A diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno não representa, na avaliação do cientista político Antonio Lavareda, uma forte arrancada do candidato do PL. Para o analista, Lula “perdeu para a abstenção” e terá de buscar no segundo turno parte dos eleitores que deixaram de comparecer às urnas. “O Lula perdeu cerca de cinco pontos. Perdeu para quem? Perdeu para a abstenção”, afirmou Lavareda.

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Segundo o cientista político, a liderança de Flávio pode ser interpretada como uma “ilusão de ótica”, já que o candidato teria mantido nas urnas um patamar próximo ao que aparecia nas pesquisas, enquanto Lula perdeu apoio entre o eleitorado que era contabilizado nas projeções. Na avaliação de Lavareda, portanto, o resultado não foi provocado por um crescimento extraordinário do adversário, mas principalmente pelo recuo do petista.

Desafio para o segundo turno

Para Lavareda, o cenário coloca Lula diante de três tarefas principais: recuperar parte dos eleitores que se abstiveram, disputar os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno e avançar até mesmo sobre uma parcela do eleitorado de Flávio Bolsonaro. O cientista político avalia que o candidato do PL parte com vantagem devido à possibilidade de receber votos de eleitores de outras candidaturas de perfil conservador.

Além de reduzir a abstenção, Lavareda afirma que a campanha petista precisará aumentar a rejeição ao adversário e disputar com mais intensidade o discurso de mudança, atualmente associado à oposição. A análise também aponta que a elevada abstenção tende a ser mais prejudicial a Lula porque atinge especialmente segmentos de menor renda e escolaridade, historicamente importantes para sua base eleitoral.

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