Eleições abrem e fecham ciclos políticos. A reeleição do governador Ronaldo Caiado, do União Brasil, fecha um ciclo e abre outro. Como não poderá disputar eleição para governador em 2026 — e o futuro chega mais rápido do que se pensa —, o quadro, daqui a quatro anos, está inteiramente aberto para políticos que se colocarem a partir de agora.

Ronaldo Caiado

Quanto ao próprio Ronaldo Caiado, há dois caminhos eleitorais. Primeiro, disputar a Presidência da República, em 2026. Considerando que Jair Bolsonaro saiu fragilizado, portanto menor, o espaço para um candidato da direita ou centro-direita — um político moderado e civilizado — está aberto. Portanto, há mesmo espaço para Ronaldo Caiado ser candidato, e atraindo tanto o eleitorado de direita quanto o de centro. Se Bolsonaro é um administrador que não administra — a rigor, o presidente foi Paulo Guedes, o ministro da Economia —, Ronaldo Caiado é um gestor eficiente, e também um político experimentado, capaz de agregar correntes políticas de matizes ideológicos diversificados.

Segundo, em 2026, estarão em jogo duas vagas para senador — hoje ocupadas por Jorge Kajuru, do Podemos, e Vanderlan Cardoso, do PSD. Se não for candidato a presidente, a tendência é que Ronaldo Caiado dispute uma delas, com amplas chances de ser eleito.

Daniel Vilela

Daniel Vilela: vice-governador eleito de Goiás | Foto: Reprodução

Vice-governador eleito em 2022, Daniel Vilela tende a assumir a gestão do Estado em abril de 2026, o que o levará, certamente, a disputar o governo de Goiás. Será um candidato forte por dois motivos. Primeiro, porque será o postulante de uma aliança poderosa, que agrega do MDB, seu partido, ao União Brasil, partido de Ronaldo Caiado. Segundo, por ser jovem — terá 43 anos em 2026 —, será visto, possivelmente, como um elemento da renovação na continuidade. Ele pode representar a revitalização do ciclo de Ronaldo Caiado. Ou o início de um novo ciclo.

Mas o que terá de fazer Daniel Vilela para não se “apagar” nos próximos quatro anos? Decisivo é que não se pode tornar um vice anódino, desses que vivem nas sombras, como Lincoln Tejota (jovem de valor, mas que, como vice, “apagou-se”). O emedebista terá de ser um vice presente, mais protagonista do que coadjuvante. Por ser uma raposa política, Ronaldo Caiado sabe que a renovação de seu grupo — sua permanência no poder — dependerá, em larga escala, da valorização de seu vice.

É crucial entender que o governo é de Ronaldo Caiado, pelo menos nos próximos três anos, mas é essencial admitir que manter Daniel Vilela em alta é torná-lo forte para a disputa eleitoral daqui a quatro anos. Não se deve deixar para divulgá-lo como alternativa viável tão-somente em 2026.

Aqueles da base governista que, desde já, não querem apoiar Daniel Vilela, porque o percebem como concorrente, precisam entender duas coisas. Primeiro, o óbvio: se assumir o governo, em 2026, se tornará candidato natural a governador. Segundo, se for eleito, não poderá disputar a reeleição em 2030, ou seja, sua vitória abre o ciclo político para todos, e sobretudo para os aliados que lhe forem leais em 2026.

Adriana Accorsi

Adriana Accorsi: deputada federal eleita | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Deputada federal eleita, a mais votada do PT em Goiás, Adriana Accorsi afirmou, numa entrevista ao Jornal Opção, que não será candidata a prefeita de Goiânia, em 2024. É provável que não dispute. Porém, se pressionada pelo partido, pode voltar ao jogo, sobretudo porque é o maior nome do petismo em Goiás (ao lado de Rubens Otoni) e em Goiânia.

O PT local e nacional parece ter um projeto novo para Adriana Accorsi. A tendência é que a deputada dispute mandato de governadora em 2026. Poderia compor com Daniel Vilela? Seria possível uma chapa com Daniel Vilela para governador, Adriana Accorsi na vice e Ronaldo Caiado para senador? Muito difícil, mas não impossível.

