Caiado quer melhorar Goiás agora, e não apenas depois da pandemia

Brasil tende a sair da crise primeiro porque é um grande produtor de alimentos. Mas o governador frisa que é preciso absorver tecnologia de ponta

Na década de 1980, quando iniciava a sua participação na política — chegou a ser candidato a presidente da República, em 1989 —, o médico Ronaldo Caiado professava a tese de que a produção agropecuária era decisiva para o fortalecimento e independência do Brasil no concerto internacional. Era a âncora verde, que tanto alavanca o crescimento quanto o desenvolvimento — contribuindo para manter a estabilidade econômica do país. No mundo atual, dada a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, fica evidente o quanto o hoje governador de Goiás tinha e tem razão. A nação patropi é uma das poucas que tem condições de garantir a segurança alimentar de sua população (mais: tem água potável — ao contrário de outras regiões que estão em guerra, não por petróleo ou gás, e sim por água).

Se há crise na indústria, o negócio transnacional de certas commodities, como ferro e aço, cai. Agora mesmo, a China reduziu importações tanto do Brasil quanto do Peru. O resultado é que a desaceleração na Ásia gesta um desaquecimento noutras regiões. Mas qual país, mesmo sob crise, deixa de comprar alimentos? Nenhum. Há 7,3 bilhões de pessoas na Terra — que, obviamente, comem todos os dias. Por causa da pandemia, todo o mundo vai crescer menos. Mas a tendência é que países que produzem alimentos em alta escala — como Brasil, França, Estados Unidos e Rússia — saiam da crise primeiro. Sofrerão com a recessão, mas o colapso não afetará sua estrutura básica.

Segundo maior produtor de soja e terceiro maior produtor de carne do país, Goiás está numa situação relativamente confortável, considerando, ainda, que a produção tende a subir, ante uma demanda crescente. A crise está presente, tende a se ampliar, com empresas fechando as portas e gerando desemprego. Mas a tendência é que, devido à agricultura e à pecuária — o agronegócio —, a debacle seja menos pesada no Centro-Oeste.

Tecnologia e novo colonialismo

No arrazoado acima, é preciso fazer uma ressalva. Numa conversa com dois editores do Jornal Opção, na quinta-feira, 25, Ronaldo Caiado observou que, por vezes, há uma troca desigual entre países produtores de alimentos e países produtores de tecnologia. O Brasil vende alimentos de alta qualidade — sua tecnologia na área é de primeira linha —, mas não produz, ao menos não em larga escala, tecnologia de ponta. Neste momento, no qual os produtores de alimentos são centrais na recuperação da economia — local e internacional —, é preciso estabelecer um novo equilíbrio na balança comercial. Sim, o Brasil vende alimentos (além de aço, ferro, nióbio, terras raras), contribui para estabilizar as demais nações, mas em troca pode e deve exigir que China, Alemanha, Japão e Estados Unidos compartilhem o desenvolvimento tecnológico. Se isto não for feito, fica evidente que se está sob uma nova onda colonialista.

O agronegócio tem de ser visto, portanto, como uma arma de proteção à economia local. A defesa da agricultura e da pecuária, que não era de bom tom — especialmente para os que colocam a ideologia como centro do debate —, é imprescindível. É uma garantia de que o Brasil será cada vez mais forte na concertação internacional.

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Retomada em Goiás na economia e no social

Na semana passada, Ronaldo Caiado anunciou que Goiás terá 18 bilhões de reais do Plano Safra. Os recursos financeiros vão contribuir para o desenvolvimento da agricultura, notadamente a dos pequenos e médios produtores rurais. A agricultura familiar será beneficiada.

Na mesma semana, enquanto determinados governadores estão inertes, à espera do governo federal, com um pires gigante nas mãos, Ronaldo Caiado propôs a criação da Secretaria da Retomada. Não se trata de mais um órgão para burocratizar e aumentar o número de contratados. Não haverá contratações. A estrutura existente será reaproveitada para dinamizar ações e contribuir — o Estado funcionando como indutor — no fortalecimento das economias dos municípios.

O governo do Estado vai enviar recursos financeiros para reformar escolas e ginásios — o que dinamizará as economias locais, criando empregos nas cidades, fortalecendo o comércio e, em seguida, as prefeituras e, mais tarde, o próprio governo estadual. Trata-se de um investimento conectado. Todos ganharão. A Agehab participará com apoio a reforma e construção de casas. (Frise-se que, em pouco mais de um ano, a Agência de Fomento emprestou meio bilhão de reais a pequenos empresários. Tais recursos puderam fortalecer seus investimentos e consolidar seus negócios.)

Ronaldo Caiado: o governador do partido Democratas tem visão estratégica sobre o crescimento e o desenvolvimento de Goiás| Foto: Reprodução

Ronaldo Caiado sublinha que as pessoas precisam readquirir a capacidade de dirigir suas próprias vidas. O Estado, com o investimento, vai ajudar a criar novas condições para o que se está chamando de “retomada”, uma reconstrução de rumos. Se mais de 470 mil trabalhadores perderam o emprego, além dos 440 mil desempregados crônicos — que não mais procuram emprego porque o mercado não está oferecendo alternativas —, é preciso fazer alguma coisa, e rapidamente, não se pode esperar a pandemia acabar. É o que o governo de Ronaldo Caiado está se propondo a fazer.

