O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi reeleito, no dia 2 de outubro de 2022, no primeiro turno. Ele obteve 51,81% dos votos válidos (1.806.892 votos). Para se ter uma ideia de sua força político-eleitoral, vale ressaltar que o segundo colocado, Gustavo Mendanha (Patriota), conquistou apenas 25,20% dos votos válidos (879.031 votos). Portanto, menos da metade da votação do líder do União Brasil.

Diego Sorgatto, prefeito de Luziânia: ajuda só do governo de Goiás | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Mas há um dado relevante e pouco ventilado pela mídia: o Entorno de Brasília deu uma vitória ainda maior a Ronaldo Caiado. Em seis municípios da região, com mais eleitores, Ronaldo Caiado obteve mais de 62% dos votos. Em dois deles, superou 70% dos votos. Confira: Águas Lindas (71,55%), Cidade Ocidental (71,55%), Formosa (63,24%), Luziânia (62,30%), Novo Gama (62,74%), Planaltina de Goiás (64,49%) e Valparaíso de Goiás (59,02%). Em suma, uma vitória acachapante.

A votação mostra uma profunda identificação dos eleitores do Entorno de Brasília com o governador Ronaldo Caiado.

Pábio Mossoró: Caiado mudou a relação de Goiás com o Entorno | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Prefeitos como Pábio Mossoró (MDB), de Valparaíso de Goiás, e Diego Sorgatto (União Brasil), de Luziânia, dizem que, a partir do governo de Ronaldo Caiado, criou-se nas cidades do Entorno de Brasília uma sensação de “pertencimento”. Os moradores da região criaram um vínculo mais estreito com Goiás, pois concluíram que “pertencem” ao Estado, e não à capital do país — que, a rigor, é fonte de uma série de problemas para os municípios.

A segurança pública era um dos principais problemas do Entorno de Brasília. O crime organizado, atraído pela capital federal, se instalou na região — atuando solidamente no tráfico de drogas e outras práticas criminosas. Porém, o governo de Ronaldo Caiado adotou um combate sistemático ao tráfico e vários criminosos foram presos. O resultado é que a segurança melhorou em progressão geométrica e a criminalidade caiu.

André Mendonça, ministro do STF, entendeu que Ibaneis Rocha iria prejudicar os pobres | Foto: Reprodução

O mesmo ocorreu na saúde. Antes, havia promessas e até hospitais considerados fantasmas, porque, embora iniciados, nunca eram finalizados. Aos poucos, e em menos de quatro anos, o governo de Ronaldo Caiado contribuiu para ampliar o atendimento, o que aumentou o grau de satisfação do público.

Na educação pode-se sugerir que houve uma revolução, e não apenas no Entorno de Brasília. A sensação de pertencimento nas escolas, por parte dos alunos, é um caso raro. Os programas sociais, que são assistenciais e inclusivos, também estão contribuindo para reduzir a pobreza em todo o Estado. E, de acordo com o governo, há novidades vindo por aí.

Veto à tarifa abusiva de Ibaneis Rocha

Recentemente, sem pensar nos usuários das cidades do Entorno de Brasília, sobretudo nos pobres, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, decidiu conceder um aumento de 26% na passagem de ônibus que atendem a região. O gestor atuou em defesa do empresariado e contra os usuários.

João Campos: deputado lutou por projeto para beneficiar o Entorno | Foto: reprodução

Porém, o governador Ronaldo Caiado recorreu, de imediato, ao Supremo Tribunal Federal e o aumento foi suspenso por decisão do ministro André Mendonça, do STF.

Na sua decisão, uma liminar, André Mendonça assinalou: “Em exame de cognição sumária e provisória, concedo a tutela de urgência para determinar para determinar a suspensão do reajuste tarifário autorizado pela Portaria nº 176, de 1 de dezembro de 2022, da lavra da Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, até ulterior manifestação deste relator”.

André Mendonça concordou com o questionamento de Ronaldo Caiado e discordou da decisão de Ibaneis Rocha — que mostrou insensibilidade com os moradores das várias cidades do Entorno: “Tamanha elevação tarifária, sem que tenha havido debate prévio nem demonstração dos critérios técnico-financeiros adotados para estimá-la, traz, inequivocamente risco de dano grave à população da Ride e Entorno, público vulnerável a alterações abruptas no valor de bens e serviços de que dependem diariamente, como ocorre com o transporte coletivo de passageiros”.

Adriana Accorsi e Rubens Otoni precisam ter compromisso com o Entorno | Foto: divulgação

Ante a decisão do Supremo, Ibaneis Rocha recuou e, em tese, desistiu do aumento da tarifa.

O transporte semiurbano é usado 175 mil passageiros por dia e 400 linhas de ônibus ligam as cidades do Entorno de Brasília ao Distrito Federal.

Depois que Ronaldo Caiado se manifestou, e se conquistou a liminar, vários políticos de Brasília criticaram Ibaneis Rocha. Mas a defesa dos moradores do Entorno, feita em tempo hábil, coube ao governador de Goiás.

