Carta de Flávio Bolsonaro é rejeitada por 75% dos políticos eleitos pelo PL
31 outubro 2026 às 13h34

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A maioria dos políticos eleitos pelo PL em 2026 não aderiu à carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro após sua derrota na disputa pela Presidência da República. Levantamento publicado pelo jornal O Globo neste sábado, 31, aponta que 117 dos 155 representantes da legenda eleitos para o Congresso Nacional e governos estaduais, o equivalente a 75% do total, não compartilharam nem manifestaram apoio ao documento. Apenas 38 políticos (25%) divulgaram ou defenderam o conteúdo da carta, que questiona a legitimidade do resultado das urnas.
Resistência dentro do próprio partido
O levantamento considera 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores. A baixa adesão ao documento ocorre em meio à tentativa de dirigentes do PL de conter os questionamentos de Flávio sobre a eleição. Integrantes da legenda avaliam que a insistência na tese de fraude, sem apresentação de provas, pode prejudicar a reorganização da oposição e dificultar futuras articulações políticas no Congresso Nacional.
Entre os parlamentares que manifestaram apoio à carta estão os senadores Magno Malta (ES) e Jorge Seif (SC), além dos deputados Gustavo Gayer (GO), José Medeiros (MT) e Nikolas Ferreira (MG). A deputada Magda Mofatto (GO) também compartilhou o documento e incentivou sua divulgação dentro e fora do Brasil. Gayer, por sua vez, sustentou que o resultado eleitoral seria matematicamente impossível, enquanto Magno Malta levantou suspeitas sobre a votação.
Reconhecimento da vitória de Lula
Outro dado identificado pelo jornal é que 86% dos eleitos pelo PL não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em suas manifestações após o segundo turno. O percentual, entretanto, não significa que todos concordem com as acusações de fraude: o grupo também reúne políticos que preferiram não comentar o resultado ou apenas lamentaram a derrota de Flávio. Entre os integrantes da legenda que reconheceram expressamente a vitória do petista estão o senador Marcio Bittar (AC) e os deputados André Fernandes (CE), Major Vitor Hugo (GO) e Rosangela Moro (PR).
Major Vitor Hugo afirmou que a diferença superior a quatro milhões de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornam difícil qualquer tentativa de reversão. Já André Fernandes declarou que não pretende alimentar discussões sobre fraude ou golpe, embora tenha atribuído a derrota de Flávio à atuação da campanha adversária. O próprio Nikolas Ferreira, que comentou a carta, também reconheceu a dificuldade de anular a eleição: “Conhecendo o nosso país, a chance de anular é praticamente nula, então temos que seguir”.
Cúpula do PL demonstra preocupação
A reação de parte dos integrantes da legenda também contrasta com a postura da direção nacional. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a iniciativa de Flávio e afirmou que o documento não havia sido aprovado pelo partido. A preocupação entre dirigentes é que novas declarações do senador ampliem o desgaste político da sigla e comprometam os esforços para consolidar sua atuação como oposição ao próximo governo.
Após deixar o Brasil e desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, Flávio pretende intensificar contatos com integrantes do governo de Donald Trump. Aliados do senador mencionam a possibilidade de reuniões com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e outros representantes da administração republicana. Enquanto isso, a divisão nas manifestações dos eleitos pelo PL evidencia as dificuldades da legenda para estabelecer uma posição comum diante da derrota eleitoral e dos questionamentos apresentados pelo ex-candidato.
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