Candidatos a governador de Flávio, Zema e Lula vão mal no RJ, MG e SP. Candidato de Caiado vai bem em Goiás
02 maio 2026 às 21h00

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São Paulo é o Estado com o maior número de eleitores — 34,4 milhões. Eles representam 22% do eleitorado do país.
Minas Gerais conta com 16,5 milhões de eleitores — 10,56% do eleitorado do país.
O Rio de Janeiro tem 12,4 milhões de eleitores — 8,2% do eleitorado do país.
Goiás tem 5,1 milhões de eleitores — 3,2% do eleitorado do país.
Antes de avançar, vale lembrar um detalhe substantivo. Na disputa eleitoral de 2022, há quase quatro anos, Lula da Silva, do PT, foi eleito presidente da República com 60.345.999 votos, ou seja, 50,90%. Jair Bolsonaro, do PL, então presidente, obteve 58.206.354 votos — 49,10%.
A diferença percentual entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro foi de 1,8 pontos percentuais. O petista-chefe conquistou apenas 2.139.645 votos a mais do que o postulante da direita.
Então, qualquer comentário a respeito de eleição nacional não deve subestimar os votos dos Estados com menos eleitores. Porque eles podem fazer a diferença num quadro de disputa acirrada, como o de 2022.
Em 2022, Jair Bolsonaro foi o mais votado em Goiás, no segundo turno, com 2.193.041 votos (58,71%). Lula da Silva conquistou 1.542.115 votos (41,29%).
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São Paulo
Agora, vamos ao foco do Editorial: a avaliação de alguns candidatos a governador apoiados pelo presidente Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Em São Paulo, o candidato bancado por Lula da Silva, o ex-ministro Fernando Haddad, do PT, aparece em segundo lugar, de acordo com pesquisa de intenção de voto. Ele tem 26%. Sua situação é complicada. Pode virar? Claro, porque a campanha pode mudar o quadro.

Porém, no momento, o favorito é o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que, segundo o instituto Quaest, tem 38% das intenções de voto. São 12 pontos percentuais à frente do petista. O quadro não está definido. Mas, como o pré-candidato do Republicanos está bem avaliado como governador, será difícil derrotá-lo.
Uma vitória de Tarcísio de Freitas mostra força de Flávio Bolsonaro em São Paulo? Não. Porque, embora sejam aliados, têm perfis diferentes e o governador não depende do postulante a presidente.
Há a questão de que, se for eleito, Flávio Bolsonaro será candidato à reeleição, em 2030, quando Tarcísio de Freitas planeja ser candidato a presidente. Portanto, uma vitória de Lula da Silva — reeleito, não poderá ser candidato em 2030 — é, pragmaticamente, mais adequada para o líder do Republicanos.
De qualquer maneira, é precisar sublinhar a força política do bolsonarismo no Estado com mais eleitores do país. Mas hoje Tarcísio de Freitas é mais forte do que o bolsonarismo em São Paulo? Talvez. Se está apenas 12 pontos percentuais na frente de Fernando Haddad, há indícios de que o bolsonarismo não o está “puxando” para cima. As intenções de voto “são”, possivelmente, do próprio governador.
2
Minas Gerais
Diz-se que, na história do Brasil, tudo começa em Minas. Da Revolução de 1930, com Antônio Carlos de Andrada, ao golpe civil-militar de 1964, com Magalhães Pinto e o general Olímpio Mourão Filho. Porque Minas, diria Carlos Drummond de Andrade, é muito mais do que um retrato na parede da história patropi.

