As pedras no caminho dos candidatos Daniel Vilela e Ronaldo Caiado

O postulante emedebista não está conseguindo montar chapas consistentes para deputado federal e estadual e enfrenta uma poderosa resistência no MDB

Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (PMDB) vão enfrentar, no primeiro turno, a poderosa estrutura que banca a candidatura de José Eliton (PSDB); a tendência é que um deles enfrente este no segundo turno

O pré-candidato do MDB a governador de Goiás, Daniel Vilela, enfrenta uma série de problemas, que alguns de seus aliados apontam como incontornáveis. O jovem deputado federal quer disputar e sua vontade é considerada indômita pelos vilelistas. Mas, numa eleição majoritária, sobretudo para o governo, não se precisa apenas dos aliados próximos. É preciso conquistar novos aliados, sobretudo quando se enfrenta um candidato como o vice-governador José Eliton, que estará no poder, a partir de abril, e contará com um poderoso exército de cabos e generais eleitorais. Este é um dos “drummonds” no meio do caminho do emedebista. Há outros.

Só se conquista uma frente externa significativa — com partidos políticos de proa — quando se consegue unir o próprio partido. Daniel Vilela trabalha para obter o apoio do senador Wilder Morais (PP) e do ex-deputado federal Vilmar Rocha (PSD), com os quais conversa com relativa frequência. Ele tem a oferecer as duas vagas para o Senado (o que, aliás, deixaria contrariado o deputado federal Pedro Chaves, que pretende disputar mandato de senador). Porém, se não pacificar o partido, como conseguirá atrair novos aliados?

Com ao apoio subliminar de Iris Rezende, os prefeitos de Rio Verde, Paulo do Vale, de Catalão, Adib Elias (que teria o hábito de tachar os Vilelas, Daniel e Maguito, de “marconistas”), de Goianésia, Renato de Castro, e de Formosa, Ernesto Roller, com a participação do deputado estadual José Nelto e do ex-deputado estadual Samuel Belchior, estão articulando uma frente pró-Ronaldo Caiado, o pré-candidato do DEM a governador.

Iris Rezende é mais caiadista do que Adib Elias, Paulo do Vale, Renato de Castro, Ernesto Roller, José Nelto e Samuel Belchior. Mas não aparece como articulador da frente que é, a um só tempo, pró-Ronaldo Caiado e contra-Daniel Vilela. Entretanto, sem o sagaz prefeito de Goiás, a frente não teria rumo e se desmantelaria assim que Daniel Vilela fosse anunciado como candidato a governador.

Há alguma possibilidade de Daniel Vilela conquistar a frente pró-Caiado para si? Sempre há. Mas, no momento, é praticamente impossível. Por dois motivos.

Primeiro, porque tal frente avalia que o presidente do partido Demo­cratas é um candidato mais viável, porque lidera as pesquisas de intenção de voto com larga margem.
Segundo, o apoio a uma candidatura do senador enfraquece, desde já, o poder dos Vilelas, quer dizer, retira a hegemonia de Daniel e de seu pai, Maguito. Noutras palavras, o apoio a Ronaldo Caiado é sobretudo uma ofensiva contra o emedebismo dos Vilelas, que contribuíram, de maneira decisiva, para o enfraquecimento político de Iris Rezende. O senador democrata é, portanto, uma arma do decadente exército irista contra a ascensão do exército vilelista.

Há quem, no emedebismo irista, sustente que Daniel Vilela não será candidato e está “guardando” a “vaga” para Maguito Vilela, que teria mais capilaridade eleitoral. O argumento parece parcialmente positivo para o vilelismo, mas não é. Porque, no lugar de fortalecer o ex-governador, o objetivo é desmobilizar as forças que apoiam o deputado federal para o governo. Usa-se Maguito Vilela contra Daniel Vilela. O jogo pretende-se subterrâneo, mas observadores ligeiramente atentos percebem os movimentos da resistência irista, ou melhor, pró-caiadista.

Há, finalmente, um problema da maior gravidade. A frente pró-Ronaldo Caiado está erguendo um muro de Berlim para que Daniel Vilela não consiga montar uma chapa consistente para deputado estadual e deputado federal. Sem candidatos sólidos, com estruturas eleitorais nas grandes e médias cidades, o emedebista terá dificuldade de levar sua mensagem a todos os municípios. Sobretudo, não terá um exército de candidatos cacifados para pedir votos para ele. O presidente do MDB corre o risco de ficar falando sozinho e, ao deixar os municípios, depois de apresentar sua mensagem aos eleitores, não ter quem sedimente-a.
Vilelistas sustentam que Daniel Vilela visita o interior, com frequência, com o objetivo de montar as chapas para deputado estadual e federal. Em Jataí, estaria tentando convencer o ex-prefeito Humberto Machado — a figura mais importante do partido no Sudoeste goiano —, mas o emedebista estaria resistindo, alegando falta de estrutura tanto financeira quanto político-eleitoral (precisa de vários municípios para ser eleito; os Vilelas teriam “entregado” Aparecida de Goiânia, cidade com quase 300 mil eleitores, a Iris Araújo, na esperança de conquistar o apoio de Iris Rezende). Em Rio Verde, cidade mais rica do Sudoeste, tentou a candidatura de Osmar Negão, presidente do MDB, mas o prefeito Paulo do Vale decidiu que irá apoiar a candidatura de um aliado de Ronaldo Caiado. José Mário Schreiner, embora não definido, é uma possibilidade.