O mais previsível é uma chapa de centro-esquerda com Adriana Accorsi como candidatura a governadora. Mas uma candidatura majoritária dependerá sobretudo de um fato nacional: Lula da Silva, o presidente da República, precisará fazer um grande governo, que agrade gregos, romanos e goianos. Se for mal, prejudica a petista em Goiás.

Vanderlan Cardoso

Vanderlan Cardoso: senador pelo PSD | Foto: Reprodução

O senador não teme disputar eleições. Há quem postule que pode bancar sua mulher, Izaura Cardoso (PL) — suplente do senador eleito Wilder Morais (PL) —, para prefeita de Goiânia. Quem o conhece bem sugere que, na verdade, planeja disputar a prefeitura da capital. O membro do PSD (a caminho de outro partido, possivelmente o PL) está de olho em duas questões. Primeiro, acredita que, se for candidato, pode ser eleito prefeito. Uma pesquisa mostra que, no momento, os eleitores “clamam” por um “novo” Iris Rezende para gerir a cidade. Segundo, se for derrotado, terá colocado seu nome, sobretudo o terá mantido na mídia, e isto o tornará mais lembrado para a disputa de 2026.

Vanderlan Cardoso pode disputar o governo de Goiás ou a reeleição para senador, em 2026. É um candidato forte, porque, com o orçamento secreto, atendeu bem dezenas de municípios. Ressalve-se que, para o Executivo, tem a imagem de “perdedor” — nunca foi eleito para a Prefeitura de Goiânia e para o governo do Estado.

Ana Paula Rezende

Iris Rezende e Ana Paula Rezende: a empresária tem de sair do “muro” | Foto: Instagram

A empresária Ana Paula Rezende (MDB), filha de Iris Rezende, é cotada para a disputa da Prefeitura de Goiânia, em 2024. Uma pesquisa sugere que, ante o clamor por um “novo” Iris, a jovem executiva tem chance de ser eleita, ou pelo menos de concorrer bem. Ao mesmo tempo, não é muito conhecida. É mais lembrada quando se menciona que é filha do ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia.

Há um problema que é decisivo: Ana Paula Rezende não demonstra ter qualquer apetite pela política, ou seja, para manter o legado do pai. Se não tem vontade, se não articula, dificilmente será candidata a prefeita de uma cidade tão relevante quanto Goiânia, com mais de 1 milhão de eleitores e uma arrecadação fabulosa.

Se for candidata a prefeita, Ana Paula Rezende terá o apoio de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. Sua candidatura, se efetivada, mudará toda a configuração da disputa na capital. Porém, insistindo, poucos políticos acreditam que será candidata.

Como Ana Paula Rezende não é Iris Rezende, que agregava uma frente ampla de cara, se quiser mesmo ser candidata, tem de começar a colocar seu nome no processo já em 2023. A eleição será disputada daqui a um ano e nove meses. Parece muito tempo, mas, em termos políticos, não é. Como é pouca conhecida, teria de pôr seu nome em evidência. Se aparecer em cima da hora, poderá ser atropelada por políticos como Vanderlan Cardoso e o prefeito Rogério Cruz, do Republicanos. Se apenas sugerir que poderá ser candidata, de imediato, muitos sairão do páreo, às vezes para apoiá-lo ou então por receio de enfrentá-la, porque sabem que a jovem terá o apoio de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.

Wilder Morais

Wilder Morais: senador eleito por Goiás | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O senador eleito Wilder Morais, filho de taxista, estudou engenharia com extrema dificuldade e se tornou um empresário multimilionário — dono de construtora e shoppings. Na disputa de 2022, atropelou o ex-governador Marconi Perillo, o ex-ministro Alexandre Baldy e os deputados federais Delegado Waldir Soares e João Campos. Não é pouca coisa.

Wilder Morais surfou na onda bolsonarista e, por isso, foi eleito, e também gastou muito dinheiro para conquistar apoio político-eleitoral (há até quem queira cassá-lo).

