Cultura de qualidade merece subsídio mas a Lei Rouanet não pode se tornar a Lei Roubanet

Dinheiro da Lei Rouanet financiou festança de casamento do filho de diretor da Bellini Eventos Culturais

Caroline Monteiro e Felipe Amorim organizaram um casamento-festança com dinheiro proporcionado por incentivo fiscal da Lei Rouanet | Foto: Reprodução / Facebook

Caroline Monteiro e Felipe Amorim organizaram um casamento-festança com dinheiro proporcionado por incentivo fiscal da Lei Rouanet | Foto: Reprodução / Facebook

O subsídio à cultura é universal, mas os produtores da área não são intocáveis. Portanto, a Lei Rouanet não pode se tornar, como está se tornando, a Lei Roubanet. Chega a ser uma ofensa ao filósofo e crítico literário Sérgio Paulo Rouanet, ministro da Cultura do governo de Fernando Collor. Trata-se de um homem íntegro, intelectual de primeira linha e a lei tem um objetivo decente: financiar os criadores culturais.

Os liberais excessivos avaliam que o Estado não deve financiar a cultura. Parece bonito. Mas não é assim que funciona nos Estados Unidos (menos), China, Japão, Alemanha, França e Inglaterra. Nos seis países mais ricos do mundo, a cultura é largamente financiada pelo setor público. Porque os produtores culturais — ao menos no geral — não são empresários capazes de financiar a maioria de seus próprios espetáculos. Ao mesmo tempo, é preciso perceber o apoio à cultura como um investimento a “fundo perdido”. Quer dizer: o retorno não é financeiro para o Estado, por exemplo. O retorno é mais cultura, educação, diversão, prazer para todos — ricos, classe média e pobres.

Mas vale mesmo financiar Luan Santana, Maria Bethânia, Rock in Rio e Cirque de Soleil? Não. Porque nenhum dos quatro precisa de financiamento público para organizar seus espetáculos.
A Operação Boca Livre, da Polícia Federal, descobriu que a Bellini Eventos Culturais captou recursos com base na Lei Rouanet e desviou parte para bancar a festa de casamento de Caroline Monteiro e Felipe Amorim. O cantor sertanejo Leo Rodriguez, intérprete de “Gordinho do Saveiro” e “Bará, Bará, Bere Berê”, recebeu dinheiro patrocinado pela Lei Rouanet para cantar no casório de Monteiro e Amorim. Este é filho de Antonio Carlos Bellini, dirigente da Bellini Eventos Culturais. O dinheiro era para ser aplicado no projeto Caminhos Sinfônicos.
A Polícia Federal descobriu um ralo gritante, mas certamente há outros.

 

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