Pedir o impeachment de Caiado é o que se pode chamar de uma ideia fora do lugar

Tese do “Fora Caiado!”, sem motivos e razoabilidade, é coisa de aloprados. Estaria parte da oposição concluindo, desde já, que vai perder de novo em 2022?

Pode-se estar em sintonia com as ruas sem ser populista? O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, revela que sim. O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) certamente o enquadraria entre os políticos que entendem, na prática, do que se trata a ética da responsabilidade.

Ronaldo Caiado assumiu o governo de Goiás há um ano e cinco meses — o que alguns de seus críticos não ressaltam. A situação do Estado não era das melhores, continua não sendo excelente, mas está melhorando, aos poucos. Frise-se que com escasso apoio do governo federal — que promete muito e cumpre pouco, inclusive àqueles gestores que fizeram a lição de casa, quer dizer, um profundo ajuste nos gastos da máquina pública. Num momento de crise, derivada em parte de equívocos do governo anterior e também de uma crise nacional — as economias dos Estados são integradas e o que atingir um Estado acaba por afetar os outros—, o governo goiano mantém a situação em ordem. Não há nenhum caos em Goiás. Os funcionários e fornecedores estão recebendo e as obras continuam, ao mesmo tempo que novas empresas são atraídas.

Fica-se com a impressão de que o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, se preocupa com a economia — com a possibilidade de que uma recessão contribua para uma possível derrota eleitoral em 2022 —, mas não com a vida das pessoas. Neste sentido, embora ele seja de direita, seu pensamento não difere de políticos comunistas como Ióssif Stálin e Mao Tsé-tung. Ideologicamente são opostos, mas, em termos de insensibilidade, se parecem (a vantagem para o brasileiro é que, diferentemente do georgiano e do chinês, não matou ninguém). Ronaldo Caiado demonstra, sem alarde — não tem o hábito de usar os meios de comunicação para se vangloriar —, que é possível combater a pandemia e cuidar da economia. Porque sabe que não há como dissociá-las, ainda que a prioridade, para ele, que é médico, seja salvar vidas. Apontemos, primeiro, a questão da pandemia.

Governador Ronaldo Caiado revela-se, no poder, um autêntico estadista| Foto: Reprodução

Quando surgiu a notícia do novo coronavírus, e ainda não era uma pandemia — embora tenha se tornado uma rapidamente, dada a ampla circulação de pessoas por todo o mundo —, Ronaldo Caiado, mostrando-se responsável, ouviu atentamente o que os principais especialistas locais e mundiais estavam dizendo. Homem de ciência, é ortopedista, com especialização na França — nação de Louis Pasteur, um dos criadores do Instituto Pasteur, onde se especializou o brasileiro Osvaldo Cruz —, o governador, agindo rápido, organizou um sistema eficiente de quarentena. O resultado pode ser visto: a situação de Goiás, mesmo em um momento de contaminação praticamente generalizada, ainda é das melhores. Há menos pessoas contaminadas e menos mortes. Ele cumpriu o seu dever de estadista, tanto no sentido de orientar quanto de guiar a sociedade que representa rumo a um destino mais seguro.

Entretanto, se parte da sociedade pressiona para reduzir a quarentena, Ronaldo Caiado decide ouvi-la. Será mais difícil combater a força do coronavírus, o impacto da Covid-19, mas, pensando na economia, há quem defenda que não se deve adotar um isolamento mais rigoroso, fechando determinados comércios. Não se deve dizer, de maneira peremptória, que aqueles que defendem uma maior “abertura” são cruéis. No fundo, temem uma “quebradeira” da economia — que, aliás, já atinge micro e pequenos empresários em praticamente todos os Estados — que, dependendo de como se dará, será incontornável. Observe-se que os bancos, com receio de calote, não estão emprestando dinheiro para os pequenos empresários — que chegam a chorar ao serem entrevistados por emissoras de televisão país afora.

Por ouvir a sociedade — prefeitos, por exemplo —, como agente político democrático, Ronaldo Caiado não impôs um decreto mais rigoroso sobre o mercado. Manteve-se em sintonia com a sociedade. Mas, como médico — e muito bem informado, porque um de seus hábitos é estudar a fundo o que vai discutir e colocar em prática —, sabe que o melhor caminho é uma quarentena mais rigorosa. Porque preservará mais vidas. Porém, como homem público, tem de ouvir a sociedade e acatar parte do que pensa e quer.