Mas o que quer Wilder Morais? Há dois caminhos, pelo menos, para o senador eleito. Primeiro, disputar a Prefeitura de Goiânia em 2024, e, de cara, entrará para a comissão de frente, como um dos favoritos, ao lado de Ana Paula Rezende, Vanderlan Cardoso e Rogério Cruz (a força da máquina não pode ser desprezada). Segundo, pode não disputar a prefeitura e hipotecar apoio a Vanderlan Cardoso (ou a Izaura Cardoso) em troca de seu apoio para o governo do Estado em 2026.

A força política de Wilder Morais dependerá, em larga escala, da força político-eleitoral do bolsonarismo. Se o grupo de Bolsonaro ficar forte “puxa” o senador eleito para cima; se ficar fraco, “puxa” para baixo. Frise-se que, numa eleição para o governo do Estado, dinheiro importa, mas não decide tudo. O líder do PL precisa ficar atento a isto.

Marconi Perillo

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Marconi Perillo: ex-governador de Goiás pelo PSDB | Foto: Divulgação

Políticos experimentados sugerem que o ex-governador Marconi Perillo está, politicamente, “morto”. A derrota de 2022 sugere mesmo isto? A rigor, não. Porque, apesar da onda bolsonarista, que “puxou” Wilder Morais, o tucano ficou em segundo lugar.

Wilder Morais obteve 799.022 votos (25,25%) e Marconi Perillo conquistou 626.662 votos (19,80%). A diferença entre os dois foi de 172.360 votos, ou seja, de 5,45 pontos percentuais. A rigor, muito pouco. A vitória do postulante do PL e a derrota do candidato do PSDB “escondem” informações cruciais. Uma delas:  o tucano perdeu, mas mostrou relativa força, quer dizer, continua no jogo.

O que o futuro tem a dizer sobre Marconi Perillo? Não se sabe. Porque o futuro é quase insondável. “Quase”. Ele deveria ficar os próximos quatro anos, não num claustro, em silêncio, mas afastado de novas disputas. É provável que, em 2026, sua imagem estará menos desgastada. Neste ano, no lugar de apostar numa eleição majoritária, deveria disputar mandato de deputado federal, com o objetivo de se recolocar na vida política, de se tornar mais presente nos debates. Se disputar mandato de prefeito em 2024, em Goiânia ou Anápolis, e perder, aí, sim, sua imagem será tremendamente corroída.  Em 2030, daqui a oito anos, o político terá 67 anos, e, se tiver sido eleito deputado em 2026, poderá se apresentar, mais uma vez, para o governo.

Gustavo Mendanha

Gustavo Mendanha
Gustavo Mendanha: salto maior do que as pernas em 2022 | Foto: Prefeitura de Aparecida de Goiânia

Parece óbvio que, mal aconselhado, Gustavo Mendanha deu um salto maior do que as pernas na disputa eleitoral de 2022. Ele não era páreo para disputar o governo do Estado contra um político altamente profissional (na linhagem do que afirma Max Weber) como Ronaldo Caiado.

Na campanha, Mendanha não apresentou um discurso convincente e parecia uma criança brincando de fazer política, ou seja, dava a impressão de que estava participando de um cozinhadinho de meninos.

Se tivesse disputado mandato de deputado federal, Mendanha teria sido eleito com facilidade, e possivelmente só com os votos de Aparecida de Goiânia, onde sua imagem é positiva.

Qual o futuro de Mendanha? É provável que nem ele saiba. Porém, se disputar mandato de vereador em Aparecida ou em Goiânia, estará se apequenando. O integrante do Patriota (que estaria pensando em trocá-lo pelo Republicanos) deveria se preservar para a eleição de 2026, quando, se pensar com inteligência, deveria disputar mandato de deputado. Se eleito, estaria se colocando para a disputa do governo em 2030. A experiência da Câmara dos Deputados, onde se convive com políticos de todo o país, às vezes supera à de prefeito numa cidade do interior. O Congresso é uma universidade de política. Lá se formaram (e se formam) mestres e doutores da política, como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Marco Maciel, Henrique Santillo. Observe o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (pP), dando um banho na turma do presidente eleito Lula da Silva. Se o encantoarem, ele se tornará o Eduardo Cunha 2 e dará trabalho para o governo do petista-chefe. E há uma direita explosiva espreitando… de olho numa crise para criar confusão para o novo governante.

