Aos 45 anos, o Jornal Opção muda, mas não perde sua identidade analítica

Em termos políticos, o Jornal Opção é o veículo de comunicação mais influente de Goiás, distinguindo-se dos demais por sua análise atenta e matizada dos movimentos políticos e sociais

Em 1975, com o presidente-general Ernesto Geisel no poder, o Brasil se encaminhava para novos tempos, em busca da retomada da democracia. Sabia-se, pelo pouco que diziam Geisel e seu fiel escudeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que se pensava numa política de distensão, cujo fim seria a Abertura. Mas em dezembro daquele ano, logo após o fim do governo cruento do presidente Emilio Garrastazu Médici, o governo do chamado “grupo da Sorbonne” — o que havia apoiado a gestão do “moderado” general Castello Branco —, não se tinha uma ideia nítida do que a dupla Geisel e Golbery, o sacerdote e o feiticeiro, realmente pretendia. Ou melhor, ambos queriam a Abertura, mas deveria ser “lenta e gradual”, num movimento de sístole e diástole.

Um ano antes, Chico Buarque, sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide (para burlar a censura), gravou uma música, “Acorda, amor”, que indicava que os tempos ainda eram — apesar da expectativa de distensão — perigosos: “Acorda, amor/Eu tive um pesadelo agora,/Sonhei que tinha gente lá fora,/Batendo no portão, que aflição!” Mesmo com Geisel sendo mais moderado do que Médici, havia uma paranoia no meio militar de que o movimento comunista permanecia “forte” — o que não procedia. Os tempos eram difíceis, mas, mesmo assim, o jornalista e economista Herbert de Moraes Ribeiro, depois de examinar jornais de opinião, como o “Opinião”, decidiu lançar um jornal.

Não um jornal como o outros, os ditos “factuais” — registradores de fatos —, e sim um veículo de comunicação que analisasse os fatos e, conectando-os de maneira ampla, explicasse-os de maneira clara e objetiva aos leitores. Não era, lógico, um jornal para “fazer cabeças”, e sim para contribuir para que o leitor, tão bem informado quando formado, examinando a análise, pensasse pela própria cabeça.

E foi assim. O Jornal Opção, em plena ditadura, examinava os fatos, explicava-os detidamente, muitas vezes desagradando os poderes, notadamente o Executivo. Por nunca se curvar ante o poder, mantendo sua linha, mesmo em tempos difíceis, o jornal se tornou um patrimônio dos goianos e, portanto, dos brasileiros. Não à toa suas edições são pesquisadas, frequentemente, por mestrandos e doutorados de várias universidades. Suas reportagens e análises são citadas em dezenas de livros (como os de Elio Gaspari, Luiz Maklouf Carvalho).

Hoje, o Jornal Opção está completando 45 anos — quase meio século de vida.

Um dos mais lidos e influentes

Quarenta e cinco anos depois, o Jornal Opção mudou e avançou. Hoje, é um jornal diário, com uma edição impressa semanal. No dia a dia, o jornal faz uma cobertura dos fatos, por vezes analisando-os e esmiuçando-os para os leitores. Aos domingos, publica uma edição mais analítica. A capacidade de analisar os fatos, provando que podem dizer mais do que aparentemente estão dizendo, distingue o jornal da maioria das outras publicações. A redação é incentivada a reforçar sua massa crítica. Durante a cobertura da campanha deste ano, a diretora-editora responsável do jornal, Patrícia Moraes, filha de Herbert de Moraes Ribeiro, passou o tempo inteiro incentivando os jornalistas a fazerem uma cobertura mais ampla e crítica. Sempre disse aos repórteres para manter uma cobertura isenta e, ao mesmo tempo, crítica. Em poucas palavras, a jornalista defendeu, e sempre defende, que o jornal deve fazer uma cobertura factual ampla, com espaço para todas as correntes. Mas sem renunciar a ter a própria opinião sobre os acontecimentos.

Note-se a diferença entre o Jornal Opção e “O Popular”. Na campanha eleitoral deste ano, baseado numa única pesquisa, do instituto Serpes, “O Popular” sugeriu, numa reportagem, que o deputado estadual Antônio Gomide seria eleito prefeito de Anápolis. Num texto premonitório, o Jornal Opção sugeriu que qualquer conclusão era extemporânea, pois uma pesquisa, tão-somente uma, não avalia, com precisão, o quadro político de uma cidade como Anápolis, dada a reviravoltas surpreendentes. O jornal frisou, inclusive, que, em 2016, o prefeito Roberto Naves (Progressistas) também não havia saído em primeiro, de cara, mas acabou ganhando a eleição. Em 2020, abertas as urnas, Roberto Naves havia sido reeleito.

Em Trindade, município da Grande Goiânia, dizia-se a mesma coisa: o prefeito seria o Dr. Antônio Carlos Caetano, do partido Democratas, ou então George Morais, do PDT. O jovem Marden Júnior “era” carta fora do baralho. O Jornal Opção, mais uma vez na contramão do conformismo — gerado, em regra, pelas pesquisas de intenção de voto —, ressalvou que havia um movimento, sutil mas perceptível àqueles que observam a realidade com mais atenção, de mudança no quadro e que Marden Júnior poderia ser eleito. Não deu outra: o postulante do Patriota foi eleito.

Com a internet, caiu por terra a ideia de que há jornais nacionais e jornais regionais. Na verdade, todos se tornaram nacionais e, até, internacionais (o Jornal Opção, vale acrescentar, é lido em vários países europeus, na China e nos Estados Unidos). No momento, Goiânia é a cidade onde se concentram grande parte dos leitores do jornal, mas, por vezes, em segundo lugar aparecem São Paulo (a capital), Brasília e Rio de Janeiro. A audiência do jornal é uma das mais altas de Goiás (em termos políticos, seguramente é o mais influente). E se trata, sobretudo, de uma audiência qualificada.

O Jornal Opção mudou, mas não mudou sua identidade. Permanece mantendo sua conexão profunda com os goianos, defendendo os interesses de Goiás, mas está sempre mudando, adaptando-se aos novos tempos. E continua firme no seu propósito de explicar o tempo histórico para seus leitores e, de alguma maneira, contribuir para melhorar o Estado para todos os goianos.

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