Ansioso, Gustavo Mendanha (Patriota) abandonou a Prefeitura de Aparecida no fim de março deste ano para investir em um projeto ambicioso para o qual não estava preparado: Governo de Goiás. Em 2020, ele foi reeleito prefeito com 95,98% dos votos válidos. Apesar do número, isso não o legitimou para vencer as últimas eleições de 2022, mesmo tendo loteado a administração municipal com representantes das mais diversas legendas partidárias. Historicamente, a direita teve mais representatividade em Goiás e com o afã de conquistar o Palácio das Esmeraldas, já na reta final, Mendanha decidiu investir nesse eleitorado e abandonou a esquerda.

Porém, esse intuito não decolou. Embora flertasse com o eleitorado bolsonarista, mas enfrentando resistências de alas mais radicais desse espectro político, no dia 2 de outubro ele foi derrotado pelo atual governador Ronaldo Caiado (União Brasil). No primeiro turno alcançou a marca de 25,33% dos votos válidos. Não satisfeito e tentando sobreviver politicamente, decidiu avançar o apoio à reeleição do presidente Bolsonaro, chegando a ser até um dos coordenadores de campanha em Aparecida. Apesar de Bolsonaro liderar a corrida no Estado, no último domingo, 30, o Brasil conferiu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mais uma vez, Mendanha viu sua articulação política fracassar.

Esvaziado na campanha estadual e nacional, desde o início, ele articulou mal, não soube agregar apoios nem conseguir um partido com estrutura político-eleitoral e financeira para se projetar ao Palácio das Esmeraldas. Mostrou grande amadorismo durante a campanha. Aparentemente deslumbrado, chamava-se de “mito” e se considerava eleito, por antecipação.

Qual será o futuro de Mendanha? É provável que, em 2024, dispute mandato de vereador em Goiânia ou em Aparecida de Goiânia. Se não disputar, ficará sem participação política até 2026 — o que poderá enfraquecê-lo ainda mais.

A derrota de 2022, tendo disputado um cargo muito alto, para o qual não estava preparado, sugere que Mendanha deve recomeçar praticamente do zero, ou seja, como vereador. Mas uma coisa é certa: ele saiu muito menor da disputa eleitoral deste ano. Entrou Mendanha, quis ser Mendanhão e acabou Mendanhinha.