Romeu Zema, do Novo, deixou o governo de Minas — sem saber que Adélia Prado é poeta (acha ou achava que era funcionária de uma rádio) — e assumiu Mateus Simões, do PSD
Mateus Simões é apoiado por Romeu Zema, que não está conseguindo transferir votos. O governador recém-empossado aparece em quinto lugar na pesquisa Quaest — com 4% das intenções de voto. Noutro cenário, tem 5%, o que nada muda.
No Estado de Romeu Zema, o bolsonarismo afigura-se mais forte do que o zemismo. Tanto que Cleitinho Azevedo, do Republicanos, tem 30% (há cenários em que tem 35% e 37%).
Em segundo aparece Alexandre Kalil (PDT), com 14%. Em terceiro, Rodrigo Pacheco, do PSB, com 8% (e até 12%). Os dois são de partidos que apoiam a reeleição de Lula da Silva. Ben Mendes, do partido Missão, aparece num cenário com 4% e, noutro, com 6%. A aposta do PL, Flávio Roscoe, tem 2%.
Não há dúvida de que Cleitinho Azevedo é bolsonarista, mas, assim como o deputado Nikolas Ferreira, adota uma posição ligeiramente independente em relação aos filhos de Jair Boslsonaro. Talvez porque queiram, ambos, ocupar espaço mais amplo no comando da direita nacional.
O fato é que os candidatos de Romeu Zema e de Lula da Silva não estão bem avaliados em Minas.
3
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o bolsonarismo vai mal, até muito mal, na disputa para o governo do Estado. O candidato de Flávio Bolsonaro, Douglas Ruas, do PL, tem apenas 9% (noutro cenário sobe para 11%).
Eduardo Paes, do PSD, é o candidato de Lula da Silva? Por conveniência do petista, é. Porque o PT não tem outro candidato forte no Estado. (A rigor, bolsonarismo e lulismo não estão fortes no Rio.)

Com 34% (há cenário em que tem 39%), Eduardo Paes tem condições de ser eleito no primeiro turno. Seu objetivo é construir um futuro para além do PT — talvez disputar a Presidência da República em 2030 (ou 2034). O que mais se comenta é que, no pós-Lula da Silva, o PT passará por um debacle imenso, porque o petista não tem alguém de seu nível (em termos eleitorais) para substitui-lo. Camilo Santana, do Ceará, e Guilherme Boulos, de São Paulo, são, respectivamente, frango e pinto de granja. Ao menos no momento, e em termos nacionais.
Por isso, assim como João Campos, de Pernambuco, Eduardo Paes, no âmbito da centro-esquerda, está se colocando no processo estadual agora mas já de olho na política nacional. O PT o apoia não porque quer, e sim por que precisa. Ressalve-se que as relações do ex-prefeito do Rio com o bolsonarismo é das melhores.
4
Goiás
Se Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Lula da Silva não ajudam muito seus candidatos a governador em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, em Goiás o ex-governador Ronaldo Caiado, aprovado por 84% dos goianos, é o principal general eleitoral do governador Daniel Vilela, do MDB.

Pesquisa Quaest, divulgada na quinta-feira, 30, mostra Daniel Vilela com 33% das intenções de voto. Marconi Perillo, do PSDB, tem 21,%, Adriana Accorsi, do PT, 10%, e Wilder Morais, do PL, 9%.
Os candidatos de Flávio Bolsonaro e de Lula da Silva vão mal em Goiás — não estão nem mesmo no segundo lugar.
Adriana Accorsi, a pré-candidata (não quer disputar o governo) de Lula da Silva está em terceiro lugar e o pré-candidato de Flávio Bolsonaro, Wilder Morais, está em quarto lugar — ambos bem atrás do primeiro colocado, Daniel Vilela.
O pré-candidato apoiado por Ronaldo Caiado, Daniel Vilela, aparece, com folga, em primeiro lugar. Isto significa, diferentemente de Romeu Zema e Lula da Silva, que o pré-candidato a presidente pelo PSD, por ser bem avaliado, tem condições de colaborar, de maneira decisiva, para uma possível vitória eleitoral do postulante do MDB. Talvez já no primeiro turno.
Mesmo Flávio Bolsonaro não se iguala a Ronaldo Caiado. Pois seu candidato vai mal tanto no Rio de Janeiro, sua principal base política, quanto em Goiás, onde seu candidato, Wilder Morais, do PL, aparece em quarto lugar, atrás tanto de Daniel Vilela quanto de Marconi Perillo, do PSDB, e de Adriana Accorsi, do PT.
O PT de Lula da Silva enfrenta dificuldades em Goiás. Pois, até o momento, não tem nem mesmo pré-candidato. A deputada federal Adriana Accorsi é a mais cotada, mas não quer ser candidata a governadora. O presidente aprecia Aava Santiago, mas a vereadora do PSB tem dito que disputará mandato de deputada federal. Cogita-se de lançar o ex-deputado Luis Cesar Bueno. É um histórico do PT.
Romeu Zema não tem influência nenhuma na política de Goiás. Talvez não seja conhecido direito nem mesmo pelos filiados do Novo.

