Iris economizou entre 2017 e 2018 para gastar em 2019 e 2020 e deixar rombo para o sucessor?

Sem conexão com a Goiânia moderna, Iris Rezende repete métodos antiquados para continuar no poder

Iris Rezende, prefeito de Goiânia, se encaixaria, com precisão, num filme do tipo “De Volta Para o Passado” | Foto: Livia Barbosa/Jornal Opção

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, do MDB, tem uma longa história na política. Uma história positiva. Porque um político, como uma pessoa comum, tem de ser avaliado pela média. Avaliar seres humanos, mandatários ou não, pelos extremos não é a maneira adequada para compreendê-los e explicá-los (só ditadores, por natureza extremistas, devem ser avaliados de maneira absoluta, sem meios-termos). O veterano de 85 anos foi governador de Goiás por duas vezes e se elegeu prefeito quatro vezes — isto para mencionar só cargos executivos. O seu currículo é extenso e há realizações que devem ser comemoradas pela sociedade.

No momento, assiste-se, nas ruas, o “julgamento” do gestor Iris Rezende e, aparentemente, ele não se importa com o que a sociedade diz. O que se fala é que Goiânia está abandonada, suja e cheia de buracos. O que se fala é que a saúde pública está na UTI. O que se fala é que a educação não é prioridade do emedebista. O que se fala é que grupos da construção civil “privatizaram” o Paço Municipal e fazem o que querem, como se fossem chefes do prefeito. O que se fala é que o carismático político não está sintonizado com os novos tempos e, daí, não tem conexão com a sociedade moderna. O que se fala é que não administra a cidade, que estaria sob o comando desarticulado de um piloto automático. O que se fala é que o alcaide não se interessa pela modernização tecnológica da cidade e que não ouve os auxiliares modernos e criativos. O que se fala é que, para acompanhá-lo e manter os empregos, os assessores têm de manter a cabeça vinculada à década de 1960 — cultivando mais a nostalgia do que o presente. O que se fala é que Iris Rezende não é mais Iris Rezende.

Na verdade, Iris Rezende continua sendo Iris Rezende, quer dizer, repete todos os demais políticos tradicionais de Goiás e dos outros Estados do país. Sua gestão é arcaica por vários motivos, mas vai se destacar apenas alguns aspectos.

Imagem negativa e rombo para o sucessor

Aderindo à tradição, Iris Rezende manteve a cidade parada nos dois primeiros anos de sua gestão, alegando que não havia dinheiro para investimentos. A população chegou a divulgar placa, na internet, com os seguintes dizeres: “Goiânia: Silêncio — prefeito dormindo”. Blague à parte, o fato é que, entre 2017 e 2018, a capital de Goiás, com seus 1,4 milhão de habitantes, praticamente ficou abandonada (aliás, ainda está). O prefeito preocupou-se em pagar salários dos funcionários públicos e passar um “batom” nas ruas, como pintar meio-fio, às vezes cortar grama, arrancar ervas daninhas e podar árvores em alguns bairros, notadamente os de classe média — onde residem presumivelmente os eleitores mais críticos.

Auxiliares de Iris Rezende sugerem que o prefeito estava “organizando” as contas da prefeitura e fazendo caixa para investir entre 2019 e 2020. Na visão do irismo, se o governo ajustar a máquina e fizer obras nos últimos dois anos, os eleitores poderão esquecer os primeiros dois anos ruins e, até mesmo, bancar sua reeleição.

Trata-se de uma visão de gestão pública antiquada e que sacrifica a cidade, porque o emedebista foi eleito para governar quatro e não dois anos. Se acredita na tese de que a memória do eleitor é curta, Iris Rezende demonstra que não entende o mundo em que vive, no qual a comunicação mudou e as pessoas estão sempre debatendo. Há uma memória que fica e que não sai, por exemplo, das redes sociais e pode ser recuperada por meio dos sites de busca-pesquisa, como o Google.

É provável que a imagem negativa de Iris Rezende não seja revertida, porque talvez esteja por demais cristalizada. Pode até fazer obras — como viadutos e asfalto (o prefeito não se preocupa em melhorar a educação e a saúde) — mas a “mensagem” de que ficou parado dois anos está enraizada. Nem se fizer uma propaganda de alta qualidade de suas possíveis realizações conseguirá impedir que os eleitores continuem avaliando que, ao elegê-lo em 2016, podem ter cometido um erro histórico. Para corrigir o equívoco, os eleitores certamente vão derrotar Iris Rezende ou seu candidato a prefeito em 2020.