Alexandre Baldy e Roberto Naves

Prefeito Roberto Naves e ex-ministro Alexandre Baldy | Foto: reprodução

O ex-ministro Alexandre Baldy ficou menor por ter disputado o Senado e não ter sido eleito, ficando em quarto lugar, atrás de Wilder Morais, Marconi Perillo e Delegado Waldir?  Na verdade, não. O presidente do Progressistas obteve 406.379 votos. O quinto colocado, João Campos, do Republicanos, ficou com 350.222 votos.

Na política é preciso se colocar, para perder ou para ganhar. Alexandre Baldy se colocou e seu nome certamente será mais lembrado. O que disputará entre 2024 e 2026? Uma ideia seria formatar uma aliança dupla: em Goiânia e em Anápolis, pensando no futuro imediato.

Em Goiânia, Alexandre Baldy poderia ser candidato a prefeito, com o apoio do MDB, que poderia lançar o vice. Em Anápolis, o MDB poderia lançar o candidato a prefeito, Márcio Corrêa, e o pP bancaria o vice. Os dois grupos se fortaleceriam. Brigas e picuinhas devem ser deixadas de lado em prol de um projeto político mais amplo e, quem sabe, vitorioso.

O prefeito de Anápolis, Roberto Naves, é um dínamo, uma força da natureza. Se se tornar mais agregador, deixando de lado a política de “atropelar” a qualquer custo — tem de mirar no exemplo negativo de Marconi Perillo —, poderá se tornar um político maior do que já é. Em 2024, se fizer uma aliança com Márcio Corrêa, do MDB, apoiando-o para prefeito, e indicando o vice, estará dando uma prova de maturidade e descortino político. Se Márcio Corrêa fizer o mesmo, transformando o adversário de hoje no aliado de amanhã, poderá começar 2025 como prefeito do município. Porém, se continuarem isolados, poderão assistir, de camarote, uma possível vitória de Antônio Gomide (PT) para prefeito.

O pP poderá se aliar a Antônio Gomide em Anápolis? Não é impossível. O petista é um realista e, certamente, seguirá o modelo de Lula da Silva para se eleger presidente da República e, agora, para governar o país. Noutras palavras, só ganha eleição majoritária quem agrega forças, às vezes díspares ideologicamente. O fato é que o petista está no jogo para a disputa da prefeitura, e como postulante consistente. É um player da disputa de 2024. Assim como Márcio Corrêa é outro player, desde que entenda que não se ganha eleição sozinho.

Silvye Alves: player política para 2024? É possível | Foto: Facebook

Há outros políticos a respeito dos quais é preciso ficar de olho: eles são, possivelmente, o futuro da política de Goiás, ao lado dos citados acima: Bia de Lima (PT), Bruno Peixoto (União Brasil, deve ser eleito presidente da Assembleia Legislativa), Delegado Waldir Soares (União Brasil), Diego Sorgatto (União Brasil), Edward Madureira (PT, cotado para disputar a Prefeitura de Goiânia), Fernando Pelozo (prefeito de Senador Canedo), Flávia Morais (PDT), Gustavo Gayer (PL), Ismael Alexandrino (PSD), Issy Quinan, Jânio Darrot, Jorge Kajuru (Podemos), Lincoln Tejota (União Brasil), Lucas Antonietti (Podemos, prefeito de Águas Lindas), Lucas Calil (MDB, cotado para disputar a Prefeitura de Inhumas), Lucas do Vale (MDB), Marden Júnior (prefeito de Trindade), Marussa Boldrin (MDB), Pábio Mossoró (MDB), Pedro Sales (União Brasil), Rogério Cruz (prefeito de Goiânia, do Republicanos; convém não subestimá-lo, pois é diplomático e agregador, e tem o controle de uma máquina poderosa, da qual está assenhorando-se), Romário Policarpo (Patriota), Rubens Otoni (PT), Silvye Alves (União Brasil, é cotada para a disputa da Prefeitura de Goiânia; uma pesquisa mostra a deputada federal eleita muito bem avaliada, mas eleição majoritária é diferente de eleição proporcional), Virmondes Cruvinel (União Brasil) e, entre outros, Zacharias Calil (União Brasil).