Líderes evangélicos de Goiás apoiam Flávio Bolsonaro e querem convencer fiéis que votam em Lula
07 outubro 2026 às 19h13

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Líderes de diferentes denominações evangélicas em Goiás afirmam que vão apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e apontam razões religiosas, familiares, ideológicas e econômicas para a escolha. Pastores e representantes de igrejas ouvidos pela reportagem dizem que o candidato está mais alinhado aos princípios que defendem e relatam que pretendem trabalhar para convencer fiéis que são eleitores de Lula (PT) durante a reta final da campanha. Vale ressaltar que Flávio Bolsonaro se apresenta como evangélico.
O apoio ocorre após uma parte dessas lideranças ter declarado voto em Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno. Com a disputa agora entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os religiosos afirmam que a tendência predominante entre as igrejas evangélicas de Goiás é pela candidatura do PL. Eles ressaltam, no entanto, que os fiéis têm liberdade para escolher seus candidatos e que existem igrejas e membros que apoiam Lula.
Catedral da Família
Presidente da Assembleia de Deus Catedral da Família, o pastor Salmo Diomar afirma que a defesa da família e dos bons costumes está entre os principais motivos para o posicionamento da igreja. Segundo ele, a escolha do candidato deve considerar propostas que estejam de acordo com esses princípios e ações voltadas às famílias e às pessoas em situação de vulnerabilidade.
“A igreja tem por princípio os bons costumes e a preservação da família. A gente se preocupa muito com isso. Então, a ideologia política que parte dessas premissas, que está ajudando o social, ajudando as famílias, cuidando e dando apoio aos menos favorecidos, nós estamos apoiando”, afirma.

Salmo diz que a igreja não precisa necessariamente transformar os cultos em atos explícitos de orientação eleitoral, porque, segundo ele, os próprios membros já conhecem a posição da liderança. “Os nossos membros já estão sabendo de tudo. A gente já vive esse entendimento com eles. Não é necessário subir no altar e falar ‘volta, João’. Eles já sabem o que é bom para eles, já têm entendimento do que é bom para eles”, declara.
A Catedral da Família, segundo o pastor, possui membros em diferentes cidades de Goiás. Ele estima que a denominação reúna cerca de 25 mil pessoas no Estado. No primeiro turno, Salmo afirma ter apoiado Ronaldo Caiado.
Igrejas independentes
Representante das chamadas igrejas independentes em Goiás, o bispo José Carlindo também declara apoio a Flávio Bolsonaro. Para ele, o fato de Caiado e Flávio estarem no campo político de direita contribuiu para a aproximação das duas candidaturas entre os religiosos.
“Caiado e Flávio são de direita. A gente tinha a percepção de que seria uma coisa boa se o Caiado e o Flávio tivessem se aliado no primeiro turno, com Caiado como vice do Flávio. Acho que os resultados teriam sido até mais promissores. Mas, como não foi, agora vamos caminhar e trabalhar para a eleição do Flávio”, avalia.

Carlindo avalia que a maioria das igrejas independentes deverá apoiar o candidato do PL no segundo turno. Ele ressalta, porém, que há denominações que apoiam Lula e que a decisão política deve ser individual. “As pessoas são livres. A política não é uma questão de imposição, é uma questão de conscientização. A pessoa é livre, mesmo conscientizada, para decidir o caminho que pretende”, diz.
Questionado sobre qual dos dois candidatos estaria mais próximo dos princípios do Evangelho, o bispo foi direto: “Com certeza, o Flávio.”
Conselho de pastores
Presidente do Conselho de Pastores de Igrejas Cristãs de Goiás, o apóstolo Cleoncio Sathler Garcia afirma representar lideranças de diferentes denominações e estima que o grupo alcance cerca de 3 mil igrejas cristãs no Estado. Segundo ele, a entidade reúne pastores de igrejas como Assembleia de Deus, Batista, Metodista, Igreja de Cristo e Igreja de Deus, entre outras.
Para Cleoncio, a identificação de parte dos evangélicos com a direita está relacionada à defesa da família e a questões de costumes. “Realmente, 97% das igrejas evangélicas apoiam a direita. As teorias da esquerda confrontam com os ensinamentos das igrejas cristãs. Esse é um dos motivos que fazem a igreja ficar do lado da direita, do lado da família tradicional.”

Sobre a atuação das igrejas durante o segundo turno, o apóstolo diz que os líderes mantêm cautela para não transformar os cultos em espaços de propaganda eleitoral, mas avalia que os ensinamentos religiosos influenciam a visão política dos fiéis.
“Os dirigentes geralmente têm uma certa cautela. Mas existe uma força muito grande, porque os membros estão ouvindo as pregações, as palavras, os ensinamentos. Automaticamente, eles já estão alinhados com o que a Bíblia diz sobre a questão da tradição e da família tradicional”, declara.
Ministério Madureira
Presidente do Ministério Vila Nova, da Assembleia de Deus ligada ao Ministério de Madureira, o pastor Josué Gouveia afirma que a liderança da denominação em Goiás está alinhada com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele diz que o grupo apoiou Caiado no primeiro turno, mas mudou o direcionamento para a segunda etapa da eleição.
“Já estamos alinhados com ele. Já estamos pedindo voto para o Flávio Bolsonaro. Dentro do segmento, o que a gente vê é que hoje 99% é Flávio Bolsonaro”, ressalta.
Segundo Josué Gouveia, a proximidade entre a liderança religiosa e Caiado durante o período em que o ex-governador esteve à frente do Estado foi determinante para o apoio no primeiro turno. “O Caiado deu muita abertura para o segmento evangélico, confiou sempre no segmento. Nossa liderança sempre teve muito alinhamento com ele. Por isso a gente o acompanhou nesse primeiro turno”, diz.

Agora, de acordo com o pastor, a intenção é não apenas votar em Flávio, mas convencer outros eleitores a fazerem o mesmo. “Nós estamos realmente empenhados, não só a votar, mas empenhados no convencimento de que Flávio Bolsonaro é o melhor para o Brasil hoje”, afirma.
Josué diz ainda que pretende dialogar com membros da própria igreja que apoiam Lula. “É o convencimento. Vamos convencer, tentar convencer. Vamos mostrar para eles que o caminho da direita, o caminho do Flávio Bolsonaro, é muito melhor para eles”, declara.
Além das questões relacionadas aos costumes e à religião, o pastor cita a economia como outro motivo para apoiar o candidato do PL. “Nós acreditamos nisso, que vai ser melhor. Não só por causa da ideologia, mas por questões de economia. A política de um governo liberal, do governo Flávio Bolsonaro, vai ser bem melhor”, garante.
Fonte da Vida
Bispo Fábio Sousa, uma das lideranças da Igreja Fonte da Vida e deputado federal por Goiás pelo PL, disse que a denominação apoia Flávio Bolsonaro. Segundo as informações apresentadas por ele, a denominação possui cerca de 200 templos em 120 cidades e aproximadamente 150 mil membros.

Para Fábio, a orientação dos fiéis em favor de Flávio no segundo turno seria mais simples. “A orientação no segundo turno é a mais fácil de fazer e o próprio povo segue com prazer. Só falar quem é o Lula e o que ele historicamente defende que eles votam no Flávio”, afirma.
O bispo também projeta uma ampla vantagem de Flávio entre os eleitores evangélicos. “Penso que o Flávio terá de 85% a 90% do voto evangélico no Brasil”, declara.
Espaço aberto
A reportagem entrou em contato com outros líderes religiosos e denominações para ouvir o posicionamento sobre o segundo turno, mas, até o fechamento, não recebeu retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.
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