Por mais que se crie determinadas barreiras, não há como impedir o trânsito de indivíduos de Estado para Estado. Por isso, longe de só ter se preocupado com a quarentena, Ronaldo Caiado trabalhou para reorganizar o sistema de saúde dos municípios goianos. Veja-se um exemplo: Porangatu, município polo do Norte goiano (cortado pela BR-153, uma das rodovias de maior tráfego do país), ganhou um hospital de campanha com ampla estrutura — inclusive 20 UTIs. Não havia UTIs na cidade (sublinhe-se que os tucanos ficaram 20 anos no poder). O governador está atento às agruras dos indivíduos, acompanhando de perto, participando diretamente da montagem de uma rede de proteção aos pacientes. Ao contrário de outros administradores, é um gestor presente. Portando sua máscara, para se proteger e dar o exemplo, acompanha de perto tudo o que o governo está fazendo.

Há quem tenha politizado a crise da saúde pública, como o presidente Jair Bolsonaro, soldado invernal da Guerra Fria — um político que vive mais no passado do que no presente, mas sempre pensando na eleição de 2022, desconsiderando que ainda tem dois anos e sete meses para governar o país —, e até alguns governadores. Ronaldo Caiado, pelo contrário — insista-se, até por ser médico e processar as informações sobre coronavírus de maneira mais ampla —, não fez política primária. Agiu e está agindo como um homem público da estirpe dos presidentes Juscelino Kubitschek e Franklin Delano Roosevelt. Faz o que é certo, embora isto nem sempre agrade algumas e até muitas pessoas. Frise-se que, para ele, as vidas estão acima dos possíveis ganhos político-eleitorais.

Lição do gestor Caiado: é possível preservar vidas e pensar na

economia. Não se pode é ter um olhar só para uma variante

Enquanto combate a pandemia, protegendo as pessoas e cuidando dos doentes, Ronaldo Caiado não descuida em nenhum momento da crise econômica. Por ter uma visão global dos fatos da sociedade, o governador sabe que o país atravessará uma crise recessiva de proporções ainda não imagináveis — mas já é certo que a economia do país não vai crescer em 2020 —, mas, no lugar de se comportar de maneira lamentosa, colocou sua equipe para adotar uma forte política de atração de novos negócios. O objetivo é, além de garantir mais dividendos para o Estado, cuja arrecadação tende a cair, gerar empregos. Porque o desemprego vai crescer em todo o país e Goiás, por não ser uma ilha, também será atingido. A diferença é que, se outros fazem discursos, às vezes tentando tirar proveito da crise globalizada, o gestor goiano está preocupado com a geração de novos empregos.

As novas empresas que vão se instalar em Goiás anunciam um investimento de 1 bilhão de reais — repita-se: investimento em plena crise, o que revela a credibilidade do governo de Goiás, de Ronaldo Caiado — e tendem a gerar cerca de 10 mil empregos. Será um investimento descentralizado, pois ocorrerá em 18 municípios, e acabará, dada sua extensão, beneficiando várias outras cidades, e, a rigor, todo o Estado, dada a possibilidade de ampliação do crescimento econômico.

Frise-se que já há investimentos instalados e negócios em expansão. Goiás continua crescendo, apesar da recessão. É uma das lições de Ronaldo Caiado tanto para Bolsonaro quanto para outros governadores: é possível preservar vidas, com a quarentena, e, ao mesmo tempo, pensar na economia. O que não se pode é ter um olhar só para uma variante.

Além do combate certeiro à pandemia e da atração de empresas, para gerar renda e empregos, há um terceiro aspecto a apontar sobre Ronaldo Caiado. Pesquisas mostram que seu capital político deriva, em larga medida, do fato de ser um gestor honesto, do tipo que não rouba e não deixa roubar, e comandar um governo transparente. Não há governos sem irregularidades, mas há governantes que verificam e punem aqueles que as cometeram. O gestor goiano exige lisura e dá o exemplo — seu nome, assim como sua história, é limpo. Irretocável. A sociedade aprecia isto. Seus críticos devem ficar atentos àquilo que realmente pensa a opinião pública. O Jornal Opção teve acesso a uma série de pesquisas e todas apontam que o governo de Ronaldo Caiado é muito bem avaliado. Nem precisa usar o “regular” para aumentar sua popularidade — entre ótimo e bom quase sempre supera a marca de 50% e às vezes passa de 60%. Um exemplo é Guapó. Nesta cidade, nas proximidades de Goiânia e administrada por um prefeito do PSDB, o governo de Ronaldo Caiado é aprovado, entre ótimo e bom, por 62,9% da população. Em Rio Verde, entre ótimo (13,4%) e bom (45,7%), a aprovação do governo chega a ser 59,1%. O levantamento é do instituto EPP Pesquisa e confirmam as pesquisas de outros institutos. Os dados de outras cidades são semelhantes.

