Caiado parece ter um projeto destrutivo mas não um projeto positivo para governar Goiás

Eleitores não estão interessados em questões ideológicas e ataques políticos. Mas a oposição parece não perceber que deve dialogar com a sociedade e não apenas fazer a crítica do governo

Ronaldo Caiado, do DEM, José Eliton, do PSDB, e Daniel Vilela, do PMDB: mais do que um debate radical e virulento entre eles, os três políticos precisam abrir canais de diálogo com a sociedade, com os eleitores | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Não é a idade que im­­porta na definição de um político como renovador. Há velhos renovadores — como Konrad Adenauer, na Alemanha pós-nazismo, e Winston Chur­chill, na Inglaterra. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, em 1945, o britânico tinha 71 anos. Churchill liderara o combate a uma das maiores e mais cruentas tiranias da história. Em 1949, quando assumiu o governo, com o objetivo de recuperar a economia e estabelecer uma nova moral para o povo alemão, Adenauer tinha 73 anos. Em 1967, ao sair do cargo de chanceler deixara o país recuperado e moralmente de cabeça em pé. Tinha 87 anos.

Dois jovens foram responsáveis desastres políticos e administrativos no Brasil. Jânio da Silva Quadros assumiu a Presidência da República, em 1961, aos 44 anos. Renunciou no mesmo ano e contribuiu para desestabilização que levou ao golpe de Estado em 1964. Fernando Affonso Collor de Mello tomou posse na Pre­si­dência da República, em março de 1990, com 40 anos, e sofreu impeachment, logo depois, aos 43 anos. Portanto, idade importa pouco. O que vale mesmo é a “idade” das ideias, no sentido de serem avançadas ou não. Veja-se o caso do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. No dia 22 de dezembro, o líder do PMDB na capital completa 84 anos. O problema de sua inação como gestor tem a ver com a idade? Não. Porque ele permanece lúcido e ativo. A questão chave é outra: o peemedebista parece que está desconectado das novas exigências da sociedade e tampouco parece ser contemporâneo dos goianienses atuais. Não há sintonia entre a cidade e seu gestor — os dois trilham caminhos diferentes e, quiçá, incontornáveis.

Quando disputar (se for candidato) o governo de Goiás em 2018, o senador Ronaldo Caiado (DEM) terá 69 anos (a mesma idade de Maguito Vilela). Isto tem alguma influência? Certa­men­te que não. Resta saber se tem ideias para ampliar o processo de modernização do Estado. No momento, se os eleitores examinarem cuidadosamente o que diz, certamente concluirão que não tem um projeto “positivo” — no sentido de construção — para o crescimento e o desenvolvimento da região em que reside. Por se apresentar como “oposição”, parece crer que é preciso manter-se no “ataque”, esgrimindo crí­ticas negativas a respeito do go­verno. Na sociedade aberta, de que fa­la Karl Popper, é crucial que se mantenha a crítica — “a liberdade de dizer não” —, mesmo a corrosiva. Mas a sociedade quer saber, de quem pretende disputar o governo, o que quer colocar no lugar, em termos de gestão, do grupo que está no poder.

As oposições perderam (cinco) eleições para governador, em quase 20 anos, possivelmente porque, se faz a crítica “destrutiva”, exibindo o que avalia como “defeitos”, não apresenta a crítica “construtiva”, quer dizer, não expõe o que pretende fazer de mais avançado. A impressão que se tem, ao examinar o que dizem Ronaldo Caiado — um político sério, não há dúvida — e o deputado estadual José Nelto (PMDB), é que não percebem que estão se repetindo há duas décadas, enquanto a corrente do governador Marconi Perillo, optando por atuar no campo da construção, sempre apresenta uma ideia nova.

O PT de Lula da Silva “dançou” em 1994, perdendo a eleição presidencial para o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), porque criticou, de maneira acerba e sem concessões, o Plano Real, que, naquela altura, era aprovado pela sociedade — que, ao contrário dos políticos, não se interessa por ideologias, porque é essencialmente pragmática. A aliança caiadista-peemedebista critica o programa Goiás na Frente, deixando de perceber que, interesses políticos à parte, os prefeitos (inclusive do PMDB e do DEM) e os moradores das cidades, de todas elas, aplaudem o programa.

Num momento de crise nacional, em que não há recursos financeiros para os municípios — que, no geral, estão em estado falimentar —, uma ação pública como o Goiás na Frente é bem-vinda. Pode ser criticada, mas o racionalismo sugere que é preciso perceber o óbvio: o programa é aprovado por todos, exceto pelas oposições. Isto é interpretado de maneira prática: para “fazer” política, as oposições agem contra uma ideia e uma prática que beneficiam os municípios. Esta é a percepção que se tem nas cidades e chega a ser estranho que políticos inteligentes e perspicazes como o deputado Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, para mencionar apenas dois, não percebam o que está ocorrendo.

