivamente na Câmara. Sua tramitação foi interrompida logo na primeira fase.
Ton Paulo – Acabamos de sair do primeiro turno das eleições e sua ausência na disputa foi uma surpresa. Ouvi de algumas pessoas que ficaram surpresas ao perceber que você realmente não seria candidata. Durante muito tempo, cogitou-se sua candidatura a deputada estadual e até mesmo a federal. O que aconteceu? Você chegou a considerar a possibilidade de disputar a eleição e depois desistiu ou essa candidatura nunca esteve nos seus planos?
Quem já disputou eleições sempre sente aquela vontade de participar novamente. A cada eleição, surge aquela inquietação, o desejo de estar na disputa. Há quatro anos, fui candidata a deputada federal e recebi 30 mil votos. Na ocasião, fui a vereadora mais bem votada na disputa para a Câmara dos Deputados e tive a honra de receber essa quantidade de votos do eleitorado goiano. Posteriormente, fui candidata a vereadora e obtive mais de 6 mil votos, mas, por uma questão partidária, não fui eleita. Estava preparada para disputar uma nova eleição.
Além da possibilidade de ser candidata, tenho um compromisso partidário. Os partidos políticos precisam que suas lideranças disputem eleições, independentemente de vencerem ou perderem. Considero-me uma soldado do Republicanos. Portanto, além da possibilidade de contribuir para a formação de uma chapa ou participar dela como candidata, existe também o desejo de disputar eleições, até pelo meu histórico político.
Conversei com o prefeito Sandro Mabel e cheguei a manifestar minha intenção de ser candidata. Ele me deu todo o apoio e afirmou que, se fosse minha vontade, eu poderia disputar a eleição. No entanto, fez uma reflexão comigo. Disse: “Sabrina, você esteve comigo no pior momento da gestão. Agora que a gestão vai melhorar, você vai sair?”.

Ele também afirmou: “Olha, nós temos vários desafios pela frente, ainda temos mais dois anos e meio de mandato e muita coisa boa que podemos entregar. Nós já estamos alinhados”. E acrescentou algo até engraçado: “Eu já conheço seu jeitinho, você já conhece meu jeito, e está dando certo. Vamos continuar juntos”.
Portanto, houve também esse chamado de uma liderança política da nossa cidade, que é o prefeito Sandro Mabel. Entendo que a política só faz sentido quando é exercida para melhorar a vida das pessoas. Defendo isso desde o meu primeiro mandato.
Estar na política significa ter um instrumento de transformação social. Não se trata de ocupar um cargo ou receber um salário, mas da transformação que um agente político pode proporcionar à vida das pessoas. E, na Prefeitura, conseguimos promover essa transformação, muitas vezes de maneira mais imediata do que no Legislativo, porque é no Poder Executivo que as ações são efetivamente executadas. Estar ao lado do prefeito Sandro Mabel tem me ensinado bastante.
Ton Paulo – Você afirmou que é uma soldado do Republicanos. Tivemos eleições nos âmbitos federal e estadual e, em ambos, o partido não obteve um desempenho muito expressivo em Goiás. Marussa Boldrin conseguiu se reeleger deputada federal, mas Vivian Naves não conquistou a reeleição para a Assembleia Legislativa. Faltaram liderança e condução partidária?
Minha avaliação do Republicanos vai além da disputa eleitoral em Goiás. Ideologicamente, o partido se posiciona mais à direita, na centro-direita. No entanto, tivemos um crescimento expressivo do PL, que hoje é o partido que representa com mais força essa bandeira da direita. Portanto, entendo que o Republicanos precisa refletir sobre seu posicionamento e sobre como ocupar esse espaço político.
O partido precisa se posicionar melhor, assim como suas lideranças precisam compreender com mais clareza qual é o espectro político que estamos disputando. Hoje, o Republicanos precisa disputar o eleitorado de direita. E, nesse campo, que vai do centro à direita, tivemos uma explosão de votos do PL.
Por isso, considero necessária uma reflexão interna. Tivemos, sim, um resultado aquém do esperado.
O partido precisa fazer essa avaliação e exercer a autocrítica sempre que necessário. Depois disso, precisamos voltar ao campo de batalha, direcionar nossos esforços para as próximas eleições e continuar trabalhando pelo fortalecimento da legenda. Hoje, o Republicanos é a quinta maior força política do Brasil.
Portanto, trata-se de um partido extremamente importante no cenário nacional, e precisamos conquistar essa mesma relevância no cenário estadual, algo que ainda não temos.
Ton Paulo – Essa reflexão e autocrítica poderiam resultar em mudanças ou até mesmo em uma reestruturação do partido? Apuramos que o comando do Republicanos deve mudar em Goiás. Quem está cotado para assumir a direção estadual?
