O que realmente pensam os eleitores? Difícil saber. Por isso, as pesquisas quantitativas e qualitativas são necessárias, cruciais. O político que trabalha apenas com opiniões as mais diversas possíveis sem se atentar para informações e dados bem apurados acaba sendo derrotado ou colaborando para seus aliados perderem eleições.

O presidente Lula da Silva, do PT, o ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, parecem políticos meramente intuitivos. Mas não são. Os dois operam com pesquisas que buscam saber o que, num determinado período, os eleitores estão efetivamente pensando. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, segue pelo mesmo caminho: aprecia examinar os dados com o máximo de cuidado.

Pesquisas sérias, como as feitas pelo Opção Pesquisas, Datafolha, Serpes, Grupom e Paraná Pesquisas, sugerem caminhos para os candidatos a prefeito na disputa deste ano. Sublinhando, claro, que levantamentos quantitativos dizem respeito a um momento dado. A história de que os institutos “erram” é contada, em geral, por quem não é do ramo e, por isso, tem preconceito contra a ciência apurada pelos institutos que verificam, num determinado momento, o que os eleitores estão pensando.

No geral — insista-se: no geral —, os eleitores vão mudando de opinião a respeito de um ou mais candidatos durante a campanha, ao observá-los atentamente. Então, aquele resultado apontado por uma pesquisa, num primeiro momento, pode não ser o mesmo das urnas. Por isso, as pesquisas devem ser feitas com constância, e não com prazos muito longos, porque se poderá perceber os movimentos dos eleitores.

Há institutos que manipulam informações? É possível. A Justiça Eleitoral de Goiás, sob a batuta do presidente do TRE, Luiz Cláudio Veiga Braga, tem sido tão competente quanto célere ao vetar a divulgação de determinadas pesquisas, aparentemente manipuladas por institutos que surgem e somem numa velocidade espantosa. São quase fantasmais.

Indecisão política gera indecisão do eleitor

Há livros que explicam como funciona a cabeça dos eleitores e quais são os caminhos mais fáceis para ganhar uma eleição? Há, claro. Mas, mesmo com pesquisas e análises percucientes da ciência política, os eleitores são surpreendentes, o que é mais positivo do que negativo. Quando mudam de opinião rapidamente, depois de examinar os projetos, ideários e os próprios candidatos, os eleitores mostram mais consciência do que inconstância.

Vanderlan Cardoso e Adriana Accorsi | Foto: Reprodução

Mas os eleitores têm seu próprio tempo de pensar em política, de começar a avaliar os candidatos. No momento, não todos, mas muitos eleitores já começam a verificar quais são os pré-candidatos. Já decidiram em quem votar? A maioria talvez não. Até porque, no caso da Prefeitura de Goiânia, nem se sabe direito quem vai disputar. Estão no páreo, por enquanto: Adriana Accorsi, do PT, Fred Rodrigues, do PL, Pantaleão Assis, do Unidade Popular, Rogério Cruz, do Solidariedade, Sandro Mabel, do União Brasil, e Vanderlan Cardoso, do PSD. Mas todos serão candidatos? Não dá para saber.

Comenta-se que Fred Rodrigues pode ser vice de Sandro Mabel, para, em 2026, ser candidato a deputado federal, pois seu parceiro Gustavo Gayer irá disputar mandato de senador. Fala-se também que Vanderlan Cardoso poderá sair do páreo e indicar o vice do postulante do União Brasil. Porém, é preciso considerá-los como pré-candidatos, até porque não se manifestaram informando que não vão postular mandato no dia 6 de outubro deste ano, daqui a três meses e alguns dias.

Ronaldo Caiado e Sandro Mabel: articulando em Goiânia | Foto: Alex Malheiros

Então, se a cabeça dos pré-candidatos ainda parece confusa, o que dizer da cabeça dos eleitores? Mas uma coisa é certa: os eleitores querem ver os candidatos discutindo a cidade, sugerindo não apenas resolver os problemas, como transporte coletivo, atendimento na área de saúde e restauração asfálticas das ruas. Os eleitores querem saber o que, de moderno, os candidatos terão a apresentar. Se mostrarem mais do mesmo, o que os eleitores concluirão é que todos eles são farinha do mesmo saco. E claro que não são.

Os parques de Goiânia são bem avaliados pela população? É provável, dada a frequência acentuada durante a semana e, sobretudo aos sábados e domingos. O que fazer para melhorá-los? É possível criar educação ambiental a partir deles?

É factível transformar todas as escolas públicas da capital em bilíngues? É possível oferecer bolsas para professores fazerem mestrado na USP, na Unicamp ou em Harvard? Maluquice? Talvez, mas escapa ao senso comum, ao trivial. Qual dos pré-candidatos tem um projeto para tornar o trânsito da cidade mais, digamos, humano, sobretudo menos congestionado?

Qual candidato vai propor concurso público entre arquitetos para projetar pontos de ônibus que realmente protejam os usuários do sol e da chuva? Dignidade, eis a palavra.

A cabeça do eleitor  e prefeitos gestores

Voltando aos livros. “A Cabeça do Eleitor — Estratégia de Campanha, Pesquisa e Vitória Eleitoral” e “A Cabeça do Brasileiro”,  de Alberto Carlos Almeida, talvez tenham o defeito do esquematismo, de uma pressa conclusiva. Mas são úteis para entender como, em geral, os eleitores decidem votar.