Mais uma vez, Ronaldo Caiado atuou como representante dos moradores do Entorno de Brasília, e com presteza e eficiência.

Governos do DF, federal e o Entorno de Brasília

Vale, porém, discutir outra questão. Há algum tempo, o parlamentar João Campos, do Republicanos, tentou, mas não conseguiu, aprovar um projeto na Câmara dos Deputados com o objetivo de beneficiar os municípios do Entorno.

Jorge Kajuru, senador, precisa ter um olhar para o Entorno do DF | Foto: Jornal Opção

Brasília, o Distrito Federal, recebe um fundo constitucional que é crucial para bancar saúde, educação e segurança pública. Trata-se de recursos extras, contingenciados para os três setores. Resulta que o governo do DF tem dinheiro sobrando para investir, por exemplo, em infraestrutura (viadutos, recapeamento de ruas etc).

Os recursos do governo do DF são fartos, pode-se dizer que há “sobras”. Porém, o Distrito Federal e o Entorno de Brasília estão praticamente emendados. Os problemas de segurança do Entorno — como o tráfico de drogas, que produz violência — se devem, em larga escala, à proximidade com a capital federal.

Vanderlan Cardoso, senador | Foto: divulgação

Brasília, por ser a capital do país, atrai pessoas de praticamente todos os Estados da federação. Porém, dada sua limitação espacial e, também, ao custo de seus imóveis, as pessoas são deslocadas para os municípios vizinhos, como Luziânia, Águas Lindas, Valparaíso de Goiás, Novo Gama, Cidade Ocidental, Planaltina, entre outras. O resultado é que tais cidades se tornaram, em certa medida, espécies de bairros de Brasília — e estão superlotadas.

Com populações imensas, em parte atraídas pelas “luzes” de Brasília — cuja “periferia” está instalada em Goiás —, os municípios do Entorno de Brasília e o governo de Goiás têm de se desdobrar para resolver problemas que, a rigor, não criaram.

Cidades que crescem em progressão geométrica — como Águas Lindas, que, com apenas 26 anos, conta com uma população de quase 230 mil habitantes (pode ser até mais, pois chega gente quase todo dia) — têm dificuldades de atender todas as pessoas, com a devida qualidade, nas áreas de saúde, educação(o número de crianças nas escolas é sempre maior do que o previsto), saneamento básico (é muito difícil financiá-lo com bairros surgindo a rodo) A prefeitura (assim como o Estado) planeja um gasto, mas o custo, dado ao crescimento veloz, acaba sendo muito mais alto. E quem tem de custear tudo são o governo de Goiás e a prefeitura municipal. Brasília não ajuda em nada (frise-se, inclusive, que muitos eleitores da capital nacional moram no Entorno de Brasília, tanto que, durante a campanha de 2022, Ibaneis Rocha circulou pela região, conversando com prefeitos e populares, sempre pedindo votos e apoios).

Wilder Morais: senador que tem negócios no Entorno | Foto: Reprodução

Entre 2023 e 2026, o PT de Goiás terá dois deputados federais em Brasília. Chegou a hora de Adriana Accorsi e Rubens Otoni, políticos de alto nível, pensarem em convencer seus pares — inclusive os demais deputados federais goianos — e o governo federal, com o presidente Lula da Silva, do PT, da necessidade de o Entorno de Brasília absorver parte do fundo constitucional que beneficia o Distrito Federal nas áreas de educação, saúde e segurança.

Adriana Accorsi, Rubens Otoni, os demais 15 deputados federais e os três senadores — Jorge Kajuru, do Podemos, Vanderlan Cardoso, do PSD, e Wilder Morais, do PL — deveriam se unir ao governador Ronaldo Caiado para a definição de um projeto para o Entorno que envolva o governo federal e, claro, o governo do Distrito Federal.

O governo federal e o governo do Distrito Federal precisam assumir alguma responsabilidade pelo Entorno de Brasília. O governo de Goiás e as prefeituras da região, com recursos finitos, não têm condições de resolver todos os problemas que existem e que vão surgir.

Repetindo: o crescimento populacional espantoso do Entorno se deve, em larga medida, ao fato de Brasília estar instalada em território goiano. Sendo assim, tais problemas têm de ser resolvidos também pelos governos federal e do Distrito Federal, e não apenas pelos governos municipais e de Goiás.

Goiás é um Estado gigantesco — maior do que Portugal, Cuba, Israel e a Suíça juntos — e, por isso, não é tão fácil administrá-lo. Dotá-lo de rodovias bem cuidadas e saneamento básico, por exemplo, é muito difícil e dispendioso. Portanto, urge que, ao menos em termos de Entorno de Brasília, os governos federal e do Distrito Federal assumam que, sendo corresponsáveis por seus problemas, ajudem a resolvê-los. Porque o governador Ronaldo Caiado prova, todos os dias, que não é omisso. Sua luta para impedir o aumento da tarifa do transporte coletivo que é o exemplo de gestor que age para proteger os moradores do Entorno de Brasília, e não, como Ibaneis Rocha, para sacrificá-los financeiramente.