O Fundo Constitucional do Centro-Oeste hoje deveria ter o nome de Fundo Constitucional do Banco do Brasil. O BB burocratiza e retarda o investimento e o FCO acaba não favorecendo, de maneira ampla, as economias dos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O dinheiro do fundo, mais de 1 bilhão de reais, poderá ser usado, propõe Ronaldo Caiado, para recompor o capital de giro das pequenas empresas. O crédito subsidiado possibilitará que elas permaneçam vivas e, ao mesmo tempo, possam se expandir.  “Estou investindo fortemente na área de capital de giro. Tenho trabalhado em Brasília para conseguir 1 bilhão do FCO para não deixar que as empresas fechem”, afirma Ronaldo Caiado.

O que Ronaldo Caiado quer, e trabalha para que isto se torne realidade, é criar condições para que a crise não afete, de maneira substancial, aqueles que são mais carentes, os mais impactados pela pandemia. A preocupação é, a um só tempo, social e econômica. De um lado, o Estado oferece saúde, educação e cestas básicas — mais de 220 mil — e, de outro, oferece condições para os pequenos empresários se manterem ativos ou ressurgirem.

Devido à crise, calcula-se que ao menos 30% dos alunos das escolas particulares irão para a escola pública e que cerca de 40% a 50% não terão mais condições de pagar um plano de saúde, e por isso passarão a ser atendidos em unidades públicas. Noutras palavras, o Estado arrecadará menos, mas suas despesas crescerão. Resulta que o governo, no meio do caminho, teve de mudar suas metas. Agora, além do reforço à economia, com incentivos àqueles que produzem e geram empregos, é preciso investir no social. O governo estadual está bancando a melhoria da saúde em municípios polos, para possibilitar que os moradores de todas as regiões sejam atendidos, se precisarem. Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis têm UTIs, mas a maioria absoluta dos municípios não tem. Seus verdadeiros hospitais são ambulâncias. As pessoas adoecem e os prefeitos mandam para Goiânia — onde também instalam casas de apoio (há dezenas na capital). Agora, há unidades de saúde com UTIs em Luziânia, Porangatu, Águas Lindas, Jataí e Formosa (o governo instalou oito novos hospitais, e equipados). Parte significativa da estrutura será mantida pós-pandemia.

Estado desprivatizado e a serviço de todos

Há uma questão crucial que, ao anunciar a criação da Secretaria da Retomada, a imprensa não registrou. Ronaldo Caiado, como governador, desprivatizou o Estado, colocando-o à serviço da sociedade, do cidadão. Seu governo não é para grupos de poder, envolvidos em jogadas empresariais bilionárias. Governa-se para todos, e pensando, de maneira intensa, nos excluídos. O governador pertence ao Democratas — um partido que, por princípio, é liberal. Dada a realidade, porém, professa-se o que se pode chamar, como sugeriu certa vez o filósofo e sociólogo José Guilherme Merquior, de “liberalismo social”. Incentiva-se o mercado, mas não se descuida dos indivíduos. Há uma perspectiva humanista. As pessoas — a vida — estão em primeiro lugar. Por isso, desde o início, o governador defendeu que a maneira realmente eficaz de combater a pandemia do novo coronavírus é respeitando as medidas de distanciamento social. Na segunda-feira, 29, Ronaldo Caiado vai dialogar com a sociedade — prefeitos, presidentes de poderes — a respeito do assunto (afinal, o pico da pandemia está chegando). Por ser médico e, também, estadista, ele sabe do que está falando.

Na década de 1930, Franklin Delano Roosevelt, eleito presidente dos Estados Unidos, criou o New Deal. Era uma política de retomada do crescimento e do desenvolvimento. Convencido pelo auxiliar Harry Hopkins, decidiu investir em obras menores, dando suporte aos pequenos empreendedores (chegou-se a pagar jovens para vigiar parques ambientais), e não apenas em grandes obras de infraestrutura, como sugeria outro secretário. Hopkins dizia: “As pessoas precisam comer todos os dias”. Roosevelt financiou tanto o social que acabou sendo tachado de “comunista” pela elite ultra conservadora da terra de John Steinbeck e John Ford, autores, respectivamente, do romance e do filme “As Vinhas da Ira”. Na verdade, Roosevelt, que foi eleito quatro vezes seguidas, estava salvando os capitalistas deles mesmos. Ou melhor, estava salvando o país para todos. O que Ronaldo Caiado pretende fazer, já está fazendo, é melhorar Goiás para todos, e agora — não apenas para depois da pandemia. A tendência, tudo indica, é que Goiás se recupere mais cedo, econômica e socialmente, do que outras unidades federativas. O governador percebeu, com percuciência, que é hora de investir — não de lamentar.

Sobre a empresa italiana Enel

A empresa italiana Enel, que adquiriu a Celg, fornece energia elétrica para os consumidores de Goiás. Entretanto, no lugar de investir no Estado um volume substancial dos lucros, remete-os para a Itália — onde fica sua sede. Não se pode negar que a empresa está investindo, mas não exatamente o que é necessário (leitor, quantas vezes por semana falta energia na sua residência ou em seu comércio?). Por dois motivos. Primeiro, porque a matriz europeia cobra a remessa de lucros, para compartilhar os dividendos com seus acionistas (a velha política colonialista, ao que parece, ainda está vigente). Segundo, porque, não tendo concorrência, “não” precisa melhorar os serviços a custo prazo — pode ir protelando os investimentos. Por isso, se o governo de Goiás conseguir atrair outra empresa, por exemplo da área de gás, é muito provável que a Enel decida investir mais no Estado o que retira de todos os goianos.

Ainda sobre a Enel: é preciso verificar uma questão — quem paga o ICMS da empresa é o consumidor. Por que não mudar isto? Por que o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira, não encomenda um estudo jurídico sobre a questão?

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