A pesquisa de Alberto Carlos Almeida não é profunda — não é um “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, e “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro. Mas resulta do trabalho de um pesquisador sério e atento às filigranas do mundo eleitoral. Ele tem um conhecimento amplo de como pensa os eleitores brasileiros, ainda que não esteja preocupado, como os autores citados, de propor uma grande interpretação do Brasil.

Recentemente, saiu outro livro, de autoria de Luciano Suassuna e Wilson Pedroso Jr., “Vencer a Eleição — Como Construir uma Campanha Competitiva, do Planejamento à Vitória”.

Alberto Carlos Almeida afirma que um prefeito bem avaliado pela população tende a ser eleito ou a fazer o seu sucessor. O cientista político tem razão. Os prefeitos de Rio Verde, Paulo do Vale, de Luziânia, Diego Sorgatto, de Águas Lindas de Goiás, Lucas Antonietti, os três do União Brasil, e de Mineiros, Aleomar Rezende, do MDB, estão muito bem avaliados.

Paulo do Vale não pode ser candidato, pois foi reeleito em 2020, mas seu pré-candidato, Wellington Carrijo, do MDB, aparece bem avaliado e tem chance de derrotar os pré-candidatos Lissauer Vieira, do PL, e Osvaldo Fonseca Jr., do Republicanos.

Fred Rodrigues: pré-candidato do PL em Goiânia | Foto: Leoiran/Jornal Opção

Não se está dizendo que Wellington Carrijo já está eleito, porque seria ingenuidade — ninguém ganha eleição por antecipação. Mas, pré-candidato apoiado por um prefeito que tem a aprovação de mais de 90% da população, o jovem médico é um dos favoritos, com chances imensas de ser eleito.

Wellington Carrijo nunca disputou eleição, mas, logo depois de ser lançado como pré-candidato, já aparece entre os favoritos, competindo de igual para igual com o experiente Lissauer Vieira e com o relativamente experiente Osvaldo Júnior. É possível sugerir que só um terremoto pode retirar a vitória do médico? Não. Mas ele desponta como franco favorito.

Aos 33 anos, Diego Vaz Sorgatto é um gestor revelação. Antes de ser prefeito de Luziânia, era deputado estadual, o que lhe conferiu experiência política. Mas administrar uma cidade é outra coisa. Trata-se de uma dupla aprendizagem: administrativa e existencial. Qualquer político que tenha sido prefeito, se tiver alguma sensibilidade, aprende a lidar com as pessoas, a compreender seus defeitos e virtudes.

Diego Sorgatto começou radicalizado, se é o termo correto, com atritos na sua base, mas, aos poucos, conseguiu recompô-la — não com todos, porque isto é impossível em política (e até na vida pessoal). Ele fortaleceu sua base, ampliou-a, ganhando musculatura e a simpatia da população. Mas seu segredo, se segredo é, foi ter se tornado um gestor competente. Por isso é apontado como favorito à reeleição.

Aleomar Rezende, considerado um gestor de primeira linha, pode ser até mesmo candidato único. Porém, mesmo que surjam outros candidatos, a tendência é que seja reeleito. Porque é bem avaliado como gestor.

O mesmo ocorre com Lucas Antonietti, que, num primeiro momento, não parecia animado com a reeleição. Aos 43 anos, o médico, acolhendo os rogos da população, decidiu manter seu nome no jogo. E é tido como favorito. O que o consagrou? Discursos bonitos e pomposos? Nada disso. Uma administração eficiente.

Jovem não sabe nomes de pré-candidatos em Goiânia

Nasr Chaul, Jales Guedes Mendonça e Vilmar Rocha, na sede do TRE | Foto: Euler de França Belém

Na semana passada, um repórter do Jornal Opção, depois de ter conversado com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral-Goiás, Luiz Cláudio Veiga Braga — um magistrado culto, centrado e sensato —, tomou um café com o ex-deputado federal Vilmar Rocha, no Goiânia Shopping.

Durante o café, tomado com croissants e pão de queijo, e, em seguida, numa ótica, o repórter e o político conversaram com oito jovens e fizeram duas perguntas: 1 — Quais são os candidatos a prefeito de Goiânia? e 2 — Quem é o prefeito de Goiânia?

Nenhum dos jovens, na faixa de 18 a 25 anos, sabe quais são os pré-candidatos a prefeito. E só uma “sabia” o nome do prefeito: “É o Iris Rezende, não é?”

Todos disseram que não têm interesse pela política. Um dos jovens diz que planeja fazer um curso de gastronomia e, formado, mudar-se para Paris. Na Chilli Beans, um jovem admitiu que “política é importante”, mas seus interesses são outros, como “trabalhar, estudar e viver”.

A “falha” é dos garotos? Em parte, sim. Porque política é decisiva para a vida de todos — para melhorá-la ou piorá-la. Mas parece que ao menos parte dos políticos não está motivando as pessoas, sobretudo os jovens.

Porém, quando o nome do governador Ronaldo Caiado foi mencionado, todos disseram conhecê-lo. E todos enfatizaram que o gestor estadual melhorou a segurança pública.

Há, pois, sintonia entre os jovens e Ronaldo Caiado. Na Livraria Leitura, um estudante disse que frequenta um bar no Centro de Goiânia, Casa Liberté, e se sente seguro. “Antes, eu tinha receio de andar nas ruas do Centro, à noite. Agora, sinto-me tranquilo, seguro, confortável”, relatou.