Adib Elias, Renato de Castro e Ernesto Roller podem apoiar candidatos que não são do MDB ou que têm pouca ligação com o partido.

Até o momento, o MDB tem apenas oito candidatos confirmados — são nomes com alguma chance de vitória — para deputado estadual: Bruno Peixoto, Clécio Alves, Lívio Luciano, Ozair José, Paulo Cezar Martins, um nome de Mineiros (bancado pelo prefeito Agenor Rezende), Max Menezes e Wagner Siqueira. O ex-deputado José Essado já avisou à cúpula do partido que, se disputar mandato de deputado estadual, não será pelo MDB. Max Menezes pertence ao PSD, mas deve ser apoiado pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, que é um dos principais aliados de Daniel Vilela. Quer dizer, é provável que Menezes apoie a candidatura emedebista.

Se lançar apenas oito candidatos consistentes, o MDB corre o risco de eleger apenas dois deputados estaduais — que precisarão obter mais de 40 mil votos. Isto é, além da bancada pequena, a maioria dos candidatos trabalhará não para si, e sim para eleger dois companheiros.

Para deputado federal, a situação é igualmente complicada. No momento, o MDB tem apenas dois candidatos a deputado federal — Iris Araújo e José Nelto. Este teme que, se não aparecerem pelo menos mais cinco candidatos qualificados, vai tão-somente contribuir para a vitória da decana emedebista. Tanto que admite ser vice de Ronaldo Caiado ou candidato a senador. Tudo o que não quer é ser sargento eleitoral da ex-deputada.

Outro problema do MDB é, apesar do fundo eleitoral, a falta de estrutura financeira. Os candidatos a deputado têm procurado Daniel Vilela para saber como será feita a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Ocorre que, antes da campanha, há a pré-campanha, quando começa a, digamos, “distribuição” de dinheiro para a formatação de alianças e conquista de apoios. No momento, o que se diz é que há uma “seca” quase total no emedebismo.

Caiado e Eliton

Frise-se que os problemas enfrentados por Daniel Vilela também são enfrentados por Ronaldo Caiado, que não tem conseguido montar uma chapa consistente de candidatos a deputado federal e estadual. O democrata contava com Jorge Kajuru (PRP) para “puxar” votos para deputado federal. Mas o vereador decidiu que irá disputar mandato de senador e tem dito que fará campanha-solo, ou seja, não demonstra interesse em compor com o candidato democrata. Resta-lhe um único candidato que deve receber uma votação qualitativa, o delegado e deputado federal Waldir Soares. Mas uma andorinha sozinha, ao menos em termos políticos, não faz verão.

Do lado de José Eliton, a estrutura poderá fazer a diferença, levando-o ao segundo turno. Há quem aposte, tanto no MDB quanto no DEM, que Daniel Vilela e Ronaldo Caiado — embora este lidere as pesquisas de intenção de votos — vão, em pouco tempo, começar um trabalho de desconstrução de suas candidaturas. Porque um deles deverá ir para o segundo turno contra o postulante tucano.

Os números atuais não deixam evidente a força de José Eliton, ainda desconhecido de parte significativa do eleitorado. Entretanto, começada a campanha, a estrutura (e o fato de que assumirá o governo em abril) o tornará conhecido rapidamente e, por certo, fará a diferença. Frise-se, então, que, se quiserem chegar ao segundo turno, Ronaldo Caiado terá de trabalhar duramente para retirar Daniel Vilela de seu caminho e que este terá de remover aquele de sua rota.

Recomenda-se que o leitor não cristalize uma interpretação do quadro eleitoral a partir das atuais pesquisas de intenção de voto, que são extemporâneas. Vale esperar um pouco mais para “formalizar” e “aceitar” conclusões peremptórias.

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Sofia

Kkkkkkkk caiado ta mt na frente vai da e uma sova no eliton isso sim jornal imparcial

Lennon Machado rives

Caiado e Daniel , tem que fazer União, se não vão perder feio , para a máquina do estado, pense nisso.