Não tenho nenhuma informação, oficial ou extraoficial, sobre uma eventual mudança. A informação de que disponho é que o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, fará uma avaliação do Republicanos no contexto nacional somente após as eleições presidenciais. A partir dessa análise, imagino que teremos os indicativos sobre quais mudanças poderão ocorrer e o que será mantido.
Considero natural, no entanto, que, tendo o Republicanos elegido uma deputada federal em Goiás, a deputada Marussa Boldrin, ela também pleiteie espaços dentro do partido.
Não sei se seria a presidência, mas considero natural e justo que ela pleiteie espaços na Executiva Estadual e participe da direção do partido.
Se isso envolverá a presidência, se o presidente Marcos Pereira fará alguma mudança ou manterá a atual composição, é o que mencionei anteriormente: trata-se de uma análise que envolve questões importantes da conjuntura nacional, inclusive sobre como o Republicanos vai se posicionar diante da consolidação do PL como a grande referência da direita no Brasil.
João Paulo Alexandre – Em 2024, o principal adversário de Sandro Mabel foi Fred Rodrigues, candidato do PL, que chegou a terminar o primeiro turno à frente, surpreendendo muita gente. No entanto, Sandro conseguiu reverter o resultado e vencer a eleição. Recentemente, o prefeito declarou que deseja construir uma aliança com o PL para 2028. Como a senhora avalia essa possibilidade?
Considero fundamental essa aproximação com o PL. Como tenho afirmado, o partido se consolidou como uma grande força da direita. Goiás é um estado cujo eleitorado, como demonstram os resultados das eleições, tem uma inclinação à direita. Portanto, vejo uma eventual aliança entre o prefeito Sandro Mabel e o PL como muito positiva, tanto para o prefeito quanto para o próprio partido, que teria a oportunidade de fortalecer suas raízes no município.

No entanto, essa possibilidade depende de diversos fatores, especialmente das lideranças partidárias e de como ocorrerão as articulações. O próprio deputado Fred Rodrigues, ao que parece, chegou a declarar que pretende ser candidato a prefeito. Portanto, entendo que ainda temos tempo para construir esse diálogo e avançar nas conversas.
Ton Paulo – Sabemos que o prefeito tem a intenção de disputar a reeleição. Atualmente, ele está no União Brasil, mas já se cogita nos bastidores que Bruno Peixoto, que quase foi o candidato do partido em 2024, poderia ser o nome natural da legenda para a próxima eleição municipal. Nesse contexto, seria natural que Sandro migrasse para outro partido, como o Republicanos, por exemplo?
Entendo que o caminho natural é Sandro Mabel disputar a reeleição pelo próprio União Brasil. Ele integra o diretório municipal do partido, é o atual prefeito e foi eleito, inclusive, com o apoio do deputado Bruno Peixoto, que teve uma participação fundamental na nossa campanha municipal. Sandro também contribuiu muito para a eleição de Bruno.
Portanto, percebo uma sintonia entre os dois.
Acredito que, chegando ao período da reeleição com uma boa aprovação e, mais do que isso, tendo realizado um bom trabalho, como ele tem se empenhado em fazer, a população conseguirá perceber melhor os resultados da gestão. Nesse contexto, considero natural que o partido escolha o próprio Sandro para disputar a reeleição, contando novamente com o apoio de Bruno Peixoto, que terá um papel importante nesse processo.
Bruno foi o deputado federal mais votado do nosso estado. Portanto, sua presença e influência continuam sendo tão importantes quanto foram na primeira eleição.
No entanto, não faço parte do União Brasil, não tenho participação nas decisões internas da legenda e tampouco posso falar em nome do partido. Faço essa avaliação como observadora, considerando que, atualmente, quem ocupa a Prefeitura é Sandro Mabel.
João Paulo Alexandre – Você destacou que Fred Rodrigues demonstrou interesse em disputar a Prefeitura em 2028. No entanto, o PL também tem outro nome de destaque que, ao que tudo indica, pode ter interesse na disputa: Ana Paula Rezende, que foi candidata a vice-governadora na chapa de Wilder Morais. Você acredita que ela poderia se tornar uma pedra no sapato de Sandro Mabel ou seria uma boa opção para vice, considerando a experiência eleitoral que teve ao lado de Wilder?
Gosto muito da Ana Paula. Passei a conhecê-la mais de perto após a morte de seu pai, Iris Rezende. Inclusive, quando fui conhecer o memorial de Iris, fiquei bastante emocionada com a maneira como Ana Paula fala do pai e com a inspiração que encontra nele.
Independentemente das críticas que possam existir, Iris foi um grande líder político, um dos maiores da história do nosso estado. Portanto, ela tem uma importante referência dentro de casa. Também teve uma grande professora na dona Iris, que foi uma deputada à frente de seu tempo, uma parlamentar que inovou em nosso estado.