Por que não querem “escutar” as vozes das ruas, aquelas que passam ao largo dos clichês tradicionais — tipo “tudo o que o governo faz é ruim” —, e preferem insistir com discursos desbotados e que, por vezes, não interpretam o quadro real daquilo que querem e acreditam que estão combatendo? Quando a crítica não funciona, por não tocar no cerne do objeto contestado, torna-se alimento de crescimento dos grupos políticos “atacados”. O grupo de Marconi Perillo ganhou cinco eleições consecutivas, e até com certa facilidade, porque as oposições, repetindo discursos descorados, são essencialmente previsíveis. Nem precisam ser combatidas. Ao combaterem mal, com discursos equivocados e sugerindo que são menos avançadas do que aqueles que estão no poder, as oposições cavam a própria cova política. Observe-se uma coisa que não se diz: Marconi Perillo, renovando-se, praticamente transformou os dois principais líderes do PMDB, Iris Rezende e Maguito Vilela, em políticos municipais. O primeiro “de” Goiânia e o segundo “de” Aparecida de Goiânia. Não são mais políticos estaduais.

Ingratidão e calvário

No momento, Ronaldo Caiado adota dois comportamentos. Apa­ziguador, quando se trata de relacionar-se com o PMDB, porque quer seu apoio para a disputa do governo, e crítico viperino do governo de Marconi Perillo. Quanto ao conciliador, o senador não convence. Tanto que, se o PMDB definir que seu candidato será Daniel Vilela — ou Maguito Vilela —, impedindo que tenha acesso à estrutura gigante do partido em todo o Estado, o presidente do DEM, se optar por continuar na disputa, certamente mudará o discurso. É bem possível que parta para o ataque tanto contra Daniel Vilela quanto contra o pré-candidato do PSDB a governador, José Eliton. Seu habitat é o ataque, não é a conciliação. Há algum tempo, criticou, com palavras duras, o deputado José Nelto, hoje, estranhamente, neocaiadista (um deputado do PMDB costuma dizer que o parlamentar sofre da famosa “síndrome de Estocolmo). Quem duvida da crítica contundente do senador basta verificar um vídeo que circula na internet (https://www.facebook.com/cassio.andrade.5099/videos/537606063104479/). Curiosamente, o peemedebista “atira” contra Iris Araújo e “afina” para o líder do partido Democratas.

Em 2018, Ronaldo Caiado vai se apresentar como paladino da “ética” e da “renovação”? É o mais provável. Vai colar? Não se sabe. O mais provável, até por serem mais abertos ao novo, à renovação das ideias, é que Daniel Vilela e José Eliton sejam vistos como políticos mais arejados. Rigorosamente, os três postulantes representam estruturas tradicionais, mas vai depender de cada um se apresentar como políticos que querem se tornar gestores, entre 2019 e 2022, não convencionais. Um caminho é dialogar mais com a sociedade, deixando de trocar insultos entre si. O senador parece que “fala” me­nos à sociedade e mais ao tucanato. Cabe a José Eliton e Daniel Vilela — e mesmo a Ronaldo Caiado, se perceber que pode estar trilhando o caminho da derrota —, não caindo na armadilha do fácil, apresentar ideias diretamente à sociedade. A sociedade quer melhorar sua qualidade de vida, mas clama por políticos verdadeiros que tenham coragem de, ao vender esperança, não tentarem enganar quem não pode e não quer mais ser enganado.

Sobre Ronaldo Caiado, mais algumas palavras. Na eleição de 2014, foi eleito senador graças à es­trutura do PMDB. O que se esperava, entre peemedebistas, é que seguisse a lógica e apoiasse o candidato do PMDB a governador em 2018. Na avaliação de pe­emedebistas, como Daniel Vilela, o senador está desconsiderando o partido e está demonstrando “ingratidão” aos seus líderes. Eles chegam a sugerir que, em 2022, se Ronaldo Caiado precisar do apoio do PMDB na sua reeleição — quando só estará em jo­go uma vaga no Senado —, não o terá. Vão lançar um candidato a senador para enfrentá-lo e creem que, sem o apoio do PMDB, dificilmente terá condições de ser eleito. Noutras palavras, os peemedebistas estão insinuando que a “ingratidão” de 2018 pode levar ao “calvário” em 2022.

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Alice Vasconcelos

Ronaldo Caiado, é um destruidor de tudo que for ético, decente. Esse filhote da ditadura jamais poderá administrar cidade ou Estado, é um ditador, arrogante, estúpido, desrespeitador e isso ele não esconde quando abre a boca no parlamento brasileiro.