Oposição já pensa em 2022, mas o fato é que chegará melhor no

futuro quem fizer um trabalho sério e responsável no presente

Parte da oposição — sim, porque também há uma oposição responsável, que sempre pensa nas pessoas — parecia acreditar que, dadas a pandemia do coronavírus e a crise econômica, o governo de Ronaldo Caiado sairia chamuscado. Não soube perceber que o gestor eficiente e humanista, longe de ter a imagem desgastada, caiu ainda mais nas graças da sociedade. Nas redes sociais, espécie de purgatório permanente, até parte da esquerda aplaudiu as medidas de quarentena propostas e executadas pelo governador.

A oposição tem, mais do que o direito, o dever de criticar equívocos e desvios de quaisquer governos. Pode ser dura e determinada. Porque uma oposição inteligente e propositiva acaba também, indiretamente, por governar, por ser uma peça auxiliar do avanço político e administrativo. Pelo seu caráter perceptivo — não aprecia bajuladores, aqueles que, ao elogiar, querem esconder a realidade —, Ronaldo Caiado sabe que um reparo preciso, de caráter técnico, contribuirá para melhorar seu governo. Então, de alguma maneira, a oposição o ajuda e pode ajudá-lo muito mais. Aliás, ajudar Goiás, os goianos.

A oposição tem o direito inclusive de pensar em 2022. É típico da política brasileira antecipar o processo eleitoral, no momento acoplando a disputa de 2020, para vereador e prefeito, à de 2022, daqui a dois anos e sete meses, para presidente, governador, senador e deputado. Não dá para dizer aos políticos que têm de pensar só no presente. Porque é chover no molhado. Mas o fato é que que chegará melhor no futuro quem fizer um trabalho sério e responsável no presente.

Porém, o que dizer de uma oposição que, sem motivos razoáveis, prega o impeachment do governador Ronaldo Caiado? Dizer “fora Ronaldo Caiado!” agora, embora alguns tucanos não percebam, equivale às diatribes dos aloprados de Brasília que, ao se encontrarem com o presidente Jair Bolsonaro, pedem “golpe” de Estado, “volta da ditadura” e “fechamento” do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. São, numa sociedade democrática, ideias fora do lugar. A tendência é que a sociedade — que cada vez mais sabe das coisas — tende a considerar a ideia do “fora Caiado!” como uma coisa ridícula, produto mais do desespero dos que parecem acreditar que, em 2022, o governador será reeleito e, por isso, é preciso começar a “desgastá-lo” agora. Talvez não saibam que a crítica equivocada acaba por servir de alimento para fortalecer os políticos criticados. O “Fora Caiado!” pode acabar resultando em “Dentro Caiado!”

Falta o mínimo de racionalidade aos que propugnam pelo “Fora Caiado!” O que mais impressiona é a falta de lógica da ideia, que, no fundo, é uma não-ideia. Não há a mínima condição objetiva para um impeachment. Será que parte da oposição, quiçá em desespero, está com medo de perder para Ronaldo Caiado em 2022 — daí o clamor por “tapetão já”? Criticar significa, acima de tudo, entender. Mas o que se depreende é que o Ronaldo Caiado que parte da oposição está criticando não existe, é produto de sua imaginação infértil.

O que se está cobrando, neste Editorial, não é menos oposição, mas sim uma oposição qualitativa e racional. Para o bem de Goiás, dos goianos e de uma política mais sensata, inteligente e produtiva.

O presidente americano Franklin Delano Roosevelt, falecido em 1945 (depois de ter contribuído para derrotar a Alemanha nazista, gerida por Adolf Hitler), disse certa vez: “A única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo”. Ronaldo Caiado é um homem de coragem, de rara firmeza. Como dissemos acima, Max Weber o aprovaria como um homem público diferente e decente.

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