Caiado sinaliza que planeja modernizar o governo de Goiás

O governador atua no campo da mudança de mentalidade, mas erra ao não retirar os olhos do passado e não saber vender esperança

O governador Ronaldo Caiado (DEM) pode ser criticado e, até, combatido. Mas os que agem contra o sucesso de seu governo estão, na prática, torcendo contra o crescimento e o desenvolvimento de Goiás, portanto estão jogando contra os goianos. Não se está sugerindo que a crítica deva ser evitada, e sim que não se deve, para enfraquecer o gestor, tendo em vista pleitos futuros, dinamitar seus projetos, a partir da Assembleia Legislativa ou de outros lugares. Quatro anos negativos, produzidos por amarras políticas, contribuirão para retardar a expansão do Estado, quer dizer, de todos os 246 municípios. Lembra-se de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek (que foi senador por Goiás) e Ary Valadão e Henrique Santillo? Pois é: os quatro passaram e o país e o Estado continuaram. Como não há presente eterno — exceto para crianças —, Ronaldo Caiado também passará, e Goiás continuará. O Estado é maior do que o atual administrador. Sendo assim, aquele que atrapalhar seu governo, buscando travá-lo, estará prejudicando os indivíduos de todas as cidades.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás | Foto: Jornal Opção

A imprensa, como de hábito, fez os balanços tradicionais dos primeiros 100 dias do governo. Entretanto, pouco se comentou a respeito de uma tentativa de mudança de mentalidade na gestão do setor público e no relacionamento com os agentes políticos. Há quem sublinhe que, em nome da governabilidade, o governo de Ronaldo Caiado não difere muito de outros governos. Não é bem assim. Ainda que o realismo seja mantido, porque o governador se tornou político a partir do sucesso no Legislativo, há uma gradação. Na disputa para presidente da Assembleia Legislativa, houve uma mudança qualitativa. Era praticamente certo que o deputado Álvaro Guimarães (DEM), um diplomata, seria eleito presidente — dado o fato de ser bancado pelo governador.

No entanto, Álvaro Guimarães dormiu eleito presidente da Assembleia e acordou com Lissauer Vieira (PSB) como presidente — eleito por uma vasta articulação. Se Ronaldo Caiado tivesse jogado pesado, oferecendo nacos do governo, possivelmente o parlamentar que representa Itumbiara hoje estaria no comando do Legislativo. Mas, a partir de certo momento, o chefe do Executivo recuou e não forçou a barra.

Asfalto de má qualidade

Contratos entre o governo e as empreiteiras preveem que a pavimentação asfáltica dure pelo menos cinco anos. No entanto, no caso de algumas rodovias, como a GO-070, pavimentada há cerca de dois anos, o asfalto praticamente derrete, em alguns pontos, em pouco tempo. Ora, o asfalto não pode “desaparecer” por causa de chuvas. O governo de Ronaldo Caiado discute a possibilidade de que as empresas terão, cumprindo os contratos, de refazer as obras malfeitas. Pavimentações de mais qualidade — a Universidade de São Paulo está testando uma pavimentação, um pouco mais cara mas de alta qualidade, que dura até 40 anos — significa menos custo para o governo, para a sociedade. As operações tapa-buracos, feitas com grande frequência, acabam se tornando caras para o Erário.

Há algum tempo, na Bahia, descobriu-se que um quilômetro tinha, não mil, e sim 700 metros. A espessura do asfalto também não era a indicada para aumentar sua durabilidade. Isso ocorreu em Goiás, nos últimos anos? Não se sabe. Mas o asfalto, no geral, não é de excelente qualidade. Se fosse, não seriam necessárias operações tapa-buracos tão frequentes. Fica-se com a impressão de que as chuvas contêm, não água, e sim dinamite — tais as crateras. Se Ronaldo Caiado conseguir que as empresas restaurem rodovias, cumprindo o determinado em contrato, terá dado um passo adiante, em termos de economia e mudança de mentalidade.

Quando afirma que não vai lançar obras, e sim vai inaugurá-las — quando estiverem realmente prontas —, Ronaldo Caiado, se cumprir o que prega, estará dando mais um passo no sentido de mudança de mentalidade. Consta que há pelo menos 300 obras inconclusas do programa Goiás na Frente, que, municipalista, não era uma má ideia. Mas não havia e não há recursos para finalizá-las. Nem o Estado nem os municípios têm dinheiro para conclui-las.

Um político inglês dizia que honestidade não é apenas deixar de roubar, é também não mentir para os cidadãos. Promessas vãs, com fitos eleitorais, são negativas para o amadurecimento da sociedade. Ao ser franco e direto — a sociedade fica na torcida para que continue assim —, Ronaldo Caiado demonstra que entende, de fato, a mudança decidida pelos eleitores em 2018. A dívida de 6 bilhões de reais — sem contar a dívida consolidada (paga-se juros de 170 milhões por mês) —, só com a folha de pagamento do funcionalismo público o déficit alcança 200 milhões de reais, é uma trava para investimentos.