Ana Paula, portanto, vem de uma família com uma trajetória política muito relevante e de grande qualidade. Entendo que ela tem capacidade para disputar a Prefeitura ou até mesmo compor uma chapa como candidata a vice-prefeita. Na eleição de Sandro Mabel, inclusive, houve um esforço muito grande para que ela fosse sua vice. O MDB chegou a promover uma articulação interna para indicá-la, mas, naquele momento, Ana Paula recusou a possibilidade.

Já conversei com ela sobre isso. Disse: “Ana Paula, acho que você sente essa vontade de participar da política. Você tem que ser candidata. Venha como candidata a deputada federal”. A partir daí, os caminhos também vão se desenhando na política.
Portanto, não considero que Ana Paula represente uma pedra no sapato do prefeito Sandro Mabel. Isso dependerá muito das articulações e dos projetos de cada partido, porque não podemos analisar as legendas apenas sob uma perspectiva local.
Ton Paulo – Apesar das melhorias percebidas na cidade, especialmente na zeladoria, a gestão ainda enfrenta alguns gargalos, como na área da saúde. Como a Secretaria de Governo tem acompanhado essa situação? Existe um esforço efetivo para solucionar esses problemas em Goiânia?
Com certeza. Essa é uma preocupação do prefeito. Temos duas grandes secretarias que impactam diretamente a população, sobretudo a parcela mais vulnerável: a Secretaria de Educação e a Secretaria de Saúde. O prefeito costuma dizer que, naquele primeiro momento, tomou a decisão de concentrar seus esforços na Educação, porque tínhamos 10 mil crianças fora das escolas.
Essa é uma fase da vida da criança que não volta, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo. Portanto, o prefeito não poderia esperar dois ou três anos para resolver o problema da Educação. E ele conseguiu, de fato, solucionar essa questão. Independentemente das críticas que possam existir, o prefeito resolveu o problema das crianças fora da escola.
Houve um investimento muito grande de energia na Educação. Conseguimos enfrentar esse problema, embora seja necessário dar continuidade aos investimentos, como o prefeito tem feito. Ele tem investido muito em tecnologia para os alunos, inteligência artificial, materiais de qualidade, bons uniformes e lousas digitais em todas as salas de aula.
Como ele costuma dizer, não adianta termos uma boa escola se ela continuar sendo analógica, porque, nesse caso, o aluno poderá se tornar um analfabeto digital e não terá condições de ingressar no mercado de trabalho. Hoje, precisamos de tecnologia para praticamente tudo.
Se não proporcionarmos esse acesso aos alunos da rede pública, a distância entre eles e os estudantes da rede particular será enorme. O prefeito tem essa visão e, por isso, tem investido muito em tecnologia, para que essas crianças tenham contato com esses recursos desde a primeira infância.
Ton Paulo – Mas há profissionais suficientes para atender esses alunos que estão chegando à rede de ensino?
Tivemos um problema relacionado ao processo seletivo, mas foi uma questão muito mais burocrática do que propriamente de falta de servidores. Enfrentamos uma dificuldade significativa em relação à quantidade de afastamentos temporários, que acabam prejudicando a rede. Muitas vezes, o professor está adoecido e precisa se afastar. Nesses casos, não podemos convocar um concursado para ocupar definitivamente aquela vaga, que precisa ser preenchida por um profissional temporário.
Isso gera uma dificuldade porque, quando o contrato termina, é necessário realizar uma nova contratação ou até mesmo um novo processo seletivo. Não podemos nomear um servidor efetivo para aquela vaga porque o profissional titular não se aposentou, apenas está temporariamente afastado. Portanto, a vaga continua vinculada a ele.
Existe, assim, um problema burocrático que a Secretaria e o prefeito precisam ajustar.
Em relação à Saúde, como vocês mencionaram, o prefeito reconhece que ainda existem problemas. No entanto, já tivemos avanços. O prefeito já viabilizou a construção de oito novas UPAs, os processos estão em andamento, as licitações estão acontecendo e há reformas previstas para diversas unidades.
Também temos o PAFUS, Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde, inspirado no PAFIE, Programa de Autonomia Financeira da Educação. Hoje, quando visitamos uma escola municipal, encontramos uma estrutura bem conservada, com pintura em boas condições, banheiros limpos e merenda servida adequadamente. Na Saúde, ainda não tínhamos essa mesma realidade.

Antes, se uma porta apresentasse algum problema em uma unidade de saúde, o gestor precisava comunicar a Secretaria, que, por sua vez, tinha de realizar um processo licitatório. Isso provocava uma demora enorme. O conserto de uma simples porta poderia levar um ano ou até um ano e meio. Agora, com esse programa, pelo menos a estrutura física das unidades de saúde terá melhores condições para receber os pacientes.