Há o aspecto, nada discutido pela mídia — que parece paralisada em relação à gestão ineficiente —, de que, ao optar por fazer investimentos nos dois últimos anos, Iris Rezende não está preocupado com as contas públicas. Vai gastar — e vai gastar muito — sem a mínima preocupação de como vai deixar a Prefeitura de Goiânia para seu sucessor. Se o eleito for ele mesmo, vai se repetir a história de 2017 e 2018 e de 2019 e 2020, mas obviamente o rombo não será exibido e denunciado. Agora, se o eleito for de oposição, é evidente que terá de ajustar a máquina pública e, se for mais arrojado, certamente fará a denúncia da gestão de Iris Rezende. Paulo Garcia, ao assumir a prefeitura, não quis denunciar o rombo deixado pelo emedebista. Este, ao suceder o petista, não se fez de rogado e denunciou o suposto rombo. As gestões de Iris costumam inviabilizar os sucessores. Paulo Garcia foi uma de suas vítimas e a história ainda não lhe fez justiça, mas certamente, algum dia, fará.

Em suma, não há nada mais arcaico que a política adotada por Iris Rezende. Mas o prefeito talvez pense que está sendo, digamos, “esperto”, um “estrategista”. Você, leitor-eleitor, ainda é enganado por este tipo de tática? Certamente que não.

Iris veta Maguito para ajudar Caiado

Há quem diga que Iris Rezende só é candidato quando diz que não é candidato. A tese é verdadeira. No momento, o prefeito tem dito a auxiliares que não vai disputar a reeleição — com receio de uma derrota acachapante. Ao menos um de seus auxiliares chegou a afirmar que o alcaide teria dito: “Não quero ser Marconi Perillo amanhã”. Na verdade, segundo alguns auxiliares, Iris Rezende quer e planeja ser candidato, apesar de que realmente teme ser derrotado. Ele vai se empenhar para terminar algumas obras, como a pavimentação de alguns bairros e o recapeamento de várias ruas, além da construção de uma maternidade, e, se as pesquisas sinalizarem que tem alguma chance — ele aposta que um grande número de candidatos a prefeito pode ajudá-lo a levá-lo para o segundo turno —, irá para a disputa.

A se avaliar pelo quadro de hoje, a situação de Iris Rezende é dificílima. O político do MDB mais bem avaliado em Goiânia é Maguito Vilela — que foi governador de Goiás e fez uma administração considerada qualitativa em Aparecida de Goiânia.

Mas Iris Rezende não permitirá, se estiver ao seu alcance, que Maguito Vilela dispute a Prefeitura de Goiânia. Assim, mesmo se estiver mal avaliado, será candidato à reeleição — por vaidade e, também, para evitar que seu aliado histórico seja candidato na capital.

A tese de Iris Rezende é a seguinte: se Maguito Vilela for eleito prefeito de Goiânia, além de enfraquecer o irismo, estará pavimentando a candidatura de seu filho, Daniel Vilela, ao governo de Goiás em 2022. De Daniel Vilela ou de outro postulante.

 Aliado do governador Ronaldo Caiado, que certamente disputará a reeleição em 2022 — se a reeleição não cair —, Iris Rezende não quer colaborar, direta ou indiretamente, para criar uma cabeça-de-ponte em Goiânia contra o político do DEM. Na política, sabe-se, ninguém engana ninguém, portanto é óbvio — os salamaleques só camuflam a realidade — que Iris Rezende joga mais para fortalecer Ronaldo Caiado e, pensando assim, parece acreditar que tem de enfraquecer os Vilelas.

Há duas teses sobre a política de Ronaldo Caiado para Goiânia. A primeira, a mais realista, indica que o governador vai bancar o empresário Wilder Morais, um self mad man de bela história, para prefeito. Trata-se do novo — de um indivíduo moderno que venceu na iniciativa privada sem se aproveitar de negócios públicos. A segunda sugere que o governador vai bancar uma aliança com Iris Rezende, possivelmente indicando seu vice. Aí, como diz um emedebista, “é caixão e vela preta” (em termos políticos, é claro). 

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