Concursos públicos

Na semana passada, um jornal cobrou mais concursos públicos. Parece uma grande ideia, porque a forma legal de se tornar servidor efetivo — não comissionado — é por meio de concurso. Mas a jornalista que escreveu a reportagem, publicada em “O Popular” — quiçá uma concurseira, o que, se verdadeiro, não a desabona —, esquece de mencionar que a folha dos servidores absorve, com a inclusão dos “penduricalhos”, que se tornaram salários, cerca de 76,8% da arrecadação do Estado. Se o governo contratar mais, antes de enxugar a folha, não terá como pagar os funcionários — o que, além de gerar descontentamento, pode levar à paralisação de atividades na saúde, na educação e na segurança pública. Remanejamento de funcionários, possível a partir de processos de requalificação, pode ser a saída. Na área de segurança, radicalizar o serviço de Inteligência, poderá reduzir a utilização de mais policiais. Por que bancos e montadoras de automóveis, modernizados tecnologicamente, podem reduzir sua força de trabalho — e o governo de Goiás não pode? Se tiver coragem de enfrentar o corporativismo, as pressões para contratar, Ronaldo Caiado terá dado um passo adiante. Como não se trata de um político populista, é provável que seja capaz de conter o apetite pantagruélico da máquina pública.

Investir mais no ensino médio — o básico deveria ficar para os municípios, mas não fica (o governo estadual tem até creches) — é um acerto da Secretaria da Educação. Mesmo não podendo bancar os cursos, o governo anterior abriu duas faculdades de Medicina — uma delas em Itumbiara, para atender aliados políticos, como o prefeito José Antônio, do PTB, que, no momento, começa um namoro com o PSB do senador Jorge Kajuru, abandonando o aliado anterior, Marconi Perillo (PSDB).

Segurança pública é uma questão complexa, porque o crime organizado se tornou “nacional”, com grupos agindo em Estados diferentes, organizados no estilo das máfias italianas e americanas. Alguns Estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm mais expertise no combate às facções, como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Se os governos jogam duro no Sudeste, colocando criminosos em presídios mais rígorosos, muitos integrantes das máfias transferem parte de suas estruturas para Estados nos quais ainda não se sabe lidar com bandidos altamente especializados que, ao contrário dos homens da lei, não hesitam em atirar e matar. Em Caldas Novas, o PCC e o CV estão em guerra e atuam à luz do dia, com escasso controle das polícias Civil e Militar.

Goiás está se tornando uma espécie de centro de distribuição de drogas das facções organizadas. A polícia tem boa vontade, mas não consegue combater, de maneira inteiramente eficaz, criminosos cada vez mais sofisticados. Mas há avanços. Ao grampear, com ordem judicial, marginais presos, a polícia em Goiás, no governo de Ronaldo Caiado, conseguiu desmontar quadrilhas que roubam automóveis. Os policiais sabem que podem ser duros, porque tem o apoio do governo.

Pode parecer uma ideia simples, mas é saudável que a Praça Cívica, que se tornou mocó de usuários e traficantes de crack, sobretudo à noite, mudou de uma hora para outra com a ocupação pelos cidadãos de bem. Houve quem tentasse ridiculizar o governador Ronaldo Caiado, por ter ido à praça, junto com sua mulher, misturando-se com o povão. Sua presença sinaliza que a praça está segura e é de todos, e não mais um gueto do crime. No primeiro domingo, centenas de pessoas compareceram à praça, finalmente devolvida às famílias. Quem esperava um Ronaldo Caiado conservador, circunscrito ao Palácio das Esmeraldas, deve ter ficado surpreso.

Esperança e terra arrasada

Jornais anunciam que a Caoa e a Mitsubishi, montadoras instaladas em Anápolis e em Catalão, podem deixar Goiás, se mantidas as mudanças nos incentivos fiscais. Possivelmente não vão sair, mas, de fato, Ronaldo Caiado usa palavras duras contra empresas não nominadas — o que gera suspeita de corrupção por parte de todas. O que não se falou, porém, é que ao menos cinco grandes empresas — como o Guaraná Mineiro — vão ser anunciadas na próxima semana. O secretário da Indústria e Comércio, Wilder Morais, tem feito um trabalho eficaz, com o objetivo de reduzir a burocracia e facilitar a implantação das empresas.

Ronaldo Caiado está no poder há três meses e 14 dias. Apesar dos excessos na questão dos incentivos fiscais — é preciso observar a questão da segurança jurídica —, e de esquecer que o bom gestor olha mais para frente do que para trás, não faz um governo ruim. Não é excelente, é mediano. Mas as bases — inclusive a ética — parecem ter raízes sólidas.

É preciso dizer, por fim, que “vender” esperança não é enganar as pessoas. Entretanto, se o governo se encarrega de disseminar a ideia de que Goiás é uma terra arrasada, fica difícil convencer um empreendedor cauteloso a investir em Goiás. O marketing de Ronaldo Caiado, longe de “prejudicar” Marconi Perillo e seus aliados, passa a imagem de que é melhor ficar longe do Estado.

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Saulo Gusmao

Para modernizar Goiás com as praticas antigas, não adianta: corrupção, apadrinhamento Td isso tem de sobra com todos os comissionados do Tce. Salários maravilhosos, ociosidade tremenda, não tem compromisso com o orgao etc. Pedimos a demissão de TODOS, para haver justica