A expectativa é que, até o fim do ano, possamos iniciar essas pequenas reformas, com a disponibilização dos recursos, e começar a oferecer uma infraestrutura de melhor qualidade à população. O prefeito tem investido para que isso aconteça.
João Paulo Alexandre – E qual é o andamento do projeto Morar no Centro?
O projeto vai sair. O projeto de lei foi aprovado pela Câmara, mas recebeu algumas emendas que foram vetadas pelo prefeito. Esses vetos estão agora sob análise dos vereadores. Assim que forem votados, poderemos regulamentar a lei e iniciar sua execução.
Todo o procedimento necessário para colocar o programa em funcionamento já está preparado, inclusive com as condicionantes previstas. Dependemos apenas da votação desses vetos na Câmara para dar andamento à execução.
O sistema e o site para que as pessoas possam cadastrar os imóveis também já estão encaminhados. Além disso, avançamos bastante nas conversas com as imobiliárias.
Portanto, toda a parte operacional necessária à execução do programa está pronta. O que precisamos agora, do ponto de vista legislativo e jurídico, é que a Câmara vote os vetos pendentes para que possamos iniciar a implementação da lei.
Ton Paulo – Na área da mobilidade, como está a questão da duplicação da Rua da Divisa, no Setor Jaó? Ainda existem entraves jurídicos?
Estive pessoalmente envolvida nessa discussão. Havia uma questão que também envolvia o Ministério Público, mas conseguimos superar esse impasse. A duplicação é uma das obras que o prefeito Sandro Mabel deseja realizar.
Desde o início do mandato, ele tem se dedicado a esse tema. Enfrentávamos alguns impedimentos relacionados às discussões com o Ministério Público e com os moradores, mas essas questões foram resolvidas e as divergências, superadas. Portanto, acreditamos que a obra poderá avançar e começar o mais breve possível.
Ainda não consigo precisar uma data, porque já estamos entrando no período chuvoso. Não sei se seria adequado iniciar uma obra dessa natureza neste momento.
De qualquer forma, existem etapas que podem avançar independentemente do início das intervenções, como a elaboração do projeto e o licenciamento da obra. Esses procedimentos já podem ser encaminhados.
João Paulo Alexandre – Você tem planos políticos para 2028?
Estou saindo agora de uma campanha com o Republicanos. A Secretaria de Governo se transformou não apenas em uma pasta de articulação política, mas também em uma secretaria responsável pela organização dos grandes eventos da nossa cidade, por determinação do prefeito. O MotoGP, por exemplo, foi resultado de uma articulação da Secretaria de Governo.
Temos agora o aniversário de Goiânia, com uma programação de uma dimensão nunca realizada anteriormente e que pretendemos ampliar ainda mais no próximo ano. Também temos o Natal. O prefeito possui uma característica com a qual me identifico muito. Durante meus mandatos, desenvolvi o projeto Tô no Bairro, que consistia justamente em estar presente nos bairros, ouvir a população e aproximar a Prefeitura das comunidades.
Sandro tem essa mesma visão. Ele quer descentralizar a gestão e as atividades da Prefeitura. Atualmente, estou à frente da organização do novo mutirão. Temos a programação do aniversário de Goiânia em 11 bairros. No Natal do ano passado, se não me engano, foram contempladas 16 praças. Já estamos preparando o Carnaval de rua, previsto para o fim de janeiro e início de fevereiro, além de uma nova edição do MotoGP.
Portanto, as atividades da Secretaria de Governo estão bastante intensas. É evidente que, como agente política, não posso perder de vista as eleições. No entanto, a decisão sobre disputar ou não um cargo em 2028 será tomada mais adiante.
Sou uma pessoa de grupo e tenho compromisso com o partido. Se for necessário que eu seja candidata, meu nome estará à disposição. Se a necessidade for atuar na retaguarda, contribuindo para a coordenação de campanha, também estarei disponível.
Ton Paulo – Apuramos que você teria sido uma das pessoas escolhidas por Sandro Mabel para iniciar as articulações políticas visando às eleições de 2028, inclusive com a formação de chapas. Esse trabalho já começou?
Na verdade, já fiz um mapeamento dessas eleições. O próximo passo é conversar com os partidos aliados do prefeito Sandro Mabel, que já integram nossa base, para aprofundar esse diálogo. Também pretendemos ampliar as conversas com os partidos que participaram da aliança na eleição do governador Daniel Vilela, de modo a construir uma estrutura política sólida para o prefeito Sandro.
Como mencionei, Sandro é uma pessoa que participa diretamente das articulações políticas. Ele acompanha essas movimentações de perto e terá uma participação importante nesse processo.
Estarei ao lado dele na construção dessa base, na organização das alianças e na estruturação política e eleitoral necessária para reunir lideranças e partidos em torno de seu projeto.


